Crédito da foto: jemasmith (via Flickr) Joel Neto escreveu no Diário de Notícias, na sua “Crónica de TV”, que “enquanto ninguém regular o YouTube, crimes como este continuarão a ser praticados todos os dias” (ver João Malheiro e as loiras) Eu concordo quando Joel Neto escreve: “Os palavrões não interessam. O marialvismo ainda menos. Onde quer que haja dois homens sozinhos e duas loiras desfilando em frente, as possibilidades de haver marialvismo e palavrões são grandes (em todas as actividades, em todas as classes sociais, em todas as idades)“. Admito que os palavrões e o marialvismo incomodem tantas e tantos, mas concordo: não é coisa a que ligar por aí além e eu não o faço. Mas lamento a frase seguinte: “O que esta história nos mostra, principalmente, é que o YouTube precisa de regulação. E que, enquanto ninguém o regular, crimes como este (o da exposição de uma conversa privada, entre outros) continuarão a ser praticados todos os dias um pouco por todo o mundo.” Não, a história não mostra tal coisa, nem mesmo secundariamente. Em primeiro lugar, o YouTube não precisa de regulação. Já a tem. Bastava uma palavra da SIC e o video era retirado. Em segundo lugar, a regulação do Youtube não evitaria este “crime” (meto aspas nisso, evidente). A única forma de impedir que as pessoas partilhem videos deste género no YouTube é impedir que as pessoas partilhem videos no YouTube. Em terceiro lugar, o que Joel Neto resolve é colocar o ónus na pistola e branquear quem a disparou. (Regular as pistolas impediu os assassinatos, Joel?) O que a história mostra é que persiste na classe jornalística portuguesa um elevado grau de desconhecimento sobre a natureza, as práticas e o dia a dia das redes socias. Podemos enfeitar as crónicas do Joel Neto, do Miguel Sousa Tavares e de tantos outros com um botão de partilha por baixo e uma caixa de comentários, a modernidade fake e pirosa. Mas não podemos meter conhecimento do ecosistema reticular naquelas cabeças. Preferem manter os preconceitos da Idade Média dos anos 90: ladrões, vigaristas, prostitutas, criminosos, psicopatas e doentes vagueiam pelas noites escuras da Internet em busca de sangue, engates, pilhagens, efabulando-se como as vítimas preferenciais de tal súcia. As árvores morrem de pé e assim. Nota: fui colega do Jorge Baptista e custa-me, naturalmente, vê-lo passar por este triste episódio. Shit happens. Vejo em José Augusto Marques um bom profissional e não tenho uma ideia sobre João Malheiro, à parte recordar o seu vozeirão.
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Joel Neto e o YouTube
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July 30 2009, 7:50am | Comments »
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Se o Homem andasse na Lua – hoje?
http://pauloquerido.pt/media/se-o-homem-andasse-na-lua-hoje/
If Man Walked on the Moon Today é uma brilhante video-ficção da Slate que diz muito, quase tudo, sobre a natureza dos media e a sua evolução nestas 4 décadas (e, gente, eu sinto-me privilegiado por ter assistido a elas!).
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July 21 2009, 9:37am | Comments »
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Declaração de Hamburgo: o beco sem saída
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Foi ontem noticiada a “Declaração de Hamburgo” — um comboio em que a locomotiva é o Doutor Francisco Pinto Balsemão e as carruagens “a maioria dos principais grupos de media”, sendo o destino fazer com que a empresa Google pague pela “utilização” dos conteúdos. É um beco sem saída. A Google, Inc. teria de deixar de ser a Google, Inc., o que é pouco crível que venha a acontecer, digamos assim.
Nutro ternura e admiração pela figura de Pinto Balsemão, que já foi meu patrão e para cuja estrutura continuei a fornecer serviços de jornalismo, regular ou ocasionalmente, depois de me despedir do quadro do Expresso a meio da década de 90. Entendo-o. O apelido Balsemão confunde-se com o jornalismo português na segunda metade do século passado. Impregna-o. Marca-o. Francisco Pinto Balsemão deu a melhor continuidade à obra iniciada pelo seu tio e construiu o único império de media digno desse nome (falar da “maioria” dos “principais” “grupos de media” é simplesmente ser bem educado e polido para com 2 das 3 empresas por que se dispersam uma trintena ou duas de títulos que fazem 98% da actividade mediática nacional). Foram bons tempos, excelentes tempos. Foram os tempos do “venha a máquina, nós cá estamos”, uma frase que Pinto Balsemão recordará. A ligação emotiva a esta frase une-nos algures nessa história romântica dos jornais, do jornalismo “heróico” e da modernização dos media. Esses tempos, caracterizados por lucros fáceis e confortáveis que davam para (quase) tudo, terminaram. Não voltarão, ou pelo menos não se vislumbra como podem voltar uma vez que se estão a evaporar os seus alicerces. A começar pela quebra de barreiras geográficas naturais, iniciada pelo cabo e completada pela Internet, e a pulverização das barreiras artificiais. Balsemão é o último imperador de uma indústria que se viu subitamente de pantanas, entalada por duas crises: a crise geral do “sistema financeiro” em pirâmide, que afectou tudo mas é epidérmica, e a crise da mudança de paradigma da indústria mediática, que afecta apenas os capitães dela e os seus dependentes, sendo endógena e profunda. Procurar a resposta para a crise nos bolsos da Google não dará resultado. Não vai resolver nada. A saída para a crise — para qualquer delas, aliás — não passa pela porta da Google, isso posso eu garantir com um razoável grau de certeza, alicerçada na leitura de quem a acompanha em todos os seus detalhes. A Google responderá sempre o mesmo: “não obrigamos ninguém a ser indexado por nós”. Pelo contrário, a Google explica, minuciosa e pacientemente, o que fazer para evitar ser indexado. É simples. Não exige, sequer, comprar empresas tecnológicas. Qualquer pessoa é capaz de editar um ficheiro de texto e copiar a linha que a Google, simpaticamente, fornece — e se pode encontrar em milhares de sites e até enciclopédias. Uma linha que diz: Google, não quero ser indexado. Duas palavras bastam para tirar dos resultados do Google milhões de páginas de uma só vez (aqui). Não existindo, da parte da Google, a mínima pretensão a obrigar, ou sequer forçar, ou mesmo levar os editores de conteúdo a deixarem-se indexar, fica um pouco difícil pedir dinheiro à empresa por uma actividade comercial que ela, em primeiro lugar, não pretende ter, não reivindica e diz, clara e repetidamente, não desejar, informando prontamente como evitar a indexação pelos seus robôs e só faltando gritar aos impertinentes que o façam e desamparem a loja de uma vez por todas (a atenção tem um preço). Posto de outro modo talvez fique mais fácil de perceber. Suponha o leitor que é o CEO da Google e eu sou o seu accionista. Explique-me muito claramente, sob pena de eu convocar uma assembleia geral para correr consigo por gestão irresponsável, qual é a lógica de dividir o MEU quinhão com uns fulanos do século passado, meio anacrónicos, e sem nada na mão para oferecer. É que eu, accionista, não ganho nada com esse “negócio”. Os media não têm nada para dar à Google em troca de uma percentagem do que supõem ser os lucros por indexar os conteúdos deles (só pensar isto mostra o quão distantes estão da realidade de hoje os donos dos impérios de media do século passado). As marcas de media valeram muito numa economia de escassez e fronteiras, naturais e artificiais, criadas para maximizar o lucro, mas valem pouco numa economia de abundância, aberta, e onde as fronteiras ou não existem, ou são, graças ao extraordinário poder dos microprocessadores e da rede, ridicularizadas por um adolescente medianamente formado e com três tardes por semana livres. Não se espantem pelo encolher de ombros da Google, pouco ou nada impressionada com os prefixos e sufixos dos cartões intitulados “Declaração de Hamburgo”. A Google vive neste paradigma: por cada Expresso, SIC ou Blitz que se desindexe, surgem dez TMZ, Huffington e Techcrunch a ocuparem — com a clara vantagem dos nativos deste meio — o seu lugar. [ Quem diz Google, diz qualquer outro buscador ou agregador. A mesma regra aplica-se. ] Há outro aspecto para o qual chamo a atenção. A abordagem é feita pelo lado errado. Pelo lado dos direitos de propriedade industrial, ou de autor. Locomotiva e carruagens do comboio chamado “Declaração de Hamburgo” parecem ingenuamente pensar que basta invocar direitos para que os juízes, impressionados pelo peso das suas marcas, resolvam que é disso que se trata. Qualquer advogado estagiário terá no entanto a delicadeza de fazer notar que não, nã há violação, os direitos de propriedade estão respeitados por um título e um excerto de duas linhas, conteúdos promocionais estes aliás distribuídos pelos publishers na esperança de alguma publicidade feita por aí, sem pagar um cêntimo, diz a lei preto no branco, mas — ei! — passamos a mostrar só título, se tanto insistem. [ E no fim sempre o argumento indestrutível, as duas palavras redentoras, Utilizador-Agente: Googlebot Não permitir: / ] Na realidade, nem é disso que se trata. Directo ao metal? Cá vai: o Google não é uma redacção, o Google não copia, publica ou republica. O Google não é um blog nem uma rede social nem uma cena marada de P2P para a malta trocar ficheiros com as páginas dos jornais. O Google distribui links para os conteúdos dos outros. O Google também fornece, a título pessoal, tecnologias de distribuição, agregação, e partilha a quem as desejar, grátis ou a pagar. [ O Google tanto distribui A Alta Qualidade como a baixaria -- e adivinhem o que a gorda maioria dos seus clientes lá vai pesquisar. ] Onde o Google toca é no equivalente, no meio ambiente reticular, da indústria da distribuição. Não na indústria da edição e publicação! Logo, não faz sentido algum atacá-la com os argumentos da propriedade industrial. O problema de Pinto Balsemão é que, como dono da cadeia de valor dos media de uma ponta (criação) à outra (venda) passando pelo meio (edição e distribuição), se habituou a não distinguir as parcelas. Para ele, o negócio é um todo. E como tal usa a marreta que considera mais indicada e neste caso achou que podia martelar pelo lado “sensível” dos “direitos de propriedade”. Mas na realidade não é um todo, nunca foi — e muito menos numa altura de desconstrução. A Google, que é o novo quiosque, telecomando e carrinha distribuidora, não é pressionável pelo lado da “propriedade industrial”, pois não produz, emite, copia, u republica um único todo coerente. Mesmo o que distribui (links relevantes) não está apresentado com o cuidado de fazer sentido, ou sequer ser legível. Aliás, quem decide o que é apresentado pelo Google é o editor da página. No meu caso, faço o que posso para que o título seja [ Ainda eu, accionista, para o CEO da Google: qué quê, eles deviam PAGAR para estarem indexados, nós é que lhes levamos clientes. (E não me espantaria de ver algo parecido com esta tirada aparecer nas negociações mais tarde, isto se vierem a existir negociações, uma alternativa é a Google fazer uns agregadores para os jornais, para cada um ter o seu "news.google.zbr", e cobrar uma percentagem indeterminada e leonina para mostrar anúncios seus nas propriedades dos jornais. Mais do mesmo, com outro nome.) ] O valor que o motor de pesquisa Google gera é fabricado a partir da sua própria actividade — encontrar o mais relevante resultado para cada pesquisa — e não depende um milímetro, ou fracção, do valor dos conteúdos de que são proprietários legítimos e reconhecidos os ocupantes do comboio “Declaração de Hamburgo”. Fica difícil estender a mão e exigir contrapartidas (João Palmeiro que me desculpe). O Google é cego — ou, para os correctos, neutral. O Google não se alcandorou à tarefa de tornar os conteúdos existentes mais interessantes e promover novos conteúdos — o que poderia envolver negociações com publishers reputados para o bem estar comum — mas atribuiu-se a si próprio a incumbência de indexar o maior número possível deles e aplicar-lhes valor através de um algoritmo. Este algoritmo não mede o valor intrínseco de uma página ou conteúdo (paradigma old media) mas sim o seu valor exógeno — isto é, como é percepcionado e “avaliado” pelos pares (peering) do meio que o enquadra (paradigma new media). O Google não quer saber — não quer mesmo, é um conceito alienígena para ele — o que pensam os produtores de conteúdos do que produzem, e uns dos outros. A maior parte do lucro dos media resultou das fronteiras naturais, geográficas e tecnológicas. Numa frase: a indústria dos media foi verdadeiramente uma indústria de transportes, e não uma indústria cultural (quem desejar meta-lhe as aspas), na medida em que o lucro vinha não da produção do bem cultural, mas da sua distribuição ou exibição. A história comprova: ao longo dos tempos o valor deslocou-se da cadeia produtiva, com quedas consecutivas dos preços da matéria prima, seus artífices e suas ferramentas de moldagem, para a cadeia distribuidora (jornais, quiosques, distribuidoras, licenças de rádio, licenças de televisão, salas de cinema, prateleiras de livrarias e supermercados). Pressionar o Google pelo lado da produção (a propriedade industrial) é absurdo e inconsequente. Talvez o Google seja pressionável pelo lado da distribuição. Mas não com ameaças frontais. O que se consegue, indo por aí, é continuar a deslocalizar o valor da indústria dos media, desta vez das montras para os tribunais. Os chefes da indústria musical lançaram-na por esse caminho autodestruidor — e os lamentáveis resultados aí estão, a gritar aos ouvidos do comboio “Declaração de Hamburgo”, não repitam a gracinha, não repitam a gracinha. A pressão, isto digo eu, deve ser exercida no terreno do Google. Não no campo técnico da pesquisa — duvido que esteja ao alcance de uma Impresa, nem sequer de uma New York Times Company. Mas estes conglomerados de media têm as armas todas necessárias para tirar clientela à pesquisa. Torná-la menos relevante. Ajudar a encontrar a agulha — ou pelo menos famílias de agulhas — no imenso palheiro que é a rede. É uma questão de organização. De agregação. De links. De páginas de entrada. Nem estou a falar de redes sociais, envolvência dos leitores, jornalismo cidadão e bla bla bla socialmente correcto. Ou de jornalismo melhor feito e modernizado (fica para outra vez). Apenas do que interessa aqui: levar olhos aos nossos conteúdos, sejam monetizáveis pela publicidade ou pelo pagamento directo (assinaturas) e indirecto (serviços e produtos a cavalo na marca, as usual). O Facebook e o Twitter não são repetíveis, mas a sua é uma lição valiosa para os media. E não só. A lição: é possível tirar pessoas ao Google. É possível fornecer alternativas, algumas com vantagem, à pesquisa. Mais que possível — é fácil tirar as pessoas ao Google. Há 1 ano, 99% das minhas pesquisas dependiam do Google; hoje estimo em menos de 25% essa dependência — e considero-me melhor informado. Esta é a lição das redes sociais e do peering. Dei o meu exemplo mas perguntem às pessoas, terão milhares de testemunhos idênticos ou parecidos. As “primeiras páginas alternativas” experimentadas pelos grandes jornais americanos e pelas agências mundiais são exemplos mais próximos. Representam o tipo de criatividade reconhecível por qualquer elemento de uma redacção, jornalista ou gráfico. O baixo custo de produção de páginas de entrada, agregadores temáticos, automáticos, filtros e personalização, aplicações para aparelhos (iPhone), etc, é um aliado dos media — assim se decidam orientar para o lado positivo do ambiente reticular. Os links. Cada link interno dentro de uma publicação representa menos uma pesquisa no Google. Se for um link relevante, no contexto da narrativa, no contexto termático, ou no contexto do instante, representa MENOS CINCO consultas no Google. O objectivo, digo eu, não deve ser pretender que o Google pague, coisa que a empresa nunca fará sob pena de comprometer a sua identidade irremediavelmente (hum… ná, não tou nada a ver), mas sim tirar o valor ao Google. Um é irrealista, imaterializável e inconsequente: nem sequer tem valor estratégico uma vez que a Google não se atrasará por causa dessa batalha legal. O outro não passa de um desafio capaz de empolgar (de novo) uma estrutura empresarial. A escolha parece-me simples. Se eu fosse accionista, pedia que o meu dinheiro fosse aplicado no objectivo possível de alcançar e não gasto num ou dois anos de salários do staff jurídico e task forces, por muito nobre que o gesto possa ser. Disclaimer: sou um pequeno prestador de serviços para a Impresa, através da sua participada Sojornal, S.A. O texto acima é da minha autoria, está publicado no meu endereço pessoal ao abrigo de uma licença que me garante a protecção que entendo adequada, e está disponível para indexação em motores de pesquisa, agregadores — e até mesmo para reprodução, nos termos da licença publicitada nesta página, ou pergunte-me como. Imagem: http://www.flickr.com/photos/29058235@N00/ / CC BY-NC-ND 2.0
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July 16 2009, 2:00am | Comments »
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Michael Jackson com forte impacto na Internet
http://pauloquerido.pt/tecnologia/michael-jackson-com-forte-impacto-na-internet/
A morte de Michael Jackson foi o maior acontecimento súbito global que jamais vi na Internet. Ao ponto de ter produzido o tipo de asfixia e paralização dos sites próprio de acontecimentos previstos, como eleições, e súbitos, como os desastres aéreos. Isso e a reconfirmação do Twitter como canal privilegiado para veicular este tipo de informações, tendo batido rádios, televisões e até o Google News, são as duas principais notas da noite. Há que tempos que não se registavam negações de serviço em jornais. O Los Angeles Times esteve em baixo. O site da publicação que primeiro noticiou a morte, a tmz.com (que pertence à AOL), esteve também em baixo a espaços. O site de Perez Hilton, dedicado à vida e morte das celebridades, também se foi abaixo com a procura súbita de confirmação e informação adicional da notícia da morte. Estas paragens foram, aliás, alvo da surpresa de jornalistas que seguem a web a par e passo. MG Siegler titulou, no Techcrunch, que a web colapsou debaixo do peso da morte de Michael Jackson (link) . Em Portugal os sites dos jornais e televisões foram rápidos a apostar na notícia da TMZ, longe do excesso de cuidado da CNN que, escaldada por acontecimentos recentes, passou cuidadosamente o prime time americano a noticiar as notícias dos outros e só admitiu Jackson morto quando o médico-legista confirmou óbito à estação. O tráfego disparou. No Público, a notícia chegou antes da meia noite às 30.000 visualizações e 100 comentários — tendo o tráfego triplicado em relação à media daquele período. Nos outros sites não terá sido muito diferente. Wikipedia: fichas protegidas contra vandalismos A ficha de Michael Jackson em língua portuguesa foi editada a partir de Portugal (um cliente de algum dos serviços Internet da Portugal Telecom) eram 21:51. Tentou colocar o dia da morte. Durante alguns minutos, a ficha teve várias actualizações, com os editores a manterem o cuidado de só deixar a informação do falecimento assentar depois de confirmada. Os brasileiros deram o seu contributo para a discussão, até porque também os seus sites noticiosos apostaram cedo, como os portugueses, na notícia da TMZ. A ficha entrou finalmente em modo protegido às 22:16. Mas actualizada com a data de falecimento. Já a ficha em língua inglesa entrou em modo protegido mais cedo. Assim que sairam as primeiras notícias da hospitalização a ficha era alterada. Eram 21:12. Mas foram poucas edições até 21:45 quando, prevendo o habitual surto de edições bem intencionadas e de vandalismos, um editor fechou o “cadeado” virtual. A partir daí foi sendo actualizada apenas pelos editores da Wikipedia com o estatuto de administrador. Twitter: Jornalistas portugueses atentos… Às 21:46 de Lisboa o @BreakingNews transmitiu no Twitter o sumário da notícia da TMXZ, publicada minutos antes. O primeiro português a dar pelo assunto foi, curiosamente, um jornalista. Ricardo Rosa (@rickyrosa), da SIC.pt, “retuitou” (jargão para retransmitir um tweet de outra pessoa) aquela nota do Breaking News. Eram 21:49. Não menos curioso é verificar a quantidade de jornalistas atentos aos primeiros sinais. O fotógrafo Vasco Casquilho (@Va5co) “tuitou” o transporte de Jackson, em coma, para o hospital, no mesmo minuto que Ricardo Rosa. No minuto seguinte, 21:50, o terceiro português a mencionar o tema foi director-adjunto do Público, Paulo Ferreira (@paulferreira1). Que, aliás, estava duplamente atento, pois que fechava a edição do jornal e esperava confirmação para mudar a primeira página. Nessa espera esteve também o director do Expresso, Henrique Monteiro (@HenriquMonteiro), embora por outra razão: o Expresso avançou com a informação original da TMZ e o director estava atento às edições dos jornais e televisões “pesados” americanos, que demoraram um pouco a confirmar. Do seu iPhone, Monteiro chegou a “tuitar” interrogativamente se teria havido precipitação, pois que o New York Times continuava a não dar a notícia. Mas não: a decisão de confiar no TMZ revelou-se correcta. (Nota: decidir em que fontes confiar é um dos recursos do jornalista mais importantes no ambiente info-riquíssimo da Internet contemporânea. Como ficou bem patente no caso das eleições no Irão, o tempo da ingenuidade já passou e o Twitter é palco de violentos golpes e contra-golpes de informações, misturando-se fontes credíveis com figuras inacreditáveis, incluindo agentes dos serviços secretos, embaixadas e e muita, muita gente a produzir ruído.) … e vitória sobre o Google por KO Daí em diante, e até às 02:00 da madrugada desta sexta-feira, contei 1.881 tweets de portugueses contendo o apelido de Michael Jackson. Isto corresponde a 19,89% do total de tweets registados no período de 5 horas entre as 21:00 de quinta, dia 25 e as 02:00 do dia seguinte. Simplificando: na noite de ontem, 1 em cada 5 tweets portugueses diziam respeito à morte de Jackson. (Para a contagem usei os dados que recolho no âmbito do TwitterPortugal, que rastreia 8.585 contas de portugueses.) Esta percentagem é muito elevada. Não tenho termo de comparação nacional, mas empiricamente estimo que tenha sido o mais global de quantos temas já foram tendência na twitosfera portuguesa. A estimativa vem na sequência de um recorde inédito no Twitter à escala planetária: na noite em que Michael Jackson morreu o seu nome foi responsável por 9 — nove! — das 10 primeiras tendências observáveis no Twitter. Num dado momento da noite elas eram: Pop RIP Michael Jackson
MichaelJackson
LA Times Thriller Ed McMahon (o único não-relacionado) MJ’s RIP MJ P Micheal Did Michael Jackson Empurrada para fora da lista por volta da meia noite, às 4 da manhã já o tema #iranelections voltara à lista das 10 tendências do Twitter, onde tem estado nas últimas duas semanas. Aliás, nunca a vira de lá sair. Os números portugueses estão de acordo, também, com outras observações como a de Ethan Zuckerman, do Berkman Center for Internet and Society da Universidade de Harvard. Da sua conta @EthanZ “tuitou” que Jackson tinha passado as eleições iranianas e a gripe e escreveu: “os meus scripts de pesquisa veêm que aproximadamente 15% de todos os posts no Twitter mencionam Michael Jackson. Nunca vira o Irão ou a gripe passarem os 5%“. Zuckerman foi citado pelo New York Times. O que já se tinha visto e agora se reforçou foi a troca do Google News (e da pesquisa em geral) pelo Twitter. As primeiras informações chegaram por este canal e as primeiras confirmações também. Ainda o Google News apresentava as notícias no tom “estado de saúde desconhecido” e já no Twitter se recebiam as confirmações, a começar pela do Los Angeles Times, que terá sido — calculo, sem meios de garantir — o primeiro jornal a confirmar por outras fontes a notícia avançada pelo TMZ. Finalizando: o papel do canário na mina coube ainda à Wikipedia — que permanece como o sítio mais rápido para perceber as alterações no meio ambiente mediático. No Twitter pode-se perceber a extensão dessas alterações e confirmar não apenas a tendência, como as fontes e as informações. O Twitter é, também, um admirável suporte de transmissão da informação, levando-a a todo o lado, incluindo os meios incapazes, por natureza, de compreender a especificidade da Wikipedia. A velocidade e a elasticidade do Twitter derrotaram a Google enquanto eixo municiador das multidões de editores profissionais e amadores que hoje compõem os media globais. E isto apesar dos problemas técnicos do serviço, que também teve “apagões” durante as cinco horas piores da notícia da morte de Michael Jackson e acabou mesmo por desactivar parcialmente a pesquisa, que durante horas respondeu com atrasos de 10 e 20 minutos. Sendo um dos ícones da cultura pop à escala mundial, a morte de Michael Jackson tinha de ser um acontecimento mediático à justa proporção da sua popularidade. Paulo Querido, jornalista
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June 26 2009, 10:30am | Comments »
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A cultura pop é realmente única
http://pauloquerido.pt/media/a-cultura-pop-e-realmente-unica/
Apesar das suas 23.439.913 visulizações (no momento em que escrevo), não conhecia este video que usa a música de Thriller, expoente do malogrado Michael Jackson. É quatro vezes mais popular, no Youtube, que o videoclip original. A cultura pop é realmente única.
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June 25 2009, 7:58pm | Comments »
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Como as redes sociais podem mudar a história
http://pauloquerido.pt/media/como-as-redes-sociais-podem-mudar-a-historia/
Republico este video de uma das recentes, famosas TED Talks com um recado duplo, por motivos diferentes. Para Marcelo Rebelo de Sousa. E para o Partido Socialista — levantem o som ao limite, baixem as persianas, schiu!, e prestem atenção exclusiva a partir do 15º minuto. Talks Clay Shirky: How Twitter can make history “While news from Iran streams to the world, Clay Shirky shows how Facebook, Twitter and TXTs help citizens in repressive regimes to report on real news, bypassing censors (however briefly). The end of top-down control of news is changing the nature of politics”
June 18 2009, 2:33am | Comments »
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Why is aged news better than… real news?
http://pauloquerido.pt/media/why-is-aged-news-better-than-real-news/
“Why is aged news better than… real news?” pergunta o “repórter” do Daily Show a uma editora em pleno coração do The New York Times. A peça foi para o ar ontem, 10 de Junho, e merece ser vista — em especial pelos envolvidos na indústria dos jornais.
The Daily Show With Jon Stewart Mon - Thurs 11p / 10c
End Times
Daily Show Full Episodes Political Humor Newt Gingrich Unedited Interview
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June 11 2009, 4:59am | Comments »
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As novas fronteiras da criatividade e inovação
http://pauloquerido.pt/tecnologia/as-novas-fronteiras-da-criatividade-e-inovacao/
As novas fronteiras da criatividade e inovação é o primeiro de uma série de artigos para o site português do Ano Europeu da Criatividade e Inovação (Criar2009) em torno dos temas ligados à Internet como um ferramenta de criatividade e inovação. Sem esquecer a informática e o carácter distributivo da rede. Um teaser: “A somar às tecnologias de produção digital a custo residual, a web social trouxe ainda o acesso instantâneo, gratuito e sem barreiras artificiais ao mercado global e a distribuição reticular e viral, onde cada “consumidor” se torna num redistribuidor mais ou menos entusiasmado, num “quase-autor”. Este súbito e extraordinário empowerment tem consequências profundas, não apenas económicas” Leia (e comente) As novas fronteiras da criatividade e inovação
June 10 2009, 9:50am | Comments »
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European Charter on Freedom of the Press
http://pauloquerido.pt/media/european-charter-on-freedom-of-the-press/
Certamente! acaba de subscrever a European Charter on Freedom of the Press. Reproduzo abaixo os artigos, certo de que quando falamos em jornalismo, é da actividade que falamos em geral, e não apenas das indústrias que a suportaram no século XX. Freedom of the press is essential to a democratic society. To uphold and protect it, and to respect its diversity and its political, social and cultural missions, is the mandate of all governments. Censorship is impermissible. Independent journalism in all media is free of persecution and repression, without a guarantee of political or regulatory interference by government. Press and online media shall not be subject to state licensing. The right of journalists and media to gather and disseminate information and opinions must not be threatened, restricted or made subject to punishment. The protection of journalistic sources shall be strictly upheld. Surveillance of, electronic eavesdropping on or searches of newsrooms, private rooms or journalists’ computers with the aim of identifying sources of information or infringing on editorial confidentiality are unacceptable. All states must ensure that the media have the full protection of the law and the authorities while carrying out their role. This applies in particular to defending journalists and their employees from harassment and/or physical attack. Threats to or violations of these rights must be carefully investigated and punished by the judiciary. The economic livelihood of the media must not be endangered by the state or by state-controlled institutions. The threat of economic sanctions is also unacceptable. Private-sector companies must respect the journalistic freedom of the media. They shall neither exert pressure on journalistic content nor attempt to mix commercial content with journalistic content. State or state-controlled institutions shall not hinder the freedom of access of the media and journalists to information. They have a duty to support them in their mandate to provide information. Media and journalists have a right to unimpeded access to all news and information sources, including those from abroad. For their reporting, foreign journalists should be provided with visas, accreditation and other required documents without delay. The public of any state shall be granted free access to all national and foreign media and sources of information. The government shall not restrict entry into the profession of journalism.
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June 9 2009, 9:53am | Comments »
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Dossiê Eleições, do Público: jornalismo inédito em Portugal
http://pauloquerido.pt/media/dossie-eleicoes-do-publico-jornalismo-inedito-em-portugal/
Não se tinha ainda feito uma cobertura assim. O dossiê Eleições 2009 do Público online constitui uma aposta ousada, até porque faz jornalismo inédito em Portugal. Juntamos gráficos dinâmicos à cobertura integral do noticiário tanto do Público como dos outros órgãos de comunicação social relevantes, passando pela blogosfera, pelo Twitter e pelo Flickr, sem esquecer uma zona de comentários própria. Uma operação online sem paralelo cobre os meios tradicionais e os social media, fornecendo um quadro alargado das perspectivas tanto dos jornalistas como dos políticos e equipas envolvidas nas três campanhas, integrando também o público com voz activa na Internet. Eis uma apresentação do que já se apresenta nas três divisões do micro-site em http://eleicoes2009.publico.pt: do Público, da web e dos leitores:
gráficos produzidos em tempo real a partir dos dados recolhidos nas diversas frentes: empresas de sondagens, jornais e televisões, blogosfera, redes sociais e Twitter. Selecção de artigos relevantes, websites, videos, páginas — tudo o que uma equipa especial, composta por jornalistas do Público (a começar pelo seu director, José Manuel Fernandes) e por bloggers experientes, for encontrando na rede, digno de destaque Artigos de opinião dos bloggers convidados — isto é, dos autores deste blog Fluxo permanente das notícias do Público relacionadas com as eleições Apresentação em tempo real dos tweets que falem das eleições e das figuras nelas envolvidas Lista dos posts publicados numa selecção de meio milhar de blogs dos mais relevantes da blogosfera portuguesa Fluxo permanente do noticiário eleitoral da Imprensa online Comentários dos leitores Fotografias de campanha, partilhadas por qualquer pessoa através de contas criadas para o efeito no Flickr
A actualização dos dados é feita permanentemente: diversos infobots recolhem sem parar a informação publicada ou partilhada; scripts avaliam e juntam peças diversas, tomando decisões em função do contexto ou de palavras-chave; de 5 em 5 minutos o site é refeito de cima a baixo — durante a noite esta rotina passa para intervalos de 10 minutos, mas nas vésperas e nos dias das eleições o intervalo desaparecerá, sendo a informação publicada em tempo praticamente real. Para cada uma destas zonas de cobertura há uma sub-página de arquivo. De diferentes técnicas e conceitos emergentes no jornalismo em rede, recorremos ao crowdsourcing (interpretar as interacções de pessoas e agentes como forma de hierarquizar informação), ao jornalista-programador, ao link journalism, à ligação entre profissionais e amadores (Pro-Am), ao data mining e data visualization, à agregação. O dossiê vai evoluir constantemente ao longo dos sete meses de duração da maratona eleitoral deste ano. O micro-site do Público online é o corolário do dossiê, reunindo toda a informação e apresentando-a na sua máxima expressão, mas o dossiê pode ser acompanhado pelos leitores também via RSS e no Twitter, estando previstas versões para mobile, Friendfeed e Facebook, isto para já ;) A terminar: a maior parte do software é feito à medida para esta iniciativa. O conceito partiu da observação de diversas coberturas online das últimas presidenciais americanas, tanto nos jornais como em iniciativas de empreendedores, e foi maturado em Fevereiro e Março últimos, depois do Público ter acolhido a prova de conceito. Por me facultarem o privilégio do acesso a esta experiência em tempos difíceis para os jornais, agradeço ao António Granado, primeiro interlocutor no Público e primeiro entusiasta desta experiência tão inédita quanto urgente no jornalismo português; e ao José Manuel Fernandes, que além de aprovar o orçamento ;) se predispôs a participar activamente. Também na lista dos agradecimentos, mais informalmente, um abraço para o Luciano Alvarez, que em curtos diálogos no Twitter me transmitiu um pedacinho da energia entusiasmante que se costuma encontrar nas Redacções, e de que os colaboradres externos sentem por vezes a falta; e um beijo para a minha mulher, Ana Roque, cúmplice do entusiasmo e da energia, pela paciência e pelo empenho. Veja em http://eleicoes2009.publico.pt o dossiê, ou siga pelo Twitter a conta @eleicoes_09
June 1 2009, 7:30am | Comments »





