Este pensamento já o escrevi mil vezes. Continuamos, a nível da organização do sistema, sem mecanismos eficazes de acção...Ensinar não é uma actividade como as outras. Poucas profissões serão causas de riscos tão graves como os que os maus rofessores fazem correr aos alunos que lhes são confiados. Poucas profissões supõem tantas virtudes, generosidade, dedicação e, acima de tudo, talvez entusiasmo e desinteresse. Só uma política inspirada pela preocupação de atrair e de promover os melhores, esses homens e mulheres de qualidade que todos os sistemas de educação sempre celebraram, poderá fazer do ofício de educador da juventude o que ele deveria ser, o primeiro de todos os ofícios. Pierre Bourdieu, ibidem
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Ensinar não é uma actividade como as outras
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December 4 2009, 12:54pm | Comments »
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EL VALOR INFORMATIVO DE LOS ESTUDIOS INTERNACIONALES COMPARADOS DE RENDIMIENTO ESCOLAR: DATOS Y PRIMEROS INTENTOS DE INTERPRETACIÓN SOBRE LA BASE DEL
http://terrear.blogspot.com/2009/11/el-valor-informativo-de-los-estudios.html
DEL ESTUDIO PISAPartiendo de la reciente bibliografía acerca de TIMSS y de los nuevos datos de PISA, el presente trabajo se propone discutir algunos aspectos básicos de la investigación empírica comparada en materia de educación. Se sostiene que los objetivos primarios de las evaluaciones de rendimiento a gran escala son: (a) operacionalizar de las metas educativas y las competencias de los alumnos, (b) establecer modelos causales que sirvan para explicar los resultados del sistema escolar y (c) brindar una descripción de la eficacia de los sistemas e instituciones educativas. En los análisis comparados, se hace uso de un conjunto de indicadores que definen minuciosamente el perfil de los resultados a nivel nacional. Sin embargo, la interpretación y explicación de las diferencias en el plano internacional adolece todavía de problemas teóricos y metodológicos considerables. Ello es así porque la investigación empírica apenas está comenzando a entender la repercusión que tiene el contexto cultural en los resultados escolares.Palabras clave: Alumnado – Evaluación institucional – Habilidades – Evaluación – Investigación educativa – Ciencias de la Educación – Educación Comparada – Institución escolar/educativa – Sistema educativo.Fonte
November 22 2009, 11:20am | Comments »
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Os professores e os processos de mudança.
http://terrear.blogspot.com/2009/11/os-professores-e-os-processos-de.html
- O professor desempenha um papel central na transformação das práticaseducativas e na melhoria dos processos e resultados do ensino.2. As condições de trabalho são um factor determinante em qualquer processode mudança. Uma mudança efectiva das práticas passa necessariamente pela melhoria dessas condições: ratio professor/alunos, espaços físicos lectivos, espaços para trabalho colaborativo, recursos didácticos, sistemas de escuta/comunicação, dispositivos de implicação/valorização,tempo para trabalho colectivo são algumas condições de trabalho que urge equacionar.3. Qualquer projecto de mudança é objecto de uma interpretação por parte de cada professor. O sentido que o professor lhe atribui (e que determina,em grande parte, a sua postura – e disposição - face à mudança) decorre de três critérios básicos: instrumentalidade, congruência e custo. (Vandenberghe):3.1. Critério de instrumentalidade: a mudança proposta /decretada explica claramente os princípios, os processos e os resultados? O projecto mostra claramente o que o professor deverá fazer e é praticável?3.2. Critério de congruência: a mudança proposta/decretada responde parcialmente a uma necessidade? Os alunos estarão interessados? Vãoaprender mais? O projecto ajusta-se às condições estruturais de trabalho?É compatível com a imagem que o professor tem de si mesmo?3.3. Critério de custo: de que modo a mudança afectará pessoalmente oprofessor, em termos de tempo, energia, novas qualificações, exigênciasacrescidas? Que esforços acrescidos serão necessários? Que tipo de recompensa (material, simbólica...) receberá o professor?4. A mudança é realizada pelas pessoas. As suas satisfações, frustações,preocupações, motivações e percepções pessoais desempenhamum papel central no sucesso/insucesso das inovações que se quereminstituir. Daqui decorre que a pessoa do professor deve estar no centro daspreocupações/intervenções, sendo aconselhável trabalhar pessoalmentecom os professores para os fazer compreender o seu papel no processode transformação.5. Neste contexto, só uma prática de escuta, de proximidade, de apoio efectivo, de reconhecimento, de valorização, de criação de melhores condiçõesde trabalho pode augurar o sucesso das ‘mudanças’ anunciadas.(JMA, revisitando textos 'antigos')
November 19 2009, 1:53pm | Comments »
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Programa de Governo, Avaliação de Professores e etc
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Vi por breves momentos segmentos do debate parlamentar a propósito do programa de governo. Vi e entristeci-me. Jogos de pura retórica e dissimulação. De faz de conta que responde, mas não responde. De faz de conta que é para defesa da honra, mas afinal não é. De guerrilha institucional. Assim, não vamos lá.Sobre a educação. É evidente que há temas muito mais importantes do que a avaliação de professores. Por exemplo, a sua carreira (que regrediu), as suas condições de trabalho. Por exemplo, a promoção do sucesso real dos alunos, a descentralização efectiva da máquina administrativa, a autonomia e a responsabilidade.Mas, persistir na crença irracional de que o modelo imposto contribuiu para melhorar o desempenho docente e as aprendizagens dos alunos e para premiar o mérito e a excelência só pode ser uma ficção. Começam, aliás, a surgir os primeiros estudos empíricos que provam o contrário. E branquear a realidade, fazendo crer que o povo é estúpido e não quer que rasguem papéis maléficos é estar prisioneiro de um pré-conceito que não é benéfico para a educação portuguesa. E não permitir a saída do labirinto. Aliás, os pais dos nossos alunos começam a perceber isso mesmo.Se o senhor primeiro-ministro persistir nesta cegueira pode começar a escrever o seu irremediável declínio. Não por causa da avaliação. Mas pelo que revela da impossibilidade de compreender o que se passa.
November 5 2009, 7:13am | Comments »
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Estratégia para o conhecimento
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Dizia-me um responsável de uma grande empresa tecnológica nacional que os saltos tecnológicos registados na empresa foram sempre o resultado da intervenção de pessoas que estavam na empresa há menos de um ano. Ou seja, foram o resultado da actividade de pessoas que eram relativamente livres para serem disruptivas e sugerirem alterações ou mudanças inesperadas para os outros. Pessoas criativas, com capacidade de inovar e de colocar em prática as suas ideias. É muito significativa e talvez surpreendente esta observação.Portugal não tem dimensão suficiente para gerar escala, isto é, as empresas nacionais não podem contar com o mercado nacional para se desenvolverem e serem competitivas. Nem sequer para sobreviver. Por isso, precisam de se aventurar em novos mercados, por esse mundo fora, tirando partido da sua criatividade e capacidade empreendedora. Isto é, devem distinguir-se pela qualidade dos seus produtos, pelos serviços que oferecem, pela sua disponibilidade e pela forma como se apresentam ao mundo: têm de ser diferentes e melhores. Não é só design e ergonomia, é também funcionalidade, tecnologia, serviços, integração, novidade ou, numa frase, projecto criativo de produtos e serviços tendo por base a satisfação de interesses do mercado. Para atingir estes objectivos é costume dizer-se que precisamos de inovar, conceito que tem sido usado até à exaustão. Mas as empresas percebem que isso necessita de pessoas criativas que constantemente procuram melhores soluções, mas que também são capazes de se organizar para as colocar em prática. É por aí que tem de começar um plano coerente de desenvolvimento do país: chamem-lhe plano tecnológico, ou mais adequadamente, estratégia para o conhecimento. Pelas pessoas. Pelas novas gerações, em particular. Com o objectivo de criar a consciência colectiva da necessidade de esforço, iniciativa pessoal e original como forma de encarar a vida e planear o futuro. Este esforço é particularmente necessário junto de escolas secundárias onde é importante fazer chegar o exemplo de empreendedores e respectivos trajectos de vida, bem como demonstrar formas alternativas e originais de trabalhar, para que os jovens possam alargar horizontes e se apercebam que dependem de si, da qualidade da educação que tiveram, mas também, em grande medida, da sua atitude perante a vida. Será esse binómio que lhes permitirá aproveitar as oportunidades que a vida lhes proporcionará, mas também criar as suas próprias oportunidades, seja por conta própria ou por conta de outrem. Os cursos de empreendedorismo, o contacto com empresas inovadoras e a relação das escolas com a universidade e centros de saber são ainda mais críticos nestas faixas etárias. Conhecimento, espírito empresarial e empreendedor são valências essenciais ao nosso futuro colectivo.
November 5 2009, 12:17am | Comments »
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A Nova Equipa que Dirigirá o Ministério da Educação
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Já aqui formulei os caminhos que espero sejam assumidos pela equipa que conduzirá as políticas educativas. Fi-lo sabendo já quem era a equipa (desde sábado que o sei). E tenho expectativas positivas (mesmo sabendo a extrema complexidade da missão). Mas não me compete a mim essa divulgação. Acho por isso interessantes os exercícios de conjecturação.
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October 28 2009, 4:05pm | Comments »
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Não é por avançarmos os relógios que o futuro chega mais cedo
http://terrear.blogspot.com/2009/10/nao-e-por-avancarmos-os-relogios-que-o.html
À falta de alternativa, viramo-nos para o passado, mas nele pouco encontramos de verdadeiramente útil. A nostalgia pode ser reconfortante para as almas, e nalguns casos para as consciências, mas de nada nos serve.A escola de hoje é infinitamente melhor do que a escola de ontem. É mais aberta, mais inteligente, mais sensível à diferença. Mas não chega.Pedagogicamente, ela encontra-se enclausurada nas fronteiras da modernidade. A diferenciação pedagógica, o interesse e a motivação, os métodos activos ou os modelos de aprendizagem centrados no aluno foram inventados para educar melhor as crianças, todas as crianças, e não para servir de pretexto (e de desculpa) à nossa incapacidade para as instruirmos.Socialmente, ela continua prisioneira de falsas concepções democratizantes que, na verdade, reproduzem a “lógica dos herdeiros” e privam os mais fracos de adquirirem o indispensável “capital escolar”. A abertura da escola, por si só, não produz nenhum fenómeno de democratização.Politicamente, ela está fechada em perspectivas centralistas que, no caso português, juntam a visão modernizadora da “engenharia do planeamento” à visão tradicional do “humanismo cristão”, assegurando a continuidade ministerial desde Veiga Simão (1970), se não mesmo desde Leite Pinto (1955).Infelizmente, como escreveu um dia Reinhart Koselleck, não é por avançarmos os relógios que o futuro chega mais cedo. E a contemporaneidade? Ainda demora muito tempo?António Nóvoa (2005). Evidentemente. Porto:ASA
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October 28 2009, 10:19am | Comments »
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O que Espero da Nova Equipa da Educação
http://terrear.blogspot.com/2009/10/o-que-espero-da-nova-equipa-da-educacao.html
Enuncio, de forma não exaustiva, o que espero da nova equipa do Ministério da Educação:1. Humildade para reconhcer os erros praticados na anterior legislatura. Certamente, também algumas virtudes. Mas é cedo para conhecer com rigor o saldo. E o que interessa, neste momento, é a 1ª disposição. Que só lhe ficará bem.2. Diálogo como meio e não como um fim da actividade política. Não como uma encenação retórica, mas como uma prática genuína de escuta do ponto de vista do outro, dos outros e, volto a insistir, não como um fim em que sistematicamente se adiam problemas e soluções.3. Coragem para apostar nas inteligências das pessoas, nomeadamemte dos professores, e das organizações. Isto significa romper com a lógica de governação centralista e burocrática, quase vassálica, que é, seguramente, uma das causas maiores do nosso "atraso".4. Lucidez para refazer os laços desfeitos entre professores, entre escolas e famílias, entre comunidades.5. Ousadia para intervir onde for cirurgicamente necessário, resistindo à tentação legisladora que rasura a diversidade, a criatividade e os poderes inerentes à acção.6. Descoberta de forma o mais participada possível quais são as alavancas reais da melhoria dos processos e resultados educativos e estabelecer contratos/compromissos localizados.7. Reinstituição da lógica da confiança e da confiabilidade na instituição escolar através de dispositivos vários capazes de as gerar de forma a combater a nefasta ideia da falsificação dos resultados escolares.Outras linhas haverá. Ao correr das teclas, estas foram as que primeiramente me convocaram. Oxalá haja condições para sairmos de alguns labirintos onde nos fomos perdendo.
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October 26 2009, 1:59pm | Comments »
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Ciência em Família com robôs
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Post convidado de J. Norberto Pires:No dia 25 de Outubro estive no Museu da Ciência em Coimbra para mais um "Ciência em Família". Esta ideia do museu é excelente. Ao domingo, com diversos temas, colocar as crianças e os pais a descobrir coisas sobre ciência. Muito bem, isso é muito importante.Pois a mim pediram-me para falar sobre robôs, numa sessão que se denominou "Descobre os Robôs". É complicado falar para crianças, confesso. Elas estão totalmente disponíveis, mas é difícil cativar a sua atenção para que, com um discurso próprio mas sem simplificações, se consiga mostrar a necessidade de trabalho e esforço como forma de atingir objectivos. A ciência é divertida e apaixonante, mas não é uma brincadeira e não é, de certeza, uma actividade fácil. Exige esforço, dedicação e muito trabalho.Na sessão de domingo queria mostrar mais uma área de ciência aplicada e de engenharia: a robótica. Usei como mote a exploração espacial e a matemática. Os mais novos associam aos robôs muito do que vêm na ficção científica. São máquinas fabulosas que falam, são inteligentes, resolvem muitos problemas e de alguma forma têm muitas das capacidades humanas (até aumentadas). Ora, quando vêm os robôs de hoje, os reais, ficam decepcionadas. Como evitar isso?A exploração espacial, nomeadamente os vários rovers (robôs móveis com autonomia) enviados para Marte, mostram uma realidade bem interessante e apelativa. Os princípios envolvidos, apesar da grande sofisticação desses robôs, são bem acessíveis e podem ser facilmente explicados usando máquinas mais simples mas com funcionalidades equivalentes. Se a essas máquinas lhe adicionarmos coisas como síntese e processamento de voz, software de manipulação simples e gráfico, os robôs ficam mais atractivos e permitem que os mais novos percebam que existe uma enorme diferença entre a realidade e a ficção científica, mas que estamos a encurtá-la e que se calhar eles até podem trabalhar nisso no futuro próximo.Se para além disso formos capazes de mostrar onde está a matemática, a física, e outras disciplinas que eles acham "aborrecidas", na realização desses robôs avançados, talvez eles percebam que vale a pena o esforço e o trabalho dispendido com essas disciplinas porque elas permitem construir "coisas fixes". Não é ciência a brincar, mas sim motivar para fazer da ciência uma aposta decisiva no nosso futuro colectivo.Na reportagem que a TVI fez do evento, uma menina dizia: "Pensava que a matemática era só relacionada com números e algarismos, nunca com a ciência", mas agora até pensa que "é divertida".Também por essa razão é importante manter estas conversas de "ciência em família". Nos museus de ciência, nos centros ciência viva, nas escolas e nas universidades. É um serviço prestado ao país e um contributo ao nosso futuro colectivo.J. Norberto Pires
October 26 2009, 1:15pm | Comments »
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Ver, Imaginar, Agir
http://terrear.blogspot.com/2009/10/ver-imaginar-agir.html
Há uma estranha familiaridade na forma como se sucedem os projectos e as iniciativas, como se mobilizam os portugueses para o “grande desígnio”, a “grande batalha” da educação. No cômputo final, fica a constatação de um “eterno atraso”.Quantas vezes li e reli a conferência de Antero de Quental, em 1871, na Sala do Casino Lisbonense:“Dessa educação que a nós mesmos demos durante três séculos, provêm todos os nossos males presentes. As raízes do passado rebentam por todos os lados no nosso solo: rebentam sob forma de sentimentos, de hábitos, de preconceitos. A nossa fatalidade é a nossa história”?!Ele desejava que rompêssemos resolutamente com o passado. Talvez. Mas o gesto foi ensaiado tantas vezes que nos tornámos desconfiados. Sinto-me, por isso, vinculado a uma obrigação de recusa, a recusa desta história. É neste sentido que me reconheço em Antero.Recusar não é esquecer, não é negar, não é omitir. Recusar é conhecer, estudar, investigar, compreender. É tentar imaginar outros destinos.“Imaginar, primeiro, é ver. Imaginar é conhecer, portanto agir” (Alexandre O’Neill).António Nóvoa (2005). Evidentemente. Porto:ASANão me canso de reler Antero. De reler António Nóvoa.
October 25 2009, 5:50pm | Comments »

