Raymond KurzweilA minha crónica semanal no jornal i, desta vez retomando a questão da Singularidade.Há 2 semanas referi o conceito de singularidade, o momento do futuro em que a evolução tecnológica torna-se tão rápida e de forma profunda que representa uma ruptura na construção da história do Homem.Curiosamente, a edição da semana passada da revista Time aborda essa temática, focando um dos seus maiores pensadores, o futurista Raymond Kurzweil. Engenheiro, inventor, orador internacional, Kurzweil começou por analisar os grandes passos da humanidade e a contar os intervalos entre os mesmos: entre a revolução agrícola e industrial tivemos 8000 anos, entre a lâmpada e a chegada à Lua viveram-se 90 anos e são apenas 9 os anos que distam entre o aparecimento da internet e o mapeamento do genoma humano.O progresso não é linear, é exponencial! Os intervalos são, agora, vírgulas. Para Kurzweil, a singularidade ocorrerá em 2045, o ano em que a quantidade de inteligência artificial criada será mil milhões de vezes superior ao somatório de toda a actual inteligência humana. Para onde seguirá tal criatura? E nós?Hoje, 30 000 pacientes com Parkinson têm implantes electrónicos, há robôs a combater no Afeganistão e, em 1997, Kasparov perdeu um jogo de xadrez para um computador e felicitou-o. A nossa convivência com as nossas criações artificiais é um namoro pacífico. "O Homem não é a soma do que tem, mas a totalidade do que ainda não tem, do que poderia ter", dizia Sartre. Somos uma constante e imparável singularidade.
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Singularidades Urgentes (Parte II)
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February 21 2011, 3:31am | Comments »
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O Tempo Egípcio
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Sirius, uma das mais importantes estrelas da antiga astronomia egípciaA minha crónica semanal no jornal i, esta semana dedicada a um outro Egipto ...É uma mera curiosidade histórica; nestes tempos conturbados em que o planeta está mergulhado, repare-se na ironia de assistirmos em directo às fragilidades sociais, económicas e políticas de grandes potências com um passado clássico a quem a nossa cultura tanto deve: Grécia e Egipto. Seguir-se-ão os colossos dos Descobrimentos e do Renascimento? Divagações! Como bem reconhecida é a herança grega, falemos do Egipto e da sua astronomia. Para além da ligação da posição das grandes pirâmides com o mapa celestial nocturno, os egípcios tinham um interesse particular por uma estrela que se tornou divindade: Sirius. Majestosa, azul real fascinante, era ansiosamente esperada de manhã; se aparecesse pouco antes do nascer do Sol, trazia um aviso: o rio da vitalidade, o Nilo, inundaria os campos. Para além de Sirius, procuravam também outras 36 estrelas igualmente distanciadas no espaço e que, de dez em dez dias, nasceriam igualmente pouco antes do Sol - seriam as estrelas decanas e aí residiria a base para o ano egípcio (36X10=360) que, mais tarde e melhorado, chegou até nós. Sabiam, também, que o céu parecia rodar à nossa volta e, assim, as decanas deveriam nascer em intervalos regulares na escuridão da noite. Estimavam que nasceriam 12 decanas durante a noite, o mesmo número durante o dia, uma por cada hora. Surge então a duração de um dia: 24 horas. Temos, assim, a glória da astronomia egípcia em cada batimento do nosso moderno Tempo!
February 14 2011, 3:30am | Comments »
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Singularidades urgentes
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A minha crónica semanal no jornal i; singularidades, voos interestelares, devaneios..."Estamos hoje mais perto ou mais longe de concretizarmos voos interestelares do que Leonardo da Vinci, em 1485, de ver realizado o seu avião?", perguntou, em 2002, Louis Friedman, ex-director e fundador da The Planetary Society. Entre o génio renascentista e os irmãos Wright há quatro séculos de epopeias. Friedman, obviamente, não tem uma resposta definitiva mas uma suspeita: estamos mais perto. Exercício de fé? Nem tanto. Em 2010, quando voltou a pensar no assunto, emocionou-se com o progresso feito ao nível da nanotecnologia, as emergentes e promissoras novas formas de propulsão, a exponencial evolução na área dos materiais ou o crescente envolvimento do sector privado na aventura espacial. Nada de ilusões, falta muito, sobretudo no estudo das nossas limitações físicas e biológicas. A ficção científica tem um termo interessante: ponto de singularidade, um tempo hipotético do futuro em que o progresso tecnológico se torna magicamente rápido, provocando uma profunda décalage em relação à realidade e às escalas e tornando impossível prever qualquer tipo de futuro, mesmo o mais imediato. Uma abstracção filosófica, quiçá, mas que alguns pensam que poderá ser um dos fenómenos palpáveis do nosso tempo e um dos ex libris desse momento de viragem será, precisamente, enquadrarmos a nossa civilização como viajantes interestelares. Uma vez que já chegámos à "singularidade económica/financeira", aguardemos, com ansiedade, a tecnológica!
February 7 2011, 2:55am | Comments »
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Pluviosidades anelares
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Excepcionalmente numa 3ª feira, a minha crónica semanal no jornal i. Uma viagem no tempo e no espaço com os anéis de Saturno como pano de fundo...Na semana passada, a sonda Cassini, que se encontra no código postal de Saturno e arredores, voltou a tirar mais algumas belas fotografias dos seus anéis. Hoje, estas imagens são já tão corriqueiras que passamos pelas mesmas sem um mínimo repouso visual.Por vezes, estas estranhas entidades de poeiras e pequenas rochas (que terão pertencido a uma lua que não chegou a formar-se e ficou para sempre desfragmentada à volta de Saturno) ainda nos confundem: lembra-se daquele atleta que corria por cima dos anéis num famoso anúncio publicitário de uma marca de vestuário desportivo? Ainda se perguntou: aquilo é mesmo possível?Mas, historicamente, os lindos anéis serviram para outros propósitos. Isaac Newton Vail (e este último nome é fulcral para não se confundir com o génio inglês do séc. XVIII), cientista da religião Quaker, estabeleceu, em 1886, uma teoria que defendia que a Terra teria, há muitos anos, um conjunto de anéis em tudo semelhante a Saturno. Aliás, para Vail, todos os planetas tiveram anéis num qualquer passado.O que aconteceu aos nossos? Perderam o equilíbrio, colapsaram em direcção à superfície e, quando chocaram com a atmosfera, dissolveram-se numa tenda de vapor de água 150 km acima do nível das águas. Essa tenda tornou-se instável e desabou sob a forma de chuva intensa e duradoura; nesse tremendo temporal, Vail encontrou a causa e a explicação maior para o Dilúvio referenciado na Bíblia!Haja anéis divinos!
February 1 2011, 2:37am | Comments »
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Challenger: 25 anos depois.
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A minha crónica semanal no jornal i. Esta semana, relembrando um momento negro da história da exploração espacial.O relógio marcava 11h39 da manhã na Florida, EUA; eram 16h39 em Portugal continental. Uns minutos antes e ainda na manhã desse dia 28 de Janeiro de 1986, um jornalista da rádio que se encontrava relativamente afastado da rampa de lançamento 39B pergunta ao seu editor se podia fazer a cobertura em directo do lançamento de mais uma missão do vaivém, dessa vez o Challenger. Era o 25.o lançamento e a taxa de sucesso era triunfal, o que tornava o evento vulgar para os media. A resposta do editor parece-nos hoje pesarosamente irónica: "Telefona-nos só se rebentar"! E, 73 segundos após o lançamento, o mundo parou e não acreditou! A tripulação: Michael J. Smith, Dick Scobee, Ronald McNair; Ellison Onizuka, Gregory Jarvis, Judith Resnik e ainda Christa McAuliffe, a primeira professora no espaço, um poço de simpatia, a imagem da mulher exemplar, uma pura jogada (genial, diga-se) de marketing da NASA. Ao contrário do que a ensurdecedora desintegração (e não explosão) faz parecer que terão morrido apenas quando o compartimento onde viajavam embateu no oceano a mais de 320 km/h. Mais tarde, nas investigações, acrescentou-se uma nova entrada no vocabulário da tragédia: anel-O, um componente mecânico, um anel que, quando comprimido, facilita a união entre duas partes. Um desses anéis não estaria nas melhores condições devido ao frio gélido que se sentia no dia do lançamento. Foi há 25 anos... Onde estava quando o Challenger desabou?
January 24 2011, 3:18am | Comments »
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Tempestuosas Antíteses da Matéria
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A minha crónica semanal no jornal iForam dois irmãos quase gémeos separados à nascença. Bem, tecnicamente não foram separados: guerrearam epicamente entre si, um deles ganhou implacavelmente. Felizmente para nós foi a matéria. E se vencesse a antimatéria? Poderíamos ser constituídos de antimatéria? Sim, mas não seria bem a mesma coisa. A matéria tem partículas (o electrão, de carga eléctrica negativa, por exemplo) e é tudo o que nos rodeia; a antimatéria é constituída por antipartículas (por exemplo: o positrão, em tudo igual ao electrão, mas de carga positiva). Estes "anti" são um dos grandes mistérios do universo. Matéria e antimatéria têm uma estranha e pouco social característica: quando se cruzam, aniquilam-se e libertam uma radiação altamente energética; digamos que é a assinatura da presença da antimatéria! Eis uma descoberta recente: este tipo de "fenómeno pirotécnico" ocorre nos fortíssimos campos eléctricos que se situam no topo das tempestades terrestres. Aí, num dantesco filme de extrema violência física entre electrões furiosamente velozes e núcleos de átomos, partículas e antipartículas, matéria e antimatéria são expulsos do nosso planeta e alguns caíram no telescópio espacial Fermi. Por isso, na próxima vez que enfrentar uma tempestade, lembre-se que "lá por cima" está a ser criada uma das mais exóticas e misteriosas "coisas" deste nosso Universo, algo que ainda não é propriamente uma bonança para os cientistas que estão muito longe de a entender.
January 17 2011, 2:44am | Comments »
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Azares, Esquecimentos ou Batotices?
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A minha crónica semanal no jornal i.A história e da busca do conhecimento nem sempre é tão linear como parece. Por vezes a atribuição correcta dos louros das descobertas é algo obscuro, digno de uma investigação de Sherlock Holmes. Encontramos personagens injustamente atropeladas pela História ou pela mera sombra dos génios dos seus tempos, desencontros nebulosos de cronologias e até mesmo trapaceiros que reclamaram a glória indevidamente. Eis um caso curioso, o de Simon Marius, astrónomo alemão que nasceu há precisamente 438 anos. No final de 1608 soube através de um oficial de artilharia que na Feira de Frankfurt um holandês lhe tinha tentado vender o que viria a ser o modelo mais primitivo do telescópio. A partir dos detalhes revelados rapidamente construiu um e, provavelmente a partir de 1609, observou todo um universo que até então estava escondido. Foi um dos primeiros a observar a galáxia de Andrómeda e possivelmente as luas de Júpiter. Possivelmente - porque não publicou tal descoberta, apenas a proclamou na altura! Galileu, inteligentemente, fê-lo, reclamando para si a descoberta das luas a 7 de Janeiro de 1610. Marius tinha fama de batoteiro e por isso foi esquecido. De facto, os seus registos da "descoberta" datam de 1613. Ironicamente, ao lado do seu registo anotou nomes para as luas: Io, Europa, Ganimedes e Calisto. E foram esses os nomes eternizados pela História. A descoberta é do imortalizado Galileu, a toponímia do esquecido Marius.
January 10 2011, 2:59am | Comments »
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Transições Maravilhosas
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em final de ano e início de década, eis a minha crónica semanal no jornal i sobre uma das mais fascinantes transições no mundo da Física.Se astronomicamente o dia 1 de Janeiro nada tem de interessante, humanamente damos a essa data uma vestimenta de renovação, de novos mundos e um quebra de fronteira temporal! Falemos então de barreiras e de outros mundos, de domínios intimamente físicos. Em "Alice no País das Maravilhas", Lewis Carroll seduz-nos com um mundo em que tudo e todos desafiam a nossa lógica: temos animais e cartas falantes, bolos que nos fazem crescer nove metros, lagos de lágrimas e dimensões que se perdem no absurdo! O País das Maravilhas está do outro lado de uma pequena porta. No mundo da física há algo parecido; para além da "razoabilidade" do quotidiano a que nos acostumamos e das regras físicas que conhecemos, existe um outro país, igualmente maravilhoso, mas dominado pela poderosa mecânica quântica, que verga a relatividade e a gravidade. A porta que separa estes mundos chama-se "comprimento de Planck" e, como o nome sugere, é medido por um número: 0,16 trilionésimos de trilionésimo de metro, ou seja, zero vírgula trinta e quatro zeros seguidos de 16 centímetros. Ali as certezas transformam-se em probabilidades ("Deus jogará aos dados?", indignou-se Einstein), há estranhas cumplicidades entre partículas e o ser mistura-se com o não- -ser. De uma maneira fascinante, estes eventos do microcosmos também nos ajudam a compreender o gigantesco mundo dos buracos negros e das mais complexas teorias cosmológicas! Que o seu 2011 não seja igualmente maravilhoso ou quântico. Ou que seja, já não sei!
January 3 2011, 3:12am | Comments »
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2010 espacial
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A minha crónica semanal no jornal i.Nesta última crónica de 2010 respeitamos uma certa tradição e vamos referir algumas descobertas espaciais que a Humanidade assistiu ao longo deste ano. Enquanto que na Terra foi inaugurado o primeiro aeroporto espacial e abriram-se as portas dos céus aos privados, em cima de nós a Estação Espacial Internacional completou 10 anos de presença humana permanente. Apesar das mais de 600 experiências científicas realizadas, o seu propósito ainda é discutido; o seu financiamento futuro uma incógnita. A Lua foi, de novo, notícia em 2010: parece que tem alguma agitação química e que afinal poderá ter água. A Lua foi também visitada pela Índia com a sua sonda Chandrayaan-1 e a China também por lá navegou com a Chang''e 2. Pelo reino dos asteróides, a sonda japonesa Hayabusa, que tinha partido do conforto terrestre em 2003 em direcção ao asteróide Itokawa, regressou em Junho com poeiras do mesmo e a Epoxi estudou de perto o cometa Hartley 2. Mais longe, Titã, uma das luas de Saturno, continua a entusiasmar: cada vez mais se parece com a Terra primitiva e pergunta-se: tem ou poderá ter vida? E Encelado, outra lua de Saturno, mostrou monstruosas erupções de vapor de água e gelo: terá um oceano subterrâneo? E planetas extrasolares? Já são mais de 500! No cair do pano, tivemos uma nova e polémica forma de vida amiga do arsénico. Tudo isto em 31536000 segundos. Tudo isto em forma de aperitivo para muito mais. Boa nova órbita à volta do Sol!
December 27 2010, 3:06am | Comments »
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Dyson no sapatinho de Natal
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Freeman Dyson: 87 anos de excelênciaA minha crónica semanal no jornal i, esta semana totalmente dedicada a Freeman Dyson.Seriam precisas crónicas às dúzias para o descrever minimamente e falta tanto nesta crónica. Falta dizer, por exemplo, que não consigo ler muitas páginas seguidas dos seus livros, tal não é a cascata de ideias, provocações e sonhos que ele tão carinhosamente nos tenta transmitir...Franzino, olhos profundos, negros, de mocho, orelhas grandes e pontiagudas, sorriso de criança que tem sempre o mundo por descobrir. Fez, no passado dia 15 deste mês, 87 anos, mas é talvez a mente mais jovem e refrescante do nosso tempo. Lembro-me como se fosse hoje de todo o empolgamento, do delírio imaginativo (mas com realismo científico), da onda de futuro que cada capítulo do seu livro "Infinito em Todas as Direcções" (Gradiva, 1990) me provocou. A ciência é apenas um mosaico; para Dyson, o futuro era uma das suas casas. Um futuro pensado por um cientista, é certo, mas com economia, história, política, teologia e emoção misturadas numa manta de retalhos, de "pormaiores" do âmago da humanidade. O seu tempo levou-o a combater na 2.a Guerra Mundial, gerando um conflito entre a sua intimidade moral e o dever. No seu livro mais tocante, "Disturbing the Universe", tristemente sem edição portuguesa, Dyson conta-nos que aquela que viria a ser sua mulher se tinha refugiado num bunker alemão quando o seu esquadrão bombardeou a sua aldeia. 30 anos depois, quando visitou o local com o seu filho de sete anos, este perguntou- -lhe: "Então a mãe estava aqui escondida enquanto os teus amigos a bombardeavam?" Dyson não teve resposta, mas os seus livros são uma contrição com esperança embrulhada em papéis de sonhos no espaço, harmonia do homem com a natureza e o futuro das nossas relações. Num mundo sedento de mitos de excelência, convido-o a apreciar Dyson!
December 20 2010, 2:26am | Comments »
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