Foi anunciado pelo Instituto Nacional de Estatística que, no último trimestre de 2010, a taxa de desemprego em Portugal atingiu um novo máximo de 11,1%. A evolução nos últimos anos pode ver-se no gráfico do economista Luís Aguiar Conraria, preparado a partir dos números oficiais, e que ainda nãop inclui os últimos dados. É um gráfico para meditar.Depois de ter meditado, o Secretário de Estado do Emprego e da Formação Profissional afirmou (transcrição no "Público" de hoje):“Durante 2010 o crescimento do desemprego desacelerou bastante em relação a 2009. Nesse sentido, falei em estabilização e mantenho essa perspectiva, estamos numa estabilização com valores muito elevados que temos de conseguir baixar”.Depois de ter meditado?
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OUTRO GRÁFICO PARA MEDITAR
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February 16 2011, 12:56pm | Comments »
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RESTOS DA GUERRA DAS ESTRELAS
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Destaque para a coluna do físico Robert Park:SON OF STAR WARS: THE LOBBIESTS WIN ONE MORE FOR THE GIPPER.In a 1984 in speech to the nation President Reagan called on the scientific community to render nuclear missiles "impotent and obsolete" with a futuristic missile-defense system, dubbed "Star Wars" by the media, that would use powerful space-based lasers to zap enemy missiles out of the sky. Reagan had been sold this bucket of bovine excrement by Edward Teller, a physicist well known for wild exaggeration in support of his right-wing beliefs. In 1987, the American Physical Society, released its largest and most important study, "The Science and Technology of Directed Energy Weapons." It zapped no no the Strategic Defense Initiative. It concluded that a global shield such as "Star Wars" was impossible for the foreseeable future. Nine years and $30 billion after President Reagan's 1984 speech, the Strategic Defense Initiative, having accomplished nothing, was terminated. All that's left of space-based missile defenses are artist renderings, and the YAL-1A, a gigantic chemical laser, crammed into a lumbering Boeing 747. If you ask what it's for, they reply "testing." If we learned anything from 9/11 it is that, against this enemy, sophisticated weapons are not a defense. Secretary of Defense Gates wanted the YAL-1A taken out of the budget; for the lobbyists, however, it's a pipeline into the treasury. On Monday the Obama administration will submit its budget request for fiscal 2012. I'm betting the YAL–1A will be in it. I suppose it could incapacitate an enemy with laughter.Robert Park
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February 12 2011, 4:38pm | Comments »
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Coimbra: licença para falhar (II)
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Na semana passada iniciamos este conjunto de artigos, onde comecei por resumir aqueles que considero os vários problemas estruturais do nosso país. Comecei pela atitude, ou falta dela, e pelos valores que fomos abandonando. Hoje realço os restantes:Participação: participar na vida de uma comunidade é querer saber e estar informado, é debater com elevação, é avaliar, é fazer perguntas, é não aceitar respostas cheias de coisas técnicas, sabendo que quem não é capaz de explicar de forma simples então também não sabe muito bem o que está a dizer, é votar (mesmo que em branco), é perceber que em democracia a ausência de participação é uma atitude muito perigosa que tem geralmente consequências desastrosas.Cultura empreendedora e de risco: o empreendedorismo e o risco são conceitos que é necessário incutir para que adquiram uma dimensão cultural e virulenta. Isso significa formar melhor, aliando à qualidade de informação o incentivo ao trabalho individual, original e criativo, procurando alertar para a necessidade de ir para além do que é pedido, para superar expectativas, avaliando os riscos inerentes. Mas significa também enfrentar a verdadeira cultura antiempresarial e de desvalorização do empreendedorismo e do risco por parte da sociedade portuguesa, e que se manifesta na total ausência de estímulo ao risco, ao planeamento, à organização, à gestão de recursos (do tempo, por exemplo), na ausência do mercado e das suas regras nos cursos superiores (especialmente os das áreas não económicas) e no ensino secundário, na ausência de valores relacionados com a competitividade e com a gestão de oportunidades.Ética e responsabilização: são comportamentos que devem estar na base de todo a nosso estrutura organizativa. E devem ser exigidos pelos cidadãos nos organismos do Estado, nos respectivos procedimentos, no exercício de cargos públicos, nas empresas e na forma como elas se relacionam com o mercado. Crescimento, acrescentar valor: todos temos de ter a noção que não podemos passar por um assunto sem lhe acrescentar algo. É uma ideia simples, mas de muito significado e de grande alcance: na nossa atividade temos de acrescentar valor a tudo o que fazemos, melhorando aquilo que encontramos. É essa a única forma de ter um crescimento sustentado.(voltaremos a este assunto na próxima semana)J. Norberto PiresEditorial do comCentroDiário As Beiras 11 de Fevereiro de 2011
February 12 2011, 1:11am | Comments »
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TRISTE PAÍS
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Com a devida vénia citamos a parte final do artigo de José Manuel Fernandes no Público de hoje, sobre o caso de uma senhora encontrada morta dentro de casa ao fim de nove anos. A morte pode passar despercebida, mas o fisco acaba sempre por encontrar o cadáver."Triste país que só se sobressalta quando, de repente, pousa o olhar sobre uma ainda mais triste praceta na Rinchoa, um daqueles subúrbios de Lisboa onde os prédios se amontoam à vista da linha férrea, prédios sem identidade e já sem cor, pousados em ruas onde os passeios chegaram depois das silvas, bairros onde se vem para dormir e, também, para morrer. Como a Augusta Duarte Martinho, que caiu um dia na cozinha e por lá ficou quase nove anos, o cãozito na varanda à espera dela até também morrer, uma vizinha inquieta, os outros nem por isso, a GNR indiferente, o tribunal surdo, o carteiro sabe-se lá, a família ainda menos. Normal? Quase: num país onde quase uma em cada dez pessoas vive sozinha, onde haverá quase meio milhão de idosos sem outra companhia que a das paredes, morrer em casa, sem ajuda, sem alarme, não surpreende. E assim ficar por nove anos? Acontece. Tinha de acontecer. Porque não há maior solidão do que a de viver de portas trancadas no meio dessas colmeias suburbanas. Porque todos estão apressados (para ver a telenovela) ou todos estão desinteressados (para não terem de abrir um auto lá na esquadra). Só o fisco não dorme. Somos cidadãos para ter um cartão que atrapalha, mas somos sobretudo servos dos impostos, súbditos do fisco, pois só ele nunca se esquece nem nunca perdoa. Como não se esqueceu de Augusta Duarte Martinho. Por isso chegou primeiro que todos os outros serviços do Estado à Praceta das Amoreiras, e chegou para tomar conta friamente de um apartamento penhorado com uma idosa morta lá dentro. Chegou com a mesma eficiência com que fez sorrir na quarta-feira um secretário de Estado meio deslumbrado. Só não chegou a tempo de salvar o cãozito e os dois pássaros. Azar do cão. E deste triste país. "José Manuel Fernandes
February 11 2011, 6:23am | Comments »
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Coimbra: licença para falhar (I)
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Eu gosto dos momentos de crise. São mais ou menos como o inverno; momentos tristes mas necessários. São uma oportunidade para refletir sobre o nosso trajeto de vida, e planear os ajustamentos, as mudanças e as rupturas necessárias para que haja de novo esperança. A seguir a um inverno há sempre uma primavera. É importante que sejamos capazes de transmitir uma mensagem de esperança às pessoas. Portugal tem vários problemas estruturais, que resumo nas seguintes ideias-chave (atitude, valores, participação, cultura empreendedora e de risco, ética e responsabilização, crescimento e acrescentar valor): Atitude: os países, antes de espaços geográficos, económicos ou políticos, são essencialmente as suas pessoas. Isso significa que o futuro depende em grande parte da forma como essas pessoas encaram a sua vida, se relacionam com os outros e desenvolvem a sua atividade. Atrair e fixar pessoas tem de ser por isso o nosso primeiro objectivo. E devemos estar particularmente interessados naquelas pessoas que procuram oportunidades, que as sabem identificar e têm o arrojo para definir objectivos e persegui-los com determinação. Na verdade somos todos muito bem comportados, uns “penteadinhos”, como gosto de dizer, que passamos do bibe ao fatinho numa vida toda certinha. Precisamos de mais gente “mal comportada”, isto é, gente criativa, com vertigem do risco, que vive como pensa sem pensar como viverá.Valores: deixamos cair grande parte dos valores que já nos fizeram um país grande. O valor do trabalho, da necessidade de esforço para obter resultados, do rigor, do profissionalismo, da honestidade, da palavra dada, da honorabilidade, do direito de reserva, da liberdade, do reconhecimento que é devido ao mérito e ao esforço dos outros como pedras basilares de uma sociedade saudável, justa e fonte de progresso. É preciso, de novo, colocar estes valores na essência da nossa construção social, para que de novo se tornem valores característicos da nossa sociedade, para que de novo se tornem valores culturais. Vai demorar tempo, eu sei, não é uma tarefa que possamos fazer no curto prazo, mas é necessário começar.(voltaremos a este assunto na próxima semana)J. Norberto PiresEditorial do comCentroDiário As Beiras4 de Fevereiro de 2011
February 6 2011, 2:23am | Comments »
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FUGA DE CÉREBROS
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Minha crónica no "Público" de hoje:Eduardo Lourenço afirmou esta semana, numa lição dada na Biblioteca Joanina, que o acontecimento mais importante da história da Europa foi a reforma religiosa, que separou a Europa do Norte e Central da Europa do Sul e do Leste. Infelizmente, a Espanha e Portugal ficaram do lado a menor velocidade. E o fosso não parece diminuir. O governo alemão acaba de anunciar a sua intenção de promover a emigração de trabalhadores altamente qualificados do Sul e do Leste da Europa. Os engenheiros espanhóis e portugueses estão entre os alvos preferenciais de uma acção que visa prosseguir o crescimento da economia alemã: o valor de 3,6 por cento registado no ano passado foi o maior desde a reunificação! Angela Merkel encontrou-se ontem em Madrid com José Luis Zapatero para tratar, entre outras, desta questão, e José Sócrates faria bem em preparar-se para também ele discutir com ela o mesmo assunto.O problema do desemprego espanhol é bem grave. Ultrapassou já os 20 por cento e tem incidência especial entre os jovens, incluindo os mais qualificados. Por outro lado, a Alemanha precisa de ocupar com emigrantes mais de meio milhão de postos de trabalho, de entre os quais cerca de 50 000 lugares de engenheiros. É, por isso, natural que o “engenheiro Pepe” queira ir trabalhar para a Alemanha. O nome vem num título do jornal El País – “Vente a Alemania Ingeniero Pepe” – evocando um filme espanhol de 1971 – “Vente a Alemania Pepe” –, que retrata o sonho alemão nessa época na Península Ibérica: Angelito, que aparece numa aldeia aragonesa num espampanante Mercedes a gabar a Alemanha e as suas mulheres, convence Pepe a “dar o salto” e este descobre, à sua custa, que a vida de emigrante é bem menos atraente do que lhe tinham contado. Agora, são os filhos do senhor Pepe, de posse de um diploma universitário, falando o inglês e com uma experiência cosmopolita proporcionada pelo programa Erasmus, que buscam o El Dorado germânico. Dantes fugiam os braços, agora fogem os cérebros.O fenómeno da deslocação do melhor capital humano dá pelo nome inglês de brain drain. Os alemães já sofreram desse mal. A Universidade de Oxford, que antes da Segunda Guerra Mundial não conseguia competir científicamente com Cambridge, beneficiou da iniciativa de um físico inglês que sabia alemão e foi à Alemanha recolher cérebros. E os Estados Unidos beneficiaram amplamente da fuga de cérebros alemães antes, durante e após essa guerra (o engenheiro von Braun foi preso e convencido a construir foguetões do outro lado do Atlântico). Invertendo o fluxo migratório, principalmente depois da reunificação, a Alemanha passou a atrair cientistas e engenheiros, informáticos e arquitectos. Agora quer mais, de origem europeia e, portanto, mais permeáveis à cultura alemã, ao mesmo tempo que reconhece o falhanço da política de integração de trabalhadores menos qualificados, na sua maioria turcos (a chanceler Merkel não teve pejo em dizer que “ o multiculturalismo fracassou completamente”). A locomotiva da economia europeia já não quer apenas quem construa as carruagens, quer também quem desenhe os novos TGV, um verdadeiro negócio da China desde que a China se tornou compradora.Nos anos 60 e 70 partilhámos com o país vizinho um destino de emigração. Hoje, para saber o que se vai passar em Portugal, é útil olhar para Espanha, um pouco mais próximo da Alemanha. O nosso “engenheiro José”, desencantado com o desemprego, com o trabalho temporário ou com a falta de perspectivas na carreira, vai, tal como o seu colega Pepe, sentir-se tentado pela chamada alemã (não estou a falar de José Sócrates, bem entendido, pois não acredito que ele queira voltar ao seu breve passado de engenheiro). Será bom para o engenheiro José, mas não o será decerto para nós, que nos últimos anos, ajudados por fundos europeus, investimos de modo notável na qualificação dos jovens, em particular nas áreas da ciência e da tecnologia, e agora nos arriscamos a perder o retorno desse investimento. Vamos a ver o que Sócrates diz a Merkel...
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February 4 2011, 1:45am | Comments »
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A História da Crise
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January 30 2011, 10:16am | Comments »
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Presidente
http://dererummundi.blogspot.com/2011/01/presidente.html
Vejam este discurso de OBAMA sobre o Estado da União (2011). Vejam o que disse sobre energia, inovação, educação, economia, iniciativa, emprego, empreendedorismo, justiça. Vejam o que disse sobre os professores: "Queres mudar a vida do teu país, torna-te professor". Que sorte tem um país em ter um presidente assim.
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January 26 2011, 5:33am | Comments »
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Um Texto Interpelante
http://terrear.blogspot.com/2011/01/um-texto-interpelante.html
Recordando Marcelo Caetanopor Luís Menezes Leitão(Faculdade de Direito de Lisboa)Fico perfeitamente siderado quando vejo constitucionalistas a dizer que não há qualquer problema constitucional em decretar uma redução de salários na função pública. Obviamente que o facto de muitos dos visados por essa medida ficarem insolventes e, como se viu na Roménia, até ocorrerem suicídios, é apenas um pormenor sem importância. De facto, nessa perspectiva a Constituição tudo permite. É perfeitamente constitucional confiscar sem indemnização os rendimentos das pessoas.É igualmente constitucional o Estado decretar unilateralmente a extinção das suas obrigações apenas em relação a alguns dos seus credores, escolhendo naturalmente os mais frágeis. E finalmente é constitucional que as necessidades financeiras do Estado sejam cobertas aumentando os encargos apenas sobre uma categoria de cidadãos. Tudo isto é de uma constitucionalidade cristalina. Resta acrescentar apenas que provavelmente se estará a falar, não da Constituição Portuguesa, mas da Constituição da Coreia do Norte.É por isso que neste momento tenho vontade de recordar Marcello Caetano, não apenas o último Presidente do Conselho do Estado Novo, mas também o prestigiado fundador da escola de Direito Público de Lisboa. No seu Manual de Direito Administrativo, II, 1980, p. 759, deixou escrito que uma redução de vencimentos “importaria para o funcionário uma degradação ou baixa de posto que só se concebe como grave sanção penal”. Bem pode assim a Constituição de 1976 proclamar no seu preâmbulo que "o Movimento das Forças Armadas […) derrubou oregime fascista". Na perspectiva de alguns constitucionalistas, acabou por consagrar um regime constitucional que permite livremente atentar contra os direitos das pessoas de uma forma que repugnaria até ao último Presidente do Estado Novo.(...)
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January 24 2011, 3:57pm | Comments »
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AEROPORTO DE MONTE REAL
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Texto recebido do nosso colaborador de outras ocasiões Armando Vieira:Com a opção do aeroporto da Ota afastada, e nível alarmante da dívida pública a por em causa a construção do novo aeroporto em Alcochete, acho que é altura de relançar a discussão sobre o tema.Os autarcas da região Centro, Oeste e Norte deveriam defender a opção Monte Real? A base aérea de Monte Real está instalada numa zona excelente que podia ser facilmente transformada num aeroporto civil. A topografia do terreno é óptima, a cintura urbana circundante não é muito densa e o impacto ambiental não seria significativo. Com a A1 a poucos quilómetros e após a conclusão da A8, os acessos rodoviários são excelentes, quer para Norte quer para Sul. A única infra-estrutura necessária seria um acesso ferroviário de qualidade, não necessariamente o TGV (outra opção de utilidade discutível). Monte Real tem ainda a vantagem de estar situado no coração de uma zona do país economicamente muito dinâmica além de ficar equidistante do Porto e Lisboa.Poder-se-ia argumentar que a zona centro não tem massa crítica para se construir um grande aeroporto. Mas porque se tem de construir um grande aeroporto com capacidade para mais de 40 milhões de passageiros ano? Não tenhamos a ilusão de transformar este novo aeroporto num hub ibérico. Esse hub já existe e está em Madrid. Barcelona, uma cidade muito maior e mais central que Lisboa, tem apenas mais 40% de tráfego aéreo. É o aeroporto de Barajas em Madrid que fica com a parte de leão do tráfego internacional espanhol.É altura de aprender com a história e deixarmo-nos de megalomanias doentias. O que o país necessita não é um super aeroporto mas um outro aeroporto de apoio à Portela. Com as várias centenas de milhões de euros gastos em obras de ampliação, a Portela terá uma capacidade de até 20 milhões de passageiros. Com um outro aeroporto, sobretudo para as companhias de baixo custo (as designadas low cost), o país ficaria perfeitamente servido.A única desvantagem de Monte Real seria a de estar longe de Lisboa. Porém, está mais que na altura de nos libertarmos das forças centralizadoras da capital. As assimetrias de poder económico entre Lisboa e o resto do país não param de crescer. Se mais investimento não for feito noutras regiões, corremos o risco de nos transformarmos num país como o Brasil, uma nação do tamanho da Europa mas onde quase metade da riqueza é produzida numa única megacidade: São Paulo. Se é o país que vai pagar o aeroporto é para servir o país inteiro que ele deve ser construído.É claro que haverá um custo pela deslocação de infra-estruturas logísticas e pelo transporte de passageiros e mercadoria entre os principais centros urbanos nacionais e Monte Real. Mas esse custo seria compensado pelo desenvolvimento do país inteiro e não apenas de Lisboa e pela qualidade de vida das pessoas que se libertassem do stressante quotidiano da capital.Armando Vieira
January 19 2011, 5:40pm | Comments »




