Informação recebida da Gradiva sobre um livro acabado de sair:Já não Terei Tempo - MemóriasHubert ReevesO título desta obra, retirado de uma peça coral com letra de Pierre Delanoë e música de Michel Fugain, atesta o entusiasmo com que Hubert Reeves sempre encarou a sua vocação de explorador do espaço: «Mesmo em cem anos, não terei tempo de visitar toda a imensidão dum tão grande Universo.»Neste livro, Hubert Reeves entrega-se como nunca o tinha feito. Conta-nos como se forjou a sua paixão pelo cosmos, porque cedo sentiu o desejo de partilhar o seu saber, de que modo a filosofia, a religião e a música se uniram indissoluvelmente à sua demanda intelectual, como os encontros com outros grandes espíritos orientaram o seu – a vida ao mesmo tempo exemplar e singular de um investigador de hoje relatada na primeira pessoa, num testemunho ímpar. Todos os leitores de Hubert Reeves o verão neste livro mais próximo ainda, e os novos leitores descobrirão um homem admirável e um cientista de excepção. O livro de um cientista que se lê como um romance. Mas não diziam Harold Bloom e Ian McEwan que a grande literatura está hoje em muitos livros de ciência?«Ciência Aberta», nº 185, 380 pp., € 18,50
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Memórias de Hubert Reeves
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August 28 2010, 2:18pm | Comments »
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COMO EVITAR OS ERROS
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Há erros que são absolutamente intoleráveis. Ocorre o exemplo recente dos erros médicos na clínica oftalmológica I-Q Med de Lagoa, no Algarve, que levaram vários pacientes à cegueira em casos que eram, aparentemente, de rotina. Como evitar esses e outros erros semelhantes?Os erros numa prática profissional como a médica podem acontecer por desconhecimento das boas práticas ou porque as práticas não são boas, apesar de haver conhecimento delas. No primeiro caso, pouco há a fazer a não ser retirar a licença profissional aos responsáveis (nunca a deveriam ter obtido!). No segundo caso, deve-se melhorar as práticas de modo a evitar os erros que se sabe acontecerem mais frequentemente do que seria desejável. São mesmo inevitáveis, pois como diziam os antigos “errare humanum est". Porém, um erro significa sempre uma oportunidade de aprendizagem no sentido da sua correcção.Acaba de ser publicado, pela editora Lua de Papel, do grupo Leya, um livro que ensina como evitar erros médicos ou outros. O título é elucidativo - “O Efeito Checklist” - assim como o subtítulo - “Como aumentar a eficácia”. Quer dizer, para evitar erros em situações de alguma complexidade não há nada como seguir uma lista de verificação ou de controlo e colocar um V item após item. Se acaso acontecer um erro novo, correspondente a uma violação de uma regra que não estava na lista, a solução é simples: há que aumentar a lista, para que o mesmo erro possa ser prevenido.O autor de “O Efeito Checklist” é um medico norte-americano bastante mediático, de seu nome Atul Gawande. Ocupa um lugar de professor catedrático de Medicina na Universidade de Harvard, em Boston, escola onde ele também se formou e que costuma aparecer no topo dos “rankings” mundiais de universidades. Com uma extensa experiência em cirurgia geral, a sua especialidade é a remoção de glândulas endócrinas cancerosas, como, por exemplo, a tiróide. Para além da sua experiência clínica, o Doutor Gawande tem também experiência de escrita, pois escreve para a famosa revista cultural “New Yorker” e tem uma coluna na prestigiada revista médica “New England Journal of Medicine”. Em português já é o terceiro título dele que sai do preço da mesma editora: os outros títulos são “A mão que nos opera” e “Ser bom não chega”.A tese do autor defendida no novo livro resume-se de uma forma muito simples. Em situações complexas, melhor do que confiar na memória, é seguir escrupulosamente as indicações de uma lista. Ele próprio introduziu esse procedimento na rotina cirúrgica de vários hospitais espalhados pelo mundo.O Doutor Gawande é tão bom com a pena com é como com o bisturi. E os seus comentários escritos são tão afiados como o do instrumento cirúrgico a ponto de o livro vir recomendado por nomes sonantes da escrita jornalística como Steven Levitt, autor de “Freaknomics” e Malcolm Gladwell, autor de “Blink”.Os exemplos médicos são talvez os mais pormenorizados, havendo casos impressionantes como o da recuperação de uma criança austríaca que se afogou num lago dos Alpes para ser recuperada quase milagrosamente no hospital local, quando a sua vida parecia perdida. Valeram os bons conhecimentos e a boa prática de uma equipa médica a funcionar em perfeita coordenação. O autor esclarece que isso mesmo é o que tem de ocorrer noutras situação que não a medicina, como a construção de arranha-céus (hoje em dia um operário pode mandar logo uma foto digital da afixação de uma viga a um grupo de técnicos ligados a ele por redes sem fios se tiver dúvidas sobre o seu trabalho), em economia (os melhores financiadores de projectos inovadores avaliam onde devem efectuar os seus investimentos, a próxima Google digamos, por uma “checklist” baseada ena evidência anterior e não por mera intuição ou improviso, que são evidentemente mais falíveis) ou na aviação comercial (quando algo corre mal como aconteceu com o acidente do avião que aterrou no meio do rio Hudson, em Nova Iorque, a calma do piloto e restante tripulação no pleno cumprimento de um conjunto de regras de segurança indicadas para situações de emergência são factores decisivos).A comparação entre uma crise inesperada numa cirurgia e num voo de avião é particularmente reveladora da necessidade imperiosa do cumprimento estrito de um conjunto de regras, reunidas numa lista que deve antes ser escrita do que mental. Tanto num caso como noutro pisa-se o estreito risco entre a vida e a morte. E o inesperado, por sua própria natureza, acaba, por muito raro que seja, por acontecer, seja uma hemorragia num vaso vital seja a entrada de aves num reactor. O autor revela com exemplos convincentes como o seguimento de uma “checklist” permite salvar vidas. Até mesmo ele, médico experiente, conta como outras pessoas – um assistente, uma enfermeira – lhe lembraram passos da lista que ele teria saltado, por serem de necessidade improvável, mas que se vieram a revelar importantes.Para quem pouco sabe de medicina como o autor destas linhas (que só uma vez se sujeitou a um bisturi de um cirurgião, depois de ter assinado que compreendia e aceitava os riscos da operação – o que fiz prontamente pois o médico me informou que naquele sítio e para aquele tipo de intervenção não tinha havido fatalidades), a leitura do livro foi muito recompensadora. Aumentou a minha admiração por aquelas pessoas que não podem errar e percebi melhor como conseguem afastar o erro para mais longe possível. E percebi também como é que certas práticas afastadoras do erro podem resultar não só em medicina como noutras actividades humanas. Um trecho elucidativo do estilo do autor aparece no final do livro quando ele conta o rompimento ocasional que provocou na veia cava durante uma operação a um seu paciente:“Consequentemente, quando fiz aquele rasgão e pus toda a equipa numa situação catastrófica, toda a gente manteve o sangue-frio. O enfermeiro circulante pediu mais pessoal e conseguiu o sangue do banco quase imediatamente. O anestesista começou a administrar uma unidade a seguir à outra ao paciente. Foram, recrutadas forças adicionais para trazer o equipamento complementar que eu pedira, para ajudar o anestesista a encontrar mais acesso intravenoso, para manter o banco de sangue a postos. E, em conjunto, a equipa deu-me – e ao paciente – um tempo precioso. Acabaram por fazer a transfusão de mais de trinta unidades de sangue no paciente - para começar tinha perdido três vezes mais sangue do que tinha no corpo. E com os olhos no monitor a rastrear-lhe a tensão arterial e a minha mão a comprimir-lhe o coração, conseguimos manter o sangue a circular. O cirurgião vascular e eu tivemos tempo para descobrir uma maneira eficaz de agrafar o rasgão da meia cava. Conseguiu sentir o coração do paciente a bater sozinho outra vez. Fomos capazes de suturar e fechar o orifício. E o senhor Hagerman sobreviveu”.Houve aqui um erro reparado a tempo. E aprendeu-se com ele, de modo a não o repetir. Errar pode ser humano, mas afastar o erro para bem longe também o é. Ou melhor, isso é que é verdadeiramente humano.- Atul Gawande, “O Efeito Checklist – Como aumentar a eficácia”, Lua de Papel, 2010.
August 13 2010, 4:34am | Comments »
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Papel de Epicuro
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Transcrevo este trecho do poema "A Natureza das Coisas" (I. 62-79), de Lucrécio, que surge no livro recentemente reeditado "Romana. Antologia da Cultura Latina", 6.a edição aumentada organização e tradução de Maria Helena da Rocha Pereira, Guimarães, 2010 (na advertência preliminar a autor declara ter utilizado a tradução de A. de Mendonça Falcão, "Da Natureza das Cousas", Imprensa da Universidade, 1890"):"Quando, abjecta, a vida humana jazia aos olhos de todossobre a terra, oprimida pelo medo da crendice,que das celestes regiões erguia a cabeça,impendendo sobre os mortais com tremendo aspecto,~um Homem Grego ousou, antes de todos,contra ela erguer os seus olhos mortaise contra ela foi o primeiro a opor resistência.A ele não o deteve a fama dos deuses, nem coriscos.nem o céu com estrondos minazes, mas mais lhe acicatoudo seu ânimo a acérrima força, para ambicionar ser o primeiroa arrombar as trancadas portas do acesso à natureza.ganhou, portanto, a vitória a vigorosa força do seu ânimo,avançou muito para além das muralhas flamejantes do mundo,e com a mente o espírito percorreu a intensidade;daí regressa vitorioso, para nos ensinar o que pode sere o que não pode; enfim, de que maneira cada coisaé sujeita a limites e bem enterrados os marcos que lhes põem termos.Eis porque a crendice foi calcada aos pés, por sua vez,e a vitória nos faz subir aos céus."
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August 10 2010, 2:37am | Comments »
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Novas edições da Classica Digitalia
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Informação recebida pelo de Rerum Natura.O Conselho Editorial da biblioteca Classica Digitalia tem o gosto de anunciar 3 novos livros, um dos quais em co-edição com o Centro de Estudos Clássicos e o Centro de História da Universidade de Lisboa.Conforme é prática dos Classica Digitalia, todos os volumes são editados em formato tradicional de papel e também na biblioteca digital de acesso livre.Colecção Autores Gregos e Latinos – Série Textos Gregos- José Luís Lopes Brandão: Plutarco. Vidas de Galba e Otão. Tradução do grego, introdução e notas (Coimbra, Classica Digitalia/CECH, 2010). 128 p. Hiperligação: PVP: 9 €- Marta Várzeas: Plutarco. Vidas Paralelas – Demóstenes e Cícero. Tradução do grego, introdução e notas (Coimbra, Classica Digitalia/CECH, 2010). 199 p.Hiperligação: PVP: 12 €Colecção Humanitas Supplementum (Estudos)- Maria Cristina de Sousa Pimentel e Nuno Simões Rodrigues (Coords.): Sociedade, Poder e Cultura no Tempo de Ovídio (Coimbra, Classica Digitalia/CECH/CEC/CH, 2010). 288 p.Hiperligação: PVP: 29 € [capas duras]
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July 31 2010, 5:07am | Comments »
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A MAFIA INVENTA O BARÓMETRO 2
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Continuação do texto anterior de Tony Rothman, uma das histórias do livro "Tudo é relativo" (Gradiva):Também tinha amigos. Do tipo certo. Estes incluíam Raffaello Magiotti, Evangelista Torricelli, Emmanuel Maignan, Athanasius Kircher, Niccolò Zucchi e, evidentemente, Gasparo Berti. Tratava-se da máfia romana. Algures entre 1639 e 1641 — as datas foram eliminadas —, Berti realizou uma experiência na sua casa de Roma. Os mafiosos Kircher, Magiotti e Zucchi estavam lá; Maignan não estava presente e o paradeiro de Torricelli é desconhecido. Existem quatro relatos da experiência, três elaborados pelas testemunhas oculares e um por Maignan, que foi informado dos acontecimentos por Berti, uma semana mais tarde. Os relatos diferem nos pormenores e as interpretações dos resultados chocam violentamente.De acordo com Maignan, «uma das mentes mais brilhantes do século XVII», a experiência estava montada aproximadamente da seguinte forma. Berti prendeu com um grampo um longo tubo de chumbo, pelo menos com «quarenta palmos» de altura, ao exterior da sua casa. O fundo do tubo, que terminava num barril de água, foi equipado com uma válvula. Por cima da extremidade superior estava selado um balão de vidro, o qual estava também equipado com uma torneira de passagem. Os autores da experiência fecharam a torneira de passagem inferior e depois, de uma janela de uma torre, encheram todo o tubo, incluindo o balão de vidro, através da válvula superior. A torneira de passagem superior foi fechada e a inferior foi aberta. Tensão. Suspense. O nível de água cai — mas não por completo.Os autores da experiência baixam uma sonda pelo tubo, para determinar a altura da água. Chegam os dados: dezoito cúbitos. Trata-se da altura a que Galileu afirma que uma bomba pode elevar a água. O nível de água mantém-se durante um dia. A experiência é repetida com algumas variações. Os dados são sólidos. Mas o que é o espaço por cima da água? Quando os filósofos abriram pela primeira vez a torneira de passagem superior, para baixar a sonda, ouviram um som muito alto, quando o ar se precipitou no interior. Ar a precipitar-se para o interior — é essa a perspectiva de Maignan. A queda do nível de água no tubo, portanto, deverá ter deixado um vazio. Os outros mafiosos não estão convencidos. Os plenistas argumentam que o ar penetrou pelos poros do chumbo ou do vidro para preencher o espaço deixado pela água em queda. Kircher, segundo parece, sugere colocar um pequeno sino na ampola de vidro e atrair o badalo para um lado com um íman. Se existir vazio no interior do balão, nenhum som será audível. Maignan objecta que o próprio vidro conduzirá o som e nenhum documento do Panóptico esclarece se a experiência chegou a ser realizada.Hoje a revelação teria conquistado um Prémio Nobel. Na altura as notícias eram mantidas dentro da família. Tratava-se de um grupo muito chegado, a julgar pelas cartas que trocavam, deleitando-se nas perspectivas da idade de ouro que se abria perante eles. Também poderiam arvorar dúvidas quanto à inquisição. É o vazio, sabe. Em 1648, alguns anos após a experiência de Berti, Raffaello Magiotti, que lá esteve, escreveu uma carta ao padre Mersenne, de Paris, mencionando que tinha falado a Torricelli do tubo de Berti e que «eles» tinham desde então realizado muitas demonstrações com mercúrio. Eles.A ligação do mercúrio. Torricelli, nascido a 15 de Outubro de 1608, tinha frequentado a Universidade de Roma e tornara-se um matemático de renome. Diz-se que era uma pessoa encantadora. No final de 1641 estava a trabalhar como assistente de Galileu, mas Galileu morreu três meses depois, sendo seguido pelo próprio Torricelli em 1647. Entretanto, o grão-duque Fernando II nomeou Torricelli filósofo e matemático em Florença, uma combinação de nomeações rara nos dias que correm. Permaneceu em Florença, publicando até à sua morte, que esperamos tenha ocorrido em melhores circunstâncias que a de Galileu.A ideia de usar mercúrio num dispositivo semelhante ao de Berti poderá ter vindo desse arqui-inimigo da pressão do ar, Galileu (talvez se tivesse arrependido). Numa cópia da edição original dos Discursos de Galileu, de 1638, aparece uma nota marginal escrita pela mão do seu assistente da altura, Vincenzio Viviani, «com a aprovação do próprio Galileu». A nota refere: «Acreditoque o mesmo resultado ocorrerá noutros líquidos, como o mercúrio, o vinho, o óleo, etc., nos quais a ruptura ocorrerá a uma altura inferior ou superior às 18 braças, de acordo com a maior ou menor gravidade específica [densidade] desses líquidos em relação à água.» Viviani é um grande amigo de Torricelli. Pois. Os acontecimentos tornam-se obscuros. O primeiro relato integral da famosa experiência de Torricelli, descrita por Asimov e Bolle com pormenores hiper-realistas, surge dezanove anos depois dos factos. Em 1663, um tal Calo Dati, discípulo de Torricelli, publicou sob pseudónimo cartas de Torricelli ao seu melhor amigo, Michelangelo Ricci, que também poderá ter estado presente na experiência de Berti. Essas cartas relatam as primeiras experiências com mercúrio, ou seja, o barómetro.A 11 de Junho de 1644, Ricci escreveu a Torricelli:«Sinto uma grande ânsia de conhecer o resultado dessas experiências que me indicaste.» Torricelli pôs no papel a sua famosa resposta no mesmo dia:Já te dei a entender que estavam a ser realizadas algumas experiências filosóficas relativas ao vazio, para produzir não apenas o vazio mas também um instrumento que poderia evidenciar as alterações do ar, ora mais pesado e grosseiro, ora mais leve e mais subtil. Muitos afirmaram que [o vazio] não pode ocorrer; outros dizem que ocorre, mas com a repugnância da natureza.A seguir Torricelli defende o seu próprio ponto de vista, segundo o qual a questão não é o vazio e este poder ser produzido. Depois a frase imortal: «Noiviviamo sommersi nel fondo d’un pelago d’aria elementare»:Vivemos no fundo de um oceano de ar elementar, o qual se sabe, por experiências incontestáveis, que tem peso, e tanto peso que a parte mais pesada, perto da superfície da Terra, pesa aproximadamente um 400 avos do peso da água.Depois diz: «Nós construímos muitos vasos de vidro [...] com aberturas de duas varas de comprimento.» Nós. Os tubos, fechados numa das extremidades, eram preenchidos com mercúrio, de modo que não restasse nenhum ar na extremidade encerrada, sendo depois invertidos numa bacia de mercúrio: conforme Asimov descreve, o mercúrio cai, mas não completamente. Torricelli compreende claramente que não é o vazio a exercer uma força insuficiente sobre o mercúrio:Afirmo [...] que a força provém do exterior. Sobre a superfície do líquido, na bacia, é pressionada uma altura de cinquenta milhas de ar; porém, que maravilha, se o mercúrio entra no [tubo de] vidro [...] ascende até ao ponto em que se encontra em equilíbrio com o peso do ar exterior que o empurra! A água, então [...] irá ascender a cerca de 18 varas, o que quer dizer que vai muito mais alto do que o mercúrio, dado que o mercúrio é muito mais pesado do que a água, a fim de entrar em equilíbrio com a mesma causa, que empurra um e a outra.Assim, temos uma compreensão absolutamente moderna da pressão do ar e da invenção do barómetro, que mede essa pressão. Uma compreensão mais moderna do que a expressão moderna indicaria: não chupamos o sumo pela palhinha; a pressão do ar é que o empurra para a nossa boca.Mas repare-se: «Nós construímos muitos vasos de vidro.» Nós. De acordo com Dati, que, como sabemos, foi o primeiro a relatar a experiência, dezanove anos após a ocorrência dos factos, Torricelli não a realizou. Previu o resultado, a Viviani, que arranjou o mercúrio, mandou construir o aparelho e verificou a previsão do seu amigo. Temos, assim, uma divisão familiar do trabalho: um teórico e o autor da experiência.E que dizer das actividades de Torricelli junto às docas, prendendo tubos de vidro preenchidos com água e vinho aos mastros dos grande navios? Parece tratar-se de uma confusão com Blaise Pascal, que levou a cabo essas demonstrações em 1647, para deleite do público francês — na fábrica de vidro de Rouen. Assim ficaram para sempre ligadas as três delícias sensuais: vinho, água e barómetros.Pascal, consta, escreveu ao seu cunhado, Florin Perier, sugerindo que levasse um barómetro pelo Puy-de-Dôme acima, para verificar se o peso do ar variava com a altitude. Descartes também reclama prioridade pela ideia, e na verdade a análise de textos indica que a carta de Pascal ao cunhado poderá ser forjada. Vá-se lá saber. A 19 de Setembro de 1648, Perier escalou realmente o vulcão. A altura do mercúrio no barómetro caiu. Já não havia qualquer dúvida: a pressão do ar variava com a altitude. O vazio foi abandonado, com horror. É verdade: vivemos no fundo de um oceano de ar elementar, do qual se sabe, por experiências incontestáveis, que tem peso.Na imagem: Evangelista Torricelli.
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July 29 2010, 6:11pm | Comments »
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A máfia inventa o barómetro 1
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Por amabilidade da editora publicamos um extracto do livro de Tony Rothman "Tudo é relativo" que acaba de sair na Gradiva. Outras histórias, tanto ou ainda mais interessante do que esta, encontram-se nos outros capítulos.Os compêndios contam metade: «Entre outras unidades [de pressão] de uso corrente encontram-se a atmosfera, o milímetro de mercúrio — ou torr — e o milibar.» Bolas. É uma maldição do maior calibre: foi promovido de pessoa a unidade e perdeu o nome. Truncado e posto em letra minúscula, a prova provada de que se desvaneceu no pano de fundo cultural, à semelhança da sua invenção, que se encontra pendurada sem qualquer fim nas paredes dos restaurantes de portos. Por vezes um autor lá deixa cair o seu nome completo. A referência é invariavelmente lacónica: «Um outro instrumento usado para medir a pressão é o barómetro comum, inventado por Evangelista Torricelli (1608-1647).» Pressão do ar, barómetro. Ah. Uma vez por outra, quando um autor perde a cabeça, Torricelli tremeluz momentaneamente em forma humana.Berte Bolle, na sua história do barómetro, diz corajosamente:Torricelli montou o tubo com mais de dez metros de comprimento na sua casa, com o topo a sair pelo telhado. Pôs um pequeno boneco de madeira a flutuar na água no topo do tubo; com mau tempo, a altura da coluna baixava de tal forma que o boneco já não podia ser visto da estrada, enquanto com o tempo bonito flutuava, alto e distinto, onde todos o podiam ver. Em breve correu o boato de que mestre Torricelli tinha um pacto com o Diabo e o barómetro de água foi rapidamente retirado! Estamos convencidos. Mas espere aí. No relato de Sheldon Glashow, Torricelli leva a cabo o seu trabalho herético precipitando-se numa correria ao longo do cais para gáudio dos espectadores. Os boatos, evidentemente — e a Inquisição — não o conseguiram impedir: «Torricelli enchia longos tubos, selados numa das extremidades, com líquidos como mel, vinho e água do mar, e amarrava-os com firmeza na posição vertical ao mastro dos navios. Constatou que a altura da coluna dependia apenas do peso total do líquido contido no seu interior.»Isaac Asimov, evitando o drama em favor do conhecimento, apresenta uma história completa para edificação dos seus leitores. O imortal Galileu, patrão de Torricelli, sugeriu ao seu assistente que investigasse o motivo pelo qual as bombas de água eram incapazes de elevar o líquido a mais de dez metros acima do seu nível natural. Isso é que eram bons tempos. A ciência chamava-se filosofia, Aristóteles imperava e a natureza tinha horror ao vazio. A posição de Galileu era puramente aristotélica: as bombas criam um vazio parcial acima da água e a água precipita-se para o preencher.O vazio suga. Evidentemente, porém, a capacidade de sugar do vazio tinha limites — cerca de dez metros. Asimov transmite os pensamentos de Torricelli:Ocorreu a Torricelli que a água era elevada não porque fosse puxada pelo vazio, mas porque era empurrada pela pressão normal do ar. Ao fim e ao cabo, o vazio na bomba produzia uma baixa pressão do ar e o ar normal no exterior da bomba empurrava com mais força.Em 1643, para pôr à prova essa teoria, Torricelli recorreu ao mercúrio. Dado que a densidade do mercúrio é 13,5 vezes superior à da água, o ar só o deveria elevar a 1/13,5 vezes a altura a que elevava a água, ou seja 76 cm. Torricelli encheu um tubo de vidro com 1,80 m de comprimento de mercúrio, tapou a extremidade aberta, colocou-o verticalmente numa taça de mercúrio, destapou-o e viu o mercúrio a sair pelo tubo, mas não na totalidade: 76 cm de mercúrio mantiveram-se, conforme seria de esperar.Um pormenor admirável. É como se estivéssemos ali com Torricelli. «Passa-me o mercúrio», diz ele. Totalmente inconciliável, então, com este comentário retirado do ciberespaço: «Em 1643, Torricelli propôs a sua experiência, que foi realizada pelo seu colega Viviani.»Um pormenor. Pois...A verdade é que ninguém tem bem a certeza do que se passou. Sabemos que eram ambos italianos e que eram amigos. Hoje formariam um grupo de investigação. Quando um grupo de investigação monopoliza uma área chamamos-lhe uma máfia. Na altura, tal como agora, o cientista mais antigo fica com os louros. Para compreender aquilo de que ninguém tem a certeza, regressamos ao despontar do século XVII. A contra-reforma na Europa está em curso, a inquisição está a aquecer, Galileu condescendentemente ignora a descoberta de Kepler de que as órbitas planetárias são elipses e não círculos. Newton ainda não nasceu. Em terra, a questão filosófica na ordem do dia é a possibilidade do vazio.Não é possível. A resposta é óbvia; vamos andando para o julgamento de bruxas de hoje. Essa é pelo menos a opinião universal corrente, já com 900 anos. Qualquer objecção terá de se confrontar com uma citação da autoridade suprema: Aristóteles. Aristóteles, na sua frase tantas vezes citada, declarou: «A natureza tem horror ao vazio» (o que quer que Aristóteles tenha declarado, declarou-o em grego antigo, mas esta é a tradução habitual e ele acreditava nisto). Aristóteles apresentou alguns argumentos contra o vazio, tanto físicos como lógicos. Primeiro é necessário compreender que no mundo de Aristóteles — e no mundo do século XVI — não existem átomos. A água é uma substância contínua.Dividir a água em pedaços cada vez mais pequenos conduz apenas a pedaços cada vez mais pequenos, até ao infinito. Não há motivo para supor que a divisão conduzirá a um estado composto por partículas últimas entre as quais não existe nada. Não, o universo está cheio; é um espaço pleno cheio de matéria (por oposição a um vazio). Mais do que isso, no mundo pré-Galileu não existe o conceito de inércia, a ideia de que, sem interferência, um objecto se desloca a uma velocidade constante. Pelo contrário, a velocidade de um objecto depende da resistência do meio no qual se desloca. Um vazio — o vácuo — não oferece resistência. Desse modo, a velocidade de um objecto que se deslocasse através do vazio seria infinita. É claramente um absurdo.Trata-se de argumentos físicos que Aristóteles levantou contra o vazio. O seu argumento lógico principal é que a posição de um objecto — o seu lugar — é sempre entendida enquadrada nos limites interiores de um corpo que o rodeia. Os não-filósofos designam-no por contentor. No entanto, o vazio não tem propriedades.De um objecto no seu seio não se pode dizer que se encontra em nenhum tipo de lugar. Nem se poderia dizer que um objecto se desloca no interior de um vazio (dado que não possui propriedades para distinguir os locais). Assim sendo, um objecto não pode ter um lugar a menos que se encontre no seio de alguma substância. O vazio é impossível, com base em argumentos lógicos.Se o vazio é impossível com base em argumentos lógicos, isso significa que Deus não o poderia produzir mesmo que quisesse. Essa questão perturbou os teólogos do século XIII. Por esse motivo, no século XVII as pessoas estavam dispostas a discutir a questão. Porém, a opinião dominante era que o vazio era pelo menos uma impossibilidade física, ainda que não fosse uma impossibilidade lógica.No Panóptico Contemporâneo de Conceitos Passados e Presentes, as exposições sobre vazio e pressão estão dispostas lado a lado. Por aqui, por favor. Da nossa perspectiva, é difícil ver como um conceito razoável de vazio poderia emergir sem um conceito razoável de pressão. Um discípulo anónimo do século XIII do filósofo Jean de Némore compreendeu que a pressão num líquido aumentava com a profundidade, mas a publicação do livro de Némore em que a discussão aparece foi atrasada três séculos. Isaac Beeckam (1588-1637) parece ter aceitado a ideia de um vazio e em 1614 escreveu no seu diário que o ar tem peso e exerce pressão sobre os corpos que se encontrem por baixo, pressão que aumenta com a profundidade do ar. Apesar destes faróis isolados de discernimento, não surgia um entendimento claro do conceito de pressão. O ar não tem peso.Dois anos antes de Beeckam compreender os aspectos essenciais do problema, Galileu, num acesso de rancor, exprimiu a sua sabedoria universal: «Ainda que então adicionemos uma quantidade muito grande de água por cima [do sólido], não iremos por esse motivo aumentar a pressão ou o peso das partes que cercam o referido sólido.» Um ano depois de Beeckam, em 1615, Galileu prosseguiu as suas negações: «É de notar que todo o ar em si mesmo e por cima da água não pesa nada [...]. E que ninguém fique surpreendido por o ar não pesar nada, pois é como a água.»Sobre este pano de fundo, Giovanni Batista Baliani (1582-1666), de Génova, escreveu a Galileu em 1630 para relatar os resultados de uma experiência. Tinha tentado transvasar com sifão a água de um reservatório sobre uma colina com cerca de 21 m de altura e o sifão não funcionou. O sifão, num procedimento conhecido dos ladrões de gasolina da actualidade, foi inicialmente preenchido com água e colocado sobre a colina. Mas quando o tubo foi destapado o nível de água do lado do reservatório voltou a cair para cerca de dez metros. Mistério? Não para Galileu. Condescendeu em responder a Baliani que a resposta era óbvia: a força do vazio elevava a água, mas estava limitada a dez metros. Baliani esteve mais perto da verdade: achava que o vazio era possível e que a água e o ar tinham peso.(continua)
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July 29 2010, 6:00pm | Comments »
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OS LIVROS DE JULHO DA GRADIVA
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Informação recebida da editora da Gradiva sobre novos livros disponíveis a disponíveis a 23 de Julho:Peter Carey, Parrot e Olivier na AméricaDo autor duas vezes premiado com o Booker, chega-nos uma improvisação sobre a vida de Alexis de Tocqueville, num retrato imensamente divertido da amizade impossível entre um amo e um criado. Esta serve de pretexto à exploração da aventura da democracia americana, na teoria e na prática, com uma inteligência e um espírito inventivo deslumbrantes. Um romance simultaneamente cómico e profundo, ideal para as suas férias.«Gradiva», nº 131, 488 pp., €25,00Tony Rothman, Tudo é Relativo e outras lendas da ciência e da tecnologiaFizeram-nos crer que Morse inventou o telégrafo, Bell inventou o telefone e Edison inventou a lâmpada, E se não fosse bem assim? Baseando-se a ciência em dados empíricos, é surpreendente descobrir como a sua história pode estar pejada de imprecisões e contrafacções. Neste livro lúdico e informativo, o físico Tony Rothman alia o talento de romancista ao rigor do cientista e propõe-se desmontar de vez mitos e crenças de séculos, atribuindo a César o que é de César. Imperdível.«Ciência Aberta», nº 184, 464 pp., € 18,50Cristina Albuquerque (coord.), Voar Sem Medo - Guia prático para voar confiante e descontraídoSe faz parte das 35 pessoas que em cada 100 têm medo de andar de avião, este livro é para si. Coordenado por uma especialista em aerofobia, com ampla experiência clínica no tratamento desta condição, e com contribuições das mais diversas áreas da aeronáutica, Voar Sem Medo é um livro claro e objectivo, que visa desmistificar as falsas ideias que provocam ou alimentam o receio de voar, e fornece ao leitor um conjunto de truques e sugestões que podem melhorar a ansiedade e fazê-lo encarar com maior naturalidade a sua viagem de negócios ou lazer.«Fora de Colecção», nº 333, 304 pp., €14,50
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July 16 2010, 4:59pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Clássicos para férias
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A partir do próximo dia 17 de Julho (sábado), todas as terças, quintas, sábados e domingos quem comprar o Diário de Notícias ou Jornal de Notícias, receberá grátis livros que são verdadeiros clássicos. Eis a lista:17 de Julho - Alice no País das Maravilhas, Lewis Carroll18 de Julho - O Fantasma de Canterville e outros contos, Oscar Wilde20 de Julho - Cidade Proibida, Eduardo Pitta22 de Julho - Carmen, Prosper Mérimée24 de Julho - O Alienista, Machado de Assis25 de Julho - O Último dia de um Condenado, Victor Hugo27 de Julho - Inxalá – Espero por ti na Abissínia, Carlos Quiroga29 de Julho - O Contrabaixo, Patrick Süskind31 de Julho - O Espelho da Tia Margarida, Walter Scott1 de Agosto - O Mandarim, Eça de Queirós3 de Agosto - O Médico e o Monstro, Robert Louis Stevenson5 de Agosto - Moderato Contabile, Marguerite Duras7 de Agosto - Polikuchka, O Enforcado, Leão Tolstoi8 de Agosto - A Dama Pé-de-Cabra, Alexandre Herculano10 de Agosto - Davy Crockett, Enid Lamonte Meadowcroft12 de Agosto - Carmilla, Sheridan Le Fanu14 de Agosto - Coração das Trevas, Joseph Conrad15 de Agosto - A Ruiva, Fialho de Almeida17 de Agosto - A Criada Zerlina, Hermann Broch19 de Agosto - A História de um Sonho, Arthur Schnitzler21 de Agosto - Noites Brancas, Fiodor Dostoievsky22 de Agosto - Voo Nocturno, Antoine Saint-Exupéry24 de Agosto - A Virgem e o Cigano, D.H. Lawrence26 de Agosto - Os Crimes da Rua Morgue, Edgar Allan Poe28 de Agosto - Os Conjurados, Jorge Luís Borges29 de Agosto - Daisy Miller, Henry James31 de Agosto - Contos de Terror e Arrepios, Bram Stoker
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July 13 2010, 5:41pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
EINSTEIN E OPPENHEIMER
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O que significa o génio? O filósofo alemão Arthur Schopenhauer definiu um génio desta maneira:“Um génio é um homem em cuja mente o mundo, como representação, atinge um grau de maior clareza e ressalta com a marca de uma maior nitidez; e, tal como as visões mais importantes e profundas, provém, não de uma observação cuidada dos pormenores, mas apenas através da intensidade com que se assimila o todo, de tal modo que a Humanidade pode ser instruída por ele.(…) Ver sempre o universal no particular constitui precisamente a característica fundamental do génio.”Não é por acaso que esta citação surge no muito interessante livro Einstein e Oppenheimer. O significado do génio (Bizâncio, 2010), do historiador de ciência norte-americano Silvan S. Schweber. Einstein e Oppenheimer são considerados dois dos grandes génios do século XX. Einstein, para além de ter sido pioneiro da teoria quântica, desenvolveu quase sozinho a teoria da relatividade, em particular, esse verdadeiro monumento do pensamento humano que é a teoria da relatividade geral que permite uma visão do ”todo” que é o Universo, incluindo a sua estrutura e a sua dinâmica. E Oppenheimer, bastante mais novo, para além de contribuições notáveis para a teoria quântica (aproximação de Born-Oppenheimer) e para a teoria da relatividade geral (proposta de buracos negros, que Einstein erradamente recusou), revelou a sua genialidade na direcção científica do projecto Manhattan, que conduziu à primeira bomba atómica.Os dois génios, que aparecem juntos na fotografia da capa, conheceram-se bem – trabalharam os dois no Instituto de Estudos Avançados de Princeton. Tinham em comum a sua origem judaica, embora não fossem judeus praticantes, confirmando a ideia comum de que alguns dos maiores génios são judeus. E tinham em comum o seu americanismo, embora tivessem sido considerados esquerdistas no tempo da guerra fria. E ainda um apurado sentido de humanidade.Os dois reconheceram o génio um do outro. Sobre o génio de Einstein muito tem sido dito, mas este livro ilumina alguns aspectos como a sua relação com as armas nucleares (“Fui eu que carreguei no botão”) e o seu papel na fundação da Universidade Brandeis, uma instituição judaica. Oppenheimer sabia bem, como os outros seus colegas, da superioridade de Einstein; afirmou mesmo numa resposta a um jornalista lhe perguntou que só lamentava na sua vida “escusado será dizê-lo, não ter sido o jovem Einstein”. Admirava profundamente a capacidade revelada por Einstein nos anos da sua juventude, mas já não compreendia a solitária fixação de Einstein numa teoria unificada na maior parte da sua vida. Se Einstein foi um génio solitário, Oppenheimer foi um génio social, um homem capaz de liderar equipas ganhadoras. O livro de Schweber informa-nos que, quando em 1938 o jovem Oppenheimer chega a Princeton, escreveu numa carta ao seu irmão: “Princeton é uma casa de doidos: as suas luminárias solipsistas brilham em desolação isolada e desamparada. O Einstein está completamente chanfrado”. Esta posição, expressa em privado, evoluiu para formas bem mais veneradoras quando, em 1955, escreveu no obituário de Einstein: “um dos maiores vultos de todos os tempos.” É curioso que Einstein se revisse em Schopenhauer, que gostava dos antigos escritos védicos e budistas, os mesmos que tanto inspiraram Oppenheimer. Os génios tocam-se!
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July 8 2010, 5:57pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Breve História da Ciência em Portugal
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Já está à venda nas melhores livrarias do país (e também em livrarias virtuais como as da Imprensa da Universidade de Coimbra e da Gradiva) o livro "Breve História da Ciência em Portugal" de que já aqui se deu nota.Sinopse editorial:É um resumo sobre a ciência que houve em Portugal desde o tempo dos Descobrimentos ate ao fim do Estado Novo. Num livrinho de divulgação como este deixou-se propositadamente de fora a erudição, as notas de pé de página e a bibliografia exaustiva. Mas apresentam-se, pela primeira vez num só volume, a sucessão dos factos e personagens mais assinaláveis que constituíram e protagonizaram o percurso da ciência entre nós. Foi um percurso de avanços e recuos, avanços sempre que houve suficiente abertura ao exterior, e recuos, quando muitas vezes, vezes demais, o país se fechou em si próprio. Se nomes como Pedro Nunes, Garcia da Orta, Avelar Brotero e Egas Moniz são mais ou menos conhecidos, muitos outros que se encontram nestas páginas são mais ou menos desconhecidos, não o merecendo ser. Um sintoma do atraso português é a falta de atenção dada à história da ciência em Portugal: não é que ainda não havia um resumo como este, destinado ao público mais alargado?
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July 7 2010, 3:38am | Comments »








