Regressa a rubrica dos grandes erros que já aqui foi popular. Recebi a seguinte mensagem da Fundação Casa Índigo, uma organização registada como IPSS pelo Ministério da Educação em 11 de Outubro de 2008, destinada ao "estudo, esclarecimento e desenvolvimento de actividades de apoio a crianças e jovens de todo o tipo e características". O Ministério da Educação saberá o que anda a reconhecer?"Dali 22 Lua Galáctica do FalcãoKin 116 Guerreiro Cristal AmareloCurso das Sete Chamas Sagradas em PortugalÉ um curso teórico e prático, que habilita pessoas comuns a "manipular" o elemento do Fogo Divino através do seu lado positivo. A teoria ensinará como conhecer e entender a espiritualidade e as energias que nos cercam. Com esse conhecimento desaparecem as dúvidas e inseguranças sobre os Mistérios de Deus. A prática ensinará a limpeza pessoal, de pessoas e ambientes, deixando o praticante seguro dos seus actos, e consciente do seu poder de intervenção. As iniciações deixarão a pessoa apta para melhorar a sua vida e a vida de seus semelhantes, estando apto, após a sua conclusão, a exercer um trabalho energético holístico.Este curso não possui nenhum vínculo religioso porque nos conecta directamente com o lado divino da criação. Isso nos concede liberdade, autonomia e confiança. Como não tem vínculo religioso, não interfere na sua crença, pelo contrário, a sua experiência só vai acrescentar uma mais valia à sua vida. Não há necessidade de dons mediúnicos ou pré-requisito."
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Grandes erros: "Curso das Sete Chamas Sagradas"
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March 14 2009, 8:01pm | Comments »
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O SANTO CONTESTÁVEL
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Minha crónica no "Público" de hoje:A anedota foi-me contada em Aljubarrota. Diante de uns ossos remanescentes da batalha, um visitante apontou para um deles e perguntou: “Este grande osso a quem terá pertencido? A um bravo guerreiro que gritava por S. Jorge ou a outro que gritava por Santiago?” Resposta lesta do guia: “Esse não gritava, relinchava, porque é um osso de um cavalo!”A batalha de Aljubarrota, travada em 1385 entre D. João de Portugal, que chamava por S. Jorge, e por D. João de Castela, que chamava por Santiago, foi ganha pelo primeiro graças, sem dúvida, ao Condestável D. Nuno Álvares Pereira. Decerto mais a ele que a S. Jorge. Mas o grito de S. Jorge institucionou-se a partir de então no exército luso, já que antes tanto portugueses como castelhanos bradavam por Santiago, também conhecido por Santiago Mata-Mouros. Os nossos aliados ingleses, que ajudaram em Aljubarrota, invocavam desde há muito S. Jorge, o valente soldado romano que terá sido mártir às mãos de Diocleciano.Quando aprendi história na escola primária fiquei um pouco confuso: Como é que dois santos, que deviam viver na paz dos anjos, andavam, assanhados, à guerra um com o outro? Porque é que os santos não conferenciavam, evitando uma multidão de mortos e feridos, entre homens e cavalos? E agora também não pude deixar de ficar algo confuso quando soube que o Condestável, que além de Aljubarrota tinha mostrado a sua fibra guerreira noutros campos, ia ser canonizado. Bem sei, da mesma escola, que nos últimos oito anos da vida ele recolheu ao Convento do Carmo em Lisboa (lembro-me de ter feito um desenho em que lhe pus numa mão a espada e noutra a cruz) e que, por exemplos de virtude, foi beatificado. Mas também sei que há gente a contestar o processo actual. Há até quem lhe chame o Santo Contestável.Contestam-no alguns republicanos. D. Duarte de Bragança, descendente de D. Nuno por a filha deste ter casado com o primeiro Duque de Bragança, apareceu a afirmar que o atraso na canonização era culpa dos espanhóis (por Santiago!) e a sugerir que ele próprio tinha desempenhado um papel na aceleração do processo (por S. Jorge!). De facto, o candidato a rei é autor de um opúsculo laudatório do Beato Nuno, onde se pode ler esta pérola: “Quando passava de Tomar a caminho de Aljubarrota, a 13 de Agosto de 1385, D. Nuno foi atraído a Cova da Iria, onde, na companhia dos seus cavaleiros, viu os cavalos do exército ajoelhar, no mesmo local onde, 532 anos mais tarde, durante as conhecidas Aparições Marianas, Deus operou o Milagre do Sol» (“D. Nuno de Santa Maria - O Santo”, ACD Editores, 2005). É mais crível que o cavalo tivesse gritado por S. Jorge... Dado o manifesto aproveitamento dos monárquicos, há quem tenha recuperado um texto de Júlio Dantas de 1909 (“Outros Tempos”, Clássica Editora). Nesse ano, ainda antes de D. Nuno ter passado a Beato Nuno, o médico e escritor republicano previa a canonização no ano de 2016, tomando abertamente o partido do cardeal-diabo, para quem o Condestável “é tão legitimamente, ou antes tão ilegitimamente canonizável como qualquer outro mestre na arte suprema de matar e de triunfar”. Contestam-no também os cépticos, não necessariamente ateus. Para isso servem-se não do milagre circense dos cavalos, que qualquer cardeal-diabo contestaria, mas do único milagre validado pelo Vaticano, a cura em 2000 de uma lesão ocular da senhora D. Guilhermina de Jesus, de Vila Franca de Xira. Estava ela a fritar (seria irónico se fosse com azeite “Condestável”!) quando um salpico lhe entrou para um olho. Apesar da ajuda de um colírio, a cura só terá sido conseguida quando ela tocou a vista com uma imagem de Beato Nuno, pedindo-lhe a graça do milagre. E tal bastou para que Portugal ganhasse o novo santo.Que responder a uns e a outros? Eu, que a respeito, acho que a Igreja se podia dar mais ao respeito, explicando melhor. Um padre meu amigo diz que para se ser católico não é preciso acreditar nos milagres de Fátima. Espero bem que também não seja preciso acreditar no milagre de Vila Franca de Xira.
March 12 2009, 7:53pm | Comments »
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Religião e moral
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Eis a minha habitual crónica das terças-feiras do Público:Quando se conta a história de Galileu, esquece-se que ele era um homem profundamente religioso — e obviamente mais religioso do que os palermas que o condenaram a uma ultrajante prisão domiciliária. Quem o condenou prestou um mau serviço à igreja católica, dando-lhe uma imagem em que os mais genuínos católicos evidentemente não se reconhecem hoje, nem jamais se reconheceram.O mesmo acontece hoje com muitas posições publicamente defendidas pelos dignitários da igreja católica. Cedendo à máxima política e publicitária de que o que é preciso é aparecer, acabam por prejudicar a sua própria igreja, defendendo ideias que não são apropriadamente católicas, nem sequer religiosas, mas meros preconceitos de gente de vistas curtas. O casamento dos homossexuais, a pílula e o divórcio surgem assim tolamente como temas de suma importância religiosa e é claro que as pessoas que sentem ansiedades espirituais não pensam que estes temas tenham algo a ver com isso — e voltam-se para outras espiritualidades. Depois os católicos perguntam-se por que razão quase não têm padres nem gente a assistir às missas.A igreja católica é hoje vista por muitas pessoas religiosas como uma instituição dedicada à defesa do preconceito tolo, em vez de se dedicar à promoção da vida espiritual. Católicas praticantes e genuínas tomam a pílula e defendem o casamento dos homossexuais e dos padres, assim como o direito das mulheres a celebrar missa. Sofrem em silêncio as tolices da igreja católica à espera de melhores dias.Isto não tem de ser assim. Os altos dignitários da igreja católica poderiam ser bondosos e sensíveis, e sobretudo mais genuinamente espirituais. Poderiam falar de questões genuinamente religiosas e espirituais em vez de insistir tolamente em usar o seu poder mediático para dar voz a preconceitos pessoais, e que nada têm a ver com os ensinamentos de Jesus Cristo, nem dos grandes filósofos cristãos e católicos. Poderiam falar da importância da bondade e da tolerância e defender que, independentemente das suas escolhas sexuais, Deus ama e apoia os seres humanos e convida-os a serem genuinamente boas pessoas, sendo irrelevante como fazem amor ou com quem. Poderiam, em suma, ser genuínos guias espirituais.A genuína espiritualidade não se encontra talvez junto desses dignitários, mas junto dos mais humildes católicos, padres ou não. São eles que partilham a sua vida com os outros e que cultivam a genuína bondade e tolerância e abertura cristã. E acolhem os seus irmãos sem lhes perguntar se tomam a pílula nem se inquietarem com as suas orientações sexuais — e sem sugerirem que por serem homossexuais são um perigo para a civilização e que por isso não devem poder educar crianças. Talvez Jesus Cristo hoje dissesse aos mais altos dignitários de uma das suas igrejas para porem os olhos nos mais humildes cristãos, que é onde se encontra a espiritualidade genuína. Afinal, foi precisamente isso que Jesus disse aos altos dignitários religiosos do seu tempo. Que por isso o traíram.
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March 10 2009, 2:27pm | Comments »
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Darwin fracassou?
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Markus Becker é o autor de um artigo na revista alemã DER SPIEGEL com o título acima. Transcrevemos, na tradução portuguesa publicada no Brasil, dados estatísticos sobre a crença religiosa em vários países (clicar para ver melhor o gráfico). Para ler o artigo todo em português clicar aqui. "Segundo uma pesquisa concluída pela Comissão Europeia no início de 2005, 52% dos cidadãos da União Europeia acreditam em Deus. Cerca de um entre quatro europeus declarou que apesar de não acreditar em um Deus pessoal, ele acredita em "um tipo de espírito ou força vital". E apenas 18% disseram não acreditar. A Alemanha ficou situada no bloco intermediário dos países pesquisados, com 47% dos entrevistados declarando uma crença em Deus. Segundo o estudo de 2005, 25% dos alemães disseram acreditar em um poder superior que não Deus, enquanto outros 25% não acreditavam em nenhum dos dois.Em uma comparação internacional, esses números ainda colocam a Alemanha e a UE entre as regiões mais seculares do mundo. Nos Estados Unidos, a Organização Gallup realiza pesquisas que perguntam às pessoas sobre Deus e ciência. Segundo o mais recente resultado, apenas 14% acreditam que o Homo sapiens chegou ao mundo em conseqüência exclusiva da evolução. Segundo 36% das pessoas, a evolução ocorreu, mas guiada por Deus. O maior grupo, envolvendo 44%, acredita que o próprio Todo-Poderoso criou o homem em sua forma atual - e que isso ocorreu há não mais que 10 mil anos.Mesmo no país de origem de Darwin, o Reino Unido, a maioria dos cidadãos não mais adere à teoria da evolução, como mostrou uma pesquisa de 2006. Apenas 48% dos britânicos alegam acreditar nela. Mais de 40% gostariam de ver a história bíblica da criação lecionada nas escolas públicas - e não apenas nas aulas de religião, mas também nas de biologia. Um entre quatro professores do ensino público concorda."
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January 26 2009, 6:22pm | Comments »
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CIÊNCIA E RELIGIÃO
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Como o tema da ciência e religião tem sido aqui muito discutido, transcrevemos a opinião de Frei Bento Domingues na última parte da sua crónica dominical no "Público". Sobre as convicções religiosas de Darwin o melhor é ver o seu depoimento na "Autobiografia" que se encontra aqui."(...) Não me parece que a ciência de R. Dawkins vá substituir a religião. Como dizia o poeta Eliot, "não há nada neste mundo ou no outro que possa ser substituto de outra coisa". Já referi a obra de resposta de Alister McGrath a Dawkins que termina com um convite: "Temos muito a ganhar com um debate comum, cordato e rigoroso. A questão acerca da existência de Deus - e como será Deus se existir - mantém ainda toda a sua importância intelectual e pessoal nesta época pós-Darwin. Encontramos mentes fechadas de ambos os lados da barricada. Os cientistas e os teólogos têm muito a aprender uns com os outros". Foi, aliás, nesse processo, que este biólogo passou de ateu a cristão, sentiu a necessidade de se doutorar em Teologia e, sem deixar a prática científica, tornou-se padre da Igreja anglicana.Para superar este abismo entre as mentes fechadas, fundamentalistas, de ambos os lados, um outro biólogo, presidente da American Association for the Advancement of Science, Francisco J. Ayala (1), escreveu uma obra, mostrando que não há contradição necessária entre a ciência e as crenças religiosas. "A ciência procura descobrir e explicar os processos da natureza: o movimento dos planetas, a composição da matéria e do espaço, a origem e a função dos organismos. A religião trata do significado e propósito do universo e da vida, as relações apropriadas entre os humanos e o seu criador, os valores morais que inspiram e guiam a vida humana. A ciência não tem nada a dizer sobre essas matérias, nem é assunto da religião oferecer explicações científicas para os fenómenos naturais. (...) O Deus da revelação e da fé cristã é um Deus de amor, misericórdia e sabedoria". Como se dizia na antiga Missa, o Deus que alegra a minha juventude.Ayala, no balanço final do seu percurso, verifica que "a evolução e a fé religiosa não são incompatíveis. Os crentes podem ver a presença de Deus no poder criativo do processo de selecção natural de Darwin". Era esta, aliás, a convicção do próprio Darwin."(1) Francisco J. Ayala, Darwin y el Diseño Inteligente, Madrid, Alianza, 2008Frei Bento Domingues
January 25 2009, 8:17am | Comments »
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A herança de Darwin
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Minhas declarações à Lusa a propósito do ano Darwin:A herança de Darwin é extraordinária: grande logo à partida, tem rendido juros que se têm acumulado neste século e meio e continua a render! Como um biólogo ilustre disse, "nada na biologia faz sentido a não ser à luz da evolução". A teoria da evolução é uma grande teoria unificadora na Biologia pois permite explicar de uma maneira bastante simples toda a variedade e complexidade do mundo vivo, incluindo neste a nossa espécie. O sábio inglês afirmou que pequenas causas fazem, ao longo de muitos e muitos anos, grandes efeitos. Foi assim que a partir de organismos primitivos chegámos à riqueza do mundo vivo que hoje vemos. Foi assim que a partir de seres unicelulares se chegou ao homem. A origem da vida continua a ser algo misterioso, mas o seu desenvolvimento passou a ser claro. Darwin não conhecia os mecanismos da genética, mas, desde que estes se conhecem, percebe-se que as pequenas causas são alterações genéticas (pode sempre haver erros numa cópia). Essas pequenas causas serão ocasionais, mas o processo de selecção natural, que tem a ver com a melhor adaptação ao meio, faz com que umas espécies triunfem ao passo que outras não. Por exemplo, a nossa triunfou ao passo que as trilobites não. Na gigantesca árvore da vida nós estamos num ramo sobrevivente tal como milhões de outras espécies. Mas muitos outros ramos terminaram. Esta visão racional da história da vida, baseada em todas as observações e experiências disponíveis, não tem sequer nenhuma outra que lhe faça frente. Pode haver falhas aqui e ali, mas são falhas de pormenor numa visão global que faz sentido. Darwin, baseado nas suas cuidadosas e prolongadas observações na viagem à volta do mundo, teve uma intuição de génio e, como compreensão geral da prodigiosa biodiversidade, essa intuição não foi ultrapassada. Darwin mudou a nossa visão do mundo tal como, na física, Galileu.Curiosamente, o ano Darwin é também o ano de Galileu, que assinala os 400 anos das primeiras observações astronómicas feitas com o telescópio. Tal como Galileu, Darwin baseou-se na observação. Tal como este verificou regularidades no Universo. Tal como ele, trouxe uma nova visão do lugar do homem. E, tal como ele, enfrentou a incompreensão, nomeadamente por parte de alguns poderes eclesiásticos. O lugar central do homem no Universo ficou seriamente abalado com Galileu e o lugar especial do homem no conjunto dos seres vivos não ficou menos abalado com Darwin. O triunfo maior de Darwin será talvez encontrar vida noutros sítios do Universo e descobrir que também aí as leis da evolução também funcionaram, dando resultados provavelmente ainda mais diversos e surpreendentes daqueles, já de si tão diversos e surpreendentes, que encontramos no planeta Terra. A revista "New Scientist" pediu recentemente a vários cientistas para dizer qual foi mais importante, se Galileu se Darwin. Uns são por Darwin, outros por Galileu. Eu não sei decidir: apesar de ser físico, sou pelos dois... Os dois, cada um à sua maneira, fizeram com que hoje saibamos melhor onde estamos e quem somos. Há quem pense que o homem terá descido do seu pedestal, eu, como muitos outros cientistas, penso que esse pedestal era falso. Somos parte do vasto e variado Universo. Não somos estranhos num sítio estranho, mas sim uma parte natural de um Universo que, embora ainda mal conhecido, cada vez conhecemos mais e melhor. Aliás, enquanto não se encontrar vida inteligente noutros sítios do Universo, somos a única parte do Universo que quer saber dele, que o quer compreender, e que, felizmente, o consegue compreender. A ciência é uma forma de cultura e, com Galileu e Darwin, a nossa cultura ficou mais rica.Ao contrário de Galileu, Darwin enfrenta ainda hoje alguma incompreensão. Os inimigos de Darwin são os inimigos da ciência, os descendentes daqueles que ontem condenaram Galileu. Há quem pense, pasme-se, que a ideia de criacionismo, assente num leitura literal da Bíblia (ao fim e ao cabo a mesma leitura que fizeram os que condenaram Galileu), está em disputa com a ideia da selecção natural de Darwin. Não está, não jogam sequer uma com a outra porque simplesmente são de campeonatos diferentes. Ciência e religião são dimensões humanas diferentes, que, apesar das suas grandes diferenças, podem coexistir pacificamente. Quando disputam uma com a outra, como por vezes acontece, pode ser mau para uma e para outra. Os criacionistas, que se encontram em largo número nas igrejas evangélicas (nos Estados Unidos, inquéritos sociológicos mostram que a maior parte das pessoas acredita em Galileu, mas não em Darwin), recusam-se a aceitar as regras do jogo da ciência, que passam por aceitar as decisões do "árbitro" que é o Universo, que "apita" através da observação e da experiência. Por mim, são livres de jogarem o jogo deles, uns com os outros, mas não nos obriguem a jogar com eles. Eu não quero jogar com eles! Eu quero jogar o jogo da racionalidade e não o da irracionalidade. E a sociedade moderna, que assenta largamente no "jogo da ciência", na progressiva compreensão do Universo em que vivemos, faz bem em não querer nem jogar nem sequer pagar nem assistir ao jogo deles. Se o fizesse correria o grande risco de deixar de ser moderna...
January 23 2009, 3:03pm | Comments »
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DARWIN SOBRE DEUS
http://dererummundi.blogspot.com/2009/01/darwin-sobre-deus-na-sua-autobiografia.html
Darwin sobre Deus na sua "Autobiografia":"Outra fonte de convicção quanto à existência de Deus, ligada com a razão e não com os sentimentos, influencia-me como tendo muito mais peso. É uma questão da extrema dificuldade, ou melhor, impossibilidade, de conceber este imenso e maravilhoso universo, incluindo o homem com a sua capacidade de olhar para o passado distante e para o futuro longínquo, como sendo o resultado do acaso cego ou da necessidade. Quando começo a reflectir assim, sinto-me obrigado a recorrer a uma Causa Inicial que possua uma mente inteligente, até certo ponto análoga à mente do homem; e mereço ser chamado Teísta.Esta conclusão estava fortemente implantada na minha mente, tanto quanto me posso recordar, pela altura em que escrevi "A Origem das Espécies"; e foi depois disso que se tornou gradualmente mais fraca, com muitas flutuações.Mas então surge a dúvida - será que a mente do homem, que se desenvolveu, como creio sem reservas, a partir de uma mente tão primitiva como aquela que o animal mais primitivo possui, é de confiança relativamente à sua capacidade de inferir conclusões tão grandiosas? Será que não são simplesmente o resultado da ligação entre causa e efeito que nos impressiona como sendo necessária, mas provavelmente depende apenas da experiência herdada? Nem devemos deixar de considerar a probabilidade de que a constante inculcação da crença em Deus na mente das crianças possa produzir um efeito tão intenso, e talvez herdável, nos seus cérebros ainda não completamente desenvolvidos, que depois é tão difícil para elas abandonarem a sua crença como é para um macaco abandonar o seu medo intenso e instintivo de cobras. Não posso pretender lançar luz dobre problemas tão abstrusas. O mistério do início de todas as coisas é insolúvel para nós; e por isso contento-me em permanecer Agnóstico"- Charles Darwin, "Autobiografia", Relógio d' Água, Lisboa, 2004, tradução, introdução e notas de Teresa Avelar (original de 1887, publicado postumamente pelo seu filho Francis, que cortou partes do texto, satisfazendo pedidos da sua mãe Emma e sua irmã Henrietta, que eram crentes).
January 21 2009, 4:15pm | Comments »
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NOVOS LIVROS NA BIZÂNCIO
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Ano novo, novos livros. Eis duas propostas da Bizâncio em informação recebida desse editor:Título: Os Soldados da Sombra, Ascensão e Afirmação do Império AmericanoAutor: Alex AbellaColecção: Temas de Hoje, nº 10Págs.: 344A primeira vez que se conta a história do laboratório de ideias que, na sombra, moldou o mundo moderno.Durante mais de cinquenta anos, em Santa Mónica, erguia-se um edifício dos anos 50 que mais parecia uma deteriorada escola secundária. Mas por detrás dessas deselegantes paredes trabalhava o mais notável grupo de pensadores da inacreditavelmente influente RAND Corporation. Nascida no rescaldo da Segunda Guerra Mundial como uma fábrica de ideias destinada a aconselhar a força aérea sobre a melhor forma de ganhar guerras, a RAND depressa atraiu os maiores génios do país e tornou-se a criadora da estratégia nuclear da América na sua luta contra os soviéticos, chegando a ser considerada num editorial do Pravda a «Academia da Ciência e da Morte». Atraindo uma elite de jovens geniais, que ficavam entretidos, noite fora, com «jogos de guerra» que eles próprios inventavam, acabou por reconfigurar todo o sistema nuclear de defesa americano, criar conceitos e sistemas de análise, inventar a Internet e acabou por aceder aos corredores do poder onde até hoje exerce a sua influência. Após décadas e décadas de secretismo, o autor conseguiu acesso privilegiado aos arquivos da RAND Corporation, trazendo-nos esta obra indispensável sobre a instituição que apoiou e definiu as políticas de governos americanos durante mais de cinquenta anos e que moldou o mundo em que vivemos.______________________________________________________________Título: Os Fatimidas e as suas Tradições de EnsinoAutor: Heinz HalmPágs.: 144A era Fatimida foi uma época de ouro dos alvores do pensamento e da literatura islâmicas, em que os Imams Ismailis governaram vastas áreas do mundo muçulmano, como califas Fatimidas, dando importantes contributos para a civilização islâmica. Neste período, a fama e prosperidade do Cairo, a capital Fatimida, atraía os intelectuais de todos os sectores, homens das ciências, das letras e das artes, tornando-a num dos principais centros culturais e científicos do mundo islâmico. Os Fatimidas e as Suas Tradições de Ensino investiga, sob uma perspectiva histórica, as tradições intelectuais que se desenvolveram entre os Ismailis. Reporta-se à formação do estado Fatimida no norte de África, desde a sua fundação no século X, até ao fulgor cultural a que o autor chama «uma das maiores eras da história egípcia e da história islâmica em geral». Heinz Halm estuda a formação dos dā‘īs, ou missionários Ismailis, a criação de instituições académicas como al-Azhar e Dar al-‘Ilm (Casa do Conhecimento), através das quais os Fatimidas impulsionavam o estudo e as especiais «sessões de sabedoria» (majālis al-ḥikma), destinadas à instrução dos Ismailis em ensinamento esotérico. Este livro torna-se um contributo inestimável para quantos se dedicam aos estudos Ismailis, ao pensamento islâmico e à História Medieval.
January 15 2009, 11:04am | Comments »
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Blasfémias
http://dererummundi.blogspot.com/2009/01/blasfmias.html
A palavra heresia, do grego haerĕsis, significa escolha, preferência, gosto particular, escolha filosófica, inclinação ou preferência filosófica ou por uma escola de pensamento. Já a etimologia de outra palavra intimamente ligada, blasfémia - do grego blaptein, injuriar, e pheme, reputação -, indica-nos que na sua génese se referia a irreverência face a uma pessoa ou algo considerado de elevada estima.Com o advento do cristianismo, ambas as palavras evoluíram, assumindo significados exclusivamente dirigidos para a religião cristã, isto é, heresia passou a ser uma declaração contra a fé cristã como interpretada pela hierarquia da Igreja e blasfémia perdeu a sua dimensão humana. A conjunção de ambas as palavras foi considerada especialmente grave, isto é, uma blasfémia herética, como dizer que Deus é um produto dos homens ou negar a natureza divina do Cristo, era (e aparentemente continua a ser) um «pecado» mortal dos mais graves (com isto significando durante muito tempo merecedor de morte).É assim curioso o Desidério ter referido a palavra blasfémia no contexto do que tem acendido o De Rerum Natura, o artigo que escreveu para o Público de 24 de Dezembro sobre as observações «ecológicas» de Bento XVI. É curioso porque o artigo foi escrito ao mesmo tempo que a Assembleia Geral da ONU votava pelo quarto ano consecutivo uma resolução condenando a blasfémia, ou antes, a «difamação» da religião - a boa notícia nesta história é que o apoio à resolução tem diminuido consideravelmente ao longo dos anos, não obstante este ano a China e a Rússia terem decidido apoiar os estados islâmicos seus proponentes.Mas é mais curioso porque nessa mesma edição, o meu pequeno parágrafo perdido no meio de duas páginas de respostas à pergunta que o Público colocou a 18 pessoas, sobre o que faria/como seria Jesus se viesse hoje à Terra: Se é que existiu alguém chamado Jesus, seria uma pessoa normalíssima. Seria igualzinho a nós, em nada seria diferente. Tenho muita curiosidade sobre o assunto e já li muitos autores que divergem quanto à existência histórica de Jesus. Tenho sérias dúvidas que tivesse existido.causou reacções semelhantes, não nas cartas de leitores mas nas minhas caixas de mail. Mais concretamente, tive um entupimento de mensagens de pessoas que se sentiram insultadas/incomodadas com a minha resposta deram ao trabalho de me procurar no Google para informarem enfaticamente - a maioria no meio de imensas considerações sobre a minha mãe, a minha vida sexual, a minha integridade física e mental e quejandos -, que eu não tinha o direito de pensar uma heresia blasfema destas, muito menos tinha direito de a dizer publicamente.Achei especialmente divertido um mui indignado senhor, que, de dedo virtual em riste, me admoestava dizendo, entre outras tolices, que uma professora universitária tinha «responsabilidades» sociais e não podia arrogar-se ao escândalo de se afirmar ateia nem dizer «blasfémias» destas já que poderia influenciar os mais «vulneráveis» intelectualmente.Não me estou nem a vitimizar nem a queixar do teor dos mails, embora discordando de alguns pontos do texto subscrevo o Desidério, não só quando este diz que« as pessoas devem ter direito às suas tolices» mas também quando noutra crónica constatou que muitos pensam que liberdade de expressão significa que «cada qual pode dizer o que quiser, desde que não me insulte nem me ofenda nem ponha em causa as minhas causas mais queridas nem chame nomes feios à minha gata». Apenas acho espantoso que aqueles que exercem tão vigorosamente o seu direito às liberdades de opinião e expressão as neguem a mim apenas porque o que penso e digo é diverso daquilo em que creêm. Não posso deixar de considerar igualmente espantoso que alguns acusem (também virtualmente) ser «cristianofobia» o facto de pensar como penso. Isto é, não consigo perceber os processos mentais de alguém que acha que sou ateia de propósito para chatear os cristãos e para perseguir a fé. Devem ser mistérios da dita que me ultrapassam ... mas me preocupam exactamente pelas razões que preocupam os que criticaram a resolução da ONU (felizmente não vinculativa), que considera numa das cláusulas que as liberdades de expressão e opinião «carries with it special duties and responsibilities and may therefore be subject to limitations».As liberdades de expressão e de opinião são fundamentais numa nossa sociedade democrática e livre. Foram opiniões fora do baralho que sensibilizaram consciências e conduziram à abolição da escravatura, à instituição da democracia, à igualdade de direitos para todos, independentemente de cor da epiderme, credo, sexo ou opção sexual. Pretender que apenas as ortodoxias religiosas de todas as cores têm direito pleno a elas e que todos os outros estão limitados à concordância - ou pelo menos abstenção de críticas - com essa ortodoxia é o caminho certo para a reversão da sociedade que construímos. Por estas razões, este hate mail incomodou-me, não pelo conteúdo ou pelos insultos, mas apenas pelo espírito totalitário que lhe está subjacente.
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January 8 2009, 5:37am | Comments »
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Questionando a existência de Maomé
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Uma controvérsia acesa desenrola-se em terras teutónicas sobre a existência histórica de Maomé. A polémica reacendeu na Alemanha há cerca de três anos com a publicação do livro «The dark beginnings: new research on the origin and early history of Islam» (Die dunklen Anfange. Neue Forschungen zur Entstehung und frühen Geschichte des Islam). No livro, Karl-Heinz Ohlig, professor de Estudos Religiosos e História do Cristianismo na Universidade de Saarland, considera que as evidências existentes sugerem que o islamismo era nos primórdios uma seita cristã e que Maomé provavelmente nunca existiu. Como refere Ohlig: According to the evidence of Christian literature under Arab rule from the 7th and 8th centuries, as well as from Arab coinage and inscriptions from this period, such as that on the Dome of the Rock in Jerusalem, the new rulers adhered to a Syrian-Persian form of Christianity that rejected the decisions of the Council of Nicaea*. Instead, it regarded Jesus as the messenger, the prophet, the servant of God, but not the physical son of God, who is a strictly unitary being not "adjoined" to any person. The fathers of the Church, for instance, regarded John of Damascus (d. around 750) as a heretic, because his Greek understanding of Christianity did not correspond to their views. There is no mention of a new, independent religion of the Arabs before the 9th century. Ohlig explica ainda a origem do nome Maomé com base nas inscrições encontradas em moedas da época: Muhammad means 'the blessed one' (benedictus), and what the coins show is Jesus.... Muhammad was, following this, originally a Christological title, like the predicate God's servant ('abd-allah'), prophet, messenger, messiah. The predicate muhammad then broke free of its original reference to Jesus, and was historicised in the figure of an Arab prophet with the name Muhammad, while the second title, 'abd-allah', became the name of the Prophet's father. This historicisation of the Christological predicate took place in the first half of the eighth century. Toward the end of the eighth century and the beginning of the ninth, as the Koranic movement established itself as the independent religion of Islam, Muhammad evolved into the founder of this religion, and the events were relocated to the Arabs' homeland. A polémica atingiu novas proporções com as declarações recentes de um estudioso do Islão de renome internacional, Muhammad Sven Kalisch, 42, que dirige os Estudos Islâmicos na Universidade de Muenster - e que forma os docentes que ensinam esta religião para o número crescente de muçulmanos nas escolas secundárias alemãs. Kalisch revela que a conclusão de que Maomé muito provavelmente nunca existiu decorre naturalmente de muitos anos de investigação histórica rigorosa. Kalisch, que contrariamente ao que algumas rumores dizem, não se escondeu com medo das reacções que as suas declarações provocaram e de que o The Wall Street Journal nos dá conta -, declarou ainda que considera que as três grandes religiões monoteístas têm origens míticas, ou seja, que Moisés, Abraão, Jesus Cristo e outros patriarcas judeus nunca existiram: "My position with regard to the historical existence of Muhammad is that I believe neither his existence nor his non-existence can be proven," Kalisch said in a statement. "I, however, lean toward the non-existence." He told the Star he holds the same position regarding Abraham, Moses and the other Jewish patriarchs, as well as Jesus Christ. There have been threats, campaigns for his dismissal from his post, and dozens of media interviews, commentaries and editorials. According to Der Spiegel magazine, a group of more than 30 German academics have signed a petition supporting Kalisch's right to scholarly freedom of expression. Kalisch explica ainda o que sugere serem as origens gnósticas das mitologias subjacentes a estas religiões The myth of Mohammed ... could be the product of a Gnosis, which wanted to present its theology in a new and original myth with a new protagonist, but actually is the old protagonist (Moses, Jesus). For the Gnostics it always was clear, that the issue was not historical truth, but rather theology. Moses, Jesus and Mohammed were only different characterizations of a mythic hero or son of god, who would depict an old spiritual teaching in mythical form. Gostei em particular da forma como Kalisch termina a entrevista ao Star:Asked whether he thought his public airings of his findings will destroy peoples' faith, he said: "It will destroy a literalist faith, a faith no longer reliable because of reason. But, the God I believe in is not a god of literalists. He is the Ultimate One. God doesn't write books. All the various sacred books are the product of human minds and experiences. They can be helpful but they must be interpreted for today." Kalisch maintains non-Muslim scholars who agree with his hypothesis but keep silent out of "respect" for Muslims are in fact treating them as though they can't handle the truth. "That's not respect, it's putting Muslims on the same level as small children who can't think and decide for themselves and whose illusions of Santa Claus or the Easter Bunny one doesn't want to destroy."
December 28 2008, 1:26am | Comments »





