Informação recebida do Museu de Ciência da Universidade de Coimbra:O SISTEMA PERIÓDICO - PRIMO LEVIapresentado por Sebastião FormosinhoDepartamento de Química da FCTUC3 de Março | 18H00Museu da Ciência da Universidade de CoimbraEntrada livreEm Março de 1975 é publicado originariamente O Sistema Periódico. Este livro é uma colecção de pequenas histórias, a maioria episódios da vida do seu autor, Primo Levi, mas também dois contos ficcionais que ele escreveu antes de ser enviado para Auschwitz, todos relacionados, de algum modo, com os elementos químicos.À primeira vista, encontramo-nos perante a autobiografia de um químico articulada em vinte e um momentos, cada um relacionado com um elemento: o azoto, o carbono, o chumbo, o níquel e por aí em diante – vários encontros com a matéria ou, se quisermos, o relato da luta entre o homem empreendedor e o mundo que o rodeia feito através das pequenas histórias de um ofício.Café, Livros e Ciência é um projecto de comunicação de ciência com o objectivo principal de promover a leitura de livros de ciência junto do público em geral. Este evento acontece num ambiente informal, onde o café acompanha os livros. Trata-se de uma parceria entre o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, o Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho e a Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro e acontece na primeira quinta-feira de cada mês num périplo por cada instituição parceira. Os eventos contam com uma cobertura multimédia que posteriormente será colocada no sítio internet de cada parceiro.
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O SISTEMA PERIÓDICO - PRIMO LEVI
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February 24 2011, 10:28am | Comments »
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Química das coisas banais: lâmpadas eléctricas
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Estamos tão habituados às lâmpadas eléctricas que parecem sempre ter existido. No entanto, só após o aparecimento, no final do século XIX, de formas práticas de obtenção de energia eléctrica, foram sendo abandonados os inúmeros tipos de velas, lamparinas, candeias e candeeiros que empregavam os mais variados combustíveis, e, mais tarde, as várias formas de iluminação a gás. A iluminação eléctrica foi dominada, nos últimos cem anos, pelas lâmpadas incandescentes com filamento de tungsténio (também denominado volfrâmio). Estas lâmpadas produzem luz pela emissão de radiação devida à temperatura que atinge o filamento ao ser atravessado pela corrente eléctrica. Para impedir a rápida oxidação do filamento, um bolbo de vidro cheio com um gás nobre, em geral árgon, o qual não reage com o metal, minimiza a lenta difusão do oxigénio através do vidro. O tungsténio tem pontos de fusão e ebulição muito elevados e assim apresenta baixa velocidade de evaporação. Desta resulta a lenta formação de uma camada de tungsténio na parte interior do bolbo e a diminuição da espessura do filamento que acaba por se quebrar, ou por fadiga do metal, ou por fundir num ponto mais fino. As lâmpadas de halogéneo têm dentro do bolbo uma pequena quantidade de iodo ou bromo que reage com o tungsténio que se evapora, voltando a depositar este metal no filamento, impedindo assim a deposição de tungsténio nas paredes e retardando a degradação do filamento. As lâmpadas incandescentes vulgares são muito pouco eficientes em termos energéticos pois grande parte da energia é perdida sob a forma de calor como bem sabe quem já tentou mudar uma lâmpada acabada de fundir. Por essa razão estão a ser abandonadas. Outras lâmpadas eléctricas funcionam por luminescência que é um processo mais eficiente em termos energéticos. Nas lâmpadas fluorescentes a corrente eléctrica é usada para excitar vapor de mercúrio que emite radiação ultravioleta, a qual é absorvida pelo revestimento de sais de fósforo e terras raras que emite de seguida radiação visível. Estas lâmpadas, agora muito populares na forma compacta que pode ser aplicada nos bocais das lâmpadas incandescentes, exigem algum cuidado com a sua deposição no lixo por conterem mercúrio e fósforo. Uma forma de iluminação muito intensa é dada pelas lâmpadas de arco eléctrico, cujos primeiras aplicações públicas foram consideradas tão desagradáveis por Stevenson que as classificou como a iluminação do inferno. Actualmente existe uma grande variedade destas lâmpadas que produzem luz através da criação de um arco eléctrico entre dois eléctrodos de tungsténio num tubo contendo um material que pode formar um plasma, o qual torna o arco eléctrico muito brilhante e estável. Um exemplo clássico são as lâmpadas de vapor de sódio, que embora emitam apenas luz amarela, têm muita utilização na iluminação das ruas por serem eficientes e causarem relativamente menos poluição luminosa que outras lâmpadas. Faltou referir as lâmpadas de LED e outras formas de iluminação que estejam em desenvolvimento. As lâmpadas eléctricas são objectos banais, mas têm muita química e um grande impacto no nosso modo de vida e bem-estar. Poupemos energia, aumentemos o seu tempo de vida útil e respeitemos a ciência que as desenvolveu, não as mantendo acesas de forma desnecessária.
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February 20 2011, 5:39pm | Comments »
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Química das coisas banais: Por favor, uma garrafa de água!
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Novo texto do químico Sérgio Rodrigues:Pegue-se num objecto banal e procuremos entender a sua natureza. Por exemplo uma água engarrafada, contém água pura que é analisada periodicamente. É pura porque não tem substâncias estranhas nem microorganismos, embora contenha naturalmente uma pequena quantidade de sais dissolvidos. Águas com uma quantidade muito grande de sais (como a do mar), ou quase nula (como a destilada), podem ser puras, mas não são adequadas para beber.Olhemos com atenção para a garrafa. Poderia ser de vidro, mas é provavelmente de polietileno terftalato (PET, veja-se o relevo com o triângulo por baixo da garrafa), um polímero (ou plástico) que é reciclável. As rolhas que muitas vezes se juntam para trocar por uma cadeira de rodas, são normalmente de polipropileno (PP), um polímero também reciclável, valioso o suficiente para valer a pena a troca. O rótulo de papel, reciclado ou não, resulta do tratamento de fibras vegetais. As tintas com que está impresso foram obtidas por síntese.Para além da marca e outras informações, no rótulo podemos encontrar a composição salina da água. Os sais são apresentados com as massas dos iões negativos e positivos cuja soma de cargas tem de ser nula; mas não estão indicados todos os iões (compare-se com a massa do resíduo seco), nem os gases dissolvidos. Uma outra característica indicada é o pH que, como toda a gente sabe, é uma medida de acidez. Não é, no entanto, a acidez, mas a variedade e quantidades de sais e outros materiais dissolvidos que conferem diferenças nos sabores das águas.A água engarrafada não pode ter cloro nem outros tipos de tratamento, o que é uma vantagem em relação à água canalizada. Mas a água da rede é também cuidadosamente analisada, é muito mais económica e não origina mais garrafas para reciclar.Não usei a palavra química, mas ela está, como toda a gente sabe, presente em todos os materiais e processos referidos. Para além disso, na obtenção e melhoria desses materiais e na realização e desenvolvimento desses processos está envolvido um número elevado de pessoas, uma boa parte das quais químicos ou com conhecimentos desta ciência.A química pode ser simples ou complicada, como tudo na vida, mas é sobretudo uma necessidade e garantia da vida e do futuro.Sérgio Rodrigues
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February 12 2011, 4:31pm | Comments »
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Química na Literatura
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Texto recebido de Sérgio Rodrigues, professor de Química na Universidade de Coimbra:O interessante texto que o Carlos Fiolhais escreveu para o jornal Sol sobre Química e Literatura, a propósito do Ano Internacional da Química, encontra uma perspectiva complementar num texto que escrevi em 2008 na Aba de Heisenberg, o qual apresento aqui ligeiramente editado:A química, em comparação com a física e a biologia, aparece relativamente pouco na literatura. Embora esteja presente em todo o lado na síntese e transformação de quase todos os materiais que nos rodeiam e ainda na análise das composições e detecção de perigos, não aparece ao leigo como uma coisa assim tão espectacular. Falta-lhe buracos negros e viagens no tempo, manipulação genética e resssureição de dinossaurios. Embora, actualmente, com as séries e livros de criminologia, a química seja mais visível, esta aparece na perspectiva técnica da realização dos crimes e sua descoberta, e não como uma forma de criação. Mesmo o Sherloque Holmes de Conan Doyle, personagem quase linear mas com o seu fundo de contradições, praticava a química para fazer novas descobertas no campo da criminologia; não era apenas um utilizador de técnicas químicas.De facto, a química tem perdido na literatura a sua imagem de ciência de criação, no sentido filosófico, para se tornar uma ciência de criação de problemas concretos e práticos e sua resolução. A tradição alquímica ainda fornece temas, mas estes estão cada vez mais esbatidos. O cientista que se confunde com a sua criação, Frankenstein, ou O estranho caso do Dr Jekyll e Mr Hide, deram lugar à química prática da vida completamante controlada (embora à beira do abismo) do Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley. O cientista louco (muitas vezes um químico com a ideia megalómana de dominar o mundo) está em desuso. A loucura hoje em dia é ficcionada nas pequenas acções domésticas ou nas acções aparentemente inocentes do colectivo. Não é o cientista louco que vai destruir o mundo, somos todos nós aqueles que predamos os recursos e vamos sendo alienados pelo conforto moderno. E por aqui os químicos até podem começar a ser os bons; os que descobrem os problema a tempo e apresentam soluções mais verdes.Numa vertente mais poética e profundamante ligada à filosofia e à procura de verdades profundas sobre nós e sobre o mundo, encontramos por vezes a química e os processos químicos como metáforas e imagem da vida. Por exemplo, As Afinidades Electivas de Goethe ou O Sistema Periódico de Primo Levi. Também os poemas de António Gedeão nos trazem a química para a vida. E não podemos esquecer a obra do químico Isaac Asimov e o singular Tio Tungsténio de Oliver Sacks.Na ficção moderna, desde uma contaminação causada por industriais maus, que despejavam benzeno nos rios na narrativa linear de Robin Cook, e um acidente com um produto químico que nunca se sabe o que é, na sociedade alienada de Ruído Branco de Don Dellilo, até ao acidente radioactivo que origina o comentário que é o título de Morrem Mais de Ataque Cardíaco... de Saul Bellow, há bastantes perspectivas dos problemas humanos que envolvem a química.Bibliografia consultada (para além dos livros referidos):- Roslynn Haynes, "The Alchemist in Fiction: The Master Narrative" HYLE 12 (2006) 5.- Peter Weingart, "Chemists and their Craft in Fiction Film" HYLE 12 (2006) 31.- Philip Ball, "Chemistry and Power in Recent American Fiction" HYLE 12 (2006) 45.- Charles A. Lucy, "Analytical Chemistry: A Literary Approach" J. Chem. Educ. 77 (2000) 459.Sérgio Rodrigues
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February 10 2011, 9:18am | Comments »
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EXERCÍCO ELEMENTAR
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Crónica publicada no "Boas Notícias".Patrícia olha deslumbrada para a enorme tabela periódica dos elementos químicos, suspensa oblíqua num dos cantos do anfiteatro do Departamento de Química da Universidade de Coimbra.A propósito do Ano Internacional da Química, Patrícia veio pesquisar informação para responder a um exercício pedido na sua escola: qual a composição elementar de um ser humano? Ou seja, quais os elementos químicos e em que quantidade média são presentes num ser humano? Qual ser humano? Patrícia escolheu-se a si própria. Não por uma qualquer razão narcisista, mas porque quer identificar-se com o seu próprio trabalho. Para este exercício só precisa de conhecer o seu peso, que é igual a 55 Kg e explorar, por exemplo, no sítio Webelements na internet. “É espantoso! Transportamos connosco cerca de metade dos elementos conhecidos! Alguns em maior quantidade do que outros, mas a variedade é deveras surpreendente! Até temos vestígios de Ouro (Au) e Urânio (U)!”, verifica Patrícia.Quais os mais abundantes? Segundo a calculadora existente no sítio da Webelements, Patrícia possui cerca de 5,5 kg de Hidrogénio, 12,7 kg de Carbono e 33,6 kg de Oxigénio (valores médios e com uma incerteza de cerca de 5%). Estes são os elementos mais abundantes no corpo humano. Patrícia pensa em substâncias que contenham estes três elementos. Em combinações e proporções diferentes, encontram-se na composição de moléculas como proteínas, lípidos (gorduras), hidratos de carbono (açúcares), ácidos nucleicos (DNA, RNA), hormonas, neurotransmissores…E claro, o Oxigénio e o Hidrogénio compõem a molécula da água. E o nosso corpo é composto por cerca de 70 a 75% em peso de água! Ora 70% de 55 Kg é igual a 38,5 kg de moléculas de água no corpo de Patrícia.Patrícia sabe que algumas daquelas biomoléculas possuem outros elementos na sua composição. Por exemplo as proteínas, que se encontram em grande abundância nos músculos, são constituídas por aminoácidos, e estes possuem sempre, para além daqueles três elementos, Nitrogénio (N) na sua composição. Através da calculadora, Patrícia encontra o valor de 1,43 kg em Nitrogénio no peso do seu corpo. Alguns aminoácidos contem também Enxofre (S) na sua composição. Neste caso Patrícia tem 110 g de Enxofre na constituição do seu corpo.Antes do Enxofre, no mesmo período na tabela periódica, está o Fósforo (P). Este elemento faz parte da constituição dos fosfolípidos (constituintes das membranas das células), e dos ácidos nucleicos. Patrícia encontra o valor de 605 g para a quantidade do elemento fósforo no seu corpo.E quanto sal de cozinha, ou seja, cloreto de sódio (NaCl), tem no corpo? Cerca de 143 g: 77 g de Sódio (Na) e 66 g de Cloro (Cl). E de Cálcio (Ca) na matriz dos seus ossos? 770 g, regista Patrícia.Agora Patrícia faz um ponto da situação de todos os valores até agora encontrados. A soma é igual a 54,858 kg de H, C, N, O, Na, Cl, Ca P e S. A incerteza associada aos valores calculados faz com que as 142 g que faltam, para atingir os 55 kg do seu peso, sejam muito pouco significativas. Contudo, é indicativo da presença de outros 36 elementos que, de uma forma mais ou menos vestigial, estão presentes no seu corpo.Patrícia contempla a tabela periódica dos elementos e pressente a química viva na rica constituição elementar do seu corpo. António Piedade
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February 10 2011, 5:49am | Comments »
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A QUÍMICA DO ORANGOTANGO
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Crónica publicada no "Diário de Coimbra".O genoma do orangotango foi agora publicado na revista Nature, e apresenta cerca de 3% de diferença com o nosso. Mas a química do Orangotango não é diferente da nossa. Muito pelo contrário, partilhamos com este primata, assim como com todas as espécies vivas, muitas coisas em comum. Quer o comum à vida, quer as diferenças base da biodiversidade, estão inscritas em longas sequências de quatro de moléculas (guanina, adenina, timina e citosina) definidas no biopolímero que vulgarmente designamos por DNA (ácido desoxirribonucleico). É a diferente sequência daquelas moléculas alinhadas na dupla hélice de DNA que funcionaliza a mensagem química dos genes. Em que é que diferem aquelas quatro moléculas? Diferem em arranjos e proporções diferentes de átomos de carbono, oxigénio, nitrogénio e hidrogénio. As diferenças nas vizinhanças químicas locais na dupla hélice de DNA expressam genes diferentes, que por sua vez corporizam instruções para proteínas com funções diferenciadas e específicas. O resultado global é uma espécie de organismo diferente. Um braço peludo mais comprido, uma posição bípede mais vertical, etc.Recorde-se, a propósito do Ano Internacional da Química que se promove este ano, que se deve muito à Química (mas também à Física, à Matemática e à Biologia, entre outras disciplinas), o conhecimento que está na base da genética molecular e que permitem hoje, de forma multidisciplinar, a sequenciação genómica. Vejamos, de forma breve, porquê.Como se disse, o genoma é constituído por longas moléculas de DNA. Este foi descoberto em 1869 pelo químico alemão Johann Friedrich Miescher (1844 – 1895) no núcleo de glóbulos brancos. Miescher escolheu estas células por serem relativamente grandes e também possuírem núcleos grandes. Esta descoberta não permitiu associar de imediato o DNA como a “molécula da hereditariedade”. De facto, foram necessários mais cerca de 80 anos para que se confirmasse que eram os ácidos nucleicos os componentes estruturais e funcionais dos genes. Durante todo este intervalo de tempo muitos cientistas defenderam que eram as proteínas, e não os ácidos nucleicos, as moléculas de que os genes eram feitos. Parecia estranho toda a diversidade da vida poder ser codificada pela monótona constituição molecular do DNA, pelo que a genética deveria ser escrita com a maior diversidade apresentada pelas proteínas. Duas experiências foram determinantes para esclarecer a comunidade científica sobre a "molécula dos genes". Em 1944, o médico e bioquímico Oswald Avery (1877 – 1955) e seus colaboradores, demonstraram que só o DNA (o “princípio transformador” como lhe chamaram), era “capaz” de “transformar” estirpes diferentes da bactéria pneumococo (R e S) umas nas outras. Em 1952, o trabalho do microbiologista Alfred Hershey (1908 -1997) e da geneticista Martha Chase (1927 – 2003) colocou um ponto final e abriu um novo capítulo para a genética molecular com a experiência de transferência de DNA viral (do bacteriófago T2) para bactérias, na qual ficou claramente demonstrada que era o DNA e não as proteínas a argamassa genética da vida. Martha ChaseEm 1953, o biólogo James Watson e os físicos Francis Crick, Maurice Wilkinson e Rosalind Franklin, através dos estudos por difracção de raios X de cristais de sais de DNA, recolhem a informação física e química necessária para propor a estrutura tridimensional em dupla fita helicoidal para o DNA. Note-se que esta descoberta resulta de um trabalho fundamentalmente de física e química. Diríamos hoje de biofísica e bioquímica.Rosalind FranklinNeste ano também dedicado às mulheres na química, é de realçar nesta história que tanto Matha Chase como Rosalind Franklin não foram galardoadas com o prémio Nobel, enquanto os seus colaboradores directos o foram pelas mesmas descobertas.António Piedade
January 31 2011, 9:31am | Comments »
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QUÍMICA E LITERATURA
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Minha crónica no "Sol" de hoje:As Nações Unidas determinaram que 2011 fosse o Ano Internacional da Química e, por todo o mundo, celebram-se os triunfos dessa ciência. Hoje não podemos viver sem a química, que, de uma forma ou de outra, está em todo o nosso quotidiano: os remédios, os alimentos, os materiais, etc.Mas, para verificar que ela está também presente na literatura, basta atentar em alguns exemplos. O maior dramaturgo de todos os tempos, o inglês William Shakespeare, tinha uma boa bagagem de conhecimentos científicos. Na sua peça Romeu e Julieta o envenenamento de Romeu deve-se a um veneno comprado num boticário. Nesse tempo, porém, estava ainda muito longe a química que conhecemos hoje, existindo em vez dela a alquimia. A química moderna só surgiu no final do século XVIII, graças principalmente ao francês Antoine Lavoisier. Logo a seguir, na reacção romântica ao iluminismo, entra na literatura, pela mão do germânico Johann Wolfgang Goethe, um alquimista da geração anterior a Shakespeare, o Doutor Faust: a tragédia Fausto imortalizou como um dos mitos da ciência o protagonista de um suposto pacto com o demónio. De resto, Goethe é o autor de um outro título inspirado na química, As Afinidades Electivas.Já no final do século XIX, com a química pujante nos laboratórios, e com a aparição da química forense devido ao desenvolvimento de técnicas analíticas, não admira que o inglês Arthur Conan Doyle tenha criado um outro lendário personagem literário, Sherlock Holmes, como um químico capaz de encontrar um reagente identificador de sangue (na novela Um Estudo em Vermelho).Dando um pulo até ao século XX, onde a química entrou em força na indústria, no seu caminho para entrar nas nossas vidas, multiplicaram-se as obras literárias de temática ou de inspiração química. A minha preferida é o Sistema Periódico (Gradiva, 1988), do químico italiano Primo Levi, mais conhecido por ter experimentado os horrores do Holocausto: é um livro onde os elementos da tabela periódica são o mote para histórias pessoais. A Royal Society de Londres, num inquérito de 2006, apurou que esse era o melhor livro sobre ciência de sempre, pelo que a obra, há muito esgotada entre nós, merece reedição neste Ano da Química. Uma obra mais moderna de um grande romancista norte-americano da actualidade, Don deLillo, Ruído Branco (Sextante, 2009), reflecte a omnipresença da química na contemporaneidade. Mas, se esse livro está traduzido, outras obras recentes relacionadas com a química ainda esperam edição nacional: é o caso de Gravity’s Rainbow, do génio excêntrico norte-americano Thomas Pynchon, ou de Gain, do seu compatriota Richard Powers, que como ele começou por estudar ciências para só depois enveredar pela literatura. Não falta química nos romances…
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January 27 2011, 9:43pm | Comments »
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Habilidade para Jogar
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Publicado no "Diário de Coimbra".Em 1990, o investigador japonês Seiji Ogawa (nasceu a 19 Janeiro de 1934) inventava a técnica que está na base da Ressonância Magnética Funcional, abrindo novos horizontes e ferramentas inovadoras para a investigação nas neurociências. Quando um determinado grupo de neurónios (células do tecido nervoso) participa na transmissão de um impulso nervoso, gasta energia nesse processo. Essa energia é obtida normalmente a partir da oxidação de glicose (açúcar) e redução de oxigénio molecular a água. Para permitir esta actividade neuronal ocorre um aumento pontual do afluxo de sangue até à região cerebral onde se encontra o grupo de neurónios em actividade. Os padrões de variação do fluxo sanguíneo em resposta ao consumo de glicose e de oxigénio apresentam uma hemodinâmica característica. Ogawa descobriu que as variações no consumo de oxigénio numa determinada região cerebral podem sem monitorizadas através da técnica de imagiologia por ressonância magnética e que essa detecção corresponde à actividade dos neurónios nessa zona. Mas como? Em reacção à transmissão de um impulso nervoso, ocorre uma resposta hemodinâmica que difere da situação em que não há actividade neuronal. O maior afluxo de sangue às regiões em maior actividade significa um maior transporte de oxigénio pela hemoglobina existente nos glóbulos vermelhos do sangue. A hemoglobina transporta o oxigénio através da ligação deste a um átomo de Ferro. Esta ligação oxigénio – ferro interfere com as propriedades magnéticas deste elemento metálico: torna-o diamagnético, isto é, na presença de um campo magnético externo o ião ferro apresenta um campo magnético oposto àquele o que pode ser registado através da técnica de ressonância magnética. Quando a hemoglobina cede o oxigénio aos neurónios, o ferro nela presente adquire um outro estado magnético, este designado por paramagnético. Estas mudanças nas propriedades magnéticas (nos momentos dipolares magnéticos) dos iões ferro, com e sem oxigénio na hemoglobina, uma vez registadas no tempo e no espaço cerebral, permitem obter um mapa das zonas em maior ou menor actividade. Uma escala de cores facilita a nossa percepção da actividade nas sucessivas imagens registadas e representa um estado da função cerebral numa determinada área. É a imagiologia funcional: uma imagem de um mapa de uma secção do cérebro mais ou menos colorida de acordo com a função que está a executar.Num artigo agora publicado na revista online PLoS ONE neurocientistas apresentam os resultados de um estudo sobre a habilidade de um grupo de indivíduos em ultrapassar dificuldades complexas de um jogo de estratégia. Focaram o registo de actividade numa zona do cérebro normalmente associada aos processos de aprendizagem, movimento coordenado e sentimentos gratificantes de recompensa: os gânglios basais do hipotálamo. Através da análise, por algoritmos de análise “multivoxel”, de padrões nos mapas de actividade obtidos por ressonância magnética funcional de um grupo de 34 jogadores, os investigadores indicam terem conseguido identificar parâmetros que permitem predizer entre 55 e 68 % da variabilidade ou diferença na habilidade que um novo jogador apresenta ao jogar o jogo pela primeira vez. Mais do que uma ferramenta para seleccionar indivíduos, encaremos estes estudos como proporcionadores de novas ferramentas para entendermos como aprendemos a ultrapassar obstáculos e como sentimos e é processada a satisfação de o termos conseguido...a sensação de prazer do dever cumprido, do objectivo alcançado.António Piedade
January 17 2011, 11:11am | Comments »
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O ERRO DE EINSTEIN
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Minha crónica no "Público" de hoje (na foto do Congresso Solvay de 1911, Madame Curie, sentada no meio, é a única mulher; Paul Langevin está de pé na extrema direita, ao lado de Albert Einstein):As Nações Unidas decidiram que 2011 seria o Ano Internacional da Química, pretendendo celebrar os extraordinários resultados obtidos por essa ciência e as suas contribuições para o bem estar da Humanidade. Para essa decisão pesou o facto de passar um século desde que foi atribuído o Prémio Nobel da Química a Madame Curie. Foi o segundo Nobel que ela recebeu, desta vez sozinha, depois de oito anos antes ter partilhado o Nobel da Física com o seu marido Pierre Curie e com Antoine Henri Becquerel. Até hoje, a francesa de origem polaca é a única pessoa que recebeu dois prémios Nobel de disciplinas científicas diferentes. Não é, por isso, de estranhar que este ano se celebre também a contribuição das mulheres para a ciência.A ascensão das mulheres na ciência foi prodigiosa no último século. Numa famosa fotografia do Congresso Solvay em 1911, Madame Curie é a única presença feminina em 24 retratados. Hoje, em muitos congressos de física ou de química, há uma representação quase paritária dos dois géneros.Em Portugal, esse progresso foi particularmente nítido. Em 1911 começou a dar aulas na Universidade de Coimbra a primeira professora do ensino superior português: a filóloga de origem alemã Carolina Michaelis de Vasconcelos, que, no ano seguinte, entrou, não sem discussão interna, na Academia de Ciências de Lisboa. No meu livro Breve História da Ciência em Portugal (com Décio Martins, Gradiva e Imprensa da Universidade de Coimbra, 2010), que fala da ciência até 1974, apenas é referida uma mulher, Matilde Bensaúde, pioneira da genética entre nós no início do século passado. Actualmente o país pode orgulhar-se não só da quantidade como da qualidade das nossas mulheres cientistas (parabéns, Maria do Carmo Fonseca, pelo Prémio Pessoa!). Temos uma das percentagens mais elevadas de mulheres na ciência na Europa e até no mundo: Portugal, nas estatísticas europeias de 2008, aparece em quinto lugar na percentagem de investigadoras, com 45 por cento, quando a média da União Europeia não chega a 30 por cento.Apesar de ter sido premonitória da chegada maciça das mulheres à ciência, a notícia da atribuição do Nobel a Marie Curie há cem anos foi ofuscada, na imprensa francesa e internacional, por um escândalo, irrompido pouco antes, sobre uma sua ligação amorosa com o físico Paul Langevin, que era seu colega e tinha sido discípulo de Pierre Curie (Madame Curie era viúva há cinco anos, mas Langevin era casado). Por obra e graça de um wikileaks doméstico, um jornal francês publicou cartas de amor entre os dois, facto que motivou um duelo à pistola entre Langevin e um jornalista (nenhum dos dois chegou a disparar). Não faltou quem denegrisse a ilustre físico-química chamando-lhe uma estrangeira perigosa para os lares franceses. E, por causa desse affaire, alguns membros da academia sueca tentaram que ela não fosse receber o prémio a Estocolmo. Mas Marie Curie não hesitou em ir, alegando que o motivo do prémio - a descoberta de dois novos elementos químicos, o rádio e o polónio - nada tinha que ver com a sua vida privada. Madame Langevin conseguiu logo a seguir o divórcio com a custódia dos seus filhos sem que o tribunal tivesse mencionado o nome da dupla laureada Nobel. Esta e Langevin (os dois a uma distância prudente na fotografia do Congresso Solvay, pois na altura o caso era escaldante) acabaram por se afastar, seguindo destinos diferentes. Mas, por uma daquelas ironias em que o acaso é fértil, os genes de um e de outro viriam a cruzar-se mais tarde, quando uma neta de Curie se casou com um neto de Langevin...E Einstein? Qual foi, afinal, o erro de Einstein? Einstein achava que as mulheres não tinham aptidão para a ciência por não serem criativas. Apesar disso, nutria sincera admiração por Madame Curie, considerando-a uma excepção à regra. Tal não o impediu de comentar a um amigo que ela “não era suficientemente atraente para ser perigosa para quem quer que seja”. Einstein cometeu erros. Mas a depreciação que fez das mulheres foi, decerto, o seu maior erro.
January 7 2011, 1:30am | Comments »
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(≈) 2400 ANOS DE ATOMISMO!
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Breve apontamento saído no "Diário de Coimbra".Demócrito de Abdera (cerca 460 a.C. a 370 a.C.), filósofo grego, foi o principal expoente da escola atomista da cultura helenista. Segundo ele, o cosmos que nos rodeia é formado por um número incontável de átomos, partículas finitas e indivisíveis. O movimento dessas partículas fundamentais, de que todas as coisas seriam feitas, tem implícito a ideia da existência de vazio. Sem este vazio o movimento das partículas não seria possível, terá deduzido Demócrito. Este atomista explicava ainda a diversidade e o estado da matéria através da sua constituição por diferentes associações de diversos aglomerados de átomos. Cerca de 2400 anos depois, Rutherford coordena a experiência científica que corrobora, no geral, a ideia de átomo de Demócrito: partículas fundamentais finitas e muito “vazio”. Mas Rutherford acrescenta substância qualitativa e quantitativa ao átomo fundamental através do seu modelo atómico.Se hoje celebramos este avanço no conhecimento científico, fruto do método experimental, não podemos de deixar de referir a ideia antiga sobre a constituição do Universo. Até porque o atomismo de Demócrito "fertilizou" todo o novo pensamento científico moderno, pelo menos a partir de Galileu Galilei.António Piedade
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January 5 2011, 3:52am | Comments »








