Informação chegada ao De Rerum Natura.A obra Pequeno Atlas do Sistema Solar, da autoria de Eduardo Ivo Alves, será apresentada no próximo dia 23 de Novembro (3.ª feira), pelas 18h30m, na Livraria Fnac Coimbra. A apresentação estará a cargo de Pedro Pina, investigador do Instituto Superior Técnico.
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Pequeno Atlas do Sistema Solar
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November 18 2010, 4:55am | Comments »
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MANDELBROT EM PORTUGAL
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O matemático franco-americano Benoît Mandelbrot esteve pelo menos duas vezes em Portugal. A foto de cima, onde ele é o 3.º a contar da esquerda, documenta uma dessas ocasiões. A imagem foi feita em 1998 no claustro da Igreja de Santa Cruz em Coimbra, no colóquio "Fronteiras da Ciência" que assinalou os 25 anos da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (o livro com os "talks" foi publicado pela Gradiva em 2003). Estão na foto da esquerda para a direita João Queiró, João Caraça, Guilherme Valente, Benoît Mandelbrot, Hubert Reeves, Jorge Dias de Deus e eu próprio (isto é, o editor da Gradiva e seis autores publicados por essa editora). Esta foto saiu rcentemente no último livro de Hubert Reeves publicado entre nós.
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November 18 2010, 2:17am | Comments »
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Grande tecnologia
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November 17 2010, 4:38am | Comments »
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Minha Recensão de "Jacob de Castro Sarmento"
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Minha apreciação do livro "Jacob de Castro Sarmento" de António Júlio de Andrade e Maria Fernanda Guimarães saído na editora Vega, em vídeo filmado no Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho em Coimbra: aqui.
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November 16 2010, 4:01pm | Comments »
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Livros que andam comigo nestes dias
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Estes são os livros que andam agora na minha mesa. Dois já lidos, com comentários, e dois que aguardam a sua vez."Sá Carneiro"Editora: Esfera dos LivrosAutor: Miguel PinheiroLink aqui.Comentário: Francisco Sá Carneiro era um homem fora do seu tempo, que viveu a sua vida “cortando etapas” sabendo que ia morrer cedo. Um homem profundamente religioso, honesto, frontal e destemido. Retenho desta biografia, muito bem escrita por Miguel Pinheiro, o detalhe sobre os vários momentos da sua vida curta e muito intensa. Alguns são a marca do seu carácter reformista e destemido, mas também do seu bom-senso, da sua capacidade de trabalho e da sua enorme intuição. Lembro os episódios de Snu e Mário Soares nos corredores do parlamento, as várias exigências de Cavaco Silva para se manter no governo da AD, o encontro entre Snu e Sá Carneiro patrocinado por Natália Correia, a enorme lucidez com que encarou a eventual derrota nas presidenciais, e a forma como não desistia e ia à luta, até ao fim. Sá Carneiro, um homem que tinha a vertigem do risco, que vivia como pensava sem pensar como viveria. "Decision Points"Editora: Crown PublishingAutor: George W. BushLink aqui.Comentário: George W. Bush liderou os EUA durante 8 anos (de Janeiro de 2001 a Janeiro de 2009) e teve uma presidência complicada com enorme impacto no mundo. Foi durante a sua administração que aconteceu o 11 de Setembro de 2001, o maior ataque aos EUA desde o ataque a Pearl Harbor a 7 de Dezembro de 1941, e o consequente envolvimento dos EUA em vários cenários de guerra com o pretexto de lutar contra o terrorismo e garantir a segurança dos EUA e dos seus cidadãos. Foi uma presidência marcada pela crise económica que se seguiu ao 11 de Setembro, bem como com a necessidade de garantir os fundos para manter o esforço de guerra. Com uma vida pessoal errática, com momentos pouco edificantes, até à chegada à presidência dos EUA, o conservador George W. Bush marcou uma era que ficará na história dos EUA, e do mundo, como um dos seus momentos mais dramáticos. O julgamento que a história fará de George W. Bush é difícil de perceber agora. A pior presidência dos EUA? Uma presidência necessária, dadas as circunstâncias? Este é um livro necessário para compreender os primeiros anos do século XXI. "Milagrário Pessoal"Editora: D. QuixoteAutor: José Eduardo AgualusaLink aqui."Marina"Editora: PlanetaAutor: Carlos Ruiz ZafónLink aqui.Depois destes, seguir-se-ão "Um traidor dos nossos" de John le Carré, editado pela D. Quixote, e o "Arquivo Íntimo" de Mandela, editado pela Objectiva. Comprei-os hoje.Boas leituras.
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November 14 2010, 12:38pm | Comments »
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CASULOS, FIOS DE SEDA E BORDADOS DE CASTELO BRANCO
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Acaba de sair na Bizãncio o livro .º 10 da colecção "Ciência a Brincar", intitulado "Ciência no tempo dos nossos avós", de Dolores Alveirinho, Helena Margarida Tomás e Margarida Afonso. Por amável da editora publicamos uma das experiências do livro destinado a um público infantil:CASULOS, FIOS DE SEDA E BORDADOS DE CASTELO BRANCO“Que bonitos são os bordados de Castelo Branco! O fio do bordado é deque material, avó? É tão brilhante…”- “Os bordados são de seda natural que é obtida a partir dos casulos dobicho-da-seda.”"Sabes que o casulo é um fio de seda enrolado e que o fio de seda é a babado bicho-da-seda? Pois é! O bicho-da-seda segrega uma baba que, em contactocom o ar, solidifica formando um fio muito fino e muito brilhante, comcerca de 1000 metros de comprimento. É este fio que é o fio de seda.Queres agora saber como se extrai o fio de seda do casulo? Então vamosexperimentar! Com esta experiência vais perceber por que razão o fio éextraído a quente.Enche de água, até cerca de dois terços, dois copos de alumínio e introduzum casulo em cada um. Aquece a água de um deles até cerca de 60 ºCe deixa o outro à temperatura ambiente. Passados cerca de 10 minutos,com um pauzinho, faz movimentos circulares e tenta encontrar o início dofio em ambos os casulos. Vês como é fácil desenrolá-lo em água quente? Ena água fria, conseguiste? Observa a cor da água dos dois copos. É igual?Repara que, ao mesmo tempo que enrolas o fio de seda no pauzinho,desenrolas o casulo: estás a desfazer o bonito novelo de seda brilhanteque o bicho-da-seda fez!E por que será que só conseguiste extrair o fio de seda a quente? A respostaestá na constituição do próprio fio. Uma das substâncias que o formapossui propriedades adesivas, como a cola, mantendo o fio de seda unido.Para desenrolar o fio do casulo temos que dissolver essa cola, mas isso sóé possível em água quente. É a presença da cola na água que lhe confere acoloração amarelada. A frio, não o conseguimos e o fio parte-se.É esta a razão porque, no tempo das nossas avós, para extrair o fio de seda,se faziam grandes lumes e os casulos eram mergulhados em grandes panelasde cobre, chamadas caldeiras. Quando a água aquecia, para encontraro início do fio, mexiam-se os casulos com uma vassourinha de ramossecos de uma planta chamada carqueja."Dolores Alveirinho, Helena Margarida Tomás e Margarida Afonso
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November 9 2010, 5:10pm | Comments »
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"JÁ NÃO TEREI TEMPO" DE HUBERT REEVES
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Minha curta apresentação em vídeo do último livro de Hubert Reeves, "Já não terei tempo" (Gradiva): aqui.
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November 9 2010, 4:43pm | Comments »
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APRESENTAÇÃO DA PESTE BUBÓNICA
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Informação recebida da Biblioteca Pública Municipal do Porto (clicar para ver melhor)
November 9 2010, 2:37am | Comments »
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AS PALAVRAS QUE MARIA DE LOURDES NOS DEU
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Texto convidado do ensaísta Eugénio Lisboa, que já tem colaborado neste blogue e que promete continuar a colaborar. Aqui recenseia um livro de Maria de Lourdes Pintassilgo que saiu há alguns anos na editora Livros Horizonte:Embora a inteligência, a cultura, a energia e a coragem de Maria de Lourdes Pintassilgo me fossem, de há muito, conhecidas (fui seu colega no Instituto Superior Técnico e éramos vizinhos, ao pé da Fonte Luminosa), confesso que leitura do seu livro póstumo, Palavras Dadas, me fez uma funda impressão: pela ampla abertura e energia do pensamento, pela insaciável fome de conhecimento que revela nas áreas mais diversas das ciências e das humanidades, pelo testemunho de um empenho vigoroso em causas meritórias, mas sem o gosto insalubre das “certezas” perigosas e ameaçadoras. No prefácio que escrevera para este livro, Maria de Lourdes deixou-nos esta coisa luminosa, que só alguém fecundado pelo verdadeiro espírito de investigação saberia formular:“Resposta, mesmo resposta, não há! Todos os meus “eus” são interrogativos, tanto mais quanto a afirmação é esperada e a decisão se impõe. Neles, o princípio da incerteza coexiste com a procura einsteiniana de uma grande verdade.”O agnóstico Bertrand Russell, também ele homem de causas, de coragem e de sacrifícios, estaria aqui de acordo com a católica Maria de Lourdes Pintassilgo: os extremos tocam-se e como é belo quando isso acontece!Espírito interrogativo, de mais perguntar que responder, Maria de Lourdes pressentiria talvez a alguma verdade que pode entrever-se nas palavras de Saint-Exupéry: “A verdade não é aquilo que é demonstrável, é aquilo que é inelutável.” A possibilidade de um mundo melhor e mais justo para todos terá parecido à autora de Palavras Dadas uma verdade inelutável.; com a alegre e decidida energia que se lhe conhecia terá até porventura achado que o inelutável era afinal demonstrável – e toda a sua vida que, como ela tão bem sublinha, foi uma luta empenhada mas não uma carreira, terá sido um longo percurso que se foi aproximando assintoticamente da almejada demonstração. Porque não? Afinal bastava ir por aí fora perguntando, insaciavelmente. No texto dedicado a Alberto Martins (p. 20) di-lo, com todas as letras: “Desde muito cedo intuíra que aprender era perguntar.”Ler ou ouvir a Maria de Lourdes tornava-nos exigentes, sobretudo para com nós próprios. Por isso tenho aqui uma confissão a fazer: confissão que nasceu de ter querido interrogar-me, na linha de rigor com que nos seduz o discurso inesquecível da minha ex-colega do Instituto Superior Técnico. Embora fascinado pelo espírito pertinazmente inquisitivo da colega com que, diariamente, subia e descia a alameda Afonso Henriques, pelo seu entusiasmo, pela sua curiosidade infatigável, pela força e alegria com que queria saber mais, embora seduzido (mas um pouco inibido), alimentei durante muito tempo, algumas reservas ou, se preferirem, reticências... ou preconceitos, em relação à mulher que seria a nossa primeira Primeira Ministra. Por duas principais razões: a primeira, tê-la conhecido, quando fomos colegas do Técnico, ligada a uma Juventude Universitária Católica que, nessa altura, não era um modelo de instituição progressista; depois, ter sabido que, logo a seguir ao 25 de Abril, tentara justificar ou “compreender” o exercício de alguma censura em países africanos de recente independência: achei que, à representante de um país que acabara de emergir de quase 50 anos de palavra censurada, não ficava bem tentar compreender a censura de outros. Tudo isto me confundiu um pouco e, embora não anulasse a admiração que por ela sempre tive – admiração acrescida de algum fascínio -, senti-me um pouco abalado. Mas a verdade é que fui também compreendendo que havia, da minha parte, um certo teor de irredutibilidade, ao sublinhar demais, dentro de mim, aspectos porventura efémeros e ultrapassados por um longo e vigoroso percurso de coragem, audácia e invulgar empenhamento. E também de incompreensões, de ostracismos e de mesquinhez política e outra. Portugal tem sido sempre um país que maltrata alguns dos seus melhores filhos e que sobretudo não perdoa com facilidade o talento reconhecido lá fora e tido como afrontoso, cá dentro. A Maria de Lourdes que eu próprio – embora moderada e discretamente – talvez não tenha julgado com justeza nem com justiça, pelo menos até certa altura, era um ser de convicções mas não de dogma: era ela quem diria, já próximo do fim, que “a vida tornou-se poliédrica e sem verdades absolutas.” Ter convicções profundas – e não ter medo da acção – mas não se acreditar em “verdades absolutas” põe uma dificuldade de difícil ou impossível solução. Bertrand Russell, também campeão melhorista, como disse, achou que o máximo a que se podia chegar era a isto (ver Bertrand Russell Speaks His Mind, London, 1960)):“Creio que a espécie de filosofia em que acredito é útil desta maneira: permite às pessoas que actuem com vigor, mesmo quando não estão absolutamente certas de que se trata da acção apropriada. Penso que ninguém deve estar certo de nada. Se estivermos certos de alguma coisa, estaremos certamente errados, porque nada merece certezas, e portanto devemos sempre manter todas as nossas crenças com um certo elemento de dúvida e, por outro lado, devemos ser capazes de actuar vigorosamente, apesar dessas dúvidas.”É, em suma, a existência da dúvida que assegurará ao homem (ou à mulher) de acção a possibilidade, se necessária, do recuo ou da mudança de rota – o não cair em certezas fundamentalistas. Creio que foi também a isto que chegou, por si própria, Maria de Lourdes Pintassilgo: aquecia-nos, quando a líamos ou com ela falávamos, todo o vigor caloroso de convicções profundas e actuantes, mas nunca o fundamentalismo intolerante, que tanto mal tem feito ao mundo: porque o seu calor originava-se num ser vigoroso mas inteligente, eternamente curioso e gostosamente capaz de mudar de curso, se defrontasse argumentos novos que a isso o persuadissem. Quando nos cruzamos na vida com pessoas assim, acontece-nos um pouco o que o místico escritor indiano, Rabindranath Tagore, contou ter-lhe acontecido um dia, ao conversar, num jardim de Cambridge, com o lógico matemático, Bertrand Russell: disse, depois desse encontro, ter alcançado “um estado de consciência mais elevado.” O mesmo se passou comigo, ao ler as belas Palavras Dadas, de Maria de Lourdes Pintassilgo. Um estado de consciência mais elevado... Que melhor legado nos poderia ela ter deixado?Eugénio Lisboa- Palavras Dadas de Maria de Lourdes Pintasilgo, coord. de Isabel Allegro de Magalhães, Lisboa, Livros Horizonte, 2005
November 8 2010, 10:58am | Comments »
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OS LIVROS DE RÓMULO DE CARVALHO
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Aproxima-se - é já a 24 de Novembro - outro aniversário de nascimento de Rómulo de Carvalho, o patrono do Dia Nacional da Cultura Científica. Recupero, por isso, um texto meu sobre os seus livros, que tanto admiro, saído no meu livro "Curiosidade Apaixonada" (Gradiva, 2005):Para além da sua obra poética e de ficção (da pena de António Gedeão), Rómulo de Carvalho deixou-nos uma vasta e variada bibliografia ensaística, que inclui livros de divulgação científica, obras de história da ciência e manuais escolares. A primeira categoria engloba os livros da colecção “Ciência para Gente Nova” e os dois tomos de “Física para o Povo”, inicialmente editados pela falecida editora Atlântida, de Coimbra, e alguns dos quais foram reeditados pela editora Relógio d’Água, de Lisboa, na sua colecção “Ciência”. Inclui ainda os finos “Cadernos de Iniciação Científica” da Sá da Costa, que entretanto foram também reeditados pela Relógio d’Água num único volume. A segunda abrange um vasto número de títulos à volta da prática científica no Portugal do século XVIII, de que merecem destaque os três pequenos livros de resenha publicados pelo Instituto de Cultura e Língua Portuguesa “A Física Experimental em Portugal no Século XVIII”, “Astronomia em Portugal no século XVIII” e “A História Natural em Portugal no Século XVIII” (Rómulo escolheu para grande tema de estudo a ciência setecentista já que a ciência dos Descobrimentos tinha sido foco da atenção de outros autores e a ciência em Portugal do século XIX pouco mais foi do que inexistente). Merecem ainda referência especial a “História do Gabinete de Física da Universidade de Coimbra”, publicado pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, e os dois grandes volumes, um publicado nos últimos anos de vida e outro mesmo póstumo, “Actividades Científicas em Portugal no Século XVIII” (colecção de memórias da Academia de Ciências de Lisboa) e “Colectânea de Estudos Históricos” (estudos vários de história da ciência), ambos do prelo da Universidade de Évora. Por último, de entre os manuais escolares, quase todos em co-autoria e de qualidade não uniforme, merecem destaque os volumes “Ciências da Natureza” para o ciclo preparatório do ensino secundário. Como ensaios não classificáveis no esquema apresentado mas de grande fôlego refiram-se dois, relativamente tardios e ambas editados pelo Serviço de Educação da Fundação Calouste Gulbenkian, “História do Ensino em Portugal” e “O Texto Poético como Documento Social”. É obra!Vejamos com mais pormenor cada um desses compartimentos bibliográficos.- Livros de divulgação científicaRómulo de Carvalho fez divulgação científica - e da melhor! - quando entre nós quase não havia divulgação científica. Embora as suas aulas, conta quem foi seu aluno, tenham ficado inolvidáveis, os livros aumentaram de maneira extraordinária o raio de acção do Professor. Houve quem quis ser cientista para saber os mistérios da física moderna que não apareciam nos manuais de física de antanho (ainda hoje quase não aparecem...) Para além de ter examinado alguns instrumentos baseados na ciência clássica, como o balão, Rómulo levantou a ponta do véu do pequeno átomo e do pequeníssimo núcleo no seu seio nos livros “História do Átomo”, “História da Radioactividade”, “História dos Isótopos” e “História da Energia Nuclear” da colecção “Ciência para Gente Nova”. É nítido logo a partir do título o valor pedagógico da história: a ciência é uma construção humana e aprende-se melhor se se conhecer o modo como ela se desenvolve. Nos livros do Mestre é claro ainda o primado da observação e da experiência: as coisas são como são porque alguém viu e experimentou, e nós, se formos suficientemente curiosos e hábeis, também podemos ver e experimentar. A linguagem, apesar de algo clássica, é sugestiva e motivadora, o que só se consegue por uma mistura das artes da retórica e da imaginação que não está ao alcance dos escritores menores. Por isso, esses livros conservam a frescura inicial e, se o leitor os encontrar numa feira do livro de ocasião, considere-se feliz por os poder levar consigo para sua leitura privada.A atitude experimental, que é inimiga da especulação gratuita e do preconceito falacioso, transparece também nos dois tomos de “Física para o Povo” a propósito dos fenómenos da física clássica (os dois tomos foram fundidos num só, na moderna edição da Relógio d’Água, intitulada “A Física no Dia-a-Dia”, com prefácio de José Mariano Gago e patrocínio do Instituto Camões e do Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro). Trata-se de uma prosa didáctica, escrita a pensar directamente no cidadão comum, a quem o autor gentilmente trata por “meu caro amigo”. Elucidativo sobre a omnipresença da ciência nas nossas vidas é o modo como são colocadas questões e dadas respostas sobre os mais fenómenos do nosso quotidiano. A Física não é uma actividade exótica mas tão só a tentativa de descrever e explicar o mundo onde vivemos. A “Física para o Povo” é um conjunto de aulas particulares, explicações, só para o “caro amigo”, o leitor que não quer ficar alheio ao mundo que o rodeia.Finalmente, os “Cadernos de Iniciação Científica”, da Sá da Costa, que se destinam em primeira linha a jovens (a nova edição, da Relógio d’Água, junta todos os cadernos num só, prático, volume), “pretendem ser um meio de informação atraente, pela simplicidade da linguagem e pela apresentação gráfica, de conceitos fundamentais das ciências físicas” (do texto de apresentação da colecção). São, com os manuais escolares, os mais ilustrados dos livros de Rómulo, mas estes livrinhos, ao invés dos manuais, não querem seguir programas mas sim contar histórias, discutir ideias e prazentear leitores.- Livros de história da ciênciaDesde muito cedo Rómulo de Carvalho se interessou pela história da ciência em Portugal, nomeadamente o século XVIII. Os seus três livros da colecção Biblioteca Breve do Instituto de Cultura e Língua Portuguesa são inescapáveis a qualquer estudante que se queira iniciar na época iluminista em Portugal. Em Coimbra, trabalhou na catalogação do Gabinete de Física, hoje Museu de Física, e escreveu várias memórias sobre peças desse rico acervo. E deixou um volume notável “História do Gabinete de Física da Universidade de Coimbra”, onde, em mais de sete centenas de páginas de aspecto austero e salpicadas de gravuras antigas, se descrevem os preciosos instrumentos científicos da colecção do Museu de Física. Essa colecção, que hoje pode ser visitada “in situ” remonta ao Colégio dos Nobres, em Lisboa. Foi Rómulo de Carvalho quem nos contou a “História do Colégio dos Nobres”, num volume da editora Atlântida muito anterior à “História do Gabinete...”. O actual catálogo do Museu (“O Engenho e a Arte”), que no essencial retoma o catálogo (“Les Mécanismes du Génie”) da exposição da Europália na Bélgica, seria impossível sem o trabalho meticuloso e paciente que Rómulo de Carvalho realizou no belo edifício pombalino quando ele ainda estava fechado à curiosidade e à admiração de todos. Também o Museu Maynense da Academia das Ciências deve muito (quase tudo) a Rómulo de Carvalho, que foi seu director. Dedicou a esse Museu e à Academia boa parte dos seus derradeiros anos, como é certificado pelo volume “Actividade Científica em Portugal no Século XVIII”, publicado em Évora por ocasião do doutoramento “honoris causa” concedido justamente pela universidade local. É especialmente útil para os estudiosos a bibliografia muito completa sobre história da ciência em Portugal, que se encontra nesse volume.- Manuais escolaresO lema dos compêndios “Ciências da Natureza”, que têm capas do conhecido “designer” Sebastião Rodrigues, vem logo na Introdução: “Atrás do aprender vem o saber, e o saber é uma riqueza que por mais que se use nunca se gasta”. O melhor elogio que se pode fazer a estes livros é que por vezes não parecem manuais escolares. Com efeito, se noutros manuais de Rómulo de Carvalho a sua prosa mais característica se encontra abafada, aqui ela solta-se, trazendo para o universo da escola a indagação e a curiosidade que muitas vezes estão apartadas dele por motivos inexplicáveis. Há quem testemunhe que Rómulo era um professor austero, difícil, autoritário. Estes compêndios testemunham o contrário. Há um poeta escondido dentro do professor, e, se o rigor era seu apanágio, ele não aparecia dissociado do encantamento e da sedução que é uma marca dos verdadeiros poetas.- Outros livros de ensaio“A História do Ensino em Portugal”, com o subtítulo “Desde a fundação da nacionalidade até ao fim do regime de Salazar-Caetano”, é uma obra verdadeiramente enciclopédica, contendo informação factual cuja “secura” é contrabalançada amiúde pelo comentário e opinião. O livro é obrigatório para todos os que se interessam pelo ensino em Portugal. O ensino de hoje é, afinal, resultado de um passado feito de mil incidentes e circunstâncias que não podem ser ignorados se o queremos compreender e, acima de tudo, modificá-lo. Rómulo de Carvalho não foi apenas um dos nossos maiores pedagogos mas também um dos maiores estudiosos da nossa pedagogia.O “Texto Poético como Documento Social”, ensaio sobre a poesia como arma de documento e crítica, termina, tal como “A História do Ensino em Portugal”, com a revolução de 25 de Abril de 1974. Apesar de lhe ter sobrevivido 23 anos, Rómulo de Carvalho foi, por natural formação, um homem marcado pelo tempo anterior, um homem com uma revolta intelectual algo contida que apenas extravasava em textos poéticos de clara revolta social. Em “O Texto Poético...” procurou dissecar esse poder oculto da poesia que é o poder de transformar o mundo.
November 6 2010, 4:44am | Comments »






