Ao trabalhar deste modo estaríamos mais próximos da ideia de objectividade entendida como resultado negociado de uma comunidade crítica, na qual o desacordo justificado e bem argumentado é bem vindo, tendo em consideração, ainda, nas palavras de Habermas (2000, p. 172), que “a subjectividade assegura o tipo de evidência e de certeza sobre cuja base o resto das coisas pode ser posto em dúvida e criticado.”Convém ter em consideração, como adverti, que a objectividade não é garantia de “verdade” nem sinónimo de “justiça” e que no terreno educativo, do ponto de vista formativo, é um mito. Só quando, por razões de desajustamento pessoal, se reconhece a incapacidade de quem avalia em ser justo, o recurso à objectividade pode ser uma saída que prevaleça contra males maiores. Mas será sempre uma saída pela porta do cavalo.Para além da estritamente académico, que em princípio não teria que estar num capítulo à parte, este tipo de avaliação participada contribui para a formação e para o desenvolvimento de capacidades morais e pessoais positivas, de capacidades criativas e críticas, ao mesmo tempo que exige uma atitude criticamente objectiva e consciente face à realidade. Neste tipo de avaliação os que aprendem responsabilizam-se não só pelo exercício da auto--avaliação e da sua própria aprendizagem mas também pela aprendizagem partilhada, pelo trabalho cooperativo e pela honesta tarefa de co-avaliar.(...)§ Se pretende desenvolver o pensamento criativo, crítico e autónomo formule perguntas que “obriguem” a elaborar de um modo criativo, crítico e autónomo as respostas. Não espere, então, respostas uniformes.A validade de resposta está na consistência dos argumentos em que o pensamento se baseia, resistente a um único padrão de resposta, e não tanto em dar uma resposta de valor universal, o que é mais trivial, ou uma resposta uniforme que artificialmente homologue processos mentais muito diversos e complexos.Se para aceder ao conhecimento reconhecemos que não há um só caminho válido também devemos reconhecer que não pode haver uma só resposta válida expressa nos mesmos termos. Quando tal ocorre só podemos assegurar que quem responde simplesmente copia, seja a partir do baú das recordações ou da memória mais insignificante, seja de qualquer outra fonte ou argúcia de que se valha.§ Como avaliador deverá centrar os seus esforços para analisar criticamente o valor implícito de cada resposta, argumentando os seus pontos de vista de uma maneira racional. Se o que pretende é desenvolver a inteligência daqueles que consigo aprendem, formule perguntas que a estimulem, não que a adormeçam ou a obriguem a um exercício de obediência a palavras emprestadas ou simplesmente transmitidas.Pode também ensaiar fórmulas que consistem não tanto em responder a questões colocadas mas em ser o próprio sujeito da aprendizagem quem as formula. A ciência avança movida por perguntas e pela sua natureza, formuladas pelos cientistas. Sem dúvida que quem está capacitado para perguntar é porque conhece o terreno em que se movimenta. Poderá então comprovar que vale a pena responder a perguntas estimulantes, inteligentes, que desafiam as certezas que descansam em respostas alheias.Pela mesma razão, poderá comprovar como perguntas triviais revelam um conhecimento medíocre, pouco sustentado, mal copiado, deficiente na sua formulação, pobre em interpretação e nulo em integração nos esquemas do próprio conhecimento de quem aprende. Pelo contrário, também se poderá dar conta da capacidade para gerar ideias criadoras, características de quem aprende de um modo significativo, seja no contexto da aula, seja para aplicá-lo fora dela, incorporando-as nas formas habituais de ser inteligente. Nesta maneira crítica de agir todos acabam por aprender porque avançam por caminhos em que se estimula e reforça a capacidade de compreensão.J. M. Álvarez MéndezAvaliar para conhecer, examinar para excluir
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João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
Avaliação, objectividade, subjectividade, perguntas, respostas
http://terrear.blogspot.com/2009/04/ao-trabalhar-deste-modo-estariamos-mais.html
April 8 2009, 4:59pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
Contra a Tirania do Sentido Único
http://terrear.blogspot.com/2009/02/contra-tirania-do-sentido-unico.html
Provavelmente por (de) formação profissional convivo mal com a tirania do sentido único (ver infra Roland Barthes). Com as lógicas do triunfo. E com as armadilhas da objectividade.
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February 17 2009, 4:39am | Comments »
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