Como é habitual destacamos do "Destak" de hoje a crónica de J.L. Pio Abreu:Num dos seus últimos livros, Gilles Lipovetski caracterizava a nossa época como um tempo de hipercapitalismo, hiperconsumismo e hiperindividualismo. Se isto foi verdade, também é preciso perceber como tudo já está a mudar. O hipercapitalismo, ou o capitalismo financeiro levado às últimas consequências, rebentou. É difícil vislumbrar o que virá a seguir, mas o tempo da abundância, que os ortodoxos liberais prometeram, está a acabar.O hiperconsumismo acabará a seguir, com agrado das nossas casas e arrecadações povoadas de inutilidades. Aliás, parece que andávamos todos a consumir aquilo que os chineses e alemães produziam.Mas a proverbial inteligência da direita alemã levou-a a optar – e obrigar os outros a optar – pelas restrições económicas. Se deixarem cair o euro, não mais terão a quem vender as suas máquinas dispendiosas. E se os chineses deixarem encarecer o yuan, lá vão acabar as chinesices baratas.Fica-nos o hiperindividualismo. “Eu, eu e só eu”, sem referência aos outros e às comunidades a que pertencemos, agora e no passado. Para compensar, nunca houve tantos grupos na internet, tantas causas virtuais nem tanto consumo da ficção que descreve “as nossas” seitas secretas.Mas tudo isso é efémera ilusão. Se deixamos de partilhar na vida real, perderemos a identidade, as palavras e tudo o que nos torna humanos. Nem seremos macacos, que têm as suas pertenças. Seremos talvez robôs. Mas alguns, algum dia, terão de partilhar conversas para saber o que fazer dos tempos que aí vêm.
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O fim dos hipers
http://dererummundi.blogspot.com/2010/07/o-fim-dos-hipers.html
July 2 2010, 10:48am | Comments »
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O fim dos hipers
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Como é habitual destacamos do "Destak" de hoje a crónica de J.L. Pio Abreu:Num dos seus últimos livros, Gilles Lipovetski caracterizava a nossa época como um tempo de hipercapitalismo, hiperconsumismo e hiperindividualismo. Se isto foi verdade, também é preciso perceber como tudo já está a mudar. O hipercapitalismo, ou o capitalismo financeiro levado às últimas consequências, rebentou. É difícil vislumbrar o que virá a seguir, mas o tempo da abundância, que os ortodoxos liberais prometeram, está a acabar.O hiperconsumismo acabará a seguir, com agrado das nossas casas e arrecadações povoadas de inutilidades. Aliás, parece que andávamos todos a consumir aquilo que os chineses e alemães produziam.Mas a proverbial inteligência da direita alemã levou-a a optar – e obrigar os outros a optar – pelas restrições económicas. Se deixarem cair o euro, não mais terão a quem vender as suas máquinas dispendiosas. E se os chineses deixarem encarecer o yuan, lá vão acabar as chinesices baratas.Fica-nos o hiperindividualismo. “Eu, eu e só eu”, sem referência aos outros e às comunidades a que pertencemos, agora e no passado. Para compensar, nunca houve tantos grupos na internet, tantas causas virtuais nem tanto consumo da ficção que descreve “as nossas” seitas secretas.Mas tudo isso é efémera ilusão. Se deixamos de partilhar na vida real, perderemos a identidade, as palavras e tudo o que nos torna humanos. Nem seremos macacos, que têm as suas pertenças. Seremos talvez robôs. Mas alguns, algum dia, terão de partilhar conversas para saber o que fazer dos tempos que aí vêm.
July 2 2010, 10:48am | Comments »
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O MERCADO FICCIONAL
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Minha crónica no "Público" de hoje:No Mundial de Futebol a Espanha ganhou a Portugal porque jogou melhor e porque meteu um golo contra nenhum. Como a FIFA não permite o uso de golden shares nas selecções de futebol, o governo português não pôde, no final do jogo, anulá-lo com o pretexto de que não gostou do resultado. Não pôde, por exemplo, afirmar que era “absolutamente estratégico” para a equipa das quinas não perder.No jogo económico entre a Telefónica e a Portugal Telecom (PT) que, por coincidência, se realizou no dia seguinte, a primeira meteu um “golo” ao oferecer 7150 milhões de euros pela participação da segunda na Vivo, empresa brasileira de comunicações móveis, um preço bem acima do actual valor daquela participação e que quase chega ao actual valor de toda a PT. Os accionistas da PT, por uma expressiva maioria (74 por cento), não tiveram dúvidas em aceitar a oferta. As leis do mercado funcionaram, tal como funcionam todos os dias, por todo o lado do mundo.O governo português fez, porém, questão de mostrar ao mundo que essas leis não funcionam aqui. No final do jogo, com uma flash interview, o primeiro-ministro José Sócrates anulou o resultado. A “FIFA da política europeia” não gostou. A vice-presidente da União Europeia, a holandesa Neelie Kroes, avisou Portugal que não podia usar "medidas proteccionistas e nacionalistas num mercado único". A golden share que foi usada para efeitos de veto é, pelo menos desde 2008, disputada no Tribunal das Comunidades Europeias, aguardando-se sentença no dia 8 de Julho. A União Europeia não tem dúvidas: “os direitos especiais que o estado português ostenta na PT desincentivam os investimentos por parte de outros Estados membros, violando as regras do Tratado da União Europeia”. E os juízes europeus irão, em breve, confirmar isso mesmo.A explicação de Sócrates parece pífia. Limitou-se a dizer que a golden-share (uma palavra de inglês técnico) “é para isso que serve, para ser utilizada quando necessário”. Pode-se, convenhamos, dizer isso de qualquer coisa, pois qualquer coisa servirá se for usada e não servirá se não for usada. Só uma coisa ilegal é que não serve para nada pois não pode ser usada. O primeiro-ministro acrescentou que “é uma questão absolutamente estratégica para o desenvolvimento da PT”. Pode-se, contudo, argumentar que o seu veto não foi a favor da PT, pois ninguém melhor do que os accionistas da PT saberá o que favorece aquela empresa. Eu não sou accionista nem sequer cliente da PT, que durante anos e anos me cobrou taxas telefónicas abusando da sua posição dominante (estou muito grato por o mercado me oferecer alternativas mais baratas e melhores!), mas, se fosse, acharia, no mínimo, paternalista, a posição do governo. Significaria que o governo saberia melhor do que eu o que fazer com os meus bens. Em matéria de PT, ele não tem, aliás as “mãos limpas”, pois além da golden share também lá tem, não o esqueçamos, Rui Pedro Soares.Além do mais, Sócrates deixou em maus lençóis os responsáveis da PT, que andaram primeiro a dizer aos accionistas que a golden share não se aplicava a este caso e depois que a vontade deles devia ser respeitada. Talvez agora não tenham outra saída a não ser demitir-se.O órgão maior da imprensa económica (continuando a metáfora, o equivalente ao maior jornal desportivo), o Financial Times, chamou “estupidez colonial” ao gesto do governo luso, considerando que não se trata de defender o interesse nacional, mas sim, quando muito, o interesse de uma empresa privada com sede em Lisboa e um ramo num país estrangeiro que há muito deixou de ser colónia. Um governo de direita não faria diferente do que fez Sócrates. E, como os extremos se tocam, foi curioso ver o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda a aplaudi-lo, precisamente numa altura em que ele lançou um ataque fiscal sem precedentes aos contribuintes. O controlo estatal da economia tem defensores nos dois lados do espectro político e, pelos vistos, também no meio. Em Portugal, o mercado, de que tanto se fala, não passa afinal de uma ficção.
July 2 2010, 1:43am | Comments »
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O Maior Pecado é a Estupidez
http://terrear.blogspot.com/2010/06/o-maior-pecado-e-estupidez.html
(...)También ha caído en mis manos otro libro, recientemente publicado, que se titula “El Poder de la estupidez”. Su autor es Giancarlo Livraghi., licenciado en filosofía y experto en cultura humana y comunicación.Livraghi habla en uno de sus capítulos sobre el círculo vicioso de la estupidez. En él dice: “Donde se impone la estupidez, todo el sistema se torna estúpido”. Y añade: “Las estrategia basadas en la estupidez y el engaño son perjudiciales para quienes las practican, pues crean un círculo vicioso que en realidad es una espiral degenerativa”.Los programas del corazón, por ejemplo, tratan de estúpidos a los espectadores, pero estos los siguen viendo, de modo que siguen haciéndose de forma insistente y perfeccionada.A mi juicio, la finalidad de la educación es ayudar a pensar. No hacer que las personas piensen como nosotros sino que sean capaces de pensar por sí mismas. La persona educada es capaz de descubrir los hilos ocultos que mueven los mecanismos de esta sociedad, de saber que se mueven por intereses, de investigar y descubrir quiénes salen beneficiados de su existencia. Saben también que esos hilos se pueden romper (no están ahí por azar o como fruto de la voluntad divina) y que se pueden instalar otros que responsan a los intereses generales. Educar es un proceso que ayuda a la mosca a salir del cazamoscas.De algunas actuaciones podría deducirse que no interesa que haya una buena educación. De otras que sería bueno reducirla a un simple mecanismo de domesticación o de indoctrinación. Educar es enseñar a pensar. No está en nuestras manos el evitar que nos quieran engañar, pero sí el no ser engañados. Dice Oscar Wilde que “no hay más pecado que la estupidez”.Miguel Santos Guerra, crónica de hoje, texto integral
June 26 2010, 6:42am | Comments »
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HUMOR - EVOLUÇÃO 3
http://dererummundi.blogspot.com/2010/06/blog-post_16.html
June 16 2010, 12:04pm | Comments »
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O DR. MOTA AMARAL E A MULHER DO BISPO DE WORCESTER
http://dererummundi.blogspot.com/2010/06/o-dr-mota-amaral-e-mulher-do-bispo-de.html
Para quem não leu o texto do professor de Física José Dias Urbano no "Público" do passado dia 24 de Maio, aqui fica o essencial:"O despacho do dr. Mota Amaral que proíbe a Comissão de Inquéritos a que preside de usar os documentos que lhe foram enviados por autoridades judiciais competentes é, à primeira vista, incompreensível e insensato. De facto, numa só penada o dr. Mota Amaral contribuiu para desprestigiar não só o sistema judiciário, mas também a Assembleia da República.Desprestigiou o sistema judiciário porque transmitiu ao país a ideia de que há juízes e procuradores que não se coíbem de praticar actos ilegais que ferem direitos fundamentais dos cidadãos, consignados na Constituição da República. Desprestigiou a Assembleia da República porque a impede de usar meios que são considerados por quem os enviou como essenciais para se chegar à verdade, transformando desse modo a Comissão de Inquérito em mais um espectáculo mediático sem outras consequências que não sejam a de mostrar aos cidadãos que os deputados gostam de perder tempo em tarefas inúteis.Mas, pensando melhor, pode ter acontecido que, perante a gravidade da situação que se criaria se a Comissão de Inquérito chegasse à conclusão de que o primeiro-ministro tinha mentido - repare-se que isso já levou à destituição do homem mais poderoso do mundo -, o dr. Mota Amaral tenha optado por seguir a sábia atitude de prudência demonstrada pela mulher do bispo de Worcester, num dos mais célebres debates de que há memória em reuniões científicas. (...)Tanto ele (o bispo de Worcester) como muitas outras autoridades religiosas da época (30 de Junho de 1860) achavam que o «princípio da selecção natural é absolutamente incompatível com a palavra de Deus».Mais pragmática que os clérigos, a mulher do bispo de Worcester limitou-se a comentar: «Descender de macacos! Essa agora! Esperemos que não seja verdade! Mas se for, rezemos para que não se fique sabendo!».Perante a gravidade da situação que se criaria se se provasse que o primeiro-ministro tinha mentido ao Parlamento, o dr. Mota Amaral deve ter-se sentido obrigado a tomar a mesma sábia atitude de prudência revelada pela mulher do bispo de Worcester:«Termos um primeiro-ministro mentiroso?! Era o que mais faltava! Mas, se for verdade, ao menos que não se saiba». "José Dias Urbano - in Público de 24/5/2010
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June 10 2010, 8:32am | Comments »
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SÓ E MAL ACOMPANHADO
http://dererummundi.blogspot.com/2010/06/so-e-mal-acompanhado.html
Minha crónica no "Público" de hoje:Nunca José Sócrates esteve tão só. E há boas razões para ter sido votado ao abandono pelo eleitorado, como é manifesto nos números de sondagens recentes. Nós demos-lhe, nas últimas eleições legislativas, o benefício da dúvida. E ele, à semelhança aliás do que aconteceu em eleições anteriores com outros primeiros-ministros, deu-nos, em troca, o malefício da dívida. Não, o país, há muito endividado e sem força anímica, não mudou. E a governação do país também não. Ainda está para nascer um político que, nas vésperas de ir a votos, nos fale a verdade. E nos fale dos juros verdadeiros em vez de nos encher de juras falsas.O primeiro-ministro japonês, Yukio Hatoyama, acaba de anunciar a sua demissão, ao fim de oito meses de governação, alegando que as pessoas “deixaram de o ouvir”. Entre nós é notória uma quebra de confiança com contornos semelhantes, que vem agravar os nossos males tanto externos como internos. Quando ouvimos o nosso primeiro-ministro dizer – e foi há muito pouco tempo - que não ia subir os impostos e hoje o vemos faltar à palavra dada, ainda por cima com efeitos retroactivos, ficamos na dúvida se amanhã não vai ser pior. No Parlamento ou noutro sítio raramente tem apresentado argumentos seguindo uma linha coerente, antes se limitando a invectivar os adversários (uma táctica que obviamente não resulta quando não se tem a maioria absoluta). Da última vez não esteve sequer a defender o agravamento fiscal, deixando só o ministro das Finanças. Em clara fuga à solidão doméstica, entrou num ziguezague no estrangeiro. Não é apenas penoso ouvi-lo falar portunhol em Madrid, também o é vê-lo, mais uma vez, em Caracas, a vender computadores Magalhães ao seu amigo Hugo Chávez. No Rio de Janeiro, primeiro pediu um cafézinho e um bate-papo a Chico Buarque (podia ter mandado uma mensagem: “Meu caro amigo me perdoe, por favor / Se eu não lhe faço uma visita / Mas como agora apareceu um portador / Mando notícias nessa fita (...) Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta.”) e depois retirou um convite para jantar a Caetano Veloso. E quem se anima por sabê-lo em Marraquexe a exportar para Marrocos o TGV que não temos nem vamos ter tão cedo, porque a Espanha deve entretanto adiar o projecto?Hatoyama saiu por causa da manutenção de uma base militar, que ele na campanha eleitoral tinha prometido transferir, e por causa de casos indecorosos que abalaram correligionários seus. Uma questão de honra, portanto. Mas, por aqui, nem falsas promessas nem escândalos fazem cair governos. O primeiro-ministro português está só, divorciado do país por causa das falsas promessas. Mas está também mal acompanhado, como transparece dos vários escândalos que o atingem. Uma das suas companhias é um deputado que, qual vulgar carteirista, surripiou gravadores a jornalistas em pleno Parlamento sem ser alvo de qualquer censura por parte dos seus pares. Outra das suas companhias é um ex-bancário e agora banqueiro que o informava por SMS, em tempo real, das saídas dos locutores numa televisão privada. Outra ainda das suas companhias é o secretário de estado do Emprego, que, formado nas mentiras do “eduquês”, não aceita as estatísticas da União Europeia sobre o desemprego, negando a aflitiva realidade dos cada vez mais portugueses sem trabalho. Os três, apesar dos escândalos, mantêm os seus chorudos empregos (o informador continua a receber um salário de truz, apesar de o banco o ter suspenso de funções). Poderá dizer-se que são pequenas ofensas aos bons costumes comparadas com as dos japoneses. Há-as, porém, aqui bem maiores, algumas com afloramentos nos casos apontados.Sócrates encontrou lenitivo para a sua solidão no “tango” com o novo líder da oposição. Estará, desta vez, em boa companhia? O que sucederá no fim da dança? Muitos eleitores, conhecedores do comum tirocínio nas juventudes partidárias e da comum licenciatura em universidades privadas, receiam que o futuro primeiro-ministro não seja muito diferente do actual. Oxalá estejam enganados.
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June 4 2010, 1:44am | Comments »
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Protesto fotográficos dos bolseiros de investigação científica IV
http://dererummundi.blogspot.com/2010/05/protesto-fotograficos-dos-bolseiros-de.html
Protesto fotográficos dos bolseiros de investigação científica IIIProtesto fotográfico dos bolseiros de investigação científica IIProtesto fotográfico dos bolseiros de investigação científica IA adesão de bolseiros de todo o país ao protesto fotográfico é um sinal inequívoco de insatisfação com as condições de trabalho dos jovens (e menos jovens) investigadores. E não é para menos: as bolsas não são aumentadas desde 2002 (perda de 20% do poder de compra), o subsidio de doença é uma fracção do valor do indexante apoios sociais (€419,22) e não há subsidio de desemprego. Pode-se dizer que os bolseiros pouco ou nada são afectados pelas medidas de contenção do défice (à excepção do aumento do IVA), pois já há muito que contribuem "preventivamente" para combater a crise!A diversidade e importância das instituições a que estão ligados e o número de bolseiros nas imagens (sem dúvida inferior ao total) é bem reveladora da importância dos bolseiros no sistema científico nacional. 26 Maio 2010 - (30 bolseiros)E os bolseiros do IST retomam a iniciativa com mais um protesto!Instituto Superior Técnico - Universidade Técnica de Lisboa24 Maio 2010Protesto no CEVDI-INSACEVDI - Centro de Estudos de Vectores e Doenças InfecciosasINSA - Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge, I.P.Para cada investigador, o número na fotografia representa o número de anos como bolseiro de investigaçãoMaio 2010 (14 bolseiros)Protesto no Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), LisboaMaio 2010 (59 bolseiros)Protesto no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) Maio 2010 (28 bolseiros)Protesto no Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental Universidade do Porto
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May 28 2010, 7:18am | Comments »
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RESPOSTA COM ESPERANÇA A QUEM COMENTOU A MINHA HISTÓRIA EM VEZ DE ENFRENTAR COM ARGUMENTOS O QUE EU DISSE SOBRE O EDUQUÊS
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Post recebido de Guilherme Valente, editor da Gradiva, na sequência do anterior:Para José da Silva Lopes e Henrique Medina Carreira, com imensa admiração.Como acredito na inteligência, não consigo imaginar que alguém conscientemente se queira enganar a si próprio. Proponho, por isso, ao comentador que leia e considere, sem preconceitos, com espírito aberto, este meu texto.1. O que incomodou no meu texto anterior não foi a história pessoal a que recorri. O que incomodou foi aquilo que a história me ajudou a transmitir com clareza. Vou repetir: o eduquês quer tornar toda a gente igual, mesmo que para isso tenha de reduzir toda a gente à ignorância e à boçalidade.O que terá doído foi a evidência que referi: a realização desse projecto horroroso e inatingível (por isso delirante) conduziu e conduz inevitavelmente ao nivelamento por baixo, ao facilitismo sempre crescente. Diminui todos os alunos, mas prejudica sobretudo os mais desfavorecidos, as crianças pobres, de famílias pouco instruídas, sem meios ou conhecimentos para procurarem outro ensino, no país ou no estrangeiro. O delírio igualitarista agrava as desigualdades.Note-se que esse projecto, para poder ser realizado, como foi sendo realizado, não podia (nem pode) ser assumido. Se o fosse, depararia, naturalmente, com a oposição geral do Pais. Pelo contrário, tinha de ser disfarçado, no discurso e com os recuos tácticos convenientes, usando o apoio dos idiotas úteis, dos ingénuos e dos oportunistas, matéria-prima que, como se sabe, num país com o grau e a qualidade de instrução do nosso, não falta.E foi por isso, e é por isso, por não poderem assumir tal projecto (que não teriam argumentos para justificar, acrescente-se), que nunca responderam à nossa crítica, fazendo passar a ideia de que não somos especialistas, de que não temos credibilidade para falar dos problemas de educação. Na verdade, como se sabe, embora seja muito esquecido e pouco praticado entre nós, o que vale é a qualidade dos argumentos não o estatuto ou a cara de quem os emite. E o que está em causa discutir, aliás, exige apenas inteligência, cultura geral e sensatez. De qualquer modo não trocaria o meu currículo, de formação académica e profissional, por mil currículos dos «especialistas» do Ministério.(Note-se, de passagem, que para quem impõe o regime das «competências», desvaloriza a cultura letrada, para quem quer acabar com as elites, para quem quis impor a participação de miúdos de dez anos na direcção das escolas, e dos alunos do secundário na elaboração do programa dos cursos e na definirem o modelo da sua avaliação, a contradição é gritante. Na verdade, o que querem, afinal, é uma sociedade igualitária em que sejam eles os únicos… desiguais. Também não é novo na História. )Por outro lado, o facto de hoje, num país da União Europeia, depois da experiência do PREC, tal projecto ser inimaginável, fez com que o eduquês contasse com a distracção ou a indiferença de quase todos nós.Mas se não podia ser assumido «oficialmente» pela nomenclatura do Ministério, a verdade é que os teóricos mais puros e duros do eduquês não resistiram a irem revelando nos seus escritos, mais ou menos explicitamente, esse projecto impensável (ver a antologia organizada por Nuno Crato, O Eduquês em Discurso Directo, Gradiva).E, assim, o projecto pode ser realizado com uma continuidade que nunca qualquer outro programa político teve depois do 25 de Abril, sobrevivendo a todas as mudanças de governo, aos vários ministros da educação, à tragédia gritante, sempre a agravar-se, dos resultados e do abandono escolares, do ambiente insuportável em muitas escolas, à frustração e à desistência de inúmeros professores, à evidência crescente dos seus efeitos devastadores na realidade económica e social do Pais.2. Repetido o que quis afirmar no meu texto, pergunto ao Senhor Eduquês que o comentou (trato-o assim por não saber o seu nome): é verdadeiro o que afirmo ou é falso? Se é falso explique então, a todos nós, claramente, qual é o projecto do eduquês do Ministério. E diga-nos de que outro modo poderemos interpretar os escritos dos representantes puros e duros do eduquês coligidos no livro de Nuno Crato.Aliás, como muito pertinentemente foi referido noutro comentário, quem tem de responder a estas questões é a senhora Ministra da Educação. Tem de dizer claramente ao País de que lado está, o que pensa do eduquês e como vai agir relativamente ao seu domínio total do sistema educativo. Dizer muito claramente, qual é, afinal, o seu projecto, que intenções tem.3. Um mundo de clones é o mundo em que o eduquês gostaria de nos pôr a viver. Com essa nomenclatura iluminada a mandar em nós, claro. Como aconteceu sempre nas tragédias históricas em que a experiência foi tentada.Mas é, felizmente, um mundo impossível. Felizmente, porque para mim não é um mundo desejável. Não quero ser igual a ninguém. «Não sei por onde vou, não sei para onde vou, mas sei que não vou por aí» são versos de José Régio.4. Dito isto, vou tentar mostrar (permita-se-me a especulação um pouco naive a que vou recorrer) que o projecto igualitarista é irrealizável. Mas, antes disso, quero lembrar que mesmo quando se apresentou como um projecto generoso acabou sempre, historicamente, quando as circunstâncias o permitiram e não foi travado a tempo, na crueldade mais odiosa. Não podia ser de outro modo, como facilmente se compreende. Um dos exemplos mais recentes é o do Cambodja de Pol Pot: começou na escola e terminou nos campos de extermínio. Não é ficção aquilo de que falo.Assim:a) A primeira condição para realizar a igualdade de todos os seres humanos teria de ser a «construção» de pessoas (pessoas?) geneticamente iguais. O que é uma impossibilidade absoluta. Repare-se, no entanto, que foi esse o projecto do nazismo. Eliminar todos os que não pertencessem a uma suposta raça ariana. Começou pelos judeus e, por meio da esterilização, pelos ciganos e deficientes. E começou sem que quase ninguém imaginasse que poderia tomar conta da Alemanha, sem que fossem levadas a sério as suas primeiras manifestações. Lembram-se do filme Cabaret?b) Mas mesmo que essa impossibilidade fosse realizada, seria necessário muito mais, designadamente: impor a toda a gente a mesma alimentação, obrigar toda a gente a viver no mesmo sítio, a ter os mesmos mesmos vizinhos, os mesmos encontros e desencontros, o mesmo número de irmãos, a mesma longevidade de toda a família (eu perdi o meu pai aos oito anos e sei como isso marcou o meu destino), os mesmos amigos, as mesmas viagens, a mesma namorada, os mesmos livros, os mesmos filmes (é por isso que os regimes totalitários impõem a censura e queimam os livros), o mesmo Benfica, a tropeçar as mesmas vezes, a ter ou a não ter os mesmos acidentes, etc., etc., etc. Percebe-se certamente o que caricaturalmente estou a tentar explicar.Leonardo da Vinci teve onze irmãos. Sabe-se o nome de algum deles? Se conseguíssemos fabricar um Einstein geneticamente igual ao original, não conseguiríamos com isso outro Einstein como o que existiu. Percebe-se porquê, não preciso de pormenorizar mais.Uma loucura, um delírio, portanto. Mas sabemos que foi tentado. E sabe-se a dimensão de sofrimento que causaram as experiências de concretização dessa loucura. E lembramo-nos dos nomes dos «demiurgos» que as impuseram. ***À esquerda ou a à direita - o totalitarismo não é de esquerda nem de direita – a explicação remete sempre para a avidez de poder, o ressentimento, a insegurança pessoal (enfim, não quero, nem seria a pessoa indicada para avançar as explicações do totalitarismo, do delírio ou da simples insensatez), rapidamente transformados em cegueira fanática, inevitável escalada de imparável violência, imposta, porventura, pela lógica de ocultação e justificação. Como é possível que alguém ainda se iluda e isso se possa repetir, se esboce, ou simplesmente se deseje? (Valerá a pena ler, a propósito, o pequeno, mas muito interessante, livro de ensaios de Umberto Eco, Cinco Escritos Morais, Difel.)O problema e o desafio não é tornar todos iguais. O problema e o desafio é o das condições da liberdade para todos.A liberdade não pode existir na imposição de um padrão, numa realidade em que «a obediência a um padrão é a única forma considerada verdadeira de auto-afirmação, onde aquilo a que se dá o nome de liberdade não é a possibilidade de agirmos no interior de um qualquer vazio, por reduzido que seja, reservado à nossa escolha pessoal, sem interferências dos outros». A essência da "liberdade livre" (a expressão feliz é de outro poeta, António Ramos Rosa) está na possibilidade de escolhermos o que queremos ser, porque o desejamos, sem coerção, sem opressão, não absorvidos num grande sistema… inexoravelmente totalitário.O sonho da harmonia universal não será realizável, mas a redução das desigualdades sociais deve ser um objectivo sempre presente, que só pode ser realizado pela educação, oferecida a todos, apoiando mais os mais desfavorecidos, os que tenham maior dificuldade em progredir, uma educação dirigida ao que é distintivo da nossa humanidade: à inteligência, que só pode gerar solidariedade; realizado pela afirmação e a defesa intransigente dos direitos e dos grandes valores humanos; pelo aprofundamento da democracia.Claro que o caminho da liberdade e do progresso não é, como bem sabemos, um caminho sem escolhos. É um caminho de combate, foi para muita gente, um caminho degrandes sofrimentos, de avanços e de recuos, mas chegámos aonde chegámos.Como disse Churchill e vem a propósito lembrar, não se encontrou até hoje melhor solução, apesar das limitações e dos obstáculos que revoltam e é preciso enfrentar e superar. De qualquer modo, o que haverá mais para fazer na vida se não caminhar…Educação, insisto, centrada no que se dirija ao córtice cerebral, o «lugar» onde a matéria se converte em consciência, o reino da intuição e da análise crítica, onde surgem as ideias e a inspiração, a matemática e a música. O córtice que controla a nossa vida consciente. Que distingue a nossa espécie. Cerne da nossa humanidade. Que produziu a civilização. Um ensino centrado no conhecimento, na exigência intelectual e na responsabilidade humana, nas suas várias dimensões.Percebe-se, assim, também, porque são um logro, e humana e socialmente um crime, as «novas» teorias pedagógicas.Sabemos que esta ambição humaníssima tem de ser um combate diário de cidadãos informados e, por isso, com consciência crítica. Construindo a confiança que é condição do progresso pessoal e social. Cidadãos que "aprendam a aprender" (outro slogan mentiroso do eduquês…) da única maneira que há para o conseguir: aprendendo, adquirindo os conhecimentos que contam e lhes permitem pensar criticamente a realidade, conhecimento que transforma, valoriza, a inteligência. Como explicou muito claramente Carl Sagan, parecendo estar a enfrentar o tal slogan absurdo, mas que ouço ser repetido por tanta boa gente que devia compreender o logro: «A informação a que temos acesso é o índice da nossa inteligência». Percebe-se, pois, porque é um crime a desvalorização do conhecimento e dos saberes, a atrofia da memória, estúpida ou perversamente programada, perpretada na escola.É por isso que para mim só há um grande e fundador problema em Portugal: o do baixíssimo nível de instrução dos Portugueses. Resolvido esse, todos os outros se resolverão por acréscimo. É esta a grande dívida pública, monstruosa, endémica, de Portugal. Que em cada dia se está a agravar (ao contrário do que me dizem ter dito no dia 26, na televisão, surpreendentemente para mim, o Professor Marçal Grilo). É este o grande défice cívico de todos nós.E pronto, vou para férias. Felicidades para todos, mesmo para todos.Guilherme Valente
May 28 2010, 5:34am | Comments »
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A consola
http://dererummundi.blogspot.com/2010/05/consola.html
Não resistimos a transcrever uma Carta à Directora do jornal "Público" publicada ontem, dia 26 de Maio:"Um destes dias o meu neto Henrique, que tem oito anitos feitos há pouco, deixou a consola que nunca larga e, anormalmente sério, com ar extremamente preocupado, veio perguntar-me: "Ó avô, os países também morrem?"Senti um pequeno baque que com alguma dificuldade consegui disfarçar, fechei lentamente o jornal que ainda não tinha acabado de ler, limpei esmeradamente os óculos que na altura estavam mais que límpidos, pigarreei para limpar a garganta que estava mais que limpa e, para ganhar ainda mais tempo, voltei a pôr demoradamente os óculos ajustando-os muito bem à cara, como se esta, de forma mais que intrigante, tivesse deixado de ser a minha.Para me recompor e ganhar mais uns segundos, respondi-lhe com uma outra pergunta: "Olha lá, por que é que, assim de repente, me fazes uma pergunta dessas?"O Henrique, sem dizer palavra, pegou no jornal e, com o seu dedito, apontou-me uma notícia bem visível cujo título bem gordo dizia assim: "Portugal está muito doente".Quando lhe ia a responder já ele estava outra vez agarrado à consola!Sem nada dizer a ninguém, saí de casa praticamente a correr para comprar uma consola só para mim.Espero que o Henrique não venha tão cedo a saber! "Isolino de Almeida Braga, Portalegre
May 27 2010, 6:21am | Comments »







