Continuação do texto anterior de Tony Rothman, uma das histórias do livro "Tudo é relativo" (Gradiva):Também tinha amigos. Do tipo certo. Estes incluíam Raffaello Magiotti, Evangelista Torricelli, Emmanuel Maignan, Athanasius Kircher, Niccolò Zucchi e, evidentemente, Gasparo Berti. Tratava-se da máfia romana. Algures entre 1639 e 1641 — as datas foram eliminadas —, Berti realizou uma experiência na sua casa de Roma. Os mafiosos Kircher, Magiotti e Zucchi estavam lá; Maignan não estava presente e o paradeiro de Torricelli é desconhecido. Existem quatro relatos da experiência, três elaborados pelas testemunhas oculares e um por Maignan, que foi informado dos acontecimentos por Berti, uma semana mais tarde. Os relatos diferem nos pormenores e as interpretações dos resultados chocam violentamente.De acordo com Maignan, «uma das mentes mais brilhantes do século XVII», a experiência estava montada aproximadamente da seguinte forma. Berti prendeu com um grampo um longo tubo de chumbo, pelo menos com «quarenta palmos» de altura, ao exterior da sua casa. O fundo do tubo, que terminava num barril de água, foi equipado com uma válvula. Por cima da extremidade superior estava selado um balão de vidro, o qual estava também equipado com uma torneira de passagem. Os autores da experiência fecharam a torneira de passagem inferior e depois, de uma janela de uma torre, encheram todo o tubo, incluindo o balão de vidro, através da válvula superior. A torneira de passagem superior foi fechada e a inferior foi aberta. Tensão. Suspense. O nível de água cai — mas não por completo.Os autores da experiência baixam uma sonda pelo tubo, para determinar a altura da água. Chegam os dados: dezoito cúbitos. Trata-se da altura a que Galileu afirma que uma bomba pode elevar a água. O nível de água mantém-se durante um dia. A experiência é repetida com algumas variações. Os dados são sólidos. Mas o que é o espaço por cima da água? Quando os filósofos abriram pela primeira vez a torneira de passagem superior, para baixar a sonda, ouviram um som muito alto, quando o ar se precipitou no interior. Ar a precipitar-se para o interior — é essa a perspectiva de Maignan. A queda do nível de água no tubo, portanto, deverá ter deixado um vazio. Os outros mafiosos não estão convencidos. Os plenistas argumentam que o ar penetrou pelos poros do chumbo ou do vidro para preencher o espaço deixado pela água em queda. Kircher, segundo parece, sugere colocar um pequeno sino na ampola de vidro e atrair o badalo para um lado com um íman. Se existir vazio no interior do balão, nenhum som será audível. Maignan objecta que o próprio vidro conduzirá o som e nenhum documento do Panóptico esclarece se a experiência chegou a ser realizada.Hoje a revelação teria conquistado um Prémio Nobel. Na altura as notícias eram mantidas dentro da família. Tratava-se de um grupo muito chegado, a julgar pelas cartas que trocavam, deleitando-se nas perspectivas da idade de ouro que se abria perante eles. Também poderiam arvorar dúvidas quanto à inquisição. É o vazio, sabe. Em 1648, alguns anos após a experiência de Berti, Raffaello Magiotti, que lá esteve, escreveu uma carta ao padre Mersenne, de Paris, mencionando que tinha falado a Torricelli do tubo de Berti e que «eles» tinham desde então realizado muitas demonstrações com mercúrio. Eles.A ligação do mercúrio. Torricelli, nascido a 15 de Outubro de 1608, tinha frequentado a Universidade de Roma e tornara-se um matemático de renome. Diz-se que era uma pessoa encantadora. No final de 1641 estava a trabalhar como assistente de Galileu, mas Galileu morreu três meses depois, sendo seguido pelo próprio Torricelli em 1647. Entretanto, o grão-duque Fernando II nomeou Torricelli filósofo e matemático em Florença, uma combinação de nomeações rara nos dias que correm. Permaneceu em Florença, publicando até à sua morte, que esperamos tenha ocorrido em melhores circunstâncias que a de Galileu.A ideia de usar mercúrio num dispositivo semelhante ao de Berti poderá ter vindo desse arqui-inimigo da pressão do ar, Galileu (talvez se tivesse arrependido). Numa cópia da edição original dos Discursos de Galileu, de 1638, aparece uma nota marginal escrita pela mão do seu assistente da altura, Vincenzio Viviani, «com a aprovação do próprio Galileu». A nota refere: «Acreditoque o mesmo resultado ocorrerá noutros líquidos, como o mercúrio, o vinho, o óleo, etc., nos quais a ruptura ocorrerá a uma altura inferior ou superior às 18 braças, de acordo com a maior ou menor gravidade específica [densidade] desses líquidos em relação à água.» Viviani é um grande amigo de Torricelli. Pois. Os acontecimentos tornam-se obscuros. O primeiro relato integral da famosa experiência de Torricelli, descrita por Asimov e Bolle com pormenores hiper-realistas, surge dezanove anos depois dos factos. Em 1663, um tal Calo Dati, discípulo de Torricelli, publicou sob pseudónimo cartas de Torricelli ao seu melhor amigo, Michelangelo Ricci, que também poderá ter estado presente na experiência de Berti. Essas cartas relatam as primeiras experiências com mercúrio, ou seja, o barómetro.A 11 de Junho de 1644, Ricci escreveu a Torricelli:«Sinto uma grande ânsia de conhecer o resultado dessas experiências que me indicaste.» Torricelli pôs no papel a sua famosa resposta no mesmo dia:Já te dei a entender que estavam a ser realizadas algumas experiências filosóficas relativas ao vazio, para produzir não apenas o vazio mas também um instrumento que poderia evidenciar as alterações do ar, ora mais pesado e grosseiro, ora mais leve e mais subtil. Muitos afirmaram que [o vazio] não pode ocorrer; outros dizem que ocorre, mas com a repugnância da natureza.A seguir Torricelli defende o seu próprio ponto de vista, segundo o qual a questão não é o vazio e este poder ser produzido. Depois a frase imortal: «Noiviviamo sommersi nel fondo d’un pelago d’aria elementare»:Vivemos no fundo de um oceano de ar elementar, o qual se sabe, por experiências incontestáveis, que tem peso, e tanto peso que a parte mais pesada, perto da superfície da Terra, pesa aproximadamente um 400 avos do peso da água.Depois diz: «Nós construímos muitos vasos de vidro [...] com aberturas de duas varas de comprimento.» Nós. Os tubos, fechados numa das extremidades, eram preenchidos com mercúrio, de modo que não restasse nenhum ar na extremidade encerrada, sendo depois invertidos numa bacia de mercúrio: conforme Asimov descreve, o mercúrio cai, mas não completamente. Torricelli compreende claramente que não é o vazio a exercer uma força insuficiente sobre o mercúrio:Afirmo [...] que a força provém do exterior. Sobre a superfície do líquido, na bacia, é pressionada uma altura de cinquenta milhas de ar; porém, que maravilha, se o mercúrio entra no [tubo de] vidro [...] ascende até ao ponto em que se encontra em equilíbrio com o peso do ar exterior que o empurra! A água, então [...] irá ascender a cerca de 18 varas, o que quer dizer que vai muito mais alto do que o mercúrio, dado que o mercúrio é muito mais pesado do que a água, a fim de entrar em equilíbrio com a mesma causa, que empurra um e a outra.Assim, temos uma compreensão absolutamente moderna da pressão do ar e da invenção do barómetro, que mede essa pressão. Uma compreensão mais moderna do que a expressão moderna indicaria: não chupamos o sumo pela palhinha; a pressão do ar é que o empurra para a nossa boca.Mas repare-se: «Nós construímos muitos vasos de vidro.» Nós. De acordo com Dati, que, como sabemos, foi o primeiro a relatar a experiência, dezanove anos após a ocorrência dos factos, Torricelli não a realizou. Previu o resultado, a Viviani, que arranjou o mercúrio, mandou construir o aparelho e verificou a previsão do seu amigo. Temos, assim, uma divisão familiar do trabalho: um teórico e o autor da experiência.E que dizer das actividades de Torricelli junto às docas, prendendo tubos de vidro preenchidos com água e vinho aos mastros dos grande navios? Parece tratar-se de uma confusão com Blaise Pascal, que levou a cabo essas demonstrações em 1647, para deleite do público francês — na fábrica de vidro de Rouen. Assim ficaram para sempre ligadas as três delícias sensuais: vinho, água e barómetros.Pascal, consta, escreveu ao seu cunhado, Florin Perier, sugerindo que levasse um barómetro pelo Puy-de-Dôme acima, para verificar se o peso do ar variava com a altitude. Descartes também reclama prioridade pela ideia, e na verdade a análise de textos indica que a carta de Pascal ao cunhado poderá ser forjada. Vá-se lá saber. A 19 de Setembro de 1648, Perier escalou realmente o vulcão. A altura do mercúrio no barómetro caiu. Já não havia qualquer dúvida: a pressão do ar variava com a altitude. O vazio foi abandonado, com horror. É verdade: vivemos no fundo de um oceano de ar elementar, do qual se sabe, por experiências incontestáveis, que tem peso.Na imagem: Evangelista Torricelli.
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A MAFIA INVENTA O BARÓMETRO 2
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A máfia inventa o barómetro 1
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Por amabilidade da editora publicamos um extracto do livro de Tony Rothman "Tudo é relativo" que acaba de sair na Gradiva. Outras histórias, tanto ou ainda mais interessante do que esta, encontram-se nos outros capítulos.Os compêndios contam metade: «Entre outras unidades [de pressão] de uso corrente encontram-se a atmosfera, o milímetro de mercúrio — ou torr — e o milibar.» Bolas. É uma maldição do maior calibre: foi promovido de pessoa a unidade e perdeu o nome. Truncado e posto em letra minúscula, a prova provada de que se desvaneceu no pano de fundo cultural, à semelhança da sua invenção, que se encontra pendurada sem qualquer fim nas paredes dos restaurantes de portos. Por vezes um autor lá deixa cair o seu nome completo. A referência é invariavelmente lacónica: «Um outro instrumento usado para medir a pressão é o barómetro comum, inventado por Evangelista Torricelli (1608-1647).» Pressão do ar, barómetro. Ah. Uma vez por outra, quando um autor perde a cabeça, Torricelli tremeluz momentaneamente em forma humana.Berte Bolle, na sua história do barómetro, diz corajosamente:Torricelli montou o tubo com mais de dez metros de comprimento na sua casa, com o topo a sair pelo telhado. Pôs um pequeno boneco de madeira a flutuar na água no topo do tubo; com mau tempo, a altura da coluna baixava de tal forma que o boneco já não podia ser visto da estrada, enquanto com o tempo bonito flutuava, alto e distinto, onde todos o podiam ver. Em breve correu o boato de que mestre Torricelli tinha um pacto com o Diabo e o barómetro de água foi rapidamente retirado! Estamos convencidos. Mas espere aí. No relato de Sheldon Glashow, Torricelli leva a cabo o seu trabalho herético precipitando-se numa correria ao longo do cais para gáudio dos espectadores. Os boatos, evidentemente — e a Inquisição — não o conseguiram impedir: «Torricelli enchia longos tubos, selados numa das extremidades, com líquidos como mel, vinho e água do mar, e amarrava-os com firmeza na posição vertical ao mastro dos navios. Constatou que a altura da coluna dependia apenas do peso total do líquido contido no seu interior.»Isaac Asimov, evitando o drama em favor do conhecimento, apresenta uma história completa para edificação dos seus leitores. O imortal Galileu, patrão de Torricelli, sugeriu ao seu assistente que investigasse o motivo pelo qual as bombas de água eram incapazes de elevar o líquido a mais de dez metros acima do seu nível natural. Isso é que eram bons tempos. A ciência chamava-se filosofia, Aristóteles imperava e a natureza tinha horror ao vazio. A posição de Galileu era puramente aristotélica: as bombas criam um vazio parcial acima da água e a água precipita-se para o preencher.O vazio suga. Evidentemente, porém, a capacidade de sugar do vazio tinha limites — cerca de dez metros. Asimov transmite os pensamentos de Torricelli:Ocorreu a Torricelli que a água era elevada não porque fosse puxada pelo vazio, mas porque era empurrada pela pressão normal do ar. Ao fim e ao cabo, o vazio na bomba produzia uma baixa pressão do ar e o ar normal no exterior da bomba empurrava com mais força.Em 1643, para pôr à prova essa teoria, Torricelli recorreu ao mercúrio. Dado que a densidade do mercúrio é 13,5 vezes superior à da água, o ar só o deveria elevar a 1/13,5 vezes a altura a que elevava a água, ou seja 76 cm. Torricelli encheu um tubo de vidro com 1,80 m de comprimento de mercúrio, tapou a extremidade aberta, colocou-o verticalmente numa taça de mercúrio, destapou-o e viu o mercúrio a sair pelo tubo, mas não na totalidade: 76 cm de mercúrio mantiveram-se, conforme seria de esperar.Um pormenor admirável. É como se estivéssemos ali com Torricelli. «Passa-me o mercúrio», diz ele. Totalmente inconciliável, então, com este comentário retirado do ciberespaço: «Em 1643, Torricelli propôs a sua experiência, que foi realizada pelo seu colega Viviani.»Um pormenor. Pois...A verdade é que ninguém tem bem a certeza do que se passou. Sabemos que eram ambos italianos e que eram amigos. Hoje formariam um grupo de investigação. Quando um grupo de investigação monopoliza uma área chamamos-lhe uma máfia. Na altura, tal como agora, o cientista mais antigo fica com os louros. Para compreender aquilo de que ninguém tem a certeza, regressamos ao despontar do século XVII. A contra-reforma na Europa está em curso, a inquisição está a aquecer, Galileu condescendentemente ignora a descoberta de Kepler de que as órbitas planetárias são elipses e não círculos. Newton ainda não nasceu. Em terra, a questão filosófica na ordem do dia é a possibilidade do vazio.Não é possível. A resposta é óbvia; vamos andando para o julgamento de bruxas de hoje. Essa é pelo menos a opinião universal corrente, já com 900 anos. Qualquer objecção terá de se confrontar com uma citação da autoridade suprema: Aristóteles. Aristóteles, na sua frase tantas vezes citada, declarou: «A natureza tem horror ao vazio» (o que quer que Aristóteles tenha declarado, declarou-o em grego antigo, mas esta é a tradução habitual e ele acreditava nisto). Aristóteles apresentou alguns argumentos contra o vazio, tanto físicos como lógicos. Primeiro é necessário compreender que no mundo de Aristóteles — e no mundo do século XVI — não existem átomos. A água é uma substância contínua.Dividir a água em pedaços cada vez mais pequenos conduz apenas a pedaços cada vez mais pequenos, até ao infinito. Não há motivo para supor que a divisão conduzirá a um estado composto por partículas últimas entre as quais não existe nada. Não, o universo está cheio; é um espaço pleno cheio de matéria (por oposição a um vazio). Mais do que isso, no mundo pré-Galileu não existe o conceito de inércia, a ideia de que, sem interferência, um objecto se desloca a uma velocidade constante. Pelo contrário, a velocidade de um objecto depende da resistência do meio no qual se desloca. Um vazio — o vácuo — não oferece resistência. Desse modo, a velocidade de um objecto que se deslocasse através do vazio seria infinita. É claramente um absurdo.Trata-se de argumentos físicos que Aristóteles levantou contra o vazio. O seu argumento lógico principal é que a posição de um objecto — o seu lugar — é sempre entendida enquadrada nos limites interiores de um corpo que o rodeia. Os não-filósofos designam-no por contentor. No entanto, o vazio não tem propriedades.De um objecto no seu seio não se pode dizer que se encontra em nenhum tipo de lugar. Nem se poderia dizer que um objecto se desloca no interior de um vazio (dado que não possui propriedades para distinguir os locais). Assim sendo, um objecto não pode ter um lugar a menos que se encontre no seio de alguma substância. O vazio é impossível, com base em argumentos lógicos.Se o vazio é impossível com base em argumentos lógicos, isso significa que Deus não o poderia produzir mesmo que quisesse. Essa questão perturbou os teólogos do século XIII. Por esse motivo, no século XVII as pessoas estavam dispostas a discutir a questão. Porém, a opinião dominante era que o vazio era pelo menos uma impossibilidade física, ainda que não fosse uma impossibilidade lógica.No Panóptico Contemporâneo de Conceitos Passados e Presentes, as exposições sobre vazio e pressão estão dispostas lado a lado. Por aqui, por favor. Da nossa perspectiva, é difícil ver como um conceito razoável de vazio poderia emergir sem um conceito razoável de pressão. Um discípulo anónimo do século XIII do filósofo Jean de Némore compreendeu que a pressão num líquido aumentava com a profundidade, mas a publicação do livro de Némore em que a discussão aparece foi atrasada três séculos. Isaac Beeckam (1588-1637) parece ter aceitado a ideia de um vazio e em 1614 escreveu no seu diário que o ar tem peso e exerce pressão sobre os corpos que se encontrem por baixo, pressão que aumenta com a profundidade do ar. Apesar destes faróis isolados de discernimento, não surgia um entendimento claro do conceito de pressão. O ar não tem peso.Dois anos antes de Beeckam compreender os aspectos essenciais do problema, Galileu, num acesso de rancor, exprimiu a sua sabedoria universal: «Ainda que então adicionemos uma quantidade muito grande de água por cima [do sólido], não iremos por esse motivo aumentar a pressão ou o peso das partes que cercam o referido sólido.» Um ano depois de Beeckam, em 1615, Galileu prosseguiu as suas negações: «É de notar que todo o ar em si mesmo e por cima da água não pesa nada [...]. E que ninguém fique surpreendido por o ar não pesar nada, pois é como a água.»Sobre este pano de fundo, Giovanni Batista Baliani (1582-1666), de Génova, escreveu a Galileu em 1630 para relatar os resultados de uma experiência. Tinha tentado transvasar com sifão a água de um reservatório sobre uma colina com cerca de 21 m de altura e o sifão não funcionou. O sifão, num procedimento conhecido dos ladrões de gasolina da actualidade, foi inicialmente preenchido com água e colocado sobre a colina. Mas quando o tubo foi destapado o nível de água do lado do reservatório voltou a cair para cerca de dez metros. Mistério? Não para Galileu. Condescendeu em responder a Baliani que a resposta era óbvia: a força do vazio elevava a água, mas estava limitada a dez metros. Baliani esteve mais perto da verdade: achava que o vazio era possível e que a água e o ar tinham peso.(continua)
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OS LIVROS DE JULHO DA GRADIVA
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Informação recebida da editora da Gradiva sobre novos livros disponíveis a disponíveis a 23 de Julho:Peter Carey, Parrot e Olivier na AméricaDo autor duas vezes premiado com o Booker, chega-nos uma improvisação sobre a vida de Alexis de Tocqueville, num retrato imensamente divertido da amizade impossível entre um amo e um criado. Esta serve de pretexto à exploração da aventura da democracia americana, na teoria e na prática, com uma inteligência e um espírito inventivo deslumbrantes. Um romance simultaneamente cómico e profundo, ideal para as suas férias.«Gradiva», nº 131, 488 pp., €25,00Tony Rothman, Tudo é Relativo e outras lendas da ciência e da tecnologiaFizeram-nos crer que Morse inventou o telégrafo, Bell inventou o telefone e Edison inventou a lâmpada, E se não fosse bem assim? Baseando-se a ciência em dados empíricos, é surpreendente descobrir como a sua história pode estar pejada de imprecisões e contrafacções. Neste livro lúdico e informativo, o físico Tony Rothman alia o talento de romancista ao rigor do cientista e propõe-se desmontar de vez mitos e crenças de séculos, atribuindo a César o que é de César. Imperdível.«Ciência Aberta», nº 184, 464 pp., € 18,50Cristina Albuquerque (coord.), Voar Sem Medo - Guia prático para voar confiante e descontraídoSe faz parte das 35 pessoas que em cada 100 têm medo de andar de avião, este livro é para si. Coordenado por uma especialista em aerofobia, com ampla experiência clínica no tratamento desta condição, e com contribuições das mais diversas áreas da aeronáutica, Voar Sem Medo é um livro claro e objectivo, que visa desmistificar as falsas ideias que provocam ou alimentam o receio de voar, e fornece ao leitor um conjunto de truques e sugestões que podem melhorar a ansiedade e fazê-lo encarar com maior naturalidade a sua viagem de negócios ou lazer.«Fora de Colecção», nº 333, 304 pp., €14,50
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July 16 2010, 4:59pm | Comments »
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Clássicos para férias
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A partir do próximo dia 17 de Julho (sábado), todas as terças, quintas, sábados e domingos quem comprar o Diário de Notícias ou Jornal de Notícias, receberá grátis livros que são verdadeiros clássicos. Eis a lista:17 de Julho - Alice no País das Maravilhas, Lewis Carroll18 de Julho - O Fantasma de Canterville e outros contos, Oscar Wilde20 de Julho - Cidade Proibida, Eduardo Pitta22 de Julho - Carmen, Prosper Mérimée24 de Julho - O Alienista, Machado de Assis25 de Julho - O Último dia de um Condenado, Victor Hugo27 de Julho - Inxalá – Espero por ti na Abissínia, Carlos Quiroga29 de Julho - O Contrabaixo, Patrick Süskind31 de Julho - O Espelho da Tia Margarida, Walter Scott1 de Agosto - O Mandarim, Eça de Queirós3 de Agosto - O Médico e o Monstro, Robert Louis Stevenson5 de Agosto - Moderato Contabile, Marguerite Duras7 de Agosto - Polikuchka, O Enforcado, Leão Tolstoi8 de Agosto - A Dama Pé-de-Cabra, Alexandre Herculano10 de Agosto - Davy Crockett, Enid Lamonte Meadowcroft12 de Agosto - Carmilla, Sheridan Le Fanu14 de Agosto - Coração das Trevas, Joseph Conrad15 de Agosto - A Ruiva, Fialho de Almeida17 de Agosto - A Criada Zerlina, Hermann Broch19 de Agosto - A História de um Sonho, Arthur Schnitzler21 de Agosto - Noites Brancas, Fiodor Dostoievsky22 de Agosto - Voo Nocturno, Antoine Saint-Exupéry24 de Agosto - A Virgem e o Cigano, D.H. Lawrence26 de Agosto - Os Crimes da Rua Morgue, Edgar Allan Poe28 de Agosto - Os Conjurados, Jorge Luís Borges29 de Agosto - Daisy Miller, Henry James31 de Agosto - Contos de Terror e Arrepios, Bram Stoker
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July 13 2010, 5:41pm | Comments »
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EINSTEIN E OPPENHEIMER
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O que significa o génio? O filósofo alemão Arthur Schopenhauer definiu um génio desta maneira:“Um génio é um homem em cuja mente o mundo, como representação, atinge um grau de maior clareza e ressalta com a marca de uma maior nitidez; e, tal como as visões mais importantes e profundas, provém, não de uma observação cuidada dos pormenores, mas apenas através da intensidade com que se assimila o todo, de tal modo que a Humanidade pode ser instruída por ele.(…) Ver sempre o universal no particular constitui precisamente a característica fundamental do génio.”Não é por acaso que esta citação surge no muito interessante livro Einstein e Oppenheimer. O significado do génio (Bizâncio, 2010), do historiador de ciência norte-americano Silvan S. Schweber. Einstein e Oppenheimer são considerados dois dos grandes génios do século XX. Einstein, para além de ter sido pioneiro da teoria quântica, desenvolveu quase sozinho a teoria da relatividade, em particular, esse verdadeiro monumento do pensamento humano que é a teoria da relatividade geral que permite uma visão do ”todo” que é o Universo, incluindo a sua estrutura e a sua dinâmica. E Oppenheimer, bastante mais novo, para além de contribuições notáveis para a teoria quântica (aproximação de Born-Oppenheimer) e para a teoria da relatividade geral (proposta de buracos negros, que Einstein erradamente recusou), revelou a sua genialidade na direcção científica do projecto Manhattan, que conduziu à primeira bomba atómica.Os dois génios, que aparecem juntos na fotografia da capa, conheceram-se bem – trabalharam os dois no Instituto de Estudos Avançados de Princeton. Tinham em comum a sua origem judaica, embora não fossem judeus praticantes, confirmando a ideia comum de que alguns dos maiores génios são judeus. E tinham em comum o seu americanismo, embora tivessem sido considerados esquerdistas no tempo da guerra fria. E ainda um apurado sentido de humanidade.Os dois reconheceram o génio um do outro. Sobre o génio de Einstein muito tem sido dito, mas este livro ilumina alguns aspectos como a sua relação com as armas nucleares (“Fui eu que carreguei no botão”) e o seu papel na fundação da Universidade Brandeis, uma instituição judaica. Oppenheimer sabia bem, como os outros seus colegas, da superioridade de Einstein; afirmou mesmo numa resposta a um jornalista lhe perguntou que só lamentava na sua vida “escusado será dizê-lo, não ter sido o jovem Einstein”. Admirava profundamente a capacidade revelada por Einstein nos anos da sua juventude, mas já não compreendia a solitária fixação de Einstein numa teoria unificada na maior parte da sua vida. Se Einstein foi um génio solitário, Oppenheimer foi um génio social, um homem capaz de liderar equipas ganhadoras. O livro de Schweber informa-nos que, quando em 1938 o jovem Oppenheimer chega a Princeton, escreveu numa carta ao seu irmão: “Princeton é uma casa de doidos: as suas luminárias solipsistas brilham em desolação isolada e desamparada. O Einstein está completamente chanfrado”. Esta posição, expressa em privado, evoluiu para formas bem mais veneradoras quando, em 1955, escreveu no obituário de Einstein: “um dos maiores vultos de todos os tempos.” É curioso que Einstein se revisse em Schopenhauer, que gostava dos antigos escritos védicos e budistas, os mesmos que tanto inspiraram Oppenheimer. Os génios tocam-se!
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July 8 2010, 5:57pm | Comments »
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Breve História da Ciência em Portugal
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Já está à venda nas melhores livrarias do país (e também em livrarias virtuais como as da Imprensa da Universidade de Coimbra e da Gradiva) o livro "Breve História da Ciência em Portugal" de que já aqui se deu nota.Sinopse editorial:É um resumo sobre a ciência que houve em Portugal desde o tempo dos Descobrimentos ate ao fim do Estado Novo. Num livrinho de divulgação como este deixou-se propositadamente de fora a erudição, as notas de pé de página e a bibliografia exaustiva. Mas apresentam-se, pela primeira vez num só volume, a sucessão dos factos e personagens mais assinaláveis que constituíram e protagonizaram o percurso da ciência entre nós. Foi um percurso de avanços e recuos, avanços sempre que houve suficiente abertura ao exterior, e recuos, quando muitas vezes, vezes demais, o país se fechou em si próprio. Se nomes como Pedro Nunes, Garcia da Orta, Avelar Brotero e Egas Moniz são mais ou menos conhecidos, muitos outros que se encontram nestas páginas são mais ou menos desconhecidos, não o merecendo ser. Um sintoma do atraso português é a falta de atenção dada à história da ciência em Portugal: não é que ainda não havia um resumo como este, destinado ao público mais alargado?
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July 7 2010, 3:38am | Comments »
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O MATEMÁTICO DISFARÇADO
http://dererummundi.blogspot.com/2010/07/o-matematico-disfarcado.html
Na semana em que há um Encontro da Sociedade Portuguesa de Matemática em Leiria, com uma sessão no sábado de manhã sobre divulgação da matemática, eis a minha apresentação do livro "O Matemático Disfarçado": aqui.
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July 7 2010, 2:32am | Comments »
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Proust era um neurocientista
http://dererummundi.blogspot.com/2010/07/proust-era-um-neurocientista_06.html
Informação recebida do Museu da Ciência da Universidade de CoimbraA criatividade artística pode antecipar as descobertas da ciência?A pergunta serve de ponto de partida à obra Proust era um neurocientista, da autoria de Jonah Lehrer, e dá o mote para uma tertúlia no Museu da Ciência da UC, no dia 8 de Julho (quinta-feira), às 18h00.Miguel Castelo Branco, director do Instituto Biomédico de Investigação da Luz e Imagem, apresenta a edição portuguesa da obra.A entrada é livre.Sobre o livro: De que forma Proust revelou mistérios da memória, ao escrever os seus livros? Será que o pintor Cézanne antecipou avanços determinantes na compreensão da visão humana com os seus quadros? E se Walt Whitman tivesse intuído as bases biológicas do pensamento nas suas obras? Afinal, arte e ciência parecem poder co-existir em paz.Proust era um neurocientista reúne oito exemplos de artistas que souberam antecipar-se à ciência, descobrindo fenómenos de neurociências. O pintor Cézanne, o compositor Igor Stravinsky, o cozinheiro Auguste Escoffier e os escritores Walt Whitman, George Eliot, Marcel Proust, Gertrude Stein e Virginia Woolf são as figuras escolhidas para destruir ideias feitas sobre a Arte e a Ciência e mostrar como ambas são essenciais para perceber os mistérios da mente humana que a ciência só agora começa a desvendar.Em cada capítulo, o autor, formado na Universidade de Columbia, aborda um determinado conceito científico e explica como as neurociências chegaram a explicar o fenómeno, anos depois. .Mais informações aqui.
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July 6 2010, 10:26am | Comments »
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3 novos livros da "Classica Digitalia"
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Informação recebida pelo De Rerum Natura.O Conselho Editorial da editora Classica Digitalia tem o gosto de anunciar 3 novos livros, cuja publicação decorre da mesma política global de criar sinergias dentro do espaço lusófono, de estimular a internacionalização e de promover o trabalho de jovens investigadores.Conforme é prática da Classica Digitalia, todos os volumes são editados em formato tradicional de papel e também na biblioteca digital de acesso livre.Colecção Autores Gregos e Latinos – Série Textos Gregos- Carmen Soares e Roosevelt Rocha: Plutarco. Obra Morais. Sobre o afecto aos filhos / Sobre a música. Tradução do grego, introdução e notas (Coimbra, CECH, 2010). 243 p. PVP: 14 €Colecção Autores Gregos e Latinos – Série Ensaios- Maria de Fátima Silva e Susana Hora Marques (eds.): Tragic Heroines on Ancient and Modern Stage (Coimbra, CECH, 2010). 129 p. PVP: 11 €- Ália Rodrigues, Carlos M. Jesus e Rodolfo Lopes: Intervenientes, discussão e entretenimento “No Banquete” de Plutarco (Coimbra, CECH, 2010). 139 p. PVP: 10 €
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July 2 2010, 12:56pm | Comments »
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Um colecção
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Ana Boavida e João Bicker são os dois designers de comunicação do estúdio FBA, sediado em Coimbra, com vários prémios internacionais.Em 30 de Maio último receberam um Silver Award no Festival Europeu de Design (um dos mais importantes acontecimenos internacionais na área do design que neste ano decorreu em Roterdão) pelo trabalho de concepção gráfica da colecção Minotauro, da editora Almedina, que inclui livros de ficção espanhola contemporânea. Na passada semana receberam a notícia de que esses livros, a concurso no American Institute of Graphic Arts, em Nova Iorque, tinham sido incluídos na selecção anual dos “50 livros e capas mais bem desenhados”do mundo. Trata-se de razões suficientes para que o De Rerum Natura tivesse falado com eles.P: Começo esta conversa pela pergunta clássica: o que significa para vós os prémios de tanto prestígio que têm recebido, com particular destaque para os dois últimos?R: Significa, antes de mais, uma enorme alegria. Em particular este segundo prémio é um prémio muito valioso para qualquer designer. Ficámos muito orgulhos de estarmos na mesma selecção de muitos dos nossos “heróis” do design de capas e de livros. Significa também que estamos no bom caminho. É o reconhecimento pelo nosso investimento neste projecto.P: Ainda sobre os dois últimos prémios, uma das coisas que a Ana e o João disseram em várias entrevistas é que leram na íntegra a maior parte dos livros que trabalharam graficamente. Entraram, portanto, no espírito de uma colecção, mais do que de um livro. Que espírito foi esse que vos inspirou?R: O desenho desta colecção foi a resposta a um programa muito bem definido por parte do editor. Quando assim é, torna-se mais fácil trabalhar e, regra geral, os resultados são também melhores porque quando um problema é bem formulado é mais fácil dar-lhe uma boa resposta. Assim, mesmo antes de lermos os livros pensámos o design da colecção enquanto matriz na qual todos os livros deverão poder existir graficamente. O desenho de uma colecção é diferente do desenho de uma capa avulsa. É preciso prever soluções que funcionem para todos os livros. Pensada essa parte foram lidos, de facto, integralmente a maioria dos livros e determinada a expressão plástica das ilustrações. A leitura dos livros determinou o motivo da ilustração de cada capa pois só assim se percebe o tom, os personagens e a paisagem que o constitui.P: Destacaram também que trabalham nesta periferia que é Portugal. Trata-se de uma periferia vantajosa ou desvantajosa no que, em particular, diz respeito à vossa área?R: Essencialmente desvantajosa. Portugal é um país periférico também porque é pequeno. Desenhar um livro em Portugal é caro porque os recursos utilizados e as despesas tidas numa pequena edição são praticamente as mesmas que de uma edição de tiragem muito superior num país em que há mais gente e mais gente a ler. Há uma série de gastos que um livro envolve, quer tenha uma tiragem de 500 ou 5000 exemplares. Custos de direitos de imagem, de horas em projecto de design, de utilização de fontes legais, etc. Isto encarece muito os livros e tende a levar à poupança nos recursos o que restringe muitíssimo as opções de técnicas de produção e materiais utilizáveis para quem desenha livros. Também o acesso a materiais de melhor qualidade como por exemplo alguns papéis estrangeiros, se torna mais difícil devido a essa periferia.P: Como acham que, de modo geral, se apresenta em termos gráficos, nesta periferia, o objecto livro?R: O panorama melhorou mas é em termos gerais ainda medíocre. Os livros são muitas vezes mal desenhados por curiosos que não dominam os conhecimentos necessários e depois disso produzidos sem grande cuidado sobre fracos materiais. Ou então desenhados de forma deslumbrada, disfarçando a falta de ideias com tudo o que é “efeito especial” numa mesma capa: relevo, verniz, papel especial... e aí também é mau, só que é um mau mais caro.P: Temos acesso imediato ao vosso trabalho olhando para as capas dos livros, que são belíssimas, mas ele vai muito mais além: está presente na mancha gráfica, no tipo e tamanho de caracteres, nas margens, na paginação, nas fitas marcadores, no tipo de papel… é frequente um designer ter possibilidade de apresentar uma colecção de livros em todas estas vertentes? E o que é que isso significa?R: Não é muito frequente. São requintes que nem sempre é possível trabalhar. Neste caso foi porque fazia parte do programa inicial fazer um investimento um bocadinho maior e desenhar livros não só para um público que gosta de ler mas que também gosta de livros. Fotografias, por ordem, de Sérgio Azenha e de Daniel Santos.
June 28 2010, 3:47am | Comments »







