Texto do meu livro "Curiosidade Apaixonada" (Gradiva, 2005, esgotado no editor):Nem todos os cientistas são bons comunicadores. Mas alguns não são só bons comunicadores: são excelentes comunicadores. Até há algum tempo a comunicação científica para o grande público era mais obra dos físicos (Carl Sagan, Richard Feynman, Steven Weinberg, etc.), mas os biólogos estão têm ultimamente estado a dar cartas nesse sector. Já havia François Jacob, Edward Wilson, Stephen Jay Gould – este infelizmente já falecido - e Richard Dawkins, mas agora há também Matt Ridley, Mark Ridley (os dois Ridleys não têm relação de parentesco) e Steve Jones.Steve Jones, professor de genética no London College da Universidade de Londres, esteve em Portugal para apresentar o seu último livro “Y. A Descendência do Homem” (número 132 da colecção “Ciência Aberta”, da Gradiva). Em Lisboa, no Instituto Ricardo Jorge, em Coimbra, no Auditório da Reitoria e no Porto, no Auditório do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular, procurou responder à pergunta - “Será que Adão encontrou Eva?”. Este livro é o quarto volume de divulgação da ciência do autor. O primeiro foi “A Linguagem dos Genes” (que ganhou o Prémio Rhône-Poulenc de Literatura Científica em 1994), o segundo “In the Blood” (um livro ricamente ilustrado, que acompanhou uma série de televisão, e que também ganhou aquele prémio, a maior distinção para livros de “ciência popular”) e, depois, “Almost like a Whale”, uma recreação da obra maior de Darwin – “A Origem das Espécies” na perspectiva dos conhecimentos actuais (que voltou a ganhar um prémio, desta vez o British Petroleum Natural Book Prize de 1999). O primeiro livro está publicado em português, pela Difusão Cultural, e os outros dois bem mereciam estar.De facto, Jones escreve – e fala – de uma maneira muito viva, que não deixa o leitor – e o auditor – indiferente. Quando, na palestra de Coimbra, me apresentei como físico e disse que só sabia coisas simples e não as coisas tremendamente complicadas que havia na Biologia ele logo retorquiu:“Costumo dizer aos meus alunos que a evolução é quase tão fácil como a Física”.E continuou com uma anedota da autoria do físico Niels Bohr, e que se encontra de resto no início do seu último livro:“A ciência é sem dúvida , uma forma crua e pragmática, mas eficiente, de compreendermos o mundo que nos rodeia. O físico Niels Bohr comparava-a ao lavar da louça após o jantar: pratos sujos, pano sujo e água suja; mas, como que por magia, os pratos aparecem limpos. Segundo ele, a filosofia desempenhava a mesma função, mas sem o recurso à água”.A ciência não é, portanto e ao contrário do que muitos alunos julgam, uma “grande seca”. E há muito de comum entre a Física e a Biologia. Ambas integram a busca humana de “compreender o mundo que nos rodeia”. Se através da Física a ciência passou a compreender a queda dos corpos e o movimentos dos astros, o quente e o frio, a electricidade e o magnetismo, a estrutura da matéria (incluindo os átomos e a sua organização em moléculas), etc., através da Biologia ela passou a compreender melhor os organismos vivos, incluindo o ser vivo mais extraordinário de todos que é o homem (aqui no sentido de “homo sapiens”, homem e mulher), descobrindo que por detrás da imensa variedade da vida, há uma evidente unidade. Como costuma dizer António Coutinho, Director do Instituto Gulbenkian de Ciência: “Vida há só uma”, apesar de não haver dois seres vivos rigorosamente iguais. Através da Biologia Molecular a Física cruzou-se com a Biologia de um modo muito fecundo: a molécula mais complexa de todas é o DNA, o imenso e riquíssimo reportório dos genes, cuja estrutura foi descoberta com a “água suja” da Física e que, sabe-se hoje, está presente nas células de todos os seres vivos. E a genética, que partiu de observação de regularidades macroscópicas, encontra-se hoje bem fundamentada à escala microscópica a partir da observação e manipulação do DNA. A evolução pode hoje ser estudada não apenas vendo o registo fóssil, fragmentado e precário, mas também e com muito sucesso usando as modernas técnicas da genética. A evolução não é ainda tão fácil como a Física, mas, ao ritmo a que as coisas avançam no domínio da genética, o “quase” está cada vez mais pequeno.Charles Darwin, além da “Origem das Espécies”, escreveu também a obra que fundou o estudo da evolução humana - “A Descendência do Homem”, subintitulada “A Selecção em Relação ao Sexo”. Depois de ter revisitado, Jones revisitou a “Descendência do Homem” actualizando-a. Respeitando o título, o autor centra-se na “pequena diferença” que caracteriza a masculinidade, que é o cromossoma Y (as fêmeas têm dois cromossomas X enquanto os machos têm um cromossoma X e um Y). Mas acrescenta que essa caracterização de masculinidade não resiste a uma análise crítica: há animais machos que não têm cromossoma Y. Para os biólogos, a masculinidade tem mais a ver com o tamanho e abundância das células sexuais: tal como acontece no ser humano, elas são muito abundantes e pequenas nos machos e escassas e grandes nas fêmeas. Os machos, por definição, não dão à luz, mas competem por conseguir que as fêmeas o façam. E as células sexuais do mesmo macho também competem entre si. Como escreve Jones de forma muito sugestiva:“Cada vez que um homem mantém relações sexuais, são libertados espermatozóides suficientes para fertilizar todas as mulheres da Europa. Numa vida são produzidos 2 mil milhões desse potentes invólucros, mas, para um típico ocidental, menos de dois são bem sucedidos. Por que razão são tantos os chamados e tão poucos os escolhidos?”No entanto, a análise do cromossoma Y é muito rica, permitindo revelar o que é, do ponto de vista biológico, o homem (no sentido estrito de macho humano). Jones não se esquece de acrescentar que a descoberta do cromossoma Y foi feita por uma mulher Nettie Maria Stevens, no ano da graça de 1905, precisamente o ano da descoberta da relatividade por Einstein (lá está, uma semelhança entre a Física e a Biologia, sendo injusto que Stevens seja quase desconhecida quando comparada com Einstein). O cromossoma Y permite traçar a evolução do homem, tal como o DNA das mitocôndrias permite traçar a evolução da mulher. Por meio da análise genética, hoje bastante rigorosa, pode-se remontar na genealogia, descobrir paternidades e maternidades, ainda que antigas (e descobre-se a grande frequência de fenómenos de “bastardia” ou “ilegitimidade”).O que nos ensina a genética sobre a diferença dos sexos? No longo processo de evolução, tudo indica que o cromossoma Y terá derivado do X por empobrecimento (Steve Jones foi categórico numa entrevista ao “Diário de Notícias”: “O cromossoma Y está em decadência”). Num certo sentido, a mulher é mais rica do que o homem! Por exemplo, a mulher vive em média mais do que o homem, resistindo mais e melhor a certas doenças.Mas, perguntará o leitor que chegou até aqui, qual é a resposta à pergunta do título? Terá Adão encontrado Eva? O relato do “Genesis” sobre um casal humano que gozava das delícias do Jardim do Éden é, com certeza, uma história, uma bela história mas apenas uma história (embora seja curioso que a mesma história reapareça em culturas diferentes da nossa, judaico-cristã). Mas, segundo Jones, “os Ys do mundo são tão semelhantes que alguns biólogos crêem num Adão universal, que poderá ter vivido há apenas 60 000 anos”, acrescentando com alguma precaução que “a evidência é, no mínimo, vaga.” Por outro lado, usando sempre a genética e remontando na linhagem feminina até uma eventual Eva, conclui-se que ela, a existir, teria de ser muito mais antiga do que Adão. Ou seja, Adão nunca poderia ter conhecido Eva... E esta, hein?
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SERÁ QUE ADÃO ENCONTROU EVA?
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October 10 2010, 7:45am | Comments »
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Volta o "Café, LIvros e Ciência"
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Informação recebida da Fábrica Ciência Viva de Aveiro (na imagem João Paiva, o professor de Química da Universidade do Porto que é um dos dos autores):Lançamento e apresentação de livros em «Café, Livros e Ciência»Apresentação do livro «Educação, Ciência e Religião» de Alfredo Dinis e João PaivaNo dia 7 de Outubro, às 18h00, acontece mais uma sessão do projecto Café, Livros e Ciência, na Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro. Será apresentado o livro «Educação, Ciência e Religião», de Alfredo Dinis e João Paiva. Esta iniciativa resulta de uma parceria entre a Fábrica CCVA, o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra e o Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho. A entrada é livre.Café, Livros e CiênciaEducação, Ciência e ReligiãoAlfredo Dinis e João PaivaGradivaNa Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro, João Paiva apresentará uma reflexão nas interfaces da percepção pública da ciência, da educação e da religião. Educação, Ciência e Religião, publicado pela Gradiva, destina-se a professores, educadores e a todo o cidadão, dado que ciência e religião, de uma forma ou de outra, se cruzam com a vida e com as inquietudes do ser humano.Na primeira quinta-feira de cada mês Café, Livros e Ciência convida a todos para conhecer, comentar ou debater um livro de, ou sobre, ciência, num ambiente informal. Poderá visionar um apontamento multimédia sobre os eventos já decorridos no sítio internet de cada parceiro, bem como no CVTV, e ainda algumas edições da rubrica "Escolhas de Livros de Carlos Fiolhais".data quinta-feira, 7 Outubro 2010local Fábrica Centro Ciência Viva de Aveirohorário 18h00>19h00público-alvo jovem e adultocontactos 234 427 053 ou fabrica.cienciaviva@ua.ptentrada livre
October 7 2010, 4:05am | Comments »
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Boas Práticas
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Um livro simples, mas precioso. Motivação e sucesso, Comunicação na sala de aula, Autoridade e disciplina, Avaliação das aprendizagens, Educação em valores, Escola e Família: eis os capítulos desta obra. Uma edição da Presença.
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October 4 2010, 3:50am | Comments »
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Aprender a Educar
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Mais do que um curso, um espaço de aprendizagem: ensino (claro), partilha, reflexão. Desde 2004 na Faculdade de Educação e Psicologia da UCP. Agora editado em livro o roteiro desse espaço-tempo. O índice diz (quase) tudo: 1. Não há saúde, sem saúde mental2. Auto-estima e autoconfiança: bens preciosos3. Irmãos (in)separáveis4. Avós precisam-se!5. Regras, limites, castigos e recompensas: quando e como?6. Socorro!... Tenho um filho adolescente!7. Educar na era das novas tecnologias8. Educar para o optimismoPassível de ser adquirido através da FML. Aqui.
October 4 2010, 3:35am | Comments »
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Três novos livros da Classica Digitalia
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Informação recebida do Conselho Editorial da Bilioteca Classica Digitalia Três novos livros publicados:- Colecção Autores Gregos e Latinos – Série Textos GregosMaria do Céu Fialho e Nuno S. Rodrigues: Plutarco. Vidas Paralelas – Alcibíades e Coriolano. Tradução do grego, introdução e notas (Coimbra, Classica Digitalia/CECH, 2010). PVP: 13 € II.- Colecção Autores Gregos e Latinos – Série EnsaiosLuísa Ferreira, Paulo S. Rodrigues e Nuno S. Rodrigues: Plutarco e as artes. Pintura, cinema e artes decorativas (Coimbra, CECH, 2010). PVP: 16 € III.- Colecção Humanitas Supplementum (Estudos)Françoise Frazier et Delfim F. Leão (eds.): Tychè et pronoia. La marche du monde selon Plutarque (Coimbra, Classica Digitalia/CECH, École Doctorale 395, ArScAn-THEMAM, 2010).
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October 2 2010, 8:47am | Comments »
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WELLINGTON E MASSENA - DEUX BONS COPAINS
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O livro"Wellington contra Massena. A Terceira Invasão de Portugal 1810-1811", de David Buttery (Gradiva, 2008) conta o encontro em Paris, passada a guerra em Portugal, dos dois grandes "cabos de guerra":"Sob os Bourbon, enquanto o país se ajustava a um breve período de paz após mais de vionte anos de guerra quase contínua, Massena manteve a sua posição como governador militar. Após a queda de Toulouse, Wellington tinha sido chamado de regresso a Londres, onde recebeu as congratulações do regente e do governo. Na Câmara dos Lordes teve a honra de receber cinco títulos de nobreza num o dia, de barão a duque. Seguidamente foi enviado para Paris, como embaixador britânico à corte das Tulherias. Após o turbilhão político que se seguira às guerras napoleónicas, o Congresso de Viena deveria reunir-se com vista ao planeamento do futuro da Europa e Wellington teria também um papel a desempenhar. Em Paris encontrou um velho adversário:"Mais tarde em Paris, vim a conhecer Massena bastante bem; encontrámo-nos pela primeira vez num jantar em casa do marechal Soult, que era então ministro da Guerra [...] Massena mostrou-se muito excitado quando me viu, fez um grande alarido e saudou-me com muita cordialidade. "Ah, Monsier le Maréchal, que vousavez fait paser des mauvais moments!" E afiançou-me que eu não lhe deixara um ú8nico cabelo negro no corpo; tinha ficado grisalho, declarou, em toda a parte: Respondi-lhe que tínhamos ficado mais ou menos quites - que tinha havido um empate entre os dois. "Não", replicou ele"!, "o senhor esteve muito perto de me derrotar em duas ou três ocasiões!" - o que é verdade. " (Stanhope Philip Henry, Notes of Conversations with the Duke of Wellington, 1831-1851, London, John Murray, 1889)É curioso que os dois antigos adversários se tenham dado tão bem, tanto mais que muitos dos marechais de Napoleão evitavam Wellington, ainda ressentidos pela s derrotas que tinham sentido às suas mãos. talvez o facto testemunhe a dedicação dos dois homens ao seu ofício, bem como um respeito profissional mútuo, ao passo que a maioria dos outros marechais viam a carreira militar meramente como um meio para alcançarem determinados fins. Massena não tinha vaidade que caracterizava muitos dos seus pares, mostrando-se encantado por conhecer um homem, cujos talentos tinham superado os seus e ao qual não parecia guardar qualquer rancor. Regra geral muito parco em elogios, Wellington tinha um enorme respeito por Massena, e não deixou de o louvar durante a conversa que tiveram sobre as Linhas de Torres Vedras. Massena disse-lhe: "Caro Lorde, está a dever-me um jantar - pois quase me matou à fome." Wellington riu: "Devia ser o senhor a dar-mo, marechal, pois impediu-me de dormir"".Esta foi a primeira de diversas conversas nos quais discutiram as estratégias um do outro e trocaram reminiscências sobre os tempos em que tinham sido adversários. Criticado, talvez injustamente, pela sua sobranceria para com os soldados e as "ordens inferiores", eis ali o duque de Wellington debatendo prazenteiramente conceitos estatégicos com um antigo sargento que tinha subido a pulso na hierarquia militar. A similitude das suas experiências parecia ter derrubado as barreiras sociais e nacionais que os separavam. Quem os viu conversar julgaria talvez que eram velhos camaradas de armas e não antigos inimigos".
October 2 2010, 4:24am | Comments »
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A Justiça Fiscal de Saldanha Sanches
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Texto recebido do nosso leitor Augusto Kuettner Magalhães:Saiu no sábado passado um excelente pequeno livro sobre Justiça Fiscal escrito em 2010 por J.L. Saldanha Sanches a pedido da Fundação Francisco Manuel dos Santos sendo possível, com a sua leitura, muito aprender sobre o assunto.Inicia-se a obra com uma explicação genérica sobre o tema em questão e sobre as incumbências do Estado ao redistribuir o que recebe pelos impostos das pessoas e das empresas. Saldanha Sanches tem em devida atenção que a despesa pública pressupõe sempre a tributação, para ser exequível.Segue-se uma elucidativa viagem pela história da evolução do sistema fiscal, no Reino Unido e nos EUA. Aborda o evoluir histórico dos tempos e o seu efeito na redistribuição do valor cobrado via impostos e taxas, passando pela legitimidade global da tributação, o ordenamento jurídico,e os direitos de propriedade. Faz uma abordagem à Revolução Francesa e constata que foram os impostos o centro do conflito. Discute o surgimento do Estado Fiscal, dando uma visão sobre os impostos em Portugal do Antigo Regime e o consequente papel da Constituição.Aborda a acção dos tribunais na legalidade fiscal e a tributação de acordo com a capacidade contributiva de cada cidadão/contribuinte, isto é, o seu rendimento. Dá explicações sobre taxas progressivas e taxas proporcionais, refere o papel da Constituição de 1976 e a sociabilização económica que se seguiu. Trata o IVA e o controlo da fraude e evasão, passando para o conceito de justiça numa democracia, incluindo as garantias dos contribuintes e os benefícios fiscais. Faz uma passagem pelas reformas fiscais, reafirmando que todas as tarefas que cabem ao Estado implicam um custo.Por fim não esquece as mais que necessárias abordagens à concorrência fiscal e às zonas de baixa ou nula fiscalidade, vulgo paraísos fiscais. E não falta a mais que necessária referência aos impostos do ambiente, com evidente ligação ao petróleo (um bem finito) e às alternativas não poluentes, deixando a fundamentação para um forte implemento de energias renováveis e não poluente menos taxadas ou quase isentas.Acabamos a ler uma breve digressão pela retroactividade fiscal, algo muito em dúvida nestes dias que estamos a viver, tão turbulentos a nível de redução de despesa pública e do aumento de impostos.Um excelente trabalho, o último de J.L. Saldanha Sanches, feito já doente – na cama de um hospital público - com um cancro que o veio a vitimar, em Maio de 2010. Ficou esta última obra, entre outras que escreveu ao longo da sua vida, escrita num momento em que todos temos que melhor entender a Justiça Fiscal, para melhor compreendermos tudo o que se refere com a cobrança de impostos pelo Estado e sua redistribuição. E ficou um exemplo de vida na luta contra a corrupção, contra a incorrecção fiscal, contra as injustiças, luta essa que foi sendo acompanhada em paralelo por sua mulher, Maria José Morgado, por uma luta contra o crime e os criminosos. Ambos defenderam e defendem ideias e ideais, num tempo em que muitos falam e poucos dão o exemplo.A obra pode ser adquirida a muito baixo custo numa livraria, num quiosque ou num supermercado.Augusto Kuettner Magalhães
September 30 2010, 12:25pm | Comments »
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A sociedade vigilante
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A preocupação com a segurança de pessoas e bens e com a qualidade de serviços e instituições tem legitimado a instalação de uma panóplia de sofisticados sistema de vigilância e controlo em espaços exteriores e interiores, em contextos reais e virtuais: eeroportos, hospitais, tribunais, lojas, recintos desportivos, laboratórios, escolas, ruas, prédios, bibliotecas, correio electrónico, telefones… As câmaras de filmar, os cartões electrónicos, as impressões digitais, a leitura da retina, os chips, os satélites... entraram no nosso vocabulário e no nosso modo de ver e estar no mundo.Poderíamos pensar que se trata de uma imposição por parte de instâncias com poder, correlativamente, aceite pelas pessoas comuns, numa atitude conformista, de quem nada pode fazer a não ser sujeita-se à autoridade.Pelo que me é dado perceber, não é bem assim… As próprias pessoas, letradas e não letradas, de esquerda, de direita ou do centro, das cidades ou das aldeias, velhas, de meia-idade ou novas… não só aceitam de boa mente essa vigilância e controlo, como os reivindicam se não existem e onde existem querem-nos redobrados.De modo que se me afigura ligado ao que acima disse, as solicitações de televisões, de revistas e jornais, da internet… para disponibilizar dados particulares, para se retratar, para contar o seu caso, para mostrar o seu quotidiano, para dizer o que faz, o que pensa, o que lhe vai na alma, de si e dos outros, entrou nos hábitos sociais.Mais uma vez aqui se podería pensar que se trata de coerção mais ou menos dissimulada, que as pessoas comuns, por necessidade económica ou outra, por constrangimento ou desejabilidade social, por serem apanhadas desprevenidas, ou por falta de preparação intelectual, aceitam mas a contra-gosto.Mas, também pelo que me é dado perceber, a explicação está longe de ser esta… As próprias pessoas, seja qual for a sua condição, disponibilizam amostras de comportamentos e sentimentos privados e até íntimos, partilham acontecimentos que só a si e aos seus dizem respeito, contam o seu dia-a-dia e daqueles com quem se cruzam, ilustram os discursos com imagens da sua casa, do seu quarto, publicam fotografias suas, de amigos, dos filhos…Assim, neste início de século, tudo e todos parecem estar a ser observados, a todo o momento, em relação a todas as dimensões da vida…Todas estas considerações a propósito de um livro que me parece dissonante da opinião geral. Problematiza, apresenta teorizações e estudos, leva a pensar na nossa identidade e no modo de nos relacionarmos.Tem por título: A Sociedade Vigilante - Ensaios sobre identificação, vigilância e privacidade, foi organizado pela antropóloga Catarina Fróis e publicado em 2009 pela Imprensa de Ciências Sociais.Trata-se de uma obra que "reúne um conjunto de ensaios de proeminentes cientistas sociais, nacionais e internacionais, que procuram problematizar a implementação e legitimação de vários mecanismos de controlo vigentes na sociedade contemporânea. Aqui são abordados temas como a videovigilância; o policiamento; a introdução de novos cartões de identificação; a regulação das politicas de protecção da privacidade individual; o uso e recolha de dados pessoais (estatísticos e genéticos) para fins governamentais ou comerciais. Os autores deste livro propõem-se mostrar que estar alerta, ser-se vigilante, é uma preocupação pertinente para a academia, para decisores políticos e para a sociedade civil, procurando contribuir para um debate lúcido e informado em torno destas matérias."
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September 29 2010, 1:37pm | Comments »
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"Mas contextualizando sempre"
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Soube-se ontem que o romance Ilusão ou o Que Quiserem de Luísa Costa Gomes recebeu o prémio Fernando Namora/Estoril Sol. O júri destacou, nesta obra, entre outros aspectos, o "ágil registo estilístico de constante ironia, quer pela análise penetrante de alguns comportamentos tipo da actual sociedade portuguesa, muito em especial no tocante a métodos pedagógicos aplicados nas escolas".Deste livro revelador desta professora que deixou o ensino, já tinha deixado notícia aqui e aqui), mas não posso deixar de aproveitar este feliz acontecimento para deixar mais uma passagem de uma ficção admiravelmente real (páginas 40-41)."Durante toda a semana a Teresesinha veio pouco a casa. Quando por fim lhe perguntei pelo trabalho, disse-me naquele tom didáctico dos momentos pré-colapso em princípio teríamos de nos mudar para mais perto da Jessica, porque era muito desgastante segui-la de tão longe sem uma base doméstica. Estava agora firmemente convencida de que para a Jessica ter sucesso era preciso que todo o contexto familiar fosse educado, porque a escola nada pode quando não há transmissão dos valores fundamentais do humanismo, nem sentido crítico na avaliação das mensagens dos média (...).O projecto de Teresesinha era elevar a família de Jessica em peso (mãe e cinco meios-irmãos, um de cada pai), à fruição estética e morfolinguística. Queria propor-lhe uma ida ao teatro e contava comigo para fornecer o espectáculo. «Educação pela Arte», disse ela, de forma significativa. «Mas nós nem sabemos ainda o que fazer a seguir», disse eu. Era incomensurável o que se jogava na primeira experiência cultural daqueles desfavorecidos. «Que fazer?», perguntou-me. «Vamos devagar» aconselhei. «Começas por uma ida ao cinema, vais com eles ver um filme menos javardo, depois discutem, fazem um passeio à Expo, visitam uma coisa de banda desenhada e vais subindo por aí acima, aumentando o grau de complexidade e...» «Mas contextualizando sempre», disse ela. «Sempre», disse eu e lá mais para o fim do ano escolar, quando os sentires bem motivados e com bom olho para os contextos, vais com eles a um Museu.». Ela ponderou a hipótese. «Se for entrada livre, ainda se pode pensar nisso.» E teorizou. «As pessoas sentem-se muito descontextualizadas. Vêem, mas não sabem o que estão a ver. Como não sabem, não gostam. E depois não querem ver mais.» «A resposta é a integração», rematei. Não queria parecer pouco entusiasmada. «Como é possível eles aprenderem o que quer que seja se deixarem as raízes para trás?» Não lhe quis dizer que em princípio todos nós deixamos as nossas raízes para trás. «É uma família muito desestruturada, muito carenciada, a de Jessica. Como é que ela pode aprender o que quer que seja se não está integrada numa cultura? É óbvio que tem de haver programas específicos para estas pessoas!» Matemática para Pobres, Geografia para Refugiados, Biologia para Minorias», disse eu."
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September 29 2010, 2:34am | Comments »
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Educação, ciência e religião
http://dererummundi.blogspot.com/2010/09/educacao-ciencia-e-religiao.html
Informação recebida da Gradiva:Acaba de ser publicado "Educação, ciência e religião" de Alfredo Dinis e João Paiva, o primeiro padre e professor de Filosofia e o segundo leigo e professor de Química.
September 22 2010, 11:28am | Comments »







