Rubrica da revista "Pública", suplemento dominical do jornal "Público", saída ontem. Autoria de Ana Sousa Dias a partir de uma entrevista comigo.Confesso que sei pouco. E nem sequer estou certo de saber todo o pouco que sei. Tenho, porém, a certeza que as mulheres são diferentes dos homens. E acho fantástica essa diferença.Mesmo sabendo pouco, sei mais sobre o assunto do que Einstein. O génio da Física não sabia nada sobre mulheres. Declarou um dia que dissuadiria uma eventual filha sua de estudar física porque poucas mulheres eram criativas. Madame Curie era, para ele, a excepção que confirmava a regra. Hoje, num mundo em que as mulheres conquistaram posições de proa em todos os ramos da ciência, sei que é um mito sem qualquer base essa visão einsteiniana. Sobre as mulheres sei que podem atingir os picos maiores da inteligência, seja lá o que isso for. Tem havido controvérsia sobre as diferenças de género no QI, mas dizem que o maior QI pertence a uma mulher, a escritora norte-americana Marilyn vos Savant. A propósito, está a sair um livro ("Fragments") com escritos inéditos da mais conhecida Marilyn, a Monroe, revelando que ela, além de actriz e modelo, era poeta e intelectual...Julgo saber – seja lá pelo DNA ou pelas hormonas – que o cérebro feminino é diferente do masculino. Como o sexo está, em grande parte, na cabeça, se há dois sexos haverá também um cérebro feminino e um cérebro masculino. Essa diferença tem vindo a ser estudada pelas modernas neurociências, gerando controvérsia na praça pública. Não penso que diferença signifique desnivelação. Ou, se significa, será justo reconhecer que as mulheres são mais perfeitas que os homens. Por exemplo, elas funcionam melhor em paralelo, fazendo várias coisas ao mesmo tempo, enquanto os homens são mais sequenciais.Mas é mister uma nota pessoal, para que se percebam porque sei pouco sobre mulheres. Na minha família somos três irmãos. A única mulher lá em casa era, portanto, a minha mãe (infelizmente, ela já nos deixou, originando uma perda irreparável). A minha mãe viveu num tempo em que as mulheres eram discriminadas e não pôde, por isso, estudar. Apesar de ter apenas a instrução primária, era inteligentíssima. Conseguia, por exemplo, compreender intuitivamente situações difíceis, procurando resolvê-las por antecipação. Era dona de fino humor. Se por vezes me assiste algum, é decerto um legado dela. Andei numa escola primária masculina e num liceu também masculino. A segregação de sexos não era apenas na escola: na viagem de finalistas liceais, nas vésperas de 1974, o hotel não deixava que rapazes e raparigas permanecessem no mesmo quarto. Na Faculdade encontrei raparigas, mas no final do meu curso de Física só havia uma. Como é que uma pessoa pode saber sobre mulheres se elas, logo à partida, me foram tão escassas? Mais tarde, durante o doutoramento na Alemanha, partilhei o gabinete com uma colega alemã, apesar de nessa altura não haver muitas (Portugal, na proporção de mulheres cientistas, pede meças à Alemanha, nalguma coisa temos de ser os maiores!). Mas eu mal a consegui enxergar, pois permanecia envolta numa cortina de fumo. E o meu conhecimento sobre o mundo feminino nem aí progrediu muito.Enfim, vim depois a conhecer, com gosto, algumas mulheres. Namorei, casei e namorei outra vez. Percebi que as mulheres têm coisas em comum: elas reparam, por exemplo, em coisas que os homens não reparam. Que eu, pelo menos, não reparo (por exemplo, não reparo bem nas cores: sou daltónico, mas quase nenhuma mulher o é). Sem ter feito nenhuma experiência científica sobre o assunto, diria que os cérebros masculino e feminino são diferentes pois operam as câmaras dos olhos de maneira diferente e fazem diferentes gravações de imagens. Olhamos para coisas diferentes ou olhamos para as mesmas coisas em momentos diferentes. Quando os homens vêem o panorama, as mulheres observam um pormenor, em geral importante. Uma amiga minha diz que as mulheres são mais práticas porque não se podem dar ao luxo de ser teóricas. Não há nenhum mal nessa diferença. Pelo contrário, até há bem: é por isso que as relações entre os sexos são tão animadas e imprevisíveis. Gosto de mulheres porque gosto do desconhecido.
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O QUE SEI SOBRE AS MULHERES?
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October 17 2010, 6:38pm | Comments »
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Humor: Reforma 2
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Neste dias, em que diversas greves têm lugar em França para marcar o descontentamento social no que respeita ao aumento da idade da reforma e se discute a justeza ou desse aumento, aqui deixamos um outro "boneco" enviado por um leitor do De Rerum Natura.
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October 16 2010, 9:26am | Comments »
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FACILITISMO E ALDRABICE
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Minha crónica de hoje no "Público":Quem recentemente acertou na mouche ao falar sobre a crise financeira e económica que o país atravessa foi Ernâni Lopes, o ex-ministro das Finanças e Plano do Governo do Bloco Central, dirigido por Mário Soares, que em 1983 recebeu o FMI: «Não tem a ver com taxa de juro, oferta de moeda nem finanças públicas. Tem a ver com qualquer coisa mais importante. Os problemas resolvem-se com estudo e trabalho e não com facilitismo e aldrabice». Fê-lo pouco antes do anúncio pelo governo do PS dirigido por José Sócrates de medidas de aumento de impostos para todos e de redução de vencimentos dos trabalhadores da função pública. As palavras do ex-ministro não podiam ser mais certeiras. Com efeito, não foi há muito tempo que o IVA desceu e os salários subiram, por mera conveniência eleitoral, numa altura em que as crises nacional e internacional já eram mais do que visíveis (a primeira, para mal dos nossos pecados, mais antiga do que a segunda). O governo minoritário que resultou das eleições continuou teimosamente a negar a realidade. Foi facilitando o mais que pôde. E foi aldrabando até mais não poder. Por pressão externa e não por convicção interna, anunciou um PEC 1, depois um PEC 2 e agora um PEC 3, uma vez que a dívida continuava a aumentar. Num mundo em crise os outros bem podiam fazer de formiga, com a Grécia, a Irlanda e a Espanha a diminuírem os salários, que nós continuávamos a fazer de cigarra, como se o crédito fosse ilimitado. De facto, o mundo mudou. Mas o nosso Governo, contrariamente ao que se impunha, não mudou, e não fez a tempo o que era preciso fazer, que era estudar o défice e trabalhar para o diminuir. Agora, tarde e a más horas, parece ter acordado. E o Presidente do PS, António de Almeida Santos, que tinha sido colega de Ernâni Lopes no governo do Bloco Central (lembram-se de não se poder sair do país com mais de sete contos?), não encontrou melhor justificação para a mais recente ida do Governo aos bolsos dos contribuintes do que dizer que «o povo tem que sofrer as crises como o Governo as sofre». Se o povo não sabia, ficou enfim a saber que tem de partilhar as crises do Governo...E o que diz ao PEC 3 o PSD, que tinha assinado o PEC 2 numa quase reedição do Bloco Central? O seu porta-voz António Nogueira Leite, de quem se fala para ministro das Finanças (fez o tirocínio como secretário de Estado das Finanças de Guterres), foi tudo menos coerente e credível. Embora defendendo os cortes nos salários, pediu com candura ao Governo para “reconsiderar o aumento do IVA, porque não é bom para as famílias". A diminuição dos rendimentos salariais é, para ele, boa para as famílias. Estas, encolhidas pelos apertos de cinto, continuarão decerto a sofrer as crises, mesmo que mude o governo que as sofre. E não têm grande esperança que o facilitismo e a aldrabice acabem se houver uma mudança governamental.Poderia ser de outro modo? Dificilmente poderia. Uma sociedade não pode ser melhor do que a escola que a molda. Facilitismo, o termo que tão bem se adequa à política em geral, é também o certo para designar a política escolar, também ela de Bloco Central. Mostra-o, por exemplo, o caso do aluno que entrou na Universidade, com 20 valores, pela porta do cavalo das Novas Oportunidades. E aldrabice é a palavra justa para descrever uma situação em que se passam diplomas a certificar sabedoria e competências a quem é manifestamente ignorante e incapaz. Uma aldrabice pegada, como cada vez é mais claro.Dei-me conta outro dia de que a palavra aldrabar, de origem árabe, não é conhecida no Brasil. Mas a prática é. Mário Pratas, o autor do dicionário de português europeu para brasileiros “Schifaizfavoire” (Editora Globo, 1993; o título deriva do modo como se chama entre nós um empregado de mesa), comenta: “Depois de morar algum tempo em Portugal você começa a entender de onde veio essa nossa mania de levar vantagem, de dar golpinhos, de enganar o próximo, de tirar proveito das situações. Está certo que os brasileiros aperfeiçoaram a aldrabice...”
September 30 2010, 10:30pm | Comments »
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Mainstream
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Retomamos o destaque que que temos dado a coluna de opinião de J. L. Pio de Abreu no "Destak":O mainstream é um fenómeno que varre as sociedades contemporâneas. Consiste numa opinião que, repetida à exaustão, se instala como verdade e linha de orientação. Mas em geral é uma opinião sem fundamento nem submissão à lógica.O mainstream é um produto dos clips televisivos, necessariamente curtos, onde a argumentação não pode ter lugar. Entre o ver e o falar pouco, é a imagem que produz a opinião. Esta instala-se em cada um como preconceito, mas é tomada como certeza inabalável.O mainstream tem os seus heróis e os seus vilões. Os heróis são jovens brancos, bonitos, emotivos, encantadores e também manipuladores.Os vilões são escolhidos entre aqueles que despertam inveja ou vingança, mas têm geralmente rugas ou qualquer outro defeito que se note bem. Se não têm, inventam-se com montagens fotográficas ou televisivas. O mainstream pode não corresponder à maioria das opiniões. Mas quem tem uma opinião diferente, cala-se. Se falasse, seria rapidamente maltratado e equiparado aos vilões.O mainstream é feito por aqueles que berram ou têm palco. Mas dado que é, por sua natureza, imitação, ele apenas se repete. Quem anda no mainstream não tem tempo para ler, estudar ou investigar, pois passa o seu tempo a repetir.O mainstream é fruto da ignorância e da preguiça mental. Mas confere aos ignorantes a oportunidade de terem um protagonismo que não teriam de outro modo.José Luís Pio de Abreu
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September 10 2010, 2:44am | Comments »
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A desformalização
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Novo texto de João Boavida, como sempre, antes publicado no diário As Beiras.Podemos dizer que nos últimos quarenta, cinquenta anos houve uma desformalização generalizada da vida e também da educação. Os grupos sociais que faziam do formalismo e da formalização da vida uma mentalidade, um estatuto e uma distância, desformalizaram-se. Mais por empurrão da história, da economia, da política, da sociedade que por convicção, é certo, mas foi assim. A realidade cultural obrigou a isso.A desformalização, que levou à generalização do informal e do de-qualquer-maneira, transformou estes em regra, e de regra depressa se tornaram em moda. E, com a moda, formalizou-se a desformalização; isto é, as fórmulas, os modelos, passaram a ser, por regra, a falta deles, a não-fórmulas, os não-modelos. Pelas piores razões, pois, como acontece a todas as modas quando se massificam.Esta desformalização de modos, comportamentos, linguagens, retirou boa parte dela aos que a tinham, dissolveu o resto que havia nos que pouca possuíam e, assim, a educação deixou de a fornecer, como se se tratasse de uma coisa inútil e desprezível. Daí hoje dizer-se que imensos jovens não têm maneiras, não sabem estar e faltam-lhe atitudes adequadas às circunstâncias. Mas, pior, não são só os jovens.Podemos considerar que não é importante dar primazia aos mais velhos nos corredores ou à passagem duma porta, nem pedir licença para passar à frente, nem desculpa pelos encontrões, nem cuidado com as grosserias, nem agradecer pequenos favores ou atenções, etc. Pois são tudo coisas que não aumentarão a produtividade. Talvez, mas deixarão muitos a pensar quando for preciso escolher pessoas para certos cargos e funções, e que uma boa empresa ou serviço não pode desprezar.Serão pois pequenas coisas, e a diferença entre as grandes e as pequenas coisas será pouca, aqui, mas grande ao nível das implicações, lá. Além de que nem sempre avaliamos as consequências de como as qualidades e os defeitos, a boa ou a má formação interferem num complexo infinito que é a sociedade.A verdade é que tudo tem a sua forma e, portanto, as relações humanas exigem a sua formalidade. Talvez em certas épocas, lugares e grupos se tenha exagerado na formalização, transformando-se a boa formação em formalismo, e como este é mais exterior que interior, a boa educação tornou-se, muitas vezes, mais aquilo que parece do que aquilo que é. Ou seja, a formalização excessiva, em certas classes, tornou a desformalização uma necessidade. Mas não estaremos a caminho do excesso disso? Não se sentirá hoje a falta que faz um certo número de fórmulas e de modelos? Penso que é urgente reequilibrar as coisas.João Boavida
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September 1 2010, 8:41am | Comments »
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A CIÊNCIA ABERTA E OS SEUS INIMIGOS
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Excerto do meu livro (esgotado) "A Coisa Mais Preciosa que Temos" (Gradiva):A ciência começou por ser espectáculo. A pedra-ímã que atraía metais e a água metamorfoseada em cristais de gelo foram, desde a Idade Média, mostrados nas feiras a um público boquiaberto. Em Portugal, não houve esse espectáculo, se descontarmos as breves exibições de ciência experimental no palácio real no século XVIII. E, infelizmente, muito menos houve ciência: é difícil encontrar algum cientista português no século XIX, quando a ciência era uma actividade reconhecida e praticada na Europa civilizada (em vão se vai, por exemplo, à “História de Portugal”, coordenada por José Mattoso e publicada pelo Círculo de Leitores, à procura de um cientista português novecentista).No século XIX o espectáculo da ciência alimentou a curiosidade de muitos espectadores a respeito do funcionamento do mundo, fazendo despertar vocações. Ficaram famosas, por exemplo, as conferências do químico inglês Sir Humphry Davy, na Royal Institution de Londres que atraíram um rapaz que, apesar de ter apenas a escola primária, se tornou o maior cientista do seu tempo, Michael Faraday. Mais tarde, Faraday, não esquecendo as suas origens, fez questão de proferir muitas conferências para jovens, acompanhadas de "shows" de demonstrações, e complementadas por livros de divulgação. A mensagem da ciência que recebeu foi transmitida a outros. Ainda hoje podemos assistir a conferências com demonstrações experimentais na Royal Institution, num teatro por cima do velho laboratório de Faraday. É graças à curiosidade dele sobre a relação dos magnetes com os fios eléctricos que hoje temos a electricidade doméstica, o motor eléctrico, e outros artefactos da civilização. Na procura incessante da unidade das leis físicas, Faraday também se interessou pela relação entre as forças eléctrica e gravítica, mas esse estudo não teve resultados palpáveis. O problema era difícil... Einstein, confiante no sonho de que "só há uma força", trabalhou longamente no assunto (foi o problema que mais tempo o ocupou) mas pouco adiantou. É um problema que foi legado aos cientistas de hoje e que parece legado aos cientistas de amanhã.Repare-se que Faraday não andou a preencher papeis para nenhuma agência de investigação do tempo dele, para resolver o problema da iluminação das ruas de Londres. Se o tivesse feito, as suas ideias teriam decerto sido chumbadas por sábias comissões, que achariam melhor deixar a electricidade de lado e melhorar o funcionamento dos candeeeiros a gás. James Clerk Maxwell, o escocês que, na sequência dos trabalhos de Faraday, descobriu a relação entre o electromagnetismo e a luz, também não se moveu por interesses técnicos ou económicos ao continuar em adulto a colocar algumas questões que já o preocupavam em adolescente. Nem mesmo o alemão Heinrich Hertz, o descobridor das ondas hertzianas, teve por fito a comunicação à distância ou a produção de programas radiofónicos ou televisivos (objectivos que, na época, teriam sido declarados insanes por qualquer avaliador científico!). Apenas continuou a "fazer com as suas próprias mãos" e a "pensar pela sua própria cabeça", como já fazia em pequeno. O espectáculo de meia dúzia de feirantes com os magnetes conduziu, ao arrepio de todas as expectativas, ao espectáculo audiovisual que hoje nos entra pelas nossas antenas dentro.Em Portugal não tivemos uma revolução industrial que se visse, pelo que importámos a electricidade e a telefonia sem percebermos qual era a sua origem nem desmontarmos os seus mecanismos internos ("Quem não admirará os progressos deste século?", repetia, fanhosa e estupefacta, a grafonola de Eça de Queiroz). Do ponto de vista científico e tecnológico, o nosso século XX foi, na sua maior parte e infelizmente, a continuação do século XIX. A excepção de um Prémio Nobel da Medicina (Egas Moniz) limita-se a confirmar a regra geral. Só há pouco tempo alguns sinais anunciam a possibilidade de um futuro diferente.A educação científica, essencial para o desenvolvimento humano, é, entre nós, mais do que noutros lados, onde há outras tradições, um requisito para ganhar o futuro. Mas desde sempre, pior ou melhor, se ensinou em Portugal o produto da ciência. O que não se cultivou foi a prática da ciência. Vários caminhos se nos oferecem hoje para fazer vingar a atitude científica. Fomentar a curiosidade, que é natural nas mentes mais jovens, a respeito do funcionamento das coisas, é uma das vias mais frutuosas que temos à nossa disposição. Os livros de divulgação, as exposições interactivas de ciência, os filmes científicos, os programas científicos no computador, os museus científicos e técnicos, os programas de rádio e televisão, os dias de portas abertas de universidades e laboratórios, todos estes são meios que servem para mostrar uma ciência feita por mulheres e homens normais (portanto, muito diferentes do Prof. Pardal, que passa a vida a tropeçar em tralha e a inventar a roda quadrada).Em Portugal, o Ministério da Ciência e da Tecnologia criado em 1996, ao qual sucedeu o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, tem defendido uma ciência aberta, democrática e participada. Está consciente que alimentar a curiosidade das crianças e jovens é a chave para instaurar na sociedade uma atitude científica. Mas muitas e variadas dificuldades se têm deparado.Há, porém, vários inimigos da ciência. Eles encontram-se, por exemplo, nos prosélitos das pseudociências e das paraciências. Mas encontram-se também entre aqueles, alguns deles aparentemente cultos, que não vêem diferença entre a astrologia e a astronomia. E noutros, habilitados com cursos superiores, que ministram alquimias pedagógicas. Entre as dificuldades à ciência aberta deve referir-se uma em particular que diz respeito aos próprios cientistas. A nossa comunidade científica, que é relativamente pequena e recente, conserva ainda algumas idiosincracias, provenientes do tempo em que a ciência escasseava e alguns cientistas eram mandarins. A ideia de uma ciência aberta é ainda estranha a alguns deles. Então não há cientistas que julgam que a excelência da sua ciência é directamente proporcional ao défice de comunicação? Pois bem: Se não forem capazes de atraírem jovens é bem feito que fiquem sem continuadores. E, se não forem capazes de transmitir aos cidadãos, de uma maneira simples e clara, para que querem o dinheiro dos impostos que estes pagam, é bem merecido que fiquem sem financiamento. Os cidadãos são inteligentes, entendem o que lhes dizem (quando lhes dizem alguma coisa de forma clara), e não gostam de passar cheques em branco.Mas há, felizmente, quem comunique o que sabe e o que quer saber, não só para os seus alunos como para o público. A ciência está aberta e recomenda-se a entrada!
August 11 2010, 3:53am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Estória muito interessante
http://dererummundi.blogspot.com/2010/08/estoria-muito-interessante.html
Vale a pena ler este texto do DN, sobre uma estória bonita e sobre o facto de ser possível em Portugal.:-)
August 7 2010, 5:32am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
“Há uma injustiça do Estado que inquieta e irrita”
http://terrear.blogspot.com/2010/01/ha-uma-injustica-do-estado-que-inquieta.html
Esta declaração assumida por José Gil em entrevista hoje publicada pelo Jornal de Negócios é de uma extrema acutilância e justeza. Fonte de desesperança, gérmen de revolta, motivo de auto-exclusão e alienação. Portanto, que não apenas inquieta e irrita. Vai muito mais além. Chega à desmoralização, à apatia, ao desmonoramento.E onde está essa injustiça do Estado? Nas coisas mais simples (mas que não deixam de ser gravosas):a) na interminável demora de resposta a cidadãos e empresas que têm pendentes durante meses processos que por lei deveriam ser respondidos com celeridade num mês ou dois;b) no "chico-espertismo" de contornar a lei, fazendo pedidos sucessivos para que os prazos comecem a contar sempre do zero;c) na arrogância, no encolher de ombros perante a manifesta falta de resposta pública (olhe, venha cá daqui a 15 dias...; olhe, telefone para a semana pois o técnico hoje não pode atender; ... olhe...)d) na indiferença "as diferenças", na impessoalidade na forma de tratar as questões, seguindo os "bons" tiques burocráticos....e) na confusão reiterada entre fins e meios (sendos estes muitas vezes transformados em verdadeiros fins)..f) na irresponsabilidade perante a manifesta ineficácia da acção;g) na postura feudalizante em que os cidadãos são tratados como os novos "servos da gleba"...As situações-tipo poderiam ser continuadas. Estas bastam para ilustrar um mal que nos corrói e diminui.
January 8 2010, 7:01am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
Re_Orientações
http://terrear.blogspot.com/2010/01/reorientacoes.html
De regresso a uma riquíssima entrevista concedida há tempos pelo Prof. António Nóvoa ao Correio da Educação:Afirmou um dia que era tempo de inverter o discurso e as práticas: de colocar não a escola ao serviço da sociedade, mas a sociedade ao serviço da escola. O que quis dizer com isso e quais as manifestações possíveis dessa nova equação?A afirmação vem de Albert Jacquard. Eu aproprio-me dela no contexto da defesa, que tenho vindo a fazer nos últimos anos, de um espaço público da educação, um espaço que integra a escola como um dos seus pólos principais, mas que é ocupado por uma diversidade de outras instâncias familiares e sociais. É o reforço deste espaço público que permite o retraimento da escola. Para resolver esta “nova equação” é necessário assegurar três requisitos: 1.º que não se prolongue o paradoxo de exigir cada vez mais aos professores, dando-lhes cada vez menos condições e prestígio; 2.º que as escolas compreendam a importância de comunicar com o exterior e de prestar contas públicas do seu trabalho; 3.º que a sociedade seja chamada a um papel activo na organização e direcção dos projectos educativos das escolas.
January 6 2010, 2:32pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
Segundo Dilema: Escola como comunidade ou como sociedade?
http://terrear.blogspot.com/2009/10/segundo-dilema-escola-como-comunidade.html
O segundo dilema é talvez o mais difícil, pois é o que traz muitos equívocos: escola como comunidade ou como sociedade? A palavra comunidade é dificílima, porque é de um enorme equívoco, é vista para muitas coisas e utilizadas de modos diferentes. É uma palavra que tem um conceito essencial-mente positivo junto aos educadores. Mas há também alguns aspectos negativos.(...)Para mim, tudo que esteja a fechar as crianças, por uma ou outra razâo, fechar em comunidades onde as fronteiras estâo muito definidas, é um erro. É um dilema que terâ de ser enfrentado no futuro dentro das discussôes sobre as políticas pûblicas de educaçâo. As políticas de privatizaçâo e liberalizaçâo do ensino, a idéia de que nâo se deve financiar as escolas e, sim, os pais, e eles colocam as crianças na escola em que quiserem, vai certamente arrastar esse princípio de que cada grupo social vai ter a sua prôpria escola, que vai ser mais disciplinada, mais coeren-te, mais ordeira, mas vai ser uma escola infinitamente mais pobre [do que] onde hà um diàlogo entre vârios grupos. Defendo a escola muito mais como sociedade do que [como] comunidade. Uma sociedade é qualquer coisa que tem regras. Sô se pode viver em sociedade corn regras. Em comunidades, no limite, é possível viver sem regras, a partir de tradiçôes, ligaçôes simbôlicas. Citando Philippe Meirieu, muito dos jovens que designamos como problemâticos, pré-delinqüentes têm comunidade a mais. Muitas vezes estâo inseridos em gangues, onde hà uma énorme solidarie-dade, onde hà uma liderança carismàtica. A escola tem que dar a esses jovens mais sociedade, mais regras de vida em comum, mais regras do diàlogo, de vida em sociedade. A escola deve ser mais crítica a essa comunitarizaçâo. Isso se faz corn a escola como sociedade e nâo como comunidade.António Nóvoa, Ibidem
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October 28 2009, 7:02pm | Comments »






