"Drogado de saber? Gosto que o saber faça viver, cultive, gosto de fazer dele carne e casa, que ajude a beber e a comer, a caminhar lentamente, amar, morrer, por vezes renascer, gosto de dormir entre os seus lençóis, que ele não me seja exterior. Ora ele perdeu este valor vital; é preciso curarmo-nos do saber. Cortado em pedaços miúdos, aparentemente novo em cada bocado absorvido, depressa monótono, depressa antiquado, passando rápido, e mais em Inflação que em verdadeiro crescimento, o saber contido nas teses, nos artigos, nas revistas clentrflcas, tomou a mesma forma da informação despejada pelos jornais, escritos, falados ou visuais, pelo conjunto dos media, ou que um maço de notas ou um maço de cigarros, dividido em unidades, cedo classificadas no banco de dados, codificadas.[ ... ] O saber sensato cura e forma o corpo, embeleza. Quanto mais presto atenção e procuro, mais penso. Penso, logo sou belo. O mundo é belo, logo penso. O saber não pode dispensar a beleza. Procuro uma ciência bela.A partir de uma certa idade da sua história, a ciência deve responder pelo seu rosto, pela beleza que representa e produz. Renuncio ao saber na sua forma actual, porque ele desfela homens e coisas, porque envelhece mal e não conseguiu formar os nossos filhos. Traz consigo fealdade e morte, a máscara retorclda da tragédia. A partir de uma certa Idade, a ciência deve ser a resposta das crianças. Sai o sábio, eis a criança." (Michel SERRES, Les cinq sens, Paris, Grasset, 1985, pp. 110-112)
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Ensaio sobre o Saber
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June 10 2010, 5:06pm | Comments »
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Passar do Ensino para a Pesquisa
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Desafiado pelo Paulo Prudêncio, li um post interessante que nos faz pensar (sendo isto o mais importante). Mas num aspecto discordo da deambulação teórico-prática:Hubert Hannoun propôs a tese da ultrapassagem com os conteúdos de ensino como intermediadores do conflito. Só se ensina o que se sabe e a garantia dessa autoridade é o oxigénio da democracia: no presente e no futuro e tanto ontem como hoje.Porque ensinamos, muitas vezes, o que somos (e não sabemos). E sobretudo, chegamos a uma idade em que é preciso ensinar o não se sabe. E a isto se pode chamar procurar, investigar. Em larga medida, o professor deveria ser este actor que desencadeia os processos da procura da resposta para os problemas. Depois de ter discordado, procurei o meu fundamento no círculo das leituras e reflexões que me fizeram e encontrei Roland Barthes (o linguística, o semiólogo, o ensaista, o escritor...) e as célebres 3 idades: ensinar o que se sabe, ensinar o que não se sabe, e a idade do desaprender.
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January 24 2010, 8:05am | Comments »
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Promessa de Fuga ao Saber Feito
http://terrear.blogspot.com/2010/01/promessa-de-fuga-ao-saber-feito.html
Do que li hoje, até este momento, destaco as palavras de uma aluna (que me faz lembrar Sophia - os homens sábios tinham decretado que só havia o mundo conhecido.... algo assim ) :"(...)É que fazer de mim um cidadão aprendente, traz a responsabilidade da fuga ao saber feito, mas afaga a alma, tal qual a criança que caminha em descoberta." Mais rigosamente:Navegavam sem os mapas que faziam(atrás deixando conluios e conversasintrigas surdas de bordéis e paços)Os homens sábios tinham concluídoQue só podia haver o já sabido:Para a frente era só o inavegávelSob um clamor de um sol inabitávelIndecifrada escrita de outros astrosNo silêncio das zonas nebulosasTrémula bússola tacteava espaçosDepois surgiram as costas luminosasSilêncios e palmares frescor ardenteE o brilho do visível frente e frente.in Navegações VI
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January 17 2010, 5:44am | Comments »
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A Festa
http://terrear.blogspot.com/2009/11/festa.html
Ontem, a última lição dos alunos do curso SPAD do Porto. Com uma diversidade de métodos, suportes, interpelações, memórias. Seguida de um jantar na Praia da Luz. Belo sítio, belo nome. E belos, sobretudo, os momentos de evocação de um percurso de múltiplas aprendizagens. De gratificação pessoal e profissional. De saberes, de sabores. Relembrando, EPC:“Sabemos que, em latim, havia duas formas concorrentes: o sapere e o scrire. De scire veio toda a nossa ciência. Mas scire corresponde à ideia de um conhecimento que apreende o objecto na medida em que o separa, o recorta, o divide, em relação às restantes coisas. É um gesto de discernir ou de distinguir. O sapere aproxima-se das coisas a partir do que elas têm de único: o sabor, o gosto. Sucede que sapere se foi sobrepondo a scire e deu o saber de que hoje dispomos, mas um saber que recolheu as características mais puritanas da tradição científica: e fica um saber que não sabe a nada”.Mas aqui, neste curso -como aliás, no de Lisboa, o saber não perdeu o sapere. A festa final organizada pelos alunos foi a evidência disto mesmo. Por isso, feliz por ter sido implicado nesta comemoração de um final que será um início. Obrigado a todos e a todas.
November 28 2009, 4:47pm | Comments »
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Querer, Saber, Poder
http://terrear.blogspot.com/2009/11/querer-saber-poder.html
Em qualquer análise dos processos (edos resultados) de mudança é clássicoo recurso ao triângulo do querer, saber,poder.Para haver uma mudança efectiva é precisoreunir três condições básicas e organizá-las segundo uma ordem precisa:primeiro, é preciso querer, (acender a vontade), é preciso desejarmudar; e para alguém querer torna-se necessário ver as vantagens reaise simbólicas, considerar que a vida profissionalvai ser melhor, que as exigênciasvão valer a pena, que os resultadoseducativos esperados são congruentescom um determinado ideário político epedagógico.Admitindo que existe querer é entãodepois preciso saber. Saber como seatingem as metas, os objectivos. Saberquais são os problemas e as suas causas.Saber como se interessam e mobilizamas pessoas para as mudanças (quepodem comportar sacrifícios). Saber ahistória dos êxitos e insucessos passados.Saber o que é uma escola, as lógicasda acção concreta, as culturas instaladas.Saber as articulações, os danoscolaterais das mudanças, os aliados preferenciais,os inimigos declarados.Admitindo que existe um querer e umsaber é então necessário recorrer ao poderde fazer, à mobilização de meios, derecursos, à integração de estratégias, àtransformação de contextos. Em largamedida, o poder decorre das duas condiçõesanteriores. Sem o querer e osaber não há poder possível… há apenaso seu simulacro.Ora, olhando as nossas realidades, é precisoagir para a activação destes três níveis queregulam, de forma decisiva a acção (e a inacção).
November 27 2009, 10:14am | Comments »
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