Informação recebida da Classica DigitaliaTrês novos livros editados em formato tradicional de papel e também na biblioteca digital.Colecção Humanitas Supplementum (Estudos) - Francisco de Oliveira, Jorge de Oliveira e Manuel Patrício: Espaços e Paisagens. Antiguidade Clássica e Heranças Contemporâneas. Vol. 3 – História, Arqueologia e Arte (Coimbra, Classica Digitalia/CECH, 2010).Colecção Autores Gregos e Latinos – Série Textos Latinos - Carlota Miranda Urbano: Santo Agostinho. O De Excidio Vrbis e outros sermões sobre a queda de Roma. Tradução do latim, introdução e notas (Coimbra, Classica Digitalia/ CECH, 2010).Série Varia - Nair de Nazaré Castro Soares, Diogo de Teive. Tragédia do Príncipe João. Introdução, texto, versão e notas (Coimbra, Classica Digitalia/CECH, 2010).
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Três novos livros da Classica Digitalia
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November 30 2010, 4:30am | Comments »
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CARTA DE D. CATARINA DE BRAGANÇA AO SEU MARIDO
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Na exposição sobre os portugueses na Royal Society (fundada em 1660 e com carta régia desde 1662), que está patente na Biblioteca Joanina em Coimbra é exibido o original de uma carta da rainha Catarina de Bragança ao seu esposo, Carlos II de Inglaterra, datado de 1661, quando a rainha, casada à distância, ainda não tinha ido para Inglaterra.Curiosamente, a jornalista e escritora Isabel Stilwell, incorpora parte do texto dessa carta na sua biografia romanceada "Catarina de Bragança. A coragem de uma infanta portuguesa que se tornou rainha de Inglaterra", Esfera dos Livros, 1ª edição, 2008. Lê-se na p. 257:"Meu caro marido e senhor meu,Se o contentamento de me ver com carta de Vossa Magestade pudesse ser satisfação igual da pena que me havia custado a falta dela, não seria necessário dizer-lhe a estimação que dela fiz,bem a alegria com que festejei a chegada de quem ma trouxe.(...) Mas quererá Deus trazer a armada breve e levar-me à vossa presença, pois só ver-vos apaziguará as minhas saudades. Entretanto, rogo que Ele vos dê prosperidade, como aquela de que depende toda a minha felicidade.De Vossa MagestadeSua mulher que mais o ama e sua mãos beijaCatarina R."A carta foi escrita pela mão da rainha em português porque ela não sabia inglês assim como o marido não sabia português. A armada inglesa veio buscá-la a Lisboa (uma magnífica gravura mostra, na exposição, a exuberância do cortejo), mas o marido não foi recebê-la a Portsmouth, mandando antes o irmão. O casamento, como é sabido, correu mal...
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November 29 2010, 10:41am | Comments »
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PREFÁCIO A “AOS OMBROS DE GIGANTES”
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MeupPrefácio ao livro "Aos Ombros de Gigantes" (Texto Editores, textos clássicos da ciência escolhidos e comentados por Stephen Hawking), que já se encontra nas livrarias:Foi o grande físico inglês Isaac Newton o autor do título deste livro. De facto, foi ele quem um dia afirmou:“Se consegui ver mais longe é porque estava aos ombros de gigantes”.Os gigantes a que Newton se referia eram o italiano Galileu Galilei e o alemão Johannes Kepler, que foram contemporâneos um do outro e que pertenceram à geração anterior à de Newton (este nasce no ano em que Galileu morre). Por sua vez, Galileu e Kepler estiveram aos ombros de um outro gigante, um pouco anterior, o monge polaco Nicolau Copérnico, que desafiou a longa tradição geocêntrica ao afirmar que a Terra se movia em torno do Sol.Quer Galileu quer Kepler, enfrentando uma enorme incompreensão à sua volta, defenderam o sistema de Copérnico. Os dois foram observadores dos céus: Galileu construiu e usou a primeira luneta astronómica, e Kepler, com base em sistemáticas observações dos planetas realizadas a olho nu, formulou as três leis que hoje têm o seu nome, dos movimentos planetários.Portanto, a obra de Newton nunca teria sido possível sem Copérnico, Galileu e Kepler. O sábio inglês viu mais longe aos ombros dele: encontrou uma mecânica que engloba as descrições anteriores dos movimentos na Terra realizadas por Galileu (a primeira lei de Newton não é mais do que o princípio da inércia de Galileu, segundo o qual os corpos permanecem parados ou em movimento uniforme se não forem actuados por forças exteriores); mais ainda, essa mecânica descrevia tanto os fenómenos da Terra como os do céu (tanto a maçã sobre a cabeça de Newton como a Lua que ele via ao longe!); e, finalmente, com base nas leis de Kepler, Newton alcançou a lei de gravitação universal, segundo a qual todos os corpos, tanto na Terra como nos céus, se atraem uns aos outros, obedecendo a uma fórmula matemática. Para um homem só, ainda que aos ombros de outros três, é obra!Foi longa a espera – mais de duzentos anos - até surgir um outro gigante que conseguiu subir aos ombros de Newton. O seu nome foi Albert Einstein e celebrámos no ano de 2005, declarado pela Organização das Nações Unidas “Ano Mundial da Física”, o centenário dos seus principais trabalhos. Havia, de facto, alguns problemas com a mecânica de Newton (e dos seus antecessores, a respectiva paternidade deve ser partilhada), nomeadamente a sua compatibilidade com o electromagnetismo, a parte da Física que estuda os fenómenos eléctricos e magnéticos e que tinha, entretanto, sido muito desenvolvida. Einstein, movido pela ideia da unidade conceptual da Física, viu-se obrigado a mudar a antiga mecânica, substituindo-a pela mecânica relativista. Na nova mecânica, nomeadamente na teoria da relatividade restrita, o espaço e o tempo deixavam de ser conceitos absolutos e independentes um do outro, existindo um espaço-tempo para cada observador. Mas Einstein fez essa substituição de um modo subtil: a mecânica antiga continuava, afinal, perfeitamente válida para os fenómenos que decorriam a baixas velocidades, as velocidades a que estamos habituados nas nossas vidas. Por outro lado, ao reparar com algumas dificuldades da teoria newtoniana da gravitação, nomeadamente o facto de a interacção gravítica ter lugar a velocidade infinita, Einstein propôs uma nova teoria da gravitação, a teoria da relatividade geral, uma teoria física muito bela segundo a qual o espaço-tempo se encurvava na vizinhança de uma massa, encurvando-se tanto mais quanto maior for a massa. A força da gravitação era a manifestação visível desse encurvamento geométrico. Mais uma vez, a antiga fórmula da força gravítica de Newton valia no caso em que as massas que encurvavam o espaço-tempo à sua volta eram suficientemente pequenas, mas deixava de valer no caso de estrelas supermassiças. O que era novo não mudava completamente o que era velho, antes o mantinha num limite bem preciso.E é assim que a física – o empreendimento humano da descoberta do mundo – avança... Uns vêem mais do que os outros, mas, ao fazê-lo, prestam homenagem aos outros, que viram o mundo antes deles, mantendo aquilo que for de manter. A pirâmide dos físicos não está certamente acabada: um dia alguém subirá certamente para os ombros de Einstein e verá mais longe do que ele, acrescentando algo a Einstein sem destruir a parte essencial do que ele propôs. Um dos problemas atacados por Einstein, ao longo de décadas da sua vida, foi a tentativa de unificação da força gravítica com a força electromagnética, nomeadamente procurando dar à força electromagnética uma interpretação geométrica semelhante à do caso gravítico. Esse grande problema da unificação das forças permanece hoje em dia por resolver: ele espera um outro Einstein, que poderá surgir a qualquer altura.Mas o novo Einstein terá de ter lido este livro. A obra que o leitor tem em mãos – compilado por um astrofísico muito conhecido que trabalha nas fronteiras da moderna física, o inglês Stephen Hawking – reúne os textos fundamentais de todos os autores que foram atrás referidos: de Nicolau Copérnico, o texto de “Sobre as Revoluções dos Corpos Celestes”, de Galileu, os seus “Diálogos sobre os Duas Novas Ciências”, de Kepler, as suas “Harmonias do Mundo”, de Newton os seus “Princípios Matemáticos de Filosofia Natural” e, finalmente, de Einstein o conjunto dos seus artigos mais importantes sobre as suas teorias da relatividade restrita e geral. Hawking escreveu resenhas biográficas daqueles famosos autores. Se a Fundação Gulbenkian já nos tinha dado a tradução do livro de Copérnico, feita a partir do latim original, e a tradução dos textos fundamentais de Einstein, feita a partir do alemão original, não podemos deixar de agradecer à Texto Editores o facto de publicar pela primeira vez em português de Portugal os referidos textos de Galileu, Kepler e Newton. Salvo erro ou omissão é até a primeira vez que Kepler aparece na língua portuguesa, o que se afigura tanto mais interessante quanto Kepler era um admirador confesso dos feitos dos navegadores portugueses, tendo até redigido os seus trabalhos como uma narrativa de avanços e recuos na sua elaboração, tal como os cronistas de bordo faziam para descrever as aventuras marítimas.Nesta tradução, feita a partir da versão brasileira, mais do que ser absolutamente fiel aos originais procurámos tornar os textos minimamente inteligíveis pelo leitor de hoje que se interesse pelos conteúdos.Este é um grande livro a todos os títulos. É grande não apenas no tamanho, mas é grande por reunir num só volume as maiores ideias dos maiores génios que a humanidade jamais teve! Este volume condensa aquilo que o homem foi sabendo a respeito do mundo físico à sua volta durante cerca de quinhentos anos. O último meio milénio proporcionou um avanço enorme à Física, um avanço conseguido por gigantes intelectuais. Resta-nos sonhar com o próximo meio milénio: é certo que a pirâmide humana vai continuar a subir...
November 28 2010, 7:36am | Comments »
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Do Intervencionismo ao Sidonismo.
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Informação chegada ao De Rerum NaturaNo próximo dia 29 de Novembro (2.ª feira), pelas 18h00, será apresentada a obra Do Intervencionismo ao Sidonismo. Os dois segmentos da política de guerra na 1.ª República: 1916-1918, da autoria de Luís Alves de Fraga, e que se insere na colecção República, editada pela Imprensa da Universidade de Coimbra.A apresentação estará a cargo do Doutor Amadeu Carvalho Homem e terá lugar na Livraria Almedina Estádio, em Coimbra.
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November 25 2010, 2:10pm | Comments »
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Dez Paixões em forma de Romance - Os Maias
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Informação recebida pelo De Rerum Natura.No dia 2 de Dezembro (5.ª feira), pelas 18h00, realiza-se a segunda tertúlia sobre os livros eleitos como as Dez Paixões em forma de Romance. Esta sessão, que se realizana Quinta das Lágrimas, em Coimbra, terá como tema a obra Os Maias, de Eça de Queiroz, e contará com a presença dos Doutores Carlos Reis e António Miguel Arnaut.No final da tertúlia, terá lugar um jantar de carácter facultativo. São partes distintas do mesmo evento, sendo possível a participação na tertúlia sobre a obra sem inscrição no jantar (que poderá ser efectuada pelo e-mail: clp@ci.uc.pt).
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November 25 2010, 1:27pm | Comments »
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A ARTE DE DAR PEIDOS
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Informação recebida da editora Orfeu Negro:Incrédulo, o leitor interrogar-se-á: mas então, dar peidos também é uma arte? Se a pergunta o atormentar, irá encontrar a resposta neste pequeno ensaio teórico-físico do séc. XVIII. Clássico da literatura cómica, escatológica e pseudocientífica, A Arte de Dar Peidos confirma-nos que o peido é uma necessidade da natureza, uma condição de boa saúde, que pode e deve ser assumida como uma fonte de prazer. E até de arte, pois dar peidos não custa, custa é saber dá-los.1.º TÍTULO DA COLECÇÃO CASIMIRO | Livro Ilustrado para AdultosJosé María Lema é ilustrador, embora não tenha a certeza de ser “ caricaturista”, “pintor” ou mesmo «artista». Sabe que cada dia é uma folha em branco que deve ser iluminada. Foi seleccionado em 2008, 2009 e 2010 para a Exposição Internacional de Ilustradores da Feira do Livro Infantil de Bolonha, tendo exposto o seu trabalho em diversos museus na Coreia e no Japão. Integra o colectivo internacional de ilustradores Blue Book Group. Nesta Arte de Dar Peidos, José María Lema dá luz ao ensaio teórico-físico e metódico de Pierre-Thomas-Nicolas Hurtaut, falso cientista mas verdadeiro filósofo do séc. XVIII.Título A Arte de Dar PeidosTexto Pierre-Thomas-Nicolas HurtautIlustrações José María LemaTradução Jorge Lima AlvesAno de edição 2010N.º pp. 108Formato 15 x 15 cmPreço € 12,00À venda nas livrarias a partir de 25 de Novembro
November 24 2010, 9:45am | Comments »
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MÉDICOS PORTUGUESES
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Escasseiam em Portugal as obras de referência. Não há, por exemplo, um dicionário de cientistas ao longo dos mais de quinhentos anos que a ciência já leva em Portugal. Mas há, desde há pouco tempo, um dicionário histórico de médicos portugueses. É seu autor, como não podia deixar de ser, um médico, Manuel Freitas e Costa, Professor Catedrático Jubilado de Pneumologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa que foi assim como imagens dos respectivos rostos (o que não deve ter sido nada fácil), que agora foram reunidas num volume publicado pela editora Lidel, intitulado “Personalidades e Grandes Vultos da Medicina Portuguesa”.A capa é convidativa: o quadro “Lição de Anatomia do Dr. Nicolaes Tulp” (1632) (na figura) do grande mestre holandês Rembrandt. E a primeira coisa que verifica quem pegue no livro é o número enorme de “personalidades e grandes vultos” de medicina nacional. “Grandes vultos” é um subconjunto das 600 “personalidades” biografadas pelo autor de uma forma curta, o subconjunto precisamente daquelas que mais se destacaram por uma razão ou por outra: surgem mencionados logo no sucinto prefácio do autor os nomes de Pedro Hispano, Garcia da Horta, Ribeiro Sanches, Miguel Bombarda, Sousa Martins, Egas Moniz, Ricardo Jorge, Abel Salazar, Bissaya Barreto, Reynaldo dos Santos e Francisco Pulido Valente. Não vêm nesse grupo, por exemplo, Amato Lusitano, o médico judeu sobre cujo nascimento passam em 2011 cinco séculos, Jacob de Castro Sarmento, outro médico judeu que tal como o anterior emigrou para fugir à Inquisição e o bacteriologista Luís da Câmara Pestana, mas poderiam vir. E aparecem também nessa short list alguns nomes de médicos que se distinguiram fora da medicina, como são os casos na matemática e astronomia de Pedro Nunes (talvez o maior cientista português de todos os tempos!), na política os republicanos Manuel de Brito Camacho e António José de Almeida (que acrescem a Miguel Bombarda, que foi assassinado pouco antes de assistir ao triunfo das suas ideias), na literatura os escritores Júlio Dinis, Miguel Torga e Fernando Namora, e na arte o pintor Mário Botas, falecido prematuramente. Muitos médicos portugueses distinguiram-se, como se vê, fora da sua área de formação original.Além de não terem aparecido até hoje dicionários de médicos portugueses, também não há um livro completo e actualizado de história da medicina acessível nas livrarias. Na bibliografia consultada, encontram-se o clássico “História da Medicina em Portugal”, de Maximiliano Lemos, o qual, originalmente publicado em 1899, foi há pouco anos republicado pelas Publicações D. Quixote, em edição que se encontra esgotada e o muito bonito livro, embora abranja no título um só século, “Medicina Portuguesa no Século XX”, de Manuel Machado Macedo, publicado pelos CTT – Correios de Portugal em 2000 e também esgotado. Ainda mais difíceis de encontrar são obras publicadas por laboratórios em certas ocasiões, como “Grandes Figuras da Medicina Portuguesa”, de Imtiaz Juma, publicada pela Rhône-Poulenc em 1993.Apesar dessa escassez de apanhados gerais que nos permitam apercebermo-nos da dimensão histórica da medicina entre nós, a história dessa ciência entre nós é bem antiga. Quem foi o mais antigo médico em Portugal? Pois o prefácio informa quem não saiba que “o primeiro médico português e o primeiro a ensinar medicina” foi Mendo Dias. Fui logo para a letra D o Dicionário, para confirmar que D. Mendo Dias viveu nos séculos XII e XIII, desconhecendo-se as datas exactas do seu nascimento e morte. Foi monge no Mosteiro de Santa Cruz em Coimbra, tendo ido estudar medicina para Sorbonne em Paris, numa época em que ainda não existia a Universidade de Coimbra (fundada em 1290). Freitas e Costa informa-nos que, apesar de não haver universidade em Portugal, a medicina já se ensinava em Santa Cruz desde 1130. E foi aí que Mendo Dias ensinou, no tempo de D. Sancho I, ganhando justa fama. Nas esculturas realizadas por Leopoldo de Almeida para a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (o edifício do Estado Novo, na Alta, agora deixado pelos médicos por terem rumado para o campus do Pólo III, nas imediações do Hospital Universitário) lá está Mendo Dias, perto de Pedro Hispano e de Garcia da Orta.Como o grupo escultórico está muito perto do meu local de trabalho, já vi guias turísticos chamarem a atenção do seu grupo não para Mendo Dias, mas para Pedro Hispano, justificando que foi o primeiro e até agora único papa português, sob o nome de João XXI (embora por pouco tempo, vitimado como foi em 1276 pela derrocada do palácio papal). Avancei no Dicionário para a letra H, para ler a ficha de Pedro Hispano ou Pedro Julião. Também esteve em Paris, como Mendo Dias, assim como esteve em Lisboa, Santiago de Compostela, Sicília, Siena e Montpellier, tendo portanto sido um viandante pela Europa num tempo em que ainda não havia o programa Erasmus. Entre as várias obras que lhe são atribuídas (não há a certeza da autoria) sobressai o tratado oftalmológico De Oculis, contendo uma receita que se diz ter sido usada, anos volvidos, pelo pintor Miguel Ângelo.Para verificar a qualidade do dicionário recuei a seguir para a letra E, para consultar uma das maiores fichas, a de António Egas Moniz, o nosso primeiro e único Prémio Nobel na área científica. E lá está a informação que conhecia: no próximo ano vai fazer cem anos que trocou o seu lugar de Coimbra por um lugar de catedrático na então fundada (ou refundada, pois partiu de escolas anteriores) Universidade de Lisboa. Tal como Mendo Dias e Pedro Hispano, também passou por Paris...Folheando o Dicionário, encontrei Pedro de Almeida Lima (o famoso colaborador de Egas Moniz), Marck Athias (outro judeu, licenciado em Paris), Henrique Barahona Fernandes (perito em saúde mental), Adelaite Cabete (não há muitas médicas no livro!), Augusto Celestino da Costa (introdutor da embriologia entre nós), João Cid dos Santos (cirurgião vascular), Mário Corino de Andrade (o grande estudioso da doença dos pezinhos), António Plácido da Costa (um oftalmologista inventor), João Curvo Semedo (o primeiro a utilizar a quina no tempo de D. João V), Francisco Gentil (pioneiro da luta contra o cancro), Zacuto Lusitano (outro judeu perseguido), Júlio de Matos (psiquiatra e positivista), Elysio de Moura (lendário médico coimbrão), José Vizinho (médico de D. João II e cosmógrafo), etc. Mas não encontrei António Augusto da Costa Simões, o fisiologista do século XIX que modernizou o ensino em Coimbra.Fica-se, de facto, admirado com o número de médicos que se notabilizaram fora da sua área: Judas Leon Abrabanel (o Leão Hebreu, autor dos “Diálogos de Amor”), Félix Avelar Brotero (que, apesar da sua formação em Medicina, enveredou pela ciência botânica), José Vicente Barbosa do Bocage (que, como Brotero, se tornou naturalista embora optando pela Zoologia), Jaime Cortesão (que ganhou fama como historiador), Júlio Dantas (o do “Morra o Dantas, morra, pim!”), José Feliciano de Castilho (o da Questão Coimbrã), José Fialho de Almeida (o autor de “Os Gatos”), Manuel Laranjeira (o escritor que se suicidou), José Leite de Vasconcelos (o grande etnólogo), Alberto de Sousa (o pintor) e Bernardo Santareno (o dramaturgo). Lá está ainda o músico contemporâneo já falecido Carlos Paião.Se eu tivesse disposto deste livro teria tido menos trabalho quando escrevi, com Décio Martins, a “Breve História da Ciência em Portugal”...- Manuel Freitas e Costa, “Personalidades e Grandes Vultos da Medicina Portuguesa”; Lidel, 2010
November 23 2010, 10:40am | Comments »
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Comentários do Colégio Conimbricense sobre o Tratado da Alma
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Informação recebida das Edições Sílabo:Comentários do Colégio Conimbricense da Companhia de JesusSobre os Três Livros do Tratado 'Da Alma' de Aristóteles EstagiritaP. Manuel de Góis , Mário S. de Carvalho (introdução), e Maria da Conceição Camps (tradução)ISBN: 978-972-618-606-9576 páginasAno de publicação: 2010P.V.P.: 25,90 euros RESUMONo século de Camões, de Gil Vicente e de Pedro Nunes foi publicada em Coimbra e em Lisboa a obra maior e mais internacional da filosofia portuguesa, os Comentários Conimbricenses da Companhia de Jesus, sobretudo da autoria de Manuel de Góis. Descartes, Peirce, entre outros, estudaram por essas páginas, cujo texto sobre o 'De Anima' conhece agora a primeira tradução do latim numa língua viva. O Comentário fez parte do curriculum dos Colégios Jesuítas do Atlântico aos Urais, marcou o ensino no Brasil e na Índia, sendo também, provavelmente, o primeiro texto de filosofia ocidental a conhecer uma adaptação em língua chinesa. Numa época de globalização como é a nossa, bom será que se reconheça a importância que o Curso Conimbricense teve ao contribuir para a criação de uma cultura universal com todas as suas consequências, designadamente a que envolveu a difusão de valores hoje considerados inquestionáveis no domínio dos direitos do homem, no respeito pela natureza e no reconhecimento do valor da ciência e da religião, em todas as suas vertentes. Tanto ou mais do que a explicação da psicologia de Aristóteles, o leitor encontrará a surpresa de uma filosofia renascimental nas suas múltiplas temáticas, desenvolvida de um modo sistemático, mas aberto, cuja actualidade ou perenidade se pode aferir pelo eco que os autores dão à ciência da alma: a mais nobre de entre as demais, já que ninguém se pode conhecer a si mesmo nem ao Universo se não se debruçar sobre os segredos que a alma encerra e que são simultaneamente únicos, porque individuais, e universais.O início da introdução geral (pdf de 12 páginas) pode ser lido aqui.
November 22 2010, 4:37am | Comments »
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Miguéis e Saramago
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José Rodrigues Miguéis/José Saramago – correspondência 1959 – 1971, da Caminho, organização e notas de José Albino Pereira, é um livro constituído pelas cartas trocadas entre estes dois homens, um, Miguéis, escritor então de primeira linha da literatura portuguesa, e o outro, Saramago, ao tempo diretor literário da Estúdios Cor, embora, por aquilo que ele vai dizendo, e se adivinha, um topa-a-tudo da editora. .Cartas e mais cartas sobre se se publica esta ou aquela obra, se avança agora esta edição ou outra, se vamos publicar já ou mais logo, e quantos exemplares de tiragem, e que tipo de letra, e como vai ser a capa, provas que vão por cima do Atlântico, provas que voltam da América com emendas, e os custos dos portes aéreos, que escaldam, o medo de uma apreensão de livro, que pode deitar tudo a perder, e as mesadas que se atrasam, os magros cheques dos direitos de autor que nunca chegam a horas, por atrasos no correio, dificuldades de tesouraria, afazeres que impediam ao funcionário Saramago as contas a horas, as listas das vendas conferidas mês a mês, por entre palavras de ânimo, outras de desânimo, notícias, referências a amigos comuns, etc. .Enfim, por via epistolar, duas vidas difíceis: de um autor - Rodrigues Miguéis, exilado e isolado, não só geograficamente mas, a partir de certa altura, também pelo “silencio”dos antigos “compagnons de route”, e do seu interlocutor editorial, Saramago, zelador, progressivamente próximo, pelo espírito, e cada vez mais «querido amigo» e quase confidente..De modo que é um livro objetivamente sem grande interesse e, todavia, muito interessante. Pelo menos para mim. Porque, na sua aparente monotonia, as cartas são a imagem reveladora da pessoa sensível, crítica, amargurada e até algo nevrótica que José Rodrigues Miguéis era, longe, sem notícias, sem amigos, sem grande saúde mas, apesar de tudo, cheio de projetos e trabalhando sempre. E de um José Saramago na situação de admirador do escritor famoso, mas na função de conselheiro, de apoiante psicológico, de quase protetor, revelando um “coração” que muitos se negam a reconhecer nele, mas que ele tinha. .E, curioso, já próximo daquele estilo corrido, envolvente, que não deixa nada para trás (só algum subentendido, alguma piada) e lá vai, palavra a palavra, frase a frase, misturando assuntos de serviço com lamentações pela vida trabalhosa e cansativa, pelo país cinzento, pela pobreza editorial, apesar de algumas euforias, pelo ordenado «de miséria», e até com algumas discretas confidências sobre as suas andanças e desandanças amorosas, que tanta perturbação lhe causaram, a certa altura, na cabeça e no serviço..Pelo que se diz e se dá a entender é uma boa imagem do Portugal envelhecido dos finais do Estado Novo. É também interessante para vermos as voltas que a vida dá. Apanhar um Saramago a chegar aos quarenta, funcionário atarefado de edições, enviando a Miguéis os seus tímidos versos das horas vagas, e depois as crónicas d’ A Capital, para lhe ouvir a opinião. E da outra banda um escritor consagrado, já com obra feita, mais velho vinte anos, e todavia frágil, oscilando entre a insegurança e a noção do seu valor, sofrendo do síndroma de todos os isolados, longe de Portugal, moído de saudades e projetando viagens, que ia adiando, porque eram caras, não havia saúde, etc. .Passados trinta, quarenta anos é curioso verificar como as coisas se inverteram. O então funcionário das escritas e aprendiz de escritor transformado num autor de primeira grandeza, laureado ao mais alto nível, homenageado por todo o lado, e o outro, então muito lido e apreciado, hoje esquecido. Muito injustamente, diga-se. Como são estas coisas!João Boavida
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November 20 2010, 8:51am | Comments »
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Amazon e os melhores livros de 2010
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Uma pequena nota para realçar algo de interessante. Na lista dos melhores livros de 2010 criada pelos editores da Amazon, em primeiro lugar aparece um livro com deliciosas intersecções entre drama humano, coragem, moral e, eventualmente sobretudo, Ciência! Trata-se de The Immortal Life of Henrietta Lacks, de Rebecca Skloot.Eis uma sinopse apresentada: From a single, abbreviated life grew a seemingly immortal line of cells that made some of the most crucial innovations in modern science possible. And from that same life, and those cells, Rebecca Skloot has fashioned in The Immortal Life of Henrietta Lacks a fascinating and moving story of medicine and family, of how life is sustained in laboratories and in memory. Henrietta Lacks was a mother of five in Baltimore, a poor African American migrant from the tobacco farms of Virginia, who died from a cruelly aggressive cancer at the age of 30 in 1951. A sample of her cancerous tissue, taken without her knowledge or consent, as was the custom then, turned out to provide one of the holy grails of mid-century biology: human cells that could survive--even thrive--in the lab. Known as HeLa cells, their stunning potency gave scientists a building block for countless breakthroughs, beginning with the cure for polio. Meanwhile, Henrietta's family continued to live in poverty and frequently poor health, and their discovery decades later of her unknowing contribution--and her cells' strange survival--left them full of pride, anger, and suspicion. For a decade, Skloot doggedly but compassionately gathered the threads of these stories, slowly gaining the trust of the family while helping them learn the truth about Henrietta, and with their aid she tells a rich and haunting story that asks the questions, Who owns our bodies? And who carries our memories?
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November 19 2010, 2:49pm | Comments »








