És a Água no que a Terra tem de FogoÉs Fogo és Ar na Terra já sem pesoÉs os Quatro Elementos que tão prontoirrompem do mistério do Teu berçoPoema: David Mourão-FerreiraFotografia: Emmanuel Enynwacolocado em aldinaduarte.blogsot.com(e via Amélia Pais)
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Cosmogonia De Natal
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December 25 2010, 8:21am | Comments »
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Presépio
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Duas tábuas...E era um berço!Tudo escuro...E alumiava!Estaria Deus lá dentro?Fomos ver...E lá estava!Pedro Homem de Mello (A todos os meus amigos, a todos os meus leitores, a todas as mulheres e homens de boa vontade, desejo um natal que aqueça, alente e conforte).
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December 24 2010, 9:14am | Comments »
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Uma história de reis
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Muitas vezes as histórias demasiado conhecidas tornam-se invisíveis e deixamos de ver o que elas nos dizem. Por isso é bom que haja alturas do ano em que lavamos as histórias à nossa volta para as vermos com mais clareza.A história dos três reis magos é uma delas. Não sabemos se seriam três ou se seriam reis. Mas terá havido uma altura em que magos da remota Babilónia olharam para o céu e viram uma estrela a ocidente. Ou melhor, viram milhões de estrelas no céu. Mas houve uma que eles amaram, que falou com eles, e que eles, por magia ou matemática, acreditaram que os levaria a visitar o nascimento do rei dos judeus. Por isso fizeram as malas, interromperam o seu trabalho, despediram-se das suas famílias e partiram de suas casas.O que os levaria a fazer isso?O que é que naquela estrela – um único pontinho de luz no meio de milhões de outros pontos de luz – os fez abandonar casa, família, trabalho e lançarem-se numa viagem longa, árdua, de muitas semanas no deserto, sujeitos à fome, à sede, aos ladrões e animais selvagens, para visitar o nascimento de um filho de um rei longínquo sobre o qual sabiam tão pouco?Talvez acreditassem que o rei dos judeus era um homem rico, que recompensaria o seu saber com riquezas ou os contratasse para o seu serviço. Talvez desejassem trocar saberes com os sábios que viveriam naquela corte. Talvez quisessem simplesmente usufruir das esplêndidas festas que se dariam em honra do menino. Talvez fosse por isso que sofreram fome, frio, cansaço e perigos.E o que teriam eles pensado quando, chegados ao ponto que a estrela lhes apontava, em vez de um sumptuoso palácio repleto de luzes, música, vinho, iguarias, ciência, ouro e alegria, encontraram um estábulo de animais? Um estábulo onde nascera um menino, é certo, mas um menino nu, cujos pobres pais mal compreendiam a língua que os sábios falavam.Que teriam então pensado os sábios? Talvez tenham ficado paralisados pela confusão. Talvez tenham culpado a estrela lá no alto pelo engano. Talvez se tenham culpado entre si. Talvez se tenham insultado, gritado ou mesmo agredido e deixado correr lágrimas de dor e frustração.Depois, embaraçados pelo espanto com que a família do estábulo olhava a sua algazarra, e comiserados pela sua pobreza, deixaram-lhes os presentes que tinham trazido para o menino que julgavam ser o rei dos judeus - ouro, incenso e mirra – coisas que de pouco serviam a uma família a quem talvez faltasse o fogo, a comida e um tecto de seu.E depois voltaram para casa.Semanas e semanas a atravessar o deserto, a dormir ao relento, sujeitos a ladrões e animais ferozes, à fome, à sede e ao frio, já sem uma estrela para seguir, a remoer a tristeza e a temer a chacota de amigos e vizinhos por terem abandonado tudo para ir atrás de uma estrela.Mas foi terem seguido essa estrela que hoje os conhecemos. Não terão encontrado ouro, nem ciência, nem mesmo uma festa, mas encontraram uma história. Uma história que durou milénios e chegou até nós. E graças essa história conseguiram mais do que alguma vez imaginavam, conseguiram que o mundo os chamasse reis, pois só é verdadeiramente rei aquele que é capaz de deixar a sua vida para ir atrás de uma estrela.Nesta época em que voltamos a reencontrar pessoas e histórias, fica o meu desejo de que todos possamos encontrar uma estrela que nos leve, se não à fama, à fortuna ou ao saber, pelo menos a uma boa história.Boas festas,Jorge PalinhosDezembro de 2010(com o agradecimento ao JP)
December 22 2010, 3:45pm | Comments »
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LUZ
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Crónica publicada no "O Despertar".Pela janela do meu planeta entra a Luz que o enche de vida. É uma janela admirável, debruada com pôr-de-sóis, alvoradas e outros fenómenos celestiais.Por ela entra a Luz Solar com que “retino” e admiro os dias terrestres. Por ela vejo outros pontos irradiadores e reflectores de luz quando, por ausência ou diminuição da primeira, me encho de noite, me tapo com ócio, ou me deslumbro com o que estava ofuscado. De noite, reflecte no solo Lunar, mostrando-o diferente de quarto em quarto.Luz é a parte visível ao meu olho de toda a radiação electromagnética que as estrelas, como o Sol, irradiam para o espaço. Luz é energia que aquece o meu planeta e que as plantas usam para juntar peças de carbono na forma de açúcares. A janela do meu planeta não está sempre com a mesma abertura ao longo da viagem de translação solar. O trilho elíptico e o eixo inclinado do meu pião planetário fazem com que, ao longo do ano, a luz passe pela janela com intensidades e periodicidades diferentes. Como resultado, o meu planeta veste-se com estações de vida e formas químicas diferentes, de quarto em quarto, por estas latitudes. É como se a janela do meu planeta tivesse uma portada e uma persiana. A luz que por ela entra depende da posição combinada dos dois obliteradores. A persiana sobe e desce com uma periodicidade diária. Ao subir, enche o dia de Luz. Quando desce, apaga as sombras deixando breu. A portada abre e fecha com uma frequência e amplitude que depende da latitude em que estou no meu planeta. No equador, está sempre aberta. Nos trópicos oscila a um ritmo quaternário, mas nunca está totalmente aberta ou fechada. Nos pólos é binário: seis meses aberta, seis meses encerrada.Nesta altura natalícia, mais precisamente no dia 21 de Dezembro, pelas 23h38 (hora universal), a portada da janela do meu planeta recomeçou a abrir-se, para semear, dia a dia, a noite de luz. Dizem os antigos que é a vitória da luz sobre as trevas. Diz a ciência que ocorreu o solstício de inverno. Dizemos todos que, por estas latitudes, os dias vão ter cada vez mais luz, vão ser cada vez mais compridos, até que a janela do meu planeta fique o mais aberta que lhe é possível por alturas do solstício de verão. Mas isso é só para o Ano Novo que, por estes dias de festa, também começa. Luz crescente, renovada esperança, acordam as sementes adormecidas, florescem os botões de fertilidade. Maior exposição solar e com maior intensidade, maior a fotossíntese. Maior também a temperatura e os cristais de gelo, refulgentes estrelas de natal, recompõem-se na água líquida, fluído de vida, de viagem, de mudança.Bom Natal e Próspero Ano Novo.António Piedade
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December 20 2010, 4:50am | Comments »
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Festa dos Saberes e dos Sabores
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Tempo de natal. Tempo de evocação de 15 anos de escola. Tempo de memória. Tempo de celebração. Tempo de projectos. Tempo de ninhos e de voos. Tempo de reconhecimento. Tempo de construção de uma comunidade: fraterna, exigente, plural. Tempo de marcar presença. Na escola EB 2_3 de Beiriz. Num jantar de natal. Numa festa dos saberes e dos sabores. Obrigado.
December 18 2010, 7:33am | Comments »
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Pequeno Conto de Natal
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Conheceu-a pelas vindimas, nas serranias do Alto Douro, quando as encostas pareciam escorrer sangue e oiro, e dos vales se erguiam as vozes das «rogas» entoando seus cânticos pagãos. Loura, dum louro crespo e queimado dos sóis e dos frios, branca de neve mas tostada da intempérie e da sujidade, batendo o compasso das canções com os pés descalços na rocha dura dos caminhos, ou de cavaquinho a tiracolo para os peditórios pelas quintas, ela teria pouco mais de quinze anos, e nos olhos verdes uma ardente cintilação, que vinha dos remotos tempos de Suevos e Visigodos. Foi da boca dela que ele recolheu as mais belas canções da região. Ouvindo-a cantar e tocar, amou-a logo. Era poeta, pobre, e vinha da Cidade. Ela nascera e vivia num lugarejo perdido nos boqueirões da Serra. Ele tomou-lhe da mão e disse: «Tu serás uma Princesa. Hei-de coroar-te de rosas e brilhantes, vestir-te de sedas e arminhos. Os teus pés calçarão sandálias douradas…»Amaram-se. Quando ele regressou à Cidade, ela acompanhou-o, levando consigo o cavaquinho. Foram morar num bairro antigo e pobre, de ruas íngremes e sinuosas, numa água-furtada donde se avistava o «mar» coalhado de vapores.Viviam de quase nada. Ele versejava, fumava, sonhava, ficava na cama até tarde. Amavam-se noite e dia com fervor e paixão, ele sempre de olhos mergulhados na verde joalharia dos olhos dela. Ela era agora alva, rósea e diáfana como uma Princesa. Em vez da prometida coroa, entanto, tinha apenas os caracóis de ouro dos cabelos; e nos pés, em lugar das sandálias douradas, modestos sapatos de trança. Viveram assim, por muito tempo, meses, anos talvez, sem dar por isso: felizes. Até que um dia, não tendo em casa o que comer, nem esperanças de o ganhar, ela desceu da água-furtada à rua, em busca de um freguês que lhes pagasse o custo da ceia de Natal.José Rodrigues Miguéis, “Simples Conto do Natal”, Vida Mundial, 30/12/76In http://novelosdesilencio.blogspot.com(e via Amélia Pais)
December 17 2010, 7:49am | Comments »
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"O conto de Natal em Portugal"
http://dererummundi.blogspot.com/2009/12/o-conto-de-natal-em-portugal.html
A literatura ocidental tem-se deixado influenciar pela pluralidade de significados que o Natal adquiriu ao longo do tempo: o teatro, o conto e a poesia dão-lhe destaque.Vasco Graça Moura, numa incursão pela literatura portuguesa, revela-nos textos e autores que, desde o século XV até ao presente, têm captado e explorado esses significados. Vale a pena ler a Antologia em que apresenta essa incursão e da qual reproduzo, de seguida, as duas primeiras páginas.“Como é natural, as referências ao Natal na nossa literatura começam por registos de uma intensa devoção e só muito mais tarde se preocupam com a transposição de celebração religiosa e do seu sentido transcendente para o plano civil de uma comunhão festiva, familiar e universal, necessariamente ligada à ideia de paz na terra e reconciliação entre os homens.É na poesia e no teatro que desponta literariamente aquela exaltação religiosa, com mestre André Dias (1348-1437), e depois nalguns auto vicentinos de devoção, para não parar mais, até ao nosso tempo: do Maneirismo, no Barroco, no Romantismo e daí em diante, até hoje. Basta recordar, mais ou menos ao acaso, poetas como António Ferreira, Frei Agostinho da Cruz, Diogo Bernardes, Rodrigues Lobo, D. Francisco Manuel de Melo, Jerónimo Baía, Correia Galção, Reis Quinta, Cruz e Silva, Bocage, Almeida Garrett, Castilho, António Nobre, Gomes Leal, Fernando Pessoa, Vitorino Nemésio, Miguel Torga, Álvaro Feijó, António Gedeão, David Mourão-Ferreira e tantos outros…, para se ver que o «cancioneiro de Natal» lusitano é muito abundante e variadíssimo.Por sinal que é provavelmente com um célebre soneto de D. Francisco Manuel de Melo, «De consoada a uma sua prima», que o lado da celebração familiar e afectiva da quadra natalícia, acompanhada da troca de presentes, surge na nossa literatura, com a particularidade de ser escrito na prisão e, poratnto, de contrapor um estado de afastamento, de solidão e de tristeza (…) a uma época do ano que era tradicionalmente de jubilosa reunião da família.Mas ainda no século anterior, a pós-vincentina Prática dos Compadres de António Ribeiro Chiado, já descreve, de modo muito colorido, no pitoresco diálogo entre o Cavaleiro e o Compadre, os usos e folguedos entre familiares e vizinhos, a propósito da ceia de Natal e da missa do Galo.Isto tinha razões muito antigas. O Padre Mário Martins explica a dramatização popular na liturgia do Natal a partir de uma ideia de presépio que «vinha de longe, muito antes de São Francisco de Assis» e observa que na «Idade Média (…) nem tudo era edificante, pela festa do nascimento de Jesus. Em 1473, um concílio de Aranda (…) fala-nos de representações, mascaradas, figuras monstruosas e versos indecentes (…) que vinham a público, nas igrejas, por ocasião do Natal, da festa dos Santos Inocentes, São João Baptista, etc. (…).Com pouco desfasamento em relação à poesia e ao teatro (e também às artes plásticas, do Vasco Fernandes da Adoração dos Pastores até ao Machado de Castro dos presépios), na nossa tradição cultural as referências importantes ao Natal, em prosa literariamente consistentes, podem ser detectadas já em finais do século XV, n’O livro de Vita Christi em lingoagem português, tradução da obra de Ludolfo de Saxónia mandada fazer por D. João II e por sua mulher, a rainha D. Leonor (…).”Referência completa: Graça Moura, Vasco (2003). Gloria in Excelsis: Histórias Portuguesas de Natal (Antologia: apresentação e selecção). Porto: Colecção Mil Folhas (Jornal Público), páginas 5 e 6. Imagem. Natividade, Painel de azulejos portugueses (1746, 1754) - Igreja Basílica do Senhor do Bonfim, São Salvador, Bahia. Encontrado em:http://peregrinacultural.wordpress.com/2008/12/18/canto-de-natal-poesia-de-manuel-bandeira/
December 25 2009, 12:18pm | Comments »
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No Dia de Natal
http://terrear.blogspot.com/2009/12/no-dia-de-natal.html
Enganam-se os que pensamque só nascemos uma vez.Para quem quiser vera vida está cheia de nascimentos.Nascemos muitas vezes ao longo da infânciaquando os olhos se abrem em espanto e alegria.Nascemos nas viagens sem mapaque a juventude arrisca.Nascemos na sementeira da vida adulta,entre invernos e primaveras,maturando a misteriosa transformaçãoque coloca na haste a flor e,dentro da flor, o perfume do fruto.Nascemos muitas vezes naquela idadeonde os trabalhos não cessam,mas reconciliam-se com laços interiorese caminhos adiados.Enganam-se os que pensamque só nascemos uma vez.Nascemos quando nos descobrimosamados e capazes de amar.Nascemos no entusiasmo do risoe na noite de algumas lágrimas.Nascemos na prece e no dom.Nascemos no perdão e no confronto.Nascemos em silêncioou iluminados por uma palavra.Nascemos na tarefa e na partilha.Nascemos nos gestos ou para lá dos gestos.Nascemos dentro de nós e no coração da Vida.José Tolentino Mendonça(com agradecimento a MC)
December 25 2009, 5:46am | Comments »
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E O MENINO JESUS SABE FÍSICA?
http://dererummundi.blogspot.com/2009/12/e-o-menino-jesus-sabe-fisica.html
A resposta também já aqui foi dada: aqui.Na imagem: Max Ernst - Virgem sovando o menino Jesus perante três testemunhas: André Breton, Paul Éluard e o pintor
December 25 2009, 4:00am | Comments »
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Feliz Natal
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December 23 2009, 10:32am | Comments »
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