Um leitor perguntou-nos se existe mesmo a ciência da felicidade ou se é apenas mais uma banha da cobra como o criacionismo, astrologia, homeopatia, alquimia e outras tolices. A resposta é que existe mesmo, mas conhecendo-se a capacidade humana para a tolice é uma aposta segura que, misturada com a ciência da felicidade, há banha da cobra.A expressão “ciência da felicidade” não é muito feliz, mas designa o que por vezes se chama, mais apropriadamente, “psicologia positiva”. Pensemos no que todos sabemos ainda que vagamente sobre a psicologia: basicamente, trata-se uma área que intervém na nossa saúde mental apenas quando temos problemas relativamente graves: quando estamos deprimidos, por exemplo. Se tivermos uma vida relativamente normal, não vamos à psicóloga, vamos antes ao futebol — ainda que algumas pessoas possam com alguma pertinência perguntar-se até que ponto essa é uma actividade que demonstra alguma sandice.É aqui que entra o movimento da psicologia positiva. A ideia é estudar como se pode viver a vida para se ser feliz, em vez de sermos apenas normais. É um pouco como a diferença entre receitar um comprimido para a dor de cabeça e dizer às pessoas o que podem fazer para serem mais saudáveis. No caso da psicologia positiva, trata-se de estudar o que faz os seres humanos mais felizes para depois lhes dizer o que podem fazer se quiserem ter uma vida mais feliz.Em Portugal está traduzido um bom livro sobre o tema, que é acessível e tem muita informação empírica interessante: A Conquista da Felicidade, de Jonathan Haidt (Sinais de Fogo).Claro que definir “felicidade” é em si difícil, mas é perfeitamente possível estudar empiricamente o que faz os seres humanos mais ou menos felizes, quer usemos uma noção mais ou menos robusta de felicidade. Para surpresa de muita gente, uma parte das descobertas empíricas nesta área coincide com o que muitos filósofos defenderam ao longo de muito tempo: que a verdadeira felicidade, no sentido da eudemonia aristotélica, não se encontra nas tolices efémeras e superficiais, mas na “entrega activa a projectos de valor”, para usar a expressão de Susan Wolf. Ou, como escreveu John Stuart Mill, “mais vale ser um Sócrates insatisfeito do que um porco satisfeito” (mas note-se que no caso ele não tinha em mente primeiros-ministros, caso em que a vida do porco ganharia outros contornos).O meu interesse lateral por esta área da ciência resulta do meu interesse pelo problema filosófico do sentido da vida, tema acerca do qual preparei uma antologia com uma introdução substancial para a Dinalivro. Espero que saia este ano. Chama-se Viver Para Quê? Ensaios sobre o Sentido da Vida.
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A ciência da felicidade
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January 5 2009, 5:04am | Comments »
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A desumanidade do símio humano
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Cientistas norte-americanos voltaram a demonstrar a estupidez simiesca original dos seres humanos. Aqui.Temos três livros para oferecer em mais um passatempo DRN/Sorumbático: A Criação, de E. O. Wilson (Gradiva), A Física em Banda Desenhada, de Gonick e Huffman (Gradiva) e Eva Era Negra, de Lucotte (Terramar).Serão escolhidos os três melhores comentários feitos neste post sobre a experiência norte-americana referida, até ao próximo dia 24, às 23:00. O autor do melhor comentário escolhe o livro que quer receber dos três, o segundo escolhe dos dois restantes e o terceiro autor recebe o último livro. Passatempo válido apenas para moradores em Portugal continental.
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December 21 2008, 2:24pm | Comments »
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Jogos e Jogadores
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"Jogos e Jogadores nas malhas da psicanálise" é o título de uma reportagem da TSF da autoria de Manuel Vilas Boas, que se baseou num colóquio relaizado no Porto sobre "Cultura e Psicanálise". Entre os intervenientes estiveram o político Adriano Moreira, o filósofo João Maria André, o biólogo Bracinha Vieira, o economista João Duque, o físico Carlos Fiolhais e o psicanalista Coimbra de Matos. Ouvir aqui.
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December 9 2008, 5:28pm | Comments »
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O REGRESSO DE "HYSTERIA"
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Informação recebida da produtora Margarida Mendes Silva: "HYSTERIA" Projecto apoiado no âmbito do Programa de Apoio a Projectos Pontuais 2008 (Teatro) promovido pelo Ministério da Cultura e Direcção-Geral das Artes Co-Produção Teatro Académico de Gil Vicente Parceria Camaleão Associação Cultural ESPECTÁCULOS DIAS 20, 21, 22, 27, 28 e 29 de Novembro 4, 5 e 6 de Dezembro às 21h30, INSTITUTO PORTUGUÊS DA JUVENTUDE, COIMBRA Informações e Reservas 91 604 32 48/ 96 860 89 29 Espectáculo para maiores de 16 anos "Hysteria" é uma comédia cuja acção dramática se passa em Londres em Setembro de 1939, ano em que principia a II Guerra Mundial, coloca em cena Sigmund Freud doente com um cancro no palato (após ter escapado de Viena para fugir às perseguições nazis aos judeus — Freud tinha ascendência judia) e três outras personagens: Jessica, filha de uma antiga paciente de Freud, que o vem confrontar com o seu passado; Yahuda, o amigo e médico pessoal de Freud, judeu conservador que tenta impedir o velho professor de publicar a sua derradeira obra, "Moisés e o Monoteísmo", devido à heresia nela expressa; e Salvador Dali, o pintor catalão, que visita o seu ídolo e mestre (a visita de Dali a Freud é histórica). Estas personagens, cada uma a seu modo, são fantasmas que assombram os últimos momentos da vida de Freud. {Na última cena entre Freud e Dali, o catalão diz: "Dali? Verdadeiro. Fez visita a usted. Há dois meses. E mirou a morte no rosto de Freud […]".} Porque FREUD ESTÁ A MORRER. {Mesmo no final da peça, quando Yahuda se prepara para se afastar do amigo, uma didascália diz: "E o rosto de Freud descomprime-se à medida que vai mergulhando num sono que será o último."} Autor Terry Johnson Tradução João Paulo Moreira Encenação José Geraldo Elenco Fernando Taborda, Helena Faria, Ricardo Correia, Rui Damasceno . Produção Margarida Mendes Silva Contacto: 239 781 462 TM 91 604 32 48 / 96 860 89 29
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November 27 2008, 12:47pm | Comments »
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Telepatia
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Por amabilidade do editor, pré-publicamos um trecho do capítulo sobre "Telepatia" do livro "A Física do Impossível" do físico norte-americano Michio Kaku, a sair muito em breve na Bizâncio: O romance Slan, de A. E. van Vogt, capta o grande potencial e os nossos maiores receios associados ao poder da telepatia. Jommy Cross, o protagonista do romance, é um «slan», uma raça de telepatas super inteligentes em vias de extinção. Os pais foram brutalmente assassinados por grupos de humanos enraivecidos que temem e desprezam todos os telepatas, devido ao enorme poder daqueles que conseguem intrometer-se nos pensamentos mais privados e íntimos das pessoas. Os humanos perseguem os slans sem piedade, como se fossem animais. Com as gavinhas típicas que lhes saem da cabeça, os slans são fáceis de identificar. No decorrer da história, Jommy tenta contactar outros slans que possam ter fugido para o espaço na tentativa de escapar à caça às bruxas dos humanos, determinados a exterminá-los. Do ponto de vista histórico, a leitura da mente é algo tão importante que tem sido muitas vezes associado aos deuses. Um dos poderes mais importantes de qualquer deus é a capacidade de ler a nossa mente e assim responder às nossas preces mais profundas. Um verdadeiro telepata que conseguisse ler qualquer mente tornar-se-ia com facilidade a pessoa mais rica e poderosa da Terra, pois poderia entrar na mente dos banqueiros de Wall Street ou chantagear e coagir os seus rivais. Seria considerado uma ameaça à segurança dos governos, na medida em que conseguiria, sem qualquer esforço, roubar os segredos mais bem escondidos de uma nação. Tal como os slans, o telepata seria temido e até possivelmente perseguido e eliminado. O enorme poder de um verdadeiro telepata foi destacado na série de referência intitulada Fundação, de Isaac Asimov, muitas vezes considerada uma das epopeias de ficção científica mais importante de sempre. Um Império Galáctico que deteve o poder durante milhares de anos está prestes a perecer. A Segunda Fundação, uma sociedade secreta de cientistas, consegue prever, através de equações complexas, que o Império vai cair e mergulhar a civilização em trinta mil anos de trevas. Então, na tentativa de reduzir este colapso da civilização apenas a alguns milhares de anos, esboçam um plano elaborado, baseado nas suas equações. E, nessa altura, acontece uma desgraça: as equações não prevêem um evento, o nascimento de um mutante chamado Mule, que é capaz de controlar a mente à distância e assim conseguir o controlo do Império Galáctico. A galáxia está condenada a trinta mil anos de caos e anarquia, a menos que se consiga neutralizar este telepata. Embora a ficção científica esteja cheia de histórias fantásticas sobre telepatas, a verdade é muito mais terra-a-terra. Uma vez que os pensamentos são privados e invisíveis, durante séculos os charlatães e os impostores abusaram dos mais ingénuos e crédulos. Um dos truques de muitos mágicos e mentalistas consiste em utilizar um cúmplice escondido no meio do público e cuja mente o mentalista consegue «ler». Na verdade, a carreira de muitos mágicos e mentalistas baseou-se no famoso «truque do chapéu», em que as pessoas escrevem mensagens privadas em pedaços de papel, que são depois colocados num chapéu. O mágico começa então a dizer ao público o que está escrito nos papéis, para espanto de todos os presentes. Há uma explicação ilusoriamente simples para este truque astucioso. Um dos casos mais famosos de telepatia não envolveu um cúmplice mas sim um animal: Clever Hans, um cavalo prodígio que deixou o público europeu estupefacto na década de 1890. Para espanto do público, Clever Hans conseguia fazer cálculos matemáticos complexos; por exemplo, se se pedisse a Hans para dividir 48 por 6, o cavalo batia com o casco 8 vezes. Clever Hans sabia dividir, multiplicar, adicionar fracções, soletrar e até identificar tons musicais. Os fãs de Clever Hans afirmavam que o cavalo era mais inteligente do que muitos humanos ou então conseguia ler a mente das pessoas. Mas Clever Hans não foi o produto de um truque inteligente; a sua capacidade incrível de fazer contas enganou até o seu treinador. Em 1904 o Professor C. Strumpf, um psicólogo distinto, foi chamado para analisar o cavalo e não conseguiu encontrar uma prova de aparente fraude ou algum sinal que o treinador pudesse transmitir ao animal, aumentando assim o fascínio do público. No entanto, três anos mais tarde, o psicólogo Oskar Pfungst, aluno de Strumpf, efectuou testes muito mais rigorosos e, finalmente, descobriu o segredo de Clever Hans: tudo o que se limitava a fazer era observar as expressões faciais subtis do seu treinador. O cavalo continuava a bater o casco até a expressão facial do treinador se alterar um pouco e, nessa altura, parava. Clever Hans não lia a mente das pessoas nem sabia matemática, era apenas um bom observador do rosto humano. Outros animais «telepáticos» ficaram registados na história. Em 1591, um cavalo chamado Morocco ficou famoso em Inglaterra e enriqueceu o seu dono por reconhecer pessoas no público, apontar letras do alfabeto e somar o total de um par de dados. Morocco causou tamanha sensação em Inglaterra que Shakespeare o imortalizou na sua peça Tanto Amor Desperdiçado como o «cavalo dançarino». Também os jogadores conseguem ler a mente, num sentido limitado. Quando uma pessoa vê algo agradável, as suas pupilas normalmente dilatam-se; quando vê algo indesejável (ou faz um cálculo matemático), as pupilas contraem-se. Os jogadores conseguem ler as emoções dos oponentes ao verificar se os olhos dilatam ou contraem. Esta é uma das razões por que os jogadores muitas vezes usam palas de cor sobre os olhos, para proteger as pupilas. Também é possível apontar um raio laser para a pupila de uma pessoa e analisar seu reflexo, conseguindo dessa forma determinar com precisão para onde essa pessoa está a olhar. Ao analisar o movimento do ponto reflectido da luz laser, é possível determinar como uma pessoa analisa uma imagem. Ao juntar estas duas tecnologias, é possível determinar a reacção emocional de uma pessoa, sem ter a sua autorização, quando esta analisa uma imagem.Michio Kaku
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November 11 2008, 2:49pm | Comments »
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HYSTERIA
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Informação recebida de Margarida Mendes Silva (na foto, Sigmund Freud):“Hysteria” é uma peça teatral da autoria do dramaturgo Terry Johnson, representada pela primeira vez no Royal Court Theatre, em Londres, a 26 de Agosto de 1993, com direcção de Phyllida Lloyd e com apresentações noutras cidades europeias.A acção decorre em 1938, no estúdio de um Sigmund Freud idoso e a morrer, na sua casa em Hampstead, Londres, quando a paz de uma noite de invernia é perturbada por uma visita inesperada. Trata-se de Jessica, uma jovem mulher com um problema emocional complexo por resolver. Rapidamente se torna evidente que Jessica é a filha de uma antiga paciente de Freud. Freud está relutante em iniciar uma discussão com Jessica mas ela é persistente. À medida que a acção avança, a calma suburbana é perturbada ainda mais com a chegada de outros dois visitantes. O primeiro é Abraham Yahuda, amigo, médico e colega próximo porém crítico de Freud, o segundo é o mestre espanhol do surrealismo, Dali em pessoa. Numa tentativa de controlar a situação e gerir o encontro dos três visitantes tão diferentes Freud enreda-se na mais ridícula farsa. A partir de então nada é o que aparenta.No decurso do desenvolvimento da acção da peça, a audiência é confrontada com histórias negras e perturbantes, justapostas a contratempos histericamente divertidos e a revelações que levantam as questões: “isto é real, ou é o produto do inconsciente de Freud? E Freud, está vivo ou morto?”ESPECTÁCULOS DIAS 23, 24 e 25 de Outubro, às 21h30, Teatro Académico de Gil Vicente em Coimbra, Informações e Reservas 239 855 636, Para maiores de 16 anosFICHA TÉCNICA: Autor: Terry Johnson Tradução: João Paulo Moreira Encenação: José Geraldo Elenco: Fernando Taborda, Helena Faria, Ricardo Correia, Rui Damasceno Cenografia, Adereços de Cena e Design Gráfico: Miguel Dominguez Figurinos: Carolina Santos Desenho de Luz: Bruno Santos Música Original e Sonoplastia: Luís Pedro Madeira Vídeo Original, Operação de Luz e Som: Alexandre Mestre Fotografia: Pedro Malacas Execução de Elementos Cénicos: Laurindo Fonseca Execução de Figurinos: Isabel Pereira Assistência de Encenação e de Produção: Claudia do Vale Produção: Margarida Mendes SilvaEVENTOS PARALELOS (Informações e Reservas 239 855 630)- Workshop de Maquilhagem para Teatro, com Luísa Rodenas, 26 de Setembro e 3 de Outubro, das 14h30 às 19h00 Sala dos Espelhos do TAGV- Instalação Plástica “Um Sonho”, de Pedro Pascoinho, Curadoria Galeria Sete Inauguração dia 20 de Outubro 17H30 Átrio do TAGV- Oficina de Escrita Teatral “Encontros Improváveis”, com Clovis Levi, 17, 20 e 22 de Outubro, das 18h00 às 21H00 Sala dos Espelhos do TAGV 24 de Outubro apresentação de uma selecção final de cinco trabalhos, das 18h00 às 19h30 Foyer do TAGV- Tertúlia “Pelo sonho é que vamos…”, com António Pedro Pita, Carlos Fiolhais, Delfim Sardo, José Geraldo e Pio Abreu, 22 de Outubro, 18h00 Foyer do TAGV- Atelier de Contos para a Infância, “1,2,3… sonha lá outra vez”, com Pedro Correia, 23 e 24 de Outubro, das 10h30 às 11h30 (Sessões para Escolas – 1º Ciclo) e 25 de Outubro (Sessão para Pais e Filhos), das 15h30 às 16h30, Sala Branca do TAGVUm projecto de Margarida Mendes Silva apoiado no âmbito do Programa de Apoio a Projectos Pontuais 2008 (Teatro) promovido pelo Ministério da Cultura e Direcção-Geral das Artes, Co-Produção Teatro Académico de Gil Vicente, Parceria Camaleão Associação CulturalContacto: 239 781 462 TM 91 604 32 48 / 96 860 89 29 (Cláudia do Vale)
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October 14 2008, 11:28am | Comments »
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Profecias auto-realizáveis
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Crónica de J. L. Pio de Abreu no "Destak" de hoje: Um rapaz acredita que ninguém gosta dele. Em consequência torna-se antipático, o que leva a que, de facto ninguém goste dele. Este é o exemplo típico de uma profecia auto-realizável. A nossa vida está cheia delas. Muitos fenómenos psicológicos e psicopatológicos podem-se entender a esta luz: em certas condições, basta que se tenha uma crença para que ela se realize. As crenças (ou teorias) que os pais têm sobre os filhos realizam-se com frequência, podendo ser benéficas, se forem positivas, ou devastadoras, quando negativas. É por isso que uma teoria psicológica que adquira importância acaba por parecer verdadeira. Porém, não é a teoria que se adequa aos factos, mas sim estes que se adaptam à teoria. Ela será uma teoria, mas não uma teoria científica. As profecias auto-realizáveis ocorrem em todos os contextos interactivos onde os humanos são autores e sujeitos da crença, e simultaneamente visados por ela. Para além da psicologia, podemos encontrá-las na política, na sociologia e na economia. Imagine-se o que aconteceria se todos acreditássemos que os bancos iriam ficar insolventes: a crença realizar-se-ia. Há assim quem entenda que as ciências humanas não são verdadeiras ciências, mas sim retóricas que engendram factos. Fazem-no porém dentro de certas condições e limites, pois às vezes também engendram os factos que destroem a teoria. Nos dias de hoje, pode estar em causa a ciência económica e suas teorias mais recentes. J.L. Pio Abreu
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October 3 2008, 12:51pm | Comments »
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IRRACIONAL
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Informação recebida da editora Lua de Papel / Asa:Texto na badana do livro "Irracional""Irracional levou-me a reconhecer uma faceta absurda das minhas experiências em Física. Houve alturas em que me precipitei para investigações que não faziam muito sentido... levado por um acto irracional, como a esperança de um sucesso rápido".MARTIN PERL, Prémio Nobel da Física"Se pensa que não sabe como pensa, então pense duas vezes. Aproveite esta viagem tão perspicaz quanto delirante ao ponto onde a economia, a psicologia e a sociologia se encontram, e ficará a saber como funciona a nossa mente demasiadamente humana."ALAN W. WEBBER, Director fundador da revista "Fast Company"AVISO: Se comprar este livro só por causa das recomendações que leu, está a ser levado a agir irracionalmente. Uma das forças psicológicas expostas em Irracional é justamente a nossa tendência para valorizar a opinião de pessoas com estatuto, poder ou autoridade. Mas não deixe de o comprar por causa disso.- Ori Brafman e Rom Brafman, "Irracional. O que leva pessoas inteligentes a tomar decisões erradas", Lua de Papel, 2008.,
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October 2 2008, 2:14pm | Comments »




