(...)O grande obstáculo é agora conseguir que as orientações da direcção cheguem intactas no final da corrente de transmissão: "Pôr toda a gente a trabalhar junta é o nosso principal desafio, sobretudo porque é imprescindível uniformizar as práticas de escolas que antes tinham métodos de trabalho distintos." Legislar por "despacho" passou a ser o caminho mais rápido e fácil. Os professores tiveram de se habituar às "ordens de serviço" que, em muitos casos, substituíram o debate e a partilha de decisões. A internet entrou no quotidiano das escolas pois é a única ferramenta que permite manter a comunicação com o mínimo de falhas: "Passámos a usar um portal que está em actualização permanente."(...)FonteOs mega-agrupamentos são, em muitos casos, a declarada desistência de se construir uma escola que seja uma organização articulada e coerente. Frutos de diversas ilusões tecnocráticas bem poderão ser a instauração decretada da balcanização e da anarquia organizada.
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Mega-Agrupamentos: uma desgraça que tem ainda muito que contar
http://terrear.blogspot.com/2011/02/mega-agrupamentos-uma-desgraca-que-tem.html
February 4 2011, 3:40pm | Comments »
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Rede Escolar e participação democrática
http://terrear.blogspot.com/2010/10/rede-escolar-e-participacao-democratica.html
Divulgo e saúdo posição do Conselho das Escolas sobre os conhecidos Mega-Agrupamentos: Regulamentação do ponto 6, artigo 6º do DL nº 75/2008, de 22 de Abril -em resumo: "Em linhas gerais e relativamente ao encerramento de estabelecimentos de educação e à extinção de agrupamentos de escolas, o Conselho das Escolas considera:a. Que é fundamental o envolvimento das comunidades educativas locais nas tomadas de decisão e que não se podem impor alterações profundas na rede escolar – como sejam o encerramento deestabelecimentos de educação e a extinção, simples ou por agregação, de agrupamentos de escolas – sem envolver as respectivas comunidades educativas e sem obter a anuência das instituições que as representam, desde logo, a Câmara Municipal;b. Que as escolas e agrupamentos de escolas são instituições-âncora necessárias à fixação daspopulações no território e se constituem como instrumentos de planeamento regional, imprescindíveis a um combate eficaz à desertificação do interior do país e à diminuição das fortes assimetrias regionais que se têm vindo a agravar;Pelo que:c. Discorda de qualquer encerramento/extinção de escolas/agrupamentos efectuados à revelia dasescolas e dos respectivos Conselhos Gerais,d. Discorda de qualquer encerramento/extinção de escolas/agrupamentos, da iniciativa das DREs, que não obtenham o acordo expresso das respectivas Câmaras Municipais, antecedido de pareceres formais dos respectivos Conselhos Municipais de Educação,e. Discorda de qualquer encerramento/extinção de escolas/agrupamentos, da iniciativa das Câmaras Municipais, sem pareceres concordantes dos respectivos Conselhos Municipais de Educação e que não obtenham o acordo expresso das respectivas DREs."Enquanto Presidente de uma Assembleia Municipal e membro por inerência de um Conselho Municipal de Educação não deixarei de tomar posição.
October 31 2010, 3:59am | Comments »
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Políticas
http://terrear.blogspot.com/2010/09/politicas.html
Mais duas sequências da entrevista de Licínio LIma ao Jornal da Fenprof (Julho de 2010):Esse centralismo, além de não criar soluções, envolve também uma faceta autoritária?L.L. – Sem dúvida. Como os problemas mais típicos e complexos da "escola de massas" exigem soluções políticas e organizacionais diversas e contextualizadas, única forma de responder positivamente à crescente diversidade das escolas públicas e dos seus alunos, o centralismo revela-se inconsequente em termos educativos e pedagógicos, assumindo dimensões autoritárias, próprias de uma oligarquia que, por definição, é incapaz de corrigir os seus erros e de se descentrar das suas lógicas de controlo. À ponta da baioneta, as escolas são transformadas em repartições.(...)O que é que o sistema educativo precisa realmente?L. L. – A forte centralização da administração educativa é o principal problema que atinge hoje a Escola Pública em Portugal e ou damos passos importantes na democratização do governo das escolas ou não resolveremos nenhum dos outros problemas.As escolas precisam de mais autonomia, de mais responsabilidade. É ineficaz uma política que pretende impor soluções a régua e esquadro – do poder central sobre os professores.Para ser rápido, posso dizer-lhe que precisamos de um Ministério da Educação mais humilde, mais moderado, com mais consciência dos problemas, mais próximo das escolas, mais solidário. O poder central atrapalha muito…Já agora: precisamos de um órgão de verdadeira direcção, que não é o actual Conselho Geral.
September 9 2010, 3:04am | Comments »
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Nas Escolas Pequenas os Alunos não Aprendem...
http://terrear.blogspot.com/2010/09/nas-escolas-pequenas-os-alunos-nao.html
Licínio Lima ao jornal da Fenprof:Em Portugal descobrimos uma teoria nova, um contributo que damos para a Humanidade: nas escolas pequenas os alunos não aprendem. E assim, enquanto na Finlândia uma escola secundária tem uma média de 400 a 500 alunos, no nosso país a administração quer fundir escolas e criar super-estruturas organizativas com centenas de professores e milhares de alunos…
September 9 2010, 2:42am | Comments »
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STOP à irresponsabilidade de prosseguir a conglomeração de escolas
http://terrear.blogspot.com/2010/09/stop-irresponsabilidade-de-prosseguir.html
Prosseguir com a irresponsabilidade de amontoar alunos, conglomerar escolas em nome da economia, da eficácia, do prolongamento do ensino secundário, e da hipocrisia das aprendizagens dos estudantes, é um grave atentado às qualidades educativas. A ver se fundamento esta tese.
September 8 2010, 3:18pm | Comments »
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Uma questão prévia fundamental
http://terrear.blogspot.com/2010/07/uma-questao-previa-fundamental.html
Tem a ver, não com a conglomeração de escolas e os ajuntamentos forçados, mas com a ordenação do sistema educativo, a organização dos seus ciclos de estudo, num quadro legal de escolaridade obrigatória de 12 anos. Este novo quadro legal aconselha, vivamente, a rever o organograna do sistema educativo, ponderando as finalidades, natureza, organização, duração de cada ciclo de estudos. E neste cenário o actual ensino secundário pode fazer pouco sentido.Esta é a questão essencial e preliminar a qualquer grande movimento na "rede escolar". Mais uma razão para suspender o que comprovadamente está mal feito e começar pelo princípio.
July 11 2010, 3:30pm | Comments »
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Não podemos ignorar....
http://terrear.blogspot.com/2010/07/nao-podemos-ignorar.html
Há cerca de duas semanas a Directora recebeu um telefonema da DRE a convocá-la para uma reunião. O tema seria a reorganização da rede escolar. Tendo em conta o que tínhamos lido e as notícias de outras escolas percebemos logo qual o verdadeiro objectivo da conversa.No dia em questão estiveram presentes na reunião a Directora da Escola X e a Directora do Agrupamento de escolas de Y. Da parte da DRE, o Director Regional Adjunto e outro elemento. Foi invocada a proximidade geográfica das escolas, a continuidade pedagógica, a escolaridade obrigatória, etc. A minha Directora alertou para o facto da nossa escola ser uma escola sui generis, com graves problemas ao nível da indisciplina, carências económicas e sociais, abranger bairros problemáticos e ter um passado de violência que levou inclusive ao encerramento da escola pelos pais. Invocou a necessidade de os alunos sentirem uma autoridade firme na escola e exprimiu os seus receios face ao que eventualmente possa vir a acontecer quando os alunos sentirem que a Direcção está ausente. Nada valeu a pena. Foi dito às duas Directoras que tinham que se entender para formar uma CAP (Comissão Administrativa Provisória) que seria constituída por um Presidente e dois vogais. Na escola EB 2.3 irá ficar um Coordenador de escola com redução total de componente lectiva, à semelhança do que já existe nas escolas do 1º ciclo. Os Serviços Administrativos vão igualmente passar para a Escola Secundária (se lá couberem!!!!). Na EB 2.3 irão ficar apenas uma ou duas funcionárias dos Serviços Administrativos (por enquanto). A 31 de Maio de 2011 já terá de estar eleito o novo Director.Foi-lhes solicitado que se entendessem para que a CAP integrasse as duas. Como nenhuma das duas manifestou intenção de trabalhar com a outra, foram informadas que teriam que formar cada uma a sua lista e apresentá-la à DRE até esta segunda-feira que passou. Foi o que fizeram. Hoje chegou a decisão do Sr. Director Regional. A CAP escolhida foi a apresentada pela minha Directora. A nomeação terá efeito a partir de 1 de Agosto.O Agrupamento de escolas de Y tem cerca de 1500 alunos e 160 docentes. Os assistentes técnicos e operacionais pertencem aos quadros da autarquia. Temos 8 funcionárias nos Serviços Administrativos. Do nosso agrupamento fazem parte 3 escolas do 1º ciclo, 3 Jardins-de-infância, 1 EB1/JI e a escola sede, a EB 2.3. Temos uma elevadíssima percentagem de alunos carenciados e de processos disciplinares. Não tenho dados sobre a outra escola. Do que ouvi dizer não chega a 1000 alunos. Tem cursos profissionais, ensino nocturno, Centro Novas Oportunidades, enfim um mundo que muito nos preocupa, porque o tempo escasseia e o ano lectivo está aí a começar e não podemos fazer nada até 1 de Agosto, pelo menos no que se refere à outra escola. Nessa altura a maior parte dos professores estará de férias. De um total de 8 elementos (5 + 3), vamos enfrentar esta luta com apenas 3 elementos.Sabe professor, fiquei indignada quando vi em alguns blogues que colegas nossos estavam satisfeitos com o que estava a acontecer aos Directores. Tenho uma Directora que dedicou grande parte da sua vida profissional à gestão, sacrificando muito da sua vida pessoal em prol daquilo que ela considera ser a sua casa. Fê-lo porque quis. Sei disso. Mas fê-lo porque acima de tudo tem amor ao que faz e isso nos tempos que correm, em que “interesses mais altos” se levantam, é muito raro. Lamentavelmente nada disso é valorizado hoje em dia por parte de quem nos tutela e por muitos daqueles que connosco convivem diariamente e para quem somos apenas aqueles que “estão na gestão porque não gostam de dar aulas”. Esquecem-se de que os maiores prejudicados com tudo isto vão ser os alunos e que é por eles que nos devíamos unir e lutar.Sou muito mais nova do que a minha Directora, mas já tenho 11 anos de gestão. Já vivi a constituição do Agrupamento vertical e compreendi na altura os sentimentos das colegas do 1º ciclo e dos jardins-de-infância. Na altura o processo foi preparado lentamente e mesmo assim foram tempos complicados. Estamos a cerca de mês e meio do início das aulas e nada está feito. Vai ser um arranque de ano lectivo muito complicado. Um relato fidedigno do que se passou num dos casos (tendo apagado todos os elementos identificadores da situação, a pedido da autora). E que permite ver a lógica da acção insensata. Por mais retórica que se invente não se pode negar nem esconder a realidade. Sendo um dever cívico divulgar o que se está a passar. Porque o caminho só pode ser desfazer o que está manifestamente mal feito.
July 9 2010, 4:02pm | Comments »
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A Síndrome da Pressa
http://terrear.blogspot.com/2010/07/sindrome-da-pressa.html
Ouvi hoje parte do 'forum' da TSF sobre a questão dos "mega-agrupamentos". O senhor Secretário de Estado a dizer que se encontrou, que reuniu em dezoito distritos com os senhores presidentes de câmara. Que os senhores directores regionais reuniram com os presidentes dos conselhos gerais e directores das escolas envolvidas (diz-se cerca de 100). Que o movimento estava em curso desde janeiro de 2010. Querendo dizer que houve, por isso, ponderação, conversação, escuta, convergência. A política não se pode fazer com meias verdades. Com uma declarada hipocrisia. No próprio forum se ouviu que os encontros e as reuniões visaram a imposição autoritária de uma solução cozinhada a "régua e esquadro". Com um desprezo pelas leis vigentes. Pelos órgãos legalmente instituídos e com mandatos para 4 anos. E revelando uma grave ignorância sobre o que são as escolas, as suas trajectórias, identidades e as suas lógicas de acção. Como aqui já demonstrei , esta afronta institucional revela um tempo e um modo desastrado de fazer política. Que mereceu o repúdio generalizado de quase todos. Num outro país, os erros corrigem-se rapidamente. Aqui parece que são uma marca de estilo.
July 9 2010, 3:21pm | Comments »
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A Posição do Conselho de Escolas
http://terrear.blogspot.com/2010/07/uma-tomada-de-posicao-do-conselho-de.html
Uma tomada de posição do Conselho de Escolas. Para além da ilegalidade, há aqui uma questão de ilegitimidade, e de ofensa institucional que não pode deixar de ser referenciada.Reunido extraordinariamente em 2 de Julho de 2010 para “ Apreciação de projectode portaria de reorganização da rede escolar”, considerando que:1. A reorganização da rede escolar já está praticamente concluída na globalidade do País;2. Que as DRE’s desenvolveram todo o processo ainda muito antes da publicação da Resolução do Conselho de Ministros n.º44/2010, de 14 de Junho;3. Que todo o processo aconteceu sem que este Conselho fosse obrigatoriamente ouvido, como o determina o ponto 3 do art.º 2º, do Decreto Regulamentar n.º32/2007, de 29 de Março;4. Os Directores dos Agrupamentos/Escolas não Agrupadas nunca foram considerados parceiros no processo, mas apenas as DRE’s e as Autarquias;5. Os Conselhos Gerais, tão acarinhados nos documentos oficiais, foram igualmente ignorados no processo,O Conselho das Escolas manifesta perplexidade pela forma como todo o processo tem decorrido, nomeadamente não ter sido apresentado o referido projecto de Portaria, e considera extemporânea, por inútil, a emissão de qualquer parecer. Pelo que todo o processo deverá ser suspenso porque ferido de ilegalidade. Decide ainda o Conselho dar imediato conhecimento desta moção à tutela e à comunicação social.Caparide, 2 de Julho de 2010
July 2 2010, 5:20pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
A Metáfora da Hipocrisia e o seu poder heurístico para se perceber o que se passa na campo da educação
http://terrear.blogspot.com/2010/06/metafora-da-hipocrisia-e-o-seu-poder.html
Em post recente convidava os autores políticos a explicarem as razões destas decisões precipitadas da construção forçada, claramente ilegítima, e de legalidade duvidosa dos mega-agrupamentos. Na minha boa-fé cidadã admitia que poderia haver motivos razoáveis, técnica e/ou politicamente sustentados que, ao menos, aliviassem esta pressão de absurdo. A primeira razão, fundada na razão económica, rapidamente se obscureceu pois as poupanças das conglomerações estavam longe de justificar a medida. Por aqui não poderia vir a demonstração da bondade da imposição.Surge então a provável razão oculta e que não pode ser assumida (embora várias fontes a tivessem confirmado em círculos restritos): a precipitada decisão não terá partido do Ministério da Educação mas do gabinete do senhor primeiro-ministro. Em nome de quê? Era preciso criar a ilusão política de que o governo estava a governar, estava a reformar, estava a fazer coisas na educação, embrulhando a medida numa retórica de modernização. Assim, por diferentes motivos, seduzia várias clientelas e ganhava, supostamente, élan eleitoral. Quem bem estuda esta maquinação é Nills Brunsson (2006) no livro A Organização da Hipocrisia - os grupos em acção: dialogar, decidir e agir. Porto: ASA.Não há modo de demonstrar a verdade desta hipótese, mas também não há modo de a negar, pois à falta de argumentos verosímeis este é teoricamente consistente.E assim, vivemos numa confrangedora pobreza. Numa aflitiva falta de respeito pelas instituições escolares. Numa falta de respeito pelas pessoas que há um ano se comprometeram num projecto de acção para 4 anos e estavam a mobilizar vontades e recursos para melhorar os processos e resultados educativos. A política transformou-se num espectáculo indigno e numa miséria. Quando havia tanto a fazer, uma simples deliberação destroi um incontável número de vontades. E semeia o desalento - o mais mortífero dos males.
June 30 2010, 9:08am | Comments »



