Texto recebido da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra relativo a uma mostra sobre Gracia Nasi a inaugurar em breve na Sala do Catalogo.Grácia Nasi nasce em Lisboa em 1510, baptizada com o nome cristão de Beatriz de Luna, no seio de uma família de cristãos-novos originários de Castela, vinda para Portugal após a expulsão dos judeus de Espanha, em 1492. Entre os convertidos encontrava-se a família de Grácia assim como a do seu futuro marido Francisco Mendes, aliás Semah Benveniste, natural de Sória em Castela.À data do casamento, em 1528, Francisco e o irmão Diogo, já haviam construído um império que detinha a primazia do comércio das especiarias em toda a Europa, cuja casa bancária tinha sucursais na França e Flandres. Do casamento nasceu uma única filha, de nome de Baptismo Ana, a quem chamavam Reina.Em 1535, Francisco Mendes morre, ficando Grácia e o cunhado, que dirigia a filial em Antuérpia, como gestores de uma imensa fortuna.Em 1537, dois anos após a morte do marido, Grácia não se julgando segura em Portugal, onde o estabelecimento da Inquisição punha em perigo a sua vida e propriedades, transferiu a sua residência para os Países Baixos, onde o cunhado dirigia a Casa bancária da família Mendes. Assim, embarca clandestinamente com a filha e os dois sobrinhos João e Bernardo Micas e a irmã Brianda, com destino a Antuérpia, primeira etapa da sua longa errância.Em 1547 encontra-se em Veneza, porto de abrigo de gente das mais variadas partes do mundo e um expoente de cultura na Europa. Até 1547, o clima é de tolerância para com a comunidade judaica aí residente mas quando, a partir de 1550, o Senado da Sereníssima, renova o decreto de expulsão dos judeus confirmando que não era possível ali permanecer em segurança. A certeza quanto ao perigo que corriam chega em 1553 quando na Praça de S. Marcos são queimados exemplares do Talmude e outros livros judaicos. Enquanto se fecham as portas de Veneza abriam-se as de Ferrara onde permanece entre 1550 e 1552 onde a corte de Hércules II, Duque d’Este, acolhia a nação hebraica lusitana e espanhola sem olhar à nacionalidade ou religião. Ferrara, seria assim, a última paragem de Dona Grácia na Europa cristã antes de se refugiar definitivamente no mundo muçulmano.Num momento em que cresciam as perseguições na Europa cristã um outro mundo de esperança se abria na Turquia. Em 1552 embarca para Constantinopla numa viagem que duraria seis meses. A primeira paragem seria Ragusa, um importante porto do Adriático, e Salónica.Os dezoito anos em que vive em Istambul, no seu Palácio de Belvedere, junto às margens do Bósforo, são anos tranquilos em que finalmente pode confessar abertamente o judaísmo.Grácia Nasi ao longo das diferentes etapas da sua vida apoiou e protegeu de forma constante o seu povo. Grande parte da sua fortuna é utilizada em negociações com monarcas e embaixadores e com a Cúria Romana de forma a impedir o estabelecimento da Inquisição, na protecção, auxílio e resgate dos mais desfavorecidos e perseguidos conseguindo montar uma rede de salvamento, que se estende pelas cidades da Europa cristã onde as comunidades no exílio, unidas pelo sentimento de origem e destino comuns, beneficiam da sua protecção e solidariedade.Joseph Nasi serviu-se da sua influência na corte, primeiro na Europa e depois na Turquia para resgatar um grande número de famílias. Ambos negociaram a posse de Tiberíades na Palestina que se destinava exclusivamente à colonização hebraica, enquanto foi viva nunca deixou de apoiar a colonização de Tiberíades e de providenciar meios para o seu desenvolvimento económico e religioso, fundando e financiando academias de estudo.Graças ao seu mecenato foram criadas escolas, bibliotecas e Academias abertas à investigação, de igual modo patrocinaram escritores e financiaram projectos de edições. A sua generosidade estendeu-se para lá de Istambul, em Salónica fundou em 1599 uma Sinagoga destinada aos exilados Portugueses e aí continuou a apoiar a impressão de textos hebraicos.Grácia Nasi morre em Istambul no Verão de 1569. É lembrada por muitos como uma das mais nobres mulheres e honrada como uma princesa, símbolo do coração do seu povo e por aqueles que sempre auxiliou simplesmente como A Senhora.
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NASI - UMA JUDIA PORTUGUESA
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October 21 2010, 9:21am | Comments »
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Uma obra repleta de interpelações!
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A ser lançada na Universidade do Minho na próxima sexta-feira. Em evento evocativo da República.A aquisição do livro pode ser feita aqui. A um preço especial.
October 20 2010, 2:24pm | Comments »
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1810: O SAQUE DA BIBLIOTECA JOANINA
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Da banda desenhada recente de José Pires "A Batalha do Buçaco" (Âncora) reproduzo a imagem do saque da BIilioteca Joanina pelas tropas napoleónicas, derrotadas no Buçaco. É certo que nos franceses estiveram na Biblioteca, mas a representação impressionante da fúria invasora será um pouco exagerada...Clicar para ver melhor.
October 20 2010, 7:39am | Comments »
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DE MARX A DARWIN, POR ONÉSIMO
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Minha recensão, em vídeo, do livro "De Marx a Darwin" (Gradiva), de Onésimo Teotónio Almeida: basta clicar aqui.
October 20 2010, 2:59am | Comments »
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LITERATURA FOI A VOTOS
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Notícia no jornal estudantil "A Cabra" sobre a escolha feita em Coimbra dos melhores romances da língua portuguesa - "Dez Paixões em forma de romance" - que está a dar origem a um conjunto de tertúlias literárias e a uma exposição: aqui. A 2 de Novembro na Bibllioteca Joanina o escritor Mário Cláudio apresenta o "Amor de Perdição" (na foto o cartaz do filme de Mário Barroso basedao no livro de Camilo Castelo Branco).
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October 19 2010, 10:49am | Comments »
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Ciência no Tempo dos nossos Avós
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Informação sobre novo livro recebida da editora Bizâncio:Título: Ciência a Brincar 10: Ciência no Tempo dos nossos AvósAutor: Dolores Alveirinho / Helena Margarida Tomás e Margarida AfonsoISBN: 978-972-53-0464-8Págs.: 62Preço: 9,59Divulgação de ciência para público infantil______________________________________________________________A importância de conhecer a nossa cultura e as nossas tradições é consensual entre todos os que se preocupam com o desenvolvimento harmonioso, tanto dos mais novos como dos mais velhos. Com o objectivo de dar a conhecer e de valorizar algumas das tradições do nosso país, apresenta-se um conjunto de actividades experimentais tendo por base as tradições, fundamentadas com explicações científicas simples. Embora se tenha consciência de que algumas das actividades requerem materiais que são de acesso menos fácil, procurou-se aproximá-las das tradições em que eram realizadas. Desta forma, valoriza-se e dá-se a conhecer, de forma mais explícita, as nossas tradições. As sugestões finais apresentam tarefas e materiais alternativos, bem como algumas informações, de forma a alargar o conhecimento sobre cada um dos temas. Este livro destina-se não só a crianças, mas também a educadores de infância, a professores, a animadores, a pais e a avós e a todos aqueles que, em conjunto, queiram passar bons momentos de lazer, de comunicação, de transmissão e de troca de sabedorias antigas, tendo como pano de fundo a cultura e a ciência.
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October 19 2010, 9:36am | Comments »
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A sofisticada arquitectura de um equívoco
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Informação recebida pelo De Rerum NaturaApresentação do livro Conceptualização, avaliação e intervenção nas dificuldades de aprendizagem: A sofisticada arquitectura de um equívoco, de João A. Lopes, professor da Universidade do Minho, no próximo dia 22 de Outubro.No livro é explorada uma perspectiva alternativa das dificuldade de aprendizagem e de processos de avaliação e intervenção que a melhor literatura nesta área tem evidenciado como eficazes. O que não significa que todos possam aprender ao mesmo ritmo nem permite vislumbrar num a fraca resposta a uma boa intervenção um qualquer tipo de desenvolvimento anómalo.
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October 17 2010, 8:29am | Comments »
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A sofisticada arquitectura de um equívoco
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Informação recebida pelo De Rerum NaturaApresentação do livro Conceptualização, avaliação e intervenção nas dificuldades de aprendizagem: A sofisticada arquitectura de um equívoco, de João A. Lopes, professor da Universidade do Minho, no próximo dia 22 de Outubro.No livro é explorada uma perspectiva alternativa das dificuldade de aprendizagem e de processos de avaliação e intervenção que a melhor literatura nesta área tem evidenciado como eficazes. O que não significa que todos possam aprender ao mesmo ritmo nem permite vislumbrar num a fraca resposta a uma boa intervenção um qualquer tipo de desenvolvimento anómalo.
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Castelos em Portugal
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Informação da Imprensa da Universidade de Coimbra recebida pelo De Rerum NaturaA apresentação da obra Castelos em Portugal. Retrato do seu perfil arquitectónico [1509-1949], da autoria de Luís Miguel Maldonado Vasconcelos Correia, terá lugar no próximo dia 20 de Outubro (4.ª feira), pelas 18h00, no Teatro Académico de Gil Vicente, em Coimbra.A sessão, em forma de tertúlia, contará com a participação de José Aguiar, Luís Reis Torgal, Mário Krüger e João Gouveia Monteiro.A apresentação da obra Ciência e Mito, da autoria de António Amorim da Costa, terá lugar no próximo dia 19 de Outubro (3.ª feira), pelas 18h00, na Galeria Sete (Av. Elísio de Moura, n.º 53).A apresentação estará a cargo do P. Dr. Anselmo Borges, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
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October 17 2010, 8:01am | Comments »
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EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E RELIGIÃO
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A dicotomia ciência – religião é tão antiga como a ciência já que a religião é mais antiga. Ainda agora, nos cem anos da implantação da República, se relembrou como o republicanismo, eivado da ciência positivista, se ergueu entre nós contra a religião. Uma visão naturalista opunha-se à visão providencialista.Mas hoje é, geralmente, reconhecido que as duas actividades, apesar de diferentes, podem bem coexistir. Há, por exemplo, ministros religiosos – e não é só da Igreja Católica - que são também cientistas. E há até quem advogue que, mais além do que a coexistência pacífica, é necessário aproximação e diálogo. Colocam-se, entre estes, Alfredo Dinis, padre jesuíta e professor de Filosofia na Universidade Católica em Braga (actualmente director da Faculdade de Filosofia) e João Paiva, leigo e professor de Química na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. Com propósitos pedagógicos, escreveram o livro “Educação, Ciência e Religião”, saído agora na Gradiva, que procura responder a várias questões relativas a essa aproximação e diálogo. Formulam algumas questões mais ou menos “fracturantes” (por exemplo: “A religião e a ciência ‘proíbem’ a existência de extraterrestres”?), acompanhadas por engraçados cartoons, dão a cada uma delas uma primeira resposta, em linguagem acessível, e, em seguida, aprofundam o tema, numa linguagem mais elaborada. Questões complementares para debate e bibliografia sobre cada tema completam esta original obra.Pode-se ou não concordar com eles, mas os autores são taxativos: “Mais e melhor ciência só pode significar melhor religião”. Aprenderam, portanto, com aquilo que eles chamam “descentramentos” do homem, que ocorreram ao longo da história da ciência. O primeiro é o descentramento cósmico, que se deu no início do século XVII com Galileu. O segundo é o descentramento biológico, que se deu a meio do século XIX, com Darwin. E o terceiro é o descentramento neurológico relativo à mente e à consciência humanas, que se estará a dar agora, na esteira de Freud embora não como sua herança directa (as modernas neurociências pouca justificação oferecem à psicanálise). O caso Galileu transitou em julgado depois que o Papa João Paulo II mandou, passados séculos, rever o processo e admitiu por fim o erro da Igreja. Galileu, aliás um bom crente e bem relacionado com o alto clero, vai aliar ter uma estátua em mármore nos jardins do Vaticano... Os autores dedicam-lhe apenas uma questão, que é fácil de responder: reconhecem que Galileu foi pressionado pela Igreja para negar o movimento da Terra. A teologia mudou no sentido em que a leitura da Bíblia deixou de ser literal.O caso Darwin, mais recente, provocou ondas de choque que chegaram até aos nossos dias. O sábio inglês, que viveu no seio da Igreja Anglicana, tendo até estudado teologia em Cambridge, foi alvo não já da Inquisição, mas da chacota pública, mais uma vez por contraste entre aquilo que a ciência aprendia e o que a Bíblia ensinava: o homem era apenas parte da grande “árvore da vida”. Curiosamente, foram e são as religiões protestantes, talvez mais ligadas ao livro, quem mais contestaram Darwin e, no mundo de hoje, forneceram o ambiente necessário para o florescer dessa estranha mistura entre ciência e religião que é o criacionismo na forma de “design inteligente”. Porém, a Igreja Católica não resolveu ainda completamente o problema, pois se João Paulo II admitiu há poucos anos que a teoria da evolução das espécies era “mais do que uma hipótese”, tal afirmação parece ainda excessivamente tímida num mundo em que as evidências observacionais e experimentais em favor dessa teoria excluem qualquer alternativa cientificamente válida.. Não foi há muito tempo que o Vaticano reprimiu as ideias evolucionistas do jesuíta Teilhard de Chardin. Os autores, que respondem a duas questões sobre o tema da evolução, não têm nenhuns problemas não só em citar o padre Chardin mas também em afirmar, preto no branco, que se pode defender a teoria da evolução e, ao mesmo tempo, acreditar em Deus. Dá a ideia que a teologia, também neste domínio, está ela própria em evolução...A teoria do Big Bang veio, no século passado, alargar a todo o domínio cósmico a ideia de auto-organização, isto é, a ideia de uma organização sem intervenção sobrenatural, com que a teoria da evolução se servia e serve para explicar a história das espécies. Claro que a pergunta sobre o que havia antes do Big Bang é legítima, mas a ciência de hoje responde honestamente que não sabe. Há poucos dias, o novo livro de Stephen Hawking relançou a polémica sobre a dispensabilidade de Deus para a criação do mundo, ele que metaforicamente tinha no seu best-seller anterior falado do “plano de Deus” para o Universo. Curioso é que a Igreja Católica tenha visto com bons olhos a ideia científica da criação quando ela apareceu na ciência, entre outras pelas mãos de um sacerdote católico, o padre Lemaître, porque concordava com o mito bíblico da criação. O Universo presta-se aliás abundantemente a discussões teológicas. Por exemplo, a teoria do Big Bang inclina-se para a infinitude do Universo. Não será, por isso, provável, quase inevitável, a existência de outros sóis e outras terras, como aliás tinha sonhado o “dissidente” da Igreja Católica Giordano Bruno, e, mais do que isso, a existência de vida noutros planetas, incluindo eventualmente vida inteligente? A descoberta muito recente do primeiro problema numa “zona habitável” de um sistema estelar a escassos vinte anos-luz de nós levantou justamente as atenções dos terráqueos. Tornou ainda mais oportuna a afirmação do jesuíta Guy Colsolmagno do Observatório Astronómico do Vaticano: sim, ele baptizaria um ET, se este quisesse! Nessa mesma linha algo heterodoxa, os autores do presente livro declaram que “um Deus craidor e milhões de planetas habitados por seres inteligentes estaria mais de acordo com a imagem de ser omnipotente da tradição cristã”. Fica por saber o que mudaria, de facto, na teologia se tais seres aparecessem mesmo. Seriam considerados seres com alma? O pecado original aplicar-se-ia a eles? E Jesus Cristo poderá não ter aparecido noutros planetas?Tanto ou mais polémicas do que essas são as questões sobre a mente levantadas pelas neurociências e que estão actualmente, neste planeta, a ser pesquisadas. Os autores não fogem a esse tema contemporâneo na fronteira entre ciência e religião quando formulam três perguntas: “Com o conhecimento do cérebro poderemos nós, humanos, vir a ser absolutamente previsíveis?”, “A inteligência artificial ameaça não só o homem como a religião?”, “Que contributos podemos nós esperar da neuroteologia?”. As suas respostas parecem-me expressar demasiadas reservas em áreas que ainda estão nos seus começos. A atitude da ciência deve ser de abertura, para não dizer esperança, perante o conhecimento novo, mas as respostas dadas em “Educação, Ciência e Religião” sobre o cérebro e a mente, são, na minha opinião, de excessiva crítica. Por exemplo, a “neuroteologia” que o livro critica poderá ser um nome disparatado, mas é decerto interessante pesquisar com os aparelhos das neurociências o que se passa dentro do cérebro dos crentes para averiguar o modo como a Deus está dentro do cérebro. Os autores recusam à partida a hipótese de que Deus esteja apenas aí. Ocorre-me a interpelação que Sagredo faz na peça de Bertold Brecht Vida de Galileu: “Onde é que está Deus no sistema do mundo?" Responde Galileu: “Em nós, ou em lugar algum.” E, pela minha parte, não vejo mal nenhum que se investigue a ideia de Deus nos seres humanos com os métodos de que a ciência dispõe. Se a teologia vai ou não mudar com isso já é uma outra questão...- Alfredo Dinis e João Paiva, “Educação, Ciência e Religião”, Gradiva, 2010.
October 11 2010, 1:16pm | Comments »







