Esperando que abra apetite para a leitura do resto transcrevemos um dos textos sobre inventores portugueses da autoria de Ricardo Nabais que saíram hoje na revista "Tabu" do semanário "Sol":Do seminário à música, passando pela investigação da peste bubónica que então assolava o Porto, a vida de António Plácido da Costa é tão rica quanto desconhecida. Nascido na Covilhã a 1 de Setembro de 1848, cedo se percebeu nele uma variedade de interesses que mereciam melhor recordação da posteridade. Contudo, não foi por nenhuma dessas actividades que Plácido inscreveu o seu nome na história da ciência e da técnica. Dedicou-se desde cedo à investigação médica, de início na Escola Médico-Cirúrgica do Porto. Porém, foi a atracção pelos olhos dos outros que o tornou famoso. Em dois anos apenas publicou uma série de artigos com importantes descobertas de técnicas oftalmológicas. Este período coincidiu com a sua ida para Lisboa, onde foi médico-oculista no consultório de Van der Laan, um dos mais importantes da capital na altura. Numa série de dez artigos, Plácido divulgou quatro inventos de grande precisão para avaliar problemas nos olhos. O primeiro, um instrumento de exploração da córnea, revolucionou técnicas de diagnóstico e tratamento desta componente dos nossos olhos. O cientista baptizou-o astigmatoscópio explorador, e hoje é conhecido pelo nome de queratoscópio de Plácido. Ou, de uma forma mais simples, disco de Plácido. Outros, não menos importantes – mas talvez menos decisivos para tornar conhecido o então jovem cientista – permitiam corrigir o estrabismo, entre outras terapias oculares.Alheio à popularidade, criticava-a como algo que era estranho ao universo da razão, esse simples «metro da verdade» que faz parte do «museu métrico da inteligência», como escreveu num dos seus artigos. Plácido deixou de publicar cedo, aos 35 anos, talvez por falta de tempo. O desenvolvimento dos seus inventos e a prática clínica absorveram-no por completo nos anos seguintes. Ainda aperfeiçoou, em paralelo, um telescópio – de acordo com alguns autores, o primeiro todo ele idealizado e feito em Portugal. O tempo livre era para ele um conceito estranho, gozando o pouco que tinha, tal como Einstein, a tocar violino. Com alguma mestria, segundo rezam as crónicas.Ricardo Nabais
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Inventores portugueses: António Plácido da Costa
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October 11 2008, 4:59am | Comments »
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DO OUTRO LADO DA SIDA
http://dererummundi.blogspot.com/2008/09/do-outro-lado-da-sida.html
Agora que Thabou Mbeki, líder da África do Sul e campeão da ignorância científica, devido às suas posições sobre a SIDA (AIDS no Brasil) saiu de cena, é altura de recordar o que sobre a SIDA e sobre ele escrevi no meu livro "A Coisa Mais Preciosa que Temos" (Gradiva). Porém, o futuro líder pode não ser melhor, como relata este post.Convidaram-me na Semana Mundial de Combate à SIDA realizada em Novembro de 2000 para participar numa mesa-redonda intitulada “Do outro lado da SIDA”. Tratava-se de reunir pessoas que, em princípio, não são especialistas na doença, nem no seu estudo nem na sua prevenção e tratamento, não estavam portanto “do lado da SIDA”, mas sim do “outro lado”, o lado dos leigos. Juntaram-se assim, além de um físico, uma socióloga, um psicólogo e um filósofo. O desafio, pela novidade, era aliciante. Assim como era aliciante poder contribuir de alguma maneira para o melhor esclarecimento público sobre a terrível doença. Que tem um físico a dizer sobre a SIDA? Sobre o assunto ele não sabe mais do que aquilo que é divulgado publicamente, em folhetos e nos “mass media”, que a SIDA, síndroma de imunodeficiência adquirida, é uma doença transmitida por vírus, o HIV ou outros do género, que necessitam de um contacto íntimo para se transmitir. Uma vez instalado, fica-se seropositivo: o vírus pode demorar algum tempo a executar a sua missão mortífera, mas acaba em geral por destruir as defesas do organismo, falecendo o seu portador por uma debilitação progressiva. Tal é conhecido de toda a gente, assim como os meios de evitar contactos transmissores de doença. Se acaso houver alguém que ainda não saiba, fica a informação que o vírus não atravessa um preservativo! Também é conhecido que, apesar de não haver actualmente nem vacina nem cura para a SIDA, existem meios de tratamento com relativa eficácia: algumas drogas químicas como o AZT, combinadas e em doses que não deixam de provocar efeitos secundários, podem em muitos casos adiar, mesmo indefinidamente, as manifestações da doença. Em todo o mundo, enquanto a SIDA cresce (nomeadamente em África) são procurados em institutos e laboratórios meios eficazes de prevenir e tratar a doença. E há a esperança que os cientistas consigam um dia vencer o vírus, antes que o vírus nos vença a nós. Um físico, porque conhece por dentro os mecanismos de funcionamento da ciência (e da sua filha, a tecnologia, apesar desta ser uma filha pródiga que saiu de casa e leva uma vida por vezes pouco recomendável), acredita no vírus sem nunca o ter visto, nem mais novo nem mais velho. Sabe que ele foi identificado nos anos oitenta por colegas seus cientistas. Lembra-se bem de ter lido em revistas de divulgação e também nos media o debate sobre a prioridade da descoberta, entre o francês Luc Montagnier e o norte-americano Max Gallo. Sabe que essa identificação passou por um crivo muito apertado que é o reconhecimento dos pares e que só depois disso ela foi publicada em revistas científicas especializadas. Sabe que depois da descoberta esta foi escrutinada e confirmada em numerosos laboratórios e que os novos meios de tratamento se baseiam obviamente na natureza e acção dos microorganismos portadores da doença. Apesar de ser uma doença letal, que chega a todos (e não apenas a homosexuais e drogados, como muita gente julgava), a que alguém já chamou uma “praga do fim do século”, trata-se apenas de um efeito desregulador causado por vírus, que está ser, cada dia que passa, mais bem conhecido e, por isso, mais bem combatido. Mas será que toda a gente sabe que a SIDA vem de um vírus, pequeníssimo e invisível a olho nú, e que, baseado no conhecimento que advém desse facto, actua em conformidade com o nosso melhor conhecimento sobre a propagação viral nos humanos? Infelizmente não... Este é um dos muitos casos de ignorância científica que pululam no mundo moderno. A sociedade moderna é dominada pela ciência mas parece que a mente humana teima em não reconhecer esse domínio. E o pior é quando a ignorância científica está instalada no governo das nações, ampliando devastadoramente os seus resultados a uma escala colectiva. É isto, a falta de cultura científica nos cidadãos e nos governos, que mais pode preocupar um físico, a propósito da SIDA. É um facto que a generalidade dos governos tem actuado de acordo com aquilo que é o nosso melhor conhecimento da SIDA, realizando campanhas públicas de prevenção, fornecendo meios de diagnóstico e modernizando os meios de tratamento. Mas um contra-exemplo que vale a pena apontar como “campeão” da ignorância científica é o actual governo da África do Sul, personalizado na pessoa do presidente Thabou Mbeki. Mbeki, infeliz sucessor do grande Nelson Mandela, diz não acreditar que a SIDA seja causada por vírus. Atribui a doença ao subdesenvolvimento e à má-nutrição, chegando a sugerir que são os próprios meios de tratamento (o AZT e outros) que causam a doença. Morrer-se-ia não da doença mas da cura! O seu pensamento radica numa ideia muito “sui generis” e muito errada de ciência, que faz lembrar a “ciência alemã” do tempo da Segunda Grande Guerra. O que é africano ou sul-africano é bom, o que vier de fora é necessariamente mau. A tal ponto que, quando alguns médicos sul-africanos propuseram um remédio absurdo para a SIDA (o viroderme, que tanta controvérsia deu mas de que já ninguém fala, e que apareceu associado ao nome de uma médica portuguesa), tal solução foi imediatamente apoiada por autoridades sul-africanas em detrimento de outras que, apesar de cientificamente mais sólidas, não eram africanas. Mbeki chegou a patrocinar reuniões sobre a SIDA em que cerca de metade dos convidados eram vozes heterodoxas dos meios médicos e farmacêuticos, que são ultra-minoritários na comunidade científica, procurando auxílio científico às suas teses. Pode parecer estranho a um leigo que a ciência contenha contradições e contraditores. Pois não é a ciência certa? Não, a ciência não é certa, mas contém em si, no seu método, um caminho para nos livrarmos progressivamente da incerteza. Para nos livrarmos do erro. E o método científico tem o seu juiz no consenso da própria comunidade científica especializada num dado assunto, perante todo o conjunto de provas produzidas. Não é de maneira nenhuma necessária unanimidade para se chegar a um resultado científico mas tão só e simplesmente maioria (quantos disparates se ouvem por aí por não se conhecer a metodologia científica: veja-se o caso português da co-incineração!). Há uns, poucos, cientistas que não acreditam no vírus: um deles é muito conhecido, Peter Duesberg, professor de Biologia Molecular na Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos. Não são necessariamente pessoas estúpidas, apesar de também o poderem ser. E têm todo o direito a expandir a sua opinião (fazem-no de resto muito bem na Internet). É bom que a exprimam porque a ciência vive da disputa viva, do choque dos contrários. Mas a esmagadora maioria dos cientistas da SIDA reconhece a descoberta do vírus como a maior e melhor peça de conhecimento sobre a SIDA disponível até hoje, desenvolvendo a sua actividade em conformidade. Na África do Sul continua-se a morrer estupidamente de SIDA. Actualmente, cerca de 15% dos adultos de sexo masculino estão infectados e tal número tem uma tendência muito perigosa a crescer. Morre-se por ignorância própria (promiscuidade sexual, por exemplo) mas também por ignorância do governo (que dificulta a experimentação de fármacos anti-SIDA). Morre-se até inocentemente como as numerosas crianças que recebem o vírus no ventre ou dos seios de mãe seropositiva, sem que o governo e as autoridades de saúde lhes dêem qualquer atenção e prioridade. Morre-se – e é uma das piores mortes – de ignorância científica. Saber alguma ciência, reconhecer o valor e o poder da ciência, actuar de acordo com o que a ciência actual diz pode ser uma questão de vida ou de morte. E é isto o que um físico tem a dizer sobre a SIDA.
September 28 2008, 3:33am | Comments »
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Doença e saúde
http://dererummundi.blogspot.com/2008/09/doena-e-sade.html
O que é estar doente e o que é ser saudável?
September 22 2008, 1:00pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Mais Pseudo-Ciência "New Age"
http://dererummundi.blogspot.com/2008/09/mais-pseudo-cincia-new-age.html
Aqui no "De Rerum Natura" já temos revelado alguns exemplos nacionais de pseudo-terapias "new age". Fernando Gouveia, no seu blogue "Não tenho vida para isto", conta-nos um outro caso, começando assim:" Descobri hoje a “Escola Bio-Integrativa”, instituição que funciona num apartamento em Quarteira. Esta escola, que pertence à organização “Nave Dourada ND-11” (com instalações também em Oeiras e no Porto), realiza diversas actividades, entre as quais a «bioterapia integrativa», que «permite o reequilíbrio energético do corpo físico e dos corpos subtis e a obtenção de estado mais elevados de encontro com os planos da consciência pessoal terrena». Se acham que isto não é para vós, enganam-se: «A BioTerapia Integrativa destina-se a todos os que procuram um sentido mais amplo e consciente de viver.» "O resto pode ser lido aqui.
September 20 2008, 3:20am | Comments »

