Neste época de Natal, surgiu um anúncio publicitário curiosíssimo duma cadeira de lojas de hipermercado. Descrevo-o aqui segundo a recordação com que dele fiquei.Uma "voz" interroga um(a) consumidor(a) anónimo(a), sobre o seu comportamento durante o ano. Com um olhar entre o incrédulo e o desorientado, este(a) move-se em redor à procura de quem pergunta. Prontamente vários sujeitos com aspecto humano surgem (do nada?) e o(a) consumidor(a) anónimo(a), confessa, prontamente, que cometeu um pecadilho.Por sua vez, os sujeitos com aspecto humano (que se assemelham a júris de concursos televisivos, mas com aspecto mais austero), complacentes, elencam boas acções do(a) consumidor(a) que superam o pecadilho quotidiano, concedem-lhe uma auréola, que o(a) faz trancender a condição humana, e permitem-lhes… comprar.Comprar: eis o prémio de quem denuncia o Mal e faz o Bem! A alegria das alegrias!Como ocidentais, penso que não podemos deixar de estabelecer um paralelismo entre estes sujeito(s) com aspecto humano e os deuses gregos olhando, lá de cima, do Olimpo para os mortais, cá em baixo, ora escarnecendo, ora cuidando, ora esperando o momento de intervir. Ou com o Deus dos Católicos, olhando também lá de cima, do Céu, para os que foram feitos à Sua Imagem, mas que, cá por baixo, desenvolveram a tendência para se desviarem da orientação divina.Enquanto numa lógica teísta o nosso comportamento é hetero e auto-regulado para ascender à Eterna Felicidade, que há-de surgir num futuro mais ou menos distante, mas incerto; numa lógica publicitária, o nosso comportamento é directamente regulado por alguém desconhecido que, num instante, sem delongas e com toda a certeza, permite-nos ter o que (mais) desejamos.A dúvida não pode, pois, deixar de se instalar em qualquer um: não valerá mais ter paraísos terrenos, concretos, de acesso imediato, do que paraísos celestes contingentes e adiados? Na dúvida, é de aproveitar os que temos, tão à nossa mão, num hipermercado perto de nós.
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Depois dos Deuses e de Deus… naturalmente,o hipermercado.
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December 21 2010, 7:21am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Ecologista sem ser extremista!?
http://dererummundi.blogspot.com/2010/11/ecologista-sem-ser-extremista.html
O leitor Manuel Rocha, em comentário a texto anterior, fez notar a aceitação que o programa da RTP 2 Desafio Verde, tem nas escolas portuguesas. Tal como o poeta, “fui ver”...Não foi preciso navegar muito na internet para confirmar essa aceitação e outras ligações deste programa do canal público de televisão a diversas instâncias do sistema educativo. Então:1. Existe um projecto recente que se designa Passatempo Desafio Verde nas Escolas;2. Direcções Regionais de Educação, acolhem-no nas suas páginas;3. O mesmo acontece com o Portal das Escolas (onde consta o logótipo da Comunidade Europeia, do Ministério da Educação e do QREN - Quadro de Referência Estratégico Nacional);4. Escolas integram também a referência a esse Passatempo na sua página.Todas estas instâncias podem ter presença no Facebook e num blogue.Detenhamo-nos no "desafio feito às escolas do primeiro e segundo ciclos do Ensino Básico", não esquecendo, portanto, que nos estamos a dirigir a crianças de seis a onze anos. No anúncio podem perceber-se várias coisas inquietantes:- o desafio é feito, concretamente, aos alunos, não havendo qualquer referência aos professores. A mensagem do professores-perfeitamente-dispensáveis é reforçada junto dos pequenos aprendizes;- o desafio consiste, por exemplo, em "aplicar lâmpadas economizadoras em toda a escola", "criar uma horta de produtos biológicos para a cantinar". Como se percebe, não são propriamente iniciativas que crianças tão pequenas (nem maiores que fossem) possam levar a cabo sozinhas em contexto escolar (nem noutro que fosse), porém, dá-se-lhes essa ilusão;- como também se lhes dá a ilusão de que "tudo depende da sua imaginação", ou seja, que mudar alguma coisa na escola depende apenas e só de como "pedalam" essa imaginação, sem que existam, claro está, quaisquer constrangimentos externos. É a conhecida lógica do a-criança-quer-a-criança-pode;- a concretização do desafio implica necessariamente que as crianças façam filmagem dos vários passos do projecto "desde a discussão de ideias até à sua implementação", dando-se-lhes a ideia ética e legalmente errada de que podem registar em suporte digital tudo e mais alguma coisa. Elas podem não saber, mas os adultos que redigiram o anúncio em questão têm obrigação de saber quais são, nos termos da Constituição da República Portuguesa (art.º 35.º) e da Lei da Protecção de Dados Pessoais, as restrições ao registo em vídeo da imagem de pessoas, sobretudo quando se trata de menores de idade. Também têm obrigação de saber que existem restrições apertadas na recolha de dados em contexto escolar, legitimada pelo Despacho n.º 15 847/2007, de 23 de Julho (Diário da República, 2.ª série, n.º 140), que não dispensa um pedido formal ao próprio Ministério da Educação.Mas há mais:- a própria expressão “passatempo”, tendo sentido em contextos informais, perde o sentido em contexto escolar, que é um contexto de aprendizagens formais. Não se devem levar as crianças a confundir as actividades que têm lugar nestes dois tipos de contextos;Além desta confusão, caso as crianças, sensibilizadas pelo apelo ao “passatempo” assistam ao programa de televisão a que me referi que se afirma como "ecologista sem ser extremista", provavelmente aprendem:- que se pode tratar pessoas de modo inquisitorial e insolente, mesmo as mais velhas;- que qualquer pessoa pode ser (eco)criminosa;- que descobrir pessoas (eco)criminosos está ao alcance de todos, daí decorrendo o dever de as denunciá-las e, mais, desmascará-las, mostrá-las;- que a justiça "em praça pública", dispensando o tribunal, permite a declaração de qualquer um como criminoso, depois de denunciada essa sua qualidade, restando-lhe o direito de acatar admoestações.Aqui tudo se mistura e se confunde: instituições, intenções educativas. O sistema educativo e as escolas em concreto, na ânsia de não se situarem à margem da realidade dos alunos, de tudo trazer para o campo de aprendizagem formal, não discriminam, não seleccionam, tudo deixam passar, tudo aceitam acriticamente, tudo aplaudem.Neste passo devemos perguntar, como faria Hannah Arend ou como o faz Fernando Saveter: o que aprendem sobre o assunto em questão as crianças a trabalharem sózinhas ou umas com as outras? E que valores apreenderam e reforçaram de forma "oculta"?Estranhos tempos em que tanto se afirma a crítica, a refexão e em que tanto ela falha, precisamente no local onde ela não devia faltar – no sistema educativo e nas escola
November 6 2010, 5:20am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
ANUNCIANDO A CORRIDA AO ESPAÇO
http://dererummundi.blogspot.com/2010/03/anunciando-guerra-do-espaco.html
No "New York Times" de hoje (secção de ciência) Dennis Overbye publicita um livro a sair em Maio com cartazes e anúncios espaciais do tempo da guerra fria. Uma amostra está em cima. Ler mais aqui.“Another Science Fiction: Advertising the Space Race 1957-1962.” It is being published on May 25 by Blast Books.O link no título do livro é para um artigo sobre a corrida ao espaço de John Noble Wilford, um jornalista que cobriu o programa Apollo.
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March 9 2010, 3:22pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
O dever de formar com ou contra a sociedade?
http://dererummundi.blogspot.com/2009/01/o-dever-de-formar-com-ou-contra.html
Sétima sessão do ciclo O dever de ensinar, no próximo dia 27 de Janeiro, pelas 18h15, na Livraria Minerva Coimbra.No presente, aceita-se como verdadeira a ideia de que a educação escolar deve seguir os desígnios da sociedade circundante, os seus anseios e necessidades e acompanhar a sua evolução. Desta maneira, alega-se, preparam-se-ão os mais jovens para essa mesma sociedade. Poderá ter esta ideia discussão?É convidado Carlos de Sousa Reis, professor do Instituto Politécnico da Guarda, investigador na área da filosofia da educação, que conhece como poucos os valores que norteiam (parte d)a nossa sociedade, uma vez que se tem dedicado à sua identificação e análise. De entre os trabalhos de referência que publicou sobre o assunto, fazemos referência ao seguinte: O Valor (Des)educativo da Publicidade.Local: Livraria Minerva (Rua de Macau, n.º 52 - Bairro Norton de Matos), em CoimbraPróxima sessão: 10 de Fevereiro.As sessões deste ciclo são quinzenais e estão abertas ao público.
January 26 2009, 12:38pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
Só se salva a publicidade na Internet
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No regresso de um esclarecedor encontro sobre as envolvências da formação do IAB em portugal, leio isto sobre o mercado espanhol de publicidade: Sólo se salva la publicidad en internet, escreve Juan Varela. As receitas caem. A queda disparou. Os jornais com menos 18%, a têvê quase nos dois dígitos. Em Portugal o trambolhão já se prevê, ou se esconde, ou se adia o mais possível — só não vêem as avestruzes, os cegos profissionais e os malabaristas dos números. Só há um mercado a crescer. E um mercado cujo potencial está LONGE de ser bem mungido por essas máquinas profissionais de embalar anúncios conhecidas por mainstream media. O mercado da Internet.
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October 30 2008, 7:56am | Comments »
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