O congresso do Partido Socialista que hoje terminou em Espinho foi o mais social de quantos congressos partidários já se realizaram em Portugal. Social de redes sociais, entenda-se. A cobertura dos cidadãos, armados em jornalistas ocasionais ou nem por isso, terá mesmo ultrapassado a dos órgãos de comunicação. Escrevo “terá” por precaução. Por um lado é difícil contabilizar estas acções de forma objectiva. Os minutos de televisão podem ser contados e o espaço nos principais jornais também — mas da rádio em diante, passando pelos jornais locais e terminando na rede, fica muito difícil rastrear numericamente as intervenções. Por outro, não estive lá e obtive números apenas aproximados. Apurei que entre jornalistas e bloggers — ou, como prefiro em casos de cobertura de eventos, profissionais e não-profissionais — acreditados, o número esteve entre os 50 e os 65. Sendo que a fatia dos não-profissionais está entre um quarto a um terço desse número. Importa também que a cobertura dos não-profissionais já deixou a era da novidade, em que dois ou três pioneiros iam para os congressos sobretudo falar sobre si próprios e a importância de lá estarem. A rivalidade provocou não diria maior isenção, mas mais rigor e atenção aos pormenores. Acresce ainda o impacto, sentido pela primeira vez neste congresso do PS, das redes sociais. As primeiras reacções que li sobre a surpresa Vital Moreira foram… no Facebook, de pessoas que o conhecem desde os tempos do Partido Comunista. Mas a novidade maior é mesmo o Twitter. Pelo menos 155 pessoas escreveram activamente sobre o Congresso, uma boa parte das quais, como se depreende das conversas, o fizeram a partir do pavilhão. Ou seja, um número de cidadãos não acreditados observou, comentou e analisou os trabalhos, reportando para as suas audiências — dispensando completamente a intermediação dos órgãos de comunicação social que antes monopolizavam a cobertura directa, a cobertura informativa e até a cobertura analítica e opinativa. Reforçando a independência: seguindo a emissão web no site do próprio partido, lendo os comentários em directo do pavilhão e as análises em diferido nos blogs, a completa cobertura do congresso pde ser operada sem o recurso a um único órgão tradicional e nem mesmo aos portais agregadores de conteúdos, que em Portugal souberam roubar as audiências naturais dos jornais. E não estou a falar de um cenário hipotético ou futurista, mas do que aconteceu este fim de semana em Portugal, usando as redes sociais e ferramentas de distribuição de conteúdos acessíveis a qualquer pessoa. Voltando ao Twitter, que é peça central disto: organizados ad-hoc em torno de uma simples expressão, #CongressoPS (o cardinal é a forma encontrada pelas pessoas para formar as hashtags, mecanismos de seguir assuntos tão simples quanto poderosos), jornalistas profissionais (incluindo 1 director de 1 diário), bloggers presentes no congresso, congressistas, ministros, políticos e cidadãos interressados ou ocasionais construíram um ambiente relativamente formal de divulgação de informação, debate, análise e até algum calor já erradicado dos media convencionais. E embora eu tenha centrado a minha atenção na tag #CongressoPS, esta não foi a única tag — e muitas pessoas nem sequer as sabem, ainda, usar. (”Ensinei” 3 ou 4 congressistas a fazê-lo no sábado.) Não se pense que essa comunidade só funcionava em circuito fechado. O Twitter serve, isso sim, de plataforma mínima e rápida, cujas mensagens puderam ser lidas nos vários blogs (como o meu) que quiseram retransmitir o debate em tempo real, e que dispararam em todas as direcções, dos blogs ao Facebook passando pelas televisões (foi a TVI24 que lançou a hashtag #CongressoPS, aliás) e jornais. Não foi certamente apenas do meu posto de observação que este congresso foi seguido quase exclusivamente pela Internet e, dentro desta, através dos canais das redes sociais, que não dos agregadores convencionais (e insípidos). Top 10 mais prolixos Da lista, fixada às 22:15 de domingo, dos 10 twitters mais activos sobre o congresso, conto 1 jornalista, 1 congressista do PS e dois bloggers acreditados. @jovemsocialista 200 @tiagoms 63 @goncalovaz 62 @CatPereira 49 @vascocampilho 49 @designerferro 40 @jota21 39 @mfrancopt 39 @Diz_se 36 @G_L 36
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João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
O mais social dos congressos
http://pauloquerido.pt/politica/o-mais-social-dos-congressos/
March 4 2009, 7:53am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
A campanha #mrsPE (Marcelo Rebelo de Sousa ao Parlamento Europeu)
http://pauloquerido.pt/politica/a-campanha-mrspe-marcelo-rebelo-de-sousa-ao-parlamento-europeu/
Diz-se que é o primeiro movimento espontâneo de cibercidadania activa na campanha eleitoral que se avizinha — e provavelmente é. A campanha #mrsPE (Marcelo Rebelo de Sousa no Parlamento Europeu) iniciou-se oficialmente ontem, com a abertura de uma petição. Nasceu no Twitter na noite de anteontem, tal como aqui referi. Ganhou lastro nas últimas horas, muito por acção das próprias bases do PSD com voz na blogosfera. A conversa no Twitter sobre a campanha #mrsPE, baptizada a partir da hashtag que permite seguir o assunto em tempo real, pode ser consultada aqui. A petição é esta e na altura em que a consultei, pouco tempo depois de aberta, levava já 64 assinaturas. Os peticionários subscrevem que, “para responder a estes dois desafios, o PSD não pode ceder ao tacticismo interno nem a lógicas de equilíbrios: deve escolher sem hesitações o melhor candidato possível. E o melhor candidato possível, nas actuais circunstâncias, é o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa“. Já foi também registado o domínio http://www.marcelo2009.eu, com o mote “Apelo à candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa às Europeias 2009 pelo PSD”, onde esperam coligir todos os elementos publicados na web sobre o movimento, ou campanha. É, sem dúvida, uma iniciativa ousada e inovadora!… A seguir com atenção, na medida em que é um teste à capacidade de os meios sociais influenciarem a política partidária também em Portugal.
March 2 2009, 5:37pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
E agora, Manuela? Como “desvitalizar” o PS?
http://pauloquerido.pt/politica/e-agora-manuela-como-desvitalizar-o-ps/
Penso ao contrário da “maioria” sobre o congresso do PS: passou-se ali de facto alguma coisa — e coisa importante. Algumas coisas, plural. O Partido Socialista deu o mote para o ano eleitoral. A estratégia dificilmente seria mais adequada, de tão realista. Por exemplo: vendo as sondagens com olhos de ver, sem o PSD como preconceito, é óbvio que a ameaça vem dos votos somados à esquerda pelos BE e PCP. Seria — desculpem a crueza — estúpido concentrar a artilharia pesada no adversário à direita que, histórico embora, erra pelo deserto do centro como um cadáver ambulante.
Não. Bazucas para Louçã — que de imediato agradeceu a lisonja, corado e sorridente, e suspirou de alívio pela “resolução” do seu problema a prazo, o confronto internamente com as vozes que lhe iriam pedir uma desconfortável aproximação ao governo. Assestar as armas grossas ao Bloco deixou o PSD a ranger os dentes. Simplesmente, não há palco para si. Nem nos temas das campanhas, nem sequer no coração do adversário. É uma amante velha, jogada para o lado. Resta-lhe o coro dos cronistas publicados e fiéis — isto se a imprensa não der um grande estoiro entretanto. Segundo tiro no porta-aviões: Vital Moreira. Com Vital o bordo esquerdo do PS troca o susurro pelo silêncio. Até Junho, garantidamente, mas com efeito prolongável por mais seis meses, o efeito-Vital serenerá mesmo o eleitorado “de esquerda” do PS que não simpatiza por ai além com o “centrista” Sócrates. Tem o seu pretexto para por 3 vezes meter a cruzinha à frente do símbolo rosa. Desde que nos media não aumente o nível da escandaleira, por ali (pela esquerda) este PS safa-se. Uma pitada de energia e a maioria absoluta ficará a descoberto desse lado. Vital é um (inesperado) trunfo pesado. Porque, pontualmente embora, colhe na frente de batalha com a direita. Não pelo lado do voto — não arrancará nenhum dali, mas esse é um trabalho para o secretário-geral, não para ele. Mas pelo lado da amedrontação, do jogo, da fasquia. Pois. Quem, justos céus, vai Manuela inventar para cabeça de lista? Tem de ser alguém com uma imagem pública de — ups, sorry! — credibilidade pelo menos à altura da imagem de Vital, o constitucionalista que mesmo os que são contra respeitam. Ora, na colecção de cromos mediáticos o PSD só tem 2 figuras de primeira estampa. Passos Coelho e — tcharam! — Marcelo, como superiormente lembrou Vasco Campilho em Lançar o lançador, e cito: “ninguém poderá contestar que Portugal ficaria soberbamente representado na Europa por alguém com a craveira intelectual de Marcelo Rebelo de Sousa. E na perspectiva mais que provável de uma renovação da maioria PPE, Marcelo poderia seguramente aspirar a um papel de destaque no Parlamento Europeu“. Até já há mote e tudo, lançado no Twitter há instantes: PSD tem o candidato ideal para “desvitalizar” o PS nas Europeias! Passos, lançado em pirueta por Marcelo, só se fosse louco é que aceitava trocar as livrarias de Bruxelas pelo frenesim de reconstruir o PSD, a tarefa que lhe vai cair no colo na noite das legislativas, se não for antes. Ná. A coisa é entre Marcelo e Pacheco Pereira. Sei que não é 1 figura com a imagem das anteriores e tem aquela discórdia com o partido. Mas a sua combatividade, ser repetente no cargo, capacidade retórica (contra Vital vai ter de ser assim) e o seu próprio interesse em voltar a Bruxelas recomendam-no sobre o professor. E para o partido — desculpem qualquer coisinha — era um alívio. Ora, o PSD tem usado Bruxelas para se aliviar, comprova a sua lista de cabeças de lista. Daqui para baixo não estou a ver nada que possa sequer sonhar em “desvitalizar” a campanha do PS. Dois singelos tiros, o primeiro disparado por António Costa, o segundo pelo próprio líder, foram suficientes, numa época de rarefacção de alvos, para cumprir o calendário político do congresso. O outro calendário, o de treinar a máquina, também terá sido cumprido. Suspeito que o PS vai surpreender nas campanhas com a sua juventude, em particular. Já a presença online… o começo do http://www.socrates2009.pt não foi o melhor. Se era para copiar Obama, podiam ao menos ter metido o discurso do líder online atempadamente. Tinha dado um jeitão. Quero com isto tudo dizer que o PS tem um tapete vermelho à frente? Qual, não. Apenas que o congresso teve muito mais interesse do que a maioria admitiu. Lançou o ano eleitoral, sendo o próprio PS a jogar ao ataque, quando devia ser o challenger a marcar o ritmo. Fê-lo com um trunfo pesado que resolve à esquerda e leva o nível à direita a uma altura que o PSD não poderá cobrir facilmente. Isto para começo de conversa e falando estritamente de política (há muito mais para avaliar em campanhas eleitorais, do desempenho às envolventes judiciais que este ano podem pesar). Sidenote. Achei descabido José Sócrates não ter ido à reunião dos líderes marcada pelo Presidente da Comissão. Por causa do congresso? De Falcon, no domingo de manhã, era um tirinho. (Foto do Congresso: Sara Marques)
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March 1 2009, 5:51pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
Cobertura em directo do congresso do PS (via Twitter e não só)
http://pauloquerido.pt/economia/cobertura-em-directo-do-congresso-do-ps-via-twitter-e-nao-so/
É simples e cómodo, acompanhar o Congresso do PS.
February 28 2009, 10:51am | Comments »
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PREVISÕES MARXISTAS
http://dererummundi.blogspot.com/2009/02/previsoes-marxistas.html
Minha crónica no "Público" de hoje:Neste tempo de rápido “corta e cola” de e na Net, tendo sido abandonada a verificação da fiabilidade das fontes, o disparate circula a uma velocidade muito grande, crescendo e multiplicando-se à medida que avança. Uma boa ilustração é a notícia que vem no El País de 22 de Fevereiro passado, sob o título “Marx não disse isso”. Cayo Laro, o líder da Esquerda Unida (força política, com origem no Partido Comunista, que nas eleições espanholas de 2008 obteve quase um milhão de votos), quis sublinhar a actualidade do pensamento de Karl Marx com a leitura, numa reunião do seu Conselho Político, de uma previsão do filósofo alemão que, embora fosse de 1867, parecia ajustar-se como uma luva à actual crise económica:“Os proprietários do capital estimularão a classe trabalhadora para que comprem mais e mais bens, casas, tecnologia cara, empurrando-os a contrair dívidas cada vez maiores até que a dívida se torne insustentável. A dívida por pagar levará à bancarrota dos bancos, os quais terão que ser nacionalizados”.A profecia batia demasiado certo. E, quando a esmola é grande, o pobre deve desconfiar. Mas Laro, talvez por excesso de voluntarismo, não desconfiou. Desconfiaram, isso sim, muitos leitores, alguns dos quais concluíram rapidamente que a citação era falsa e que se tinha vindo a propalar pela Net a partir de um jornal satírico norte-americano. Era como se alguém tivesse levado para a reunião cimeira de um partido um texto recortado do Inimigo Público. O sítio malaprensa.com, que aponta o dedo a erros da imprensa espanhola (bem poderia o sítio tornar-se ibérico!), publicou uma nota com o esclarecedor título “Marx não era Nostradamus”. E o dirigente viu-se obrigado a pedir desculpa pelo erro.Errar é humano e as desculpas devem ser dadas a quem, contrito, as pede. Contudo, o mais extraordinário está a seguir na notícia do El País. Um outro dirigente da Esquerda Unida não se coibiu de comentar: “Pode ser que Marx não tenha dito isso, mas decerto que o pensou”. E, tendo analisado à lupa O Capital, encontrou apenas algo vagamente parecido: “Num sistema de produção em que todo o processo produtivo se baseia no crédito, quanto este cessa de repente e só se admitem pagamentos a pronto, tem de haver imediatamente uma crise...” Marx não disse que a história se repete, primeiro como comédia e depois como tragédia. Embora parecido, disse outra coisa.Este episódio ensina-nos, pelo menos, duas coisas. Em primeiro lugar, o enorme perigo que corre quem se dedica ao corte e cola. Infelizmente, as nossas escolas não têm feito o suficiente para dissuadir os infantes dessa prática. O "Magalhães" vai ampliar o processo de imbecilização em curso, assente no corta e cola indiscriminado. Vão proliferar entre nós os textos apócrifos, como a crónica falsa de Eduardo Prado Coelho sobre o chico-espertismo nacional ou as fontes bastante originais de João César das Neves sobre a nossa economia (inventou há tempos uma fundação alemã e um relatório dela que tem sido citado). Em segundo lugar, ensina a facilidade com que uma forte vontade pode iludir a realidade. Se não é verdade podia muito bem ser... Num filme dos Irmãos Marx, os famosos comediantes americanos, um deles diz que um quadro está numa casa ao lado. E outro responde: “Mas aqui ao lado não há nenhuma casa!” Réplica do primeiro: “Não faz mal, nós podemos construir uma”.A propósito dos Irmãos Marx, não resisto a colar aqui um texto de Groucho, que em 1963 também previu a crise. Invoco como atenuante o facto de não o ter copiado de fonte anónima da Net, mas sim do livro Memórias de um Pinga-Amor (Assírio e Alvim, 1980), cuja autenticidade confirmei:“Nos velhos tempos, quando as pessoas eram pobres viviam pobres. Hoje vivem ricas. Já discuti isto com inúmeros assalariados de oito-a-dez-mil-dólares-por-ano e, na maior parte dos casos, admitem que quase tudo o que possuem não lhes pertence - os automóveis, as televisões, as casas, as mobílias. A filosofia deles parece ser: Que se lixe – podemos morrer amanhã!“
February 26 2009, 7:20pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
O sindicalismo docente em Portugal
http://dererummundi.blogspot.com/2009/02/o-sindicalismo-docente-em-portugal.html
Novo post sobre educação de Rui Baptista: “O despotismo da igualdade é o mais insuportável e o mais feroz dos despotismos, porque tem a sua origem na vontade dos impotentes,dos estúpidos, dos insignificantes” (Camilo Castelo Branco).Um estudo publicado este mês da responsabilidade das "Selecções do Reader’s Digest”, incidindo sobre populações de 16 países europeus, coloca a profissão de líder sindical entre as profissões menos confiáveis em Portugal. Por seu turno, Marçal Grilo, antigo ministro da Educação e actual administrador da Gulbenkian, aponta como solução para a crise que se abateu sobre o Ensino a seguintes proposta: “Menos sindicatos e mais professores” (“Correio da Manhã”, 10.Fev.2009).Desta forma é posto em causa o papel desempenhado pelos sindicatos dos professores e seus líderes no que se reporta a “conquistas” assentes em frágeis caboucos de igualdade entre desiguais, através, por exemplo, das formações para o exercício da docência da Matemática no 2.º ciclo do ensino básico, a cargo simultâneo de licenciados universitários e escolas superiores de educação. Ora, não é possível melhorar o ensino diminuindo a formação dos professores, como reconhece Ron Aharoni, professor universitário em Israel com experiência de aulas a alunos israelitas do 1.º ciclo (o nosso antigo ensino primário), na “9.ª Conferência Internacional da Educação da Fundação Calouste Kulbenkian”, levada a efeito no mês de Novembro do ano passado, ao afirmar: “Para aprender Matemática é preciso bons professores”. Falemos claro de uma vez por todas:O pinta-monos e uma pintora consagrada como Vieira da Silva fazem trabalho igual? Ambos pintam, na verdade! O pianista que martela o teclado do piano e uma pianista como Maria João Pires fazem trabalho igual? Ambos tocam piano, é certo! O poetaço e um poeta como Manuel Alegre fazem trabalho igual? Ambos fazem versos, realmente! O licenciado por uma escola superior de educação e um licenciado universitário no magistério da disciplina de Matemática, ambos na docência do 2.º ciclo do ensino básico, fazem trabalho igual? Ambos dão aulas, sem dúvida! Mas o respectivo desempenho pedagógico-científico será o mesmo? Aquando da discussão do Estatuto da Carreira Docente (Decreto-Lei 139-A/90, de 28 de Abril), trinta sindicatos ou organizações afins, em benefício dos seus associados e, em alguns casos, dos próprios dirigentes, pressionaram Roberto Carneiro, então ministro da Educação, numa mesa de negociações em clima tumultuoso, estando-se pura e simplesmente a marimbar para a qualidade do ensino e exagerando nos direitos concedidos aos professores menos habilitados. A título de mero exemplo, a aposentação por inteiro para os bacharéis na docência do 1.º ciclo do ensino básico com menos anos idade e de serviço que os licenciados dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e do ensino secundário. Esta situação deu azo a uma conferência de imprensa, promovida pela Associação Nacional dos Professores Licenciados (génese do actual Sindicato Nacional dos Professores Licenciados, integrado na “Plataforma Sindical” com a Fenprof e outros sindicatos), de que extraio um elucidativo excerto: “Os professores licenciados não querem ser tratados como os outros docentes que dispõem de menos habilitações académicas e sentem-se lesados com o actual estatuto da carreira docente que, segundo afirmam, favorece quem tem menores habilitações” (“Correio da Manhã”, 22.10.91). Surge agora a Fenprof em defesa de um princípio que subjaz a uma doutrina sem mácula: “Ao contrário do que defende o Ministério da Educação, a Fenprof defende que, às escolas e à qualidade do ensino, interessa garantir que todos os professores sejam altamente qualificados, competentes e estejam aptos a desempenhar todos os cargos e funções, para além, claro está, de deverem desempenhar bem o que de mais importante integra o seu conteúdo funcional: ensinar” ( “Site” da Fenprof, 11.Fev.2009).Pena é que as actuais palavras da Fenprof não encontrem correspondência com as suas acções passadas. Aliás pecha nacional que povoa e polui diversos sectores da sociedade portuguesa em que se reivindicam direitos sem proclamar obrigações. Ora, a satisfação desta exigência, segundo Raymon Polin (“O Homem e o Estado”, Europa América, 1976, p. 144), “é jogar às utopias ou às catástrofes”.Rui Baptista
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February 15 2009, 4:13am | Comments »
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O CARRO DE HEISENBERG
http://dererummundi.blogspot.com/2009/02/o-carro-de-heisenberg.html
Minha crónica no "Público" de hoje (uma petição contra a instalação obrigatória do chip nos carros encontra-se aqui):Conta-se uma anedota sobre Werner Heisenberg, o físico alemão que formulou o princípio da incerteza da teoria quântica. Um polícia mandou-o parar por o seu carro se deslocar com excesso de velocidade:- O senhor sabe a que velocidade ia?- Eu não. Sei onde estou e não se pode saber as duas coisas ao mesmo tempo!Claro que o princípio da incerteza de Heisenberg se aplica a electrões e a outras partículas subatómicas e não a veículos. É possível saber onde está um automóvel e a que velocidade vai, mas, desde que os limites legais de velocidade sejam respeitados, essa informação não devia interessar a ninguém. O governo português, com a introdução obrigatória de um chip na matrícula de todos os automóveis, poderá vir a saber onde estamos e, porventura, também a que velocidade vamos. O nosso direito à incerteza pode estar em risco...De pouco valeram as dúvidas levantadas pelo Presidente da República quando o governo pediu à Assembleia da República autorização para legislar sobre a utilização de um chip identificativo. E de pouco valeram as reservas levantadas pela Comissão Nacional de Protecção de Dados. O Conselho de Ministros de 5 de Fevereiro passado aprovou uma lei que poderá colocar o país vigiado por um gigantesco “Big Brother”. Se essa lei entrar em vigor, as autoridades poderão conhecer a localização exacta no espaço e no tempo dos automóveis e, cruzando essa informação com a das bases de dados que têm à sua disposição, poderão diminuir perigosamente a privacidade a que todos temos direito.Numa sociedade livre, o cidadão deve poder ir onde quiser sem que ninguém tenha nada a ver com isso. Mas agora, em Portugal, se for de carro, terá um chip – bip! bip! - a emitir sinais da sua presença para tudo o que for portagens, polícias e sabe-se lá que mais. Eu, que decidi livremente aderir à Via Verde, sei que, pelo menos para as portagens, parques de estacionamento, bombas de gasolina, etc., a minha presença está a ser registada e espero que haja um uso limitado desses registos. Mas o que o governo pretende agora fazer tem um potencial de risco bem maior: quer impor um sistema desse tipo a toda a gente (além do mais, cobrando-nos o chip) e quer fazer um uso indiscriminado dele (por exemplo, a nova lei fala não só do pagamento de portagens mas também de “outras taxas rodoviárias e similares”, sem especificar quais elas são).A abstrusa lei levanta dificuldades de vária ordem. O que fazer com os numerosos automobilistas que, como eu, têm Via Verde, que funciona bem? Terão de a deitar fora e comprar o novo chip? O que fazer com os veículos estrangeiros? Serão distribuídos chips na fronteira? E que confiança oferece a nova empresa a quem vai ser dado o exclusivo da gestão do sistema? Num país onde o segredo de justiça é letra morta e onde até já apareceram na redacção de um jornal listas de chamadas telefónicas do Procurador Geral da República e do próprio Presidente da República (o “envelope 9” do caso Casa Pia), será que o pior ainda está para vir?Em países com mais tradição democrática, uma lei deste tipo teria enorme dificuldade em passar. É facto que no Brasil se discute uma iniciativa semelhante, mas, nos países anglo-saxónicos, como a Inglaterra de Orwell, o direito a “to be left alone” é um “must”. A liberdade individual é aí indiscutível. Os carros são incertos como o de Heisenberg. Aqui o governo usa a força da sua maioria absoluta para chipar os nossos carros e permanece surdo e mudo perante as vozes de muitos cidadãos, que, na imprensa, na Internet e por outros meios, exercem o seu direito à indignação. Não é um sintoma da saúde da nossa democracia que essas vozes, a avolumar-se dia após dia em petições electrónicas, sejam completamente ignoradas.A George Orwell, o autor da frase “Big Brother is watching you” no livro “1984”, não terá passado pela cabeça que 1984 acontecesse em 2009, em Portugal. Mas estamos ainda a tempo de evitar que essa ficção se torne realidade. Chipados os carros, o que se chiparia a seguir?
February 12 2009, 6:58pm | Comments »
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Das Lógicas da Exclusão
http://terrear.blogspot.com/2009/02/das-logicas-da-exclusao.html
O pensamento moderno ocidental é um pensamento abissal2. Consiste num sistema de distinções visíveis e invisíveis, sendo que estas últimas fundamentam as primeiras. As distinções invisíveis são estabelecidas por meio de linhas radicais que dividem a realidade social em dois universos distintos: o "deste lado da linha" e o "do outro lado da linha". A divisão é tal que "o outro lado da linha" desaparece como realidade, torna-se inexistente e é mesmo produzido como inexistente. Inexistência significa não existir sob qualquer modo de ser relevante ou compreensível3. Tudo aquilo que é produzido como inexistente é excluído de forma radical porque permanece exterior ao universo que a própria concepção de inclusão considera como o "outro". A característica fundamental do pensamento abissal é a impossibilidade da co-presença dos dois lados da linha. O universo "deste lado da linha" só prevalece na medida em que esgota o campo da realidade relevante: para além da linha há apenas inexistência, invisibilidade e ausência não-dialética.Boaventura Sousa SantosTexto integral
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February 7 2009, 12:57pm | Comments »
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Investida contra as profissões e reestruturação das identidades acadêmicas e profissionais
http://terrear.blogspot.com/2009/02/investida-contra-as-profissoes-e.html
Este artigo baseia-se em uma série de idéias e conceitos desenvolvidos pelo sociólogo britânico Basil Bernstein para analisar os desafios e as mudanças enfrentados recentemente por indivíduos com ocupações profissionais, inclusive os das áreas de ensino e pesquisa na educação superior. O artigo discute e procura desenvolver a análise de Bernstein sobre como estruturas particulares do conhecimento podem estar relacionadas com a formação de identidades ocupacionais, centradas naquilo a que o autor se refere como "interioridade" e "dedicação interna". A seguir, examina a gama de desafios para essas identidades, em especial aqueles que surgem da "regionalização" do conhecimento e do "genericismo". Na conclusão, avalia as perspectivas de perpetuação dessas identidades em uma era de crescente mercantilização e gerencialismo.BERNSTEIN, BASIL - EDUCAÇÃO PROFISSIONAL - IDENTIDADE - PROFISSÃOTexto integral
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February 5 2009, 4:03pm | Comments »
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Desajustes Directos em Portugal
http://terrear.blogspot.com/2009/01/desajustes-directos-em-portugal.html
Recebi esta relação e quero fazer dois avisos prévios: alguns valores podem ter uma explicação racional (nomeadamente no primeiro caso apresentado); mas outros parecem ser inacreditáveis. Não haverá forma de apurar a justeza dos procedimentos, quando se trata de dinheiro dos contribuintes?Portugal, País de grandes tradições e brandos costumes... pelo menos é que muitos pensam ser verdade... até abrirem os olhos.Agora, expliquem-me, porque eu devo estar a ver mal, como é que se justifica:1) gastar mais de 10.000,00 euros num GPS para um instituto público - quando nos dizem que não hádinheiro para baixar as propinas aos alunos.2) Aquisição de:1 armário persiana; 2 mesas de computador; 3 cadeirasc/rodízios, braços e costas altas - pela módica quantia de 97.560,00 EUROS (!!!)3) Em Vale de Cambra, vai-se mais longe... e se pensam que o Ferrari do Cristiano Ronaldo é caro, esperem para ver quanto custa um autocarro de 16lugares para as crianças : 2.922.000,00 € É isso mesmo: quase 3 milhões de euros???4) No Alentejo , as reparações de fotocopiadoras também não ficam baratas:Reparação de 2 Fotocopiadores WorkCentre Pró 412 e Fotocopiador WorkCentrePE 16 do Centro de Saúde de Portel: 45.144,00 €5) Ao menos em Alcobaça , a felicidade e alegria as crianças fala mais alto: 8.849,60€ para a Concentra em brinquedos para os filhos dos funcionários da câmara!Crianças... se não receberam uma Nintendo Wii no Natal, reclamem ao Pai Natal, porque alguém vos atrofiou o esquema!6) Mas voltemos ao Alentejo, onde - por uns meros 375.600,00 Euros se podem adquirir: " 14 módulos de 3 cadeiras em viga e 10 módulos de 2 cadeiras emviga "Ora... 14x3 + 10x2 = 62 cadeiras... a 375.600,00 euros dá um custo de...6.058,00 Euros por cadeira!Mas, pensando bem, num país onde quem precisa de ir a um hospital passa maistempo sentado à espera do que a ser atendido - talvez justifique investir estes montantes no conforto dos utentes...7) Em Ílhavo, a informática também está cara, 3 computadores e mais uns acessórios custam 380.666,00 €Sem dúvida, uns supercomputadores para a Câmara Municipal conseguir descobrir onde andam a estourar o orçamento.8) Falando em informática, se se interrogam sobre o facto da Microsoft ser tão amiga do nosso País, e de como o Bill Gates é/era o homem mais rico domundo... é fácil quando se olham para as contas: Renovação do licenciamento do software Microsoft: 14.360.063,00 €Já diz o ditado popular: Dezena de milhão a dezena de milhão, enche a Microsoft o papo!(Já agora, isto dava para quantas reformas de pessoas que trabalharam umavida inteira?)9) Mas, para acabar em pleno, cagar na capital fica caro meus amigos! AFaculdade de Letras da Universidade de Lisboa gastou 5.806,08 € em 9072 rolos de papel higiénico !Ora, uma pesquisa rápida pela net revelou-me que no Jumbo facilmente encontro rolos de papel higiénico (de folha dupla, pois claro! - pois não queremos tratar indignamente os rabos dos nossos futuros doutores) por cercade 0,16 Euros a unidade...Mas na Faculdade de Letras, aparentemente isso não é suficiente, e o melhorque conseguiram foi um preço de 0,64 Euros a unidade!É "apenas" quatro vezes mais do que qualquer consumidor consegue comprar - e sem sequer pensarmos no factor de "descontos" para tais quantidades industriais.Num País minimamente decente, eu deveria poder exigir que me devolvessem ovalor pago em excesso, não?Mandava o link para a Faculdade de Letras de Lisboa, e exigia que medevolvessem os 4.000 e tal euros pagos a mais.(Se comprassem no Jumbo, teriam pago apenas 1.451 euros pelo mesmo número derolos de papel higiénico.)Ó MEUS AMIGOS.... como é que é possível justificarem estas situações?Que, como se pode imaginar, não são as únicas. Se continuasse a pesquisar nunca mais parava - como por exemplo, osmais de 650 mil euros gastos em vinho tinto e branco em Loures. Leitores de Loures, não têm por aí nada onde estes650 mil euros fossem melhor empregues???É preciso ser doutor, ou engenheiro, ou ministro, ou criar uma comissão de inquérito, para perceber como o dinheiro dos nossos impostos anda a ser desperdiçado?Isto até me deixa doente... é mesmo deitar o dinheiro pela retrete abaixo(literalmente, no caso da Faculdade de Letras de Lisboa!)Querem mais? Divirtam-se no portal datransparência !
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January 30 2009, 12:20pm | Comments »





