Como é habitual, destacamos a coluna de J. Pio de Abreu no "Destak" (o cartoon , de Henrique Monteiro, é de 2008):O orçamento vai ser aprovado? Claro que vai. Não importa muito saber se este ou aquele partido vai votar contra, a favor ou abster-se. Tudo isso são irrelevâncias folclóricas. O parlamento vai aprová-lo porque ele já está aprovado. Foi aprovado pelos mercados, pelo Fundo Monetário Internacional, pelas agências de rating, pela Comunidade Europeia, pelo Banco Central Europeu e pela senhora Merkel.E os portugueses também já aprovaram o orçamento. Enquanto os franceses põem tudo em cacos por verem a reforma aumentada para os 62 anos, os portugueses viram-na aumentada até aos 65 sem um lamento. Deve ser porque o trabalho não dá muito trabalho. E, além disso, se tudo o mais faltar, ainda temos o sol que é de graça.Agora, embora saibam que lhe vão aos bolsos, os portugueses andam contentes. Será porque têm o sol, porque se preparam para fazer ronha, mas é por mais do que isso. O problema é que cada português olha mais para os outros do que para si próprio e custa-lhe menos ganhar pouco do que saber que os outros ganham mais. Isso, sim, é que lhes dói: que exista quem trabalhe menos do que eles e ganhe muito mais. Ora, a grande maioria dos portugueses ganha muito pouco. Vai perder algum, é certo, talvez uns três por cento. Mas fica contente porque aqueles que mais ganham vão perder dez por cento. E então, os políticos, que já perderam cinco por cento, vão agora perder mais dez. Maravilha das maravilhas, que se aprove o orçamento.Desta vez, a inveja ajuda as finanças públicas.J. L. Pio de Abreu
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A aprovação
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October 22 2010, 6:00am | Comments »
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IMAGINEM
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Por Mário CrespoImaginem que todos os gestores públicos das 77 empresas do Estado decidiam voluntariamente baixar os seus vencimentos e prémios em dez por cento. Imaginem que decidiam fazer isso independentemente dos resultados. Se os resultados fossem bons as reduções contribuíam para a produtividade. Se fossem maus ajudavam em muito na recuperação.Imaginem que os gestores públicos optavam por carros dez por cento mais baratos e que reduziam as suas dotações de combustível em dez por cento.Imaginem que as suas despesas de representação diminuíam dez por cento também. Que retiravam dez por cento ao que debitam regularmente nos cartões de crédito das empresas.Imaginem ainda que os carros pagos pelo Estado para funções do Estado tinham ESTADO escrito na porta. Imaginem que só eram usados em funções do Estado.Imaginem que dispensavam dez por cento dos assessores e consultores e passavam a utilizar a prata da casa para o serviço público.Imaginem que gastavam dez por cento menos em pacotes de rescisão para quem trabalha e não se quer reformar.Imaginem que os gestores públicos do passado, que são os pensionistas milionários do presente, se inspiravam nisto e aceitavam uma redução de dez por cento nas suas pensões. Em todas as suas pensões. Eles acumulam várias. Não era nada de muito dramático. Ainda ficavam, todos, muito acima dos mil contos por mês. Imaginem que o faziam, por ética ou por vergonha. Imaginem que o faziam por consciência.Imaginem o efeito que isto teria no défice das contas públicas.Imaginem os postos de trabalho que se mantinham e os que se criavam.Imaginem os lugares a aumentar nas faculdades, nas escolas, nas creches e nos lares.Imaginem este dinheiro a ser usado em tribunais para reduzir dez por cento o tempo de espera por uma sentença. Ou no posto de saúde para esperarmos menos dez por cento do tempo por uma consulta ou por uma operação às cataratas.Imaginem remédios dez por cento mais baratos. Imaginem dentistas incluídos no serviço nacional de saúde.Imaginem a segurança que os municípios podiam comprar com esses dinheiros.Imaginem uma Polícia dez por cento mais bem paga, dez por cento mais bem equipada e mais motivada.Imaginem as pensões que se podiam actualizar. Imaginem todo esse dinheiro bem gerido.Imaginem IRC, IRS e IVA a descerem dez por cento também e a economia a soltar-se à velocidade de mais dez por cento em fábricas, lojas, ateliers, teatros, cinemas, estúdios, cafés, restaurantes e jardins.Imaginem que o inédito acto de gestão de Fernando Pinto, da TAP, de baixar dez por cento as remunerações do seu Conselho de Administração nesta altura de crise na TAP, no país e no Mundo é seguido pelas outras setenta e sete empresas públicas em Portugal. Imaginem que a histórica decisão de Fernando Pinto de reduzir em dez por cento os prémios de gestão, independentemente dos resultados serem bons ou maus, é seguida pelas outras empresas públicas.Imaginem que é seguida por aquelas que distribuem prémios quando dão prejuízo.Imaginem que país podíamos ser se o fizéssemos.Imaginem que país seremos se não o fizermos.
October 21 2010, 3:20am | Comments »
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Vale a pena ver (OE2011)... sem comentários.
http://dererummundi.blogspot.com/2010/10/vale-pena-ver-oe2011-sem-comentarios.html
Na sequência de: post1 e post1.
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October 21 2010, 2:32am | Comments »
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OE2011 - Momento ZERO (actualização)
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Ainda a propósito do post OE20119 - O Momento Zero venho acrescentar duas crónicas que considero relevantes.Esta de Henrique Raposo no Expresso e esta de Ângelo Correia no Correio da Manhã. Tirem as vossas conclusões.E dizer que subscrevo totalmente o que dizia o Padre Fernando Ventura numa entrevista à SIC: "os políticos lá andam entretidos nos seus jogos de poder" e as pessoas não interessam para nada. Estamos perante um momento histórico de fazer bem, de forma participada, contando a verdade. O resto todos devem ser chamados a decidir, em consciência, perante os factos.
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October 19 2010, 11:10am | Comments »
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HUMOR: CRISE DA REPÚBLICA
http://dererummundi.blogspot.com/2010/10/humor-crise-da-republica.html
Cartoon do tempo da 1ª República (A Capital n.º 862, 21.12.1912) recebida do nosso leitor João Boaventura.
October 18 2010, 9:16am | Comments »
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Viver fora da Realidade
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"Nenhuma organização humana pode viver fora do princípio da realidade. Perder de vista este princípio, é perder também o sentido e a prazo ficar louco. É o que se reprova, a justo título, à burocracia e à hipertrofia administrativa" (Michel Crozier, ob. citada infra, p. 84-85)
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October 17 2010, 4:25pm | Comments »
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ASK NOT
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All this will notbe finishedin the first 100 daysnor will it be finished in the first 1000 days,nor in the life of this Administration,nor even perhaps in our lifetime on this planetBUT LET US BEGINThe energythe faith, the devotionwhich we bring to this endeavorwill light our country, and all who serve itand the glow from that fire can truly light the worldAnd so my fellow AmericansASK NOTwhat your country can do for youASKwhat you can do for your countryEste texto é parte do discurso inaugural de JFK (1961).Faz todo sentido para o momento que Portugal vive hoje.Pena a falta de liderança.Pena a ausência de atitude para começar.Pena a falta de energia, de convicção e de dedicação.Pena a ausência de vertigem pelo risco,de viver como se pensa sem pensar como se viverá.
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October 16 2010, 2:36pm | Comments »
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Os políticos não estão a dignificar a Política
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Texto de opinião recebido do nosso leitor Augusto Kuettner Magalhães:Com estes nossos políticos isto não vai lá! Temos políticos que muito pouco prestigiam a Política, são os próprios que a têm destruído e insistem nisso, de modo a que a ideia que está já formada por grande parte de nós vá piorando a cada dia que passa.Nos últimos dias ouvimos o candidato à Presidência da República Manuel Alegre criticar Cavaco Silva, não só pelo que ele faz e pelo que ele diz, mas, pior, por ir buscar criancinhas às escolas, para o homenagearem com bandeirinhas nacionais, em locais públicos, tal como se fazia antes 25 de Abril, com os presidentes desse tempo. Como é evidente, isto não vem nada a propósito do que quer que seja e não ajuda a uma reentrada numa campanha eleitoral para a Presidência da República. Se a intenção é desprestigiar Cavaco em vez de se prestigiar a si próprio, e em vez de dizer o que vai tentar fazer para ser melhor do que ele, para melhor defender os interesses da população, essa tentativa de puxar por minudências dos concorrentes é mesmo uma desilusão para muitos. E não chega depois vir dizer que não era bem aquilo que queria dizer. Era e caiu muito mal. Alguém com a experiência de Manuel Alegre quando diz alguma coisa é porque a queria mesmo dizer!Por outro lado, o ministro Jorge Lacão, em vez de vir expor as suas ideias e do seu partido, vem atacar em termos desabridos o PSD e a forma como este se comporta. Ou seja, no governo não há mérito a defender? Tem mesmo de se ir atacar e minimizar os outros?Na Assembleia da República o cenário continua a ser degradante, triste mesmo, de todos os lados, sem excepção. Os Partidos perderem totalmente a vergonha, como de resto muitas pessoas públicas e não só. Vale tudo. Nas sessões da Assembleia - transmitidas em directo, ao vivo e a cores, pela televisão - vemos ataques de um lado para o outro e vemos um ar de gozo em todos os deputados. Parece que quanto pior, melhor.A intenção nunca é passar novas ideias, novos projectos, mas unicamente atacar o que do outro lado é dito ou feito. Não se lembrarão os deputados que estão ali por neles termos votado para nos representarem? Não se lembrarão que recebem dos nossos impostos retribuições mensais que são muito superiores ao que a maioria de nós recebe? Não se lembrarão que, se querem defender a Política, a Democracia, República, têm que ter comportamentos muito mais coerentes, muito mais construtivos, muito menos agressivos e arrogantes? O lugar de deputado serve para dignificar o País e não para mostrar que o próprio e o seu partido são agressivos e arrogantes. Pensarão eles que é essa a atitude que a população anseia dos seus respresentantes? Tentem – é dificil, eu sei, senão mesmo impossível – imaginar-se do lado de cá, do lado da população, e tentem fazer uma ideia do modo como são vistos.Parece estarmos numa época de grande défice de bons políticos. Num momento de tremenda crise interna, a posição dos políticos – pagos pelo erário público - devia ser preservada por eles mesmos. Hoje, por exemplo, já é consensual que o lugar de governador civil não se justifica e como esse tantos outros lugares... Este raciocínio aplica-se a todos - e não são poucos - que muito recebem mensalmente para a defesa da causa pública, pagos pelos nossos impostos, directos e indirectos. Todos na Política têm a responsabilidade de se saber comportar como o seu lugar obriga. Ninguém os obrigou a ir para lá, ninguém pensa que são insubstituíveis, bem pelo contrário.Estamos descrentes com os políticos de todos os quadrantes. Por isso, das duas uma. Ou eles fazem por dignificar os seus lugares ou, de facto, têm de passar a ser considerados um problema e não uma solução para os problemas do país e da sua população.Augusto Kuettner Magalhães
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October 15 2010, 2:23am | Comments »
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Assimetrias
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Como é habitual e porque nos faz pensar destacamos a opinião de J. L. Pio de Abreu no "Destak" de hoje:O mercado livre que nos rege está cheio de truques contra a sua própria lógica. São esses truques que permitem que o mundo se divida em países produtores, que se enchem de dinheiro, e países consumidores, que têm de pedir emprestado.O principal exemplo é o da China, que produz e acumula dinheiro, e dos Estados Unidos, que consomem e se tornam devedores. Acontece que quem lhes empresta dinheiro é a própria China, pois lhe convém que tudo continue assim e ainda enriquece com os juros.O truque é o facto da moeda chinesa não entrar no mercado livre. Se entrasse, ela subiria de valor, os produtos seriam mais caros e, portanto, menos competitivos, deixariam de se vender e existiria crise e desemprego na China. Os dirigentes chineses calculam que um aumento superior a 3% no valor da sua moeda teria efeitos catastróficos.Na Eurolândia, a Alemanha é produtora e os restantes países são consumidores. Mas aqui, o truque é o Euro que permite à Alemanha vender a preços competitivos para os países que têm a mesma moeda mas que a pedem emprestada.Se a Alemanha saísse do Euro, a sua moeda subiria de valor, os produtos ficariam mais caros, ninguém os comprava, e lá teríamos a Alemanha com uma crise económica e desemprego. Os outros países tornavam-se mais competitivos e veriam a economia crescer.O país mais interessado no Euro é a Alemanha. Não se compreende pois como todos os outros cedem ao braço de ferro da Senhora Merkel.J. L. Pio de Abreu
October 15 2010, 2:18am | Comments »
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Sufocação
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"Vivemos em sufocação, falando baixo, olhar redondo de suspeita. O medo, pois. Como nos tempos do fascismo". Vergílio Ferreira (1975)
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October 14 2010, 3:22pm | Comments »



