Informação recebida da Editora Guerra e Paz:A primeira História do Ateísmo em Portugal chega às livrarias na próxima semana, com a chancela da Guerra e Paz. O livro de Luís F. Rodrigues centra-se no período que vai desde a Fundação do país até ao final do Estado Novo.A investigação realizada por Luís F. Rodrigues ao longo de cinco anos analisa o percurso da tendência ateísta em Portugal, dando a conhecer personalidades, ideologias e movimentos que participaram activamente na desvalorização do «conceito de deus».
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
História do Ateísmo em Portugal
http://dererummundi.blogspot.com/2010/04/historia-do-ateismo-em-portugal.html
April 11 2010, 7:15pm | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
O MONTE DAS FORMIGAS
http://dererummundi.blogspot.com/2010/04/o-monte-das-formigas.html
Ne revista de livros do "New York Times" de ontem, encontra-se uma recensão de Barbara Kingsolver sobre o primeiro romance do biólogo Edward O, Wilson "The ant hill" (Norton), Começa assim:"Scientists hardly ever write novels. Fabricating imaginary people is not the domain of the scientific method, to put it mildly. Constructing a plot, lacing it with clues to lead the reader to a well-prepared conclusion, is heretical business for those trained to unprejudiced observation. But any who take the leap may use their worldliness to good advantage, smuggling gems of empirical knowledge across the literary border to create fiction with unusually rewarding heft. Consider the meticulous puzzle-solving of Sir Arthur Conan Doyle (a trained surgeon) or the flights of physics in Alan Lightman’s “Einstein’s Dreams.”Next, think of Edward O. Wilson, one of the most important biological theorists since Darwin. Author of some two dozen books, two-time Pulitzer Prize winner, expert on social insects, discoverer of new species, passionate advocate of biodiversity, he is best known for his groundbreaking work on the evolution of social behavior. He had a considerable cache of scholarship to tuck into his pockets before slipping across the genre line to write his first novel, “Anthill.” "Para mais ler aqui.
- Tags:
- Livros
- literatura
April 10 2010, 4:58pm | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
O LIVRO: UM TESOURO EM QUE PODEMOS TOCAR
http://dererummundi.blogspot.com/2010/04/o-livro-um-tesouro-em-que-podemos-tocar.html
Crónica do historiador João Gouveia Monteiro antes publicada nbo "Diário de Coimbra":Em época de crise, são raros os tesouros em que podemos tocar. Entre eles, estão alguns livros especiais. A Imprensa da Universidade de Coimbra já nos ofereceu este ano dois títulos de que não posso deixar de vos falar. “A Universidade de Coimbra. O Tangível e o Intangível”, é um livro de apresentação da Universidade de Coimbra ao Mundo. Experiência inédita, reúne vários dos nossos melhores autores (Aníbal Pinto de Castro, Lélio Quaresma Lobo, Maria José Azevedo Santos e Vítor Serrão) e um grande número de outros colaboradores especializados que, sob a coordenação científica de José de Faria Costa e Maria Helena da Cruz Coelho, nos guiam numa visita por três continentes: o Património Artístico, o Património Documental e o Património Científico (incluindo aqui as belas colecções do Museu da Ciência). Trata-se de um livro que fala, profusamente ilustrado por belíssimas fotografias de João Armando Ribeiro, num conjunto muito cuidado e sóbrio com uma direcção de imagem com a excelência a que António Barros já nos habituou. Um projecto nascido há cerca de 10 anos (era então Fernando Regateiro o Director da IUC) e agora concretizado sob a coordenação editorial de Maria João Padez. O facto de se tratar de uma edição bilingue (tem tradução inglesa de Karen Bennett) dará asas a este sonho e fará chegar ainda mais longe a história e a riqueza patrimonial de uma universidade que foi, durante séculos, única em Portugal. Um livro especial, para ler e para rever sempre, para oferecer em momentos particulares e a destinatários seleccionados. Um livro que não se esgota porque é, ele mesmo, um desafio à nossa curiosidade intelectual, à nossa cultura e à nossa vontade de conhecer melhor esse tanto da história de Portugal que a Universidade de Coimbra encerra. O outro livro intitula-se “Tesouros da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra”. Com coordenação científica de A. E. Maia do Amaral, design de Paulo Emiliano e coordenação editorial da Medialivros, aqui desfilam alguns dos muitos tesouros que a nossa excepcional Biblioteca abriga. António Filipe Pimentel escreve sobre a arquitectura e a arte dos dois edifícios da BGUC e Maia do Amaral sobre as bibliotecas eruditas e os espólios literários e científicos (num dos capítulos) e sobre as marcas bibliográficas (noutro). Saul Gomes guia-nos pelos manuscritos medievais iluminados, enquanto Maria da Graça Pericão nos fala dos segredos da tipografia quatrocentista e quinhentista, Flávio Pinho dos fundos musicais e Iuliana Gonçalves da imprensa periódica portuguesa. Pelo seu lado, Alexandre Ramires conduz-nos ao mundo maravilhoso da fotografia antiga na UC, enquanto Carlos Fiolhais (Director da BGUC) e os seus colaboradores (António José Leonardo, Décio Martins / João Carlos Marques) recordam, no primeiro caso, o Instituto de Coimbra e, no outro, apresentam a rede de cerca de nove dezenas de bibliotecas da nossa Universidade. De referir também o trabalho dos fotógrafos Paulo Mendes e João Armando Ribeiro, que captaram imagens de uma maneira rara e que chega a ser emocionante. Em síntese, um livro que ilumina o recheio de uma instituição que, com 3500 manuscritos e mais de um milhão de volumes guardados nas suas valiosas salas, é seguramente uma das jóias da nossa Coroa. Dois livros, dois tesouros. Para ver e para tocar. Para sentir e para regalar a vista e o espírito. É ler para crer [http://siglv.uc.pt/imprensa]. João Gouveia Monteiro
- Tags:
- Livros
April 10 2010, 1:44am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
UM FALSO CAMÕES
http://dererummundi.blogspot.com/2010/04/um-falso-camoes.html
Minha crónica no Público de hoje:“Os filósofos grandes, com ciênciaE incansável indústria, que alcançara,Das coisas naturais a própria essência,E todas altamente especularam,Nenhuma de mais alta arte e excelênciaEntre todas, que o corpo humano, acharam:De forma, e de matéria um só compostoCom tamanho primor feito e composto.”No ano de 1615, saía em Lisboa do prelo de Pedro Craesbeck (um tipógrafo que tinha vindo de Antuérpia em fuga às guerras religiosas) o poema Da criação e da composição do homem, atribuído ao “grande Luís de Camões, Príncipe da poesia heróica”. Mas era um falso Camões, por muito camoniana que pareça a oitava de decassílabos heróicos transcrita em cima (actualizou-se a grafia), extraída do segundo dos três cantos em que o poema se divide.Houve logo quem percebesse que se tratava de um apócrifo pois a própria primeira edição o revelava no prólogo. Mas, talvez porque o nome de Camões fosse um chamariz, o certo é que a confusão persistiu durante mais de dois séculos. Só em 1861 foi posta à venda uma edição, incompleta pois nem frontispício tinha (de facto, não passava de umas meras provas), contendo o título verdadeiro: Microcosmosmografia e descrição do mundo pequeno que é o homem. Mas quem é o autor que durante tantos anos foi tomado pelo nosso maior vate?Acaba de ser publicado pela Colibri o livro Obras de André Falcão de Resende, numa edição crítica da italiana Barbara Spaggiari. Trata-se de um portentoso trabalho, que exigiu muitos anos de investigação minuciosa. Falcão de Resende foi não só contemporâneo de Camões como seu amigo e admirador. Nasceu em Évora, em 1527, e faleceu em Lisboa, em 1599. Curiosamente, Filipe II, o rei de Portugal e de Espanha, nasceu no mesmo ano que ele e morreu apenas um ano antes. O último poema de Falcão de Resende, que, tal como tantos outros intelectuais da época, defendeu o monarca dual, data precisamente de 1598 e, por ironia mórbida, glosa o tema da peste, que na altura assolou a Península, e que só em Portugal causou cerca de oitenta mil mortos, incluindo o próprio poeta.Falcão de Resende inspirou-se decerto em Camões para escrever a Microcosmografia, que um crítico considerou um “poema alegórico anatómico-cirúrgico” pois toma o corpo humano como imagem de todo o cosmos. Camões já tinha usado o corpo como metáfora geográfica (“Eis aqui quase cume da cabeça/ de Europa toda o Reino lusitano”), mas o seu amigo de Évora, um dos poucos que em vida lhe reconheceram o génio, foi mais longe na escala física, embora sem a mesma qualidade literária. Os dois foram grandes humanistas, tal como o tio do segundo, Garcia de Resende, o bem conhecido compilador do Cancioneiro Geral.Falcão de Resende, tendo seguido uma carreira eclesiástica, chegou a capelão do Cardeal D. Henrique, mas abdicou dela para casar e ter vários filhos (nenhum dos quais lhe sobreviveu). Já quarentão, voltou aos bancos da Universidade de Coimbra para cursar Cânones e conseguir chegar a juiz de fora em Torres Vedras. Foi aí que, em 1589, assistiu à passagem do corsário Sir Francis Drake, desembarcado em Peniche (com uma facilidade que originou a expressão “amigos de Peniche”), na tentativa frustada de ajudar o Prior do Crato a tomar Lisboa. O livro agora publicado está, contudo, amputado de parte de uma pormenorizada descrição dessa invasão inglesa... Em 1800, numa farmácia de Guimarães, o manuscrito apógrafo feito por um anónimo para reunir toda a obra de Falcão de Resende, logo após a morte deste, foi, por um incrível acaso, resgatado de embrulhar pós medicinais, quando um cliente reparou que era um pedaço da história de Portugal que estava a ser rasgado. Está desde então à guarda da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, à espera que um mecenas permita o necessário restauro (existe um fac-simile digital na Web). Foi a esse manuscrito e a uma cópia oitocentista dele, devida a um revisor da Imprensa da Universidade, o Sr. Freitas, que a Prof.ª Spaggiari dedicou uma boa parte da sua vida, para nossa ilustração e proveito. Muito obrigado!
- Tags:
- Livros
- História
- bibliotecas
April 9 2010, 2:34am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
GASTRONOMIA NOBEL
http://dererummundi.blogspot.com/2010/04/gastronomia-nobel.html
Um livro interessante para os amantes da boa cozinha e da boa ciência que vai sair em Maio na World Scientific:THE NOBEL BANQUETSA century of culinary history (1901-2001)by Ulrica Soderlind (Stockholm University, Sweden)Translated from the Swedish by Michael KnightThe Nobel Banquets is not about Alfred Nobel's personal dining habits; it is about his "gift to mankind" — the five original Nobel Prizes and the festivities that are arranged every year to celebrate them.There is hardly any other banquet in the world that is as famous as the Nobel Banquet which many would give a fortune to attend. It is held on December 10 in Stockholm every year. Countless articles and books have been written describing what the guests eat and drink, the table decorations and the serving ceremonies, the placing lists and of course the Nobel laureates themselves.This comprehensive book presents not only all the known facts about the Nobel banquet menus but also many unknown details, both about the Nobel Banquets themselves and about the traditional banquets held at the Royal Court by the King and Queen of Sweden on December 11 in honour of the laureates.The main focus is on the food and drink that have been served annually for more than a century. The gastronomic man is at the centre. The composition and contents of each banquet are listed and analysed. Today, the guiding principle is that the menus should have a touch of Scandinavia. The reader is given interesting insights into the work in the kitchens, the decanting of the wines and the special challenges that the waiters and waitresses face.The Nobel Banquets contains many photographs. It is a goldmine for gourmets and for anyone interested in knowing more about all the effort that goes into these fabulous festivities.Contents: * The Nobel Prizes: Background * Gastronomic Man * A Gastronomic Mix * The Nobel Banquets * The Nobel Menus, 1901-2007 * Good Food — Good Conversation * Appendices
April 8 2010, 3:29am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Obras de Falcão de Resende
http://dererummundi.blogspot.com/2010/04/obras-de-falcao-de-resende.html
Informação recebida da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra:Convite para a sessão de apresentação do livroObras de André Falcão de Resende(edição crítica de Barbara Spaggiari)Apresentação: Rita MarnotoAlém da autora vda edição, esta sessão contará também com a presença do Director do Centro Interuniversitário de Estudos Camonianos – José Carlos Seabra Pereira –, do Director da Biblioteca Geral – Carlos Fiolhais –, e do Director Adjunto - António Maia do Amaral.Na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, no dia 7 de Abril, pelas 18h30. A Pero d’Amdrade Soneto Quam nua e pobre vay a poesia, tam estimada já na rica Hyberia, na clara Lusitania e antiga Hisperia, na Greçia e até na barbara Turquia.Prevaleçeo sobre ella a mercançia com baixas ambições, e a tal miséria chega o verso, que sóo lhe dá materia ho triste Licambeo e a elegia.P]ois inda de Aganippe as Limphas desçem, e sempre regarão doçes e amenas mil engenhos subtijs, que pulão e cresçem.Nem faltão spritos bons com brandas penas que a ty, ó alto Amdrade, voar parescem, mas falta Augusto em fim, falta Meçenas. In Obras de André Falcão de Resende, Tomo I, p. 289
- Tags:
- Livros
- literatura
April 6 2010, 5:40am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Livro do Desassossego Tecnológico
http://dererummundi.blogspot.com/2010/04/livro-do-desassossego-tecnologico.html
Informação recebida da Robotarium:Apresntação doLivro do Desassossego Tecnológicode Leonel Mourapor Pedro Santos Guerreiro (Director do Jornal de Negócios)Terça-feira, 6 de Abril, 18:00hEspaço RobotariumLxFactoryRua Rodrigues Faria, 103, H021300-501 LisboaT: 213625286À venda na WOOKSinopse:O mundo anda em desassossego. Culpa-se a economia, a política, o terrorismo, o ambiente ou os anacronismos que persistem. Mas esquece-se com frequência o papel da revolução digital em curso. As novas tecnologias alteraram radicalmente os modos de vida, o trabalho, as relações humanas, o pensar, o ser e o estar. Geram ao mesmo tempo inovação e obsoletismo. Impõem mudança e velocidade. Perante isto existem duas atitudes. Resistir ou evoluir ainda mais depressa com base na criatividade.O autor defende a segunda opção.
- Tags:
- Livros
- tecnologia
- Arte
April 5 2010, 5:57pm | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
TON-TEN DOS ROMANCES DE LÍNGUA PORTUGUESA
http://dererummundi.blogspot.com/2010/04/ton-ten-dos-romances-de-lingua.html
A Imprensa da Universidade de Coimbra acaba de anunciar o resultado de um inquérito que fez pela Web junto dos membros da Universidade para apurar os melhores romances na língua portuguesa. O top-ten é este:1 Os Maias2 Memorial do Convento3 Amor de Perdição4 A Cidade e as Serras5 Equador6 O Crime do Padre Amaro7 Ensaio sobre a Cegueira8 Sinais de Fogo9 Aparição10 O Primo BasílioDestaque-se que a diferença entre o primeiro e o segundo é enorme. E também o facto de não surgirem romances de autores brasileiros ou de outros países de língua portuguesa.
- Tags:
- Livros
- literatura
April 5 2010, 4:07am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Portugal e a ciência europeia no início do século XIX
http://dererummundi.blogspot.com/2010/04/portugal-e-ciencia-europeia-no-inicio.html
Do livro "Breve História da Ciência em Portugal", que escrevi em colaboração com Décio R. Martins, e que em breve sairá numa edição da Imprensa da Universidade de Coimbra e da Gradiva, deixo um excerto sobre o a ciência nacional no início do século XIX (na imagem o Abade Correia da Serra):A Academia das Ciências de Lisboa foi criada em 1779 para promover o desenvolvimento científico e cultural do país. A sua primeira sessão teve lugar no ano seguinte com uma Oração na abertura lida pelo oratoriano Almeida. Entre o grupo de fundadores destacaram-se, entre outros, D. João Carlos de Bragança (2º Duque de Lafões) e o Abade Correia da Serra, para além dos já referidos Rocha, Vandelli e Dalla Bella. As Memórias da Academia constituem uma das mais importantes fontes da história da ciência em Portugal. Começou com a publicação das Memórias de Agricultura (1788-1791), seguindo-se as Memórias Económicas (1789-1815), Memórias da Academia Real das Sciencias de Lisboa (1797-1856), e, mais recentemente, as Memórias da Academia, Classe de Ciências (desde 1936). Surgiram também as Ephemerides Nauticas (1788-1824), os Annaes das Sciencias e Lettras da Academia Real das Sciencias (1857) e o Jornal de Sciencias Mathematicas, Physicas e Naturais (1866-1927).Entre os fundadores da Academia, Serra foi quem teve maior protagonismo internacional, com os seus estudos de botânica. É notável a obra que publicou nas mais prestigiadas revistas científicas: Philosophical Transactions, Transactions of Linnean Society, Transactions of the American Philosophical Society, The American Review, etc. Serra foi membro de várias instituições científicas de renome como a Royal Society e a Linnean Society, a Academia das Ciências de Paris, as Academias de Turim, Florença, Siena, Mântua, Bordéus, Lyon, Marselha e Liège, e a American Philosophical Society. Nos Estados Unidos a fama dos seus cursos de botânica nesta última sociedade originou um convite para ensinar na Universidade da Pensilvânia, que recusou. Thomas Jefferson, o terceiro presidente americano, nutria por Serra grande amizade, tendo mesmo na sua mansão na Virgínia um quarto reservado para ele. As relações científicas do naturalista português estabeleceram-se ao mais alto nível, nomeadamente com os franceses Candolle, Lametherie, editor do Journal de Physique, Millin, editor do Magasin Encyclopédique, Jussieu e Cuvier.Em finais do século XVIII Portugal foi bastante marcado pelas grandes transformações sociais e políticas originadas pela Revolução Francesa. As invasões francesas obrigaram a corte do regente D. João, futuro rei D. João VI, a refugiar-se, em 1807, no Rio de Janeiro, iniciando um processo que conduziria à independência do Brasil, declarada em 1822 por seu filho D. Pedro.Na Universidade de Coimbra fizeram-se nessa época sentir algumas das mudanças que ocorreram na Europa no século XIX. A organização universitária europeia reformou-se, sendo um bom exemplo a criação da Universidade de Berlim pelo alemão Wilhelm von Humboldt, em 1810, onde a investigação científica era vista como complementar da docência. Várias viagens de professores de Coimbra a centros universitários europeus reflectiram-se, ao longo do século XIX, na evolução do ensino em Portugal e também na organização, ainda que débil, de algum trabalho de investigação.Assim, na primeira metade do século XIX, ocorreram na Universidade de Coimbra reformas curriculares da iniciativa do claustro académico, procurando um melhor ajustamento ao desenvolvimento científico na Europa (as de 1836 e 1844 já influenciadas pela Revolução Liberal de 1830). A partir de 1836-1837, com a fundação da Escola Politécnica de Lisboa e da Academia Politécnica do Porto, as duas imbuídas do espírito do liberalismo, a Universidade coimbrã passou a ter concorrência, não tendo sido pacífica a sua relação com as novas escolas. Vozes críticas da velha universidade afirmaram que os métodos do ensino coimbrão assentavam na erudição livresca e nas lições magistrais, transmitindo por isso uma ciência desligada das novas realidades. Coimbra era acusada de ser apenas uma "fábrica" de políticos.Mas já em 1791 o plano de estudos na Faculdade de Filosofia estabelecido pela Reforma Pombalina tinha sido alterado. Foi então criada a cadeira de Botânica e Agricultura no 1.º ano do Curso Filosófico. Para a reger foi nomeado Félix de Avelar Brotero. O novo professor havia estudado no Colégio dos Religiosos Arrábicos de Mafra, tendo posteriormente concorrido ao lugar de capelão da Igreja Patriarcal de Lisboa. Emigrou depois para França na companhia do poeta Filinto Elísio. A sua estada na capital francesa permitiu lhe conviver com os mais eminentes naturalistas da época, como o Conde de Buffon, Cuvier e Lamarck. Doutorou se em Medicina em Reims. Foi depois de regressar a Portugal que entrou na Faculdade de Filosofia, tendo desempenhado papel relevante na reforma do plano de estudos. Brotero foi membro de várias academias científicas internacionais, entre as quais a Sociedade de Horticultura e a Linnean Society, ambas de Londres, as Academias das Ciências de Lisboa, de História Natural e Filomática de Paris, Fisiográfica de Lund, de História Natural de Rostock, e Cesareia de Bona. Entre os seus trabalhos contam-se: Compêndio de Botânica (1788), Flora Lusitanica... (1804). Phytographia Lusitaniae selectior... (1816-1827), e Compêndio de botânica... (1837-1839). Publicou vários artigos nas Transactions of the Linnean Society. Brotero foi talvez o mais proeminente cientista português do século XIX.Entre os brasileiros formados em Coimbra após a Reforma Pombalina o mais famoso foi José Bonifácio de Andrada e Silva, um dos maiores protagonistas no processo da independência do Brasil. Andrada e Silva formou-se em Filosofia Natural e Direito Canónico, em 1787 e em 1788, respectivamente. Iniciou em 1790 uma sucessão de estadas em bons centros científicos da Europa, que durou até 1800. Durante este período visitou os melhores institutos da França, Itália, Alemanha, Dinamarca, Holanda, Suécia, Grã-Bretanha, etc. Na capital francesa teve por mestres de Química os continuadores de Lavoisier – Chaptal e Fourcroy. Estudou Botânica com Jussieu. Foi discípulo de Haüy, o fundador da Mineralogia em França. Os seus conhecimentos em Metalurgia foram aprofundados sob a orientação de Sage, director da Escola de Minas de Paris. Na Escola de Minas de Freiburg foi discípulo de Werner. Nessa mesma escola, foi colega do naturalista Alexander von Humboldt, irmão de Wilhelm. Após dez anos de actividade científica por toda a Europa, regressou a Coimbra, dedicando-se ao ensino da Metalurgia. Paralelamente a essa actividade, foi Intendente Geral de Minas e Metais do Reino. Administrou também as minas de carvão de Buarcos e de S. Pedro da Cova e das Reais Ferrarias da Foz de Alge, um afluente do Zêzere. Foi Director do Laboratório de Docimasia da Casa da Moeda em Lisboa, onde se determinava a proporção de metais nos minérios. Foi ainda da sua responsabilidade a criação de um laboratório de apoio de prospectores mineiros em Portugal e no Brasil.O seu nome, juntamente com o dos químicos suecos Berzelius e Arfwedson, e ainda o do francês Berthollet, está associado à descoberta do lítio. Com efeito, foi a partir dos trabalhos publicados por estes autores que, em 1818, um outro grande químico, Davy, em Inglaterra, aplicou a recente técnica da electrólise para isolar o novo elemento, que ocupa a terceira casa da Tabela Periódica, a que deu o nome de lítio, do grego lithos (pedra). Andrada e Silva anunciou a descoberta de doze novos minerais num artigo do Allgemeines Journal der Chemie (1800) de Leipzig. Entre esses minerais estavam a petalita e o espoduménio, que são aluminossilicatos de lítio. O artigo tinha por título (traduzido para português): Exposição sucinta das características e das propriedades de vários minerais novos da Suécia e da Noruega... A importância deste trabalho justificou a sua publicação, em inglês, no Journal of Natural Phylosophy, Chemistry and the Arts (1801) e, em francês, no Journal de Physique, de Chimie, d’Histoire Naturelle et des Arts (1800). Andrada e Silva foi membro das Academias de Estocolmo, Copenhaga, Turim, da Sociedade dos Investigadores da Natureza de Berlim, das Sociedades de História Natural e Filomática de Paris, da Sociedade Geológica de Londres, Werneriana de Edimburgo, Mineralógica e Lineana de Jena, Filosófica de Filadélfia, etc. Foi ainda membro da Academia Imperial de Medicina do Rio de Janeiro.
- Tags:
- Livros
- história da ciência
April 4 2010, 11:49am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Três mil anos de cristianismo
http://dererummundi.blogspot.com/2010/04/tres-mil-anos-de-cristianismo.html
Recensão do livro- CHRISTIANITY, The First Three Thousand YearsBy Diarmaid MacCullochIllustrated. 1,161 pp. Viking. $45na revista de livros do "New York Times" de hoje: aqui.Na figura: Ceia de Emaus" (1601) de Caravaggio.
April 2 2010, 4:25pm | Comments »







