As bases constitutivas do elemento, isto do potencial de cada ser humano, retomando a obra de Ken Robinson.Uma aptidão é uma capacidade natural para fazer algo. É um senti-mento intuitivo ou uma compreensão do que essa coisa é, de como fun¬ciona e de como pode ser usada. Gillian Lynne tem uma aptidão natural para a dança, Matt Groening para contar histórias e Paul Samuelson para a economia e a matemática. As nossas aptidões são altamente pessoais. Podem estar direccionadas para actividades gerais, como a matemática, a música, o desporto, a poesia ou a teoria política. Também podem estar direccionadas para áreas específicas: não para a música em geral, mas para o jazz ou o rap; não para instrumentos de sopro em geral, mas para a flauta; não para a ciência, mas para a bioquímica; não para o atletismo, mas para o salto em comprimento.Ao longo deste livro, irá conhecer pessoas com uma profunda com-preensão de todo o tipo de coisas. Não são boas em tudo, mas numa coisa em particular. Paul Samuelson é naturalmente bom a matemática. Outros não.Por sinal, faço parte desses outros. Nunca fui muito bom a matemática e fiquei feliz por poder pôr essa disciplina de parte quando acabei a escola. Quando tive filhos, a matemática reergueu-se como um monstro que eu julgava morto. Uma das nossas responsabilidades enquanto pais é ajudarmos os nossos filhos nos trabalhos de casa. Podemos fazer bluif durante algum tempo, mas no fundo sabemos que chegará o dia da verdade.Até completar doze anos, a minha filha Kate pensava que eu sabia tudo. Era uma ideia que me agradava alimentar. Quando era pequena, pedia-me ajuda sempre que se deparava com um problema de inglês ou matemática. Eu tirava os olhos do que quer que estivesse a fazer, esbo¬çava um sorriso confiante, punha um braço à sua volta e dizia-lhe: «Bem, vamos lá ver», fingindo partilhar as suas dificuldades para que ela não se sentisse tão mal por não perceber. Então, ela fixava-me com um ar de adoração enquanto eu passava sem esforço, como um deus da matemática, pela tabuada dos quatro e por subtracções simples.Um dia, já com catorze anos, chegou a casa com uma folha cheia de equações do segundo grau. Senti uns suores frios que me eram familiares. Nessa altura, apresentei-lhe os métodos de aprendizagem por descoberta. «Kate, não faz sentido eu dar-te as respostas», disse-lhe. «Não é assim que se aprende. V ais ter de te desenrascar sozinha. Estarei lá fora a beber um gin tónico. E olha, quando acabares, não vale a pena mostrares-me as res¬postas. É para isso que os professores servem.»Na semana seguinte, trouxe-me um cartoon que tinha encontrado numa revista. «É para ti», afirmou. A banda desenhada mostrava um pai a ajudar a filha nos trabalhos de casa. No primeiro quadrado, o pai estava inclinado sobre o ombro da rapariga e perguntava-lhe: «O que é que tens de fazer?» «Tenho de encontrar o menor denominador comum», respondia-lhe ela no segundo quadrado. Ao que o pai retorquia: «Ainda andam à procura disso? Já andavam à procura dessa coisa quando eu estava na escola». Revejo-me perfeitamente nele.Contudo, para alguns, a matemática é bela e atraente, tal como a poesia e a música o são para outros. Descobrir e desenvolver as nossas capacidades criativas é um dos aspectos essenciais para nos tornarmos quem realmente somos. Só saberemos quem podemos ser quando soubermos o que podemos fazer. Ken Robinson, obra citada
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João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
Eu Tenho
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November 16 2010, 1:16pm | Comments »
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