Como num espelho...O sistema educativo é alvo de uma espécie de radiografia periódica feita pelos media, a opinião pública, os utentes e o Parlamento. Inquirem-se alguns pais descontentes, alguns alunos desiludidos, alguns literatos prontos a denunciar o abaixamento do nível, alguns professores amargos, alguns directores desorientados e conclui-se: "O ensino está em crise!". Ninguém sabe exactamente o que isto quer dizer, qual é a amplitude do fenómeno nem a sua antiguidade A crise não é uma realidade objectiva, mas um olhar lançado sobre a realidade, uma construção social que não inventa os factos, mas que os selecciona, os liga, os amplifica, os dramatiza, os inscreve num quadro de conjunto, lhes atribui sentido como indícios de um mal-estar global do ensino. Sabe-se que bastam três catástrofes sucessivas para que se fale de uma série negra. A crise é uma construção mais sofisticada, mas com o mesmo modelo. Todo o sistema educativo está constantemente cheio de tensões, de conflitos, de dúvidas, de problemas insolúveis. Há, bem entendido, períodos mais felizes que outros, mas o discurso da crise exagera o contraste: de súbito, anuncia-se que tudo está mal, finge-se acreditar que ontem tudo estava bem. Uma parte do professorado descobre, então, no jornal ou na televisão, a crise do sistema educativo, mas fica com a impressão de que nas suas proximidades nada se passa de extraordinário. Mesmo que não se deixem impressionar e influenciar pelo clima geral, a crise vai modificar o seu ambiente pelo simples facto de que, sob a pressão dos media e de outras influências, o governo vai ser obrigado a "fazer qualquer coisa". Quando se dá "subitamente" conta de que o ensino está prestes a falhar a reviravolta das novas tecnologias, o ministério reage e os estabelecimentos de ensino recebem os equipamentos informáticos que não pediram, sem contudo conseguirem que lhes reparem o telhado ou substituam uma fotocopiadora obsoleta. Quando se descobre que as escolas estão "dominadas pela violência", é a chamada geral ao combate decretada de cima, mesmo nos sítios onde tudo decorre pacificamente. Quando os orçamentos da instrução pública são deficitários e o governo promete "corrigir vigorosamente a situação", mesmo os estabelecimentos de ensino mais desprovidos devem contribuir com contenção de despesas. Em resumo, quando o sistema é considerado em crise, é difícil fingir que não estamos preocupados, mesmo que não vivamos todos os mesmos problemas. Inquéritos, recomendações, novos procedimentos e economias súbitas não transformam o trajecto de um estabelecimento de ensino, mas interferem com as dinâmicas em curso, mudando o ambiente, mobilizando energias, principalmente as do director, que de repente tem que fazer relatórios circunstanciais sobre sectores que não o preocupavam, ou assistir a reuniões de onde saem recomendações que têm, na sua escola, pouca pertinência. Ser director escolar é participar mais do que o corpo docente nos acessos febris do sistema e navegar entre dois escolhos: mobilizar o corpo docente à volta das últimas directivas do Ministério, com o risco de fazer perder tempo a toda a gente, ou ignorá-las, com o risco de passar ao lado de um verdadeiro problema. Dirigir em período de crise é conhecer a boa utilização das flutuações, quer do ambiente quer da conjuntura política, saber proteger o seu estabelecimento escolar das modas, sem deixar de estar solidário com os debates de fundo. Se a distinção é fácil de entender, é mais difícil de executar no dia-a-dia, quando estamos metidos no meio dos acontecimentos. Assim, no domínio das violências escolares, muito mediáticas hoje em dia em França, é muito difícil, para um director escolar de uma área ainda tranquila, saber se se deve preparar hoje para o pior, ou praticar o wait and see. Corre, em ambos os casos, o risco de uma apreciação errada. Ora, é tão aborrecido subestimar urna ameaça verdadeira como criar uma "psicose".Este dilema não admite solução preconcebida, pelo menos no momento em que a crise se declara. Se fosse necessário sugerir medidas preventivas, elas apontariam, certamente, no sentido de uma mais forte capacidade de análise das tendências do sistema educativo e de antecipação das suas incidências locais. Sem nos alhearmos do mundo, podemos tentar não estremecer a cada um destes sobressaltos. Por exemplo, é razoável que um estabelecimento de ensino organize regularmente debates e sessões de informação sobre a evolução da sociedade e das suas incidências sobre a educação. Quantas mais ferramentas de análise a cultura profissional propuser, mais os docentes e o director escolar estarão à altura de estabelecer a diferença entre o que se passa localmente e os movimentos da conjuntura. Ser director não significa ser o único ou o melhor informado, mas, pelo contrário, partilhar a informação e manter o debate. Não é fácil, pelo menos por duas razões:- urna parte dos docentes, visto que há muito tempo nada os ameaça directamente, sentem-se pouco inclinados a interessar-se pelas evoluções globais do sistema educativo; nem as suas chefias nem os seus sindicatos os conseguem mobilizar, convencê-los de que são actores do sistema; é por isso que a maioria das crises das finanças públicas, por vezes bastante previsíveis em função da conjuntura económica, têm geralmente o efeito de um trovão no céu dos docentes, que só então descobrem quanto custa a Escola e que parte representa no orçamento nacional;- ser detentor de uma informação estratégica é uma fonte de prestígio e de poder e observa-se em numerosos chefes - escolares ou de serviço, em diversos organismos - uma tendência para capitalizar e monopolizar essa informação, em vez de a fazer círcular; compreende-se sempre demasiado tarde que um observador esclarecido não pode substituír-se a um colectivo lúcido ... Philippe Perrenoud, obra citada infra
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Crise do sistema: protegermo-nos ou afogarmo-nos?
http://terrear.blogspot.com/2010/04/crise-do-sistema-protegermo-nos-ou.html
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April 22 2010, 9:16am | Comments »
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O que os media querem que "saibamos"
http://terrear.blogspot.com/2010/04/o-que-os-media-querem-que-saibamos.html
Não ficou confirmado que criança tenha sido alvo de agressõesInquérito afasta responsabilidades de escola na morte de Leandro O inquérito que a Inspecção Regional de Educação realizou sobre as circunstâncias da morte de Leandro Pires não confirma que o aluno da escola Luciano Cordeiro, de Mirandela, “fosse vítima de frequentes agressões, perseguições ou ameaças na escola”. O resultado do inquérito, conhecido esta tarde, “não aponta para a instauração de procedimento disciplinar a responsáveis na dependência directa do Ministério da Educação”, mas dá conta de que serão extraídas certidões a remeter à direcção da escola e à Câmara Municipal de Mirandela (que tutela os funcionários da escola) “para os efeitos tidos por convenientes”.O inquérito conclui que Leandro não era vítima de "bullying" no interior da escola.Do Público, de hojeSerá verdade o que escreve hoje o Público. Será verdade que Leandro não era vítima de "bullying". Já poderá ser mais difícil de acreditar (e de aceitar) que a escola não tenha qualquer responsabilidade na morte de Leandro. Porque a Escola tem de ter uma palavra a dizer. Sem saber a verdade, diria que todos somos responsáveis pela morte de Leandro. E não deixa de ser caricato que a autoridade e o poder disciplinar sobre os funcionários da escola não dependa da direcção da escola. Algo de errado se passa na organização, gestão e direcção das escolas, no que à gestão do pessoal diz respeito.
April 7 2010, 7:07am | Comments »
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As galinhas, o gume e a violência escolar.
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O novo tema mediático versa a “violência escolar”. Como se houvesse uma “nova violência escolar” (NVE)! Como se, de repente, o mundo tivesse mudado e o azul do céu tivesse desaparecido! O que houve de novo, nos últimos dias, foram duas mediatizadas mortes, porventura desesperadas despedidas de vidas tornadas insuportavelmente mais frágeis do que todas elas são. E novos são também os meios de comunicação que veiculam as mais variadas formas de violência ou de desespero humanos. É muito grave.A nossa amada Sophia diz que “as pessoas sensíveis não são capazes de matar galinhas, porém são capazes de comer galinhas” mortas (digo eu)! Mas, vamos por partes.Inventou-se a NVE! Mas existe de facto, alguma NVE? O que é que a define? Como se manifesta e propaga? Quem são os seus agentes principais e quais são as suas regras? Em que é que é realmente nova?Vejo e reflicto com os meus pares e com muitas associações de pais, com professores e escolas, sobre os reflexos no ambiente escolar das novas formas de violência social. Estas têm manifestações muito claras e distintivas, sobretudo no que se refere à sua incidência sobre as crianças. Podemos tomar aqui o exemplo da extrema violência que os videojogos e a televisão inculcam nas mentes humanas em construção, ainda antes de chegarem ao ambiente específico da educação escolar. Dos zero aos seis anos, o “papel em branco” fica quase todo pintado. A que cores, com que traços, desenhando que quadros? Pensamos pouco sobre isso (paramos pouco para pensar, em geral). Não gostamos de fazer perguntas novas, que provocam, que chamam a ter de trilhar caminhos novos e até a arrepiar caminhos já traçados e tresmalhados.Nestas formas de violência, morrer e matar passa a ser coisa vulgar, repetida até à exaustão, dezenas de vezes por minuto. As mortes originadas pelas mais variadas formas de vida são-nos comunicadas com a mesma voz, o mesmo tom dito “neutral” com que se anuncia o novo gadget, resultante de muita e paciente investigação e do desenvolvimento técnico. A violência está a ser naturalizada; à vista desarmada estamos a transformá-la numa coisa banal, inscrita no nosso quotidiano, um traço humano natural, como uma ruga do nosso rosto. Como se fosse tão inevitável como a morte!E, enquanto isso se passa, as crianças, essas que agora passam na escola pelo menos 80% da sua vida, dos 0 aos 18 ou 22 anos de idade, 100% activas, e que passam 20% da sua vida em família, 80% do tempo a dormir, aprendem a disparar e a matar pelo menos uns 20 obstáculos “humanos” por minuto. Ou então, sentam-se ao nosso lado no sofá a devorar connosco as nossas “galinhas mortas”, ou seja, a violência das incontáveis guerras em curso, a violência dos conflitos étnicos e da intolerância humana, a violência e o desrespeito nas estradas, a violência que dispara nas relações entre casais, entre vizinhos, entre grupos-fronteiras, a violência do desrespeito pela natureza, a violência da natureza, que treme e inunda, a violência dos abusos de menores, a violência da exclusão social, a violência…Na escola, o espaço social por excelência que detém o tempo destas crianças, espaço apesar de tudo bastante aberto e livre, porque é que a violência face ao outro que me rodeia, que nem é do meu grupo, há-de ser diferente ou guiar-se por outros códigos? E há outros códigos? Onde se aprendem? Na família? “A escola é do Estado e tem de ser neutral”, avisam as eminências do regime! Por outras palavras: o que é isso do outro? O que é que o outro tem que ver comigo? Qual o lugar de cada outro na nossa sociedade e como é que esse lugar é objecto de reflexão e acção nas nossas escolas?Será que existe uma NVE ou estamos a criar mais uma novela para não pensarmos na violência que estamos a naturalizar e que nos está a devorar valores que são fundamentos de uma são convivência e os pilares de relações humanas fortes e laços sociais profundos. O outro, cada outro, tal qual é (“uma outra liberdade), que lugar, que prioridade, que atenção nos merecem? Na família, esse extraordinário lugar de aprendizagem dos afectos, da beleza e da profundidade das relações humanas (mesmo com o pouco tempo de que todos dispomos), de aprendizagem do respeito uns pelos outros, da autoridade e do perdão? Na escola, esse ambiente exigente de progressão permanente nas aprendizagens, esse magnífico espaço de convívio humano, inter-pares e entre adultos e crianças e jovens, entre pais e professores (ambos educadores das mesmas crianças), onde se aprende a viver uns com os outros? Na sociedade, nos tempos e lugares que habitamos, nas cidades que edificamos, bairro para ali, bairro para acolá, mas espaços privilegiados de convivência cívica e de construção do bem comum? Repito: qual o lugar do outro, de cada outro, tal qual é, que atenção lhe dedicamos, sobretudo aos que mais precisam do nosso cuidado, que relações humanas cultivamos?Entretanto, o ME, na 5 de Outubro, prepara medidas de emergência para conter a indisciplina escolar, para castigar de imediato todas as “novas” formas de agressão e violência nas escolas, para devolver autoridade aos professores (depois de ter estupidamente desbaratado muita da que ainda havia), para reforçar as competências das escolas e dos directores! A Confap e alguns partidos querem multar os pais dos “alunos” (não dos filhos) transgressores.Mas estamos a ver o mesmo filme? Estamos a falar do mesmo assunto? Já falamos com os nossos alunos sobre isto? Que pensam eles de tudo isto? Ou eles são o elo mais fraco das escolas?Não só é possível fazer diferente, como se está a fazer diferente. Escolas há que lidam bem, com sabedoria, com estas problemáticas socioculturais e que se renovam como casas de educação e desenvolvimento humano (ver caixa com exemplo). Não precisam de mais nada: autoridade, responsabilidade e liberdade.Pela voz de José Tolentino Mendonça, ocorre-me dizer: “Fernando Pessoa escrevia: «A espantosa realidade das coisas/ é a minha descoberta de todos os dias». É isso que peço, Senhor. Não nos deixes no embaraço baço da superfície; nos olhares e nos juízos que roçam apenas a periferia, que descrevem o exterior, mas nada sabem do gume. Dá-nos o saber de reparar a fundo, de escutar o indizível segredo que torna todos e tudo espelho do Teu assombro. Impele-nos à descoberta de um real que nos é tão próximo, mas afinal desconhecido.”A deriva securitária não será a saída nem terá saída.Beiriz: as faixas verdes da esperançaNo Agrupamento Campo Aberto, em Beiriz (Póvoa de Varzim, ver blogue “VoxNostra”), os professores, os pais e os alunos juntam-se para reflectir e agir sobre estas situações mais ou menos visíveis de violência que chega até dentro da escola. Há múltiplas formas de participação dos alunos na vida das escolas, mas por vezes esta participação é menos cuidada, bem como a dos pais. Nesta escola, a responsabilização dos alunos é o princípio estruturante de um bom clima escolar, eles são os “agentes centrais na definição e resolução dos problemas do quotidiano”.Semanalmente, os alunos de duas turmas, uma da manhã outra da tarde (envolve 2º e 3º ciclos), usam umas faixas verdes, que dizem a todos que eles e elas são responsáveis por cuidar do bom ambiente da escola (são o exemplo a seguir) e por intervir caso haja algum sinal de violência, indisciplina, falta de respeito, junto dos funcionários, professores, Director de Turma ou Psicólogo. Nas aulas de Formação Cívica trabalha-se exactamente esta problemática da violência e fomenta-se a reflexão e a redacção de trabalhos sobre a temática. Os resultados estão à vista, embora ainda se estejam a dar os primeiros passos.Joaquim AzevedoProfessor-Universidade Católica, Membro do Conselho Nacional de Educação e do Conselho Económico e Social.
March 18 2010, 9:35am | Comments »
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Diálogos Facebook: blogs e tal
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Paulo Querido RT @EmmanuelGonot: Fast Company: Blogging Is Dead, Long Live Journalism http://bit.ly/mITAw Pedro Rebelo E tu que achas Paulo? Eu pessoalmente ainda penso que o blogging tem muito para dar, talvez de forma diferente… Há 47 minutos Paulo Querido Eu acho que o jornalismo ainda tem muito para dar, certamente de forma diferente :) O blogging mudou. Cresceu. Normal. Menos entusiasmo de principante. Quem tinha para dizer ao mundo, “olá mundo!”, já o disse. Repetiu. Agora calou-se e joga farmville e essas merdas. A conversa sobre gatos e flores torna-se cansativa ao fim de um tempo. Ficam: quem tem densidade discursiva, quem escreve profissionalmente, quem tem uma missão ou função. Na escrita profissional cabem os “bons” bloggers que mantém essa coisa antes chamada blogosfera, e que procuram melhorar e rentabilizar o seu trabalho.
Há 8 minutos
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October 23 2009, 2:20am | Comments »
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Caminhamos para uma maior imersão na rede
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Entrevista a Pedro Lopes, para a revista Unibanco. Pedro Lopes: Twitter, Facebook, Hi5, MySpace apresentam-se como os sites preferidos de quem pretende fazer parte deste universo das redes sociais. Existem públicos específicos para cada um deles ou falamos de utilizadores comuns? Algum destes sites leva vantagem sobre os outros? Paulo Querido: Há um grande número de utilizadores comuns a vários sites de social networking. Além dos citados, e dentro dos pesos pesados, temos ainda o LinkedIn. Contudo, cada um atrai um público — ou, melhor dito, um tipo de utilização. O Twitter tem as componentes do debate em tempo real, para os grandes acontecimentos, e da partilha instantânea e viral de informação. O Facebook está a sobressair na área do lazer e de manter o contacto. O Hi5 continua a servir a finalidade do relacionamento pessoal, sobretudo nos públicos juvenis, e o MySpace vacila entre um site de publicação, tipo blog, e o networking social em que o Facebook o tem ultrapassado. Actualmente, o Facebook está a tomar uma dianteira em termos de impacto e de crescimento. O Twitter, que será sempre mais pequeno e restrito, têm uma atenção mediática tremenda. Os outros estão a perder importância. PL: Em sua opinião, que factores potenciaram este verdadeiro boom das redes sociais e que peso podemos atribuir-lhes na formação de opinião pública? PQ: Os factores são múltiplos e merecem aprofundamento. Contudo, eu destacaria estes: a facilidade de utilização, aliada ao charme da tecnologia, ao custo irrelevante, ao cansaço dos formatos de entretenimento tradicionais, e à crise financeira, que ajudou as pessoas a trocarem a rua pelo lar. Quanto ao seu peso na formação de opinião, julgo que está a meio caminho entre o peso do peering e o peso dos líderes de opinião. Nas redes, físicas ou electrónicas, os nossos contactos de primeiro nível — família, amigos, colegas, professores — são mais importantes para as decisões e a formação de opinião que as vozes escutadas nos media. Contudo, nas redes electrónicas o papel de emissor de opinião é mais comum, em geral incluimos vários na nossa rede de primeiro nível. Há uma mistura rica. Que está a diminuir a importância de uma parte dos líderes de opinião convencionais. Este fenómeno, contudo, está ainda a despontar, mal temos a percepção dele, quanto mais conclusões… PL: Quais os países onde esta nova cultura está mais enraizada? PQ: Não é fácil estabelecer divisões. A cultura reticular está a disseminar-se rapidamente de forma global. Onde haja conectividade, ela desponta, sem grandes diferenças (além do uso da língua local) para os outros países e regiões. A resposta está, portanto, nas tabelas das taxas de conectividade à Internet e à telefonia móvel. PL: E, comparando com esses países, onde aparecem Portugal e os portugueses no ranking de utilizadores das redes sociais? Qual o site onde existem mais utilizadores nacionais? PQ: Portugal está no grupo dos mais conectados e os portugueses são rápidos a assimilar as tendências. O país surge em regra na tabela dos 20 mais. Nalguns serviços, como o Hi5 e o Twitter, está entre os 10 primeiros. O Hi5 continua a ser o serviço com maior número de contas abertas por portugueses. Se e como elas são usadas, é outra história. PL: Como se explica que, depois da chuva de críticas que se abateu sobre o universo Big Brother e a falta de privacidade a ele associada, assistamos agora a uma espécie de vontade incontrolável de revelar ao mundo aquilo que é nosso, com o Youtube à cabeça das ferramentas para fazê-lo? PQ: A chuva de críticas veio de uma elite que, à altura, detinha a única voz audível no panorama mediático. Não tenho a certeza, digamos assim, que a maioria dos prodo-consumidores de media, ontem como hoje, assinasse essas críticas. A verdade da massas está mais perto do que Andy Warhol definiu. A imensa maioria procura os seus 5 minutos de fama. E tem a noção de que, num mundo extraordinariamente competitivo, aparecer constitui uma vantagem. Hoje, essa vantagem já não é exclusiva das elites críticas. PL: Que riscos, nomeadamente para utilizadores mais novos, pode trazer esta constante troca de informação? PQ: O risco da exposição a perigos que a sociedade ainda não balizou convenientemente. Alguns desses perigos ainda não foram, sequer, inventariados. Outros estão largamente sobredimensionados. E há riscos de saúde subdimensionados. PL: Olhando para um futuro a médio prazo, como imagina a evolução da utilização das redes sociais? PQ: A médio prazo, caminhamos para uma maior imersão na rede. Os serviços, hoje muito marcados, verão as suas marcas diluídas. Os dados individuais passarão a constituir um fluxo, um rio (pessoal) alimentado a partir de diversos afluentes (cada conta do indivíduo em cada serviço) e que é intermutável com os outros fluxos. As ferramentas de edição serão substituídas, na importância, por ferramentas de pesquisa, etiquetagem e validação. Quando olhamos hoje para a tecnologia, o que vemos nascer são os alicerces desse edifício colectivo.
October 17 2009, 8:30am | Comments »
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Conteúdos pagos: não há lugar para 100 clones e imitações do WSJ, apenas para o original
De uma entrevista ao Diário Económico: Rebeca Venâncio: Algumas edições online de jornais portugueses adaptaram algumas modalidades pagas, como o Público ou o Expresso. Haveria“espaço” para mais que isto no nosso país? Paulo Querido: Essas experiências foram feitas numa fase demasiado cedo e depressa abandonadas: num ambiente de rede, ter os conteúdos por detrás de um muro é um atalho directo para a irrelevância. Só conteúdos de grande valor poderão ser vendidos. A informação geral, o noticiário, e respectivo acesso, não possuem valor suficiente para vender. Respondendo directamente: o espaço, ou melhor, a atenção das pessoas está cá, com total disponibilidade, e vai ser preenchido por produtos oriundos de outros lugares porque em Portugal os produtores de informação não se colocaram no mercado. Do qual, ainda por cima, desconfiam. RV: Apesar do sucesso do caso do Wall Street Journal com a edição online paga, isto fará sentido em todas as publicações? PQ: Não. O WSJ é um caso à parte. Em Portugal, não há nenhum exemplo de jornal, online ou offline, cujo valor intrínseco justifique o pagamento de uma mensalidade. Repare-se que o negócio das assinaturas, que chegou a ser importante para alguns jornais, é da área dos transportes e não da área do jornalismo. Só jornalismo de alta qualidade é vendável enquanto produto, na rede. Nem sequer a opinião reputada tem valor comercial online. Não há lugar para 100 clones e imitações do WSJ: apenas para o original. RV: Acha que seria possível concretizar-se em Portugal um consórcio como o que Murdoch está a promover? PQ: Possível, claro que sim. Em Portugal todos os erros são possíveis no campo dos media. Não apenas possíveis: são prováveis. RV: Dos vários modelos que existem para as edições online (pago, gratuito, misto…) qual considera ser o melhor? PQ: Nesta altura ainda prematura do caminho das edições online, sabemos isto: que fechar a edição é um erro crasso, capaz de levar à extinção; que a atenção das pessoas se tornou captável por milhares de concorrentes, e não apenas pelos com capacidade económica para montar uma rotativa ou estação de televisão; que com os preços ditados pela Google a publicidade não vai pagar o profissionalismo editorial; w que nenhum modelo realmente se impôs. Penso que a experimentação contínua, a extrema atenção às comunidades e não temer arriscar são mais importantes nesta fase. Sintetizando: não há um modelo, há vários, que devemos testar ao mesmo tempo. Mais fácil é indicar o pior modelo. E o pior modelo é o muro pago. 99% do actual negócio dos media desaparecerá com ele. Murdoch sabe disso e está apenas a tentar assegurar que será ele o 1% restante.
October 15 2009, 2:30am | Comments »
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Trabalhar na indústria dos media impressos, hoje
http://pauloquerido.pt/media/trabalhar-na-industria-dos-media-impressos-hoje/
Como é trabalhar na indústria dos media impressos, hoje.
October 9 2009, 2:00am | Comments »
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Nenhum jornal português no Kindle lançado a 19 de Outubro
http://pauloquerido.pt/tecnologia/nenhum-jornal-portugues-no-kindle-lancado-a-19-de-outubro/
Nenhum jornal português estará disponível no Kindle, o leitor electrónico que a Amazon se prepara para lançar ao mundo, depois de anos comercializado exclusivamente nos Estados Unidos. Mas o português fará parte do aparelho: o jornal brasileiro Globo integra a selecta lista de apenas 52 jornais que se poderão descarregar para a primeira versão internacionalizada do Kindle, com lançamento simultâneo numa centena de países, no dia 19 de Outubro. Em contraste, o Kindle virá com 3 jornais espanhóis — a Espanha é o segundo país da Europa, depois do Reino Unido, com 4, e à frente de França e Alemanha (2) e Irlanda (1). São eles o Diariocritico (um diário de Valência), o AS (da Prisa, grupo presente em Portugal) e o El País. A Amazon vai comercializar o aparelho a 279 dólares (aprox. 190 euro). Além dos 52 jornais e de news magazines americanos e internacionais (em inglês), a Amazon tem mais de 200.000 livros já formatados para o seu leitor.
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October 8 2009, 2:00am | Comments »
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Público: dossiê eleitoral renovado
http://pauloquerido.pt/media/publico-dossie-eleitoral-renovado/
O dossiê eleitoral do Público, que continua a ser o mais completo e eclético website com informação acerca das eleições, tem vindo a ser melhorado constantemente e na última semana da campanha para as legislativas apresenta-se renovado. Além da informação da responsabilidade do Público e da opinião dos seus bloggers convidados, o dossiê integra o que se escreve sobre as eleições nos outros órgãos de informação (o que mais nenhum faz…) e ainda o que blogam, tweetam e comentam os cidadãos. Mas não se fica por aí: agora o dossiê passou a incluir uma nova zona — o que escrevem os candidatos em nome individual, ou os canais oficiais das candidaturas, tanto para a Assembleia da República como para as autarquias.
À primeira página voltaram também os gráficos com a Sondagem das sondagens — a média aritmética das sondagens publicadas este mês — e um gráfico com a evolução das sondagens ao longo do tempo. A nova zona está agora também na primeira página, mas já há algum tempo que podíamos seguir num fluxo único as conversas que os candidatos mantém dispersamente no Twitter. Esta zona, a que chamámos de discurso directo, funciona também como uma mini-enciclopédia de acesso rápido aos políticos portugueses. Além da função de agregador, possibilita a centralização de informação sobre cada candidato e a sua presença nas diversas redes que compõem a Internet. As fichas são editáveis pelos próprios candidatos, que podem completar ou rectificar a informação disponível sobre eles. Estas fichas são inéditas: desde que completadas, em mais nenhum local — muitas vezes, nem nos sites dos candidatos… — encontraremos tanta informação sobre eles. Se é candidato à A.R. ou autárquico, verifique se a sua ficha já está aberta. Em caso negativo, basta fazer login e depois do pedido ser confirmado por editores (os automatismos não chegam para filtrar abusos) a sua ficha estará activa. Se já está a ser rastreado, pode editá-la e preencher os campos que estejam ainda em branco.
September 25 2009, 2:00am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
The Twitter Times, o seu jornal instantâneo
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O conceito nada tem de extraordinário e vários outros sites permitem agregar e separar tweets e links de forma a extrair deles melhor informação. Mas a aproximação, a embalagem e sobretudo a simplicidade são os factores diferenciadores deste The Twitter Times, um serviço recentíssimo, que se anuncia como “um jornal personalizado em tempo real, gerado a partir da sua conta Twitter“. O video de explicação (ver mais à frente) é, para já, a única perspectiva que podemos ter sobre as intenções dos autores: o site arrancou em beta por convite e não tem blog. Apenas tem conta Twitter: TwtTimes. É por ela que ficamos a saber que a fase alfa privada começou no dia 1 de Agosto. Mas só este mês o serviço arrancou realmente. O principal ingrediente é o aspecto de jornal. O serviço vai buscar os tweets dos nossos followers, separa os que têm links e cria um jornal personalizado com base nesses links, sejam eles de notícias de imprensa, de blogs ou outras fontes. Ainda acrescenta valor, na forma que se está a tornar convencional: descobre quantas pessoas, dentro e fora da nossa rede, também usaram cada link, de forma a estabelecer uma hierarquia de importância. É curioso ver um webservice americano num domínio espanhol: The Twitter Times está no domínio twittertim.es. Em termos de design, o The Twitter Times divide-se em duas colunas: “What’s Hot” e “Top News History”. A primeira é a de construção rápida, enquanto a segunda identifica histórias que ficam mais tempo nas timelines. Não podia faltar o botão de retweeting e a lista de quem partilhou cada link.
The Twitter Times – Video Tour from Maxim Grinev on Vimeo.
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September 20 2009, 8:00am | Comments »






