Dizia-me um responsável de uma grande empresa tecnológica nacional que os saltos tecnológicos registados na empresa foram sempre o resultado da intervenção de pessoas que estavam na empresa há menos de um ano. Ou seja, foram o resultado da actividade de pessoas que eram relativamente livres para serem disruptivas e sugerirem alterações ou mudanças inesperadas para os outros. Pessoas criativas, com capacidade de inovar e de colocar em prática as suas ideias. É muito significativa e talvez surpreendente esta observação.Portugal não tem dimensão suficiente para gerar escala, isto é, as empresas nacionais não podem contar com o mercado nacional para se desenvolverem e serem competitivas. Nem sequer para sobreviver. Por isso, precisam de se aventurar em novos mercados, por esse mundo fora, tirando partido da sua criatividade e capacidade empreendedora. Isto é, devem distinguir-se pela qualidade dos seus produtos, pelos serviços que oferecem, pela sua disponibilidade e pela forma como se apresentam ao mundo: têm de ser diferentes e melhores. Não é só design e ergonomia, é também funcionalidade, tecnologia, serviços, integração, novidade ou, numa frase, projecto criativo de produtos e serviços tendo por base a satisfação de interesses do mercado. Para atingir estes objectivos é costume dizer-se que precisamos de inovar, conceito que tem sido usado até à exaustão. Mas as empresas percebem que isso necessita de pessoas criativas que constantemente procuram melhores soluções, mas que também são capazes de se organizar para as colocar em prática. É por aí que tem de começar um plano coerente de desenvolvimento do país: chamem-lhe plano tecnológico, ou mais adequadamente, estratégia para o conhecimento. Pelas pessoas. Pelas novas gerações, em particular. Com o objectivo de criar a consciência colectiva da necessidade de esforço, iniciativa pessoal e original como forma de encarar a vida e planear o futuro. Este esforço é particularmente necessário junto de escolas secundárias onde é importante fazer chegar o exemplo de empreendedores e respectivos trajectos de vida, bem como demonstrar formas alternativas e originais de trabalhar, para que os jovens possam alargar horizontes e se apercebam que dependem de si, da qualidade da educação que tiveram, mas também, em grande medida, da sua atitude perante a vida. Será esse binómio que lhes permitirá aproveitar as oportunidades que a vida lhes proporcionará, mas também criar as suas próprias oportunidades, seja por conta própria ou por conta de outrem. Os cursos de empreendedorismo, o contacto com empresas inovadoras e a relação das escolas com a universidade e centros de saber são ainda mais críticos nestas faixas etárias. Conhecimento, espírito empresarial e empreendedor são valências essenciais ao nosso futuro colectivo.
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Estratégia para o conhecimento
http://dererummundi.blogspot.com/2009/11/estrategia-para-o-conhecimento.html
November 5 2009, 12:17am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
É o pós-modernismo... dois...
http://dererummundi.blogspot.com/2009/05/e-o-pos-modernismo-dois.html
Numa manhã da semana que passou, ao ligar a televisão, deparei-me com um psicólogo a afirmar, com aquela "autoridade de especialista", tão bem denunciada por Karl Popper, que as crianças, a partir dos oito anos, devem ver, com permissão dos pais, filmes pornográficos.- "De que tipo...", perguntou o entrevistador?. "De todo o tipo", respondeu o convidado.- "Mesmo aqueles que...?". "Mesmo esses", confirmou ele, e logo apresentou dois argumentos: primeiro, se as crianças não virem tais filmes em casa, descobrirão o mesmo na rua, com os amigos e, quem sabe, com adultos mal intencionados; segundo, só nos podemos pronunciar acerca daquilo que conhecemos, e, portanto, é preciso conhecer.Não sei em que estudos o senhor se baseou para dar opinar com tanta segurança, nem sei, sequer, se existem estudos sobre os efeitos desse tipo de filmes no desenvolvimento. Ainda assim, gostaria de deixar a primeira nota que me ocorreu, das muitas que o assunto suscita: "aconselhar" tal "estratégia de aprendizagem" a crianças que estão no primeiro ciclo contrasta em absoluto com o conteúdo dos manuais escolares que lhe são destinados. Aqui é a candura da procura de um amigo, o civismo de separação do lixo, o elogio da natureza que prevalecem... Tudo envolto numa linguagem simples, ou simplista, conseguida pela supressão das passagens tidas por mais complexas e pela substituição de palavras menos comuns por outras que se usam no dia-a-dia.Em suma, no que respeita a textos didácticos, presume-se que só se deve apresentar à criança aqueles que ela é capaz de entender sem qualquer dificuldade, sendo que, em geral, se subestimam as suas capacidades cognitivas. Porém, no que respeita a sexualidade, presume-se que a criança pode ver tudo e que tudo entenderá.Bom, dirá o leitor, não são as mesmas pessoas que se pronunciam em ambos os campos. Pois, não são, de facto. Mas, paradoxos como estes, sobre a educação das crianças e jovens, que não podem ser mais pronunciados, emergem do modo de pensar da mesma sociedade, que é a nossa, que os vai deixando correr, sem conflitos de maior…Por outro lado, dirá ainda o leitor, paradoxos em torno da educação sempre existiram. Sim, mas os paradoxos relativos ao rumo a dar à educação devem ser pensados, sendo que nessa tarefa de os pensar podem surgir boas ideias. E, para surgirem boas ideias, ajuda dispor-se de informação científica e/ou filosófica sólida.
May 9 2009, 3:00pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
A quem devemos confiar as crianças?
http://dererummundi.blogspot.com/2009/03/quem-devemos-confiar-as-criancas.html
O problema enunciado no título deste texto, sugerido pelo comentário dum leitor a um que publiquei e outro que disponibilizei, não parece fácil de resolver. Pode até ser que seja fácil, mas não parece… de outro modo, com certeza que já o tínhamos resolvido.Como sociedade, organizámo-nos em função do trabalho, sendo que, neste momento, começamos a achar que é uma sorte ter um e, nessa medida, há que preservá-lo… Tudo o mais, que faz parte da vida, tem de ser organizado e acomodado no pouco tempo de que se dispõe, e com as alternativas que existem, ou que se vão inventando para remediar.Neste cenário, crianças, doentes, pessoas com necessidades educativas especiais, velhos, acarretam dificuldades várias: Onde os deixar? Quem pode e deve cuidar deles?O caso torna-se tanto mais complicado quando mais consciência temos de que todas as pessoas devem ser tratadas com cuidado e dignidade. E, felizmente, isso é hoje muito claro para a maioria dos ocidentais.Mas, como tratar com cuidado e dignidade, em concreto, as crianças, se os pais trabalham e têm o tempo contado? Se os avós estão longe ou ocupados? Se os tios e os primos têm as suas vidas? Se não se conhecem os vizinhos? Se, mesmo os que estão próximo dos menores, podem constituir, e muitas vezes constituem, um perigo para a sua integridade física e psicológica?Temos por certo que não devem ficar em casa ou na rua, ao deus-dará, entregues a si próprios, e uns aos outros. Até porque a rua, mesmo na província, deixou de ser, se alguma vez foi, um espaço de encontro e de confiança: os lugares onde as crianças poderiam brincar estão ocupados por carros ou parques infantis, onde, de resto, se requer a presença de adultos… Também deixou de ser, se alguma vez foi, um espaço de acolhimento, sendo visto como palco de riscos vários.Tem sido, pois, para a escola e para os professores que, como sociedade, nos temos voltado: pedimos, ou impomos, a uma que proporcione o bem-estar duma casa; e aos outros que sejam educadores, em todos os sentidos que a palavra pode ter.É verdade que a escola faz parte da sociedade e, nessa medida, é um reflexo dela, tendo também obrigação de cooperar com ela. O problema é que a escola não é, nem deve ser, A SOCIEDEDE; não consegue assumir, nem deve, TODAS as suas atribuições.E porquê?Porque, até prova em contrário precisamos, desde pequenos, de conviver em diversos contextos, segundo diversos tipos de regras e registos comunicacionais. Assim, reduzir a vivência das crianças SOBRETUDO à escola afigura-se, obviamente, redutor.Porque há qualquer coisa de conflituoso e paradoxal nesta relação escola-sociedade. A sociedade, através dos seus académicos, associações, meios de comunicação, instâncias de avaliação nacionais e internacionais etc., acusa, com frequência, a escola (entendida no seu sentido mais lato) de tomar decisões erradas quanto à educação, de não cumprir os papéis que lhe são imputados, de negligenciar questões curriculares de fundamental importância. A escola, vai ripostando quando e como pode, mas acaba por acatar o que a sociedade determina.Porque, neste particular de proporcionar condições de guarda e segurança às crianças, e apesar de a escola ser a instituição que, de modo mais pronto e rápido tem respondido a esta solicitação da sociedade, devemos questionar o que significa realmente segurança. É verdade que na escola as crianças são alimentadas, evita-se que apanhem calor ou frio excessivo, que briguem entre si ou se magoem… mas a segurança não pode ser apenas encarada no plano físico, passa também no psicológico. Ora, neste plano, temos de contar com algumas necessidades básicas das crianças: a relação privilegiada com alguém significativo, os processos de identificação com esse alguém, os momentos de privacidade de que as crianças vão progressivamente precisando, tudo aspectos que lhes permite estruturar a sua personalidade. Temos também de contar com a relevância que pode ter para as aprendizagens académicas formais (essas, sim, função da escola) o facto de estarem localizadas num tempo e num espaço preciso e serem intercaladas com outras informais, as quais devem acontecer noutro espaço e noutro tempo.Eu não sei responder quando me perguntam onde é que, afinal, as crianças devem ficar enquanto a família está ocupada. Mas, considero que, como sociedade, não estamos a seguir pelo melhor caminho e, nessa medida, temos obrigação de procurar respostas educativas de qualidade, que se articulem com a resposta da escola.Para isso, acho que é preciso, antes de mais, ter coragem de encarar o problema como um verdadeiro problema, deixando de lado a tendência de o escamoteamos, admitindo que, afinal, entregar as crianças à escola é um mal menor, sobretudo se as actividades que ela proporciona forem “pedagógicas”, permitindo-lhes “crescer” plenamente, ao nível sócio-emocional, cognitivo, criativo, etc. etc., etc.Deixar as crianças doze horas na escola, todos os dias, por melhor que a escola seja, NÃO é PEDAGÓGICO, nem tem de ser; é apenas funcional.
March 5 2009, 7:39am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Para que serve escola?
http://dererummundi.blogspot.com/2009/03/para-que-serve-escola.html
Depois de aqui publicar o texto Serviço "Lavado e jantado", recebi na minha caixa do correio o artigo de Daniel Sampaio, que se pode ler aqui.
March 4 2009, 3:38am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Serviço “Lavado e jantado”
http://dererummundi.blogspot.com/2009/03/servico-lavado-e-jantado.html
Leia-se o texto que se segue com uma ponta de ironia aliada a alguma perplexidade.Uma das medidas mais destacadas do programa para a educação pública do actual governo é, como toda a gente sabe, a Escola a Tempo Inteiro. Sociedade, em geral, e famílias, em particular, têm-na acolhido de braços abertos. Não se ouvem interrogações substanciais sobre esta expressão de tom totalitário, pelo contrário, tenho constatado largos elogios, apoiados em argumentos do género: os pais trabalham e têm vidas difíceis; as crianças não podem andar pela rua e na escola há quem cuide delas; não são apenas os ricos, que podem pagar os colégios privados, que devem beneficiar de segurança para os filhos...Não havendo oposição, legitimou-se, como é costume, a medida com a respectiva sigla – ETI – e foi decretado que todas as escolas do primeiro ciclo deveriam disponibilizar, a partir de Setembro de 2006, actividades de enriquecimento curricular – as AECs – como sejam, inglês, música, desporto, apoio ao estudo, expressão plástica...Decretou-se também que as crianças deveriam poder estar pelo menos oito horas na escola, tempo que tem sido ultrapassado com a boa vontade de autarquias e outros parceiros educativos. Assim, são cada vez mais frequentes os jardins-de-infância e as escolas do ensino básico que têm crianças durante onze a doze horas, por dia e que as acolhem nos fins-de-semana, nos feriados e nas férias. Soube dum jardim-de-infância, perto duma fábrica onde se trabalha por turnos, que se organizou de modo que as crianças lá possam dormir. Mas não é só esta necessidade que justifica que as crianças pernoitem na escola: ficar na biblioteca para que se aproximem pelos livros e pela leitura, começa a ser uma prática comum.Num Encontro Nacional sobre a Escola a Tempo Inteiro, realizado no Porto nesse ano de 2006, organizado pela Federação Nacional dos Professores, para debater esta “resposta sócio-educativa de qualidade, de acordo com as necessidades das famílias”, sindicalistas e especialistas em educação sublinharam as suas vantagens, sendo de destacar o aplauso do presidente da Confederação das Associações de Pais.Passados três anos esse cenário não parece ter-se alterado e ficamos mais descansados quando este presidente assegura que tal resposta não visa "transformar as escolas em armazéns de crianças", devendo o lúdico ocupar o papel central no “período de apoio à família”.Por seu lado, avaliadores de craveira internacional que recentemente redigiriam um relatório sobre a política educativa para o primeiro ciclo (2005-2008), por solicitação do Ministério da Educação, elogiaram as reformas empreendidas, com particular destaque para a “oferta de escola a tempo inteiro”, ainda que recomendassem uma revisão do enriquecimento curricular. Como o relatório teve presente “as normas da OCDE”, as suas conclusões só podem estar certas e é de passar a pensar nessa revisão, de modo a aproximá-la o mais possível da oferta privada.A verdade é que esta oferta é inspiradora: apresenta-se, muito frequentemente, como pedagógica, afirmando garantir o desenvolvimento integral e harmonioso da criança, ou seja, o desenvolvimento cognitivo, físico, emocional, afectivo, pessoal, social… dos filhos dos pais muito ocupados. O conforto, o carinho, a segurança são também aspectos invocados como mais-valias, não se deixando de fora as novas tecnologias da informação e da comunicação.Há escolas privadas abertas 24 horas por dia, todos os dias, que disponibilizam serviços como: banho e jantar da criança; jantar take-away; transporte da criança e do jantar com entrega ao domicílio; actividades extra-curriculares de toda a espécie e feitio, fins-de-semana e férias na praia ou no campo, conforme se preferir; festas de aniversário, com tudo incluído, mesmo o álbum fotográfico…Se, por alguma eventualidade, a saudade assolar o pai ou mãe, podem espreitar os seus petizes através do sistema de vídeo a que o computador dá acesso. E, se tiverem dúvidas acerca das suas competências parentais, a escola proporciona-lhe, ainda, formação especializada…Imagem retirada de:http://www.cm-moita.pt/NR/rdonlyres/7360FDAC-6931-4353-9117-515CF5E9C972/5998/Bibliotecaforadhorascopy.jpg
March 3 2009, 3:51pm | Comments »
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