Nestes tempos de retracção, perda real de remuneração, novos "congelamentos", de disforia mais ou menos geral, de "irresponsabilidade política", onde vamos buscar a energia, o ânimo, a vontade de darmos o nosso melhor na cena educativa?Que motivos, que visões, que inspiração nos poderão acalentar (ainda) os sonhos? Os olhares das nossas crianças? A consciência profissional? O sentido do dever? A esperança que nunca nos pode abandonar? A construção de uma solidariedade profissional mais activa, exigente e protectora? E a gratificação de vermos o reconhecimento da nossa acção?
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Questões-guia
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October 17 2010, 2:25pm | Comments »
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Políticas e representações da profissão
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O Ministério enviou para a Escolas um documento orientador intitulado "Passos-chave para uma reunião bem sucedida", para os Professores gerirem melhor as suas reuniões.Disponibiliza-se este instrumento para todos os que o queiram livremente utilizar. Nãoconstitui um receituário, nem pretende estandardizar procedimentos. Visa apenas ser um contributo para que todos aqueles que nas nossas escolas participam ou dirigem reuniões possam gerir de uma maneira mais eficiente, produtiva e gratificante o tempo que destinam a esse trabalho.Introdução1º passo - Necessidade da reunião2º Passo - Preparação da reunião3º Passo - Ordem de trabalhos4º Passo – Convocatória5º Passo - Abertura da reunião6º Passo - Condução da reunião7º Passo - Participação na reunião8º Passo - Conclusões e encerramento9º Passo – Acompanhamento dos resultados da reuniãoBibliografia e fontesÉ tão óbvio, que chega a ser triste. Por nove razões. Tantas quantos os passos.
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October 7 2010, 2:56pm | Comments »
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Waiting for Superman
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October 3 2010, 4:11pm | Comments »
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Lá por fora - Waiting for Superman - Os EUA e a tômbola da sorte
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Daisy é uma menina que vive em Los Angeles, frequenta o 5º ano e que, contra tudo e contra todos, não desiste dos seus planos para o futuro; Francisco nasceu e cresceu no Bronx e a sua mãe tudo fará para que a vida lhe dê uma oportunidade; Anthony vive em Washington e prometeu a si mesmo não deixar que a droga, que condenou o seu pai, faça o mesmo com ele; Emily está no 8º ano, em Silicon Valley e o seu maior medo é que seja sempre marcada por não “se enquadrar” na universidade; e, finalmente, Bianca que frequenta um jardim infantil da zona de Harlem e é filha de uma mãe solteira, terá de esperar para ver se a bola da sorte para uma educação digna saia de uma tômbola igual à do euromilhões.Estas são as personagens principais do documentário vencedor do Sundance Festival e cujo argumentista e realizador é, nada mais, nada menos do que Davis Guggenheim, o responsável pelo êxito de “Uma Verdade Inconveniente” que acabou por dar “um” ou “o” empurrão a Al Gore na vitória do polémico Nobel da Paz. Desta vez, a verdade inconveniente é outra e está relacionada com o sistema educacional dos Estados Unidos que, outrora considerado um dos melhores do mundo, sofre hoje de clivagens profundas e de métodos muito pouco ortodoxos.Notícia integral
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October 3 2010, 4:06pm | Comments »
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OCDE - Education at a Glance 2010 - Os números que contam na leitura do ME
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O ME, através do Gabinete de Comunicação, divulgou os números que quis sublinhar do relatório anual da OCDE. Uma conclusão subliminar se retira: o sistema propicia melhores condições de aprendizagem e de sucesso do que a média da OCDE. Se os os resultados são o que são, a responsabilidade será dos actores (das escolas e dos professores que não sabem aproveitar as condições favoráveis). Mas pode tirar-se outra conclusão (também subliminar): se os resultados são o que são, a responsabilidade é de uma política educativa centralista, uniformista, cega e insensível que desconfia das autonomias e da liberdade. Com os recursos disponibilizados muito mais pode ser feito se se apostar em práticas de incremento da autonomia e responsabilidade.Já os jornais preferem destacar outras "verdades". Por exemplo, o Diário Económico destaca que "Portugal supera média da OCDE em gastos com a Educação"; "Portugal ultrapassa OCDE no financiamento da educação". E escreve, a dado passo: "Os gastos com os alunos também aumentaram. O Estado português investe em média 6.677 euros (mais 32% do que o valor referido no relatório do ano passado) em cada estudante, mais do que por exemplo, Polónia ou a Hungria. Mas menos do que a Espanha e a França. Os estudantes do ensino superior são os mais caros (cerca de 10.398 euros), os do ensino secundário custam 6. 833 e os do ensino básico representam uma despesa de 5.011 por cada aluno." Meias verdades, como ainda há pouco tempo aqui se referia. Pobre país analfabeto que se fica pela espuma dos números.Ver relatórioO relatório hoje divulgado confirma mais uma vez o aumento do número de alunos em Portugal, revelando que a percentagem de jovens matriculados, entre os 15 e os 19 anos, atingiu, pela primeira vez, a média da OCDE. O relatório confirma também que Portugal apresenta uma taxa de frequência da educação pré-escolar superior à verificada na OCDE, sublinhando a importância desta oferta para um percurso escolar de sucesso. O relatório revela, por fim, que as turmas são mais pequenas em Portugal do que nos países da OCDE, e que há menos alunos por professor.Educação Pré-escolar (3-4 anos) Portugal tem mais crianças a frequentar a educação pré-escolar do que a média dos países da OCDE. Em Portugal, 72,3% das crianças com idades compreendidas entre os 3 e os 4 anos estão inscritas em estabelecimentos de educação pré-escolar, valor superior aos 71,5% da OCDE. O resultado alcançado por Portugal beneficia do esforço do Governo e das autarquias na expansão da rede da educação pré-escolar, condição fundamental para o estabelecimento de igualdade de oportunidades no acesso à educação. Como a OCDE afirma neste relatório a educação pré-escolar é decisiva para o estabelecimento de efectivas condições de igualdade e para a concretização de um percurso escolar de sucesso. Alunos Matriculados (15 -19 anos) O número de alunos matriculados no sistema de ensino cresceu. A percentagem de jovens matriculados com idades compreendidas entre os 15 e os 19 anos situou-se nos 81%, atingindo Portugal pela primeira vez a média dos países da OCDE. A evolução registada neste domínio é sublinhada pela OCDE. Entre 1995 e 2008, a taxa de jovens matriculados no sistema de ensino subiu 13 pontos percentuais, dos quais 8 nos últimos 2 anos. A subida verificada reflecte a aposta na expansão e diversificação das vias profissionalizantes e o combate ao insucesso e ao abandono escolares. População com Ensino Secundário (25-34 anos) 47% dos portugueses com idades compreendidas entre os 25 e os 34 anos têm como escolaridade mínima o ensino secundário, mais 3 pontos percentuais do que no ano anterior. O relatório da OCDE realça a extraordinária evolução de Portugal neste domínio. Dimensão das turmas no ensino público A dimensão das turmas, em Portugal, é inferior à observada para a média dos países da OCDE. Nos primeiros seis anos de escolaridade, a dimensão média das turmas, em Portugal, é de 18,6 alunos. Nos países da OCDE, as turmas têm em média 21,6 alunos. O Japão (28 alunos por turma), o Reino Unido (25, 7 alunos por turma), os Estados Unidos (23,8 alunos por turma), a Austrália (23,2 alunos por turma), a França (22,7) e a Alemanha (21,9) apresentam turmas com uma dimensão muito superior à observada em Portugal. No terceiro ciclo do ensino básico, em Portugal, as turmas têm em média 22,2 alunos, enquanto nos países da OCDE as turmas têm 23,7. A Alemanha (24,7 alunos por turma), a França (24,1 alunos por turma), a Espanha (23,6 alunos por turma), os Estados Unidos (23,2 alunos por turma) e a Austrália (23 alunos por turma) apresentam turmas com uma dimensão muito superior à observada em Portugal. Número de Alunos por Professor O número de alunos por professor, em Portugal, é dos mais baixos dos países da OCDE. Nos primeiros 6 anos de escolaridade, o número de alunos por professor é de 11,3, contrastando com o valor de 16,4 para a média dos países da OCDE. O Reino Unido (20,2 alunos por professor), a França (19,9 alunos por professor), a Holanda (15,8 alunos por professor), a Finlândia (14,4 alunos por professor), e os Estados Unidos (14,3 alunos por professor) apresentam um maior número de alunos por professor. No terceiro ciclo do ensino básico, a relação é de 8,1 alunos por professor, enquanto nos países da OCDE a média se situa nos 13,7. Portugal regista o número mais baixo de alunos por professor no quadro dos países da OCDE. A Alemanha (15 alunos por professor), o Reino Unido (15 alunos por professor), os Estados Unidos (14,8 alunos por professor) e a França (14,6 alunos por professor) apresentam claramente um número mais elevado de alunos por professor. No ensino secundário, o número de alunos por professor é de 7,3, valor muito distante da média dos países da OCDE (13,5). Portugal regista o número mais baixo de alunos por professor no quadro dos países da OCDE. A Finlândia (15,9 alunos por professor), os Estados Unidos (15,6 alunos por professor), a Suécia (14,7 alunos por professor) e a Alemanha (14 alunos por professor) apresentam notoriamente um número mais elevado de alunos por professor.NOTA: Os dados do relatório têm como período de referência o ano de 2008 Lisboa, 7 DE Setembro de 2010. O GABINETE DE COMUNICAÇÃO do ME
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September 7 2010, 1:57pm | Comments »
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"Quatro andamentos"
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Alexandra Pinheiro, do Fórum para a Liberdade de Educação, publicou no jornal Sol de 1 de Setembro passado, um texto de opinião que, além de fazer uma síntese do último processo de encerramento de escolas, deixa algumas reflexões importantes e uma pergunta inqueitante. Desse texto, que pode ser lido aqui, seleccionámos alguns extractos por se relacionarem com a interrogação que tem emergido neste blogue: as medidas educativas dependem de decisões políticas e/ou do conhecimento científico de que dispomos?"O Ministério da Educação anuncia que vai fechar as escolas estatais com menos de 21 alunos. Sem apresentar estudos que sustentem a decisão, invoca razões pedagógicas e de socialização. O presidente do Observatório Geral de Educação demite-se, reclamando um esclarecimento verdadeiro aos cidadãos. O Ministério da Educação anuncia também a fusão de várias escolas e a criação de Mega Agrupamentos, mais uma vez sem apresentação de dados que justifiquem a medida (...).Curiosamente, e com financiamento estatal, no Reino Unido prepara-se legislação que irá permitir aos pais e professores abrirem escolas de pequena dimensão; na Finlândia, as escolas pequenas são exemplos de sucesso; e, na Suécia, um conjunto de cidadãos pode requerer a abertura de uma escola se reunir um mínimo de 20 alunos interessados (...).Se estas políticas afectam, sobretudo, aqueles que menos podem contra a voragem da burocracia e centralismo do Ministério da Educação, não significa isto que o Estado está a abdicar de garantir o direito a uma educação de qualidade a todas as crianças e jovens, apenas para manter a sua posição de controlo e monopólio do ensino?"
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September 3 2010, 1:02pm | Comments »
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Ligar para incluir e aprofundar
http://terrear.blogspot.com/2010/09/ligar-para-incluir-e-aprofundar.html
Sobre os "custos dos chumbos" em peça repescada pelo "Vox Nostra" e sobre a "Investigação que não usamos" no mesmo sítio, com dois comentários breves.
September 2 2010, 9:21am | Comments »
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MAIS COMENTÁRIOS SOBRE O EDUQUÊS
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Guilherme Valente reviu os seus últimos comentários a comentários que afixámos numa caixa de comentários e pediu-nos para os publicarmos como post, para que a sua posição fique ainda mais clara e a discussão possa prosseguir:1. Finalmente mexeram-se. Vão chegando alguns comentários ao meu texto (é pena que continuem anónimos), aparentemente mais elaborados. Aparentemente, porque, na realidade, nada apresentam de substantivo. Andam à volta, fazem sempre uma leitura fragmentária do que temos escrito, como se num texto de um blogue pudéssemos estar sempre a repetir tudo, a fazer um livro. E sempre o recurso ao expediente ou à autoridade: O Desidério Murcho disse, a Helena Damião afirmou isto, o David Justino (que devia, aliás, estar calado) escreveu aquilo. Até o Karl Popper, meu Deus, que se ouvisse chamar ciências ao que as «ciências» da educação produzem teria um badagaio.Aproveito a deixa, aliás, para dizer o que é mais do que óbvio. As «ciências» da educação, mesmo quando, eventualmente, aconteça produzirem trabalhos com interesse no seu âmbito, não são, por todas as mais do que evidentes razões, ciências. Serão estudos sobre educação, isso aceita-se. Mas, quase todos os que conheço, muito banais, muito fraquinhos, alguns deles mesmo muito ridículos. E quase sempre na tal linguagem que oculta a mediocridade do conteúdo. Teses de douramento? De modo nenhum. Só no reino do «eduquês»…2. Claro que os governantes têm culpas. Por serem convertidos ou porque se deixaram comandar pelos «especialistas» e a nomenclatura instalada (pelo mecanismo que tenho explicado). E deixaram-se comandar porquê? Por não terem espírito crítico, por incompetência, falta de conhecimento e de projecto (entre nós aceita-se ser ministro mesmo sem a mais leve interrogação sobre se se estará em condições de assumir essa responsabilidade), por não quererem «chatices», etc.3. Nunca em nenhum dos meus escritos responsabilizei aquilo que designo por «eduquês» (que já expliquei em vários escritos o que é, e, aliás, este anónimo bem reproduziu) por ter estragado a escola que havia. Responsabilizo-o, sim, «por ter impedido a construção da escola que com a liberdade há muito poderíamos ter».A escola do salazarismo tinha aspectos horríveis e eu próprio fui vitima deles. O mau nunca deve ser, nem é para mim, uma referência comparativa. Quando penso e defendo o que deveríamos ser, a escola que deveríamos ter, não estou a pensar, a comparar, com a escola que tivemos. Mas, se me colocam a questão, não tenho dúvida em dizer que. do ponto de vista dos seus efeitos na sociedade, a escola do «eduquês» é muito mais perversa, mais devastadora, do que a escola salazarista. De modo simplificado, direi apenas, por agora: o salazarismo queria instrumentalizar as consciências, ensinava para doutrinar, mas ensinava. A escola do «eduquês» não ensina, não quer que se aprenda o conhecimento, os saberes que contam, apaga o desejo de saber (que é o que nos torna humanos), aniquila a autoexigência, o desafio do mérito, apaga a consciência, impede, afinal, a liberdade, porque um homem só é livre se for culto e, por isso, poder ser crítico. Não se deixa de ser livre por se estar preso…A escola do salazarismo ensinou-nos a ler, por exemplo, para lermos a História que nos queriam impingir, mas nós… pudemos ler a História que eles não queriam que lêssemos. Por isso pudemos revoltar-nos. Percebe-se o que quero dizer?Quanto à escola do «eduquês», depois de mais de trinta anos, sabe-se e vê-se aquilo em que quer e em que tem transformado a generalidade dos alunos que não podem (sobretudo por razões sociais) fugir dela: zombies. Preparadinhos para qualquer ditador…Guilherme Valente
September 1 2010, 8:59am | Comments »
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"A investigação que não usamos"
http://dererummundi.blogspot.com/2010/08/investigacao-que-nao-usamos.html
Grande parte da investigação em Educação ou em Pedagogia (não se tratando de sinónimos, uso-os aqui de modo aproximado, como acontece na linguagem comum) é feita em instituições de ensino superior, no âmbito de projectos, de trabalhos de doutoramento e de mestrado.No texto de Guilherme Valente e a propósito dele (aqui e aqui), debateu-se no De Rerum Natura a ideia de que esses trabalhos:- serão "irrelevantes para o conhecimento, para o ensino, a escola e os alunos";- conduziram a educação ao (mau) estado em que ela se encontra e mantêm-no.Ambas as ideias são discutíveis e, mais, devem ser discutidas. Nesse sentido, recorro a um texto de Ana Maria Morais, onde se explica muito bem que:- nesta, como noutras áreas, produzem-se trabalhos com e sem qualidade científica, sendo que muitos dos que têm qualidade, podendo ser relevantes "para o conhecimento, para o ensino, a escola e os alunos", são ignorados por quem tem o poder real de decidir os caminhos da educação escolar;- assim, o (mau) estado da educação não se pode atribuir directa e linearmente aos investigadores da Educação ou da Pedagogia, dada as determinações políticas que lhe estão subjacentes."Têm sido muitos os que vêm culpabilizando as Ciências da Educação pelo actual estado de coisas. Não seria justo deixar para as Ciências da Educação todo o ónus da colossal falha da educação actual. Muito deve ser imputável a factores de decisão política. Mas também são muitos os professores e investigadores que têm vindo a ser responsáveis pela educação que temos. Uns por intervenção directa, como construtores de novas reformas e formadores de professores. Outros por omissão, porque se limitam ao papel de preparar os seus próprios alunos, futuros professores, e de desenvolver investigação que não ultrapassa o nível académico (...).É necessário dizer aos decisores de política educativa e aos cidadãos em geral que há outras formas de organizar a educação. Que há investigação que suporta essas outras formas. Que é urgente aumentar o nível de exigência conceptual. Que não é uma inevitabilidade que o nível de educação baixe perante a inacção colectiva (...).No que respeita, em particular, à avaliação dos alunos por exames, de que também se falou nesse debate, se dúvidas houvesse quanto à afirmação da sua importância por parte das pessoas da Educação, esta investigadora não pode ser mais clara:"É urgente uma avaliação externa, e os exames são uma necessidade absoluta (poderemos inventar outro tipo de mecanismo regulador?). Mas, e este é um aspecto da máxima importância, exames que não se limitem à tradicional avaliação centrada em níveis baixos de literacia mas que avaliem conhecimentos e capacidades de elevado nível cognitivo. Tais exames iriam levar os professores e as escolas a modificar o nível de aprendizagem que promovem (...) Também aqui podemos encontrar investigação que suporta esta afirmação.Temos a clara consciência dos múltiplos problemas que os exames podem acarretar, problemas que, contudo, têm vindo a ser sobrevalorizados (...) Numa cultura de sobreprotecção de crianças e adolescentes, todo o esforço, exigência e rigor têm sido desprezados, desprezando-se assim uma preparação necessária à vida activa dos futuros cidadãos.Esta educação que temos, não é educação. Falemos antes da educação que não temos... e da investigação que não usamos."in Público Sábado, 7 de Janeiro de 2006.
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August 31 2010, 4:21pm | Comments »
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(Próximas) medidas para a avaliação da aprendizagem
http://dererummundi.blogspot.com/2010/07/sobre-as-proximas-medidas-sobre.html
Isabel Leiria jornalista do Expresso, entrevistou a senhora Ministra da Educação. O texto saiu hoje no Primeiro Caderno (página 16). Sobre a avaliação das aprendizagem ficou registado o que se segue:Países nórdicos não chumbam. É possível reter um aluno, mas acontece muito raramente. Na Finlândia, Suécia, Noruega e Dinamarca, a retenção atinge 1%. Quando acontece deve-se habitualmente a ausências prolongadas por doença, por exemplo. Em vez de chumbar, os alunos com mais dificuldade têm apoio extra.França recordista de chumbos. No países da OCDE com mais repetência, 25% dos alunos de 15 anos já chumbaram pelo menos uma vez no 3.º Ciclo. Seguem-se Luxemburgo, Espanha e Portugal.Medida ineficaz. Vários estudos demonstram a ineficácia dos chumbos. Na Finlândia, um dos países onde há menos repetência, só 1% dos alunos de 15 anos não têm competências básicas de leitura, o valor mais baixo da OCDE. Já em França em estudo de 2004 revelou que metade dos que chumbam no 1.º Ciclo abandona a escola sem nenhuma qualificação ou só com o básico concluído. A OCDE recomenda, por isso, aos países que reduzam o insucesso e adotem o exemplo nórdico.Chumbos custam 600 milhões de euros. Não existem números oficiais, mas as contas ao custo dos chumbos, a partir da despesa anual por aluno, apontam para um gasto em Portugal de cerca de 600 milhões de euros por ano a essa questão: se os resultados não são consentâneos com as nossas expectativas, vamos focalizar a nossa atenção no que é essencial. Nesses países deu resultado.Também vai definir metas qualitativas de sucesso a atingir os alunos? O que é importante é termos os instrumentos que permitam às escolas e aos professores perceber se estão a melhorar. Temos uma monitorização externa, com os exames e as provas de aferição, e temos a repetência, que é a fórmula aplicada sobretudo nos países do Sul da Europa e que não tem contribuído para a qualidade dos sistema. As crianças repetem o ano e essa repetição quase nunca é benéfica em termos de evolução da aprendizagem.Qual é a alternativa? O que todos os países do Norte da Europa fazem. Se disser a um inglês que o seu filho passou, ele nem percebe do que está a falar. A alternativa é ter outras formas de apoio, que devem ser potencializadas para ajudar os que têm um ritmo diferenciado. E nós já temos muitas: temos aulas de apoio aos alunos, estudo acompanhado, projectos especiais com mais professores e técnicos.Pondera então alterar as regras de avaliação durante o seu mandato? Pondero. Mas ainda não chegámos a um consenso. Deve haver uma audição dos parceiros, das escolas e dos docentes para encontrar uma alternativa em que aspessoas se reconheçam.E está disposta a lançar esse debate para acabar com os chumbos? Sem dúvida. As reformas impostas, concebidas por um grupo de pessoas que propõem uma alternativa radical e em que as pessoas não se revêem, não são compreendidas.Muitos dificilmente concordarão com o fim da retenção. Por uma questão de tradição. Porque é muito difícil que as pessoas mudarem e acreditarem que há uma alternativa muito diferente e melhor. Quem esteve noutros países apercebe-se facilmente do que estou a dizer. Mas quem conheceu sempre um modelo só vê essa alternativa. Nos últimos 30 anos, houve uma alteração radical da educação e na frequência da escola. Uma educação que não se transforma não está a melhorar. Mas às vezes as pessoas agarram-se a uma ideia romântica, de que o que havia antes continua a servir bem.
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July 31 2010, 12:10pm | Comments »
