Publicado no "Diário de Coimbra".A detecção precoce de doenças neurodegenerativas (Alzheimer, Parkinson) constitui um aspecto da maior relevância clínica. Para além da sintomatologia associada à doença, até há muito pouco tempo o diagnóstico definitivo de muitas doenças passava pela identificação post-mortem de determinadas fisiopatologias.O espantoso desenvolvimento da Biologia Molecular e os avanços no conhecimento na área da Imunologia molecular, principalmente no entendimento do funcionamento do sistema imunitário adaptativo à experiência bioquímica de cada indivíduo, tem permitido o desenvolvimento de testes de diagnóstico molecular precisos, que permitem antecipar nalguns casos anos no diagnóstico de determinada doença.Contudo, se por um lado a identificação de determinada patologia pela presença de anticorpos a ela específicos no plasma sanguíneo tem permitido o desenvolvimento de testes de rastreio e diagnóstico rápidos, mais ou menos económicos, o desconhecimento das substâncias antigenas, que potenciam e elicitam a geração desses mesmos anticorpos, tem retardado o desenvolvimento desses mesmos testes para algumas doenças como é o caso da doença de Alzheimer.A nova estratégia pode traduzir-se pela possibilidade de elaborar sinteticamente um número pequeno de potenciais moldes para fazer chaves que já existem e são funcionais sem conhecermos a fechadura dessas chaves! Esta estratégia permite-nos identificar a presença das chaves e deduzir a existência ou presença das respectivas fechaduras. (Este exemplo é igualmente válido se trocarmos a chave pela fechadura).No último número da revista Cell, é apresentado uma nova abordagem molecular que permite a selecção de um número reduzido de moléculas sintéticas que interagem com anticorpos presentes no sangue de pacientes com determinada doença. No caso em questão, o s investigadores conseguiram, através desta metodologia, detectar anticorpos presentes no sangue de modelos animais com Alzheimer que estão ausentes no sangue de indivíduos aparentemente saudáveis.Abre-se uma nova era no diagnóstico biomolecular.António Piedade
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Biomarcadores para a Doença de Alzheimer?
http://dererummundi.blogspot.com/2011/01/biomarcadores-para-doenca-de-alzheimer.html
- Tags:
- Medicina
- saúde
- Biologia
- Bioquímica
- Alzheimer
January 12 2011, 6:54am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
A primeira administração de Insulina: 11 de Janeiro de 1922
http://dererummundi.blogspot.com/2011/01/primeira-administracao-de-insulina-11.html
Publicado em "O Despertar".Antes da descoberta e purificação da molécula Insulina, a doença diabética era, na maior parte dos casos, fatal!A associação de que determinados grupos de células no tecido exócrino pancreático, identificados primeiramente por Paul Langerhans, em 1869, estavam envolvidos no processo digestivo e na regulação dos níveis do açúcar glicose no sangue, foi progressivamente estabelecida por várias gerações de cientistas. Em 1889, o fisiologista Oskar Minkowski e o médico Joseph von Mering, mostraram que se o pâncreas de um cão fosse removido o animal desenvolvia diabetes. Em 1901, Eugene Opie demonstrou a relação causa efeito entre o estado, integridade, dos grupos de células identificados por Langerhans (em sua honra denominados ilhéus de Langerhans) e o desenvolvimento da Diabetes mellitus.Nas duas décadas seguintes foram várias as tentativas em tentar isolar as secreções dos Ilhéus de Langerhans eventualmente responsáveis pela regulação da glicemia no sangue, mas sem sucesso clínico apreciável.A história da descoberta está também condimentada com alguma controvérsia em torno de quem terá sido o primeiro cientista a demonstrar a acção de extractos de Ilhéus de Langerhans na redução da glicemia e glicosúria. Entre eles estão cientistas como Georg Ludwig Zuelzer (1906), E. L. Scott (1911-12), Israel Kleiner (1919) e o romeno Nicolau Paulescu (1921). Este último foi, para muitos, o primeiro cientista a descobrir a Insulina, mas “problemas” no registo e patente da sua descoberta impediram que fosse galardoado com o prémio Nobel pelo seu trabalho.De facto, o comité Nobel atribuiu em 1923 o prémio Nobel da Fisiologia ou Medicina a Frederick Banting e a J. J. R. Macleod pela descoberta da Insulina e sua administração num humano diabético. Estes laureados, descontentes com a decisão do comité Nobel, dividiram o reconhecimento com outros dois cientistas que, segundo eles, tinham sido decisivos no isolamento e purificação da insulina: Charles Best, assistente de Macleod, e o bioquímico Bertram Collip convidado por Banting para o trabalho laboratorial “pesado” de isolamento e purificação. Deve-se a Collip a obtenção do primeiro extracto de insulina purificado a partir de ilhéus de Langerhans de fetos de bezerro. Esta foi a fonte para o extracto a ser utilizado no primeiro ser humano a ser injectado com insulina: Leonard Thompson. Com 14 anos de idade, o adolescente diabético foi injectado pela primeira vez no dia 11 de Janeiro de 1922 (há 89 anos) com um extracto impuro, o que lhe causou uma reacção alérgica severa.As injecções foram suspensas enquanto Collip não conseguiu melhorar o protocolo experimental e conseguir purificar o extracto. Conseguiu-o depois de 12 dias de intenso trabalho laboratorial. No dia 23 de Janeiro de 1922, Leonard recebeu uma injecção do novo extracto purificado o que lhe retirou os sintomas diabéticos sem lhe causar reacções e complicações indesejadas. Foi um sucesso das ferramentas laboratoriais químicas aplicadas à saúde e o início de uma nova era na bioquímica clínica.A Diabetes mellitus deixava de ser uma doença fatal e passava a ser uma doença crónica.O conhecimento bioquímico conquistava qualidade de vida onde antes a esperança morria doce.António Piedade
January 11 2011, 8:45am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Partilhar Piolhos
http://dererummundi.blogspot.com/2011/01/partilhar-piolhos.html
Publicado no "Diário de Coimbra"."Companheiros" de evolução, os piolhos, insectos parasitas sugadores de sangue, sem asas, continuam a parasitar-nos por maior que seja a tecnologia e medicina de que disponhamos. A espécie humana é parasitada por três espécies: o piolho da cabeça (Pediculus humanus capitis), o do corpo (Pediculus humanus humanus) e o piolho da zona púbica (Phthirus púbis). Qual deles o mais chato!?Em idade escolar, pela maior extensão do contacto físico directo entre muitas crianças no mesmo espaço físico, é comum este parasita infestar o couro cabeludo da criançada. Refira-se que ele não escolhe cabeças, afectando indiscriminadamente infantes de todas as classes sociais e intelectuais, independentemente do seu cabelo, da sua cor de pele, simpatia política ou crença religiosa paternal. A sua atracção é pelo sangue humano de que são específicos e todos os cabelos são bons para ancorar as suas lêndeas.Como estes insectos de corpo achatado não possuem asas, está excluída a sua transmissão por via aérea. Acrescente-se que a sua presença não é sinónimo de falta de higiene mas sim de que houve um contacto directo entre um portador e o novo hospedeiro. Basta que exista uma criança contaminada para que a disseminação ocorra, sendo que a única forma de travar a infestação é a de uma acção de desparasitação colectiva sem excepções. Assim, os avisos da detecção de piolhos numa determinada classe escolar devem ser levados a sério e com a necessária consciência de responsabilidade social e de higiene pública por todos os encarregados de educação, sem excepção. Basta a incúria de um para que todos continuem parasitados com os piolhos da sub-ordem Anoplura. Consequências? Vergonha pública, é a menor das consequências. Pediculose, incómodo devido à comichão e prurido que pode infectar secundariamente com Staphylococcus aureus ou Streptococcus pyogenes. Mas o efeito mais imediato é o do eventual menor rendimento escolar por noites mal dormidas, devido a comichão intensa, o que aumenta a sonolência da criança durante as aulas e testes. Ironicamente, um piolho da cabeça não suga conhecimento mas pode contribuir para uma negativa numa prova.Pelo bem-estar de todos, assuma a sua responsabilidade social e ajude as suas crianças a eliminar esses chatos bichinhos parasitas. António Piedade
- Tags:
- saúde
- Biologia
- Epidemiologia
January 11 2011, 8:13am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
O piolho do corpo nu.
http://dererummundi.blogspot.com/2011/01/o-piolho-do-corpo-nu.html
Crónica publicada no "Diário de Coimbra".Para além do incómodo que o piolho causa ao seu hospedeiro humano, existe nele um potencial único de informação sobre a evolução da nossa própria espécie. Estes insectos parasitas sugadores de sangue e sem asas (da ordem Phthiraptera, sub-ordem Anoplura) são muito específicos ao seu hospedeiro e co-evoluem com ele. Assim, estudos sobre a evolução dos piolhos têm fornecido informação valiosa sobre a evolução da nossa espécie. De facto, há mais de uma década que antropólogos e geneticistas têm recorrido ao estudo do DNA (nuclear e mitocondrial) do piolho para nele recolherem evidências não fossilizáveis. Uma primeira abordagem geral sobre como os parasitas podem ser bons indicadores para o estudo da evolução humana pode ser consultada aqui.O estabelecimento de árvores genealógicas (filogenéticas, para ser mais preciso) da evolução das diversas espécies de piolhos que parasitaram especificamente diferentes espécies humanas, antepassados hominídeos e actuais símios, tem fornecido informação complementar e independente da do hospedeiro, corroborando teorias migratórias em vagas sucessivas para fora de África do género homo, e questionando a eventual convivência directa entre espécies diferentes. Há alguns anos (2004), num artigo publicado na PLOS Biology, David Reed mostrava a possibilidade de Homo sapiens modernos terem convivido com espécies mais “arcaicas” como o H. erectus e H. neanderthalensis pela co-divergência de espécies de piolhos que parasitaram aquelas espécies na mesma época. Num artigo publicado no último número da revista Molecular Biology and Evolution (Mol. Biol. Evol. 28(1):29–32. 2011), uma equipa de investigadores, do Museu de História Natural da Universidade da Florida, liderado por David Reed, vem mostrar que humanos anatomicamente modernos começaram a usar vestuário ainda em África. O estudo indica que os nossos antepassados começaram a usar roupa para cobrir o corpo sem pelos há cerca de 170 mil anos, altura em que os piolhos do corpo (Pediculus humanus humanus) terão divergido dos piolhos da cabeça (Pediculus humanus capitis) e da pele coberta com pelos.Refira-se, a propósito, que o genoma do Pediculus humanus humanus foi sequenciado em 2010 e publicado na revista PNAS.O uso de vestuário terá facilitado aos nossos antepassados a migração para latitudes mais elevadas com climas mais rigorosos. Uma vez que as peças de vestuário raramente fossilizam, o estudo indirecto recorrendo ao nosso mais velho insecto parasita, vem reforçar a perspectiva do desenvolvimento cultural e tecnológico ocorrido em humanos modernos em África em períodos mais recentes da nossa evolução e antes de novas e últimas migrações por todo o planeta. António Piedade
- Tags:
- saúde
- Biologia
- Evolução
- antropologia
January 10 2011, 5:52am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
O PRAZER DAS ESTATÍSTICAS
http://dererummundi.blogspot.com/2010/12/o-prazer-das-estatisticas.html
Hans Rosling mostra o progresso no mundo nos últimos 220 anos. Espectacular!
- Tags:
- economia
- saúde
- Matemática
December 28 2010, 3:29am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Entrevista a Alexandre Trindade sobre Cancro (2)
http://dererummundi.blogspot.com/2010/12/entrevista-alexandre-trindade-sobre.html
Segunda parte de uma entrevista (ver 1ª parte aqui), sobre cancro, com o Doutor Alexandre Trindade, Investigador do grupo de "Desenvolvimento Vascular" da Faculdade de Medicina Veterinária, UTL e do Instituto Gulbenkian de Ciência. Publicada no “Diário de Coimbra”.António Piedade - O que é que se sabe sobre o potencial neoplásico de células estaminais somáticas? Há alguma semelhança entre as primeiras células de um tumor e as células estaminais somáticas?Alexandre Trindade - A ideia vigente é que, retirando da equação factores ambientais, todas as células têm o mesmo potencial de mutação. Assim, o factor mais importante para que um conjunto de células de um tecido tenha um potencial oncogénico mais elevado é a existência de mutações herdadas. A ideia de que existem células com carácter estaminal num tumor é relativamente recente e alvo de um grande esforço na investigação. Descobriu-se que essas células são muitas vezes responsáveis pelos relapsos tumorais que acontecem a seguir a tratamentos de quimioterapia, pois estas células não são sensíveis a estes tratamentos. Pensa-se também que estas células tumorais estaminais podem ser também responsáveis pelo processo de metastização. Portanto, estas células, que compõem apenas uma percentagem mínima da população de células tumorais, têm uma importância elevadíssima no desenvolvimento tumoral e uma relevância muito alta também para a eficácia dos tratamentos.É muito complicado confirmar se as primeiras células de um tumor são estas células tumorais estaminais ou se estas se desdiferenciam em algum momento após o aparecimento do tumor. Pensa-se que na realidade ambas as situações possam acontecer. Haverão tumores que se formam a partir de células estaminais somáticas que ganham características cancerígenas e tumores que se formam a partir de células diferenciadas e que ao longo do seu desenvolvimento ganham um conjunto de células que, através de desdiferenciação, ganham características de células estaminais.AP - Apesar da gravidade para um organismo quando nele se desenvolve um cancro, é conhecido no processo tumoral algum papel na evolução das espécies?AT - Que eu tenha conhecimento não. A única ligação que se pode fazer está no facto de ambos os processos se basearem na acumulação de mutações genéticas. O crescimento de um cancro procede de forma análoga à evolução de uma espécie, em que mutações vão sendo acumuladas e seleccionadas. A maioria não tem grande consequência directa, sendo consideradas silenciosas, mas algumas têm impacto na função de um ou vários genes. Nesse momento ocorre selecção e a célula pode ser eliminada por apoptose ou como alvo do sistema imunitário. Se por acaso a mutação não induzir a morte celular directa ou indirecta então vai permanecer. No caso de conferir a perda do controlo do ciclo replicativo celular, por exemplo, vai conferir a essa célula uma vantagem replicativa, fazendo com que ela acabe por se multiplicar muito mais depressa que as células vizinhas, não transformadas, dando origem a um tumor. Esse tumor vai continuar a acumular mutações, mais depressa que as células não transformadas devido ao ciclo celular acelerado, aumentando a possibilidade de ganhar características malignas. Por outro lado, a evolução das espécies baseia-se largamente na aquisição de novas características que confiram vantagem reprodutiva ao nível do organismo, o que não é caso do cancro em que o conceito é aplicado ao nível celular.AP - Regressando ao processo de angiogénese, podemos dizer que ele é crítico para o desenvolvimento de um cancro? Que factores influenciam a arquitectura e a construção de vasos sanguíneos a partir dos já existentes?AT - O processo de angiogénese é um dos marcos da tumorigénese. O desenvolvimento da vasculatura procede de maneira descontínua. É baseado na interacção de factores que promovem a activação das células endoteliais, componentes celulares dos vasos sanguíneos, e factores que inibem a activação dessas mesmas células. Permanentemente há uma luta entre factores que promovem e inibem, promovendo no global um estado de estabilidade à vasculatura e permitindo um crescimento controlado quando há necessidade. Quando um cancro atinge um tamanho crítico ele necessita de recrutar vasos sanguíneos para permitir que continue a crescer. Assim ele começa a secretar factores de crescimento endoteliais que vão activar a vasculatura vizinha. É este estímulo externo que acaba por virar a balança em favor dos factores activadores e assim permitir que a vasculatura seja activada e comece a crescer na direcção do tumor. Como a vasculatura dos tumores é formada neste processo acelerado, em que a balança dos reguladores está fortemente virada para a activação, os vasos que se formam são largamente malformados e pouco funcionais, quando comparados com vasos sanguíneos de qualquer outro orgão normal. Estes vasos não são maduros, tendo uma camada de músculo liso, que normalmente cobre os vasos sanguíneos dando-lhes estrutura, mal organizada e muito permeável. Esta anormalidade é responsável por um aumento de pressão entre as células do tumor, que se reflecte numa maior dificuldade em que drogas quimioterapêuticas entrem no tumor para matar as suas células.AP - Travar a angiogénese parece ser um bom alvo terapêutico para tratar tumores e cancros sólidos. Quais são as fronteiras do conhecimento nesta área?AT - Em 1971 Judah Folkman, médico investigador, lançou a ideia pioneira que os tumores necessitavam de formar novos vasos sanguíneos para crescer e que uma terapia que impedisse esses vasos de crescer poderia impedir o crescimento tumoral. Em 1998 o mesmo investigador disse que se alguém tivesse cancro e fosse um ratinho ele podia tratá-lo. Desde essa altura já saíram para o mercado vários agentes biológicos que actuam sobre a neo-vasculatura tumoral, bloqueando o seu desenvolvimento. No entanto nós ainda aqui estamos a estudar esta área. A razão para isso é que as drogas actuais não revelaram ter nos humanos o mesmo efeito que no modelo ratinho. Não se sabe bem porque é que isto acontece, talvez tenha a ver com a estratégia terapêutica usada mas o mais provável é que no fundo acabe por, mais uma vez, apenas reflectir a heterogeneidade desta classe de doenças que chamamos de cancro. Os trabalhos em modelo ratinho de um tipo de cancro reflectem apenas uma pequena proporção dos pacientes humanos com esse cancro. Daí que administrar uma dada terapia em pacientes humanos acabe por produzir os efeitos observados em ratinho apenas num subgrupo de pacientes. Na minha humilde opinião, a maior fronteira está na detecção de quais pacientes serão responsivos às várias formas de terapia que vão surgindo, no fundo, em detectar quais dos pacientes têm tumores mais semelhantes àqueles em que as drogas foram estudadas em modelo ratinho. Para que este modelo possa funcionar serão necessários agentes biológicos que sejam dirigidos a todas as vias de sinalização molecular envolvidas na regulação do crescimento tumoral e da angiogénese, para que no futuro os médicos possam escolher quais combinações serão mais efectivas para cada paciente.
December 13 2010, 3:32am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Entrevista a Alexandre Trindade (1)
http://dererummundi.blogspot.com/2010/12/entrevista-alexandre-trindade-1.html
Primeira parte de uma entrevista, sobre cancro, que fiz ao Doutor Alexandre Trindade, Investigador do grupo de "Desenvolvimento Vascular" da Faculdade de Medicina Veterinária, UTL e do Instituto Gulbenkian de Ciência.António Piedade - O que é o cancro?Alexandre Trindade - Existe um conjunto de doenças caracterizadas por multiplicação acelerada de células de um tecido. Normalmente o resultado mais visível dessas doenças é a formação de uma massa tumoral, embora no caso das leucemias tal possa não acontecer. Inicialmente estas doenças são benignas, o que não quer dizer que não tenham um efeito negativo para a vida dos pacientes. A palavra cancro descreve o estado em que estas doenças adquirem características malignas comuns, multiplicação descontrolada de um conjunto de células de um tecido, invasão e destruição do tecido saudável rodeante e propagação para locais secundários no organismo, formando metástases. Cada cancro em cada paciente é um caso único e em permanente alteração devido à sua instabilidade genética. Esta é a razão pela qual é tão difícil tratar um paciente com cancro.AP - No geral e no contexto de um mesmo tecido, há células mais propensas do que outras a serem nucleares no desenvolvimento tumoral?AT - O processo de tumorigénese é totalmente dependente da acumulação de mutações génicas, ou seja, de alterações no código genético, em genes promotores ou supressores de tumores. Como o processo de mutação é aleatório, um indivíduo que nasça sem mutações nesses genes terá basicamente a mesma probabilidade de desenvolver um tumor a partir de qualquer célula de qualquer tecido. No entanto, como é o caso em formas de cancro hereditárias, se um indivíduo nascer com uma mutação específica num determinado gene promotor ou supressor de tumores irá ter maior probabilidade de desenvolver cancro num determinado tecido. Como exemplo, uma pessoa que nasça com uma mutação em BRCA1, um supressor tumoral, terá maior probabilidade de desenvolver cancro da mama, e um pessoa que nasça com uma mutação em APC, outro supressor tumoral, terá maior probabilidade de desenvolver cancro colorectal.Dentro de um mesmo tecido, o processo de acumulação de mutações acontece de forma independente em cada célula. Assim, num processo estocástico acaba por ser seleccionada uma célula, que mais depressa acumulou um conjunto de mutações suficientes para que deixe de ter a sua replicação, o processo pelo qual se divide, regulada. Esta célula dará então início à formação de uma massa celular, um tumor, que poderá continuar a acumular mutações e a desenvolver-se até constituir um cancro.No contexto do organismo, retirando a questão de mutações pré-existentes, o factor mais importante para o desenvolvimento tumoral é o ambiental. Por exemplo, o fumo do tabaco ou contaminantes químicos na comida vão produzir uma pressão carcinogénica sobre os pulmões ou o tracto digestivo, respectivamente, acelerando o processo cancerígeno nesses respectivos orgãos.AP - Como é que as células tumorais, em acelerada divisão, "comunicam" as suas necessidades em nutrientes e oxigénio aos tecidos sãos circundantes?AT - As células tumorais fazem uso de todas as ferramentas celulares que lhe estão disponíveis. No fundo acabam por actuar de forma viral, subvertendo não só a maquinaria celular como também alterando o microambiente que as rodeiam de forma a torná-lo mais favorável a suportar o seu crescimento.Nesse sentido, as células tumorais secretam factores de crescimento que promovem a formação de novos vasos sanguíneos. A irrigação sanguínea do tumor permite que lhe cheguem mais nutrientes e oxigénio, de modo a suprir as suas necessidades e permitir a continuação do seu crescimento.AP - O que é que provoca a construção de novos vasos sanguíneos até elas?AT - Todos os tumores conseguem crescer até ter cerca de 2mm de diâmetro sem necessitarem de formar novos vasos sanguíneos. A partir desse volume um tumor só consegue crescer se activar o "interruptor angiogénico", ou seja, se activar a expressão de factores angiogénicos que estimulam o crescimento de novos vasos sanguíneos. Esses vasos crescem a partir da vasculatura rodeante e invadem o tumor, aumentando a sua irrigação sanguínea. O estímulo que desencadeia este interruptor é precisamente a falta de oxigénio, mais conhecida por hipóxia, no centro do tumor em crescimento.(continua)
December 4 2010, 4:09am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
APRESENTAÇÃO DA PESTE BUBÓNICA
http://dererummundi.blogspot.com/2010/11/apresentac.html
Informação recebida da Biblioteca Pública Municipal do Porto (clicar para ver melhor)
November 9 2010, 2:37am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
"To kiss or not to kiss"
http://dererummundi.blogspot.com/2010/11/to-kiss-or-not-to-kiss.html
No algoritmo de decisão subjacente ao Suporte Básico de Vida (conjunto de procedimentos a serem realizados - por qualquer um de nós e até à chegada de ajuda especializada do INEM, Bombeiros e outros para isso credenciados - num indivíduo adulto que sofreu um acidente) existe um passo que tem levantado alguma controvérsia entre os especialistas de reanimação e/ou ressuscitação: se a vítima se encontrar inconsciente e em paragem cardio-respiratória, qual é quantidade, sequência e período de tempo em que se deve proceder a ventilações “boca-a-boca” alternadas com compreensões manuais sobre o externo no tórax?A controvérsia é permanente pois há quem defenda que realizar só compressões (eliminando a alternância com a ventilação “boca-a-boca”) é mais eficaz para minimizar danos cerebrais, causados pela falta prolongada de oxigénio, e logo para tornar mais eficaz a reanimação. As compressões torácicas, para além de terem um efeito bombeador sobre o sangue existente nas cavidades cardíacas, também exercem alguma ventilação pulmonar. Este dois em um, parece ser mais eficaz na reanimação do que a alternância entre um determinado número de compressões e outro numero determinado de ventilações boca-a-boca. Esta perspectiva, é analisada e defendida como conclusão de uma meta-análise divulgada num artigo publicado na edição de 6 de Novembro da prestigiada revista "The Lancet".António Piedade
November 8 2010, 9:50am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
TUBERCULOSE: investigações prioritárias
http://dererummundi.blogspot.com/2010/11/tuberculose-investigacoes-prioritarias.html
Apontamento publicado no "Diário de Coimbra".Desde que Robert Koch identificou, em 1882, o agente causador da tuberculose humana, Mycobacterium tuberculosis, ou bacilo de Koch, que a investigação sobre como travar a patogenia e multi-resistência antibiótica desta bactéria nunca abrandou. O aparente sossego público contrasta com o grande número de projectos de investigação sobre a tuberculose actualmente em curso e a nível mundial. Isto mesmo é inventariado no último número da revista The Lancet, num artigo em que são destacadas as principais áreas de investigação referidas em outras 33 publicações. As prioridades vão para o desenvolvimento de novas drogas (28 artigos), diagnóstico e testes de diagnóstico (27), epidemiologia (20), investigação em serviços de saúde (16), investigação fundamental (13) e para o desenvolvimento de vacinas (13). Particular preocupação é encontrada na prevenção e tratamento da tuberculose multirresistente em pessoas co-infectadas com o HIV.António Piedade
November 8 2010, 7:57am | Comments »







