Em 2001 uma pesquisa pelo meu nome no Google dava como 1º resultado um artigo intitulado Top 5% WebZine: Paulo Querido. Em poucas palavras: tendo em conta a minha fértil produtividade em matéria de edição web por esses anos (como se vê, o defeito vem de longe), foi criada nesse webzine uma secção com o meu nome, com o louvável intuito de me denegrir. Puxo do tema volvidos 7 para 8 anos por duas razões e para uma lição. As razões. A primeira, a forma que a Google encontrou para celebrar o seu 10º aniversário. Uma edição especial sobre si própria — como qualquer jornal faz, coo qualquer empresa faz. 10 anos são sempre motivo de orgulho. A diferença é que a Google é uma empresa especializada em pesquisa. Deu-nos, portanto, como eram as pesquisas em 2001 (não conseguiram recuar mais no tempo, lá nos arquivos da casa). O que traz momentos de puro delírio, com toda a gente a ir googlar o seu nome A segunda razão é uma razão pessoal. Fazendo jus à designação, a “barata tonta do jornalismo online na web portuguesa” — isto é: eu — sobreviveu e continua a mexer-se, relativamente bem, no jornalismo online na web portuguesa. Infelizmente, o mesmo não poderá dizer a camarada que me mimou com tanta doçura. Enquanto os meus projectos deram resultado ou deixaram sementes, o Top 5% Webzine desapareceu sem deixar legado, os seus autores mudaram de ramo e dos seus nomes não reza o jornalismo online e a web — a menos que a Google faça dez anos, o que não acontece com muita frequência. A lição A lição é uma lição para as empresas e os indivíduos preocupados com o que “de negativo” se escreve sobre eles na web. Há 7 anos, uma pesquisa pelo meu nome continha nos primeiros 10 resultados do Google menções e links para locais que me eram hostis ou desagradáveis. Hoje, a mesma pesquisa devolve não 10, mas os primeiros 30 ou 40 resultados não-hostis. E a maioria é ou neutra, ou positiva. Melhor. A maior parte deles são directa ou indirectamente controlados por mim. Os primeiros 3 são sites com o meu nome. Este, pauloquerido.net, e o pauloquerido.com. Os 2 seguintes são os meus perfis pessoais em sítios de grande prestígio na web social (Wikipedia e LinkedIn), daí estarem tão alto nos resultados. Os 5 seguintes são entrevistas ou notícias comigo. Nenhum dos links de há 7 anos sobreviveu no top 10 de resultados do Google. É preciso “descer” à segunda dezena para lá encontrar duas menções dignas de nota: o primeiro link sobrevivente da primeira página de resultados de há 7 anos (uma página do Centro Atlântico, onde a barata tonta publicou 3 livros) e o primeiro resultado que não tem a ver comigo (há uma letra de Antonio Carlos Jobim que fala “Paulo, Querido, mamãe vai agora”). Quer isto dizer que eu sou um mago da optimização para motores de busca? Deixem-me rir. Não, não sou. Sei alguma coisa, sei o bê-á-bá, não cheguei, sequer, ao fim do abecedário. Quer dizer que sou um gajo porreiro, pá, não tenho anti-corpos nem caluniadores na net? LOL! Não sou nenhum Sousa Tavares, é certo, mas tenho sobre ele uma (des)vantagem. Enquanto os seus detractores são quase todos do mesmo grau de conhecimento da rede que ele, que é baixo, a minha pequena legião é tecno-sabida, oh se é. Trabalho Na verdade, isto quer apenas dizer que a Google fez o seu trabalho bem feito ao longo destes 7 anos. Essa é a primeira conclusão a retirar — e não é propriamente uma grande novidade… Só isso? Eheh, também não diria. O que houve, da minha parte, foi muito trabalho. Esse muito trabalho reflecte-se numa ocupação do espaço. É tão simples que até confrange ouvir certas teorias muito elaboradas com que alguns consultores ganham a vida. É assim: tá ali um espaço, topas? Se tu não ocupares o espaço que consideras teu, alguém o vai ocupar. Tirá-lo depois de lá, é mais caro do que teria sido ocupá-lo. Há designações mais complicadas, utilizadas por quem faz disto ciência, e recomendo a leitura atenta das suas reflexões. Aqui, limitei-me a descrever um exemplo prático, que conheço bem, de forma muito simplificada. Não é tão fácil assim ocupar o espaço, posso ser levado a admitir. Uma ideia Aqui há tempos, numa acção de formação numa multinacional, deparei com um problema. Todos os formandos abriram um blogue e um wiki e naturalmente fizeram-no em nome pessoal. O problema foi que o delegado principal (o cargo tem outro nome, claro, mas eu não desejo revelar pormenores de identificação) e outra pessoa já não puderam registar os respectivos nomes: estavam tomados. Bem como algumas das derivações habituais, como a inicial seguida do nome de família. Ocorreu-me uma ideia, que depois sugeri a duas pessoas. As pessoas erradas, certamente. Ou o mercado das empresas ainda está demasiado longe “disto”. Há uns dias registei, a benefício de inventário, que um membro desse mercado teve o mesmo eureka!. E sorri, como calculam, quando ele me sugeriu que eu montasse uma empresa para gestão de nomes na Internet. Era a ideia que eu tivera em Março. E provavelmente mais alguém teve. Algures. (As ideias são assim, andam no ar; em Agosto vi uma empresa holandesa a comercializar um produto que fora desenhado por mim, para uma empresa a quem presto muito ocasionalmente serviços, há 2 anos; a empresa não avançou, nem me traiu, nada. Eu, aliás sugeri mais tarde a sua execução, adaptada, a um conhecido que tenho noutra multinacional, com um belo cargo em Londres. Não. O que se passou, simplesmente: a empresa teve a mesma ideia. Incrível. Nos detalhes. Era rigorosamente a mesma coisa, nem mais, nem menos. Não me importei nada. Por um lado, não acredito em direitos de propriedade industrial. Isso não existe: é um conjunto de regras que uns gajos pagaram a outros, com a muito legítima finalidade de proteger os seus negócios. Por outro lado, e aqui só para nós: não é grande ideia. Esgota-se em doze meses. A menos que se encave um contrato com uma Grande Empresa, é fogo fátuo. Só a desenhei porque o meu amigo tinha aquilo em mente. Mas fiquei contente pelos holandeses terem ido até ao mercado com ela. Sempre foram mais longe do que eu.) A ideia que eu tivera em Março consistia nisto: um serviço que analise os nomes e marcas do cliente e em seguida as registe nos webservices que valem a pena, como o Blogspot, alguns domínios de topo, o Twitter, etc. Fiquem atentos: em breve aparecerá alguém a fazer isto por cá. E talvez já alguém faça nos EUA (a pequena prospecção que fiz em Março revelou 2 empresas pequenas a fazer algo semelhante, apenas. Mas Março foi há, deixa ver, seis meses). Não, não tenho nenhum problema em “dar” uma ideia. Problema tive quando a tentei “vender”. Por outro lado… não contei o “segredo” que fará funcionar essa ideia Descobrir esses “segredos” não está ao alcance de qualquer pessoa. Não por ser reservada a mentes superiores. Não. É prosaico. É precisa experiência para os descobrir.
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João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
A barata tonta
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October 3 2008, 2:27am | Comments »
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Tony Blair: conferência do Diário Digital em directo, aqui
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A conferência que o ex-primeiro ministro britânico, Tony Blair, dá hoje em Lisboa, vai ser seguida em directo por mim, com transmissão directa a partir do hotel Altis em simultâneo para o Twitter e também aqui, no Certamente!. Convidado do Diário Digital para a sua 10ª Conferência Internacional, subordinada ao tema «Política, Economia e Energia: desafios para 2009», Blair vai fazer uma análise prospectiva sobre os problemas que se colocam ao mundo, em áreas–chave, no próximo ano. O almoço-conferência do DD conta com o patrocínio de alguns dos maiores grupos e empresas nacionais. Estarei no evento não a título profissional mas pessoal. E por convite de uma das empresas patrocinadoras, a Unicer. Dito de outra forma, e para que fique claro: a experiência da transmissão em directo para a web é feita na condição de blogger; a Unicer, cujo convite agradeci na altura própria, só posteriomente ao convite foi informada da minha intenção de fazer o directo — e acedeu arriscar juntar o seu nome à experiência, uma prova da sua abertura à inovação, a ser tomada nas devidas proporções. A força da técnica Na medida do possível, transmitirei as ideias de Blair à medida que ele as for desenrolando. O exercício é tanto mais exigente quanto as “limitações” do Twitter obrigarem a puxar pela imaginação: 140 caracteres por cada mensagem, é um verdadeiro desafio. Cada mensagem será transmitida na web com um prefixo horário e o conteúdo de texto, em pequenas peças isoladas, que se irão sobrepondo em cima umas das outras — e isto sem necessidade de refrescar a página, graças à tecnologia AJAX. Vou usar um telefone — o meu telefone de todos os dias, um banal Nokia. Nem câmara tem, pelo que não transmitirei fotografias. Usarei o aplicativo Fring para enviar os meus comentários para o Twitter, onde poderão serão seguidos de perto pelos meus 570+ subscritores — e à distância por uma plateia indeterminada. Para a transmissão simultânea na web, usarei algum código simples, adaptado para a função. Melhor, e inédito na web portuguesa: qualquer pessoa poderá retransmitir em directo no seu blogue! Trata-se de uma transmissão aberta. Basta para tal inserir a seguinte linha de puro código HTML no seu template, ou num post: <iframe width="490" height="900" scrolling="no" frameborder="0" src="http://pauloquerido.net/mediastream/tonyblair/index.php"></iframe> Conto ter tudo a postos pelas 12:00 e a transmissão iniciar-se-á pelas 13:00. No final farei um apanhado não apenas da conferência, mas também da experiência deste directo em transmissão aberta e de uso livre.
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September 29 2008, 12:00am | Comments »
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Nota do fim de semana
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O portátil Magalhães foi um sucesso que nem os sistemáticos contras conseguiram travar, do alto das suas múltiplas medias. A oposição à direita está vazia de imaginação, o que tem pouco ou nada de surpreendente tendo em conta os seus protagonistas para a ocasião. Deixou de colar o discurso minimal repetitivo da chapa “mais um exemplo de falta de ____ (qualquer coisa que ocorra no momento, adequada ou nem por isso) sobre este governo ficou mais uma vez patente na/o ______ (última iniciativa/projecto do governo)”. A 10/12 meses das eleições legislativas, ainda haverá tempo para Manuela Ferreira Leite trocar de “fato”? É uma boa pergunta. Pedro Santana Lopes está num ímpasse por causa da trapalhada das casas, que veio finalmente a lume. Mas o envolvimento dele naquilo é zero vírgula responsabilidade inerente. Vai ser o candidato do PSD à Câmara de Lisboa. É o melhor trunfo do partido — o que diz mais sobre o partido do que os actuais corpos gerentes gostam de admitir. Não tenham ilusões. Quem imagina um Partido Social Democrata este século sem PSL e a “corrente populista”, o melhor é mudar de partido. A reforma na vida privada é outra opção, mais recomendável. Marques Mendes sobreviveu. Em melhores condições que o PSD, o que é notícia. E mais um problema para MFL. Uma coisa é “comprar” PSL com a maior câmara do país. Mas com Menezes do lado ácido de fora, Rio a submarino, Borges a desajudar, Passos Coelho sempre em cima, e agora Mendes a “roubar” os holofotes, a vida não está fácil para a chefe. E ainda nem falámos do PS. Já não há Partido Popular. É uma imagem ectoplásmica. O CDS eventualmente ainda subsiste no coração de algumas pessoas distintas. Eventualmente. E porque o PSD deixa. A esquerda exterior ao PS tem quase 25% das preferências do eleitorado, dizem as sondagens. MFL e a “ala credível” do PSD nunca conseguirão capitalizar o descontentamento de classes que simplesmente não entendem, não absorvem, ignoraram toda a vida. As classes médias e médias baixas — a intensa maioria sociológica deste país, cujo contacto com o PSD se fez sempre por via de líderes populistas/autoritários. Imaginar que essa gente dispensará o voto a Manuela Ferreira Leite e António Borges é delirar. Mas o PS tem de trabalhar. Mais: está na hora do PS, e do governo, começarem a trabalhar. Ou isso — ou em 200 teremos o PP da esquerda, finalmente: o BE a formar governo. Impensável? Não vejo porquê. Dêem as voltas que derem, e sem meter a ideologia nisto, Francisco Louçã é mais “conhecedor dos dossiers” e mais bem preparado político que Paulo Portas e este foi a ministro.
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September 28 2008, 10:28am | Comments »
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Nas dunas
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A experiência de ouvir Dunas tocada/cantada pelos GNR + banda da GNR é qualquer coisa. Só consigo imaginar o gozo particular de Reininho & companhia em dar um concerto com a excelente banda sinfónica daquele corpo militarizado com o qual partilha as iniciais. Eu gostei de ouvir/ver. Achei uma homenagem com todo o sentido. Os músicos pareceram todos muito divertidos. A secção de metais também bateu palmas no compasso. Os trombones dançaram. Espectacular.
September 27 2008, 6:29pm | Comments »
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Recordação de um dia diferente com final bom
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E agora para algo completamente diferente nesta semana, digamos, atípica aqui no Certamente!. A recordação de um dia diferente e com final bom, pelas escolhas da minha gentil, firme, espectacular mulher:
Sou eu, uma ardente confusão de estrela e musgo.
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September 26 2008, 8:00am | Comments »
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Perguntas Nada (mesmo) Frequentes
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Para a improvável secção Perguntas Nada (mesmo) Frequentes, responda quem puder. 1. Se há consultores de comunicação, também há consultores de propaganda? 2. Como distinguir um do outro? Obrigado.
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September 26 2008, 5:45am | Comments »
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Um dia faço-te a vontade, António
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Há dias o António dizia-me em nota de despedida de uma reunião: “já sabes: mais tecnologia, menos política“. Referia-se às minhas temáticas aqui no webzine. Não tem nada a ver com eu ser uma voz digamos contra algum PSD. O António é meu leitor e passa por cima da política, gosta é de ler-me sobre tecnologia. Acha um desperdício de espaço Um dia destes faço-te a vontade, António. O Certamente! vai uma vez mais cumprir o seu destino, que é mudar. Vou ver se de caminho aproveito o teu sábio conselho. Sei que não serás o único a apreciar.
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September 25 2008, 9:34am | Comments »



