A espantosa entrevista do responsável das Novas Oportunidades, que a Helena já aqui comentou (também aqui e aqui), só veio confirmar o que já se sabia: a ignorância é muito atrevida!
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A atrevida ignorância
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October 25 2010, 7:24pm | Comments »
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O autarca com o sexto ano e o jovem com o secundário
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Esta é terceira e última nota que aqui deixo à esclarecedora entrevista de Bárbara Wong ao director da Agência Nacional para a Qualificação.Há um princípio pelo qual essa Agência se pauta e que, em sequência, orienta todas as acções que desenvolve. Esse princípio é que as aquisições académicas, profissionais, e de percurso pessoal, podem reverter-se umas nas outras, no final, equivalendo-se. Diz o referido director a pergunta feita:"Um adulto pode chegar com o 6.º ano e sair, em poucos meses, com o 12.º? Pode acontecer. Há uma ruptura com a lógica de disciplinas, das metodologias de ensino e aprendizagem para uma lógica mais abrangente de evidenciar o que o adulto sabe e integrar a sua experiência. Um autarca com o 6.º ano não tem experiência e competências que lhe permita terminar o secundário? Não tem mais do que um jovem de 18 anos que conclui o secundário? Não vou preocupar-me com o tempo que as pessoas levam a adquirir um certificado."Estamos perante um princípio que, mais do que duvidoso, é errado. Os três tipos de aquisições em causa são de natureza diferente, apelam a capacidades diferentes e têm modos diderentes de expressão.Detendo-me apenas nas aquisições académicas, não posso deixar de reconhecer que algumas delas poderão ser transpostas para o domínio profissional e, até, para o domínio pessoal, acrescentando que, quando essas aquisições decorrem de escolhas acertadas, é desejável que isso aconteça.Mas, devo salientar que elas têm uma identidade própria e um modo de apropriação também próprio. É essa identidade e esse modo de apropriação que constituem a razão de existir da escola e, decorrentemente, do ensino e da aprendizagem formal.Quando sugerimos que o meio profissional e a nossa vida quotidiana nos permite aceder ao mesmo que a escola nos permite aceder, ou até a mais do que a escola nos permite aceder, é a própria escola que desvalorizamos e que fazemos perigar.
October 25 2010, 8:54am | Comments »
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Os diplomas correspondem às competências
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Nenhum conhecimento digno de crédito da área das ciência da educação ou estratégia docimológica (estudo da avaliação) nos permite afirmar com toda a certeza, sem qualquer margem para dúvidas, que os resultados académicos obtidos pelos alunos e, em sequência, os diplomas que recebem, correspondem directa, linear e integralmente ao que se pretendia que aprendessem.Quem estudou minimanente estes assuntos saberá que certas linhas de investigação pedagógica têm, desde o início do século XX, trabalhado de maneira exemplar no assunto, o que se tem traduzido em princípios e técnicas de avaliação que, uma vez usadas correctamente, permitem obter uma maior aproximação entre o que se se pretende ensinar e o que os alunos revelam do que aprenderam.Assim, não se pode afirmar que: "Os alunos quando obtêm um diploma, esse corresponde às competências que têm. Existem referenciais que estabelecem as áreas de competências que têm que ser possuídas e toda a avaliação de conhecimentos e os júris de certificação garantem que as pessoas possuem essas competências (...) as competências certificadas correspondem às possuídas".Porém, esta afirmação peremptória foi feita por alguém que, além de ter formação pedagógica, assume responsabilidades educativas assaz relevantes a nível nacional. Trata-se de uma afirmação tanto mais estranha quanto é certo que o conceito de competência é vagamente definido e diversamente entendido, mesmo pelos seus mentores.Mais baralhados ficamos quando esse alguém declara que, afinal, nem valoriza sobremaneira os diplomas escolares. Pelo menos é o que se depreende quando numa postura dubitativa refere: "há um factor social muito forte que tem a ver com o valor dos diplomas escolares. São muito valorizados."Para se perceber melhor do que falo, leia-se a recente entrevista de Bárbara Wong a Luís Capucha aqui.
October 25 2010, 7:30am | Comments »
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"Críticas, mentiras e afirmações de quem não quer mentir mas fala do que não sabe"
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Sigo uma recente entrevista de Bárbara Wong a Luís Capucha, a face mais visível da Agência Nacional para a Qualificação “criada para acolher a Iniciativa Novas Oportunidades (INO) e o ensino profissional e artístico especializado”. Devo dizer que encontro nela elementos muito preocupantes da ausência de atitude acientífica que sistematicamente vem ao de cima quando se trata de assuntos respeitantes à educação formal. Dou os seguintes exemplos:1. Em vez de se encararem as críticas, ou pelo menos algumas delas, como uma possibilidade de análise e de correcção de eventuais erros, descredibiliza-se, menoriza-se, calunia-se quem as faz.À pergunta de Wong "a opinião publicada tem colocado reservas à INO. Muitos dizem que esta só serve para dar diplomas. É assim?” o senhor acima referido responde: "Surgem críticas, mentiras e afirmações de quem não quer mentir mas fala do que não sabe". Quem critica só pode, pois, ser mentiroso. E se não for mentiroso será ignorante!2. Em vez de se esclarecem dúvidas que se colocam a quem está de fora, mas que legitimamente quer conhecer e compreender, recorre-se a arrazoados a redundâncias que nada esclarecem, antes confundem... ainda mais...À pergunta de Wong “uma das críticas é que os adultos não aprendem disciplinas formais”, o mesmo senhor responde: “Desminto. Há regras a cumprir que têm a ver com o cumprimento dos procedimentos necessários.” Volto a escrever para perguntar: “Há regras a cumprir”, mas que regras são essas que não podem ser claramente referidas?... "Que têm a ver com o cumprimento dos procedimentos necessários”, mas que procedimentos são esses, que não podem ser enunciados?3. Em vez de se sistematizarem racional e objectivamente argumentos, recorre-se a crenças a convicções individuais ou colectivas (não, essas crenças não são filosofia da educação).À pergunta de Wong "Nessa velocidade não se perde qualidade?", o dito senhor responde: "O primeiro pilar da qualidade é a quantidade. Digo-o com toda a convicção. Sabemos que alunos de determinadas vias de ensino aprendem a fazer exames e a tirar notas, mas não sabemos se sabem alguma coisa quando acabam."4. Em vez de se recorrer a conhecimento pedagógico sólido e aos meis que faculta ao ensino, à formação, à aprendizagem... recorre-se a sensiblidades de mercado e a opiniões que acresce, serem opiniões em causa própria.À insistência de Wong na pergunta "no processo de RVCC, as pessoas são avaliadas pelo que sabem e não pelo que aprenderam. Concorda?", o senhor em causa responde: "Há dois grandes indicadores que mostram que as pessoas saem mais capacitadas, preparadas para os desafios: a adesão das empresas à INO e os testemunhos das pessoas".
October 25 2010, 5:38am | Comments »
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UM CONSELHO ÚTIL?
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Soube pelo artigo de Rui Baptista que o Conselho Nacional de Educação veio lamentar o estado da educação do país. Mas não é esse órgão, por acção ou inacção, corresponsável por esse mesmo estado? Agora que se anunciam tantos e tão desvairados cortes, lamentavelmente também na educação, será que já alguém pensou em diminuir o Orçamento do Estado poupando nos Conselhos inúteis?
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October 21 2010, 7:07pm | Comments »
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A propósito do ranking das escolas
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Joaquim Azevedo, Doutorado em Ciências da Educação, conhecedor dos meandros do Ministério da Educação pelos cargos que nele exerceu, no momento Membro do Conselho Nacional de Educação e presidente do Centro Regional do Porto da Universidade Católica, entrevistado pelo Públido (de 15 de Outubro) a propósito dos "rankings" das escolas, afirmou o que todos sabemos e que não nos deve deixar indiferentes: o acesso às escolas onde se ensina e se aprende não é para todos. E o critério é aquele que nas últimas décadas pensávamos que tínhamos conseguido superar ou, pelo menos, que estávamos no caminho da sua superação: a origem e condição cultural, social e económica dos alunos.Por que é que todos os anos as escolas privadas ganham terreno às públicas? Estamos a cair num lamaçal perigoso: as escolas públicas são as escolas de ocupação social dos meninos e as escolas privadas são as escolas que ensinam os meninos. Isto é uma coisa perigosíssima, nomeadamente para a escola pública. Mesmo as pessoas que se dizem arautos da escola pública e escrevem livros sobre isso, não põem sobre a mesa esta questão brutal que levará a que, qualquer dia, a escola pública seja o lugar onde se faz a ocupação social dos meninos porque é melhor tê-los numa escola do que na rua. Foi essa a lógica que presidiu à aposta nos CEF e nos cursos profissionais... Quer os CEF quer os cursos profissionais, pela maneira avassaladora e repentina como foram introduzidos nas escolas secundárias e os CEF também no básico, vieram criar um clima que estava à vista claríssima que não ia dar bom resultado, na medida em que foram introduzidos a uma velocidade que era incompatível com qualidade. Hoje, uma boa parte dos que abandonam e reprovam são esses alunos dos cursos profissionais e dos CEF no secundário – no básico é ligeiramente diferente. O que está a acontecer no básico e está a passar para o secundário é que há escolas que tratam da ocupação social dos meninos com níveis de insucesso muito elevados e depois temos as outras – onde as privadas, embora não só, pontuam – que são as escolas dedicadas ao ensino e onde se ensina e se aprende direitinho.
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October 17 2010, 7:07am | Comments »
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Adeus "Área de Projecto"
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No sistema educativo português, tal como provavelmente noutros sistemas educativos, é assim: quando se apresenta uma medida (política) apresenta-se como intocável (no sentido de só ter vantagens e, claro, nenhuma fragilidade), eficaz (no sentido de ser capaz de resolver imediatamente os problemas mais complicados) e indiscutível (no sentido de que é, obviamente, a medida certa).Assim, se e quando alguém levanta uma dúvida em relação à medida, por mais ínfima que seja, é imediatamente chamado à atenção: por limitação sua, não terá compreendido o seu verdadeiro sentido e alcance, estará com má vontade, não quererá que a educação evolua, etc., etc., etc.Mas, acontece muito frequentemente, que tão depressa como a medida se instalou se desinstala e, nessa ocasião, as mesmas entidades que a defendiam até à últimas consequências, passam a apontar-lhe mil e um defeitos...Uma das medidas que mais vi elogiada em documentos da tutela e trabalhos académicos, desde 2001, altura em que se publicou a Reorganização Curricular do Ensino Básico, foi a introdução de "Áreas curriculares não disciplinares": Estudo Acompanhado, Formação Cívica, e Área de Projecto.Em relação a esta última área, destinada à "formação pessoal e social dos alunos", esclarece-se no Decreto-Lei n.º 6/2001, de 18 de Janeiro, que sistematiza a Reorganização Curricular do Ensino Básico que...... "visando a concepção, realização e avaliação de projectos, através da articulação de saberes de diversas áreas curriculares, em torno de problemas ou temas de pesquisa ou de intervenção, de acordo com as necessidades e os interesses dos alunos."Por seu lado, na página 77 do Currículo Nacional do Ensino Básico: Competências Essenciais (2001), no quadro da área curricular Estudo do Meio, e no que respeita à "mobilização e utilização dos saberes das áreas curriculares não disciplinares" a Área de Projecto deveria permitir a:"negociação e tomada de decisão acerca dos aspectos relacionados com a vida na turma; organização da turma e dos grupos; selecção de temas; levantamento de questões; definição de estratégias e actividades a desenvolver; inventariação de recursos fontes e meios a envolver; elaboração de regras; confronto de ideias, partilha, aferição e avaliação do desenvolvimento do trabalho; atribuição e assunção de responsabilidades em tarefas individuais e de grupo; concepção de instrumentos adequados para a avaliação individual e de grupo ao longo do processo, mas também do produto final..."Ora, acontece que esta área tão enfaticamente descrita nestes e noutros documentos acaba de ser retirada do currículo dos 2.º e 3.º Ciclos do Ensino Básico (mantem-se no 1.º Ciclo e no Secundário).A decisão, ao que li no Público, foi do Conselho de Ministros, e é “decorrente, quer da experiência da sua aplicação, quer das opiniões expressas pela comunidade educativa que o consideram ineficaz”. A ex-secretária de estado, Ana Benavente, uma das mentoras da dita área, insiste na sua validade, tendo declarado ao referido jornal:“Acabar com a Área de Projecto é apenas mais um passo num retrocesso para a escola tradicional.” A Área de Projecto tem como objectivo ensinar os alunos a pensar e a trabalhar “além das disciplinas desgarradas e sem nenhuma articulação umas com as outras, dando sentido aos saberes (Português, linguas, Matemática, Ciências, História, etc.). É esse o sentido da Área Projecto. Aprender e exercitar em torno de problemas reais, sejam ambientais, sociais ou outros." Admite que trabalhar desse modo "só faz sentido com autonomia das escolas, com professores com liberdade de acção pedagógica e com objectivos que, para além de instruir, pretendam que os alunos sejam cidadãos cultos e capazes de intervir na sua realidade." Contudo, com a burocracia e com os professores "tratados como funcionários e esmagados com relatórios e papeladas - entre as quais os da dita avaliação - é natural que se considere inútil a Área de Projecto", conclui.Discussão pedagógica à parte, que também a tem, tudo isto se me afira muito do foro da opinião. .Na imagem: desenho constante num blogue exactamente dedicado à Área de Projecto.
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October 15 2010, 3:57pm | Comments »
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Os alunos são as vítimas do sistema, não os culpados
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Post na sequência de outro aqui publicado. Ricardo Moreno Castillo é professor de Matemática do Ensino Secundário e professor convidado da Universidade Complutense de Madrid. Crítico destacado do sistema educativo espanhol, escreveu um panfleto - Panfleto antipedagógico - e um livro - De la buena y la mala educación - onde discute as ideias políticas vigentes para o ensino e para a aprendizagem.Reproduzimos abaixo um texto da sua autoria, publicado no jornal El País, em 4 de Dezembro de 2008, intitulado Algunos males del sistema educativo."Un nuevo curso en marcha y estamos como siempre. Desde la reforma introducida por la LOGSE, el sistema educativo español hace agua por todas partes. Los resultados del Informe PISA, que sólo han sorprendido a los ingenuos, han dado lugar a reacciones de lo más variopintas. Unos opinan que la causa del bajo nivel de nuestros estudiantes está en los cambios sociales, otros en la presencia de inmigrantes, y otros en la poca formación de los padres. También hay quienes dicen que la cosa no es para tanto, y que las estadísticas hay que interpretarlas correctamente. Pero a nuestras autoridades educativas ni se les ocurre la posibilidad de que la causa pueda estar en una mala ley de educación. Eso ni se plantea, y la ministra del ramo sigue cantando alegremente las excelencias de nuestro sistema educativo.En primer lugar, ¿hacían falta los datos que ofrece PISA para caer en la cuenta de nuestro desastre educativo? ¿Es que no podemos ver la realidad hasta que esté traducida en gráficos y estadísticas? Que la famosa reforma educativa es un disparate ya lo llevamos denunciando algunos desde hace tiempo (lo cual, por cierto, nos ha valido ser tachados de fascistas, reaccionarios y nostálgicos), y para ver por qué es un disparate no hace falta esperar a que los sociólogos de la educación hagan sus estadísticas y sus informes, basta con abrir los ojos y mirar a nuestro alrededor.Hay alumnos que acaban la Educación Secundaria Obligatoria incapaces de operar con decimales, ignorando cosas muy elementales de geometría y, en algunos casos, sin saber la tabla de multiplicar. En muchas facultades de ciencias ha sido necesario implantar un curso cero, que se imparte durante septiembre, donde se enseñan cosas que antes sabía un estudiante corriente de 14 años. Y la necesidad de este curso no se hizo patente hasta que llegaron los primeros alumnos procedentes de la reforma. Que el gamberrismo e indisciplina en los institutos ha subido hasta cotas alarmantes es algo del dominio público, y del descenso del nivel de madurez de nuestros estudiantes hay pruebas cotidianas. No es insólito que un "niño" vaya con su mamá a matricularse a la facultad, y se han dado casos de alumnos universitarios que han ido a la revisión de notas acompañados de sus padres.A propósito de todo esto, importa mucho aclarar una cosa: si los efectos de la reforma no son todavía más desastrosos, es porque los profesores hacemos bastante más de lo que estrictamente nos corresponde. E importa mucho aclararlo porque también hay quienes achacan el fracaso de nuestro sistema educativo a los profesores, "que no hemos sabido adecuar nuestra mentalidad a los nuevos tiem-pos". Los alumnos llegan a primero de Bachillerato (que empieza a los 16 años) ignorando cosas muy básicas pero indispensables para seguir las asignaturas de matemáticas, de física o de latín. Cumpliendo rigurosamente con su deber, un profesor tendría que empezar por el primer tema dando por sabido todo lo que los alumnos tienen que saber. Y los que no lo sepan, que reclamen a la señora ministra, que mantiene un sistema que concede el título de ESO a quien no lo merece.Afortunadamente, no hacemos así, porque los alumnos son las víctimas del sistema, no los culpables, y casi todos los profesores, la mayoría de los que conozco, nos demoramos explicando cosas que no tenemos ya obligación de explicar en ese nivel. Si los docentes hiciéramos una huelga de celo, cumpliendo estrictamente con nuestras obligaciones pero nada más, el sistema se hundiría en muy poco tiempo. Por ello, la acusación de que los profesores no hemos sabido adaptarnos a la nueva situación es injusta, y también interesada, porque es otra manera más de los creadores del despropósito de eludir sus responsabilidades.Los defensores de nuestro sistema educativo sostienen que, con todos sus defectos, consiguió escolarizar a todo el mundo. ¿Pero qué significa realmente "escolarizar"? Si un alumno está en una clase sin enterarse de nada porque tiene varias asignaturas pendientes del curso anterior, no está escolarizado, está encerrado entre cuatro paredes. Quien llega al final de la ESO redactando mal y escribiendo con faltas de ortografía, no ha estado escolarizado, ha estado encerrado entre cuatro paredes. Si un alumno quiere aprender pero no puede porque se lo impide el alboroto de algunos compañeros, no está escolarizado, está encerrado entre cuatro paredes. Un lugar donde los derechos de quienes no quieren aprender están más protegidos que los derechos de quienes sí quieren, sólo por abuso de lenguaje puede ser llamado centro educativo. Con el sistema anterior los alumnos acababan la enseñanza obligatoria a los 14 años mejor preparados que los que la acaban hoy a los 16. Que en más años se obtengan peores resultados no parece precisamente un progreso.Entre los males de nuestro sistema está la proliferación de unos presuntos expertos que, usando un discurso vacío, están empeñados en intervenir en la formación de los docentes. Algunos de ellos son profesores de instituto que han desertado de la tiza y aprendido la jerga pedagógica. No tienen que soportar las consecuencias de sus propias teorías, pero se dedican a dar cursillos a quienes seguimos dando clase. Otros son profesores de Universidad, que jamás han trabajado con alumnos de instituto, pero que hablan del tema con el atrevimiento propio de los ignorantes."
October 9 2010, 12:27pm | Comments »
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Educação Patriótica, Educação Republicana
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Pela mão de Alberto Filipe Araújo e Joaquim Machado de Araújo evoca-se João de Barros (1881-1960) um dos mais importantes nomes da educação republicana.Estudante de Direito em Coimbra, onde conheceu e se tornou amigo do futuro pedagogo de João de Deus Ramos, exerceu primeiramente as funções de professor, mas, interessado que estava nos desígnios da educação nacional, passados dois anos, respondeu ao desafio lançado pela Presidência do Conselho de Ministros de viajar para o estrangeiro, a fim de conhecer experiências de ensino que pudessem servir da base à reforma na instrução pública.O conhecimento de escolas de Espanha, França, Bélgica, Inglaterra, etc., (publicadas no livro A Escola e o Futuro), permitiu-lhe apresentar um projecto de reforma, que não teve, no seu entender, o acolhimento esperado, o que viria a criar alguma crispação política, mas não ao ponto de ser ter afastado do pensamento educativo e da própria política.Aqui reproduzimos algumas páginas do livro de João de Barros Educação Republicana seleccionadas pelos autores acima referidos (páginas 68-70)."Antes de mais nada, o meu desejo seria criar um entusiasmo por essa tarefa, ainda tão abandonada ou tão mal compreendida entre nós, que consiste em dar à criança todas as possibilidades, todas as capacidades, todas as energias necessárias para a tornar num ser consciente e forte, apto a contribuir para o progresso do seu país, e para a beleza, «harmonia e utilidade do momento em que vive e trabalha. Tarefa complexa e grave, e que a todos pertence: às famílias, aos professores, ao Estado. Tarefa sobretudo difícil – nesta hora em que assistimos à elaboração de uma nova fórmula de disciplina social: de que a República foi a encarnação política, mas que precisa ser aperfeiçoada, intensificada, completada nas suas outras modalidades e realizações, entre as quais, sem dúvida, avulta a efectivação dum plano educativo geral. Sem ela, com efeito, poderemos dar à República, no momento que passa, todo o esplendor, toda a sabedoria, toda a ordem e toda a paz: - não lhe daremos, porém os defensores futuros do ideal que representa, não a consolidaremos na consciência da mocidade, deixando, portanto, de criar essa coesão entre o Presente e o Porvir dum povo, que é a garantia mais sólida do prestígio e da força do regime que ele escolheu.Todos sabemos, com efeito, que há em Portugal um analfabetismo assustador. Que há uma necessidade absoluta de escolas primárias e superiores. Que há urgência em criar óptimas escolas profissionais. Que não pode demorar muito mais tempo a instalação dum bom ensino técnico. Que é necessário instalar as escolas normais – primárias e secundárias – com laboratórios e gabinetes completos. Que não temos um bom ensino artístico. Que o estado só agora começa a ocupar-se a sério do ensino da Ginástica. E sabemos também que estas legítimas aspirações do público que por tais assuntos se interessa – têm de ser satisfeitas para se estabelecer um ensino verdadeiramente republicano. E porquê, afinal? Porque o analfabetismo não permite fazer cidadãos, porque a ausência do ensino profissional não nos deixa criar homens (úteis a si e à sociedade; porque) a classe burguesa estiola-se no bacharelismo agudo, em vez de ser um elemento produtivo de riqueza, como seus filhos seriam se estivessem praticamente preparados para a vida; porque sem haver professores não há obra nenhuma que vingue em matéria pedagógica; porque, sem ensino artístico, não há educação –, da sensibilidade e não há cultura geral que valha; e, ainda, porque – sem boa cultura física – não há raça que saiba vingar as suas aspirações mais íntimas e mais profundas de espírito e de coração (…).No entanto, a República fez da educação e da instrução duas bandeiras de batalha, e com elas se tem preocupado e ocupado a cada instante. Instruir! Educar! A todo o momento os propagandistas laçam estas palavras mágicas para o meio do público. A todo o momento evocam, por meio delas, um esplendor de civismo e de progresso intelectual que não existe. A todo o momento, ligam a sorte das novas instituições à vitória das ideias que estas palavras significam. E porque o farão? Porque sentem que, sem educar e sem instruir as novas gerações, dentro de um critério republicano, que seja ao mesmo tempo um critério pedagógico ninguém poderá garantir o futuro da República e da Pária (…).Com efeito, a educação é um produto directo das nossas convicções sociais. A cada novo ideal da humanidade corresponde um novo ponto de vista pedagógico. A Revolução Francesa, de cujo impulso formidável ainda hoje vivemos, trouxe consigo Rousseau; e, pedagogicamente, é de Rousseau que ainda hoje vive também o nosso pensamento, a nossa sensibilidade. Da renovação vital e da quimera humanista que foi a Renascença nasceu Montaigne: – a sua pedagogia é a pedagogia duma época forte, vibrante de alegria de viver, e absolutamente cônscia do poder do homem e do valor do seu esforço… Não vale a pena continuar a lista destes exemplos, claros e concludentes. Basta fixar apenas que a educação das crianças, sendo, como é, uma das faces da nossa actividade colectiva, deriva sempre da ambição ou do sonho que determinou essa actividade.”Referência bibliográfica:Barros, João de (1916). Educação Republicana. Paris-Lisboa: Livrarias Aillaud & Bertrand, páginas 11-13, 23-24, 62-63, 175-176. Citado por Araújo, A.F. & Araújo. J. M. (2004). João de Barros: vida obra e pensamento. Braga: António Marcelino Valente
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October 5 2010, 7:16am | Comments »
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Assistente operacional
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Um dos muitos eufemismos pós-modernos da nossa realidade educativa num "boneco" de Antero.
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October 4 2010, 4:05pm | Comments »



