Mais um excerto de "A Arte da Possibilidade":Engajamento é a prática deste capítulo. Engajamento não significa forçar, bajular, trapacear, barganhar, pressionar ou acuar alguém para fazer alguma coisa do seu jeito. Engajamento é a arte e a prática de gerar centelhas de possibilidade para os outros.Na Idade Média, quando acender um fogo do nada era um trabalho árduo, as pessoas normalmente carregavam uma caixa de metal contendo cinzas ardentes, mantendo-as acessas durante todo o dia com pequenas porções de gravetos. Isto significa que alguém poderia acender um fogo facilmente onde quer que fosse, porque ele sempre carregava uma chama.E nosso universo é repleto de chamas. Temos ao alcance de nossas mãos a infinita capacidade de acender a chama da possibilidade. Paixão, em vez de medo, é uma força propulsora. Abundância, em vez de escassez, é o contexto. O fato de Walter Zander acender uma pequena chama em seu jovem filho fez com que Ben acordasse Rostropovich para a possibilidade. O maestro levou isto adiante e envolveu Ben em uma aventura de alto risco, que, por sinal, foi magnífica, com o próprio Dutilleux, o compositor, presente ao festival de Évian. Assim, a prática do engajamento diz respeito a dar-se como possibilidade para outros, e estar pronto, por seu turno, para pegar as centelhas que provêm deles. Diz respeito a tocar junto como parceiros em um campo de luzes. E os passos para esta prática são:1.Imagine que as pessoas são um convite para o engajamento.2.Esteja pronto para participar, disposto a ficar comovido e inspirado.3.Apresente aquilo que irá acendê-lo.4.Não tenha dúvida de que os outros estão ávidos para pegar as centelhas. Um "não" pode em geral abafar nosso fogo no mundo da espiral descendente. Isto pode parecer uma permanente e implacável barreira que se nos apresenta com escolhas limitadas: atacar, manipular nosso caminho ao redor ou curvar-se vencido. Em outras palavras, um "não" pode parecer uma porta se fechando, em vez de um simples exemplo de o jeito como as coisas são. Ainda, considerando o "não" de forma menos pessoal, e a nós próprios com menor seriedade, provavelmente ouviremos algo mais. Talvez ouçamos alguém dizendo:"Não vejo nenhuma possibilidade aqui, assim penso que manterei minha costumeira forma de fazer as coisas." Deveríamos ouvir na palavra "não" um convite para o engajamento.A PARÁBOLA DO POSTO DE GASOLINAROZ: Em uma manhã de abril, retirei o pó de minha bicicleta, acumulado durante o inverno, e pedalei até o Museu de Belas-Artes, um caminho que me levaria pelo rio Charles e ao longo de caminhos floridos da Fenway. Achando difícil seguir pela ponte da Universidade de Boston, parei e verifiquei meus pneus e vi que o da frente estava quase vazio. Mas eu estava com sorte, logo adiante, junto à saída da ponte, havia um posto de gasolina cuja bomba de ar brilhava convidativamente na estrada. Mas nem tão fácil assim: precisava de duas moedas de 25 centavos de dólar para fazê-la funcionar, e eu tinha somente uma nota de dez dólares dobrada no bolso de minha calça.Dois grandalhões estavam atendendo, um nas bombas de gasolina, e o outro parado, disponível. Aproximei-me deles, com minha nota de dez dólares estendida. "Vocês têm troco para a bomba de ar?" Perguntei-lhes. Eles sacudiram a cabeça: "Não." Era domingo e o caixa estava vazio, explicaram. Mostrei-lhes que meu pneu estava vazio e que a bomba de ar não funcionaria sem as duas moedas de 25 centavos. Novamente sacudiram a cabeça, olhando disfarçadamente, com suas mãos nos bolsos, e arrastando seus pés como dois ursos lerdos.Três pessoas patéticas, uma nota de dez dólares sem valor, uma bomba de ar disponível, uma bicicleta que não podia andar e a grande arte fora de alcance. "Que desperdício!" Pensei. "Que irritante, que pena!", argumentava enquanto me retirava derrotada. Mas nada mudou - a bomba de ar continuava disponível, o pneu vazio, a nota de dez dólares que não valia o papel em que fora impressa e ainda restávamos nós, três figuras patéticas ... Com este último pensamento minha perspectiva se iluminou e percebi uma mudança. Vislumbrei, num instante, as pessoas que realmente eu percebia estarem me bloqueando, com o evasivo barulho de moedas em seus bolsos, compartilharem meu sofrimento. Éramos três pessoas patéticas.Então uma alteração molecular abrilhantou o dia."Vocês podem me dar as duas moedas?" Perguntei-lhes, animadamente, de forma íntima, com todo meu envolvimento.O homem à minha frente levantou os olhos lentamente como se estivesse confrontado um enigma ancestral. O espectador ganhou vida. "Sim!" Disse-me, buscando por seu bolso, "Eu posso lhe dar as moedas", e estendeu sua mão.Subitamente, milagrosamente, estava tudo dando certo: as moedas, a bomba de ar, a bicicleta e nossa parceria. O outro homem ainda estava confuso. "Você sabe o caminho de volta para o Museu de Belas-Artes?" Perguntei-lhe. Ele sorriu. As orientações brotaram em quantidade. Como em um caleidoscópio que muda pedaços idênticos de vidro em diferentes formas, a cena alterou-se diante de nossos olhos, da falência para a abundância com apenas uma pequena cutucada na estrutura. Inicialmente estávamos nos relacionando com o pressuposto de que o dinheiro era escasso, que as trocas deveriam ser justas e que os limites dessa propriedade eram impenetráveis. Esta perspectiva nos aprisionou em uma condição de fracasso. A partir daí eu deveria tê-los bajulado e persuadido a me darem as moedas: "Olha, se emprestem duas moedas pelo amor de Deus, e devolverei o dinheiro quando voltar do museu", e me livraria do aborrecimento. Mas isso dificilmente teria abrilhantado a manhã de alguém.Nem mesmo a minha. Persuasão é em geral usada para obter o que você quer, quer seja ou não à custa de alguém. A persuasão trabalha melhor quando os interesses da outra pessoa casam com os seus, ou quando a transação, de alguma forma, beneficia a todos. Podemos chamar isto de "interesses alinhados". Mas neste caso não havia nada interessante para os dois homens, pelo menos a partir do mundo mensurável, exceto que eu fosse embora.A prática do engajamento, por outro lado, diz respeito a gerar possibilidade e acender a chama em outros. Não diz respeito às moedas. A repentina percepção de que estávamos todos presos, em um limite de escassez, incapazes de agir eficazmente em torno de um assunto que, por um valor não maior do que cinqüenta centavos, me permitiria entrar em um universo de possibilidades - o único lugar a partir do qual você pode engajar outras pessoas. Isso pode parecer algo simples, mas quantas vezes ficamos presos atrás de um motorista que entrou no guichê de troco rápido por engano, e ficamos lá buzinando e fumegando? Por que não sair do carro e jogar duas moedas no coletor do pedágio?A exigência do plano "Você pode me dar duas moedas?" conduziu a um vibrante mundo novo, no qual pedir, dar, receber são todos atos simples e generosos. A possibilidade tem a sua própria música, seu próprio gesto, seu próprio brilho e os participantes pegam as centelhas. Como podemos ajudar e sermos felizes por termos os meios entre nós para fazermos tudo acontecer?
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João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
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May 13 2010, 4:37pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
VISÃO
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Retorno a Zander para procurar inspiração: A visão possui a força propulsora de uma longa linha melódica, o altivo dueto dos Bodas de Fígaro de Mozart elevou o espírito dos prisioneiros para além dos muros da prisão no filme The Shawshank Rendemption.Não tenho idéia, até hoje, sobre o que aquelas duas senhoras italianas estavam cantando. A verdade é que eu não queria saber. Algumas coisas são melhores se não sabidas. Gosto de pensar que elas estavam cantando sobre alguma coisa tão bonita que não podia ser expressa em palavras e deixava seus corações machucados por causa disso. Digo-lhe que aquelas vozes voavam tão altas e mais longe do que qualquer um ousasse sonhar. Era como se lindas aves batessem asas em nossas pequenas celas desarrumadas e fizessem as paredes se dissolver. E nesse curtíssimo espaço de tempo, todos os homens em Shawshank se sentiram livres. Desta forma, a visão nos livra do peso e da confusão das preocupações e problemas locais, permitindo-nos ver a longa e clara linha.A visão se torna a janela para a possibilidade quando cumpre certos critérios que a distinguem dos objetivos da espiral descendente.Aqui está o critério que permite à visão estar no universo das possibilidades: ·A visão articula a possibilidade.·A visão preenche o desejo fundamental da humanidade, o desejo com o qual todos os seres humanos podem sonhar. Esta é uma ideia para a qual ninguém poderia logicamente responder:"E sobre mim?"·A visão não faz referência à moralidade ou à ética, não diz respeito à forma correta de fazer as coisas. E não pode afirmar que alguém esteja errado.·A visão é colocada como um quadro para qualquer época, sem número, medidas ou comparações. Não contém nenhum tempo específico, lugar, público ou produto.·A visão não tem categoria - não aponta nem para um futuro rosado nem para um passado carente de melhorias. Ela cessa sua bondade no presente. Se a visão for "paz na terra", a paz vem como sendo sua urgência. Quando "a possibilidade de ideias faz a diferença" é dito, neste momento, as ieias fazem a diferença.·A visão é uma longa linha de possibilidades se irradiando. Isso evoca a expressão infinita, o desenvolvimento e a expansão para dentro da sua janela de definições.·Falar da visão transforma quem fala. Neste exato momento, "o mundo real" se torna o universo das possibilidades e as barreiras para a realização da visão desaparecem.Metas e Objetivos Guiados pela Visão Dentro da janela da visão, metas e objetivos se projetam em um cenário de abundância. A meta - mesmo a meta de ser "o número um em projeto de escritório nos Estados Unidos" - é inventada como um jogo a ser jogado. Jogos projetam uma energia diferente da amarga perseguição de metas, no âmbito da espiral descendente. Eles apresentam criatividade e vitalidade para os jogadores, sem negar que o nível em que jogam talvez tenha a ver com o fato de saber se a equipa se qualificará ou não para a próxima disputa. Sob a visão, as metas são tratadas como marcas colocadas à frente para definir o território. Se você perder a marca - "Que fascinante!" Nem você nem a visão estão comprometidos. Na busca de objetivos dentro da visão, jogar é relevante para a manifestação da possibilidade, ganhar não. Exemplos de "Visões"Aqui estão alguns exemplos, extraídos de nossa interação com empresas, de visões que casam com o critério de janelas para a possibilidade. Uma distribuidora internacional de alimentos estava inspirada pela "visão de um mundo em parceria ética e sustentável". Uma empresa que projetava produtos baratos do lar achou sua expressão em "a possibilidade de alegrar-se todos os dias", e um grupo de oficiais das forças armadas dos Estados Unidos ressoou com "a possibilidade de um mundo em liberdade." Barbara Waugh, personalidade mundialmente conhecida, gerente da Hewlett-Packard Laboratories, contou sobre a transformação que aconteceu quando o enunciado da missão dirigida à competição da HP tinha finalmente se transformado em uma visão real. "Cresci pensando que mudanças eram um cataclisma", disse, "e provavelmente acompanhado por música. O jeito que usamos foi começar devagar e trabalhar aos poucos. Em algum ponto, tudo começa a se multiplicar, e você vê a transformação quase antes de você percebê-la". Isto aconteceu durante um encontro para planejar a comemoração da criatividade nos laboratórios da HP. Laurie Mittelstadt, engenheira de materiais, colocou uma simples e poderosa questão para o grupo:"Por que aspirar ser o melhor laboratório industrial do mundo? Por que não ser o melhor laboratório para o mundo? De fato, por que não dizer 'HP PARA O MUNDO?"A súbita troca de linguagem tocou em uma nova reserva de energia. Um engenheiro sénior criou uma imagem para o que «PARA O MUNDO" significava para ele. Ele pegou a atual e famosa foto de Eill Hewlett e David Packard, ambos de pé na garagem onde a HP começou, e sobrepôs a foto da Terra tirada da espaçonave Apollo. O grupo de Waugh transformou esta foto em um poster para o HP Labs Town Meeting. As pessoas das demais áreas da empresa ficaram entusiasmadas com esta imagem e quase cinqüenta mil delas compraram o poster.A visão é um convite aberto e uma inspiração para as pessoas criarem ideias e situações que se correlacionem com esta janela de definição. Organizações TonaisA visão também pode estar ligada à "tonalidade" da empresa ou grupo - a chave na qual a peça é escrita. Música atonal - música sem o código de base - nunca se desenvolve em uma forma de arte universal, precisamente porque não possui nenhum senso de destino. Como se pode saber onde se está, a menos que se tenha um ponto de referência? Músicas que exploram apenas a tónica simples e a harmonia dominante são chatas porque não dão espaço para o desenvolvimento. Analogamente, como é inspirador trabalhar para uma empresa governada, somente e para sempre, por sua forma habitual de fazer as coisas? Complexidade, tensão e dissonância podem trazer vida para uma empresa como o fazem para a música, mas não apresentarão uma estrutura coerente, a menos que você possa ouvir o código base ou se conecte à visão. Quando a visão está guiando a empresa, ela é instantânea e progressivamente acessível a todos os membros do grupo. A visão é o' "ponta dos pés na altura do nariz" da empresa. E se torna a fonte de participação responsável e orientada.Benjamin Zander e Rosamund Zander, A Arte da Possibilidade, Obra citada infra
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May 12 2010, 3:31pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
O Jogo da Contribuição
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Cresci em uma tradicional família judaica, o que significa, sem muitos mimos e moleza, o pressuposto de que todas as crianças seriam um "sucesso". Isto nunca foi claramente expresso, mas estava implícito em grande parte de nosso relacionamento familiar.Todas as noites na hora do jantar, por exemplo, com meus pais sentados um em cada cabeceira da mesa e os quatro filhos nas laterais, meu pai virava-se para meu irmão mais velho e perguntava: "O que você fez hoje?" E meu irmão passava a descrever, por um tempo que me parecia longo demais, todas as coisas que havia realizado. Depois, a mesma pergunta era feita ao meu segundo irmão, e em seguida à minha irmã. Quando chegava a minha vez, eu estava com os nervos à flor da pele, porque normalmente não sabia o que havia feito de tão importante. Pior ainda, percebia que a questão lançada não era exatamente "O que você fez hoje?", mas "O que você conquistou hoje?" Pensava que não havia conseguido tanto quanto os meus irmãos. Assim, cresci em uma maré de ansiedade que permaneceu até a maturidade. O desejo do sucesso e o medo do fracasso são, como os dois lados da mesma moeda, inseparáveis. Eles me obrigaram a fazer um esforço além do que eu podia, causando-me e àqueles ao meu redor considerável sofrimento. O surpreendente foi que meu sucesso crescente pouco adiantou para diminuir a tensão, é claro.Até que veio um balde de água fria. Minha segunda esposa resolveu acabar com o casamento.Ao mesmo tempo declarou - embora não tenha ouvido no primeiro momento - que nós estaríamos sempre em parceria, e que dependia de nós inventar a forma. Era evidente que a família não prosperava do jeito como planejamos. "Vamos inventar uma forma", ela disse, "que nos permita contribuir mutuamente, e vamos estabelecer a distância que nos ajude a ser plenamente nós mesmos". Desabando pela segunda vez, compreendi e me segurei. Vi que a história, como um todo, era arranjada e que o jogo do sucesso era justamente esse, um jogo. Percebi que poderia inventar um outro jogo.Estabeleci um jogo chamado Eu sou uma contribuição. Diferente de sucesso e fracasso, contribuição não possui a outra face. Não é atingido por comparação. Simultaneamente, descobri que a imponente pergunta "Isso chega?" e a outra mais imponente ainda, "Sou amado por quem sou, ou pelo que realizei?" podem ser, ambas, substituídas por uma alegre pergunta: "Como serei uma contribuição hoje?"Quando eu era um garoto no jogo da hora do jantar e, depois, um adulto jogando o sucesso e o fracasso, constantemente criticava-me pelo que acreditava ser os padrões das outras pessoas. Nada era bom o bastante. Havia sempre uma outra orquestra - a despeito da que estava regendo - que eu achava iria me trazer mais sucesso, assim, eu nunca estava realmente presente quando estava no pódio. Quando comecei a namorar, eu me flagrava olhando por sobre meu ombro procurando alguém melhor. Muito do que eu fiz foi mensurado pelo sucesso que obtive, desta forma, raramente tive paz, tanto em minha vida profissional quanto pessoal. Como regente, guiei meus músicos e administradores para realizarem minhas ambições, e, não importando o apoio que recebia, eu me sentia inseguro. O jogo que eu estava jogando era o da competição, e neste jogo você pode fazer alianças com aqueles que estão do seu lado, cujos objetivos são idênticos aos seus; mas você não pode confiar em ninguém que esteja objetivando algo mais, para que isto não desvalorize o que você deseja para si próprio.Quando comecei a jogar o jogo da contribuição, por outro lado, descobri que não havia melhor orquestra do que a que eu estava regendo, ninguém melhor para se estar do que a pessoa com quem eu estava; na realidade, não havia nada "melhor". No jogo da contribuição você acorda todos os dias e aquece-se com a idéia de que você é um presente para os outros. Benjamin Zander, obra citada
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March 25 2010, 4:27pm | Comments »
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