Fernando Pessoa tem sempre algo de novo a dar a cada um de nós. A mim deu-me a "Crónica Decorativa II", incluída no livro que o Pai Natal me deixou "Contos, Fábulas & outras ficções", com organização, prefácio e notas de Zetho Cunha Gonçalves (Bonecos Rebeldes, 2008). O autor do poema sobre o "binómio de Newton e a Vénus de Milo" não poderia ser anti-científico, mas aquela crónica inédita (saiu em "O Raio", Lisboa, nº 12, 12/Setembro/1914 a engraçada "Crónica Decorativa 1" (pode ser lida aqui) é dos textos anti-científicos mais bem escritos que conheço. Tal como a "Crónica Decorativa I" foi escrita em 22/Agosto/1914, também para "O Raio", mas não chegou aí a ser publicada por essa revista ter sido extinta.Num misto de humor e absurdo, posto na voz de um narrador conservador e anti-científico, é narrada a segundo ele catastrófica descoberta por um "explorador moderno" de que a "Pérsia realmente existe". Lê-se no texto:"Eu julgava que a Pérsia era apenas o nome especial que se dava à beleza de certos tapetes". E continua:"Se bem que os exploradores modernos sejam, como em geral todos os homens de ciência, susceptíveis de erro mais que os outros homens, disse-me há pouco um jornalista que no facto merece crédito. A ser verdade (eu ainda hesito) resta saber que nome se vai dar de hoje em diante aos tapetes persas? E a poesia persa a propósito - que nova denominação vaio ter?"Nesta altura o leitor quererá saber a sequência. Ei-la:"Serve-me este assunto de tema para expor certas opiniões que há muito tempo uso sobre o modo extraordinariamente intenso como, de há tempo para cá, a ciência grassa e o espírito científico nos ataca. Se daqui a pouco o pólo sul vai também desatar a ser real, não sei a que ponto chegaremos. Breve existirá tudo e não longe o dia, talvez, em que basta sonharmos uma rainha medieval para ela nos entrar, contemporânea e anatomizável, pela porta adentro, depois de bater à realidade da campainha e de se fazer anunciar pela presença beiroa da criada.Afirmou-me um amigo meu, o qual, por culto, me merece um crédito dubitante, que lerem livro de Guyau que um Keats brindara coisas más para a memória de Newton porque ele fizera qualquer cousa como descobrir leis que tinham a ver com os astros. Se ponho certo vago na minha descrição é porque não tenho a mínima ideia do que Newton fez ou descobriu. O facto, agora, é o brinde de Keats. Este brinde contém uma intenção justa. A aplicação é que é péssima. Não fez mal a ninguém descobrir as leis dos astros. Eles sempre foram visíveis. E a sua boa qualidade de serem longínquos, não a tirou a descoberta de Newton, fosse ela qual fosse; e, de mais a mais, essa descoberta, sendo matemática e portanto totalmente com feição de falsa, fez, do mal inevitável, o menos possível".E por aí adiante. Uma delícia!
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
"Crónica Decorativa II"
http://dererummundi.blogspot.com/2008/12/crnica-decorativa-ii.html
December 27 2008, 4:36am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
"A VOZ DA NATUREZA": SALDANHA VISTO POR QUENTAL
http://dererummundi.blogspot.com/2008/12/voz-da-natureza-saldanha-visto-por.html
O livro recentemente publicado de Antero de Quental (retrato na imagem) "Contracapas" (Tinta da China, 2008), com atribuição, organização e prefácio de Ana Maria Almeida Martins, contém alguns pequenos mas deliciosos inéditos do grande poeta e filósofo português oitocentista. São, na maior parte, recensões não assinadas, elaboradas para a revista "Ocidental" que ele dirigiu com Jaime Batalha Reis.A seguinte extracto refere-se a um livro filosófico-teológico do Marechal Duque de Saldanha, sim esse mesmo que tem um largo com estátua em Lisboa e que foi, além de militar, várias vezes ministro e quatro vezes primeiro-ministro de Portugal. A apreciação de Antero de Quental pode resumir-se no adágio popular: "Quem te manda a ti sapateiro tocar rabecão?". Mas, sendo um pouco mais longa, vale a pena lê-la não só pelo seu conteúdo como pela qualidade da escrita. Não há dúvida sobre a autoria da nota crítica até porque o livro mostra o fac-simile do manuscrito, com a letra de Antero."A Voz da Natureza: ou o poder, sabedoria e bondade de Deus, manifestados na criação, na conexão do mundo inorgânico com o mundo orgânico e na adaptação da natureza externa à estrutura dos vegetais e à constituição moral e física do Homem", pelo Marechal Duque de Saldanha - Londres, W. Knowles, 1874.Este livro é um estudo sobre dos tópicos principais daquela pretendida ciência, que, no século passado, alguns sábios ingleses, mais piedosos dom que consequentes, intentaram fundar com o nome de Teologia-natural, e que ainda hoje é cultivada, posto que sem fruto apreciável, em vários seminários protestantes. O assunto é ingrato e facilmente descamba em tedioso. Querer explicar a natureza pela Teologia é empenho proximamente tão absurdo como querer explicar a Teologia pela natureza. Qualquer das duas coisas redunda em tautologia e frases vagas e declamatórias - e é, com efeito, a que se reduz a pretendida Teologia-natural dos deístas ingleses. Estes inevitáveis defeitos do género, que a ciência e elevação moral e poéticas dos próprios Newton, Humphry Davy e outros altos espíritos não lograram ocultar nas obras que consagraram a estes assuntos, não é muito tornarem-se ainda evidentes no livro do sr. Duque de Saldanha, militar, político e diplomata, que só em horas perdidas e distraidamente empunha a pena, como homem do mundo e não como filósofo. Mas há assuntos em que não é permitido ser medíocre. Sentimos que o sr. Duque de Saldanha não se tivesse lembrado disto antes de mandar imprimir o seu livro. A competência é essencial em todas as coisas, e é grande ilusão supor que a filosofia deva ser excepção a essa regra. Sem pretendermos dar conselhos, mas emitindo simplesmente o nosso voto, entendemos que a experiência colhida pelo sr. Duque de Saldanha no decurso duma longa vida, passada toda num teatro vasto e animadíssimo, podia ser aproveitada em livros mais interessantes e instrutivos, uma vez que esses livros tratassem dos incidentes dessa vida, que em pontos se confunda com a nossa história, e das cenas representadas nesse teatro, onde por vezes coube aio general e ao político o papel de protagonista. Um simples capítulo de memórias militares e políticas do sr. Duque de Saldanha teria incomparavelmente mais interesse e valor do que todos os volumes possíveis que sua excelência consagre a questões filosóficas. Nestas, é muito natural que aos militares e diplomatas prefiramos simplesmente.... os filósofos"."Ocidental", 1º ano, tomo 2, 5º fasc., 15/Julho/1875
December 26 2008, 7:42am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
A desumanidade do símio humano
http://dererummundi.blogspot.com/2008/12/desumanidade-do-smio-humano.html
Cientistas norte-americanos voltaram a demonstrar a estupidez simiesca original dos seres humanos. Aqui.Temos três livros para oferecer em mais um passatempo DRN/Sorumbático: A Criação, de E. O. Wilson (Gradiva), A Física em Banda Desenhada, de Gonick e Huffman (Gradiva) e Eva Era Negra, de Lucotte (Terramar).Serão escolhidos os três melhores comentários feitos neste post sobre a experiência norte-americana referida, até ao próximo dia 24, às 23:00. O autor do melhor comentário escolhe o livro que quer receber dos três, o segundo escolhe dos dois restantes e o terceiro autor recebe o último livro. Passatempo válido apenas para moradores em Portugal continental.
- Tags:
- Livros
- psicologia
December 21 2008, 2:24pm | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
SOBRE "UNIVERSO, COMPUTADORES E TUDO RESTO"
http://dererummundi.blogspot.com/2008/12/sobre-universo-computadores-e-tudo.html
Minhas respostas a questões colocadas por estudantes do Instituto Politécnico de Leiria sobre o meu livro "Computadores, Universo e Tudo o Resto":P- No livro “Universo, Computadores e Tudo o Resto“, tudo o resto tem algum significado especial?"Tudo o resto" quer dizer simplesmente que o livro trata de vários assuntos além do cosmos e das máquinas. Evidentemente que o Universo abarca tudo: vida e o resto... Trata-se de uma referência ao livro "Universe, Life and Everything Else", terceiro volume de "Hithchhikers Guide to the Galaxy", do escritor inglês Douglas Adam (falecido em 2001, já depois da publicação do meu livro). No primeiro volume dessa série já se colocava a questão sobre "vida, universo e tudo o resto" e o computador "Deep Thought" dava uma resposta que era apenas um número: 42. Esta mesma resposta é dada pelo calculador do Google (experimentem...) Parece uma brincadeira e é mesmo... O autor explicou um dia porque a resposta era 42:"The answer to this is very simple. It was a joke. It had to be a number, an ordinary, smallish number, and I chose that one. Binary representations, base thirteen, Tibetan monks are all complete nonsense. I sat at my desk, stared into the garden and thought '42 will do.' I typed it out. End of story."Portanto, embora o meu livro trate de assuntos sérios (é uma colecção de ensaios sobre ciência e cientistas, incluindo discussões de filosofia da ciência), o meu título é uma brincadeira com base noutra brincadeira.P- Com o o aparecimento da nanotecnologia, do novo acelerador de partículas do CERN, dos últimos desenvolvimento da mecânica quântica e, em gera, da física acredita que a física está mais próxima da «inteligência natural» da Natureza?R- Sim, a ciência vai-se aproximando da Natureza que pretende descrever. Sem nunca lá conseguir chegar... Fazemos modelos cada vez melhores de uma realidade que é complicada e bastabte esquiva. A "inteligência natural" da Natureza é uma metáfora, que remete para a existência uma ordem natural, que é inteligível pelos humanos, embora de forma difícil e progressiva e, por isso, sempre incompleta. Usando a analogia entre Universo e computador que discuto no livro, se o Universo é a máquina, as leis do Universo são o software da máquina. Um novo instrumento como o novo acelerador do CERN e um poderoso meio de procurar conhecer as leis da física a um nível fundamental. Claro que nada nos diz sobre a vida nem sobre o resto...P- Considerando os seus conhecimentos e experiência profissional, qual a sua opinião acerca dos escritos antigos de Lucrécio e Plutarco?R- Lucrécio é o autor de uma única obra, o poema "De Rerum Natura", em português "Sobre a Natureza das Coisas", que é o título de um blogue que faça com outros colegas. No manifesto do blogue escrevemos:"O poeta latino Tito Lucrécio Caro, que viveu no século I a.C., escreveu um único livro: o poema De Rerum Natura. Nele defende a teoria atomista (Demócrito já tinha dito antes «Tudo no mundo é átomos e espaço vazio») mas fala, além de coisas da física e da química, de muitas outras coisas: biologia, psicologia, filosofia, etc. O blogue, que partilha o título com o poema de Lucrécio, fala também de várias coisas do mundo, procurando expor a sua natureza"O poema de Lucrécio é admirável por defender a teoria atomistica muito antes de ela ser conhecida cientificamente e, além disso, por discutir muitos dominios: vida e tudo o resto, incluindo as questões da origem e evolução da vida. Quanto a Plutarco, outro autor que admiro, é um pensador grego da mesma época de Lucrécio, embora tenha escrito muitos mais livros que este. Defendeu a existência de uma inteligência animal semelhante à dos humanos. Haveria, segundo ele,uma inteligência associada à vida. Os clássicos como Lucrécio e Plutarco continuam hoje a ser actuais e é por isso aliás que são clássicos.P- Acredita na existência de vida fora do planeta?R- Sim, acho a coisa mais natural do mundo. Porque é que a vida só haveria de existir aqui? O Universo, que é infinitamente grande, deve ter vida em vários sítios, nós só não sabemos é onde. Continuamos a procurar... Aliás, pretendemos responder a um dos mistérios maiores da ciência actual que é o da origem da vida: teve origem só na Terra? Teve origem noutro lugar ou lugares e foi trazida para a Terra?Em 2009, ano do aniversário da publicação do livro "Astronomia Nova" de Kepler e ano das primeiras observações do céu com telescópio feitas por Galileu, vai ser lançada uma sonda da NASA, chamada "Kepler", que pretende encontrar planetas extrasolares parecidos com a Terra, onde poderá eventualmente existir vida, embora não inteligente. Curiosamente, Kepler é um dos primeiros autores de ficção científica, portanto um antecessor de Douglas Adam. Ele foi o autor de "Somnium", em português "Sonho", sobre uma viagem espacial. Encontrar vida na Universo fora da Terra é um dos actuais sonhos do homem... A propósito ocorre-me uma anedota sobre um astrofísico a quem perguntaram se havia vida inteligente no Universo. Respondeu: "No Universo pode ser que sim., na Terra está visto que não".
- Tags:
- Livros
- Astronomia
December 19 2008, 5:55pm | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
NOVE LIVROS PARA 2009
http://dererummundi.blogspot.com/2008/12/nove-livros-para-2009.html
Meu artigo no "Público" de hoje:Crise? Mas qual crise? Se há crise, ela não se nota no número e variedade de edições recentes nas livrarias. O difícil é escolher. Às portas do Natal, eis nove livros que podem ser boas prendas, pois prometem boas leituras agora e no ano de 2009. A ordem é a alfabética do primeiro autor.- João Lobo Antunes, “O Eco Silencioso”, Gradiva. Mais outra colecção de ensaios do conhecido professor de Medicina da Universidade de Lisboa e neurocirurgião, que é um dos nossos melhores pensadores e prosadores. Dá gosto ler tão perfeita combinação de pensamento e escrita.- Sofia Jorge Araújo, Sónia Martins e Ana Godinho, “Descobre a Ciência 9. Descobre a Vida!”, Bizâncio. Três biólogas portuguesas, algumas a trabalhar no estrangeiro, escreveram um livro que serve de introdução à moderna biologia para crianças dos quatro aos doze anos a partir de experiências simples realizadas em escolas do Porto e de Edimburgo. A adesão dos infantes foi tão entusiástica num como noutro lado. É o nono volume de uma série iniciada há nove anos.- Joaquim Fernandes, “O Grande Livro dos Portugueses Esquecidos”, Círculo de Leitores e Temas e Debates. Um historiador e jornalista reuniu, após consultar as bibliotecas, um conjunto de esclarecedoras fichas sobre portugueses esquecidos que não mereciam sê-lo, tendo-me pedido um prefácio. Ao percorrê-las concluí que é muito injusta a amnésia nacional!- Donald S. Johnson e Juha Nurminen, “História das Viagens Marítimas”, Sete Mares. Dois marinheiros, o primeiro norte-americano e o segundo finlandês, navegam com mestria pela história das navegações, num volume de luxo profusamente ilustrado (traduzido por António Costa Canas, um marinheiro português especialista na expansão marítima portuguesa). Os feitos dos portugueses são devidamente assinalados.- Fernando Cabral Martins (coordenação), “Dicionário de Fernando Pessoa e do Modernismo Português”, Caminho. Uma obra de vulto (quase mil páginas!), verdadeiramente enciclopédica, da autoria de uma plêiade de especialistas, sobre o maior vulto da nossa literatura do século passado e o movimento no qual se enquadra.- Philip Roth, “O Fantasma Sai de Cena”, Dom Quixote. Mais uma obra de ficção, com a mesma profundidade e elegância de outras, daquele que é um dos maiores escritores vivos de língua inglesa. O tema é a velhice do escritor Nathan Zuckerman, o “alter ego” de Roth presente em vários outros romances, que no final desaparece de cena. O livro acaba mesmo com a frase: “Desaparece para sempre”.- António Sérgio, “Ensaios sobre Educação”, Imprensa Nacional. Numa altura em que a educação nacional dá provas de continuar em crise, vale a pena averiguar quais são as raízes profundas dessa crise, nos textos de um dos intelectuais portugueses que mais se preocuparam com o nosso atraso educativo. Lembre-se que Sérgio foi ministro da Instrução Pública, mas só por dois meses e dez dias...- Nuno Artur Silva e Inês Fonseca Santos (coordenadores), “Antologia do Humor Português”, Texto. Se alguém pensa que Portugal é um país sorumbático, perderá essa ideia ao ler esta miscelânea, onde podemos rir com a verve de Jorge de Sena, Mário-Henrique Leiria, Alexandre O’Neill, Luiz Pacheco e muitos outros, alguns deles contemporâneos. Rir pode ser um bom remédio em alturas de depressão.- A. Mark Smith e Arnaldo Pinto Cardoso, “O Tratado dos Olhos de Pedro Hispano”, Alêtheia, FMR e Fundação Champalimaud. Edição que é um regalo para a vista da pena de um historiador norte-americano e de um teólogo português sobre um dos “portugueses esquecidos” que mais fama mundial alcançaram: Pedro Hispano (1205?-1277), médico, filósofo e o único papa português até à data, sob o nome de João XXI (o número foi engano, pois devia ser João XX). O seu “Tratado dos Olhos” revelou-se útil durante séculos, tendo servido a Miguel Ângelo para procurar cura para uma doença oftalmológica contraída quando pintava a Capela Sistina.
- Tags:
- Livros
December 19 2008, 3:15am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
NOVOS LIVROS DA IMPRENSA DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA
http://dererummundi.blogspot.com/2008/12/novos-livros-da-imprensa-da.html
Informação recebida da Imprensa da Universidade de Coimbra (na foto, placas de agradecimento ao Dr. Sousa Martins, na base da sua estátua em, Lisboa, no Campo dos Mártires da Pátria):Sousa Martins: Ciência e EspiritualismoA Coordenadora Científica do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX e o Director da Imprensa da Universidade de Coimbra, têm o prazer de convidar para a apresentação do livro Sousa Martins: Ciência e Espiritualismo, de Sara Repolho, que terá lugar no dia 16 de Dezembro, pelas 17h30, no CEIS20. A apresentação da obra será feita pelo Senhor Dr. José Morgado Pereira.José Tomás de Sousa Martins, nascido em 1843 em Alhandra (Vila Franca de Xira), marca a medicina e a sociedade portuguesa da segunda metade do século XIX. Médico e professor de Medicina, orador brilhante dotado de humor e inteligência, homem de actividade inesgotável e praticante incansável da caridade aos mais desfavorecidos, exerce forte influência nos colegas de profissão, nos alunos, nos pacientes... Esta influência desenvolve-se, transforma-se e ultrapassa os grilhões do tempo. A figura de Sousa Martins é modelada, assumindo contornos de santo laico, num culto actual, visível no Campo dos Mártires, em Lisboa, em torno da sua estátua, e no cemitério de Alhandra, onde está sepultado. Pretende-se nesta obra analisar os diferentes planos da acção de Sousa Martins, enquanto médico e enquanto ‘santo’, e as práticas de culto dos crentes que a ele recorrem.Sara Repolho é licenciada em Psicologia, no ramo de Psicologia Pedagógica, pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. É mestre em História das Ideologias e das Utopias Contemporâneas, com especialização em História da Ciência, pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Tem exercido Psicologia com crianças e jovens, no âmbito das dificuldades de aprendizagem e problemas de desenvolvimento. É investigadora não doutorada do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra – CEIS20, afecta ao Grupo de História e Sociologia da Ciência. Encontra-se a preparar doutoramento em Ciências e Tecnologias da Saúde, na Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra.Cultura: Imagens e RepresentaçõesA Directora do Arquivo da Universidade de Coimbra, a Coordenadora Científica do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra e o Director da Imprensa da Universidade de Coimbra têm o prazer de convidar para a apresentação do n.º 8 da Revista Estudos do Século XX, com o tema Cultura: Imagens e Representações, coordenada pelo Senhor Doutor Vitor Neto. A apresentação será feita pelo Senhor Doutor Norberto Cunha, na Sala D. João III do Arquivo da Universidade de Coimbra, no dia 17 de Dezembro de 2008, pelas 18h00.Como em centúrias anteriores a cultura, as imagens e as representações foram dimensões fundamentais da totalidade social no século XX. Exprimindo-se no campo teórico, ou no plano das imagens e estas componentes da realidade manifestaram-se também na política, no ensino, na estética e na literatura. As representações da cultura foram igualmente uma das características mais significativas das “ideologias” do século passado. Na verdade, a super-estrutura cultural, nas suas diferentes manifestações, assumiu-se como vanguarda, como compromisso, ou como uma forma conservadora no processo histórico-cultural dialéctico correlacionado com a economia, a sociedade, o político (e a política). A cultura funcionou ainda como a mundovisão dos cidadãos na sua relação entre si, com o mundo e a natureza. Imersos nas suas actividades económicas, os homens produziam (e produzem) o seu sistema de representações acerca da sociedade e do universo, criavam (e criam) as suas visões sobre a realidade num momento muito marcado pela chamada “civilização da imagem”. A cultura, nas suas relações com a civilização, a política e o seu discurso, a ciência, as imagens e as suas crises, a criação cinematográfica e pictórica, a pedagogia, a memória, os mitos e os ritos revela uma das dimensões da realidade de um século politicamente dramático (se não trágico) e culturalmente rico e diversificado.Colaboram na revista Alan Dowty, Georges Contogeorgis, Maria Bernardete Ramos Flores, Antonio Carlos Peixoto, Isabel Calado, Heloisa Paulo, Ana Isabel Martins, Massimo Morigi e Stefano Salmi, José Alexandre Cardoso Marques, Fausto Cruchinho, Paulo Cunha, Isabel Nogueira, António Augusto Simões Rodrigues e António Manuel Matoso Martinho, Augusto Monteiro, Luís Mota, Clara Isabel Serrano, Fernando Fava, Miguel Dias Santos, Fernando Tavares Pimenta, José Luís Lima Garcia, Sérgio Neto, João Rui Pita, Manuel Correia e José Morgado Pereira.A revista Estudos do Século XX é dirigida por Maria Manuela Tavares Ribeiro.O Tempo de PedraTerá lugar no próximo dia 18 de Dezembro, pelas 17h30, no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, a apresentação do livro O Tempo de Pedra, da autoria do Professor Doutor Rui Pena dos Reis, edição que se enquadra nas comemorações, em Portugal, do Ano Internacional do Planeta Terra. A apresentação será feita pelo Professor Doutor Filipe Duarte Santos, coordenador do Projecto SIAM – “Climate Change in Portugal. Scenarios, Impacts and Adaptation Measures”.O presente trabalho tem como temática essencial a questão do tempo geológico e a sua relação com os grandes eventos de transformação da Terra, tal como testemunha o registo geológico do planeta. Em primeiro lugar, é apresentada uma visão interior do tempo, uma perspectiva pessoal do conceito na sua acepção mais vasta. Em seguida, o tempo é definido e discutido numa perspectiva de evolução histórica, sendo ainda abordadas as metodologias e os conceitos associados à sua definição. Os grandes temas da transformação da Terra, com ênfase na história climática, são tomados em seguida, a par dos códigos de leitura dos testemunhos do tempo, presentes nas rochas. Por fim, discute-se a questão do tempo actual no quadro da relação entre os seres humanos e as variáveis naturais.Rui Paulo Bento Pena dos Reis é natural de Assentis, Torres Novas, onde nasceu em 15 de Junho de 1952. Graduado em Geologia pela Universidade de Coimbra em 1976, fez estudos de pós-graduação em França, na Universidade de Nancy 1, em Geoquímica, Petrologia e Metalogenia. Doutorou-se em Estratigrafia e Paleontologia na Universidade de Coimbra em 1984, onde é actualmente professor no Departamento de Ciências da Terra. De 1996 a 2000 foi director do Departamento de Geologia do Instituto Geológico e Mineiro, organismo do Ministério da Indústria. Nos últimos anos, tem cooperado estreitamente com universidades e companhias no domínio da pesquisa e exploração de hidrocarbonetos, estando associado à criação de formação especializada nesta área do conhecimento. É autor de numerosos trabalhos acerca da estratigrafia e geo-história de Bacia Lusitânica.
- Tags:
- Livros
December 16 2008, 8:59am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Galileu na primeira pessoa
http://dererummundi.blogspot.com/2008/12/galileu-na-primeira-pessoa.html
Informação recebida da Didáctica:"Chamo-me Galileu Galilei” Guilherme de Almeida Formato 15 x 21,5 cm | 64 páginas ISBN 978-972-650-820-5. Totalmente a cores. Ilustrações de Jorge Miguel Editora: Didáctica Editora, Lisboa. Este livro conta, na primeira pessoa, a vida e a obra do grande Galileu Galilei. Utiliza uma linguagem acessível, adequada aos jovens, mas os seus conteúdos, serão igualmente úteis a estudantes e também a pessoas crescidas. Totalmente ilustrado a cores. Galileu Galilei Natural de Pisa, na Itália,Galileu Galilei (1564-1642). foi o pioneiro do método científico moderno. Fez avançar a Física, as ciências dos materiais e a Astronomia. Os seus trabalhos inspiraram Isaac Newton. Galileu aperfeiçoou o telescópio e as suas observações iniciaram a queda da antiga concepção geocêntrica do Universo. As descobertas que fez com o telescópio revolucionaram a maneira como se passou a ver o Universo e o lugar do Homem no Universo. Contribuiu decisivamente para a aceitação gradual do modelo heliocêntrico de Copérnico e para o nascimento de uma nova Física. Tudo isto representou um enorme avanço, continuado por Kepler, Newton e outros. Muitas das conclusões de Galileu desagradaram à Igreja Católica, então muito poderosa, que entendeu que as suas descobertas contrariavam a interpretação literal da Bíblia (que então se fazia). Por isso foi advertido pela Inquisição, em 1616, e condenado, em 1633. No entanto, pela intervenção do Papa João Paulo II, mesma Igreja acabou por lhe dar razão, em 1992. A História reconheceu-o como o pai da ciência moderna. Comemoram-se (em 2009) 400 anos sobre o início das observações astronómicas com telescópios, feitas por Galileu Galilei, em 1609. Por isso, a Organização das Nações Unidas (ONU) proclamou o ano 2009 comoAno Internacional da Astronomia (AIA2009). O AIA2009 é um acontecimento a nível mundial em que Portugal também participa, sob a coordenação da Sociedade Portuguesa de Astronomia. Esta comemoração tem por objectivo ajudar as pessoas a redescobrir o seu lugar no Universo através da observação astronómica. E também estimular o interesse e a divulgação da astronomia e da ciência em geral, especialmente entre os jovens. Mais informação em http://www.astronomia2009.org
- Tags:
- Livros
- divulgação da ciência
December 16 2008, 7:57am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
O TOP TEN DOS MELHORES LIVROS DE CIÊNCIA DE 2008 SEGUNDO A AMAZON
http://dererummundi.blogspot.com/2008/12/o-top-ten-dos-melhores-livros-de-cincia.html
É interessante ver (clique aqui) a "lista dos dez mais" de entre os livros de ciência publicados em 2008 e escolhida pela Amazon. De entre eles sete são sobre biologia e medicina (alguns títulos sobre evolução são bem oportunos porque se aproxima o ano Darwin), dois sobre física e um sobre ciência em geral.
- Tags:
- Livros
- divulgação da ciência
December 16 2008, 4:21am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
O IMPOSSÍVEL ACONTECE
http://dererummundi.blogspot.com/2008/12/o-impossvel-acontece.html
Minha crónica de hoje no "Sol":Que não é impossível escrever um bom livro sobre o impossível prova-o “A Física do Impossível”, do físico norte-americano Michio Kaku, que acaba de sair na Bizâncio. O impossível é uma questão fascinante. Tal como o autor podemos interrogar-nos: Mas impossível porquê? Por mera dificuldade técnica, o que significa que é afinal possível? Ou por absoluta impossibilidade científica, o que significa que é impossível de todo? Mas existirão estas impossibilidades totais e permanentes? Não é verdade que hoje sabemos muito mais que ontem e que amanhã saberemos ainda mais e que, por isso, o que declaramos impossível hoje pode já não o ser amanhã? Kaku, o grande divulgador de ciência que já nos tinha dado “Visões – Como a Ciência Irá revolucionar o século XXI” e “Mundos Paralelos” (ambos na Bizâncio) e “O Cosmos de Einstein” (na Gradiva), divide os impossíveis em três classes: I) O que, embora pareça impossível, é afinal possível porque não viola nenhuma lei da física, e será provavelmente concretizado neste século ou no próximo. II) O que, embora pareça impossível, pode ser possível porque a ciência de base está actualmente na sua infância e, apesar de muito difícil, será provavelmente concretizado neste milénio ou nos próximos mil milénios. III) O que é mesmo impossível e, por isso, nunca acontecerá, por violar leis da física que hoje conhecemos bem. Mas, se um dia, essas leis vierem a ser revistas... Na primeira classe, o autor inclui a invisibilidade e o teletransporte (está-se a trabalhar nisso e há avanços recentes). Na segunda, as viagens no tempo e as viagens às estrelas (está-se a especular sobre isso). Na terceira, as máquinas de movimento perpétuo, isto é, máquinas que funcionariam graças à criação de energia a partir do nada, e a precognição. Há, como sempre houve, muitos impostores a tentar ganhar dinheiro com coisas impossíveis da classe III e é preciso ser céptico. Kaku escolheu a física fascinado por Einstein e pelos filmes de ficção científica. Esta sua obra mistura sabiamente as duas coisas.
December 13 2008, 4:54am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
A METAFÍSICA DE VERNEY
http://dererummundi.blogspot.com/2008/12/metafsica-de-verney.html
Informação recebida da Imprensa da Universidade de Coimbra:O Reitor da Universidade de Coimbra, o Director da Imprensa da Universidade de Coimbra e o Presidente da Associação Portuguesa de Estudos Neolatinos convidam para o lançamento do livro Metafísica, com introdução e tradução de Amândio Coxito e fixação do texto latino de Sebastião Tavares de Pinho e Ândrea Patrícia Seiça, que terá lugar no dia 9 de Dezembro, pelas 18h00, na Sala do Senado da Universidade de Coimbra. A apresentação da obra será feita pelo Senhor Doutor Amândio Coxito.A Metafísica de Verney propõe-se sobretudo analisar, numa perspectiva empirista, certos conceitos da metafísica tradicional (ente e não-ente, essência, substância, modos, relação, existência, subsistência, finito e infinito, necessário e contingente, causa e efeito, e ainda outros). Aquela perspectiva está presente, por exemplo, na concepção da essência real: esta não é o conjunto de notas fixas manifestadas pela definição (como supunha a concepção aristotélico-escolástica), mas o conjunto de todos os atributos concretos dos entes, pelo que a essência real nos é desconhecida; apenas podemos ter conhecimento da essência nominal ou metafísica, ou da que percebemos pela palavra com que significamos uma coisa. Mas as palavras possuem para nós uma significação que é dependente das nossas possibilidades de conhecer. Deste modo, a essência nominal inclui apenas um conjunto de ideias mais conhecidas que supomos constituírem a essência real, conjunto esse que as palavras nos dão a conhecer em função da nossa experiência; mas, sendo esta experiência variável, o conjunto de ideias que ela nos possibilita pode “diminuir ou aumentar”, podendo, por isso, variar a essência metafísica. Esta doutrina de cariz empirista de Verney aparece associada na sua obra a uma crítica contundente da metafísica escolástica e, por outro lado, a uma exaltação das propostas filosóficas dos “modernos”, em particular no domínio da filosofia natural. E isso é realizado através de uma expressão latina muitas vezes elegante, o que significa que o nosso autor se propôs imitar os bons modelos da Antiguidade.IMPRENSA DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA . Rua da Ilha . 3000-214 Coimbra . Telefone: 239 410 098 . Fax: 239 410 043 . Email: imprensauc@ci.uc.ptLIVRARIA DA IMPRENSA . Rua Oliveira Matos, 29 . 3000-305 Coimbra . Telefone/Fax.: 239 832 982/3 . Email: livrariaiuc@ci.uc.pt
December 7 2008, 7:02pm | Comments »







