Anúncio recebido da Imprensa da Universidade de Coimbra:Incluída no ciclo de tertúlias (com organização de Ana Paula Arnaut) sobre as obras eleitas no âmbito do projecto “Dez Paixões em Forma de Romance” (uma parceria Imporensa da Universidade- Centro de Literatura Portuguesa -Biblioteca Geral) realiza-se uma tertúlia sobre a obra Esteiros, de Soeiro Pereira Gomes, que terá lugar no próximo dia 2 de Março (4.ª feira), pelas 18h00, no Museu Nacional de Machado de Castro, contando com a presença de António Apolinário Lourenço e de Carlos Fiolhais. A entrada é livre.Clicar para ver cartaz.
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Esteiros
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February 23 2011, 3:53pm | Comments »
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Química na Literatura
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Texto recebido de Sérgio Rodrigues, professor de Química na Universidade de Coimbra:O interessante texto que o Carlos Fiolhais escreveu para o jornal Sol sobre Química e Literatura, a propósito do Ano Internacional da Química, encontra uma perspectiva complementar num texto que escrevi em 2008 na Aba de Heisenberg, o qual apresento aqui ligeiramente editado:A química, em comparação com a física e a biologia, aparece relativamente pouco na literatura. Embora esteja presente em todo o lado na síntese e transformação de quase todos os materiais que nos rodeiam e ainda na análise das composições e detecção de perigos, não aparece ao leigo como uma coisa assim tão espectacular. Falta-lhe buracos negros e viagens no tempo, manipulação genética e resssureição de dinossaurios. Embora, actualmente, com as séries e livros de criminologia, a química seja mais visível, esta aparece na perspectiva técnica da realização dos crimes e sua descoberta, e não como uma forma de criação. Mesmo o Sherloque Holmes de Conan Doyle, personagem quase linear mas com o seu fundo de contradições, praticava a química para fazer novas descobertas no campo da criminologia; não era apenas um utilizador de técnicas químicas.De facto, a química tem perdido na literatura a sua imagem de ciência de criação, no sentido filosófico, para se tornar uma ciência de criação de problemas concretos e práticos e sua resolução. A tradição alquímica ainda fornece temas, mas estes estão cada vez mais esbatidos. O cientista que se confunde com a sua criação, Frankenstein, ou O estranho caso do Dr Jekyll e Mr Hide, deram lugar à química prática da vida completamante controlada (embora à beira do abismo) do Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley. O cientista louco (muitas vezes um químico com a ideia megalómana de dominar o mundo) está em desuso. A loucura hoje em dia é ficcionada nas pequenas acções domésticas ou nas acções aparentemente inocentes do colectivo. Não é o cientista louco que vai destruir o mundo, somos todos nós aqueles que predamos os recursos e vamos sendo alienados pelo conforto moderno. E por aqui os químicos até podem começar a ser os bons; os que descobrem os problema a tempo e apresentam soluções mais verdes.Numa vertente mais poética e profundamante ligada à filosofia e à procura de verdades profundas sobre nós e sobre o mundo, encontramos por vezes a química e os processos químicos como metáforas e imagem da vida. Por exemplo, As Afinidades Electivas de Goethe ou O Sistema Periódico de Primo Levi. Também os poemas de António Gedeão nos trazem a química para a vida. E não podemos esquecer a obra do químico Isaac Asimov e o singular Tio Tungsténio de Oliver Sacks.Na ficção moderna, desde uma contaminação causada por industriais maus, que despejavam benzeno nos rios na narrativa linear de Robin Cook, e um acidente com um produto químico que nunca se sabe o que é, na sociedade alienada de Ruído Branco de Don Dellilo, até ao acidente radioactivo que origina o comentário que é o título de Morrem Mais de Ataque Cardíaco... de Saul Bellow, há bastantes perspectivas dos problemas humanos que envolvem a química.Bibliografia consultada (para além dos livros referidos):- Roslynn Haynes, "The Alchemist in Fiction: The Master Narrative" HYLE 12 (2006) 5.- Peter Weingart, "Chemists and their Craft in Fiction Film" HYLE 12 (2006) 31.- Philip Ball, "Chemistry and Power in Recent American Fiction" HYLE 12 (2006) 45.- Charles A. Lucy, "Analytical Chemistry: A Literary Approach" J. Chem. Educ. 77 (2000) 459.Sérgio Rodrigues
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February 10 2011, 9:18am | Comments »
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QUÍMICA E LITERATURA
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Minha crónica no "Sol" de hoje:As Nações Unidas determinaram que 2011 fosse o Ano Internacional da Química e, por todo o mundo, celebram-se os triunfos dessa ciência. Hoje não podemos viver sem a química, que, de uma forma ou de outra, está em todo o nosso quotidiano: os remédios, os alimentos, os materiais, etc.Mas, para verificar que ela está também presente na literatura, basta atentar em alguns exemplos. O maior dramaturgo de todos os tempos, o inglês William Shakespeare, tinha uma boa bagagem de conhecimentos científicos. Na sua peça Romeu e Julieta o envenenamento de Romeu deve-se a um veneno comprado num boticário. Nesse tempo, porém, estava ainda muito longe a química que conhecemos hoje, existindo em vez dela a alquimia. A química moderna só surgiu no final do século XVIII, graças principalmente ao francês Antoine Lavoisier. Logo a seguir, na reacção romântica ao iluminismo, entra na literatura, pela mão do germânico Johann Wolfgang Goethe, um alquimista da geração anterior a Shakespeare, o Doutor Faust: a tragédia Fausto imortalizou como um dos mitos da ciência o protagonista de um suposto pacto com o demónio. De resto, Goethe é o autor de um outro título inspirado na química, As Afinidades Electivas.Já no final do século XIX, com a química pujante nos laboratórios, e com a aparição da química forense devido ao desenvolvimento de técnicas analíticas, não admira que o inglês Arthur Conan Doyle tenha criado um outro lendário personagem literário, Sherlock Holmes, como um químico capaz de encontrar um reagente identificador de sangue (na novela Um Estudo em Vermelho).Dando um pulo até ao século XX, onde a química entrou em força na indústria, no seu caminho para entrar nas nossas vidas, multiplicaram-se as obras literárias de temática ou de inspiração química. A minha preferida é o Sistema Periódico (Gradiva, 1988), do químico italiano Primo Levi, mais conhecido por ter experimentado os horrores do Holocausto: é um livro onde os elementos da tabela periódica são o mote para histórias pessoais. A Royal Society de Londres, num inquérito de 2006, apurou que esse era o melhor livro sobre ciência de sempre, pelo que a obra, há muito esgotada entre nós, merece reedição neste Ano da Química. Uma obra mais moderna de um grande romancista norte-americano da actualidade, Don deLillo, Ruído Branco (Sextante, 2009), reflecte a omnipresença da química na contemporaneidade. Mas, se esse livro está traduzido, outras obras recentes relacionadas com a química ainda esperam edição nacional: é o caso de Gravity’s Rainbow, do génio excêntrico norte-americano Thomas Pynchon, ou de Gain, do seu compatriota Richard Powers, que como ele começou por estudar ciências para só depois enveredar pela literatura. Não falta química nos romances…
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January 27 2011, 9:43pm | Comments »
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O MESSIAS
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Informação recebida da Bizâncio sobre uma história de um judeu famoso do século XVI que passou por Portugal:Título: O Messias, 3.ª ediçãoAutor: Marek HalterColecção: Ilhas Encantadas, 1Romance Histórico______________________________________________________________«A passagem de Reubeni por Portugal (…) provocou ao que parece conversões ao judaísmo, como a de Diogo Pires que tomaria o nome de Salomão Molco.»Maria José Pimenta Ferro TavaresDavid Reubeni diz-se general de um exército vindo do deserto, enviado por seu irmão José, o soberano do misterioso reino de Chabor. O seu projecto é arrojado: reunir na Europa um exército judeu que deverá tomar aos turcos a terra de Israel e constituir aí um reino judeu, devolvendo ao ocidente cristão o controlo dos lugares santos de Jerusalém. De olhar sombrio e aparente indiferença perante os clamores que suscita, este homem leva o seu projecto a Veneza; a Roma, à corte do papa Clemente VII; ao rei de Portugal D. João III; a Francisco I de França e até ao imperador Carlos V. Para os milhões de judeus europeus, perseguidos ou dificilmente tolerados, expulsos de Espanha, convertidos à força em Portugal, David Reubeni torna-se o Messias e por todo o lado a exaltação mística alimenta a lenda. Levará a bom termo o seu arrojado projecto? Escapará às apertadas malhas da Inquisição?
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January 18 2011, 10:31am | Comments »
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O BOBO DA "NOITE DE REIS"
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Ontem ri-me a bom rir na Oficina Municipal de Teatro de Coimbra a ver "A Noite de Reis" de William Shakespeare (que data de ca. 1600), num espectáculo do Teatrão. De entre um grupo variado de personagens, alguns dos quais trocam alegremente de identidade, a minha preferência recai no bobo. É ele que diz a certo passo (uso a tradução de Henrique Braga, revista por João Grave, Lello Irmão, 1988):"Agora vereis; eles [os amigos] elogiam-me e fazem também de mim um asno, ao passo que os meus inimigos me dizem sem rodeios que eu sou um idiota. Assim, é, que, com os meus inimigos, me aprendo a conhecer-me e, com os meus amigos, ando enganado” (V, I).E é dele que a personagem Violeta diz, numa tirada bem shakespereana: “Este espertalhão tem juízo bastante para fazer de bobo: ora, para desempenhar bem tal papel é preciso presumir um certo espírito; tem de se estudar o génio daqueles com quem se graceja, a qualidade das pessoas, e as ocasiões; e, como o falcão arisco, precipitar-se sobre qualquer ave que se lhe depara. É uma arte tão difícil como a do homem cordato; porque a loucura que se mostra ajuizada é hábil, ao passo que, quando os cordatos caem na loucura, deslustram inteiramente o seu espírito."(III, 1).Na figura: o bobo e o duque da "Noite de Reis" numa gravura anónima de 1870.
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January 14 2011, 3:43pm | Comments »
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Porquê escrever?
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Os escritores podem escrever por diversas razões. Podem, por exemplo, escrever porque um jornal lhes pede para explicar ao público as razões porque escrevem. O "El País Semanal" perguntou, no primeiro número deste ano, a vários escritores porque é que escreviam. E que ficou o público a saber?Umberto Eco é sucinto:"Porque gosto".O mesmo com Carlos Fuentes, que responde com outra pergunta:"Porque respiro?"Achei particularmente interessante a resposta de John Banville, autor de várias novelas relacionadas com a ciência, que remete para outros escritores:"Escrevo porque não sei escrever. Um jornalista perguntou uma vez a Gore Vidal porque escreveu Myra Breckinridge, e ele respondeu: "Porque não existe". Foi uma boa resposta. Pôr algo de novo no mundo é um privilégio que não é concedido a muita gente. E, mais a mais, a realidade não é real para mim até que tenha passado pela peneira das palavras. Por isso, suponho que escrevo com o fim de imaginar a realidade totalmente real. A arte cria a vida, disse Henry James, e assim é de facto".Por seu lado, Javier Marías é o que se pode chamar um homem prático:"Como já disse de outras vezes, escrevo para não ter um chefe nem ter que me levantar cedo.Também porque não há muito mais coisas que saiba fazer e prefiro escrever - diverte-me muito mais - do que traduzir ou dar aulas, que ao que parece também sei fazer. Ou sabia, são actividades do passado. Também escrevo para não dever quase nada a quase ninguém e não ter que cumprimentar quem não quero.Porque penso melhor quando estou diante da máquina de escrever do que em qualquer outro lugar e circunstância.Escrevo romances porque a ficção tem a faculdade de nos ensinar o que não conhecemos e o que não acontece, como diz um personagem do romance que acabo de escrever. E porque imaginar ajuda muito a compreender o que, de facto, nos acontece, isso a que se chama "real".O que não faço é escrever por necessidade. Podia passar anos muito tranquilo, sem escrever uma única linha. Mas é preciso ocupar o tempo nalguma coisa e é preciso ganhar algum dinheiro. Também escrevo por isso."
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January 4 2011, 3:07am | Comments »
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Um escritor escreve sobre um erro clínico
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Outras Boas Festas muito originais que recebemos vieram do escritor Cristóvão de Aguiar que as fazia acompanhar de um texto onde, com o seu inconfundível estilo literário, relatava a sua sofrida odisseia clínica, que terá a ver com um erro (um assunto recorrente neste blogue).Já resido neste hotel de meia estrela há quase três semanas. Perfazem-se três semanas exatamente amanhã. Como muito bem sabes, fui submetido a uma cirurgia que se pressupunha simples e se complicou por mero desleixo médico. Desleixo, incompetência, arrogância de quem tira uma especialidade em Paris e julga que ficou a saber toda a medicina do Universo e cercanias...Não há ninguém, a não ser os deuses a quem já lhe foram impostas as insígnias, que não cometa um engano ou erro. O mais pintado os comete, mas há quem não possua ou não queira possuir a humildade de reconhecer o erro ou a falta cometida. Coimbra é uma cidade de sábios. Nunca se enganam. Este privilégio pertence ao parágrafo único da sebenta. Sempre assim foi, daí o seu atraso secular. Muitos quefazeres têm os médicos deste Centro Cirúrgico, falsamente considerado como a cereja no cimo do bolo da cirurgia paroquial, coimbrinha, mas com sérias pretensões a galgar o patamar ou o patíbulo da notoriedade nacional… A narrativa desenrola-se num ápice.Calhou ser eu a vítima de um enxerto do ilíaco para o maxilar superior, já mirrado de osso para poder suportar alguns implantes dentários. Dessa parte do ato, nada a apontar: nem um suor ou lágrima de dor em nenhuma das fases por que tem de passar uma operação cirúrgica. Serviço bem feito! A coxa direita, coitada, é que pagou todas as favas do bolo-rei da melodiosa quadra natalícia, este ano com racionamento de açúcar e muitas outras escassezes sopradas das europas do mundo… Pressupõe-se que um vaso sanguíneo na coxa direita, farto de albergar sangue, se chateou e resolveu escoar-se para a coxa. Natural para quem tem uma especialidade e exerce outra, ou, melhor duas em sincronia.Simultânea e legalmente! Uma equimose (nódoa negra) logo se revelou, alastrante, negroide, preenchendo um círculo de cerca de vinte centímetros, das costelas até meio da coxa. O das duas especialidades nem fez caso. Tudo natural. Como a água que corre no rio e segue até à foz. Se alguém se afogar, a culpa nunca será do rio, mas de quem nele se afoitou a mergulhar, com um massagista a servir de caução… “Movimente-se, mexa-se, não se ponha parado, faça exercício, enrijeça os músculos, torne-se atleta, inscreva-se, sem pagar joia, ainda vai a tempo, o prazo só se esgota logo à noite, aliste-se num prova de corrida de muletas (perdão, canadianas), pode ter sorte, nunca se sabe, e ganhar o primeiro prémio, o gordo, encher-lhe-á a grande cloaca da conta calada da fatura que a clínica fará o especial favor de apresentar à saída, depois de descontada a caução, nunca se sabe com quem se lida, e tudo isto acontece, mesmo que a vítima tenha entrado pelo seu próprio pé e saído abraçado aos fofos roliços braços de umas muletas, perdão, canadianas, e amparado por uma ou duas pessoas, ao fim de dezassete dias de clausura doirada, adoçada com pílulas, sorrisos, visitas meteóricas do físico que tem muito mais que fazer que aturar doentes e acha tudo natural: nem sabe a situação clínica do paciente, confunde dores da coxa com dores do pé, não sabe ler uma radiografia, não admira, radiologista nunca foi, há de sê-lo quando crescer, mente muito, mas, sobretudo, manda: ande, corra, faça ginástica de aplicação militar, flexões no varão da cama, olhe que a embolia pulmonar vem aí não tarda nada, não quero que venham os mestres de Paris de França dizer que não o avisei, que deles dependo para subir, subir, Coimbra admira muito os atletas que sobem a corda para alcançar o bacalhau no topo, andar é fundamental, em França o doente começa a andar antes de ressuscitar da anestesia, e logo caminha sem muletas, perdão, canadianas, país civilizado (a França, de Robespierre), o nosso, ainda não, só quando terminar o Serviço Nacional de Saúde, aí, sim: os doentes deixarão de ficar molengões com a anestesia e, em vez de só acordarem ao terceiro dia para subir ao céu, passam a ressuscitar já com as muletas, perdão, as canadianas, postas e já apetrechadas com um aparelho de marcar o ritmo do passo muletário, ande, ande, este é o lema de Paris de França a que devemos obedecer, andar, andar, correr, ginasticar, seguir à letra os preceitos da outrora capital do Mundo e das luzes, e agora tem Sarkosy e Bruna, também fazem jogging na cama, não se pode ter tudo, sigamos os alfaiates de Paris de França, como seguimos o antigo Curso Preparatório já depois de ter sido extinto vinte e cinco anos antes, andar, andar, marchar, contra os bretões marchar, tirem as muletas, perdão, canadianas, em verdade vos digo que elas serão abolidas no reino clínico da cereja no topo do bolo de Ançã, sem que este tenha culpa nenhuma.Coimbra, 13 de Dezembro de 2011Cristóvão de Aguiar(O texto foi publicadio no Expresso das Nove: aqui , onde há mais textos do autor, designadamente uma breve sequela sobre a reabilitação, com data da noite de Natal)
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December 28 2010, 4:50am | Comments »
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Conto de amor e psique
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Nota de apresentação que escrevi (Delfim Leão) para a tradução que fiz do Conto de Amor e Psique, de Apuleio, editada pela Cotovia:A parte central do romance latino O burro de ouro, de Apuleio, é ocupada pelo justamente célebre Conto de Amor e Psique, que tem sido alvo de imensas interpretações, a começar pela leitura alegórica do conto enquanto manifestação da vontade imensa, própria da ‘alma’ humana (Psique), de atingir a dimensão divina e a realização de um amor sublime. Esta e outras abordagens são de facto possíveis e expressivas da riqueza de análise que acompanha O burro de ouro.No entanto, esta longa digressão, cuja estratégia narrativa assenta na estrutura básica do conto popular de fadas, possui igualmente uma pertinência directa para a situação que Lúcio (o protagonista de O burro de ouro, entretanto transformado em asno por causa de um mau uso das artes mágicas) está a viver e, por conseguinte, para a economia global do romance. Pesem embora as diferenças de pormenor, tanto Psique como Lúcio acabam por seguir um trajecto idêntico: vivem experiências extremas motivadas por uma curiositas excessiva, até que, já no limiar da morte, são resgatados por intervenção divina para uma existência superior.Psique junta‑se finalmente e de forma legítima ao Amor, depois de um processo de apoteose; Lúcio conseguirá livrar‑se do aspecto asinino, por graça de Ísis, em cujos mistérios será iniciado, ficando ao serviço da deusa. A bella fabella constitui, pois,uma promessa de libertação, mas Lúcio apreende somente a beleza do relato, pois nele (como de resto em Psique) a recompensa final decorre de um processo de maturação alcançado apenas no termo de um esforçado trajecto de aprendizagem.E uma breve passagem (5.21.5-23.6), que considero ser das mais belas páginas da literatura latina. Nela se relata o momento em que, convencida de que o marido desconhecido é um monstro, a jovem Psique descobre, extasiada, o Amor – para logo em seguida o perder.“21.5. Chegara a noite, chegara também o esposo e, depois de travadas as primeiras escaramuças amorosas, ele mergulha em sono profundo. 22.1. Então Psique, debilitada embora de corpo e espírito, apoia-se na crueza do destino, enche-se de forças, empunha a lucerna e pega na navalha, transformando em audácia a debilidade própria do sexo feminino. 2. Porém, quando aproxima a luz e lança a claridade sobre os segredos do leito, deparou com a mais encantadora e doce de todas as feras selvagens: Cupido em pessoa, o formoso deus, que repousava num quadro repleto de formosura! Perante esta visão, a luz da lucerna avivou-se com alegria e a navalha pôs-se a maldizer o fio sacrílego. 3. Quanto a Psique, ao ser sacudida por um tal espectáculo, perde o domínio de si. Vencida por uma lânguida palidez, tremebunda, sente os joelhos a ceder e tenta ocultar a arma, mas desta vez no próprio peito. 4. E não há dúvida de que o teria feito, se o ferro, assustado com a perspectiva de tamanho crime, se não houvesse escapado, ao deslizar das temerárias mãos. Esgotada já e sem esperança de salvação, recuperou no entanto a presença de espírito, ao remirar uma e outra vez a beleza do rosto divino. 5. Contempla uma nobre cabeleira num vulto de ouro e embebida em ambrósia, um colo de leitosa alvura, umas faces rosadas, uns anéis de cabelo esparzidos e harmoniosamente enredados, ora a pender para a frente ora para trás, cujo brilho era de tal maneira fulgurante que fazia vacilar a própria luz da lucerna. 6. Pelos ombros do deus alado, resplandecia uma penugem, com a candura das flores cintilantes, bafejadas pelo orvalho. E embora as asas estivessem em repouso, a fofinha e delicada plumagem das pontas bulia, sem parar, em caprichoso estremecimento. 7. O restante corpo era tão macio e brilhante que nem a própria Vénus se podia envergonhar de o haver trazido ao mundo. Aos pés do leito, jaziam arco, aljava e flechas, propícias armas do poderoso deus. 23.1. Cheia de curiosidade, Psique não saciou o espírito enquanto não se pôs a examinar, ver e admirar as armas do marido, a ponto de retirar da aljava uma flecha. 2. Ao experimentar a ponta no polegar, apertou com demasiada força o dedo ainda trémulo, de forma que, à superfície da pele, afloraram umas gotitas de róseo sangue.3. E assim aconteceu que, espontaneamente e sem dar conta disso, Psique ficou presa de amores pelo próprio Amor. Então, sente crescer em si cada vez mais a chama do desejo pelo deus do desejo; debruça-se sobre ele, ofegante de paixão, e recobre-o avidamente de largos e intensos beijos, receosa embora de lhe encurtar o sono. 4. Porém, enquanto continuava, de ânimo desfalecido, irresoluta e absorvida por tamanho gozo, a tal lucerna — fosse por extrema perfídia, por maliciosa inveja ou então pela impaciência de tocar ela mesma e de certa forma beijar um corpo assim tão belo — deixou cair da ponta luminosa um salpico de azeite a ferver sobre o ombro direito do deus. 5. Ah lucerna audaciosa e temerária, vil serviçal do amor! Vais queimar o próprio senhor de todo o fogo, quando foi pela certa um amante quem pela primeira vez te inventou, a fim de possuir durante mais tempo e noite dentro o objecto de seus desejos! 6. Mal sentiu a queimadela, o deus levantou-se de um salto e, ao compreender que a sua confiança havia sido traída e enxovalhada, apartou-se dos beijos e abraços da sua desgraçada esposa, fugindo a voar, sem nada lhe dizer.”Delfim F. Leão
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December 14 2010, 3:44pm | Comments »
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Sobre Leão Tolstoi
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Informação recebida da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, que tem patente na sua Sala do Catálogo uma exposição sobre Leão Tolstoi, que morreu há cem anos:Também conhecido como Leon Tolstoi, Liev Tolstói ou Leo Tolstoy, Lev Nikoláievich Tolstói, nasceu em 9 de Setembro de 1828, em Yasnaya Polyana, província de Tula.Nascido numa família nobre, ficou órfão aos nove anos e foi educado por preceptores. Inicia, em 1843, o curso de Letras e Direito na Universidade de Kazan e, depois de formado, passa um período em Moscovo, alistando-se em seguida na guarnição do Cáucaso. Foi aqui que escreveu Infância (1852), livro que alcançou grande êxito, e a primeira parte de Memórias.No final da década de 1850, preocupado com a precariedade da educação no meio rural, Tolstoi criou uma escola alternativa, cujos métodos anteciparam a educação progressiva moderna e para a qual redigiu os livros didácticos.Em 1856 abandona a carreira militar e viaja pela Europa, visitando diversos países. Ao regressar, isolou-se na sua propriedade rural, dedicando-se em exclusivo à literatura. Casou-se nessa altura com Sofia Bers, de quem teve treze filhos.Em 1865, iniciou a elaboração de Guerra e Paz, uma das maiores obras literárias de todos os tempos, sobre as campanhas de Napoleão na Rússia. Em fins da década de 1870 escreveu o romance psicológico, Anna Karenina, onde denuncia o ambiente hipócrita da época e realiza um dos retratos femininos mais profundos e sugestivos da Literatura.Além de sua fama como escritor, ficou igualmente famoso por se tornar, na velhice, um pacifista, cujas ideias colidiam com as igrejas e governos, defendendo uma vida simples em proximidade com a natureza.Distancia-se cada vez mais da sua família, abandona aos 82 anos de idade a sua casa e parte de comboio na companhia de Aleksandra, sua médica e filha mais nova, em busca de um lugar onde pudesse sentir-se mais próximo de Deus.Com a saúde debilitada é obrigado a descer na cidade de Astapovo, devido a uma pneumonia, sendo acolhido pelo próprio agente da estação. Morre alguns dias depois a 20 de Novembro de 1910.
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December 14 2010, 9:51am | Comments »
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SOBRE A "MENSAGEM"
http://dererummundi.blogspot.com/2010/12/sobre-mensagem.html
CONVERSAS AO FIM DA TARDE - SOBRE A OBRA MENSAGEM, de Fernando Pessoa por Maria Regina RochaCasa Municipal da Cultura de Coimbra, hoje, dia 9 de Dezembro , quinta-feira, 18h00.No passado dia 30 de Novembro, assinalaram-se os 75 anos da morte de Fernando Pessoa; no dia 1 de Dezembro, comemoraram-se os 76 anos da publicação da obra Mensagem.Esta obra é o objecto da próxima Conversa ao Fim da Tarde. Maria Regina Rocha analisará a obra poética passo a passo, focando cada uma das suas três partes - Brasão, Mar Português e O Encoberto - e o seu contributo para a Mensagem que o Poeta pretende transmitir: o simbolismo de cada um dos elementos do brasão português evocados na obra, os valores seleccionados e seus protagonistas, o sempre presente mito do sebastianismo e o papel de Portugal no mundo, um país que não pode resignar-se ao estado de «Nevoeiro» em que se encontra.Evocar e homenagear um poeta é ler as suas palavras, é ouvir-lhes o sentido: assim, a sessão contempla a leitura dos poemas mais significativos, a observação da riqueza imagética de versos seleccionados, a partilha da construção dos sentidos dos textos que constroem esta obra singular.Os participantes estão convidados a intervir na leitura dos poemas e a partilhar os seus pontos de vista sobre a obra.
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December 9 2010, 3:57am | Comments »








