A ministra Isabel Alçada quer ACABAR com os chumbos nas escolas. Não serve para ajudar os alunos, diz ela.Link: http://aeiou.expresso.pt/a-primeira-pagina-do-expresso=f596955Claro, é isso mesmo que se deve fazer. Não chumbar. Porque isso é uma chatice e estraga as férias. E já agora, porque não acabar com os exames, e as aulas (que são uma seca com o bom tempo que está), e a obrigatoriedade de fazer os trabalhos de casa, e qualquer tipo de trabalho ou obrigação que os alunos tenham. Não. Acabemos com isso tudo, porque em nada os ajuda.É claro que depois há a correlação com o mundo real. Mas talvez a ministra esteja a pensar colocar Portugal num mundo virtual 3D (estilo Second Life), onde não se chumbe, toda a gente tenha muito dinheiro, um desses empregos onde não se trabalha e não se é avaliado (só mesmo num mundo virtual), carreira, sucesso, montes de férias, bens materiais, etc., onde sejam "felizes". Porque no mundo real, aquele que a ministra Alçada não faz a mínima ideia como funciona, as pessoas chumbam, perdem concursos, são avaliadas diáriamente, têm de ser competitivas, têm de desenvolver capacidades e colocá-las à prova, passam por momentos difíceis (têm de passar por eles para se prepararem), têm de ser criativas, têm de ser empreendedoras, têm de aprender a ser persistentes, caiem e têm de aprender a levantar-se e prosseguir. No mundo real existem insucessos, o dinheiro é difícil de obter, é preciso trabalhar árduamente e as coisas são obtidas com esforço e dedicação. E ainda bem que existem insucessos, porque se aprende muito com isso. Aliás, aprendemos mais com o insucesso do que com o sucesso. Querer decretar o fim do insucesso, escondendo aos alunos que há tempo para tudo mas que é necessário trabalhar, ser responsável, gerir o tempo, ter objectivos e persegui-los, é verdadeiramente irresponsável e assustador.Isto é a materialização de "Uma Aventura no Governo de Portugal", por Isabel Alçada.:-(
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Chumbar não ajuda em nada os alunos, Alçada dixit
http://dererummundi.blogspot.com/2010/07/chumbar-nao-ajuda-em-nada-os-alunos.html
July 31 2010, 3:38am | Comments »
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Éticas
http://terrear.blogspot.com/2010/07/eticas.html
Em livro de justificação das suas políticas e do governo, a senhora ex-ministra da educação (que pessoalmente estimo) convoca o seu velho mestre Max Weber para citar a diferença entre a acção orientada pela ética da responsabilidade (que exige a avaliação das finalidades, dos meios e das consequências) e a acção orientada pela ética das convicções (sempre justificada exclusivamente pelos fins últimos).Nesta nota, bem a propósito das convicções irresponsáveis, importa sublinhar que há outras éticas que seria bom não esquecer, neste tempo de crise extensa e intensa: a ética da proximidade (e quem é o meu próximo, poderá perguntar o eco bíblico), a ética do cuidado, a ética da sensibilidade, a ética da humanidade, a ética da compaixão, a ética do conhecimento e do reconhecimento do outro.
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July 10 2010, 7:11am | Comments »
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Um pouco de paz
http://terrear.blogspot.com/2010/07/um-pouco-de-paz.html
É só o que as escolas pedem. Que não estejam sempre a mudar as regras do jogo. Que nos momentos críticos do ano lectivo não venham com turbulências que exaurem completamente as pessoas. Por exemplo, agora com a avaliação dos contratados. Por exemplo, com a fusão de escolas e agrupamentos só porque a escolaridade vai ser de 12 anos daqui a 2 anos - e assim destruindo laços e energias e dinâmicas. Por exemplo, a mobilidade que deveria estar encerrada e ainda nem sequer começou... - e mais valia, também por exemplo, prorrogar as situações de mobilidade, excepto nos casos em que as instituições e as pessoas a não quisessem, assim se evitando muito tempo perdido...
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July 8 2010, 3:13pm | Comments »
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A Velha questão do (excesso) financiamento
http://terrear.blogspot.com/2010/07/velha-questao-do-excesso-financiamento.html
Em termos percentuais, e tendo por referência outros países europeus, diz-se quePortugal tem um forte investimento na educação. Não tem, todavia, resultados correspondentes; tem mesmo dos piores resultados. Porquê?Eu sei que vou fazer afirmações politicamente incorrectas, contra a maré dos discursosdominantes. Os economistas, especialistas e comentaristas “decretaram” (éesta a palavra certa) que se gasta de mais na educação. A ideia é falsa, mas toda agente parece aceitá-la sem discussão. Estranho e medíocre consenso! É verdadeque, durante um curtíssimo período de tempo, Portugal se aproximou, por volta doano 2000, da média dos então 15 países da União Europeia... depois de séculos deatraso. Eu digo, se aproximou, porque, em termos de despesa total por aluno, sóhavia um país que gastava menos do que Portugal, que era a Grécia; e em termosde percentagem da despesa com a educação e formação em percentagem do produtointerno bruto, Portugal continuava abaixo da média europeia. Claro que eujunto, como não podia deixar de ser, as três parcelas dos relatórios da UniãoEuropeia (despesa pública, despesa privada e despesa das empresas). É assim quese fazem as contas. É assim que se definem os objectivos estratégicos dos países.Mas os nossos economistas, que gostam de torturar os dados até que eles confessem,limitam-se a citar a primeira parcela (despesa pública) e partem daí para umraciocínio que está todo ele errado. Desenganemo-nos. É urgente um maioresforço do Estado, e um maior esforço das famílias, e um maior esforço das empresas.Não queiramos colher aquilo que não semeámos!António Nóvoa, entrevista aSaber e Educar, 11, 2006
July 5 2010, 3:42am | Comments »
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Seis elementos podem ser fundadores de uma nova concepção política da educação:
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1.º – Em vez de um centralismo legislador e reformador, políticas localizadas nas escolas e nos seus lugares sociais de inserção;2.º – Em vez da lógica desenvolvimentista do “capital humano”, uma Escola da cultura, do conhecimento e da ciência; 3.º – Em vez de programas e modelos uniformes, a liberdade de organização e de gestãodas escolas, a diversidade curricular e a diferenciação pedagógica; 4.º – Em vez de programas e planos de emergência, um investimento sustentado e coerente nas escolas, nos professores e nas redes de aprendizagem; 5.º – Em vez de processos burocráticos de recrutamento docente, uma escolha dos melhores professores, baseada nas suas qualificações e nos projectos educativos das escolas; 6.º – Em vez de um funcionamento às cegas, práticas regulares de auto-avaliação e de avaliação externa dos alunos, dos professores, das escolas e das políticas.(António Nóvoa, in Saber e Educar, 11, 2006)Bem precisados estamos.
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July 1 2010, 8:30am | Comments »
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A Organização da Hipocrisia
http://terrear.blogspot.com/2010/06/organizacao-da-hipocrisia.html
Para quem quiser compreender o post infra.
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June 30 2010, 12:19pm | Comments »
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Mega-agrupamentos: sistematizando a crítica
http://terrear.blogspot.com/2010/06/mega-agrupamentos-sistematizando.html
Já por diversas vezes aqui sustentei que a criação intempestiva e forçada dos mega-agrupamentos estão a ser (vão ser) um Erro Crasso e parecem colher a simpatia de um número indeterminado de municípios que vêem nesse processo uma forma de acederem ao controlo das escolas secundárias.E é um erro Crasso pelas seguintes razões: a) as lideranças instrucionais e transformacionais (que a literatura reconhece como forças poderosas de mudança educacional) perdem as condições de exercício e tendem a transformar-se em mera gestão burocrática de estruturas; b) a comunicação intra-agrupamentos era um ponto crítico reconhecido na generalidade das situações o que limitava fortememente a coerência e a coesão na acção; com esta medida a comunicação tende a ser um simulacro; e as articulações verticais e horizontais - outro ponto crítico do sistema - serão definitivamente enterradas; c) a necessidade de uma missão e de uma visão comuns construída pelo maior número possível de actores, já de si tendencialmente inexistente, mas que toda a investigação reconhece como central na promoção da eficácia orfanizacional, vai ser completamente erradicada. Muitos anos de vão passar até ser possível restaurar o que agora se perde;d) os climas de escola - reconhecidamente uma variável central na promoção das aprendizagens dos alunos - são seriamente danificados com este processo caótico e irracional; e) a monitorização e auto-avaliação dos processos e resultados - um dos maiores pontos críticos identificados pela avaliação externa realizada pela IGE - vão ser ainda mais fragilizadas, perdendo, por muito tempo, a esperança de colocar a auto-avaliação ao serviço da melhoria das organizações educativas; f) o trabalho colaborativo, designadamente em sede de departamentos, tão necessário para enfrentar os complexos desafios educativos, tende a ser impossível com as mega-estruturas entretanto decretadas; g) a confiança numa ordem legal estável e confiável é definitivamente enterrada; conselhos gerais eleitos há pouco mais de um ano são desfeitos; directores seleccionados e eleitos no mesmo prazo temporal são agora chamados e despedidos uns e promovidos outros a directores fictícios de conglomerados organizacionais; h) as relações entre os membros da organização - factor chave de sucesso - são seriamente afectadas criando-se um ethos destrutivo e nefasto; i) a concentração e a hierarquização do poder - ao invés do pretendido - são factores de perda, de ameaça ao necessário empowerment , de reforço das tendências centrífugas e anárquicas, sendo expectável o cenário da ingovernabilidade destas mega-organizações; j) as ligações escola-família - outro factor crítico - nada ganham com esta solução, podendo, pelo contrário, afectar a comunicação com o dirigente máximo; l) a co-existência de culturas profissionais em conflito de visões e percepções pode transformar a escola numa arena política ainda mais destrutiva.É certo que esta "solução" pode poupar alguns milhões de euros (em qualquer caso, está longe de estar demonstrado o ganho significativo). Mas os prejuízos educativos e pedagógicos são incalculáveis. Custa-me viver num país que tão levianamente afecta e prejudica centenas de milhares de portugueses.
June 26 2010, 9:49am | Comments »
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Construir a "outra" escola
http://terrear.blogspot.com/2010/06/construir-outra-escola.html
Via De Rerum NaturaA escola não pode permanecer tal como estáA propósito da publicação do livro O ensino do Português, referido em post anterior, a sua autora, Maria do Carmo Vieira, deu uma entrevista, onde afirma o seguinte:"A escola não pode permanecer tal como está, porque já bateu fundo – e não só em relação ao ensino do português, mas em várias outras matérias. Estamos a ensinar na base daquilo que é fácil, do que não exige esforço, nem trabalho. Estamos a fomentar gerações e gerações de alunos que não pensam, nem sequer sabem falar ou escrever.Ao tornar a facilidade da escola comum para todos, um aluno que venha de um contexto familiar rico, do ponto de vista cultural, não vai ficar prejudicado, porque os pais hão-de ter sempre dinheiro para ele ir para explicadores ou para frequentar boas escolas. Já aqueles que vêm de espaços mais fragilizados socialmente, esses sim é que vão ser torturados e explorados pela sociedade."Não sei onde vai buscar a autora as evidências que suportem a tese do senso comum que "já bateu no fundo". Espero que não seja só nas novas oportunidades e em alguns cursos cef. Que a escola "não pode permanecer como está", é certo. Não pode é regressar ao tempo do liceu em que a escola era só para alguns. E para não permanecer como está tem de revolucionar os modos de ensinar e de fazer aprender; a gestão dos tempos e dos agrupamentos de alunos; o "ensinar a todos como se todos fossem um só"; as tecnologias; a prática da responsabilidade educativa.A critica oca não nos leva a lado algum.
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June 26 2010, 8:33am | Comments »
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O espectáculo do Absurdo
http://dererummundi.blogspot.com/2010/06/o-espectaculo-do-absurdo.html
O Ensino do Português é um pequeno grande livro recentemente publicado e amplamente divulgado. A sua autora, Maria do Carmo Vieira, professora do Ensino Secundário, incapaz de se submeter ao "Absurdo" patente em muitas das actuais orientações para a educação escolar, apresenta e explora aquelas que mais impacto têm tido na aprendizagem do Português, não deixando de se deter, de modo muito lúcido, nas suas consequências...Desse livro deixamos o seguinte extracto:A “nova concepção de escola” que a reforma, implementada em 2003-2004, impôs, sem que houvesse um debate sério, e após anos de cauteloso e persistente trabalho, realizado pelo seus dinamizadores e apoiantes, é a representação meticulosa do espectáculo do Absurdo, sobre o fundo de cantos sedutores que atraem a Ignorância, para a Inércia e para a Preguiça de pensar, no desprezo pela educação da sensibilidade. Na base de teoria pedagógicas polémicas, já avaliadas e ultrapassadas, mas aceites acriticamente, se foi alicerçando o vício da facilidade, da ausência de reflexão e de criatividade, bem como a crença no êxito imediato e no esforço, em tudo contrário à experiência da própria vida, do saber e da arte.O relato de um episódio que decorreu, no final da década de 80, na minha escola, mostra, com clareza, o raciocínio que iria determinar a imposição do discurso pedagógico hoje em voga. Foram os professores convocados, certo dia, para ouvir um grupo de colegas, destacados pelo Ministério da Educação, os quais na introdução feita, se apresentaram como mensageiros de uma “nova metodologia pedagógica”. Para ser mais explícito nos objectivos, um desses professores interpelou-nos: “Colegas, imaginem que estão numa sala de aula, o dia está radioso e um aluno, depois de olhar lá para fora, sugere que vão para o recreio jogar futebol. O que deveria fazer o professor?”Perante o silêncio, resultante da estranheza, foi o colega que, impaciente, adiantou a resposta “Se eu fosse um professor tradicional, preocupado apenas em adiantar a matéria, contrariaria o aluno, dizendo-lhe que quando tocasse teria tempo de jogar futebol com os colegas. Pelo contrário, se fosse um professor compreensivo e atento aos aspectos pedagógicos aceitaria de bom grado a proposta, convidando a turma a participar nesse convívio tão necessário à aproximação professor-aluno”.De forma muito espontânea pensei em voz alta"mas está tudo maluco", desabafo mal recebido pela falta de educação demonstrada, mas depressa desculpado por vir de alguém “certamente resistente à mudança”, nas palavras de um jovem professor ministerial. Iniciava-se assim a metodologia da facilidade e do lúdico pelo lúdico, bem como a atitude de ignorar o protesto.As escolas que então optaram servilmente pela experimentação dessas inovações pedagógicas, descritas como verdades definitivas e incontornáveis, foram-nas integrando no seu quotidiano, numa aceitação acrítica e alheia às consequências. Nesse processo, pacientemente aguardado pelos seus mentores, que com subtileza o iam orientando, forma surgindo sugestões cuja concretização dependeria da “sensibilidade do professor”, expressão com que se procurou, de forma condescendente, atrair os dissidentes.Referência completa: Vieira, M. C. (2010). O Ensino do Português. Lisboa: Fundação Francisco Manuel dos Santos, pp. 11-12.
June 26 2010, 3:30am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
ERRO CRASSO
http://terrear.blogspot.com/2010/06/erro-crasso.html
É esta a imagem que me ocorre quando me relatam histórias de fusões de escolas secundárias com agrupamentos ou de agrupamentos com agrupamentos. Na maioria dos casos esta medida vai ser um desastre. É certo que as pessoas e organizações têm sempre a possibilidade real de "dar a volta" à adversidade e de criar uma ordem paralela à decretada. Mas nada disto tem sequer uma racionalidade económica. E lamentavelmente parece ser um logro de pesadas consequências nas culturas, climas e ambientes escolares. Em muitos casos, um impossibilidade real de governação. Por mais que me esforce, não consigo entender. Alguém me pode explicar?Qual a origem do termo "erro crasso"?Em 59 a.C, o poder em Roma foi dividido entre três figuras: Júlio César, Pompeu Magnus e Marco Licinius Crasso. Enquanto os dois primeiros eram notáveis generais, que ampliaram os domínios romanos, Crasso era mais conhecido pela sua riqueza do que por seu talento militar: César conquistou a Gália (França), Pompeu dominou a Hispânia (Península Ibérica) e Jerusalém, por exemplo. Crasso tinha, assim, uma idéia fixa: conquistar os Partos, um povo persa cujo império ocupava, na época, boa parte do Oriente Médio - Irã, Iraque, Armênia e outros.À frente de sete legiões, ou 50 mil soldados, confiou demais na superioridade numérica de suas tropas. Abandonou as táticas militares romanas e tentou atacar simplesmente - na ânsia de chegar logo ao inimigo, cortou caminho por um vale estreito, de pouca visibilidade. As saídas do vale, então, foram ocupadas pelos partos e o exército romano foi dizimado - quase todos os 50 mil morreram, incluindo Crasso.A asneira feita por Crasso, transformou-se, em várias línguas, sinónimo de estupidez.
June 23 2010, 5:48pm | Comments »







