Um dos nossos leitores enviou-nos este texto de Guerra Junqueira, in "Pátria", 1896, que não estará inteiramente desactualizado:"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."Guerra Junqueiro, 1896
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
PÁTRIA
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January 17 2011, 2:17am | Comments »
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O Sucesso de Pirro
http://terrear.blogspot.com/2011/01/o-sucesso-de-pirro.html
A taxa de juro de 6,7 por cento a que o Governo colocou ontem Obrigações do Tesouro a dez anos no mercado é “pouco menos de ruinosa”, de acordo com o economista liberal Paul Krugman.Aquilo que o Governo português classificou ontem como “um sucesso atendendo às circunstâncias”, pela voz do ministro das Finanças, “diz alguma coisa sobre o desespero total da situação europeia”, na opinião de Krugman, Prémio Nobel da Economia em 2008 e que esteve em Portugal nos anos imediatos à Revolução de 1974.Estas afirmações surgiram numa entrada no blogue deste economista no sítio electrónico do diário norte-americano The New York Times, onde qualifica como “pírrico” o leilão de obrigações de ontem e diz: “Mais uns sucessos como este e a periferia europeia será destruída.”A razão por que Krugman considera ruinosa a taxa de ontem tem a ver com a perspectiva do “fardo do pagamento de juros crescentes sobre uma economia que provavelmente enfrentará anos de uma deflação opressora” devido à dívida.(...)PúblicoE é assim que acontece.
January 13 2011, 3:10pm | Comments »
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Política num blog sobre a natureza das coisas
http://dererummundi.blogspot.com/2011/01/politica-num-blog-sobre-natureza-das.html
Falar de política e de atitude cívica é uma das grandes contribuições que a ciência pode dar à democracia.As pessoas esquecem-se das suas obrigações. E demitem-se delas. Não avaliar, não querer saber, fazer de conta, ir em conversa fiada, não exigir, não responsabilizar é, em democracia, uma atitude muito perigosa. Porque permite o engano.Em democracia há momentos para avaliar. Esses momentos são as eleições e a necessária participação na vida do país. E isso não é só um direito. É essencialmente um dever! E é perigoso falhar nesse dever. Não vale a pena depois andar a apontar dedos. Se uns mentiram e enganaram, outros permitiram, outros não quiseram saber, outros não se informaram, outros foram em "clubismos", outros... falhamos todos colectivamente. Claro que com vários níveis de responsabilidade, claro que com vários graus de entendimento sobre a realidade, mas Portugal somos nós todos.Fazer perguntas e obter respostas claras não é um direito, é um dever de todos nós. Ceder nesse dever é um dos actos mais perigosos em democracia.Como dizia Francisco Sá Carneiro: "Cabe-nos cada vez mais dinamizar as pessoas para viverem a sua liberdade própria, para executarem o seu trabalho pessoal, para agirem concretamente na abolição das desigualdades. Para isso mais importante que a doutrinação, é levar as pessoas a pensarem, a criticarem, a discernirem."Quer contribuir para um Portugal melhor? Faça perguntas e exija respostas claras, como se tivesse 6 anos. Queira saber mais, a razão das coisas, leia, investigue e converse com os seus amigos e familiares. Não aceite explicações dúbias ou repletas de coisas técnicas. A natureza das coisas tem de poder ser explicada de forma simples (sem ser simplista), para que todos entendam. Se não for, então o seu interlocutor não sabe, ou não tem a certeza do que está a dizer. Não fique no curto prazo. Levante a cabeça e olhe à volta. Queira saber como se articulam as coisas, qual é o objectivo a médio e longo-prazo, ou seja, queira saber qual é o cenário (the big picture). Se fizer isso, como fazem os cientistas, as suas opções serão melhores, porque terão suporte e terão reflexão. Pode enganar-se, claro, mas a probabilidade é menor e afastou grande parte dos "enganos".Como dizia Carl Sagan, "O mundo está infestado de demónios" e a ciência é a forma mais eficaz de os combater.:-)
January 12 2011, 3:27am | Comments »
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IRRESPONSABILIDADE E MENTIRA
http://dererummundi.blogspot.com/2011/01/irresponsabilidade.html
O actual governo , tirando uma ou outra excepção, anda desgovernado. Uma manifestação de completa irresponsabilidade é o que fez à chamada "linha da Louçã", a linha férrea que serve os arredores de Coimbra e com um percurso humano. O projecto, há muito tempo em andamento, consistia em transformar essa linha num metro de superfície da cidade que servisse aquela região limítrofe. Para isso destruíram-se casas na cidade e retiraram-se carris fora da cidade (não sei se foram vendidos a um qualquer Manuel Godinho). Agora, sem mais nem porquê (os representantes do governo faltaram mesmo a reuniões onde deviam estar), o Metro foi dado por terminado. As populações estão desesperadas, pois deixaram de ter um serviço essencial e não vão ter nada em troca. A cidade deixou de ter um projecto estruturante. É como se em Lisboa tivessem destruído uma parte da malha urbana e tivessem retirado uma parte da linha de Sintra dizendo que iam fazer uma nova linha de metro e depois dissessem que afinal era tudo engano, deixando a terra e as gentes ao abandono. Sim, foi engano, foi engano daqueles que confiaram em políticos irresponsáveis e mentirosos.
January 12 2011, 2:28am | Comments »
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Por favor, tenham juízo!
http://dererummundi.blogspot.com/2011/01/por-favor-tenham-juizo.html
Se Portugal falhar, falhamos todos.Não é só José Sócrates e o seu governo.Falhamos todos, os 10 milhões de Portugueses.Não percebo esta ideia do "quanto pior melhor", esta "partidarite" cega, verdadeiramente estúpida e infantil que usa a palavra "ELES" como se não estivéssemos todos no mesmo barco. Se isto afundar, afundamos todos. Não interessa de quem é a culpa próxima. Porque visto bem, a culpa é de todos nós.Não é só do governo nem de José Sócrates.Eles anunciaram ilusões e mentiram. Mas a maioria comprou a ilusão e aceitou a mentira. E não podem dizer que não foram avisados. Muitos avisaram. Só nas ultimas eleições, Manuela Ferreira Leite fartou-se de avisar, usou o slogan "Política de Verdade". A maioria não quis saber. Votou no mal menor, votou naquele que falava melhor, naquele que se vestia melhor e tinha melhor "marketing". José Sócrates voltou a ganhar e quase com maioria absoluta.Portugal tem de resistir. Não pode falhar. Agora não!Agora somos bombardeados por notícias que ameaçam diariamente com o FEE e com o FMI. Se isso acontecer quer dizer que PORTUGAL, NÓS, FALHAMOS. Não são ELES os socialistas, ou José Sócrates, ou o Governo. Somos NÓS, os PORTUGUESES, e PORTUGAL.Perder a credibilidade é um caminho de um só sentido.Agora é altura de cerrar fileiras pelo país. Não é por José Sócrates ou pelo Governo. Esses já morreram. Mas pelo país que somos todos nós.Tenham juízo, POR FAVOR.
January 10 2011, 5:47am | Comments »
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O jogo dos economistas
http://dererummundi.blogspot.com/2011/01/o-jogo-dos-economistas_07.html
Habitual destaque para a crónica de J.L. Pio Abreu no "Destak":"Depois de se meterem no buraco no início de uma crise que não souberam prever, eis que se levantam, de novo, os economistas de palco cheios de receitas para os nossos males. Não os suporto. A satisfação arrogante com que nos propõem o mais miserável destino e as mais contraditórias soluções, põe-me os cabelos em pé.Senhores da fortuna e da desgraça, todos se armam em deuses, sabendo que são deuses menores porque tudo depende dos políticos que neles delegaram as responsabilidades. Mas que fazem eles, os economistas?Nos negócios e empregos que têm, eles são os actores e os principais beneficiários do jogo económico. Nas Universidades, ditam as regras desse jogo. Nos Governos ou na influência que têm, eles apoderam-se também do campo de jogo onde, por suposto, jogam todos os cidadãos.Usam palavras esotéricas, estrangeiradas, com que disfarçam os lances que executam. Nenhum deles aprendeu Matemática, e apenas lida com contas simplórias, feitas de percentagens, somas e subtracções, ao alcance de um computador ou de qualquer contabilista que conheça o significado das palavras. Mas é um jogo onde são jogadores, árbitros, donos do campo e ainda ditam as regras. Assim, qualquer um ganhava.Todo o seu discurso, no fim de contas, se destina a ocultar uma verdade que, incluindo eles, todos conhecem: a única coisa que produz riqueza é o trabalho humano. A contabilidade serve apenas para a distribuir. E mal."J. L. Pio de Abreu
January 6 2011, 7:40pm | Comments »
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O que escreveria hoje Eça de Queirós?
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January 6 2011, 3:36pm | Comments »
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A Vergonha
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Hoje, a vergonha tem um nome: SUCH. Um relatório do Tribunal de Contas hoje tornado público revela um sem número de ilegalidades:Despesismo, prémios injustificados, falta de estudos fundamentados e desrespeito pelas regras da concorrência. Estas são apenas alguns dos problemas apontados numa auditoria do Tribunal de Contas às aquisições de bens e serviços das instituições do Serviço Nacional de Saúde através do Serviço de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH), que foi criado em 1965 com o objectivo de rentabilizar o rendimento económico dos hospitais.Mas o que é mais espantoso é um Secretário de Estado vir dizer, na hora dos telejornais, que o caso era de 2008 e que o Governo tinha, entretanto, demitido o presidente do Conselho de Administração.Mas o que importa saber é se os 22 carros de alta cilindrada continuam ao serviço do organismo e se são usados para todo o serviço; se a lógica de pagamentos de prémios continua; se as despesas de representação continuam a ser pagas 14 meses/ano, se e se...Numa palavra: o que o senhor secretário de estado deve dizer aos cidadões é i) como foram reparados os danos e quem assumiu as responsabilidades pela gestão danosa; ii) como é hoje a situação referente aos factos relatados.Porque é intolerável esta sensação de impunidade que grassa neste país.
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January 3 2011, 3:01pm | Comments »
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Um Portugal Novo
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Bula do Papa Alexandre III que reconhece o reino de Portugal (13 de Abril de 1179)Portugal precisa urgentemente de uma mensagem positiva, de esperança, de confiança na nossa capacidade de gerar oportunidades e de ser o país certo para ser feliz. Os nossos decisores políticos estão velhos, cansados, vivem num mundo em que a correlação com o mundo real, com os seus desafios, é cada vez menor. Não entendem o que se passa, têm muita dificuldade em perceber o que motiva uma geração nova, educada e culta, capaz de sonhar, capaz de realizar e capaz de empreender. Uma geração que procura desesperadamente uma oportunidade de ser feliz, de se realizar profissionalmente, de constituir uma vida com momentos felizes que valham a pena, tenham sentido e deixem marca. A melhor e mais competente geração de sempre está a ser desperdiçada. Essa geração não quer ouvir mais falar nessa pouca vergonha das dívidas, dos juros da dívida soberana, e de todos aqueles senhores e senhoras cheios de certezas e verdades feitas, mas que foram incapazes de um projecto de esperança para o país. Essa geração está farta de ser bombardeada diariamente com problemas de todos os tipos e com as suas negras consequências. Sabe que o país está paralisado. Está farta de incompetência, de irresponsabilidade, de corrupção, de decisões pouco transparentes, de amiguismo, de homens e mulheres providenciais, de pessoas que desistem, de não ter os melhores e os mais capazes a decidir e a realizar. Está farta de ver tudo subvertido a poderes misteriosos e obscuros. Está farta deste país cheio de esquemas, de cunhas manhosas, de coscuvilhice provinciana, onde o mérito não conta, mas tão só a qualidade das amizades e a forma como se fazem percursos sem ferir susceptibilidades. Essa geração está pronta para trabalhar e construir um Portugal Novo. Aceita todo o passivo que lhe deixam e promete resolvê-lo, mas quer mudanças profundas e quer tomar as rédeas. Sabe que terá de trabalhar e aceita ter de fazer sacrifícios, mas só se forem decisivos. E quer ser feliz. Quer poder viver a sua vida, ter um projecto de médio-longo prazo onde se possa sentir realizada e contribuir para um país mais desenvolvido, livre e solidário. Quer contribuir para essa mudança, quer reformar a maneira como vivemos, quer de uma vez por todas que se cumpra aquilo que se anunciou há 36 anos atrás, numa manhã de revolução em que se gritou liberdade e democracia, mas também se prometeu progresso, desenvolvimento, abertura ao mundo, justiça, educação, saúde, uma sociedade baseada no mérito e na capacidade de cada um, solidária e responsável, isto é, em que se prometeu a construção participada de um Portugal Novo. Essa geração é Portugal agora, em 2011. Essa geração vai embora se sentir que Portugal já não vale a pena. Parte dela já foi. Com muita pena, mas já foi. Está a sair, aos poucos. É nesse Portugal Novo, dinâmico, empreendedor, competitivo, que conhece o mundo e que representa o melhor de que somos capazes, que deve ser baseado o futuro. É por eles que esse futuro deve ser construído.É a altura.Agora. J. Norberto Pires(editorial do comCentro publicado com a edição de fim-de-semana do diário As Beiras de 31/12/2010)
December 31 2010, 7:58am | Comments »
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A vergonha do BPN
http://dererummundi.blogspot.com/2010/12/vergonha-do-bpn.html
Há cerca de 1 ano publiquei aqui este post: Desemprego ZERO!O estado tinha nacionalizado o BPN e a coisa resumia-se a pouco mais de mil milhões de euros, incorporando o BPN na CGD e tentando tapar o sol com a peneira.Muitos dos "economistas" e "filósofos" do regime por aqui andaram a justificar a coisa. Era um risco sistémico, o estado só estava a prestar um aval, não havia perdas para os contribuintes... havia até um dos leitores/comentadores que dizia que se calhar com isto o estado até ia ganhar dinheiro, e que a CGD ao incorporar o BPN tinha assumido as dívidas mas também ficava com os activos. Ou seja, poderia vir a ser um bom negócio.Enfim... foi o que se viu. A factura que era de 1.3 mil milhões de euros em Janeiro de 2009, está já em 5 MIL MILHÕES DE EUROS: ou seja, os "ganhos" foram de -3.7 mil milhões de euros, e o banco não vale três reis de mel coado (ninguém lhe pegou na privatização que foi tentada pelo governo). O caso BPN é, como era fácil de ver, um CASO DE POLÍCIA que nada tem a ver com a crise financeira internacional, mas sim com roubo e actividade fraudulenta: um crime nojento.Para terem uma ideia do descalabro, 5 mil milhões de euros é o que o nosso PM José Sócrates quer injectar na economia nacional para fazer com que ela recupere da "maior crise dos últimos 80 anos", ou a "maior crise das nossas vidas", como costuma dizer nos seus discursos cheios de VAZIO.Sinceramente, não podem ser os contribuintes a pagar. E o que se espera do governo é que identifique estes casos e actue na defesa dos interesses de todos, e não só de alguns. E seja competente. Fazer o que é óbvio qualquer um é capaz. Colocar os contribuintes a pagar as fraudes cometidas por por estes senhores é INACEITÁVEL.
December 22 2010, 2:20am | Comments »






