Destaque semanal para a coluna WHAT’S NEW do físico norte-americano Robert L. Park:THE EPIPHANY: DOES THE TEMPLETON FOUNDATION MAKE YOU UNEASY?It certainly makes me uneasy. An excellent News Feature in this week's Nature by Washington editor Mitch Waldrop gives some of the reasons why it should, but something important was left out. (Much of what follows was drawn from my book Superstition: Belief in the Age of Science (Princeton, 2000)). As Waldrop points out, the Templeton Prize was not originally created "to pursue Templeton's goal of building bridges between science and religion." Indeed, the first Templeton Prize winner in 1973 was a fanatic Catholic nun who founded the Missionaries of Charity in Calcutta and wore a cilice. A bridge to science, Mother Theresa certainly was not. But then, neither were the next 26 winners of the prize, most of whom had founded religious movements that few scientists have ever heard of, except for Billy Graham who founded the Evangelistic Association, and Charles Colson of Watergate fame who founded the Prison Fellowship. Later, the nicety of a prize committee would be added, although Templeton seems to have remained in total control. The first notable exception was Paul Davies in 1995, a theoretical physicist who authored the Mind of God, and numerous other popularizations of cosmology. Templeton wrote little and we know almost nothing first-hand about what was going on in his head during this period. He appears to have had an epiphany. In 1999 the prize went to Ian Barbour, a physicist who had been Enrico Fermi’s student at the University of Chicago and who played a major role in building the first the nuclear reactor. Certainly the most interesting winner of the Templeton Prize, Barbour was disillusioned by the atomic bombing without warning Hiroshima and Nagasaki. After finishing his doctorate at Chicago, Barbour dropped out of physics and took a degree in theology from Yale. At Carleton College he taught both physics and theology and is generally credited with having created the Dialogue Between Science and Religion. Barbour marked a sharp change in Templeton prize recipients. From that point on, recipients have been, almost without exception, physicists or cosmologists who, as Dawkins put it, "say something nice about religion." Sir John died in 2008, but things have changed little under his son. The 2009 prize went to a physicist; 2010 to biologist Francisco Ayala.SELLING SCIENCE: THE PROBLEM WITH DISPROPORTIONATE WEALTHSir John Templeton saw Ian Barbour’s "dialogue between science and religion" and he coveted it. There is no point in being one of the richest men in the world if you can't buy the things you want. So the Templeton Foundation bought a magazine, Science and Spirit, and devoted it to publicizing the dialogue, but who reads Science and Spirit? So next, Templeton went to the American Association for the Advancement of Science with an offer of one million dollars to create the AAAS Dialogue between Science and Religion. That still sounds like a lot of money to scientists. The AAAS later backed out, but it serves to remind us that, however obtained, a disproportionate share of the world's wealth, even in the hands of the well-intentioned, is a threat to us all.Robert L. Park
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A FUNDAÇÃO TEMPLETON E O DIÁLOGO CIÊNCIA RELIGIÃO
http://dererummundi.blogspot.com/2011/02/fundacao-templeton-e-o-dialogo-ciencia.html
February 20 2011, 1:41pm | Comments »
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GRANDES ERROS: O HOMEM QUE NÃO BEBE NEM COME HÁ 7O ANOS
http://dererummundi.blogspot.com/2010/11/grandes-erros-o-homem-que-nao-bebe-nem.html
Com a devida vénia reproduzimos do blogue Astro.pt a parte final do artigo de Carlos Oliveira sobre o estranho caso do homem que não bebe nem come há 70 anos (alegadamente, claro):Prahlad Jani é o homem que, ao que se diz, não bebe nem come há 70 anos. Basta fazer uma pesquisa no Google, para perceber que existem 259.000 páginas que falam sobre isto. Por todo o mundo, as agências noticiosas falaram dele. O jornalismo sensacionalista, sem qualquer ponta de sentido crítico, sem qualquer pesquisa decente, tem neste tipo de histórias o seu êxtase. O jornalismo sério, e os jornalistas sérios, deveriam “cruxificar” quem não quer saber de informar devidamente as pessoas. FOXnews, ABC, Telegraph, BBC, CNN, e centenas de outros jornais e TVs por todo o mundo (como podem ver na net) difundiram esta história como sendo verdadeira. As pessoas, sedentas por mistérios e crentes em parvoíces, não querem saber das explicações racionais.E, no entanto, a constituição do Sol, por exemplo, é que deveria ser mistério, esses sim, que deveriam providenciar uma “mística” às pessoas, que poderão saber mais sobre esse tipo de assuntos “misteriosos”. A ciência nunca foi aborrecida ou desinteressante. Mas não, as pessoas (jornalistas incluídos) preferem acreditar em mentiras. E os jornalistas portugueses e brasileiros também “foram na cantiga”: Globo, Folha, Diário de Notícias, ionline, TVI, etc. Até sites de ciência como o Ciência Hoje, preferiram “vender o mistério”, em vez de fazerem uma análise científica! É a noção que se deve “deixar o mistério no ar”, aproveitar-se disso porque “vende mais”, do que se pesquisar as respostas.A história é simples: Prahlad Jani tem 81 anos, e diz que há 70 anos utiliza o Sol como alimento – o elixir da Deusa. Supostamente foi observado por cientistas durante 15 dias, e os cientistas concluíram que era verdade que ele nem come nem bebe nada. Supostamente aos 11 anos, diz ele, foi abençoado pela deusa Amba Mata, que lhe fez um buraco no palato, através do qual diz receber uma substância proveniente do Sol que se transforma em nutriente. Como as pessoas só sobrevivem, no limite, cerca de 10 dias sem água e 40 sem comida, então deve ser um milagre! Supostamente o caso despertou "de imediato" a atenção dos cientistas, que puderam comprovar que ele recebe energia do Sol, e o Ministério da Defesa até estaria interessado em utilizar esta técnica nos seus soldados.Em face destas informações, como não temos todas as respostas, então o que devemos fazer? Devemos utilizar o pensamento crítico? Devemos utilizar a análise racional? Os jornalistas que difundiram estas mentiras e os crentes que por elas são levadas, já fizeram a sua escolha: escolheram ignorar o pensamento crítico.Nos exemplos acima, estes jornalistas e estes crentes, em face de algo em que não têm as respostas todas, em vez de pesquisarem melhor com um olhar crítico, preferem acreditar que é o Diabo a colocar as manchas vermelhas no corpo, preferem acreditar que um Neandertal fez uma viagem no tempo, preferem acreditar e difundir que unicórnios invisíveis voadores fizeram parar um carro, etc. Se a notícia fosse que um homem consegue voar, estes jornalistas e os crentes que os seguem, suporiam que toda a ciência, sobretudo a lei da gravidade, está errada, e que há pessoas que voam livremente. Vendem o mistério, em vez de informarem devidamente sobre o que se passa.Mas vamos nós utilizar o pensamento crítico. De um lado, o lado da crença, temos:- um homem diz que se alimenta do Sol.- um homem diz que consegue fazer a fotossíntese, como as plantas.- segundo ele, foi uma deusa que lhe concedeu esse dom.- a deusa só aparece a alguns, mas não às pessoas que verdadeiramente andam famintas. Ou seja, é uma deusa imoral.- acreditar que ele realiza a fotossíntese é supor que a ciência está fundamentalmente toda errada, sobretudo a física, a biologia e a medicina (ou seja, os médicos nos hospitais são todos aldrabões que não percebem nada).- a medicina é uma treta, e toda a investigação biomédica está errada.- os orientais têm conhecimentos antigos que são muito superiores aos conhecimentos ocidentais actuais – até têm pessoas que não comem nem bebem e outras que vivem para sempre.- milhões de pessoas que morrem de fome todos os anos, afinal basta-lhes fazerem um furo no palato e colocarem-se ao Sol.- 7 biliões de pessoas por todo o mundo (e ainda mais todos os animais) andam iludidas, porque pensam que precisam de comer e beber para sobreviver, quando afinal basta porem-se ao Sol, a meditar, e com um furo no palato.Do outro lado, o lado do pensamento crítico, temos:- há milhares destas fraudes desmascaradas todos os anos, pelo mundo. Sobretudo em sociedades a oriente. Na Índia são constantes. Todos são fraudes, charlatães, mágicos com truques simples.- ele é conhecido na vila dele por ser o “fraudulento da vila”. Ou seja, os seus próprios vizinhos sabem que ele está a mentir!- animais com fotossíntese, sem clorofila, e não verdes (o homem não é verde!), são impossíveis para a biologia.- é uma notícia dada originalmente pelo jornal The Australian, que, quando contactado, disse que não tinha fontes. Limitou-se a dizer: “Pode ser verdade, não?” Ou seja, inventam-se mentiras, para “vender um mistério” que é falso.- a notícia é a mesma de há sete anos atrás. Ou seja, quando dizem que o interesse actual foi "imediato" estão a mentir, claro. Já existem artigos sobre isto há vários anos.- as notícias são contraditórias sobre se ele saiu para fora completamente durante a experiência ou não.- durante alguns minutos durante a experiência, ele não era vigiado pelas câmaras (saía do sítio onde elas estavam).- ele podia tomar banho e gorgorejar com água. Não era vigiado quando tomava banho. Ou seja, os testes tiveram vários “buracos”.- ele até podia receber crentes devotos – se nos hospitais, as pessoas levam comida para os seus familiares doentes, porque não crentes levarem comida para o seu “santo”?- não há quaisquer dados experimentais sobre o que se passou em revistas científicas da especialidade (ou noutro lado qualquer!) – só há da experiência de 2003 onde se prova haver matéria fecal (ao contrário do que reivindicam).- não há qualquer confirmação independente para os resultados que ele diz que teve.- o “cientista” envolvido, Dr. Sudhir Shah, não deixou que mais ninguém, independente, pudesse avaliar a experiência ou os supostos resultados.- já em 2003 – a tal notícia igualzinha de há sete anos – tinha feito uma experiência semelhante ao Prahlad Jani, e também não deixou que ninguém confirmasse o que ele dizia, provando que não está a fazer ciência (porque não permita confirmações independentes).- em 2000 e 2001, testou outro “guru”, Hira Ratan Manek, confirmando também que ele se alimentava só do Sol, mas também não deixou que ninguém confirmasse isso.- o médico neurologista, Dr. Sudhir Shah, é conhecido por ser crente na teoria que os humanos podem viver só da luz do Sol.- o Dr. Shah é um crente religioso que acredita que a medicina ocidental está errada, e que a super-ciência da religião do jainismo, é que vai salvar toda a humanidade. Para ele, existem 30 graus de Paraíso e 7 graus de Inferno, e o Universo tem o formato de um homem em pé. Ou seja, ele não é imparcial nas experiências que faz – ele visa somente promover a sua religião, dando-lhe uma aura falsamente científica, como faz o Criacionismo.- um sumário da sua pesquisa diz que faquires e sábios realizam fotossíntese através dos olhos (retinas) e através do “terceiro olho”. Isto é pura pseudociência!- o “cientista” e os jornalistas dizem que a investigação dele está a ser estudada pela NASA e pela Universidade da Pensilvânia. Ambas negam este absurdo! Ou seja, inventa-se/mente-se sobre relações com instituições científicas para dar credibilidade à idiotice.- tanto os praticantes como o “cientista”, acreditam no Breatharianism (Respiratorianismo), em que é possível, por influência divina, viver somente da luz solar. Todos os que afirmaram isto, e se sujeitaram a testes da ciência (de verdadeiros cientistas), foram todos provados como fraudes.- já no passado, alegações feitas por este grupo foram provadas como sendo puras mentiras.- no entanto, eles continuam a disseminar as suas mentiras. Um curso dado por eles, custa cerca de 250 euros! O “professor” desse curso diz que não come nada, até ter sido apanhado a comprar comida de uma loja… mas continua a vender os cursos! E também têm livros – a autora tem montes de livros do mesmo género e até fundou a Academia da Internet Cósmica. A autora não diz que não come (ela come e bebe!), mas diz nos livros que é possível não comer nem beber nada e sobreviver. A australiana Verity Lynn acreditou nisso, e morreu por desidratação.- eles até oferecem férias no Resort Hotel Oásis de Saúde, na Tailândia. Por 1600 euros, os crentes têm direito a tudo durante 10 dias. O que neste caso inclui todo o ar, e toda a luz solar que puderem comer! E eles asseguram que a pessoa vai conseguir perder peso! O Hotel é conhecido por isso – pelos programas de perda de peso! Ou seja, para explicar de outra forma: há pessoas que são levadas a pagar 1600 euros para viver de “ar e vento” e ainda se admiram por emagrecerem!- Outros, como a Amém Paraíso (é o “nome artístico” dela) misturaram isto com o Cristianismo, e como Jesus disse: “Se você acreditar em mim, você nunca terá sede”, então ela e os seus seguidores bebem urina.Então qual das hipóteses devemos escolher? O que diz o senso comum? O que diz o pensamento crítico? Parece-me que só uma pessoa que acredita no Pai Natal, pode-se deixar levar por estas mentiras. Parece-me também que o grande problema aqui não são só as pessoas normais, mas sobretudo os jornalistas dos média que empolam estas situações e disseminam mentiras sem terem o cuidado de pesquisar a verdade. Nem sequer têm o cuidado de utilizarem o pensamento crítico.Carl Sagan dizia: “Afirmações extraordinárias requerem evidências extraordinárias.” Carl Sagan também disse: “Se sucumbirmos à superstição e à estupidez, iremos caminhar para as trevas.” E Sagan deu um kit para se apanhar os impostores e os burlões. Basta seguirmos essa fórmula, assente no pensamento crítico, que é fácil de perceber quem é uma fraude. O contrário, a crença nos pseudos, nos burlões, e deixar essas fraudes fazerem o que querem, dá sempre maus resultados.A ciência e o pensamento crítico funcionam! Os pseudos sempre foram uma mentira.Carlos Oliveira
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November 30 2010, 2:25am | Comments »
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ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E A PALAVRA DE DEUS
http://dererummundi.blogspot.com/2010/11/alteracoes-climaticas-e-palavra-de-deus_28.html
Habitual destaque semanal para a crónica do físico norte-americano Robert Park em "What's New":FAITH: LIFE IN A MULTICULTURAL DEMOCRACY"I have a number of devoutly religious physics colleagues who are able to partition their life: scientist on one side, devout believer on the other. I can only admire the ease with which they move from one side of the partition to the other. With climate change as the greatest threat we face, we may only hope that Rep. John Shimkus (R-Ill.), a member of the House Committee on Energy and Commerce since 1997, has such a partition and equal alacrity in making the transition. He submitted a letter to his colleagues earlier this week asking for their blessing in his campaign to assume the gavel of Energy when Republicans take control of the chamber. Shimkus rejects the posibility of man-made climate disaster. "The Earth will end only when God declares it’s time to be over. Man will not destroy this Earth. This Earth will not be destroyed by a Flood," Shimkus then quoted God's promise to Noah after the flood. "never again will I destroy all living creatures as I have done." Genesis 8:21-22. "I do believe that God’s word is infallible," Shimkus said, "unchanging, perfect."Robert ParkNa imagem: Réplica da arca de Noé.
November 28 2010, 7:28am | Comments »
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ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E A PALAVRA DE DEUS
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Habitual destaque semanal para a crónica do físico norte-americano Robert Park em "What's New": FAITH: LIFE IN A MULTICULTURAL DEMOCRACY"I have a number of devoutly religious physics colleagues who are able to partition their life: scientist on one side, devout believer on the other. I can only admire the ease with which they move from one side of the partition to the other. With climate change as the greatest threat we face, we may only hope that Rep. John Shimkus (R-Ill.), a member of the House Committee on Energy and Commerce since 1997, has such a partition and equal alacrity in making the transition. He submitted a letter to his colleagues earlier this week asking for their blessing in his campaign to assume the gavel of Energy when Republicans take control of the chamber. Shimkus rejects the posibility of man-made climate disaster. "The Earth will end only when God declares it’s time to be over. Man will not destroy this Earth. This Earth will not be destroyed by a Flood," Shimkus then quoted God's promise to Noah after the flood. "never again will I destroy all living creatures as I have done." Genesis 8:21-22. "I do believe that God’s word is infallible," Shimkus said, "unchanging, perfect."Robert Park
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November 28 2010, 7:24am | Comments »
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HAWKING SOBRE DEUS E O BIG BANG
http://dererummundi.blogspot.com/2010/11/hawking-sobre-deus-e-o-big-bang.html
Da revista "Time" com data de 15 de Novembro transcrevo, traduzidas, duas respostas dadas por Stephen Hawking a dois leitores, a propósito so seu novo livro "The Grand Design":- Se Deus não existe, porque é que o conceito da sua existência se tornou quase universal?" Basanta Borah (Basileia, Suíça)Eu não digo que Deus não existe. Deus é o nome que as pessoas dão á razão por que estamos aqui. Mas eu penso que essa razão reside nas leis da Física em vez de em alguém com o qual podemos ter uma relação pessoal. Um Deus impessoal.- Será que o Universo vai acabar? Se sim, o que há para além dele? Paul Pearson (Hull, Inglaterra).As observações indicam que o Universo se está a expandir a uma velocidade cada vez maior. Vai-se expandir para sempre, ficando mais vazio e mais escuro. Apesar de o Universo não ter um fim, teve um início no Big Bang. Pode-se perguntar o que havia antes disso, mas a resposta é que não há nada antes do Big Bang, tal como há nada a Sul do Pólo Sul.
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November 9 2010, 3:36pm | Comments »
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"e ali lhes deitaram a sua água de baptismo..."
http://dererummundi.blogspot.com/2010/10/e-ali-lhes-deitaram-sua-agua-de.html
Excerto do livro "Grácia Nasi. A judia portuguesa do século XVI que desafiou o seu próprio destino", de Esther Mucznik (Esfera dos Livros) sobre o baptismo obrigatório de judeus no tempo do rei D. Manuel I:"Numa sexta-feira, a 19 de Março de 1497, muito antes de findar o prazo para a saída, estipulado para Outubro, foi dada ordem de baptismo compulsivo de todas as crianças de 4 a 14 anos no domingo seguinte, dia de Páscoa judaica. Seguindo a táctica de atingir os pais através dos filhos, estes seriam retirados aos seus progenitores para serem educados na fé cristã.As crianças foram assim arrancadas aos pais em verdadeira cenários de horror: "Os pais, levados ao desespero, vagavam como dementes, as mães resistiam como leoas. Muitos preferiam matar os seus filhos com as suas próprias mãos; sufocavam-nos no último abraço ou atiravam-nos em poços ou rios, suicidando-se em seguida." Condoídos, muitos cristãos escondiam crianças judias para poupar os pais a tal sofrimento. "Os próprios cristãos", escreve um autor anónimo, "movendo-se a piedade, e em face dos bramidos e choros que os tristes pais e amorosas mães faziam por aqueles pedaços das suas entranhas que, à força, viam arrancar deles sem esperança de mais poder lograr, escondiam e salvavam crianças." Fernando Coutinho, líder do partido clerical que no Conselho Real se opusera à expulsão, e mais tarde bispo de Silves escreverá uns anos mais tarde: "Vi com os meus próprios olhos como muitos foram arrastados pelos cabelos até à pia baptismal, como um pai, com a cabeça encoberta, sob dores e lamentações, acompanhou o seu filho e, de joelhos, clamou ao Todo-Poderoso que fosse testemunha de pai e filho, unidos como professos da lei mosaica, desejarem morrer como mártires do judaísmo. Vi actos ainda mais pavorosos, verdadeiramente incríveis, que lhes foram infligidos." "
October 25 2010, 3:18am | Comments »
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Apresentação em Aveiro de "Educação, Ciência e Religião"
http://dererummundi.blogspot.com/2010/10/apresentacao-em-aveiro-de-educacao.html
Informação recebida do Centro Ciêncvia Viva Rómulo de Carvalho:João Paiva apresenta na Fábrica Ciência Viva em Aveiro o livro que escreveu com Alfredo Dinis "Educação, Ciência e Religião" (Gradiva): aqui.
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October 20 2010, 2:53am | Comments »
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EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E RELIGIÃO
http://dererummundi.blogspot.com/2010/10/educacao-ciencia-e-religiao.html
A dicotomia ciência – religião é tão antiga como a ciência já que a religião é mais antiga. Ainda agora, nos cem anos da implantação da República, se relembrou como o republicanismo, eivado da ciência positivista, se ergueu entre nós contra a religião. Uma visão naturalista opunha-se à visão providencialista.Mas hoje é, geralmente, reconhecido que as duas actividades, apesar de diferentes, podem bem coexistir. Há, por exemplo, ministros religiosos – e não é só da Igreja Católica - que são também cientistas. E há até quem advogue que, mais além do que a coexistência pacífica, é necessário aproximação e diálogo. Colocam-se, entre estes, Alfredo Dinis, padre jesuíta e professor de Filosofia na Universidade Católica em Braga (actualmente director da Faculdade de Filosofia) e João Paiva, leigo e professor de Química na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. Com propósitos pedagógicos, escreveram o livro “Educação, Ciência e Religião”, saído agora na Gradiva, que procura responder a várias questões relativas a essa aproximação e diálogo. Formulam algumas questões mais ou menos “fracturantes” (por exemplo: “A religião e a ciência ‘proíbem’ a existência de extraterrestres”?), acompanhadas por engraçados cartoons, dão a cada uma delas uma primeira resposta, em linguagem acessível, e, em seguida, aprofundam o tema, numa linguagem mais elaborada. Questões complementares para debate e bibliografia sobre cada tema completam esta original obra.Pode-se ou não concordar com eles, mas os autores são taxativos: “Mais e melhor ciência só pode significar melhor religião”. Aprenderam, portanto, com aquilo que eles chamam “descentramentos” do homem, que ocorreram ao longo da história da ciência. O primeiro é o descentramento cósmico, que se deu no início do século XVII com Galileu. O segundo é o descentramento biológico, que se deu a meio do século XIX, com Darwin. E o terceiro é o descentramento neurológico relativo à mente e à consciência humanas, que se estará a dar agora, na esteira de Freud embora não como sua herança directa (as modernas neurociências pouca justificação oferecem à psicanálise). O caso Galileu transitou em julgado depois que o Papa João Paulo II mandou, passados séculos, rever o processo e admitiu por fim o erro da Igreja. Galileu, aliás um bom crente e bem relacionado com o alto clero, vai aliar ter uma estátua em mármore nos jardins do Vaticano... Os autores dedicam-lhe apenas uma questão, que é fácil de responder: reconhecem que Galileu foi pressionado pela Igreja para negar o movimento da Terra. A teologia mudou no sentido em que a leitura da Bíblia deixou de ser literal.O caso Darwin, mais recente, provocou ondas de choque que chegaram até aos nossos dias. O sábio inglês, que viveu no seio da Igreja Anglicana, tendo até estudado teologia em Cambridge, foi alvo não já da Inquisição, mas da chacota pública, mais uma vez por contraste entre aquilo que a ciência aprendia e o que a Bíblia ensinava: o homem era apenas parte da grande “árvore da vida”. Curiosamente, foram e são as religiões protestantes, talvez mais ligadas ao livro, quem mais contestaram Darwin e, no mundo de hoje, forneceram o ambiente necessário para o florescer dessa estranha mistura entre ciência e religião que é o criacionismo na forma de “design inteligente”. Porém, a Igreja Católica não resolveu ainda completamente o problema, pois se João Paulo II admitiu há poucos anos que a teoria da evolução das espécies era “mais do que uma hipótese”, tal afirmação parece ainda excessivamente tímida num mundo em que as evidências observacionais e experimentais em favor dessa teoria excluem qualquer alternativa cientificamente válida.. Não foi há muito tempo que o Vaticano reprimiu as ideias evolucionistas do jesuíta Teilhard de Chardin. Os autores, que respondem a duas questões sobre o tema da evolução, não têm nenhuns problemas não só em citar o padre Chardin mas também em afirmar, preto no branco, que se pode defender a teoria da evolução e, ao mesmo tempo, acreditar em Deus. Dá a ideia que a teologia, também neste domínio, está ela própria em evolução...A teoria do Big Bang veio, no século passado, alargar a todo o domínio cósmico a ideia de auto-organização, isto é, a ideia de uma organização sem intervenção sobrenatural, com que a teoria da evolução se servia e serve para explicar a história das espécies. Claro que a pergunta sobre o que havia antes do Big Bang é legítima, mas a ciência de hoje responde honestamente que não sabe. Há poucos dias, o novo livro de Stephen Hawking relançou a polémica sobre a dispensabilidade de Deus para a criação do mundo, ele que metaforicamente tinha no seu best-seller anterior falado do “plano de Deus” para o Universo. Curioso é que a Igreja Católica tenha visto com bons olhos a ideia científica da criação quando ela apareceu na ciência, entre outras pelas mãos de um sacerdote católico, o padre Lemaître, porque concordava com o mito bíblico da criação. O Universo presta-se aliás abundantemente a discussões teológicas. Por exemplo, a teoria do Big Bang inclina-se para a infinitude do Universo. Não será, por isso, provável, quase inevitável, a existência de outros sóis e outras terras, como aliás tinha sonhado o “dissidente” da Igreja Católica Giordano Bruno, e, mais do que isso, a existência de vida noutros planetas, incluindo eventualmente vida inteligente? A descoberta muito recente do primeiro problema numa “zona habitável” de um sistema estelar a escassos vinte anos-luz de nós levantou justamente as atenções dos terráqueos. Tornou ainda mais oportuna a afirmação do jesuíta Guy Colsolmagno do Observatório Astronómico do Vaticano: sim, ele baptizaria um ET, se este quisesse! Nessa mesma linha algo heterodoxa, os autores do presente livro declaram que “um Deus craidor e milhões de planetas habitados por seres inteligentes estaria mais de acordo com a imagem de ser omnipotente da tradição cristã”. Fica por saber o que mudaria, de facto, na teologia se tais seres aparecessem mesmo. Seriam considerados seres com alma? O pecado original aplicar-se-ia a eles? E Jesus Cristo poderá não ter aparecido noutros planetas?Tanto ou mais polémicas do que essas são as questões sobre a mente levantadas pelas neurociências e que estão actualmente, neste planeta, a ser pesquisadas. Os autores não fogem a esse tema contemporâneo na fronteira entre ciência e religião quando formulam três perguntas: “Com o conhecimento do cérebro poderemos nós, humanos, vir a ser absolutamente previsíveis?”, “A inteligência artificial ameaça não só o homem como a religião?”, “Que contributos podemos nós esperar da neuroteologia?”. As suas respostas parecem-me expressar demasiadas reservas em áreas que ainda estão nos seus começos. A atitude da ciência deve ser de abertura, para não dizer esperança, perante o conhecimento novo, mas as respostas dadas em “Educação, Ciência e Religião” sobre o cérebro e a mente, são, na minha opinião, de excessiva crítica. Por exemplo, a “neuroteologia” que o livro critica poderá ser um nome disparatado, mas é decerto interessante pesquisar com os aparelhos das neurociências o que se passa dentro do cérebro dos crentes para averiguar o modo como a Deus está dentro do cérebro. Os autores recusam à partida a hipótese de que Deus esteja apenas aí. Ocorre-me a interpelação que Sagredo faz na peça de Bertold Brecht Vida de Galileu: “Onde é que está Deus no sistema do mundo?" Responde Galileu: “Em nós, ou em lugar algum.” E, pela minha parte, não vejo mal nenhum que se investigue a ideia de Deus nos seres humanos com os métodos de que a ciência dispõe. Se a teologia vai ou não mudar com isso já é uma outra questão...- Alfredo Dinis e João Paiva, “Educação, Ciência e Religião”, Gradiva, 2010.
October 11 2010, 1:16pm | Comments »
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HUMOR: ADÃO E EVA 3
http://dererummundi.blogspot.com/2010/10/humor-adao-e-eva-3.html
October 11 2010, 3:17am | Comments »
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HUMOR: ADÃO E EVA 2
http://dererummundi.blogspot.com/2010/10/humor-adao-e-eva-2.html
October 11 2010, 3:16am | Comments »






