Retraimento? Se a modernidade escolar se definiu por transbordamento, é possível que a contemporaneidade da escola se caracterize por um processo de retraimento. Eu sei que esta “contenção” não nos deve fazer esquecer as aquisições da modernidade sobre a educação integral, a importância dos contextos sociais ou a autoformação, entre tantos outros temas que estão inscritos no nosso património pedagógico.Mas a escola não pode tudo. E, por isso, parece-me imprescindível que ela se reencontre como organização centrada na aprendizagem, partilhando com outras instâncias um trabalho educativo mais amplo. Não quero separar o que está, inevitavelmente, ligado. Pretendo, sim, valorizar uma educação escolar preocupada, fundamentalmente, com a aprendizagem dos alunos. Esta opção permitir-nos-á concentrar os esforços e libertar outras dimensões da formação de uma matriz excessivamente escolarizante.Uma sociedade que se diz do conhecimento tem de criar redes e instituições que, para além da escola, se ocupem da formação, da cultura, da ciência, da arte, do desporto. Estou a pensar no que tenho designado por espaço público da educação, um espaço que integra a escola como um dos seus pólos principais, mas que é ocupado por uma diversidade de outras instâncias familiares e sociais.Re-instituir a escola obriga-nos a imaginar novas modalidades de organização, formais e informais, num esforço lento e persistente de inovação. Ao gesto grandioso prefiro a paciência de treinar todos os dias, pois “se não realizarmos este treino diário perdemos a forma, perdemos a pujança, ficamos incapazes de ganhar a prova” (António Sérgio, 1929).É modesto o que vos proponho? Talvez. Mas depois de todos os excessos e de todas as ilusões é preciso ser prudente.António Nóvoa, Obra citada infraNa modéstida do pensar, toda uma interpelação exigente.
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João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
Uma Política de Retraimento
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April 11 2010, 12:12pm | Comments »
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