Fui, ontem, ao final da tarde, estabelecer uma conversa com cerca de 20 professores em torno deste problema. A questão era: temos de observar colegas que conhecemos há muitos anos; possuímos pré-conceitos sobre as qualidades dos seus desempenhos; estamos inseguros e ansiosos; em alguns casos, até discordamos do modelo e do sistema onde somos obrigados a existir. Que fazer, nestas circunstâncias?Elevar a auto-confiança; gerar dinâmicas de interacção; construir dispositivos de transparência, clareza, reconhecimento e autorização; clarificar as regras do jogo (de algum modo, democratizar o jogo); observar (ver, rever, reparar) de forma aberta e naturalista aula; preencher a grelha depois de um registo narrativo dos factos, convocando o outro para uma leitura no espelho; cuidar da relação sujeito-objecto (sabendo que a realidade é em certa medida uma criação do observador; last not least, clarificar os referenciais pedagógicos que nos vão permitir ler os factos (conceito de docência, discência, relação pedagógica, etc...)E é sempre reconfortante constatar que valeu a pena este esforço de sairmos do labirinto do sistema e ousarmos criar uma atitude e um jogo que somos autores. Porque, ao fim e ao cabo é isso que nos liberta e emancipa.
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João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
Observar aulas: sim, pois, mas como?
http://terrear.blogspot.com/2011/01/observar-aulas-sim-pois-mas-como.html
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January 28 2011, 2:50am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
A sociedade vigilante
http://dererummundi.blogspot.com/2010/09/sociedade-vigilante.html
A preocupação com a segurança de pessoas e bens e com a qualidade de serviços e instituições tem legitimado a instalação de uma panóplia de sofisticados sistema de vigilância e controlo em espaços exteriores e interiores, em contextos reais e virtuais: eeroportos, hospitais, tribunais, lojas, recintos desportivos, laboratórios, escolas, ruas, prédios, bibliotecas, correio electrónico, telefones… As câmaras de filmar, os cartões electrónicos, as impressões digitais, a leitura da retina, os chips, os satélites... entraram no nosso vocabulário e no nosso modo de ver e estar no mundo.Poderíamos pensar que se trata de uma imposição por parte de instâncias com poder, correlativamente, aceite pelas pessoas comuns, numa atitude conformista, de quem nada pode fazer a não ser sujeita-se à autoridade.Pelo que me é dado perceber, não é bem assim… As próprias pessoas, letradas e não letradas, de esquerda, de direita ou do centro, das cidades ou das aldeias, velhas, de meia-idade ou novas… não só aceitam de boa mente essa vigilância e controlo, como os reivindicam se não existem e onde existem querem-nos redobrados.De modo que se me afigura ligado ao que acima disse, as solicitações de televisões, de revistas e jornais, da internet… para disponibilizar dados particulares, para se retratar, para contar o seu caso, para mostrar o seu quotidiano, para dizer o que faz, o que pensa, o que lhe vai na alma, de si e dos outros, entrou nos hábitos sociais.Mais uma vez aqui se podería pensar que se trata de coerção mais ou menos dissimulada, que as pessoas comuns, por necessidade económica ou outra, por constrangimento ou desejabilidade social, por serem apanhadas desprevenidas, ou por falta de preparação intelectual, aceitam mas a contra-gosto.Mas, também pelo que me é dado perceber, a explicação está longe de ser esta… As próprias pessoas, seja qual for a sua condição, disponibilizam amostras de comportamentos e sentimentos privados e até íntimos, partilham acontecimentos que só a si e aos seus dizem respeito, contam o seu dia-a-dia e daqueles com quem se cruzam, ilustram os discursos com imagens da sua casa, do seu quarto, publicam fotografias suas, de amigos, dos filhos…Assim, neste início de século, tudo e todos parecem estar a ser observados, a todo o momento, em relação a todas as dimensões da vida…Todas estas considerações a propósito de um livro que me parece dissonante da opinião geral. Problematiza, apresenta teorizações e estudos, leva a pensar na nossa identidade e no modo de nos relacionarmos.Tem por título: A Sociedade Vigilante - Ensaios sobre identificação, vigilância e privacidade, foi organizado pela antropóloga Catarina Fróis e publicado em 2009 pela Imprensa de Ciências Sociais.Trata-se de uma obra que "reúne um conjunto de ensaios de proeminentes cientistas sociais, nacionais e internacionais, que procuram problematizar a implementação e legitimação de vários mecanismos de controlo vigentes na sociedade contemporânea. Aqui são abordados temas como a videovigilância; o policiamento; a introdução de novos cartões de identificação; a regulação das politicas de protecção da privacidade individual; o uso e recolha de dados pessoais (estatísticos e genéticos) para fins governamentais ou comerciais. Os autores deste livro propõem-se mostrar que estar alerta, ser-se vigilante, é uma preocupação pertinente para a academia, para decisores políticos e para a sociedade civil, procurando contribuir para um debate lúcido e informado em torno destas matérias."
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September 29 2010, 1:37pm | Comments »
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O uso que Galileu deu ao telescópio
http://dererummundi.blogspot.com/2010/01/o-uso-que-galileu-deu-ao-telescopio.html
Jim Bennett, historiador da Ciência e Director do Museu de História da Ciência da Universidade de Oxford, numa comunicação intitulada O estatuto dos instrumentos científicos, apresentada no ciclo de Conferências A ciência tal qual se faz, que teve lugar entre Outubro de 1996 e Janeiro 1998, na Fundação Calouste Gulbenkian, referiu-se da seguinte maneira ao telescópio que Galileu usou de forma inovadora."Inicialmente, o telescópio não foi relevante para a astronomia. Sabemos que pessoas que não eram astrónomas também se interessavam pelos céus. O telescópio não fazia medições - uma condição necessária para um instrumento de astronomia. O telescópio começou por ser um instrumento de guerra, e foi pela primeira vez apresentado por Galileu ao Senado veneziano nesse contexto - um invento óptico que daria ao seu utilizador uma vantagem sobre o inimigo. Mesmo quando Galileu dirigiu o instrumento para os céus, não estava a fazer astronomia no sentido tradicional.No entanto, isto constitui um desafio - ou, pelo menos Galileu fez com que assim se tornasse, pretendendo que as observações feitas com a luneta (canocchiale) eram uma prova contra a ideia de uma terra central estacionária e a favor da consideração de terra como um planeta. Neste ponto, e apesar da integridade da disciplina, a astronomia geométrica viu-se obrigada a prestar atenção, já que a suposição de uma terra estacionária era fundamental para o seu trabalho. O telescópio pretendia revelar verdades novas e nunca vistas sobre os céus; desafiava a competência da astronomia e, para além disso, tornava instável a distinção, cada vez mais difícil de manter, entre a astronomia geométrica e o estudo físico dos céus."
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January 7 2010, 9:19am | Comments »
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Observação de aulas: sim ou não? E como?
http://terrear.blogspot.com/2009/10/observacao-de-aulas-sim-ou-nao-e-como.html
Um colega (José Lúcio) está a fazer um estudo sobre o tema em epígrafe. Central para o desenvolvimento profissional dos professores se for encarada numa lógica escuta, ajuda e suporte. Como deveria ser. Quem quiser participar tem aqui a ligação:http://joselucio2006.wordpress.com/2009/10/21/sondagem-sobre-a-add-e-a-importancia-da-observacao-de-aulas/
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October 21 2009, 10:38am | Comments »
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OBSERVAR
http://terrear.blogspot.com/2009/06/observar.html
A observação é uma actividade natural, o que a torna simultaneamente fácil e difícil quando utilizada para fins de avaliação. Como temos tendência para ver o que queremos ver, temos de ter especial cuidado com enviesamentos e ideias pré-concebidas e adaptar cuidadosamente a nossa observação aos critérios definidos.ObservaçãoO que é?A observação é uma actividade com características distintas da visão. A observação para fins profissionais é um modo disciplinado de focalizar a atenção sobre determinados assuntos. Para Jack Sanger (1998:5) a observação é ‘um negócio escorregadio: o mundo é bastante mais confuso que um laboratório.’Para que serve?Recolher dados através da observação é uma boa maneira de iniciar o processo de auto-avaliação, porque não requer muito material. Para além disso, a maior parte dos programas de formação de professores contempla algum tipo de prática de observação (cf. Hook, 1981; Stubbs e Delamont, 1976; Walker, 1985). O que é importante para o desenvolvimento da escola é que as tarefas de observação não sirvam apenas para a melhoria da prática numa única sala de aula, mas que envolvam o maior número possível de professores (cf. Schratz e Walker, 1995). Na observação, os dados recolhidos destacam alguns aspectos e deixam outros para segundo plano. Este método é mais eficaz em situações em que é preciso reduzir a complexidade e fazer sobressair algum aspecto mais concreto. Uma vez que a observação é necessariamente subjectiva, a troca de dados de observação pode permitir chegar a resultados apurados, conseguindo-se uma visão inter-subjectiva.Como fazerA observação pode ser dirigida a um problema em particular (por exemplo, o comportamento dos rapazes vs o comportamento das raparigas) e pode ser feita dentro ou fora da sala de aula (ou em ambos). Há, naturalmente, diversas maneiras de observar, que se situam entre dois extremos. As actividades de observação podem ser classificadas segundo o grau de visibilidade do observador. OBSERVAÇÃOVisível/aberta Não visível/fechadaA escolha entre observação aberta ou fechada tem efeitos na situação, mesmo que o observador não seja ‘visível’ para aqueles que estão a ser observados. A observação fechada tem a vantagem de possibilitar a recolha de dados ‘autênticos’, mas há um aspecto ético envolvido, o qualconfere ao investigador a responsabilidade de actuar eticamente em relação aos outros. Isto quer dizer que o investigador, face ao seu estatuto privilegiado e conhecimento das consequências das actividades de investigação, deve proteger, tanto quanto possível, os participantes que não têm consciência das consequências que a investigação e a avaliação podem ter para si próprios. (Sanger, 1998:36)As actividades de observação também podem ser classificadas segundo a sua focagem: OBSERVAÇÃOLivre/não estruturada Focalizada/estruturadaA vantagem da observação livre é ao mesmo tempo a sua maior desvantagem: quanto mais se tenta observar, menos se vê, porque não há focagem. Por outro lado, quanto mais se estrutura a observação, mais se perde sobre a riqueza do contexto social em que a observação acontece. Consequentemente, seja qual for a alternativa escolhida, devemos ter sempre presente a perspectiva contrária!Numa observação focalizada é útil produzir em conjunto uma lista de verificação que dê a cada pessoa envolvida alguma orientação sobre a sua observação. O exemplo da Figura 11.14 é retirado de um projecto de desenvolvimento escolar em que os professores estavam interessados em observar os efeitos da sua decisão de atribuir certas zonas na escola às raparigas para as ‘proteger’ da interferência dos rapazes.Lista de VerificaçãoQue uso fazem as raparigas das áreas protegidas? (idade das raparigas? números? individualmente / em grupo?)Em que circunstâncias é que os rapazes entram nas áreas protegidas? (lutas? Individualmente / em grupo?)O que acontece quando um rapaz / rapazes entra(m) na área protegida?Data: _____________ Hora: ___________Fig. 11.14 Lista de verificação sobre áreas protegidasDepois de processados os dados da observação verificou-se que a protecção não era vista positivamente pelas raparigas; mais ainda, os rapazes entenderam que todas as outras áreas podiam então ser ocupadas por eles, o que causou mais problemas. A ideia foi de imediato abandonada e procuraram-se novas soluções.Como funciona?OBSERVAÇÃO POR PARESA observação por pares, por parte dos professores, foi usada em várias escolas. Os professores juntaram-se a outro colega com o mesmo estatuto para observar e dar feedback sobre aprendizagem, ensino, apoio às dificuldades de aprendizagem ou outros aspectos da vida da sala de aula. O mérito de conduzir este método de forma colegial, entre colegas, consistiu na possibilidade de os professores poderem trabalhar em conjunto com outros colegas num espírito de confiança e também com uma vontade de se desafiarem mutuamente. Nos casos em que se utilizou este tipo de observação, foi considerado importante negociar antecipadamente qual iria ser o foco da observação, a natureza do feedback que iria ser dado e o instrumento ou o calendário da observação a ser utilizado. Este protocolo foi normalmente trabalhado entre os próprios professores ou decidido como parte de uma iniciativa mais ampla da escola. Numa escola da Islândia, oito professores organizaram-se em pares e visitaram as aulas uns dos outros. Reuniram-se previamente para discutir e planear a visita, elaborando uma lista de nove pontos diferentes a observar e sobre os quais iria ser dado feedback. Cada professor fez três visitas, o que deu tempo para se familiarizarem com os procedimentos e ultrapassarem algumas inibições iniciais. As chaves para o sucesso desta estratégia são confiança, honestidade, planificação, acordo sobre as áreas a observar, e feedback que é simultaneamente positivo e desafiador.OBSERVAÇÃO POR ALUNOSA observação por alunos foi usada em escolas de vários países e assumiu formas variadas. Em alguns casos os alunos conceberam os seus próprios calendários de observação, noutros casos trabalharam em conjunto com os professores e/ou o amigo crítico. Numa escola Finlandesa os professores não sabiam quando se realizava a observação, mas concordaram que seria este o procedimento, possibilitando assim uma amostra mais ‘típica’ da interacção na sala de aula.Este método foi muito apreciado pelos alunos e alguns escreveram entusiasticamente sobre as suas experiências numa newsletter. A tónica geral destes comentários foi que a observação tinha despertado a sua consciência para as tarefas e o papel dos professores, assim como para a tensão entre ensino (o que o professor faz) e aprendizagem (o que o aluno faz). Uma aluna Grega afirmou o seguinte: “Pela primeira vez enquanto aluna fiz algo que me vou lembrar para toda a vida. Estive numa aula como simples observadora. Durante a aula preenchi um questionário com base nas minhas observações. Apercebi-me que alguns alunos estavam interessados na aula, enquanto que outros nem estavam interessados nem participavam ... Pergunto-me, de quem é a culpa desta situação? Em que medida somos nós, alunos, os responsáveis, ou é o nosso professor? ... Esta experiência fez-me repensar o meu papel e a minha atitude como aluna no ambiente escolar. Senti que tomei consciência de muitas coisas pela primeira vez. Oxalá a maior parte dos meus colegas pudesse ter a mesma oportunidade.” (EVA Newsletter 3)A História de Serena, Obra citada
June 2 2009, 3:06pm | Comments »
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