Hoje é o dia da habitual notícia de ciência da treta do início do ano, segundo a qual estamos no dia mais deprimente do ano!! Iupie, a partir daqui só pode melhorar. i, Publico, Radio Renascença e TVNet (pelo menos) deram esta notícia recorrente, a par dos seus embasbacados congéneres internacionais, que lhe chamam "blue monday". Esta é a notícia da treta mais deprimente do ano, segundo a fórmula (que eu inventei agora):N/C + J/SEm que N é o número de anos em que esta notícia vem sendo repetida nos media, C a credibilidade da afirmação, J o número de jornalistas que transcreve este press release e S o sentido crítico dos mesmos. É que não é preciso ter muita cultura científica para olhar para a fórmula apresentada pelo alegado psicólogo investigador (aliás não muito diferente da que eu inventei) e para a sua conclusão fabulosa, para torcer o nariz. Essa torcidela deveria desencadear uma pequena investigação, procurar referências na literatura ou, na ausência de tempo, pura e simplesmente abandoná-la. Convenhamos que não é informação com que não possamos viver (talvez seja útil para escolher o dia mais adequado para cortar os pulsos ou saltar da janela). Mas vivemos a ditatura do engraçadismo e uma coisa destas está de acordo com o regime.Será que é para o ano que algum destes órgãos de informação averigua a credibilidade desta coisa antes de transcrever o press release?
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Dia da notícia da treta mais deprimente do ano
http://dererummundi.blogspot.com/2011/01/dia-da-noticia-da-treta-mais-deprimente.html
January 24 2011, 8:15am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Se não se passa em Lisboa então não aconteceu!
http://dererummundi.blogspot.com/2010/08/se-nao-se-passa-em-lisboa-entao-nao.html
Considero este "artigo" do Expresso INACEITÁVEL (foi publicado na página 22 do Expresso de 7 de Agosto, estando agora também no Expresso online). Lamento que um jornal como o Expresso fique pela "espuma dos dias" e não vá ao fundo das questões. E faça um "artigo" assim, na altura das candidaturas ao ensino superior, sobre inovação, em que só ouve o presidente do IST, como se não houvesse mais mundo. Muito mais mundo: para a jornalista autora deste "artigo" não há o Porto, nem o Minho, nem Coimbra, nem Aveiro, nem Algarve, nem Bragança, nem Vila Real, nem Leiria, nem Castelo-Branco, ... não, o país é só Lisboa, e uma certa Lisboa. Ainda, segundo a jornalista que assina este artigo, "Muitas outras escolas estão determinadas em seguir o exemplo do Técnico (IST)". Isto seria cómico se não fosse trágico e não revelasse uma mentalidade tacanha de um país que insiste na ideia: só existe Lisboa, se não se passa em Lisboa então não existe ou não aconteceu. Não é aceitável. É parcial. Não presta um bom serviço a Portugal, porque esquece as boas iniciativas que por aí vão em todo o país. Confundir Portugal com Lisboa, sem sequer ver o que se passa no resto do país, é um sinal de um país doente, sem chama, que insiste no suicídio colectivo. Para além disso, confunde inovação e capacidade de realização, com registo de patentes nacionais. Não seria melhor, digo eu, ver quantas dessas patentes foram vendidas, passaram a patentes internacionais, deram origem a novas empresas, novos negócios, novos produtos, criaram emprego, etc.?? É que registar patentes nacionais pode ser só uma forma de "mostrar" indices para as estatísticas. Até é barato! Este "artigo" não presta um bom serviço porque é um exemplo de MAU JORNALISMO, em que a pessoa que o escreve se limita a transmitir aquilo que, provavelmente, lhe enviaram, sem fazer investigação, sem cruzar dados, sem perguntar a outros, em suma, sem levantar a cabeça e olhar à volta.E claro, nem verifica que existem outros locais no país que têm resultados bem mais interessantes. Aqueles que de facto contam, porque têm impacto na economia e na vida das pessoas. Esquece tudo o resto. Por exemplo, que foi a Universidade do Porto (uma universidade que nem é mencionada no "artigo") que ganhou o concurso da COTEC sobre "Fomento do Empreendedorismo nos Alunos do Ensino Superior Português" no valor de 100 mil Euros. Ou que a melhor incubadora de empresas do País (considerada também a 2ª melhor do mundo) é de Coimbra (Instituto Pedro Nunes). Melhor porque tem mais empresas, e muito melhores taxas de sobrevivência, isto é, excelentes resultados na criação e sobrevivência de empresas criadas em ambiente universitário. Etc., etc.Mas mais importante do que isso, esquece que, se calhar, o que devemos querer saber das universidades é:1. Quantas empresas foram criadas pelos seus alunos.2. Quantos empregos foram criados por essas empresas.3. Qual o volume de negócios dessas empresas. 4. Quanto representam do PIB nacional.5. Dos seus docentes e investigadores quantas patentes resultaram.6. Quantas foram vendidas e deram lucro.7. Quantas deram origem a spin-offs.8. Qual o impacto da universidade nas exportações portuguesas.9. Qual o valor acrescentado de um aluno da universidade/politécnico: custa quanto e vale quanto. 10. Qual o impacto da universidade/politécnico no cenário internacional de I&D: docentes e investigadores.11. Quantos projectos europeus tem a universidade/politécnico. 12. Quanto valem os projectos europeus em percentagem do orçamento da Universidade. Pois, mas obter esta informação dá muito trabalho. E se calhar não permite obter o resultado pretendido com o "artigo"!O melhor, como dizia recentemente Mário Soares sobre o actual jornalismo, é ficar pelos fait-divers, pela "espuma dos dias".J. Norberto Pires
August 13 2010, 8:31am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
À atenção do Jornal de Negócios
http://feeds.feedburner.com/~r/MasCertamenteQueSim/~3/430807923/
O Jornal de Negócios publicou no dia 16 uma peça sobre o caso Renova. Como lhes escapou (ponhamos a coisa assim) o mais importante que se tinha já publicado na Imprensa online portuguesa sobre a matéria, aqui fica a chamada de atenção (ponhamos as coisas assim). Dupla: além de poderem citar quem trabalhou sobre o assunto, podem também dar o justo seguimento à “notícia”, isto é, publicar que a Renova já pediu desculpa. Ou também no online andamos a fazer jornalismo corta&cola em cima do press-release? Ou também no online já chegou o vírus da competição e fingimos que o “rival” não deu a notícia? Por mim, encolho os ombros. Sou um técnico de informação, vertente jornalista. Só preciso de saber qual é a pauta, para dançar em conformidade.
- Tags:
- media
- Renova
- mau jornalismo
October 24 2008, 9:03am | Comments »
1


