Segue o teu destino, Rega as tuas plantas, Ama as tuas rosas. O resto é a sombra De árvores alheias. A realidade Sempre é mais ou menos Do que nos queremos. Só nós somos sempre Iguais a nós-proprios. Suave é viver só. Grande e nobre é sempre Viver simplesmente. Deixa a dor nas aras Como ex-voto aos deuses. Vê de longe a vida. Nunca a interrogues. Ela nada pode Dizer-te. A resposta Está além dos deuses. Mas serenamente Imita o Olimpo No teu coração. Os deuses são deuses Porque não se pensam. Ricardo Reis, in "Odes"
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Segue o Teu Destino
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February 16 2010, 10:31am | Comments »
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Álvaro de Campos ou a explosão do sentir
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February 7 2010, 5:06pm | Comments »
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Porque é domingo
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February 7 2010, 5:52am | Comments »
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Promessa de Fuga ao Saber Feito
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Do que li hoje, até este momento, destaco as palavras de uma aluna (que me faz lembrar Sophia - os homens sábios tinham decretado que só havia o mundo conhecido.... algo assim ) :"(...)É que fazer de mim um cidadão aprendente, traz a responsabilidade da fuga ao saber feito, mas afaga a alma, tal qual a criança que caminha em descoberta." Mais rigosamente:Navegavam sem os mapas que faziam(atrás deixando conluios e conversasintrigas surdas de bordéis e paços)Os homens sábios tinham concluídoQue só podia haver o já sabido:Para a frente era só o inavegávelSob um clamor de um sol inabitávelIndecifrada escrita de outros astrosNo silêncio das zonas nebulosasTrémula bússola tacteava espaçosDepois surgiram as costas luminosasSilêncios e palmares frescor ardenteE o brilho do visível frente e frente.in Navegações VI
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January 17 2010, 5:44am | Comments »
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A paz sem vencedor e sem vencidos
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Dai-nos Senhor a paz que vos pedimosA paz sem vencedor e sem vencidosQue o tempo que nos deste seja um novoRecomeço de esperança e de justiça.Dai-nos Senhor a paz que vos pedimosA paz sem vencedor e sem vencidosErguei o nosso ser à transparênciaPara podermos ler melhor a vidaPara entendermos vosso mandamentoPara que venha a nós o vosso reinoDai-nos A paz sem vencedor e sem vencidosFazei Senhor que a paz seja de todosDai-nos a paz que nasce da verdadeDai-nos a paz que nasce da justiçaDai-nos a paz chamada liberdadeDai-nos Senhor paz que vos pedimosA paz sem vencedor e sem vencidosSophia de Mello Breyner AndresenDual (1972)
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January 8 2010, 3:28pm | Comments »
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Música e Palavras para abrir o Mundo
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A CRIAÇÃO, DE HAYDNFelizes estes homens que podiam escrever da Criação,confiadamente compor-por mais dores que sofressemenquanto humanos e como seres viventes-tão jubilantes cânticos do criar do Mundo.Era belo, era bom, era perfeito o Mundo.É certo que o cantavam quando apenas criado,e o par humano pisava sem pecadoo jardim paradisíaco.Nós nem mesmo em momentos únicos,raríssimos, epifânicos-e não só por não crermos no pecado-,não podemos.Jorge de Sena(via Amélia Pais)
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December 31 2009, 8:04am | Comments »
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ANO NOVO
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Para você ganhar belíssimo Ano Novocor de arco-íris, ou da cor da sua paz,Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido(mal vivido ou talvez sem sentido)para você ganhar um anonão apenas pintado de novo, remendado às carreiras,mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,novoaté no coração das coisas menos percebidas(a começar pelo seu interior)novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,mas com ele se come, se passeia,se ama, se compreende, se trabalha,você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,não precisa expedir nem receber mensagens(planta recebe mensagens?passa telegramas?).Não precisa fazer lista de boas intenções**para arquivá-las na gaveta.Não precisa chorar de arrependidopelas besteiras consumadasnem parvamente acreditarque por decreto da esperançaa partir de janeiro as coisas mudeme seja tudo claridade, recompensa,justiça entre os homens e as nações,liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,direitos respeitados, começandopelo direito augusto de viver.Para ganhar um ano-novoque mereça este nome,você, meu caro, tem de merecê-lo,tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,mas tente, experimente, consciente.É dentro de você que o Ano Novocochila e espera desde sempre.Carlos DrummondDezembro/1997
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December 30 2009, 3:31pm | Comments »
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Pena Ventosa - Cadernos de Poesia
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Eis o número primeiro dos Cadernos de Poesia. 100 exemplares, para começar. 12 páginas. 11 autores. Todos nascidos nos anos L.Fazendo da palavra a arte da respir ação. Da evoca ção. Da denún cia. Da inspira ção. Da navega ção. A arte do voo. A arte do dizer o outono nos "vegetais meandrosde teus olhos"e a busca das sobras e "o cio das palavrasjá libertas do fim deste degredo" (HM).Gesto amigo fez questão de me oferecer esta relíquia. Que se folheia como se fosse um corpo. Que se lê como se soubesse a mar. Que se descansa como se merecesse repouso. Aqui o revelo. Este projecto de fazer mais nossos, os dias.(com o agradecimento ao Henrique Monteiro)
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December 29 2009, 11:02am | Comments »
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O Dia Deu em Chuvoso
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O dia deu em chuvoso.A manhã, contudo, esteve bastante azul.O dia deu em chuvoso.Desde manhã eu estava um pouco triste.Antecipação! Tristeza? Coisa nenhuma?Não sei: já ao acordar estava triste.O dia deu em chuvoso.Bem sei, a penumbra da chuva é elegante.Bem sei: o sol oprime, por ser tão ordinário, um elegante.Bem sei: ser susceptível às mudanças de luz não é elegante.Mas quem disse ao sol ou aos outros que eu quero ser elegante?Dêem-me o céu azul e o sol visível.Névoa, chuvas, escuros — isso tenho eu em mim.Hoje quero só sossego.Até amaria o lar, desde que o não tivesse.Chego a ter sono de vontade de ter sossego.Não exageremos!Tenho efectivamente sono, sem explicação.O dia deu em chuvoso.Carinhos? Afectos? São memórias...É preciso ser-se criança para os ter...Minha madrugada perdida, meu céu azul verdadeiro!O dia deu em chuvoso.Boca bonita da filha do caseiro,Polpa de fruta de um coração por comer...Quando foi isso? Não sei...No azul da manhã...O dia deu em chuvoso.Fernando Pessoa.Álvaro de Campos
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December 5 2009, 4:01am | Comments »
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Palavras
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Terminou há dias, na UCP Porto, um Curso de Especialização em Supervisão Pedagógica e Avaliação de Docentes - SPAD. Lembro que logo no início, no contexto de uma apresentação mútua, pedi aos alunos para escreverem num cartão as palavras de que mais gostavam. Essas palavras foram escritas no quadro. No final, recebi da turma AS NOSSAS PALAVRAS PREFERIDAS, agora inscritas num poema. Aqui ficam. Para memória futura.
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December 1 2009, 12:44pm | Comments »




