Por sugestão de Amélia Pais.
-
João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
Felicidade
http://terrear.blogspot.com/2009/02/felicidade.html
- Tags:
- videos
- felicidade
- Os meus poemas
February 22 2009, 6:15am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
Corpo e Alma
http://terrear.blogspot.com/2009/02/corpo-e-alma.html
Faz-me o favor...Faz-me o favor de não dizer absolutamente nada! Supor o que dirá Tua boca velada É ouvir-te já. É ouvir-te melhor Do que o dirias. O que és não vem à flor Das caras e dos dias. Tu és melhor -- muito melhor! Do que tu. Não digas nada. Sê Alma do corpo nu Que do espelho se vê. Mário Cesariny (com o agradecimento a IA)
- Tags:
- videos
- Os meus poemas
February 20 2009, 4:19pm | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
http://terrear.blogspot.com/2009/02/galileo-galilei-pisa-15-de-fevereiro-de.html
Galileo Galilei,Pisa, 15 de fevereiro de 1564 — Florença, 8 de janeiro de 1642)(porque hoje faria anos)Poema para GalileoEstou olhando o teu retrato, meu velho pisano,aquele teu retrato que toda a gente conhece,em que a tua bela cabeça desabrocha e florescesobre um modesto cabeção de pano.Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da tua velha Florença.(Não, não, Galileo! Eu não disse Santo Ofício.Disse Galeria dos Ofícios.)Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da requintada Florença.Lembras-te? A Ponte Vecchio, a Loggia, a Piazza della Signoria...Eu sei...Eu sei...As Margens doces do Arno às horas pardas da melancolia.Ai que saudade, Galileo Galilei!Olha. Sabes? Lá em Florençaestá guardado um dedo da tua mão direita num relicário.Palavra de honra que está!As voltas que o mundo dá!Se calhar até há gente que pensaque entraste no calendário.Eu queria agradecer-te, Galileo,a inteligência das coisas que me deste.Eu,e quantos milhões de homens como eua quem tu esclareceste,ia jurar - que disparate, Galileo!- e jurava a pés juntos e apostava a cabeçasem a menor hesitação -que os corpos caem tanto mais depressaquanto mais pesados são.Pois não é evidente, Galileo?Quem acredita que um penedo caiacom a mesma rapidez que um botão de camisa ou que um seixo de praia?Esta era a inteligência que Deus nos deu.Estava agora a lembrar-me, Galileo,daquela cena em que tu estavas sentado num escabeloe tinhas à tua frenteum friso de homens doutos, hirtos, de toga e de capeloa olharem-te severamente.Estavam todos a ralhar contigo,que parecia impossível que um homem da tua idadee da tua condição,se estivesse tornando num perigopara a Humanidadee para a Civilização.Tu, embaraçado e comprometido, em silêncio mordiscavas os lábios,e percorrias, cheio de piedade,os rostos impenetráveis daquela fila de sábios.Teus olhos habituados à observação dos satélites e das estrelas,desceram lá das suas alturase poisaram, como aves aturdidas - parece-me que estou a vê-las - ,nas faces grávidas daquelas reverendíssimas criaturas.E tu foste dizendo a tudo que sim, que sim senhor, que era tudo tal qualconforme suas eminências desejavam,e dirias que o Sol era quadrado e a Lua pentagonale que os astros bailavam e entoavamà meia-noite louvores à harmonia universal.E juraste que nunca mais repetiriasnem a ti mesmo, na própria intimidade do teu pensamento, livre e calma,aquelas abomináveis heresiasque ensinavas e escreviaspara eterna perdição da tua alma.Ai, Galileo!Mal sabiam os teus doutos juízes, grandes senhores deste pequeno mundo,que assim mesmo, empertigados nos seus cadeirões de braços,andavam a correr e a rolar pelos espaçosà razão de trinta quilómetros por segundo.Tu é que sabias, Galileo Galilei.Por isso eram teus olhos misericordiosos,por isso era teu coração cheio de piedade,piedade pelos homens que não precisam de sofrer, homens ditososa quem Deus dispensou de buscar a verdade.Por isso estoicamente, mansamente,resististe a todas as torturas,a todas as angústias, a todos os contratempos,enquanto eles, do alto inacessível das suas alturas,foram caindo,caindocaindocaindocaindo sempre,e sempre.ininterruptamente,na razão directa dos quadrados dos tempos.António GedeãoObra PoéticaEdições João Sá da Costa2001Por sugestão/lembrança de Amélia Pais
- Tags:
- Os meus poemas
February 15 2009, 5:12am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
Força perdida entre montanhas de desconfiança
http://terrear.blogspot.com/2009/02/forca-perdida-entre-montanhas-de.html
February 14 2009, 10:43am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
As palavras
http://terrear.blogspot.com/2009/02/as-palavras.html
São como um cristal,as palavras.Algumas, um punhal,um incêndio.Outras,orvalho apenas.Secretas vêm, cheias de memória.Inseguras navegam:barcos ou beijos,as águas estremecem.Desamparadas, inocentes,leves.Tecidas são de luze são a noite.E mesmo pálidasverdes paraísos lembram ainda.Quem as escuta? Quemas recolhe, assim,cruéis, desfeitas,nas suas conchas puras?Eugénio de Andrade
- Tags:
- Os meus poemas
February 13 2009, 5:20pm | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
Soy
http://terrear.blogspot.com/2009/02/soy.html
Soy el que sabe que no es menos vanoque el vano observador que en el espejode silencio y cristal sigue el reflejoo el cuerpo (da lo mismo) del hermano.Soy, tácitos amigos, el que sabeque no hay otra venganza que el olvidoni otro perdón. Un dios ha concedidoal odio humano esta curiosa llave.Soy el que pese a tan ilustres modosde errar, no ha descifrado el laberintosingular y plural, arduo y distinto,del tiempo, que es uno y es de todos.Soy el que es nadie, el que no fue una espadaen la guerra. Soy eco, olvido, nada.SouSou o que sabe não ser menos vãoQue o vão observador que frente ao mudoVidro do espelho segue o mais agudoReflexo ou o corpo do irmão.Sou, tácitos amigos, o que sabeQue a única vingança ou o perdãoÉ o esquecimento. Um deus quis dar entãoAo ódio humano essa curiosa chave.Sou o que, apesar de tão ilustres modosDe errar, não decifrou o labirintoSingular e plural, árduo e distinto,Do tempo, que é de um só e é de todos.Sou o que é ninguém, o que não foi a espadaNa guerra. Um esquecimento, um eco, um nada.Jorge Luis Borges, in "A Rosa Profunda"(com agradecimento a IA)
- Tags:
- Os meus poemas
February 8 2009, 9:11am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
http://terrear.blogspot.com/2009/02/recebi-ha-pouco-esta-mensagem.html
Recebi há pouco esta mensagem. Gostei. Muito. Aqui a inscrevo, com um obrigado.Bom dia! Ora aqui te ofereço parte de um poema descoberto ontem à noite. Se gostares põe no terrear. Para contrariar tristezas...Atenção: começa mesmo com minúscula...li algures que os gregos antigos não escreviam necrológios,quando alguém morria perguntavam apenas:tinha paixão?quando alguém morre também eu quero saber da qualidade da sua paixão:se tinha paixão pelas coisas gerais,água,música,pelo talento de algumas palavras para se moverem no caos,pelo corpo salvo dos seus precipícios com destino à glória,paixão pela paixão,tinha?……………………………………..Herberto Helder, A Faca não Corta o Fogo, 2008. (Esgotado em 5 dias com uma tiragem de 3000 exemplares). Agora republicado em Ofício Cantante – obra completa.
- Tags:
- Os meus poemas
February 7 2009, 8:36am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
DIES IRAE
http://terrear.blogspot.com/2009/02/dies-irae.html
Apetece cantar,mas ninguém canta.Apetece chorar, mas ninguém chora.Um fantasma levantaA mão do medo sobre a nossa hora.Apetece gritar, mas ninguém grita.Apetece fugir, mas ninguém foge.Um fantasma limitaTodo o futuro a este dia de hoje.Apetece morrer,mas ninguém morre.Apetece matar, mas ninguém mata.Um fantasma percorreOs motins onde a alma se arrebata.Miguel TorgaMozart - Requiem - Dies irae
- Tags:
- música
- Os meus poemas
February 1 2009, 8:54am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
Desejo de Voo
http://terrear.blogspot.com/2009/01/desejo-de-voo.html
Os pássaros nascem na ponta das árvores As árvores que eu vejo em vez de fruto dão pássaros Os pássaros são o fruto mais vivo das árvores Os pássaros começam onde as árvores acabam Os pássaros fazem cantar as árvores Ao chegar aos pássaros as árvores engrossam movimentam-se deixam o reino vegetal para passar a pertencer ao reino animal Como pássaros poisam as folhas na terra quando o outono desce veladamente sobre os campos Gostaria de dizer que os pássaros emanam das árvores mas deixo essa forma de dizer ao romancista é complicada e não se dá bem na poesia não foi ainda isolada da filosofia Eu amo as árvores principalmente as que dão pássaros Quem é que lá os pendura nos ramos? De quem é a mão a inúmera mão? Eu passo e muda-se-me o coração Ruy Belo(com agradecimento a IA)
- Tags:
- música
- Os meus poemas
January 30 2009, 12:30pm | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
Cântico Negro
http://terrear.blogspot.com/2009/01/cantico-negro.html
Evocar, de novo. Sempre.
- Tags:
- Os meus poemas
January 29 2009, 5:10am | Comments »


