A comunicação do stress "O teu tempo não vale nada, mas não o percas!". Na escola, o aluno aprende simultaneamente a "esperar" e a "despachar-se", o que marca alguns estudantes para o resto da vida, influencia a sua relação com o trabalho, com a sociedade, com a comunicação. O tempo escolar, por razões que nada têm a ver com a vontade dos professores, é um tempo fraccionado, regido pelo toque das campainhas ou pela divisão do trabalho; um tempo pouco negociado que, por diversas razões, parece escasso. Não se pode "ultrapassar" o tempo marcado, porque há um horário oficial, as regras e os hábitos do estabelecimento, os colegas que esperam, a hora para ir à cantina, o recreio, os trabalhos de casa a corrigir, a aula de Educação Física, os outros cursos, o catecismo, a aula de Música. O tempo escolar é calculado, calibrado, muitas vezes, de forma optimista, em função de uma tarefa, com poucos tempos mortos e com pouco tempo para se respirar. Todo o tempo de que se dispõe, na escola, tem de ser aproveitado para "dar o programa", sabendo-se, de antemão, que tal nunca será conseguido, mas é-se pressionado afazer de conta que sim, para se ir o mais longe possível.A maior parte das tarefas e das situações de comunicação, explicita ou implicitamente, harmonizam-se com uma forma de utilizar o tempo: "Primeiro leiam as instruções, depois façam os exercícios que têm de fazer ou que lhe pareçam mais acessíveis, e a seguirfaçam os outros; se tiverem tempo, releiam-nos e procurem corrigir os erros". O tempo escolar não está à disposição dos alunos, ainda que sejam eles que trabalham e aprendem. É a instituição que rege esse tempo, que exerce uma pressão constante e cria o stress: "Depressa! Despachem-se! Só têm cinco minutos!". A organização do trabalho escolar é, em larga medida, indiferente aos ritmos individuais. Quando o professor pede aos alunos para trabalharem qualquer documento, estabelece um determinado tempo para a leitura, baseando-se numa média. No final do tempo estipulado, há alunos que "desligam" logo do assunto: uns, porque não leram ou não compreenderam o texto; outros, porque tiveram tempo para o ler duas vezes e já estão fartos. A seguir, supondo que se organiza o trabalho por equipas, dando a cada uma vinte minutos, é quase certo que, no final deste período, enquanto alguns alunos ainda estão no início de uma autêntica discussão, outros já deram a volta ao problema e há muito que esgotaram o debate. Interrompe-se então toda a gente: os que estão em plena actividade e os que dizem que falta pouco para o recreio, os que acabaram e os que tinham necessidade de mais vinte minutos. O professor põe fim às reflexões pessoais ou às conversas de cada equipa, para obrigar cada aluno a reintegrar-se no grande grupo. E, em nenhum destes momentos, a comunicação foi livremente gerida pelos interlocutores.A estruturação social do tempo é uma dimensão de toda e qualquer experiência escolar, logo, é uma dimensão do currículo. O aluno aprende na escola que nunca se tem tempo e que, simultaneamente, há sempre tempo: o tempo de esperar que os outros acabem, que os outros lhe dêem a palavra, que os outros o queiram escutar, logo, uma relação no tempo bastante paradoxal e uma comunicação feita de uma mistura de precipitação e de impaciência ...Philippe Perrenoud, Obra citada infra
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Os paradoxos da comunicação na aula
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June 7 2010, 2:59pm | Comments »
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Alunos, stress e aprendizagem
http://terrear.blogspot.com/2009/12/alunos-stress-e-aprendizagem.html
O stress afecta, seguramente, os alunos e a sua aprendizagem. Como se encontra descrito em Nature Neuroscience (1998) por Sonya Lupien, professora na Universidade McGill de Montreal, os elevados níveis de cortisol, produzidos por um stress prolongado, provocam o encolhimento do hipocampo acabando por resultar num enfraquecimento da memória. É fácil compreendermos como um aluno poderá ter dificuldades em memorizar a tabuada se ele ou ela estiverem preocupados com uma vida familiar violenta. Se um aluno se sentar a olhar para o relógio, amedrontado com a hora do recreio devido a uma provocação diária dos colegas, o professor não pode esperar ter a atenção total da criança na aula.Os professores podem ajudar os alunos a lidar com o stress de diversas formas. Primeiro, um professor pode ajudar o aluno a ganhar controlo de situações causadoras de stress. O stress emana geralmente do medo. Ao fomentar a confiança e a sensação de poder do aluno, o professor constrói o controlo do aluno sobre muitas situações e assim contribui para reduzir o stress. Embora os educadores não possam necessariamente eliminar os elementos de stress das vidas dos seus alunos, podem ajudá-los a limitar alguns desses elementos e os seus efeitos. O simples facto de ter um professor que os escuta já pode ajudar muitos alunos a lidar com a pressão. Os professores podem referenciar os alunos a um orientador vocacional ou a um psicólogo para assistência. Podem ensinar aos alunos competências de relaxamento ou de coping para lidarem com as reacções físicas e emocionais que têm perante situações de tensão. Em casos de abusos, os professores devem relatar as suas suspeitas à polícia, à assistência social ou ao administrador da escola conforme for mandatado pela lei local ou estadual. Uma outra forma que os professores têm para ajudar os alunos a lidar com o stress é criando um ambiente, verdadeiramente, seguro na sala de aula e na escola. O ambiente de sala de aula é discutido mais à frente neste capítulo.Obra citada infra
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December 4 2009, 3:01pm | Comments »
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Vulnerabilidade ao stress, estratégias de coping e autoeficácia em professores portugueses
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Margarida Pocinho (Universisade da madeira) ; Maria Regina Capelo (Secretaria Regional da Educação e Cultura)Neste trabalho, apresentamos uma investigação realizada com professores, no qual se procura determinar a vulnerabilidade ao stress; identificar as principais fontes de stress; estabelecer as principais estratégias de coping; analisar se as estratégias deste condicionam a presença de stress laboral; e reconhecer se a autoeficácia percebida é preditora desse tipo de stress. Trata-se duma investigação por questionário, do tipo correlacional, e a amostra é constituída por 54 professores do Ensino Básico público português. As respostas ao Questionário sociodemográfico e profissional; ao Questionário de Vulnerabilidade ao Stress — 23QVS (Serra, 2000); ao Questionário de Stress nos Professores — QSP (Gomes et al., 2006; Gomes, 2007); ao Coping Job Scale — CJS de Latack (adaptação de Jesus & Pereira, 1994); e à Escala de Avaliação de Autoeficácia Geral (Ribeiro, 1995) revelam que 20,4% dos docentes são vulneráveis ao stress; os comportamentos inadequados/indisciplina dos alunos são as principais fontes de stress; as estratégias de controlo são as mais utilizadas pelos participantes para enfrentar o stress, seguidas das de escape e das de gestão de sintomas. Os professores não vulneráveis ao stress utilizam principalmente estratégias de controlo e apresentam níveis mais elevados de eficácia perante a adversidade, bem como de iniciativa e persistência em relação aos professores vulneráveis ao stress.Palavras-chave: Stress — Coping — Autoeficácia — Professores.Artigo completo
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October 3 2009, 2:21pm | Comments »
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MANIFESTAÇÕES DE STRESS ASSOCIADO À ESCOLA
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As condutas que vamos comentar a seguir são sintomas de stress e emoção negativa perante o insucesso nas tarefas escolares. Representam, por outro lado, formas não adaptativas de lidar com o stress e que levam a problemas ainda maiores de inadaptação. Em crianças pequenas, dos seis aos oito anos, ainda não encontramos um diagnóstico consistente de insucesso emitido pelo sistema escolar; não pode, pois, existir consciência de insucesso na própria criança ou na família. Mas não se pode deixar de considerar a influência permanente que tem, ao longo da aprendizagem de uma criança, a avaliação negativa do seu rendimento, já que a aprendizagem é cumulativa, e carências de aprendizagem prévias podem ser causa de insucesso em aprendizagens posteriores. É, portanto, um tema preocupante para os educadores, o facto de um aluno ou uma aluna começar a revelar deficiências nas aprendizagens dos primeiros anos e, mais ainda, se demonstrar ansiedade e stress. Eis alguns exemplos de sintomas de stress associado à escola, em crianças dos seis aos oito anos de idade: - Conduta regressiva: como queixas, chuchar no dedo, voltar a fazer chichi na cama, e outras. Esta conduta da criança costuma andar associada à atitude de se negar a ir para a escola, por medo dalgum estímulo concreto, como uma repreensão do professor, ou que os colegas lhe batam. A criança pode, ainda, “fingir-se” doente. Os pais devem tentar resolver este quadro comportamental logo no momento em que ele surge. Se persistir, pode ser considerado um sintoma de desajustamento.- Ansiedade, por não saber fazer as tarefas ou de as fazer mal, ou por motivos semelhantes. Este sintoma costuma ocorrer em crianças que se preocupam com as coisas, e que têm uma consciência muito viva das expectativas dos pais; podem também surgir fobias e temores mais generalizados (p.e. dos cães), que podem transformar-se em obsessões, o que requer uma atenção mais especializada.- Depressão. Não costuma ocorrer em simultâneo com a ansiedade, mas pode surgir acompanhada de sintomas regressivos. Manifesta-se através de tristeza, diminuição da actividade, sintomas de infelicidade e preocupação. A criança pode tornar-se mais dependente das relações de afecto familiar.- Somatizações. Costumam ocorrer em crianças que não manifestam verbalmente nem stress nem emoções negativas. Não mostram nem medo nem raiva, mas queixam-se de doenças ou dores (p.e. dores de cabeça, de estômago, perturbações do sono.). É uma forma pouco socializada de lidar com o stress. É como se, em vez de sentir dor ou ansiedade, a criança as reprimisse e as voltasse contra o seu próprio corpo.Nenhuma destas reacções é adaptativa, mas constituem uma chamada de atenção ou sintoma de que a criança sente stress, e de que não se está a sentir bem em relação a algum aspecto da escolaridade. Exigem uma atenção particular por parte dos educadores da qual falaremos a seguir.COMO ENFRENTAR O STRESS ASSOCIADO À ESCOLA?A família tem um papel muito importante nestas idades em que as crianças não têm, ainda, percepção do insucesso crónico, e em que o seu stress depende, totalmente, da superação das dificuldades que os adultos esperam que ela consiga ultrapassar. Eis algumas actuações por parte dos pais:- A família pode criar um ambiente que facilite a aprendizagem escolar, habituando a criança a ler (ou a folhear) contos, a brincar com pincéis e lápis, a pintar, a ouvir histórias, a exercer múltiplas actividades lúdicas que podem ser abordadas pelo pai e pela mãe, em conjunto com a criança, em momentos do dia ou em fins de semana descontraídos e gratificantes para os pais e para as crianças.- Os pais devem manter estreito contacto com os professores ,no início da escolaridade, pois a forma como a criança encara o trabalho escolar e se adapta nos primeiros momentos é determinante e revela muito sobre o seu futuro sucesso escolar e capacidade de adaptação.- Os pais podem estimular o trabalho escolar, dedicando uns minutos à criança de preferência quando ela acaba de chegar da escola, pedindo-lhe que conte o que fez durante esse dia e que mostre os seus trabalhos escolares e as tarefas que já terminou. A importância que os pais derem ao trabalho da criança, terá profunda influência na sua motivação pelo trabalho escolar.- Os pais podem fazer ver à criança que o importante é que ela realize os trabalhos diários e se esforce, mesmo que as coisas não lhe saiam muito bem ao princípio. Convém evitar projectar nas crianças ansiedades e perfeccionismos no que respeita ao domínio destas aprendizagens básicas. Encarar com descontracção os resultados incompletos, fazendo que a criança perceba que é amada e que é muito importante para os pais e que eles a irão ajudar a superar as dificuldades.- No caso de crianças imaturas (crianças que agem como se tivessem menos idade), cheias de actividade e desobedientes, convém estar consciente de que o importante é manter o carinho e o apreço por elas e ter paciência quanto ao domínio da aprendizagens escolares, pois estas exigem, como já notámos, competências que este tipo de crianças ainda não possuem e que irão adquirindo com mais lentidão e esforço do que as outras.Quanto aos recursos externos, prestar apoio especial (p.e. explicações particulares) a uma criança pequena pode dar resultados positivos, se ela aceitar ajuda sob a forma de aula extra no final dum dia de escola; pode ser que, assim num espaço protegido, ela comece a desenvolver aprendizagens que não consegue na escola, por não dispor de ajuda individualizada. As aulas de apoio acrescido na escola também podem ajudar, desde que não sirvam para “rotular” a criança como pertencente ao grupo dos mais desfavorecidos. Nas aulas curriculares normais, estas crianças deviam ser objecto duma atenção mais personalizada por parte do professor que, no primeiro ano, pode passar por adaptações curriculares, que lhes permitem avançar de acordo com o seu ritmo próprio.inO Stress na Infância
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May 7 2009, 12:36pm | Comments »
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Do Sofrimento dos professores...
http://terrear.blogspot.com/2008/12/do-sofrimento-dos-professores.html
O sofrimento no trabalho, segundo Freud, Marx e Dejours Na impossibilidade de abordar um leque mais extenso de autores que tratam do assunto – e não são poucos que o fizeram de forma brilhante - escolhemos três que nos parecem bastante significativos. O primeiro deles – Freud – não escreveu textos especialmente dedicados ao tema, mas não deixou de reconhecer a centralidade do investimento da
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December 8 2008, 4:29pm | Comments »
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