Os leitores já nem estranham os meus períodos de silêncio aqui no webzine pessoal, ou blog. Até porque a maioria já me lê/acompanha/conversa comigo por aí nas redes sociais, nomeadamente no Twitter e no Facebook, onde tenho actividade diária. Contudo, na última semana voltei a ter actividade editorial. Lancei um novo jornal, o Diário2, que começa devagar e com objectivos e ambições. Deles falaremos mais à frente. Por agora, fica a nota de que os leitores de Certamente! por feed e newslewtter poderão continuar a ler-me sem necessidade de adicionar ou mudar coisa nenhuma. Os meus artigos no Diário2 (e noutros locais eventualmente) passarão a ser distribuídos também por esses dois canais. Até já.
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João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
Alterações no Certamente!
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November 6 2009, 3:17pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
Caminhamos para uma maior imersão na rede
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Entrevista a Pedro Lopes, para a revista Unibanco. Pedro Lopes: Twitter, Facebook, Hi5, MySpace apresentam-se como os sites preferidos de quem pretende fazer parte deste universo das redes sociais. Existem públicos específicos para cada um deles ou falamos de utilizadores comuns? Algum destes sites leva vantagem sobre os outros? Paulo Querido: Há um grande número de utilizadores comuns a vários sites de social networking. Além dos citados, e dentro dos pesos pesados, temos ainda o LinkedIn. Contudo, cada um atrai um público — ou, melhor dito, um tipo de utilização. O Twitter tem as componentes do debate em tempo real, para os grandes acontecimentos, e da partilha instantânea e viral de informação. O Facebook está a sobressair na área do lazer e de manter o contacto. O Hi5 continua a servir a finalidade do relacionamento pessoal, sobretudo nos públicos juvenis, e o MySpace vacila entre um site de publicação, tipo blog, e o networking social em que o Facebook o tem ultrapassado. Actualmente, o Facebook está a tomar uma dianteira em termos de impacto e de crescimento. O Twitter, que será sempre mais pequeno e restrito, têm uma atenção mediática tremenda. Os outros estão a perder importância. PL: Em sua opinião, que factores potenciaram este verdadeiro boom das redes sociais e que peso podemos atribuir-lhes na formação de opinião pública? PQ: Os factores são múltiplos e merecem aprofundamento. Contudo, eu destacaria estes: a facilidade de utilização, aliada ao charme da tecnologia, ao custo irrelevante, ao cansaço dos formatos de entretenimento tradicionais, e à crise financeira, que ajudou as pessoas a trocarem a rua pelo lar. Quanto ao seu peso na formação de opinião, julgo que está a meio caminho entre o peso do peering e o peso dos líderes de opinião. Nas redes, físicas ou electrónicas, os nossos contactos de primeiro nível — família, amigos, colegas, professores — são mais importantes para as decisões e a formação de opinião que as vozes escutadas nos media. Contudo, nas redes electrónicas o papel de emissor de opinião é mais comum, em geral incluimos vários na nossa rede de primeiro nível. Há uma mistura rica. Que está a diminuir a importância de uma parte dos líderes de opinião convencionais. Este fenómeno, contudo, está ainda a despontar, mal temos a percepção dele, quanto mais conclusões… PL: Quais os países onde esta nova cultura está mais enraizada? PQ: Não é fácil estabelecer divisões. A cultura reticular está a disseminar-se rapidamente de forma global. Onde haja conectividade, ela desponta, sem grandes diferenças (além do uso da língua local) para os outros países e regiões. A resposta está, portanto, nas tabelas das taxas de conectividade à Internet e à telefonia móvel. PL: E, comparando com esses países, onde aparecem Portugal e os portugueses no ranking de utilizadores das redes sociais? Qual o site onde existem mais utilizadores nacionais? PQ: Portugal está no grupo dos mais conectados e os portugueses são rápidos a assimilar as tendências. O país surge em regra na tabela dos 20 mais. Nalguns serviços, como o Hi5 e o Twitter, está entre os 10 primeiros. O Hi5 continua a ser o serviço com maior número de contas abertas por portugueses. Se e como elas são usadas, é outra história. PL: Como se explica que, depois da chuva de críticas que se abateu sobre o universo Big Brother e a falta de privacidade a ele associada, assistamos agora a uma espécie de vontade incontrolável de revelar ao mundo aquilo que é nosso, com o Youtube à cabeça das ferramentas para fazê-lo? PQ: A chuva de críticas veio de uma elite que, à altura, detinha a única voz audível no panorama mediático. Não tenho a certeza, digamos assim, que a maioria dos prodo-consumidores de media, ontem como hoje, assinasse essas críticas. A verdade da massas está mais perto do que Andy Warhol definiu. A imensa maioria procura os seus 5 minutos de fama. E tem a noção de que, num mundo extraordinariamente competitivo, aparecer constitui uma vantagem. Hoje, essa vantagem já não é exclusiva das elites críticas. PL: Que riscos, nomeadamente para utilizadores mais novos, pode trazer esta constante troca de informação? PQ: O risco da exposição a perigos que a sociedade ainda não balizou convenientemente. Alguns desses perigos ainda não foram, sequer, inventariados. Outros estão largamente sobredimensionados. E há riscos de saúde subdimensionados. PL: Olhando para um futuro a médio prazo, como imagina a evolução da utilização das redes sociais? PQ: A médio prazo, caminhamos para uma maior imersão na rede. Os serviços, hoje muito marcados, verão as suas marcas diluídas. Os dados individuais passarão a constituir um fluxo, um rio (pessoal) alimentado a partir de diversos afluentes (cada conta do indivíduo em cada serviço) e que é intermutável com os outros fluxos. As ferramentas de edição serão substituídas, na importância, por ferramentas de pesquisa, etiquetagem e validação. Quando olhamos hoje para a tecnologia, o que vemos nascer são os alicerces desse edifício colectivo.
October 17 2009, 8:30am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
Conteúdos pagos: não há lugar para 100 clones e imitações do WSJ, apenas para o original
De uma entrevista ao Diário Económico: Rebeca Venâncio: Algumas edições online de jornais portugueses adaptaram algumas modalidades pagas, como o Público ou o Expresso. Haveria“espaço” para mais que isto no nosso país? Paulo Querido: Essas experiências foram feitas numa fase demasiado cedo e depressa abandonadas: num ambiente de rede, ter os conteúdos por detrás de um muro é um atalho directo para a irrelevância. Só conteúdos de grande valor poderão ser vendidos. A informação geral, o noticiário, e respectivo acesso, não possuem valor suficiente para vender. Respondendo directamente: o espaço, ou melhor, a atenção das pessoas está cá, com total disponibilidade, e vai ser preenchido por produtos oriundos de outros lugares porque em Portugal os produtores de informação não se colocaram no mercado. Do qual, ainda por cima, desconfiam. RV: Apesar do sucesso do caso do Wall Street Journal com a edição online paga, isto fará sentido em todas as publicações? PQ: Não. O WSJ é um caso à parte. Em Portugal, não há nenhum exemplo de jornal, online ou offline, cujo valor intrínseco justifique o pagamento de uma mensalidade. Repare-se que o negócio das assinaturas, que chegou a ser importante para alguns jornais, é da área dos transportes e não da área do jornalismo. Só jornalismo de alta qualidade é vendável enquanto produto, na rede. Nem sequer a opinião reputada tem valor comercial online. Não há lugar para 100 clones e imitações do WSJ: apenas para o original. RV: Acha que seria possível concretizar-se em Portugal um consórcio como o que Murdoch está a promover? PQ: Possível, claro que sim. Em Portugal todos os erros são possíveis no campo dos media. Não apenas possíveis: são prováveis. RV: Dos vários modelos que existem para as edições online (pago, gratuito, misto…) qual considera ser o melhor? PQ: Nesta altura ainda prematura do caminho das edições online, sabemos isto: que fechar a edição é um erro crasso, capaz de levar à extinção; que a atenção das pessoas se tornou captável por milhares de concorrentes, e não apenas pelos com capacidade económica para montar uma rotativa ou estação de televisão; que com os preços ditados pela Google a publicidade não vai pagar o profissionalismo editorial; w que nenhum modelo realmente se impôs. Penso que a experimentação contínua, a extrema atenção às comunidades e não temer arriscar são mais importantes nesta fase. Sintetizando: não há um modelo, há vários, que devemos testar ao mesmo tempo. Mais fácil é indicar o pior modelo. E o pior modelo é o muro pago. 99% do actual negócio dos media desaparecerá com ele. Murdoch sabe disso e está apenas a tentar assegurar que será ele o 1% restante.
October 15 2009, 2:30am | Comments »
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O caso Maitê
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Rosana Hermann, jornalista (e física nuclear) brasileira, publicou uma pequena entrevista comigo a propósito do caso Maitê, que escandalizou os portugueses (e muitos brasileiros também). Os meus leitores mais dedicados podem ler aqui, no blog da Rosana, Querido Leitor. Leia ainda, sobre o “escândalo”: Maitê … Proença! Por falar em saia justa…. Também no Facebook o assunto foi altamente escapelizado pela minha rede, ver aqui (necessita estar “logado” no Facebook).
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October 14 2009, 2:30am | Comments »
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Together
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Juntos. Juntos. Together. Ensemble. Xuntos. Együtt. Samen. Sammen. Juntes. Insieme. Juntos. Junts. Insieme. Together, again. Juntos, de nuevo. Zusammen. Còmhla. Tillsammans. Sammen. Together.
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October 2 2009, 9:05pm | Comments »
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O que significa deter o poder no mundo da informática?
http://pauloquerido.pt/tecnologia/o-que-significa-deter-o-poder-no-mundo-da-informatica/
A propósito da guerra aberta entre a Google e a Microsoft, perguntas e respostas (). Pergunta – Informação é poder. Acha, que cada vez mais, esta citação é uma realidade? Resposta – Não diria “cada vez mais”. A informação sempre foi poder. Estando a mudar o acesso à informação, os equilíbrios de poderes levarão por tabela. O que significa deter o poder no mundo informático? Significa ter uma base de clientes maior que a concorrência. O que despoleta esta “guerra” entre as empresas? Aceder ao mercado. Quanto maior for o número de clientes, maiores serão os lucros. A Google e a Microsoft são corporações como as outras: competem pelo domínio do mercado. Qual o impacto desta disputa no segmento informático? E no económico? No segmento informático há um impacto esperado. Quanto mais a Google reforçar a sua base instalada, mais o conceito de software aberto e livre, práticas de cooperação e definições (standards) abertas serão reforçadas. Quanto mais a Microsoft reforçar a sua base instalada, mais se reforçam os conceitos de software proprietário, práticas monopolistas e definições fechadas a imporem-se ao tecido dos programadores, a chamada factura-Microsoft. No económico, não tenho a certeza que haja um impacto diferenciado. Talvez a Google penda mais para alguma distribuição e a Microsoft surja como a avarenta, mas em termos de impacto no mercado não vejo grande diferença. Qual a sua perspectiva enquanto utilizador? Sou utilizador de produtos e serviços da Google. Estou satisfeito com a empresa, de uma forma geral. Como parceiro, nem tanto. A Google está a ter um efeito pernicioso no mercado de publicidade, cujo futuro é incerto. Decidi deixar de ser cliente da Microsoft há 3 anos e foi das mais sensatas decisões que tomei, relativamente à minha relação com a informática. Não uso nenhum produto deles e vivo feliz com a ausência dos problemas associados e com a poupança dos custos indirectos (anti-vírus, etc). Como acha que os utilizadores vão reagir a estas mudanças, uma vez que no mercado informático, continuamos a ser animais de hábitos? Há dois tipos de mudança. Por um lado, cada vez mais gente livre do paradigma Microsoft, cuja época já lá vai. Por outro, as pessoas descobrem, ao falar umas com as outras, que afinal há alternativas. Os próprios meios de comunicação genéricos atrevem-se já a desafiar a lógica do press-release e a noticiar as alternativas e os concorrentes de forma séria, em vez de os pintarem como eles surgem aos olhos da Microsoft: malditos, piratas, duvidosos. Ou, na melhor das hipóteses, como figuras circenses. Resta ver a que velocidade se darão as mudanças. Importa-me mais a mudança de paradigma — computação distribuída, aplicações ubíquas — que a mudança de logotipos das empresas dominantes. Uma vez que a Google apenas apresentou no blog a intenção de trabalhar num sistema operativo, pensa que poderá haver um adiamento do projecto ou até mesmo uma desistência? Não creio que desistam. Estão há anos a trabalhar nele, indirectamente. Agora, a data final de saída de um produto unificado, o sistema operativo, pode ser adiada em função dos interesses da empresa. Acha que o Office 2010 e as medidas a ele aplicadas (ser grátis) poderão influenciar os utilizadores? Inevitavelmente, amortecem a queda. Estamos a falar de 1 base de clientes específica, as empresas, habituadas a incluir contratos e licenças nos seus orçamentos. Pensa que o Windows 7 abafará um lançamento do Google Chrome OS? Não imagino que possa abafar. O peso da novidade, da coqueluche fará essa balança pender para o lado da Google. Não conheço o Windows 7 para me pronunciar, mas temo que seja um novo flop, como foi o Vista. E estou curioso para ver como reage a Microsoft a um eventual segundo flop no mercado dos sistemas operativos, onde perde quota devagar, mas inexoravelmente. () Entrevista para Semanário Económico em Julho de 2009
September 28 2009, 3:00am | Comments »
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Domínios para venda
http://pauloquerido.pt/pessoal/dominios-para-venda/
Tenho os seguintes domínios disponíveis, à venda. Se lhe interessa o investimento, leitor, contacte-me para saber as condições. Os preços são diferentes consoante os domínios e começam nos 30 euro (assinalados). alltwitter.com blogoescola.com blogoescola.net eleicoesamericanas.com ogattopardo.net parablogues.com (30 euro) pe140.com (30 euro) pe140.net (30 euro) twitterbrasil.com twitterespana.com twitterfrance.com wikiclipe.com (30 euro)
September 26 2009, 8:15am | Comments »
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Papel do jornalista: dirigir a narrativa
http://pauloquerido.pt/media/3437/
Quais as razões para ter optado por uma carreira como freelancer e não por algo mais seguro estando veinculado a algum meio de comunicação? Em 30 anos de carreira, tive vínculo a vários meios de comunicação em diferentes alturas. Sou free lancer há poucos anos: menos de 3. A razão tem mais a ver com questões do mercado do que com as minhas opções pessoais. P – Quais as vantagens? R – Maior liberdade de movimentos. Não estar sujeito aos ambientes fechados das redacções, onde as questões pessoais por vezes se sobrepõem às razões editoriais. P – E as desvantagens? R – Trabalhos em equipa quase desaparecem. Reportagens multi-disciplinares ficam muito difíceis. Perde-se alguma identidade com o processo produtivo. Eu, por exemplo, gostava de acompanhar o fecho do jornal até à gráfica e agora mesmo que o quisesse não poderia. P – Ciberjornalismo é sinónimo de nova era do jornalismo? R – Em si próprio, não. É apenas mais uma disciplina, resultando da evolução da sociedade. O jornalismo, como tantas outras actividades, vem-se multiplicando em formatos e especializações à medida que a sociedade fic mais complexa. E os meios se multiplicam. Acontece é que o ciberjornalismo é contemporâneo de mudanças mais importantes ao nível da economia dos media. Sendo por vezes, e erradamente, interpretado como causa dessas mudanças. P – Optou por este meio por gosto próprio? R – Sim. A extraordinária capacidade da informática para o processo de recolha e processamento de informações atraiu-me desde o surgimento da micro-informática. Ainda eu era estagiário. Mas como tive de incorporar essas ferramentas e processos sozinho, algumas vezes perante a desconfiança, até, da Redacção, só pude fazê-lo mais tarde, quando já tinha maior segurança e uma carreira lançada. P – Considera o ciberjornalismo um novo veículo de informação em expansão? R – Não. O ciberjornalismo é apenas um processo. O uso de ferramentas e métodos que não existiam antes. P – É um grande apologista do uso do twitter. Consegue numa frase simplificar todo o seu conceito? R – Ocorre a alguém dizer: “é um grande apologista do uso do telefone”? O Twitter é uma nova layer, ou camada, tecnológica que permite o processamento e filtragem de informação geograficamente distribuída em tempo real, em directo. Com a particularidade de permitir também a difusão, e não apenas a recolha. P – Porquê o Twitter e não outro meio como Facebook, MySpace, etc? R – Uso o Twitter como uso o Facebook como uso outras ferramentas menos conhecidas, mas nem por isso menos importantes no espaço que ocupam nos meu dia a dia profissional. Do ponto de vista do jornalista, que é o meu, as redes sociais são audiências diferentes — enriquecidas, úteis, bi-direccionais. Socializo pouco, e só socializo na medida em que essa socialização está ligada ao que faço e ao que me interessa. P – O que muda com o Twitter no mundo do jornalismo? R – Muda a percepção do mundo, a montante (fontes) e a jusante (audiências). Mas muda também o ambiente produtivo, na medida em que o Twitter também é um meio conversacional. Muda o impacto das pessoas no processo jornalístico, que é ampliado. Muda o potencial de envolvimento do jornalista (e do órgão que represente) com a audiência. Muda a narrativa, tanto na sua elaboração como na sua difusão. É preciso compreender que o papel do jornalista é o mesmo — dirigir essa narrativa de forma a ficar o mais perto possível do facto, da notícia, da explicação do acontecimento. Já não tem de fazer tudo sozinho, porém. Agentes e público constroem em parte essa narrativa, o jornalista tem o papel de “colar” o relevante e de identificar as relações entre factos. P – A quantidade de informação que circula na internet, de acesso fácil não estará a ditar o fim dos jornais? R – Não é a quantidade que dita o fim, mas o acesso livre às fontes. Os jornais existiam porque era preciso levar as informações de um local para outro. O negócio era o transporte, não propriamente a notícia. Não sendo o transporte mais necessário, o negócio extingue-se. O fim das geografias não foi ditado pela Internet, nem sequer pela abundância de informação. O fim começou com a televisão por cabo. A Internet somou-se, apenas. P – É a mesma geração que lia jornais diariamente que agora frequenta a internet em busca de informação? R – Penso que sim, na sua grande maioria. As pessoas que compravam os jornais recebem hoje informação melhor, no sentido de mais seleccionada e com menos ruído acessório, através de outros suportes, quase todos eles ligados em rede. P – A internet como um centro de informações tem tendência a crescer em conteúdo? Ou estará inclinada para uma maior quantidade de utilizadores mas com mais matéria irrelevante? R – A Internet é uma rede de redes. Cada dia que passa, mais “centros de informação” se ligam a ela, quando não nascem dela, tornando-a maior. Assim, tende a crescer tanto na quantidade de conteúdos disponíveis, como na atenção para eles (olhos humanos). Os problemas estão todos no “mercado” — esse “local” onde quem procura encontra quem forneça, e quem tem para oferecer encontra quem precisa. Para tornar a coisa mais engraçada, “oferta” e “procura” são papéis que tendem a concentrar-se nas mesmas pessoas. Isto é: consumidores e produtores misturam-se. Entrevista dada a Mónica Silva, à data (Julho de 2009) estudante no primeiro ano do curso de Ciências da Comunicação
September 18 2009, 2:45am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
Tentações (e a última a que não resisti)
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Sou uma pessoa simples e já tive tempo de me deixar tentar pelas tentações das pessoas simples, como a comida picante, a doçaria do Sul e as motos japonesas. Do passado sobrou quase nada. Confesso que se tivesse garagem e dinheiro dispensável, deixava-me tentar por um dos dois automóveis com que sonhei desde miúdo até hoje: hesitaria entre um MGB GT e um Jaguar E, ambos estimáveis veículos de quatro rodas que marcaram os anos 60 e me nortearam o gosto em matéria automóvel. Simples, como vêem. O meu presente tem tentações eventualmente um pouco estranhas de entender. Um emprego na Google tentava-me. Que digo?, uma viagem guiada ao Googleplex tentava-me! Trocar o meu MacBook com 3 anos pela versão mais actual, eis uma tentação do diabo – um diabo chamado Steve Jobs, que tem o desplante de criar produtos não apenas apelativos como funcionais e estupendos. Resisto à tentação de explorar melhor as capacidades de cloud computing da Amazon, nomeadamente instalando uma “servideira” topo de gama que aguentasse com a centena e meia de sites que giro. Fico-me por uma instância pequena, para manter-me informado mas também para resolver os problemas de picos de tráfego que o dossiê do Público para as eleições suscita. Uma tentação a que não resisti? Comprei um iPhone. Surpreendeu-me positivamente – o que é difícil para qualquer gadget, ainda por cima um que carrega tanto hype (Jobs é um feitiçeiro do marketing, tanto como dos produtos bem feitos). É não apenas um telefone simples e competente: é uma máquina de comunicação multimeios e um leitor de informação multimedia, com um interface ergonómico que acertou comigo à primeira. Aliás, as tentações da Appletêm esse senão: gastam-se depressa. Uma vez esvaziado o impulso de posse, rapidamente se tornam em nossas aliadas, poupando imenso tempo e esforços (e dinheiro em anti-vírus). Uma desilusão para quantos gostam de passar parte do seu dia de trabalho a lutar contra as máquinas e os programas. (Escrito para o Semanário Económico, aqui há tempos)
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September 16 2009, 3:00am | Comments »
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Sammen
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Juntos. Juntos. Together. Ensemble. Xuntos. Együtt. Samen. Sammen. Juntes. Insieme. Juntos. Junts. Insieme. Together, again. Juntos, de nuevo. Zusammen. Còmhla. Tillsammans. Sammen.
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August 28 2009, 10:28am | Comments »






