Encostas a face à melancolia e nem sequerouves o rouxinol. Ou é a cotovia?Suportas mal o ar, divididoentre a fidelidade que deves à terra de tua mãe e ao quase brancoazul onde a ave se perde.A música, chamemos-lhe assim,foi sempre a tua ferida, mas também foi sobre as dunas a exaltação.Não oiças o rouxinol. Ou a cotovia.É dentro de tique toda a música é ave. Eugénio de Andrade, Branco no Branco
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Encostas a face...
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January 11 2009, 10:03am | Comments »
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Entre o Sono e o Sonho
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Um poema de Fernando Pessoa para o fim da noite. (com agradecimento a IS) Entre o sono e o sonho, Entre mim e o que em mim É o quem eu me suponho Corre um rio sem fim.
Passou por outras margens, Diversas mais além, Naquelas várias viagens Que todo o rio tem.
Chegou onde hoje habito A casa que hoje sou. Passa, se eu me medito; Se desperto, passou.
E quem me sinto e morre No que me liga a
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January 10 2009, 4:01am | Comments »
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Il pleure dans mon coeur
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(Paul Verlaine - Romances sans paroles, falecido neste dia em 1896)
Il pleure dans mon coeur Comme il pleut sur la ville; Quelle est cette langeur Qui pénètre mon coeur?
Ô bruit doux de la pluie Par terre et sur les toits! Pour un coeur qui s'ennuie, Ô le chant de la pluie!
Il pleure sans raison Dans ce coeur qui s'écoeure. Quoi! nulle trahison?... Ce deuil est sans raison.
C'est bien la
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January 8 2009, 2:55am | Comments »
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Começa hoje o ano
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Nada começa: tudo continua.Onde ‘stamos, que vemos só passar? O dia muda, lento, no amplo ar; Murmura, em sombras, flui a água nua. Vêm de longe, Só nosso vê-las teve começar. Em cadeias do tempo e do lugar, É abismo o começo e ausência.
Nenhum ano começa. É eternidade! Agora, sempre, a mesma eterna idade, Princípio de Deus sobre o momento, Na curva do amplo céu o dia esfria,- Tags:
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January 1 2009, 9:22am | Comments »
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Receita de ano novo
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Para você ganhar belíssimo Ano Novo cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido (mal vivido talvez ou sem sentido) para você ganhar um ano não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; novo até no coração das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior) novo, espontâneo, que de tão perfeito nem
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December 31 2008, 5:15am | Comments »
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Há palavras
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Há palavras que nos beijam Como se tivessem boca. Palavras de amor, de esperança, De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas Quando a noite perde o rosto; Palavras que se recusam Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas Entre palavras sem cor, Esperadas inesperadas Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama Letra a letra revelado No mármore distraído No papel
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December 30 2008, 1:03pm | Comments »
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Às vezes, entra-se em casa
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Às vezes entra-se em casa com o outonopreso por um fio, dorme-se então melhor,mesmo o silêncio acabou por se calar. Talvez pela noite fora ouça cantar o galo,e um rapazito suba as escadascom um cravoe notícias de minha mãe. Nunca fui tão amargo, digo-lhe então,nunca à minha sombra a luzmorreu tão joveme tão turva. Parece que vai nevar.
Eugénio de Andrade (BRANCO NO BRANCO)
Fonte (recomendada)
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December 28 2008, 11:38am | Comments »
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Nascerei sempre que a palavra
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O campo que desdobro e rodopio é um corpoque do meu corpo nasce, que do meu campo solto
António Ramos Rosa, Campo e Corpo Nascerei sempreque a palavra vier ter comigocomo a paisagem de uma manhã de Natal
mesmo quando as pedras sem corme conduzirem por entre as calhase no horizonte só os barcos ausentes navegarem
nascerei sempre que as palavras amanheceremcomo fogueiras vermelhas de
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December 21 2008, 5:25am | Comments »
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Ternura quase impossível
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A uma luz perigosa como águaDe sonho e assaltoSubindo ao teu corpo realRecordo-te E és a mesmaTernura quase impossívelDe suportarPor isso fecho os olhos(O amor faz-me recuperar incessantemente o poder daprovocação. É assim que te faço arder triunfalmenteonde e quando quero. Basta-me fechar os olhos)Por isso fecho os olhosE convido a noite para a minha camaConvido-a a tornar-se tocanteFamiliar
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December 20 2008, 2:49pm | Comments »
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Quatro Odes de Ricardo Reis ditas por JV
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Não consentem os deuses mais que a vida. Tudo pois refusemos, que nos alce A irrespiráveis píncaros,Perenes sem ter flores. Só de aceitar tenhamos a ciência,E, enquanto bate o sangue em nossas fontes,Nem se engelha conosco O mesmo amor, duremos, Como vidros, às luzes transparentes E deixando escorrer a chuva triste,Só mornos ao sol quente, E reflectindo um pouco.
Como se cada beijoFora
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November 25 2008, 2:29pm | Comments »