Qualquer coisa de paz. Talvez somentea maneira de a luz a concentrarno volume, que a deixa, inteira, assentena gravidade interior de estar.Qualquer coisa de paz. Ou, simplesmente,uma ausência de si, quase lunar,que iluminasse o peso. E a correntede estar por dentro do peso a gravitar.Ou planalto de vento. Milenáriasemeadura de meditaçãoexpondo à intempérie a sua áreade esquecimento. Aonde a solidão,a pesar sobre si, quase que arruínaa luz da fronte onde a atenção domina.Fernando Echevarría, in "Figuras"
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Qualquer Coisa de Paz
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November 20 2010, 2:50pm | Comments »
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Confiança
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O que é bonito neste mundo, e anima,É ver que na vindimaDe cada sonhoFica a cepa a sonhar outra aventura…E que a doçuraQue se não provaSe transfiguraNuma doçuraMuito mais puraE muito mais nova…Miguel Torga(1907-1995)
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November 20 2010, 4:57am | Comments »
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O Sorriso
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Creio que foi o sorriso,sorriso foi quem abriu a porta.Era um sorriso com muita luzlá dentro, apeteciaentrar nele, tirar a roupa, ficarnu dentro daquele sorriso.Correr, navegar, morrer naquele sorriso. Eugénio de Andrade
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November 11 2010, 2:45pm | Comments »
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Música, levai-me:
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Ilha de MoçambiqueMúsica, levai-me:Onde estão as barcas?Onde são as ilhas?Eugénio de Andrade
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November 11 2010, 2:41pm | Comments »
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Escolarização
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“Tivesse eu os tecidos bordados dos céus,Lavrados com o ouro e a prata da luz,Os tecidos azuis e turvos e de breu da noite e da luz e da meia-luz,Estenderia esses tecidos a teus pés;Mas eu, sou pobre, apenas tenho sonhos;São os meus sonhos que estendi a teus pés;Sê suave ao pisar,Que pisas os meus sonhos.”W.B. Yeats
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October 23 2010, 4:08pm | Comments »
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Pátria sem rumo
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Chaves,11 de Setembro de 1975Pátria sem rumo,minha voz paradaDiante do futuro!Em que rosa-dos-ventos há um caminhoPortuguês?Um brumoso caminhoDe inédita aventura,Que o poeta,adivinho,Veja com nitidezDa gávea da loucura?Ah, Camões, que não sou, afortunado!Também desiludido,Mas ainda lembrado da epopeia...Ah, meu povo traído,Mansa colmeiaA que ninguém colhe o mel!...Ah, meu pobre corcelImpaciente,AladoE condenadoA choutar nesta praia do Ocidente...Miguel Torga
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June 10 2010, 9:32am | Comments »
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No dia de Camões...
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No mais, Musa, no mais, que a lira tenhodestemperada e a voz enrouquecida,e não do canto, mas de ver que venhocantar a gente surda e endurecida.O favor com que mais se acende o engenhonão no dá a pátria, não, que está metidano gosto da cobiça e na rudezaduma austera, apagada e vil tristeza.Lusíadas, Canto IX, 145
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June 10 2010, 4:26am | Comments »
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Mãe
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É difícil dizer com palavras de filhoaquilo a que intimamente bem pouco me pareço.És a única no mundo que sabe o que esteve sempreno meu coração, antes de qualquer outro amor.Por isso tenho de dizer-te o que é horrível saber:é na tua graça que nasce a minha angústia.És insubstituível. Por isso está condenadaà solidão a vida que me deste.E eu não quero estar só. Tenho uma fome infinitade amor, do amor de corpos sem alma.Porque a alma está em ti, és tu, mas tués minha mãe e o teu amor é a minha servidão:vivi a infância como escravo desse sentimentosupremo, irremediável, de um fervor imenso.Era a única maneira de sentir a vida,a única cor, a única forma: agora terminou.Sobrevivemos: e é o caosde uma vida que renasce fora da razão.Suplico-te, ah, suplico-te: não queiras morrer.Estou aqui, sozinho, contigo, num Abril futuro…pier paolo pasoliniTradução de Maria Jorge Vilar de Figueiredo.(via Amélia Pais)
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May 2 2010, 5:00am | Comments »
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25 DE ABRIL
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Esta é a madrugada que eu esperavaO dia inicial inteiro e limpoOnde emergimos da noite e do silêncioE livres habitamos a substância do tempo.Sophia de Mello Breyner Andresen
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April 24 2010, 5:45pm | Comments »
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Intervalo, talvez
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March 14 2010, 11:25am | Comments »



