Chaves,11 de Setembro de 1975Pátria sem rumo,minha voz paradaDiante do futuro!Em que rosa-dos-ventos há um caminhoPortuguês?Um brumoso caminhoDe inédita aventura,Que o poeta,adivinho,Veja com nitidezDa gávea da loucura?Ah, Camões, que não sou, afortunado!Também desiludido,Mas ainda lembrado da epopeia...Ah, meu povo traído,Mansa colmeiaA que ninguém colhe o mel!...Ah, meu pobre corcelImpaciente,AladoE condenadoA choutar nesta praia do Ocidente...Miguel Torga
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Pátria sem rumo
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June 10 2010, 9:32am | Comments »
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No dia de Camões...
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No mais, Musa, no mais, que a lira tenhodestemperada e a voz enrouquecida,e não do canto, mas de ver que venhocantar a gente surda e endurecida.O favor com que mais se acende o engenhonão no dá a pátria, não, que está metidano gosto da cobiça e na rudezaduma austera, apagada e vil tristeza.Lusíadas, Canto IX, 145
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June 10 2010, 4:26am | Comments »
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Mãe
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É difícil dizer com palavras de filhoaquilo a que intimamente bem pouco me pareço.És a única no mundo que sabe o que esteve sempreno meu coração, antes de qualquer outro amor.Por isso tenho de dizer-te o que é horrível saber:é na tua graça que nasce a minha angústia.És insubstituível. Por isso está condenadaà solidão a vida que me deste.E eu não quero estar só. Tenho uma fome infinitade amor, do amor de corpos sem alma.Porque a alma está em ti, és tu, mas tués minha mãe e o teu amor é a minha servidão:vivi a infância como escravo desse sentimentosupremo, irremediável, de um fervor imenso.Era a única maneira de sentir a vida,a única cor, a única forma: agora terminou.Sobrevivemos: e é o caosde uma vida que renasce fora da razão.Suplico-te, ah, suplico-te: não queiras morrer.Estou aqui, sozinho, contigo, num Abril futuro…pier paolo pasoliniTradução de Maria Jorge Vilar de Figueiredo.(via Amélia Pais)
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May 2 2010, 5:00am | Comments »
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25 DE ABRIL
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Esta é a madrugada que eu esperavaO dia inicial inteiro e limpoOnde emergimos da noite e do silêncioE livres habitamos a substância do tempo.Sophia de Mello Breyner Andresen
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April 24 2010, 5:45pm | Comments »
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Intervalo, talvez
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March 14 2010, 11:25am | Comments »
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Segue o Teu Destino
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Segue o teu destino, Rega as tuas plantas, Ama as tuas rosas. O resto é a sombra De árvores alheias. A realidade Sempre é mais ou menos Do que nos queremos. Só nós somos sempre Iguais a nós-proprios. Suave é viver só. Grande e nobre é sempre Viver simplesmente. Deixa a dor nas aras Como ex-voto aos deuses. Vê de longe a vida. Nunca a interrogues. Ela nada pode Dizer-te. A resposta Está além dos deuses. Mas serenamente Imita o Olimpo No teu coração. Os deuses são deuses Porque não se pensam. Ricardo Reis, in "Odes"
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February 16 2010, 10:31am | Comments »
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Álvaro de Campos ou a explosão do sentir
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February 7 2010, 5:06pm | Comments »
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Porque é domingo
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February 7 2010, 5:52am | Comments »
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Promessa de Fuga ao Saber Feito
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Do que li hoje, até este momento, destaco as palavras de uma aluna (que me faz lembrar Sophia - os homens sábios tinham decretado que só havia o mundo conhecido.... algo assim ) :"(...)É que fazer de mim um cidadão aprendente, traz a responsabilidade da fuga ao saber feito, mas afaga a alma, tal qual a criança que caminha em descoberta." Mais rigosamente:Navegavam sem os mapas que faziam(atrás deixando conluios e conversasintrigas surdas de bordéis e paços)Os homens sábios tinham concluídoQue só podia haver o já sabido:Para a frente era só o inavegávelSob um clamor de um sol inabitávelIndecifrada escrita de outros astrosNo silêncio das zonas nebulosasTrémula bússola tacteava espaçosDepois surgiram as costas luminosasSilêncios e palmares frescor ardenteE o brilho do visível frente e frente.in Navegações VI
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January 17 2010, 5:44am | Comments »
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A paz sem vencedor e sem vencidos
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Dai-nos Senhor a paz que vos pedimosA paz sem vencedor e sem vencidosQue o tempo que nos deste seja um novoRecomeço de esperança e de justiça.Dai-nos Senhor a paz que vos pedimosA paz sem vencedor e sem vencidosErguei o nosso ser à transparênciaPara podermos ler melhor a vidaPara entendermos vosso mandamentoPara que venha a nós o vosso reinoDai-nos A paz sem vencedor e sem vencidosFazei Senhor que a paz seja de todosDai-nos a paz que nasce da verdadeDai-nos a paz que nasce da justiçaDai-nos a paz chamada liberdadeDai-nos Senhor paz que vos pedimosA paz sem vencedor e sem vencidosSophia de Mello Breyner AndresenDual (1972)
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January 8 2010, 3:28pm | Comments »




