Os assessores do meu Presidente ficaram “consternados” e temem estar a ser “vigiados” pelo Governo, quiçá sob escuta. O caso é grave, muito. A manchete do Público, irressistível (metade dos jornalistas do país adorariam a oportunidade de caras, e a outra metade adoraria a oportunidade sem ser de caras). A explicação para tão grave caso está, como se pode ler na notícia, numa informação prestada por dirigentes do PS e que só podia ter sido obtida em circunstâncias extraordinárias. A “perplexidade” atingiu “aqueles que trabalham com o Presidente da República”, quando tomaram conhecimento das declarações, ao Público do sábado passado (dia 15 de Agosto), de José Junqueiro e Vitalino Canas, “denunciando” que “havia assessores de Cavaco Silva a participarem na elaboração do programa do PSD”. O mesmo membro da Casa Civil da Presidência da República questiona-se sobre estas declarações e afirma: “Como é que os dirigentes do PS sabem o que fazem ou não fazem os assessores do Presidente? Será que estão a ser observados, vigiados? Estamos sob escuta ou há alguém na Presidência a passar informações? Será que Belém está sob vigilância?“. Admitindo de pronto que essa seria uma hipótese e quiçá mesmo uma solução, penso que não seria necessário recorrer a tão pesados e arriscados meios. Bastaria ler jornais. A informação de que “assessores de Belém” estavam a “apoiar” a elaboração do programa do PSD fora publicada uma semana antes (e não desmentida, que eu saiba). Na página 10, com chamada de capa que diz: BELÉM MUITO ATENTO AO PSD E ÀS SONDAGENS E SARMENTO CRITICA FALTA DE AUTONOMIA PROGRAMÁTICA – FERREIRA LEITE FAZ O PROGRAMA DO PSD COM CATROGA E ASSESSORES DE BELÉM. O facto de o Semanário onde foi publicada ter circulação mínima e não ser reproduzido no seu site na Internet servirá de justificação, creio, para a dúvida dos assessores do Presidente da República. Que, decerto como sinal de poupança nos tempos difíceis que todos vivemos, dispensaram o clipping da Cision. há uma alternativa para, doravante, não fazerem má figura. Leiam diariamente o site da campanha do PSD. Nas “Notícias” é reproduzido o clipping. O clipping permite ler os jornais sem a dupla maçada de os pagar e folhear. E no clipping de dia 07/08/09 lá está, bem legível, a informação cuja proveniência secreta levou os assessores a indagarem, muito justamente, se estarão a ser “escutados” e “vigiados”. Acredite, se ler no site Política de Verdade.
-
João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
Ler o site de campanha do PSD dá jeito e é útil. Até para assessores de Belém
- Tags:
- Política
- PSD
- campanha eleitoral
August 18 2009, 8:29pm | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
A campanha #mrsPE (Marcelo Rebelo de Sousa ao Parlamento Europeu)
http://pauloquerido.pt/politica/a-campanha-mrspe-marcelo-rebelo-de-sousa-ao-parlamento-europeu/
Diz-se que é o primeiro movimento espontâneo de cibercidadania activa na campanha eleitoral que se avizinha — e provavelmente é. A campanha #mrsPE (Marcelo Rebelo de Sousa no Parlamento Europeu) iniciou-se oficialmente ontem, com a abertura de uma petição. Nasceu no Twitter na noite de anteontem, tal como aqui referi. Ganhou lastro nas últimas horas, muito por acção das próprias bases do PSD com voz na blogosfera. A conversa no Twitter sobre a campanha #mrsPE, baptizada a partir da hashtag que permite seguir o assunto em tempo real, pode ser consultada aqui. A petição é esta e na altura em que a consultei, pouco tempo depois de aberta, levava já 64 assinaturas. Os peticionários subscrevem que, “para responder a estes dois desafios, o PSD não pode ceder ao tacticismo interno nem a lógicas de equilíbrios: deve escolher sem hesitações o melhor candidato possível. E o melhor candidato possível, nas actuais circunstâncias, é o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa“. Já foi também registado o domínio http://www.marcelo2009.eu, com o mote “Apelo à candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa às Europeias 2009 pelo PSD”, onde esperam coligir todos os elementos publicados na web sobre o movimento, ou campanha. É, sem dúvida, uma iniciativa ousada e inovadora!… A seguir com atenção, na medida em que é um teste à capacidade de os meios sociais influenciarem a política partidária também em Portugal.
March 2 2009, 5:37pm | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
Medo, PSD. Medo
http://feedproxy.google.com/~r/MasCertamenteQueSim/~3/dIA6E8FYsCg/
Se eu fosse Cavaco Silva, terminava o ano bastante mais zangado com o meu antigo(?) partido e com a minha antiga leal colaboradora, do que propriamente com o partido do Governo e o seu lídimo chefe. Do PS, Cavaco não esperará nunca flores. Pode dar-se bem e estabelecer pactos com José Sócrates — mas nunca esperará dali nada. É um adversário declarado. Agora, ter sido abandonado pelo seu partido, para mais LIDERADO PELA SUA ANTIGA MINISTRA, eu, se fosse Cavaco, tinha ficado fulo da vida. Muito fulo da vida. Os analistas de serviço já repetiram ad nauseum a “questão constitucional” e o “erro político”, ou “derrota”. Aguardo que falem das implicações deste aspecto, menos secundário do que parece, do dossiê Açores. É que o que estragou a “avaliação”, quando decidiu avançar pelo lado político da questão, não foi o PS. Foi o PSD. Cavaco podia imaginar confortavelmente que os socialistas podiam insistir no diploma e não emendar uma vírgula. Era um risco calculável e sem dúvida calculado. Cavaco não imaginou que o partido que liderou em duas maiorias absolutas lhe voltaria as costas, envergonhado e cabisbaixo. O “erro político” é induzido pela base de apoio de Cavaco, não pelos seus adversários partidários. Um pormenor determinante porque um pormenor novo e que irrompe subitamente pelo centrão acima. Se o PR e o PM estavam no mesmo barco por via da consolidação orçamental, agora cairam nos braços um do outro, empurrado Cavaco Silva pelo inexplicado comportamento do PSD no dossiê Açores. Podem ter os seus arrufos — civilizados, pragmáticos, de cavalheiros que não sendo da mesma família se vêem como companheiros pontuais de percurso. Mas estão nos braços um do outro. Antes um adversário leal que um aliado imprevisível e inconstante. No ano eleitoral de 2009, Cavaco Silva entra com o pé esquerdo e vontade de desforra. E não contra Sócrates e o PS, que se comportaram (ainda que com a arrogância um pouco acima do esperado) dentro do quadro previsível. Medo, PSD. Medo.
- Tags:
- Política
- PSD
- Cavaco Silva
December 31 2008, 7:00am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
Falta de jeito
http://feedproxy.google.com/~r/MasCertamenteQueSim/~3/kmijrpUf98c/
O artigo de Fernanda Câncio no Diário de Notícias de hoje sobre a derrota de Pacheco (via País Relativo) ficará nos arquivos do melhor de 2008 no campo da análise mediática. O historiador que no pós-25 de Abril fez carreira a confundir propaganda com jornalismo e se distinguiu a defender — corajosamente, que fique escrito — o autoritarismo, falhou cada uma das suas iniciativas partidárias. A Pacheco Pereira, a história da política portuguesa atribuirá as justas responsabilidades pelo atraso da adaptação do PSD à política do século XXI. A insistência na geração passada, boicotando o acesso dos émulos de José Sócrates ao poder partidário, é o corolário de um percurso desastroso no partido hoje consciente de que tardou a atribuir a Pacheco o seu verdadeiro lugar: o de “livre pensador”, que fica prudentemente de fora do tabuleiro de jogo (e a votar em Santarém). Paulo Portas (CDS-PP). José Sócrates (PS). Francisco Louçã (BE). Jerónimo de Sousa (PCP). As principais forças políticas são lideradas por figuras de segunda ou terceira geração. Sujeitaram-se às purgas, às dores de crescimento, à renovação dos seus tecidos, deixaram emergir lideranças que, com maior (Sousa) ou menor (Portas) ligação umbilical às referências históricas e ao passado dos respectivos partidos, fizeram a transição de audiências, que é como quem diz de eleitores. O PSD, não. Desde que foi arredado do poder central, o PSD ficou — qual galinha decapitada — a andar às voltas, picado de fora por duas eminências bastante antigas e nada pardas que tudo fizeram para condicionar o partido aos seus projectos de ambição pessoal, fossem eles quais fossem. Essa interrupção voluntária do normal processo de amadurecimento partidário tem sistematicamente atrasado a modernização de quadros. Sem mudança de líderes e de processos internos que respondam aos seus inputs, os novos mais brilhantes que poderiam estar na calha vêem as suas carreiras tapadas e saem para o estrangeiro, para a universidade ou para o mundo empresarial, ou ficam a marcar passo nos lustrosos institutos do partido. O PSD é o único partido que continua liderado pela geração política correspondente aos reformados do PS, PP e PCP e regido pelos respectivos processos. Os processos tipo Pacheco. Tudo estaria bem se a derrota fosse só dele. (Brevemente, no blog Abrupto, um surto de auto-vitimização).
- Tags:
- Política
- PSD
- Pacheco Pereira
December 19 2008, 5:07am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
Com Santana, PSD volta a jogo
http://feedproxy.google.com/~r/MasCertamenteQueSim/~3/IgxkRQuq8_k/
O tempo dos teóricos e do comentaristicamente correcto já lá vai. Entra em cena a política-política (já urgia!). Com Pedro Santana Lopes por Lisboa, o PSD volta a jogo. Mete António Costa em alerta laranja. Até Sócrates tem, pelo menos, de ficar atento. Vá lá, Manuela Ferreira Leite conseguiu uma vitória. Mantenha o telemóvel no silencioso, vai ver que dá certo.
December 17 2008, 3:39pm | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
Francamente, para que serve o PSD?
http://feedproxy.google.com/~r/MasCertamenteQueSim/~3/nvHMY5KF1lI/
Miguel Sousa Tavares tem uma análise de se lhe tirar o chapéu, no Expresso. Eu devo dizer que ri a semana toda, a ver os noticiários. As reacções às medidas de combate à crise são um caso de estudo sobre o afastamento dos partidos políticos relativamente à sociedade civil que acham que representam. Os títulos sucediam-se nos rodapés com um efeito hilariante: por cada associação de patrões que dizia bem, ou assim assim, das medidas, alguma fonte do PSD dizia mal. Das medidas, do governo, por definição, princípio e sistema. Como um autómato. É também por isso que a pergunta do título de MST é tão pertinente nesta altura. Francamente, para que serve o PSD? Ainda não estão a tocar as sirenes? Quem foi que desligou os sistemas de aviso de perigo eminente de ruptura no casco do navio?
December 16 2008, 4:53am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
Transmissão em directo: Crise, Globalização e Intervencionismo do Estado
http://feedproxy.google.com/~r/MasCertamenteQueSim/~3/bjAI86F-JeY/
Aqui se transmitirá em directo, a partir das 20:00, o jantar-debate com Daniel Bessa e João Salgueiro, promovido pela plataforma social-democrata Construir Ideias, com o tema Crise, Globalização e Intervencionismo do Estado.
December 9 2008, 12:00pm | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
A política está a mudar, a webificar-se
http://feeds.feedburner.com/~r/MasCertamenteQueSim/~3/475518195/
A política nacional está a mudar, está a webificar-se. O PSD renovou o site em Outubro, para bem melhor. Os sinais deste final de ano não enganam. Nos últimos dias, duas plataformas de reflexão na área social-democrata e uma na área socialista abriram portas na Internet. O mais recente partido da democracia portuguesa, o MEP, promove debates vivos que decorrem no duplo ambiente físico e virtual quase sem barreiras: videotransmissão em directo (tecnologia Mogulus, excelente) com perguntas em janela de chat e ainda pelo Twitter. Tenho falado disto com algumas pessoas em círculo fechado. O efeito Obama estará presente, e de que maneira!, nas 3 eleições lusitanas de 2009. Um “simples” jantar-debate, subordinado ao tema “Crise, Globalização e Intervencionismo do Estado”, para o qual Pedro Passos Coelho convida Daniel Bessa e João Salgueiro, tem uma página de informação, dúvidas e marcações no FaceBook. Com o mapa, etc. Não lhe falta nada. O Diogo Vasconcelos (Cisco, mas também administrador do Instituto Sá Carneiro) escreve entusiasmadamente sobre Open Government, e nomeadamente, “the Obama team has modified the copyright notice on change.gov to embrace the intellectual property licensing of Creative Communs, allowing bloggers and others to freely use it“. E sobre o (!!) TwitterGov: many tools available.
December 5 2008, 2:00am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
Da série this is Portugal: o atraso como instituição
http://feeds.feedburner.com/~r/MasCertamenteQueSim/~3/468403730/
Se há traço distintivo da cultura lusitana de 800 anos, é o atraso. Gostamos de andar a reboque do futuro. Vem este pensamento sombrio a propósito da tirada certeira de Vasco Campilho sobre o PSD e os seus reservatórios de pensamento: “Devo dizer que a apresentação me inspirou um estado de espírito algo nostálgico, e não apenas pela evocação de Francisco Sá Carneiro. Fiquei sobretudo nostálgico de algo que nunca foi, e devia ter sido: esta revitalização do IFSC devia ter sido conduzida logo em 2005-2006, no consulado de Marques Mendes, para dela estarmos a recolher os frutos hoje. Eu sei que havia na sua direcção quem tivesse essa perspectiva. E tenho pena, muita pena, que isso não tivesse acontecido” (em bem vindos!). Tem o Vasco TODA a razão. Não se lança o debate de ideias e a interacção com a “sociedade civil” a 6 meses das eleições. O PSD é um partido atrasado. Valer-lhe-á que os portugueses, triste sina, já se conformaram com a institucionalização do atraso. Pelo menos os portugueses mais antigos. E os portugueses mais recentes?
November 28 2008, 7:51am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
Bater mais no ceguinho
http://feeds.feedburner.com/~r/MasCertamenteQueSim/~3/438136703/
As sondagens dão-nos conta de que o PS está a subir nas intenções de voto, enquanto o PSD e Manuela Ferreira Leite, a Credível, descem. Invocar as questões exógenas não explica tudo. Aliás, não explica nada, mas isso sou eu que penso. Seja como for, as razões resumem-se a duas onomatopeias. Ou o PS está a fazer uma governação tipo uau!, ou o PSD está a fazer uma oposição tipo duh?. Eu não acho que este governo seja assim tããão bom. Resta, portanto, continuar a bater no ceguinho.
October 31 2008, 9:11am | Comments »
1 2





