Minha crónica no "Público" de hoje (na foto do Congresso Solvay de 1911, Madame Curie, sentada no meio, é a única mulher; Paul Langevin está de pé na extrema direita, ao lado de Albert Einstein):As Nações Unidas decidiram que 2011 seria o Ano Internacional da Química, pretendendo celebrar os extraordinários resultados obtidos por essa ciência e as suas contribuições para o bem estar da Humanidade. Para essa decisão pesou o facto de passar um século desde que foi atribuído o Prémio Nobel da Química a Madame Curie. Foi o segundo Nobel que ela recebeu, desta vez sozinha, depois de oito anos antes ter partilhado o Nobel da Física com o seu marido Pierre Curie e com Antoine Henri Becquerel. Até hoje, a francesa de origem polaca é a única pessoa que recebeu dois prémios Nobel de disciplinas científicas diferentes. Não é, por isso, de estranhar que este ano se celebre também a contribuição das mulheres para a ciência.A ascensão das mulheres na ciência foi prodigiosa no último século. Numa famosa fotografia do Congresso Solvay em 1911, Madame Curie é a única presença feminina em 24 retratados. Hoje, em muitos congressos de física ou de química, há uma representação quase paritária dos dois géneros.Em Portugal, esse progresso foi particularmente nítido. Em 1911 começou a dar aulas na Universidade de Coimbra a primeira professora do ensino superior português: a filóloga de origem alemã Carolina Michaelis de Vasconcelos, que, no ano seguinte, entrou, não sem discussão interna, na Academia de Ciências de Lisboa. No meu livro Breve História da Ciência em Portugal (com Décio Martins, Gradiva e Imprensa da Universidade de Coimbra, 2010), que fala da ciência até 1974, apenas é referida uma mulher, Matilde Bensaúde, pioneira da genética entre nós no início do século passado. Actualmente o país pode orgulhar-se não só da quantidade como da qualidade das nossas mulheres cientistas (parabéns, Maria do Carmo Fonseca, pelo Prémio Pessoa!). Temos uma das percentagens mais elevadas de mulheres na ciência na Europa e até no mundo: Portugal, nas estatísticas europeias de 2008, aparece em quinto lugar na percentagem de investigadoras, com 45 por cento, quando a média da União Europeia não chega a 30 por cento.Apesar de ter sido premonitória da chegada maciça das mulheres à ciência, a notícia da atribuição do Nobel a Marie Curie há cem anos foi ofuscada, na imprensa francesa e internacional, por um escândalo, irrompido pouco antes, sobre uma sua ligação amorosa com o físico Paul Langevin, que era seu colega e tinha sido discípulo de Pierre Curie (Madame Curie era viúva há cinco anos, mas Langevin era casado). Por obra e graça de um wikileaks doméstico, um jornal francês publicou cartas de amor entre os dois, facto que motivou um duelo à pistola entre Langevin e um jornalista (nenhum dos dois chegou a disparar). Não faltou quem denegrisse a ilustre físico-química chamando-lhe uma estrangeira perigosa para os lares franceses. E, por causa desse affaire, alguns membros da academia sueca tentaram que ela não fosse receber o prémio a Estocolmo. Mas Marie Curie não hesitou em ir, alegando que o motivo do prémio - a descoberta de dois novos elementos químicos, o rádio e o polónio - nada tinha que ver com a sua vida privada. Madame Langevin conseguiu logo a seguir o divórcio com a custódia dos seus filhos sem que o tribunal tivesse mencionado o nome da dupla laureada Nobel. Esta e Langevin (os dois a uma distância prudente na fotografia do Congresso Solvay, pois na altura o caso era escaldante) acabaram por se afastar, seguindo destinos diferentes. Mas, por uma daquelas ironias em que o acaso é fértil, os genes de um e de outro viriam a cruzar-se mais tarde, quando uma neta de Curie se casou com um neto de Langevin...E Einstein? Qual foi, afinal, o erro de Einstein? Einstein achava que as mulheres não tinham aptidão para a ciência por não serem criativas. Apesar disso, nutria sincera admiração por Madame Curie, considerando-a uma excepção à regra. Tal não o impediu de comentar a um amigo que ela “não era suficientemente atraente para ser perigosa para quem quer que seja”. Einstein cometeu erros. Mas a depreciação que fez das mulheres foi, decerto, o seu maior erro.
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
O ERRO DE EINSTEIN
http://dererummundi.blogspot.com/2011/01/o-erro-de-einstein.html
January 7 2011, 1:30am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Mulheres cientistas: um olhar para a Ciência
http://dererummundi.blogspot.com/2009/12/mulheres-cientistas-um-olhar-para.html
Informação recebida do Museu da Ciência da Universidade de CoimbraTERTÚLIA DA CIÊNCIA: MULHERES CIENTISTAS: UM OLHAR PARA A CIÊNCIAConferencista: Maria da Graça Martins Miguel (Departamento de Química da Universidade de Coimbra)16 de Dezembro às 17h00.Desde há mais de 3000 anos, elas descobriram galáxias, formularam teoremas, sintetizaram elementos químicos e investigaram segredos da matéria e da biologia. Muitas cientistas do passado são desconhecidas, mas certamente que as suas descobertas foram decisivas para a Humanidade.Em Portugal, e na Europa em geral, as mulheres estão cada vez mais presentes em áreas da investigação científica, contudo, paradoxalmente, continuam longe do topo das carreiras, dos círculos do poder e dos centros de decisão, como reflectem as mais recentes estatísticas.Na realidade são necessárias estratégias, através da promoção de um justo equilíbrio, que revertam esta expressão, demasiado reduzida, de modo a optimizar a sua capacidade de intervenção na sociedade e a utilizar os enormes benefícios que daí poderão advir.Vislumbram-se, no entanto, no horizonte alguns indicadores de esperança…Com trabalho, afirmação e persistência, esperamos ver o aumento da auto-confiança e participação das mulheres na ciência e tecnologia e, simultaneamente, saber valorizada a sua imprescindível visibilidade.Um outro olhar para a Ciência vai ser uma questão de tempo. A Ciência pertence a toda a Humanidade e transcende a designação de género. Mulheres e homens compartilham uma linguagem e possuem objectivos comuns na busca da verdade e revelação dos mistérios da Natureza.Museu da Ciência, Largo Marquês de Pombal, 3000-272 CoimbraE. divulgacao@museudaciencia.org; T. 239 85 43 50; F. 239 85 43 59
December 14 2009, 1:22pm | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
UMA FUTURA MADAME CURIE?
http://dererummundi.blogspot.com/2009/07/uma-futura-madame-curie.html
Do sítio do Consejo Superior de Ciencias do México transcrevemos esta mini-entrevista e perfil com a vencedora das últimas Olimpíadas da Física, a chinesa Handuo Shi. Pela primeira vez na história da competição, esta foi ganha por uma rapariga (na imagem ao lado do Nobel da Física norte-americano Joseph Taylor):"La ganadora absoluta de esta Olimpiada Internacional de Física fue la joven china Handuo Shi, quien recibió un premio especial por ser la mujer con mejor desempeño y la estudiante que logró el mejor puntaje en el examen experimental. Obtuvo también reconocimiento como ganadora absoluta, con el puntaje más alto de la competencia.Handuo Shi subió al escenario tres veces a recibir medalla, trofeo, y diploma, y al final, una emotiva ovación de pie, con el reconocimiento de todos los jóvenes competidores. Apenas sonreía, aunque la emoción era evidente.Handuo Shi fue entonces buscada por Joseph H. Taylor, Premio Nobel de Física 1993 e invitado especial del evento. Con un abrazo, la felicitó y deseó el mejor de los futuros en su incipiente carrera científica.- ¿Es una futura Nobel de física?Taylor la volteó a ver, con una amplia sonrisa.- Ojalá. Yo hubiera querido tener toda esa brillantez y claridad. El Nobel puede ser, pero seguramente será una extraordinaria científica. Estoy impresionado y feliz. Felicidades...Handuo Shi entonces abrió la sonrisa, agradeció a Taylor su gesto, y le pidió, con compañerismo y sencillez, que se tomara la foto con el resto del equipo chino, que había obtenido el primer lugar general. Taylor accedió, y los jóvenes estudiantes chinos, sus profesores y acompañantes, posaron con el Premio Nobel.Handuo Shi proviene, según ella describe, de una familia “sencilla".:- Nadie se dedica a la ciencia en mi casa. Yo terminaré mis estudios en la Universidad de Beijing, donde ya tengo una beca. Luego, no lo sé.- ¿Siempre te ha gustado la física?- No, Me gusta más la biología. La física es hermosa, y es parte de estudiar a la naturaleza. Me emociona más la biología. Por lo pronto, entraré a estudiar ciencias en Beijing, y en tres años tomaré la decisión.- ¿Has sido siempre alumna destacada?- Me gusta mucho leer, y aprender. Es mi diversión favorita. Pero no estudio para ganar premios y calificaciones. Me divierte mucho aprender. Eso me hace feliz.- ¿Te gustaría hacer un posgrado en Europa, en Estados Unidos?- Beijing es mejor, por ahora. Ahí hay todo lo que necesito para decidir a qué me voy a dedicar. Mientras sea divertido, lo haré.Esta jovencita es, a decir de los organizadores, una verdadera fuera de serie. Ganó con relativa facilidad el exámen experimental, pero lo que más los impresionó fue el puntaje global."
July 24 2009, 5:36pm | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Mulheres cientistas no Mundo Lusófono
http://dererummundi.blogspot.com/2009/07/mulheres-cientistas-no-mundo-lusofono.html
Informação recebida da Associação Viver a Ciência (na foto a matemática Irene Fonseca):O Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian, a Associação Viver a Ciência, o Círculo de Leitores e a Temas e Debates têm o prazer de o convidar para o lançamento do livro «Vidas a Descobrir — Mulheres Cientistas do Mundo Lusófono», coordenado por Joana Barros.Este livro leva-nos numa viagem cultural e científica por vários continentes, apresentando as histórias de mulheres de origem lusófona que construíram carreiras profissionais ímpares no mundo da ciência.A sessão terá lugar na Fundação Calouste Gulbenkian, Auditório 3, Av. Berna, 45A, 1067-001 Lisboa, no dia 14 de Julho pelas 19h. No final da sessão será servido um cocktail.A obra será apresentada por Nuno Crato.Nota sobre o conteúdo do livro:Este livro reúne reportagens realizadas entre 2006 e 2008 sobre cientistas naturais de sete países lusófonos. O livro leva-nos numa viagem cultural e científica através da história de vida de dez investigadoras de diferentes gerações e culturas que trabalham em diversas áreas do conhecimento. Queremos que este livro seja uma celebração da diversidade e que contribua para o abandono de alguns estereótipos relacionados com ciência e cientistas.Cientistas entrevistadas:Anabela Leitão (Angola) - Engenharia Química e Ambiental, Univ. Agostinho Neto, AngolaNorma Andrews (Brasil) – Microbiologia, Univ. de Yale, EUAThaisa Storchi Bergmann (Brasil) – Astrofísica, Univ. Federal do Rio Grande do Sul, BrasilNiède Guidon (Brasil) - Arqueologia, Parque Nacional Serra da Capivara, BrasilFátima Monteiro (Cabo Verde) - Ciências Políticas, Univ. Católica Portuguesa, PortugalAmabélia Rodrigues (Guiné-Bissau) - Epidemiologia, Projecto de Saúde Bandim, Guiné-BissauAlcinda Honwana (Moçambique) - Antropologia, Open University, Reino UnidoCláudia Sousa (Portugal) – Primatologia, Univ. Nova de Lisboa, PortugalIrene Fonseca (Portugal) – Matemática, Univ. de Carnegie Mellon, EUAM. Jesus Trovoada (S.Tomé e Príncipe) - Antropologia Biológica, Instituto Gulbenkian de Ciência, Portugal
July 13 2009, 5:47pm | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
DEUS ODEIA AS MULHERES?
http://dererummundi.blogspot.com/2009/06/deus-odeia-as-mulheres.html
Informação sobre novo livro recebida via Amazon (na imagem "Adão e Eva", quadro de Duerer, de 1507, no Museu do Prado, Madrid):- Ophelia Benson and Jeremy Stangroom, "Does God Hate Women?", Continuum (June 30, 2009)The new book from high profile philosophy writers Ophelia Benson and Jeremy Stangroom (authors of the hugely successful "Why Truth Matters"), exploring a topical and controversial religious and cultural issue in a highly accessible manner.This fascinating book explores the role that religion and culture play in the oppression of women. Philosophy writers Ophelia Benson and Jeremy Stangroom ask probing questions about the way that religion shields the oppression of women from criticism and why many Western liberals, leftists and feminists have remained largely silent on the subject.The lives of women in the industrialized world have improved enormously in the last hundred years, especially so, in social, cultural and political terms, in the last forty. But throughout the rest of the world, a great many women lead lives of misery and sometimes plain horror. They are often considered and treated as the property of men and have few, if any, rights. Such treatment is generally sustained and protected by a combination of religion and culture. "Does God Hate Women?" explores instances of the oppression of women in the name of religious and cultural norms and how these issues play out both in the community and in the political arena. Drawing on philosophical concerns such as truth, relativism, knowledge and ethics, Benson and Stangroom assess the current situation and provide a rallying call for a progressive politics that is committed to universal values. This important new book will appeal to anyone interested in issues of global justice, human rights and multiculturalism.About the Authors:Ophelia Benson is editor of http://www.butterfliesandwheels.com, deputy editor of The Philosophers' Magazine and co-author, with Jeremy Stangroom, of Why Truth Matters. She is also a frequest contributor to Free Inquiry. Jeremy Stangroom is co-editor, with Julian Baggini, of The Philosophers' Magazine and co-author of Do You Think What You Think You Think? (Granta, 2006), What Philosophers Think and Great Thinkers A-Z. He and Ophelia Benson are co-authors of Why Truth Matters and The Dictionary of Fashionable Nonsense.Product DetailsHardcover: 208 pages
June 18 2009, 6:05pm | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
O QUE JORGE BUESCU SABE SOBRE AS MULHERES
http://dererummundi.blogspot.com/2009/01/o-que-jorge-buescu-sabe-sobre-as.html
Da revista "Pública" de hoje transcrevemos o texto da jornalista Ana Sousa Dias (na foto)) baseado numa conversa com o matemático Jorge Buescu sobre o que ele sabe sobre as mulheres:Sei muito pouco sobre as mulheres, mas isso é um lugar-comum. Teoricamente, teria obrigação de saber mais porque cresci numa família de mulheres: a minha mãe e três irmãs mais velhas. O meu pai faleceu quando eu tinha seis anos, tenho umas memórias muito longínquas dele. Meio a brincar, digo que tive quatro mães.Há uma questão de comunicação. Tendencialmente, os homens são animais do hemisfério esquerdo, ligado às questões da lógica, do espírito analítico, do raciocínio numérico, aritmético. O hemisfério direito está ligado a outras questões - à intuição, à comunicação não verbal, à linguagem dentro de contexto. Felizmente, todos temos hemisfério esquerdo e direito. Mas as mulheres são mais intuitivas, de decisão mais rápida e imediata, com uma comunicação não verbal dentro de contexto mais perceptível. Os homens precisam de mais tempo e mais dados para tomar decisões, são mais racionais, se as coisas não estão preto no branco não são capazes de se aventurar.Na casa da minha mãe, às vezes parecia que elas estavam a falar entre si em código. Diziam uma coisa imprecisa, entendiam-se e eu ficava sempre de fora. Quando a minha mulher foi lá pela primeira vez, a minha mãe a certa altura disse-lhe - "Ó Catarina, passa aí o coiso dos coisos." Ela percebeu: era a base para pôr os tachos quentes. Eu vivia lá em casa e não sabia. E a ela bastou-lhe olhar para perceber o contexto. Ainda hoje falamos sobre isso. Isso faz parte da comunicação informal que funciona via hemisfério direito. Nós devemos ter umas ligações menos eficientes.Acho que se aplica aqui o princípio de Pareto [Vilfredo Pareto, 1848-1923], estabelecido por um economista que viu que 80 por cento da riqueza em Itália era detida por 20 por cento das pessoas. A regra dos 80-20 funciona bem em muitos contextos. Por exemplo, 80 por cento do nosso trabalho é feito em 20 por cento do tempo. As mulheres funcionam assim: tomam decisões com 20 por cento dos dados e 80 por cento das vezes a decisão está certa. Os homens são mais analíticos, mais chatos, precisam de mais dados, correm o risco de paralisar por excesso de análise.O maior prémio mundial da Matemática, a medalha Fields, nunca foi atribuído a uma mulher. É espantoso, porque as ciências duras - Física, Química, Biologia - precisam de material, de laboratórios, e há mulheres com Nobel nessas áreas. A Matemática é papel e lápis, pode ser feita em casa. Em Portugal, sempre houve muitas estudantes mas depois ficavam no ensino, não iam para a investigação. Talvez seja um fenómeno geracional. Isto tem raízes históricas, evidentemente.A francesa Sophie Germain [1776-1831] queria fazer Matemática mas não podia inscrever-se na École Polytechnique por ser mulher. Fez-se passar por um homem para ter acesso aos apontamentos, tomou um lugar de um aluno chamado Antoine-Auguste Le Blanc que deixou de ir às aulas. Estudava em casa, submetia os trabalhos resolvidos. O maior matemático da altura, Joseph Lagrange, chamou o Monsieur Le Blanc porque as soluções eram extraordinárias: apareceu-lhe à frente uma mulher. Ela fez contribuições importantes em Matemática mas, quando faleceu, o epitáfio identificava-a simplesmente como "rentière-annuitante", uma mulher que vivia de rendimentos.A alemã Emmy Noether [1882-1935] foi uma matemática de primeira linha. Em 1915, David Hilbert, o mais destacado matemático de então, convidou-a para trabalhar com ele em Gottingen mas o departamento não aceitou, por ser uma mulher. Ficou quatro anos a dar aulas e a fazer investigação sem ser paga, até aceitarem contratá-la. O Hilbert perguntava, com muita graça: "Mas isto é um departamento de Matemática ou é um balneário?" Não foi há tanto tempo assim, foi há 90 anos!A par do rigor lógico, a investigação matemática tem uma componente de intuição que é subvalorizada. São necessários os dois hemisférios: o direito para adivinhar os resultados e o esquerdo para prová-los. À partida, as mulheres não têm qualquer handicap para a profissão matemática.Sou casado há mais de 18 anos e às vezes descobrimos coisas inesperadas um no outro. Temos interesses comuns, às vezes dizemos a mesma coisa ao mesmo tempo, sabemos que gostamos do mesmo tipo de filmes, exposições, literatura. Conhecemo-nos cada vez melhor. Não obstante, o universo feminino para mim é bestialmente misterioso. Quando vejo nas revistas femininas coisas como os jogos de sedução, parece-me a descrição da vida em Marte. Não me considero um nerd, mas penso - onde é que isto acontece?Ana Sousa Dias (a partir de uma conversa com Jorge Buescu)
- Tags:
- mulheres
- Matemática
January 25 2009, 8:10am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
CIMÉLIOS "FEMINISTAS"
http://dererummundi.blogspot.com/2008/10/cimlios-feministas.html
Ainda da exposição "Cimélios" patente na Biblioteca Geral da Universidade informamos sobre as obras expostas referentes à mulher:O primeiro texto feminista português, 1557:GONÇALVES, Rui, fl. 1539Dos priuilegios & praerogatiuas q[ue] ho género feminino te[m] por dereito com[um] & ordenações do Reyno… [Lisboa?] : apud Iohanne[m] Barreriu[m], 1557. 106 [i.e. 104], [4] p. ; 4º (22 cm). Encadernação em pele com lombada gravada a ferros dourados R-13-27Na esteira de obras do mesmo tipo publicadas por toda a Europa (Heinrich Cornelius Aggrippa, Martin Le Franc, Galeazzo Flavio Capella, François Billon e outros, no que ficou conhecido como a querelle des femmes), também em Portugal este Lente de Instituta da Universidade, o Licenciado Rui Gonçalves publica um elogio do género feminino, dedicado à Rainha regente D. Catarina de Áustria. O objectivo do livrinho é-nos dado logo no prefácio: …mostrar quão errados estavam os que escreviam contra as mulheres… Na primeira parte da obra, o autor trata de …algumas virtudes em que as mulheres foram iguais e precederam aos homens. Na segunda, trata da situação jurídica da mulher. O facto de ter sido escrito em português e não em latim, mostra a preocupação do autor em dar a conhecer às mulheres a legislação que lhes dizia respeito. A obra tem sido considerada como o mais antigo texto feminista português.Papeis inéditos sobre o casamento de D. Catarina de Bragançacom Carlos II de Inglaterra:ORIGINAL DOCUMENTS[Original documents relating to Charles II] [manuscrito]. 1660-1697. 54 f. (59 docs.) : il., retratos ; 420x335 mm. Textos em latim, espanhol, inglês e português. Encadernação inglesa do séc. XIX, em chevreau preto, seixas decoradas com ferros gravados, lombada de 6 nervos gravados a ouro com título também a ouro. Cofre 45.Álbum de autógrafos de Carlos II e de várias personalidades marcantes da Corte inglesa do seu tempo. Inclui cartas, documentos e retratos gravados do Rei e da sua mulher, a Princesa portuguesa D. Catarina Henriqueta de Bragança (1638-1705), da sogra D. Luísa de Gusmão, do historiador e homem de Estado Edward Hyde (1609–1674), 1º Conde de Clarendon, do confessor Frei Domingos do Rosário (o dominicano irlandês Daniel O´Daly, 1595-1662), do embaixador (e tradutor de Camões para o inglês) Sir Richard Fanshaw (1608-1666) e de sua mulher Lady Ann Fanshaw (1625-1680), do Almirante Sir Thomas Allin (1613-1685), do diplomata Sir Robert Southwell (1635-1702), etc. Normalmente, a cada documento na página ímpar corresponde uma gravura na página par. Conjunto adquirido em leilão, ainda inédito e por estudar, que tem sido acrescentado de novas peças, adquiridas em anos mais recentes.Uma edição da “História de Menina e Moça” em caixa romântica com suporte:RIBEIRO, Bernardim, 1482-1552Hystoria de Menina e Moca [sic] … : agora de nouo estampada, e cõ[m] summa deligencia emendada : e assi algu[m]as Eglogas suas com ho mais que na pagina seguinte se vera. [Colónia] : Arnold Birckman, 1559. clxxi [i.e. 167] f. ; 8º (14 cm). Pert.: A.P.G. Encadernação em pele vermelha ricamente gravada a ferros dourados. Cofre 49Circulou em manuscrito, teve a sua primeira edição em Ferrara, nos prelos de Abraão Usque, em 1554, e uma segunda, com texto bastante mais extenso e com o título “Saudades”, impressa em Évora por André de Burgos, em 1557-1558, que a BGUC também tem e que inclui um prolongamento até ao cap. XXIV, que se costuma aceitar como sendo do autor. Pouco depois, em 1559, sai da oficina de Arnold Birckman, em Colónia, esta terceira impressão com summa deligencia emendada, que retoma com ligeiríssimas variantes a de Ferrara. Esta ficção extraordinária para a época, na qual o autor se transveste para o género feminino, inaugura em Portugal a narrativa intimista, bucólica e pastoril. Novela sentimental, de teor psicológico, todo o seu programa se resume no prefácio: Das tristezas não se pode contar nada ordenadamente, porque desordenadamente acontecem elas.Uma edição dos Estatutos da Universidade ilustrados pela jovem Josefa d'Óbidos:UNIVERSIDADE DE COIMBRAEstatutos da Universidade de Coimbra : confirmados por el Rey Nosso Snor Don João o 4º em o anno de 1653. Em Coimbra : officina de Thome Carvalho, 1654. [10], 14, [6], 330, [4], 208, 10, [6] p. ; 2º (30 cm). Encadernação em pele com lombada gravada a ferros dourados. R-22-1Desde 1309 que o poder político outorga à Universidade de Coimbra os Estatutos para a sua organização e governo. Estes Estatutos, cujo texto data de 1591, serão os sétimos que teve a Universidade e têm nesta de 1653-1654 a sua mais apreciada edição, enriquecida com uma gravura assinada pela jovem pintora portuguesa Josefa de Ayala ou de Óbidos (1630-1684). Edição rara porque todos os exemplares destes chamados Estatutos Velhos, foram apreendidos por ordem do Marquês de Pombal, tanto em bibliotecas públicas como nas particulares, quando o “Reformador e Visitador da Universidade” trouxe de Lisboa os exemplares dos Estatutos Novos, em 15 de Setembro de 1772. Este exemplar (dos três que a BGUC possui) entrou por oferta de Eduardo Abreu, em 1889. Em 1987, foi publicado um facsimile (ainda disponível para venda) que, como quase todas as edições da BGUC, se vai encontrar integralmente acessível na Internet através do Google Book Search.
October 2 2008, 7:24am | Comments »
1





