Ilustração de Nuno Fonseca.Fonte: aqui.
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
PASSAROLA OU SARDINHOLA?
http://dererummundi.blogspot.com/2009/06/passarola-ou-sardinhola.html
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June 8 2009, 6:54pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
E se de repente lesse “o seu blog não está mais disponível”?
http://pauloquerido.pt/tecnologia/e-se-de-repente-lesse-o-seu-blog-nao-esta-mais-disponivel/
“Your blog on Yahoo 360 will no longer be available to you.” Quando Jerry Yang anunciou, há ano e meio, que o “seu” Yahoo! ia fechar o serviço de alojamento de blogs 360º, mal se deu por isso. Vivíamos efervescentes tempos de Twitter, Facebook, Google e cloud-computing e ninguém quer falar dos “mortos” nem dos acidentes de percurso, há tanta coisa nova para noticiar. Agora que a data de termo se aproxima — o 360º encerra definitivamente no dia 13 de Julho próximo, ou seja, dentro de menos de mês e meio — já se dá por ela. Até porque os prejudicados se fazem muito justamente ouvir e, sobretudo, as suas dúvidas dão-nos que pensar sobre os riscos que nós próprios corremos sem que deles nos apercebamos. Muito simplesmente: o que vai acontecer ao produto, nalguns casos muito sério e de anos, do trabalho dessas pessoas pode acontecer a qualquer um de nós, que entregamos — sem pensar — o nosso trabalho a terceiros. O Yahoo! “permite” que as pessoas possam levar os seus textos para outros sítios dentro do universo da empresa e até para o WordPress.com. Mas não está salvaguardada a questão dos endereços. E esse é o problema. Todos os links para os arquivos se vão perder. É como apagar uma marca. Imagine que a Coca Cola era obrigada a mudar de designação. Só isso: mudar de designação. Podia continuar o negócio, os clientes, a distribuição — tudo, mas com outro nome. É capaz de calcular os prejuízos directos da mudança de marca (refazer toda a publicidade da empresa em todo o mundo) e indirectos (todo o capital de prestígio acumulado na marca “Coca Cola”)? A maioria das pessoas não faz a menor ideia no que se está a meter quando trabalha num blog. Deixemos os casos de superfície, os bloggers intermitentes, que abrem hoje e fecham amanhã, e os que exploram os lados lúdico e experimental da ferramenta. Pensemos nos autores que querem estabelecer uma relação mais ou menos duradoura com uma rede de leitores/interlocutores. Seja em blogs colectivos seja em blogs individuais. Seja em moedas web (reputação, autoridade, prestígio, reconhecimento), seja em moedas físicas (exploração comercial directa, pela publicidade/patrocínios, ou indirecta, como alavanca para contratos, parcerias, negócios, consultorias). Pensemos nos bloggers que trabalham, que levam a sério a produção dos seus conteúdos. (Penso num caso recente de um grupo de autores que saiu de um blog e abriu outro, e no momento em que se colocou a questão da propriedade dos arquivos.) A riqueza da rede é o hipertexto. Os links. É a economia dos links que traça o valor de um conteúdo online. A reputação e a autoridade dependem directamente da quantidade e qualidade dos links. Quando alojamos um blog gratuito num servidor, a palavra “gratuito” significa meramente que não há troca directa de dinheiro. Porque na realidade há uma troca: o servidor fornece-nos a tecnologia e os recursos e nós entramos com o nosso trabalho para o enriquecimento reticular dele. Cada um de nós contribui com uma ínfima porção — tão ínfima que conscientemente a colocamos fora do mensurável; mas no servidor as dezenas ou centenas de milhões de porções somam-se e o resultado é um valor mensurável, opiparamente mensurável diria mesmo. A esmagadora maioria das pessoas aceita o trade off de bom grado, incapaz de estabelecer um valor para aquilo que, no início, nem se atreve a pensar como “trabalho”: para isso contribui pertencer à “cultura da partilha”, um ambiente eufórico onde ” a informação quer ser livre”, o “reino do gratuito” — keywords apensas entusiasticamente ao movimento de liberdade e empowerment colectivo, grupal e individual que fica na História como a Internet 2.0, ou a web social. Os “não-trabalhadores” do 360º do Yahoo! estão na frente da fila de uma vaga de futuros “não-desempregados”, as “não-vítimas” da “não-falência” dos serviços “não-gratuitos”. Bem podem pegar nos seus conteúdos e ir recomeçar tudo do início noutro lado; será até mais fácil, pois que levam um arquivo, não partirão do zero absoluto. Mas as suas marcas, links, reputações, comunidades, reacções — tudo isso está perdido a partir o momento em que a empresa alojadora acciona as cláusulas do contrato que lhe permitem fechar o serviço quando e como entender. “Comercial” e “permanente” não rimam forçosamente. Ninguém imagina que a Google feche o Blogspot amanhã, mas isso não impede a empresa de o fazer, se decidir que é essa a sua melhor opção. E na hipótese, absurda, de tal acontecer, muito provavelmente iríamos escutar os seus lacinantes gritos, caro leitor, enquanto os bloggers que avaliaram o risco do trade-off e preferiram investir num domínio póprio estariam salvaguardados de tal intempérie que varreria a Internet como um vaga destruidora. (Se, por esta altura, o leitor reparou na segunda utilização da palavra “vaga” neste artigo e fez alguma associação de ideias com o recente noticiário tecnológico, pois saiba que foi minha intenção provocar-lhe entrelinhas essa mesma associação.) Existe um perigo em entregar o nosso trabalho à “nuvem”. É bom que comecemos a avaliar os riscos da produção de conteúdos online. Quantas vezes aquilo que começa como um despretencioso blog vai crescendo até se tornar num caso sério, e pensamos em todas as horas ali metidas, e em todo o valor gerado com a comunidade, e pensamos nos laços (e também nos links). O desaparecimento do 360º é o desaparecimento de 10,8 milhões de páginas e 3 milhões de links que subitamente deixarão de levar a algum lado. E estamos a falar e um serviço com a morte decretada há 18 meses. Se o Blogspot fizesse o mesmo, 16 milhões de blogs fechavam. 420 milhões de páginas sumiam-se dos arquivos e dos motores de busca. 70 milhões de links seriam inutilizados. Pense em quantas das suas horas de dedicação eram evaporadas. Pense nisso na próxima vez que abrir um blog ou plantar a semente da sua marca num terreno sobre o qual não tem nem jurisdição nem controlo. Paulo Querido
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June 3 2009, 2:30am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
MAGALHÃES: PRÓS E CONTRAS
http://dererummundi.blogspot.com/2009/06/magalhaes-pros-e-contras.html
Li recentemente dois depoimentos contrastantes de docentes sobre o computador "Magalhães". Deixo um e deixo o outro, no essencial da sua argumentação:PRÓComputador Magalhães: Um passe de mágicaLuísa Lobão Moniz, Mestre em Educação Intercultural e doutoranda em Ciências de EducaçãoJL Educação, 6-19 Maio 2009"O governo tomou uma medida corajosa e meritória: dar a todas as crianças do 1º ciclo um computador de seu nome Magalhães.Sermos um país atrasado foi rótulo que se nos colou desde décadas. Não mais esse atraso, muito menos o tecnológico.Com o atraso, ou melhor, com a inadequação de certos costumes no seio da família, convivemos um pouco melhor... Ainda não secaram as lágrimas da pancada que levou, mas o Magalhães já está ligado...Longe desta reflexão dizer que quem tão generosamente delineou este plano se sinta confortável com a realidade da violência que todos os dias recai sobre muitas, muitíssimas, das nossas crianças.(...) Mesmo com naus perdidas o estreito ficou vencido e de Magalhães recebeu o seu nome.Cinco séculos passados o Magalhães é nome de mini-computador que irá vencer ventos e marés. Oxalá não caia em nenhuma emboscada como se diz caiu Fernão de Magalhães nas ilhas Filipinas em 1521, oxalá o Oceano Pacífico seja a escolinha que se deseja."CONTRAO MagalhãesMaria da Graça Martins, professora de Matemática do ensino secundário (ESEN Viseu)Gazeta de Matemática, nº 157, Abril 209"Tenho de começar por dizer o que penso da "distribuição" de Magalhães aos meninos do 1º ciclo: um embuste e uma grande bandeira de propaganda.O facto de cada aluno ter em casa um Magalhães não me parece ser uma medida prioritária, que contribua para melhorar o ensino e a aprendizagem neste ciclo.Estamos a falar de meninos com idades entre os 5 e os 10 anos, que depois das aulas não precisam de consultar a Internet para a pesquisa ou elaboração de trabalhos. E, se no 4º ano isso acontecer, esse trabalho terá de (deverá?) ser feito na escola, na presença e com a ajuda do professor.Os meninos com essa idade, depois das aulas, devem brincar e fazer jogos colectivos, e não ficar no quarto a "jogar" com o computador. Isso não significa que na escola do 1º ciclo não deva haver computadores com software interessante para, orientados e ajudados por professores bem preparados, quer na área das TIC quer especialmente na área da Matemática, os alunos trabalharem."
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June 1 2009, 8:16am | Comments »
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COMO ERA A PASSAROLA?
http://dererummundi.blogspot.com/2009/05/como-era-passarola.html
Fig. 1 Gravura austríaca de 1709.Neste Ano Gusmão, celebrado em Portugal e no Brasil, vale a pena voltar ao tema da forma da Passarola, o primeiro balão construído pelo Padre Bartolomeu de Gusmão. E vale a pena transcrever o excerto relevante do livro de Rómulo de Carvalho "História dos Balões" (3ª edição da Atlântida de 1976; há uma reedição mais recente da Relógio d'Água; para uma minha recensão do livro ler aqui):"Os desenhos da Passarola do padre VoadorUm dos assuntos relativos às experiências de Gusmão que maior curiosidade tem despertado é o de conhecer o feitio que teria a sua Passarola. Infelizmente nada sabemos de certeza embora existam desenhos da época que foram divulgados como representação da máquina voadora.O desenho mais antigo que se conhece é de Maio de 1709, isto é, anterior de três meses à data das experiências de Lisboa, e faz parte dum folheto publicado em Viena de Áustria! A partir dessa data aparece o mesmo desenho reproduzido noutras publicações, com algumas diferenças de pormenor.A fantasiosa estampa (ver fig.1) foi imaginada pelo próprio Bartolomeu de Gusmão que desse modo infeliz se quis divertir com a ansiosa expectativa dos lisboetas nas vésperas das anunciadas experiências. Fingiu o inventor que perdera o desenho da sua máquina, deixando-o cair do bolso em qualquer lugar público. Este desenho, ou sua cópia, depressa seria conhecido na Áustria por intermédio da correspondência da rainha [a esposa de D. João V era austríaca].Mais de meio século depois da publicação da estampa de Viena de Áustria, editou-se em Lisboa outra estampa, muito semelhante à anterior (ver fig.2) e que é a primeira que se conhece impressa em Portugal. Esta estampa é acompanhada duma explicação relativa a cada uma das letras que nela se vêem. Comparem-se as duas figuras e repare-se que na de Viena as letras têm a mesma disposição excepto as G e H que estão trocadas.Fig. 2 Gravura de 1774Como se vê, trata-se de uma barca em forma de ave. A letra A indica o "velame, que servirá para fazer cortar os ares"; B a cauda da ave, que faz de leme; C o corpo da barca, construído de modo a esconder, dentro de si, um conjunto de canos ligados a foles destinados a fornecerem o vento necessário à deslocação da Passarola, quando lhes faltassem o vento natural! Em D estão as asas laterais que equilibrarão a barca.Começa agora a parte mais fantasiosa da descrição, relativa às esferas assinaladas com as letras E. São de metal e contêm pedaços de magnetite, pedra natural de poder magnético, a que os antigos portugueses chamavam pedra de cevar. Para facilitar a elevação da Passarola seria o seu corpo, que era construído de madeira, todo forrado de chapas de ferro. A pedra de cevar, contida nas esferas, atrairia as chapas de ferro, fazendo-a subir!...A parte das figuras indicada com a letra F não tem, em ambas, igual configuração, Na estampa de Viena, vê-se uma rede que cobre a barca; na de Lisboa vê-se uma fila de pequenos corpos suspensos, que fazem lembrar as borlas duma cortina. A aplicação que acompanha esta última diz que "F) Mostra a coberta feita de arames, a modo de rede, em cujos fios se tem enfiado muita soma de alambre...""Alambre" é forma antiga da palavra "âmbar". É sabido que esta substância, quando friccionada com um pedaço de lã, se electriza e adquire a propriedade de atrair certos corpos leves como, por exemplo, pedaços de palha. Este fenómeno já é conhecido desde tempos anteriores a Cristo.O autor do desenho da Passarola, que não era ignorante destas coisas, reforçava a acção da pedra de cevar, para tornar mais fácil a ascensão da barca, cobrindo-a interiormente de palha de centeio que seria atraída pelos pedaços de âmbar suspensos"! Juntando o útil ao agradável, também a palha servia "para a comodidade da gente, que levará até dez homens, e com o seu inventor onze".A letra G da estampa de Lisboa indica a agulha de marear, para a orientação dos navegadores aéreos.Em H vê-se o aeronauta, servindo-se de um instrumento com o qual "toma a altura do sol, para ver sonde se acha". A seus pés encontram-se as cartas de navegação.Finalmente em I, dum lado e doutro da barca. vêem-se as combinações de roldanas para o manejo do velame indicado com a letra A.O gracejo do Padre Gusmão, ao divulgar o falso desenho da máquina, saiu-lhe bem caro. Muitos estudiosos dos assuntos respeitantes à história da conquista do ar não têm dado apreço nem crédito às experiências do nosso compatriota, julgando-as fantasiosas, só por deitarem os olhos à excêntrica máquina voadora representada na estampa. No decorrer do tempo apenas serviu para desprestigiar o inventor.Sem forçarmos a nota de patriotismo podemos afirmar que Bartolomeu Lourenço de Gusmão foi o inventor dos aeróstatos. Não há dúvida nenhuma sobre a efectivação das suas experiências em Lisboa, durante as quais fez subir, ao ar, alguns balões feitos de arames, papel grosso e madeira fina. Também não há dúvida de que se serviu do fogo para os fazer subir. Seriam, portanto, balões de ar quente. "RÓMULO DE CARVALHO
May 29 2009, 4:57pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Relação da Viagem Aerostática feita no Porto em 1820
http://dererummundi.blogspot.com/2009/05/relacao-da-viagem-aerostatica-feita-no.html
O Porto, a cidade que, no S. João, se enche de balões, foi desde cedo palco de experiências de balonismo. Graças de novo a João Boaventura eis o relato da Gazeta de Lisboa n.º 161, 10/Julho/1820 da primeira ascensão em balão realizada no Porto:Porto, 28/Junho/1820, Relação da Viagem Aerostática feita nesta Cidade a 25 de Junho de 1820, por Mr. Robertson, filho"Tendo o Professor Robertson pai, recebido em Lisboa as mais lisonjeiras provas de geral satisfação em todas as suas experiências, que tiveram um feliz sucesso, julgou que não devia deixar Portugal sem oferecer à cidade do Porto o raro espectáculo de uma viagem aerostática. Todas as pessoas eruditas, que se achavam na mesma cidade empenhar-se-ão em favorecer uma subscrição para este objecto: anunciando-se esta experiência para o domingo 25 de Junho, e sendo destinada para celebrar-se a festa do nome de S.M. Fidelíssima Rei do Reino Unido foi desempenhada felizmente no dia referido na bela Quinta do Prado, que pertence ao Excelentíssimo e Reverendíssimo Bispo do Porto.A chuva, que desde as dez horas até ao meio dia caiu repetidas vezes, fez recear que a experiência fosse diferida; mas ao depois, serenando a atmosfera, Mr. Robertson principiou às três horas o trabalho necessário para a formação do gás hidrogénio, e às 5 horas a máquina, inteiramente cheia esperava o Aeronauta.O Professor Robertson tinha prometido a sua sobrinha, a esposa do jovem Malabar, o prazer de a deixar elevar-se, estando a barquinha presa por uma corda; por isso antes da partida de Mr. Eugénio Robertson ela subiu a certa altura. Esta jovem, desejando há muito tempo fazer uma viagem aerostática, tinha escondido um canivete, e uma carta no seu lenço, e intentava cortar as prisões, que a retinham: apenas o seu intento foi descoberto por Mr. Eugénio Robertson, que se assustou, e não queria ceder o seu lugar a pessoa alguma, lançou mão rapidamente da corda principal e conduziu o balão até ao recinto. Então esta Dama cheia de coragem saiu da barquinha e Mr. Eugénio Robertson, substituindo o seu lugar, sustentando-se em pé, e tendo na mão a bandeira portuguesa elevou-se majestosamente às 5 horas e meia bradando: ”Viva El-Rei; Viva D. João VI”; e, lançando várias peças de versos em honra da Nação Portuguesa, análogas a tão brilhante circunstância.Elevando-se o balão, o quadro que se desenvolvia debaixo dos pés do aeronauta tornava-se mais interessante; pois que o Douro, correndo ao longe, já parecia esconder-se por entre as montanhas, já descobrir-se de momentos a momentos. O viajante por uma parte via o Porto como num pequeno quadro; mas sem perder a menor circunstância, por outra parte divisava ao longe verdes florestas, deliciosos jardins, e campos cercados de parreiras que atraíam e encantavam seus olhos, e qual uma serpente, que dá tortuosas voltas para entrar na sua cova, assim o Rio Ave parecia dirigir-se para o mar.O objecto mais tocante, que o aeronauta observou nesta viagem, foi a vista de mar, que brilhava debaixo de seus pés, e lhe parecia incendiado por todos os lados, efeito da reflexão do Sol que se ocultava no horizonte, e que sem dúvida foi a causa do viajante não sentir na altura a que se remontou o frio activo, que de ordinário se experimenta.Mr. Eugénio Robertson viu certa poeira, que se levantava da terra, e julgando serem cavaleiros, que vinham ao seu encontro, tomou o óculo para melhor observar; mas era simplesmente o declive de alguns montes de terra argilosa, feridos pelos raios do sol que já declinava.O Aeronauta, depois de ter subido em meia hora a uma grande altura, e achando-se por cima de uma floresta, escolheu um sítio sem árvores, e apto para findar a sua viagem; ele o conseguiu descendo tranquilamente perto da freguesia de Ferreiro um lugar além do Rio Ave, distante uma légua de Vila do Conde, e 5 léguas do Porto. As primeiras pessoas que apareceram no momento em que tocou a terra o nosso viajante foram dois caçadores, que presenciaram as duas ascensões, que fez em Lisboa; depois chegou a cavalo o Ajudante das Milícias de Vila do Conde, Lima, que tendo descoberto o aeróstato da varanda da casa do seu Tenente Coronel se dirigiu com ele para o sitio, em que lhes parecia cair o balão.O Viajante recebeu dos mesmos Senhores todos os socorros possíveis, e os maiores testemunhos de estima; e, depois de ter pernoitado em casa do Ilustríssimo Major das Ordenanças em Bagunte, para onde o conduziu seu Filho o Ilustríssimo Tenente Coronel António Luiz, entrou no Porto no dia 26 quase ao meio dia, recebendo em todos os lugares por onde passou imensas provas de grande satisfação, e os aplausos que sempre costuma excitar em toda a parte esta rara e maravilhosa experiência. Reinou por toda a parte a maior ordem e harmonia em tão imenso concurso, efeito das sábias ordens que foram dadas pelo Ilustríssimo Desembargador Encarregado da Polícia, e pelo Ilustríssimo e Excelentíssimo Tenente General, Governador das Armas. – A tranquilidade, o contentamento, e a boa ordem que resplandeciam por toda a parte, e esta experiência feita em tais circunstâncias, parecia terem tornado este espectáculo uma verdadeira festa. No mesmo dia da viagem o público à noite deu provas da afeição que tinha ao jovem aeronauta, mostrando apenas acabou o teatro a sua impaciência, e o desejo de tornar a vê-lo; porém, não lhe foi possível voltar na referida noite ao mesmo teatro, como tencionava, para cumprimentar a tão respeitável reunião, e mostrar-lhe a sua eterna gratidão.NOTA: Mr. Eugénio Robertson pela observação do barómetro avaliou a sua altura num quarto de légua no momento da maior elevação."
May 27 2009, 12:34pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
Sapo aceita login com Cartão do Cidadão e OpenID
http://pauloquerido.pt/tecnologia/sapo-aceita-login-com-cartao-do-cidadao-e-openid/
O portal Sapo passou a aceitar a autenticação através do Cartão do Cidadão e do OpenID. As razões apontadas no blog próprio, Identity, prendem-se com questões de natureza técnica. Desconfio que não será bem isso. O Sapo estará, sim, a procurar um lugar próprio no nicho da autenticação, onde hoje competem Google, Facebook, Twitter e WordPress, to name just a few, usando tecnologias próprias e/ou compatíveis, com o OpenID a surgir como mais madura nesta fase.
Isto por um lado. Por outro, garante uma maior integração com as páginas alheias. Assim, a prazo um cliente seu poderá comentar num blog do Blogspot ou Wordpress e eventualmente usar o mesmo registo “único” para aceder também ao Facebook. Há muito que o Sapo tinha desenvolvido o OpenID internamente, julgo que isso remonta a uma fase em que procuravam tecnologias para um produto tipo wallet que infelizmente (do meu ponto de vista, que não necessariamente do ponto do vista do Sapo) nunca pegou. Este é um passo lógico, curto e bem dado. E até eu me loguei no Sapo, novamente.
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May 21 2009, 8:45am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
O PRIMEIRO SALTO DE PÁRA-QUEDAS EM PORTUGAL
http://dererummundi.blogspot.com/2009/05/o-primeiro-salto-de-para-quedas-em.html
Agradecendo de novo a João Boaventura publico o relato feito na "Gazeta de Lisboa" do primeiro salto de pára-quedas (na altura chamado "guarda-quedas") realizado em Portugal. Foi protagonizado na cidade de Lisboa, a 12 de Dezembro de 1819, por Eugène Roberson, o Robertson filho (actualizei a grafia). Na foto de cima, para contraste, imagem de um moderno páraquedista."Lisboa, 15.12.1819 - As diversas notícias de viagens aerostáticas feitas em vários países da Europa com a bela invenção do Guarda-queda, inventado por André Jacques Garnerin, e pela primeira vez experimentado em Paris, em Junho de 1799, experiência que o mesmo inventor repetiu em São Petersburgo em 1800 na presença do Imperador Alexandre, davam incentivos aos Portugueses que prezam os progressos das Ciências e das Artes, de desejarem se oferecesse algum dia ocasião de presenciarem esta experiência, toda filha das mais acertadas combinações. Não se podia certamente apresentar entre nós um homem mais capaz de desempenhar este objecto que o exímio físico Mr. Robertson, que em quase todas as Cortes da Europa havia patenteado a sua dexteridade neste e nos outros ramos da Física experimental, nos quais o segue com desvelo e grande aptidão seu filho Eugénio Robertson; o qual, tendo na sua primeira viagem aerostática, feita a 14 de Março deste ano nesta cidade, dando provas do quanto havia aproveitado as lições paternas, quis aqui mesmo fazer a sua primeira experiência de descer em Guarda-queda, visto proporcionar-se-lhe esta ocasião de o fazer com tanto maior gosto por ser um país, se ele a fazia pela primeira vez, também era a primeira vez que se expunha o brilhante espectáculo da descida em Guarda-queda.Estando pois o tempo seco, no destinado dia 12 do corrente se dirigiu a inumerável multidão de pessoas, que desejavam ver esta experiência, ao sítio para ela escolhido na Quinta do Excelentíssimo Visconde da Baía, do lado do Sul da estrada d’Entre-Muros. Pouco depois do meio dia começou a principal operação de se extrair o gás hidrogénio e encher o Balão, indo-se depois expedindo vazios aeróstatos de espaço a espaço, que iam mostrando a direcção que pouco mais ou menos seguiria o Aeronauta. No intervalo da operação, e ao som da música militar, que de vez em quando alegrava os ouvidos com harmoniosas peças de música, executou o destríssimo equilibrista Mr. Luiz (o célebre Indiano que o público admirou por muitas noites no Teatro da rua dos Condes), as suas mais difíceis destrezas e equilíbrios, bem como também a introdução das duas espadas de 25 polegadas pela boca abaixo, andando com elas introduzidas pelo esófago uma boa terça parte do circuito interior da praça, tirando-as ainda quentes, e mostrando-as, como antes da introdução, a quem as quis ter na mão, ou ver de mais perto a sua realidade, e carência da mínima mola que pudesse servir de diminuir o seu comprimento.Seriam pois três horas e meia quando, preso ao Balão o Guarda-queda, entrou no cesto de verga forrado de seda o jovem aeronauta Eugénio Robertson, com a bandeira portuguesa na mão, e despedindo-se dos circunstantes, largado o Balão à sua força ascensional, se elevou rápida e magestosamente, deitando logo abaixo a bandeira, e em breves minutos estava elevado a uma altura tal que apenas parecia o Balão um disco de três ou quatro palmos de diâmetro olhado pela simples vista; e posto que ao princípio seguiu a direcção obliqua um pouco ao Nornordeste, achando diversa corrente de ar tomou outra vez uma direcção muito mais iminente ao sítio da partida. Estavam fitos os olhos dos espectadores, entre susto e gosto, para verem o momento em que o intrépido aeronauta se separava do Balão; eis que em altura calculada em 1200 braças (muito mais do que subira em Março) se viu subitamente separar-se o Balão, e descer precipitado por um momento o Guarda-queda, e dentro de poucos segundos se divisou plenamente aberto, descendo com muita serenidade, bem como debaixo de hum vasto pavilhão, o denodado Aeronauta, o qual, depois de mais de 20 minutos do momento da subida, tendo-se demorado mais de metade deste tempo na descida, veio sem o menor desastre pousar da parte de dentro do valado de uma terra na estrada das Laranjeiras para a Luz, de onde voltou seguido de muito povo ao lugar da partida, a abraçar seu pai, e colher os parabéns do feliz desempenho desta bela, mas árdua experiência.Não podia ser mais magnifico o concurso das distintas pessoas que honraram este brilhante espectáculo com a sua presença no recinto dos camarotes e anfiteatro, nem foi sem dúvida mais brilhante e numeroso o concurso que houve na experiência de 14 de Março; pois se aquela não era nova para todos, esta só podia deixar de o ser para aquelas mui poucas pessoas existentes neste país que em outros a presenciassem; e dificultosamente se poderá ter feito em parte alguma o espectáculo da descida de Balão em Guarda-queda com maior perfeição e asseio da parte do artista, e com mais esplêndido circulo de espectadores. Se juntarmos a isto a exacta ordem que se observou, conforme as acertadas disposições da Policia, já na direcção das carruagens, já na tranquila retirada de tão grande multidão de povo, completaremos a sucinta ideia de um espectáculo, que, se na sua mesma raridade tem grande mérito para o vulgo, muito maior o tem para o homem pensador e instruído, que nele vê uma demonstração do adiantamento que nos últimos tempos tem sido as ciências físicas pelos esforços dos sábios da Europa; adiantamento que, apesar do pouco ou nenhum fruto de alguns inventos, tem pela suma utilidade de outros, elevado a alto ponto de perfeição as Artes, e constituído a glória e a riqueza das Nações mais cultas.A satisfação do público pelo feliz êxito desta experiência de novo se patenteou no Teatro Nacional da Rua dos Condes, quando à noite se apresentou na plateia o jovem aeronauta, levantando-se os espectadores para o aplaudirem com tal entusiasmo, que ele mesmo confessa ficara ternamente commovido, e eternamente obrigado a tão obsequiosa aprovação, tanto mais digna de apreço por ser de um povo ilustrado e circunspecto qual o desta grande Capital. E certamente podemos dizer que assaz provas tem aqui dado Mr. Robertson da alta opinião que goza na Europa, pois todas as suas experiências feitas nesta cidade têm tido o melhor êxito, e tem sido dignamente apreciadas por todos os inteligentes. O Balão foi cair, segundo nos consta, em S. Lourenço de Rana a 5 léguas de Lisboa, e uma adiante de Bucelas."(in Gazeta de Lisboa n.º 297, 16.12.1819).ERRATUM: Lisboa, 17.12.1819 – Na Gazeta de Quinta feira 16 do corrente, da segunda para a terceira linha do artigo Lisboa , onde se diz “invenção do Guarda-queda, inventado por A. J. Garnerin,” deve ler-se: “invenção do Guarda-queda, inventado por A. J. Garnein o seu uso na descida dos Balões, e pela primeira vez experimentado, etc.”
May 18 2009, 8:52am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
A LUA ENTRE A CIÊNCIA E A LITERATURA
http://dererummundi.blogspot.com/2009/04/lua-entre-ciencia-e-literatura.html
Minha crónica na última "Gazeta de Física" (na imagem a primeira subida tripulada a bordo de um balão, protagonizada em 1783 por Pilâtre de Rozier e pelo Marquês de Deslambres):O que têm em comum Johannes Kepler e Edgar Allan Poe? Pois ambos são motivos de centenários neste ano de 2009: passam 400 anos da publicação da Astronomia Nova, o livro que contém as duas primeiras leis do astrónomo alemão, e passam 200 anos do nascimento do poeta e contista norte-americano. Mas os paralelos não se esgotam aí: Kepler foi o autor da primeira obra de ficção científica, Somnium (Sonho), publicado postumamente em 1634, na qual descreve uma viagem da Terra à Lua, ao passo que Poe retomou o mesmo tema no conto A aventura sem paralelo de um tal Hans Pfaall, saído em 1835, que narra uma subida à Lua a bordo de um balão.Entre as duas efemérides, há precisamente 300 anos, situa-se uma outra: a da primeira ascensão em balão de ar quente, ainda que num protótipo não tripulado. A demonstração feita pelo padre luso-brasileiro Bartolomeu de Gusmão no paço de el-rei D. João V a 8 de Agosto de 1709 é um dos muito raros eventos em que o engenho luso aparece na história da tecnologia. Se Poe relata no século XIX uma arrojada subida em balão foi porque muitos aventureiros tinham antes efectuado demonstrações tripuladas. A primeira ascensão humana em balão, que se deve aos irmãos franceses Montgolfier, só foi efectuada 74 anos após o ensaio de Gusmão e há até quem especule sobre a possibilidade de ter havido transferência tecnológica através de Alexandre de Gusmão, irmão do inventor da Passarola, que andou por Paris. A bordo iam Pilâtre de Rosier, o professor de Física e Química que se haveria de tornar a primeira vítima mortal de um desastre aéreo quando anos depois tentava atravessar o canal da Mancha, e o Marquês de Deslambre.Também em Portugal se realizaram em finais do século XVIII e inícios do século XIX algumas admiráveis proezas de balonismo. O destemido balonista italiano Vincenzo Lunardi, que tinha sido o primeiro a subir aos céus na Inglaterra (levando a bordo um gato, um cão, uma pomba e uma garrafa de vinho!) fez uma exibição no Terreiro do Paço, em Lisboa, que levou o poeta Manuel Maria Bocage a escrever o Elogio poético à admirável intrepidez, com que em domingo 24 de Agosto de 1794 subiu o capitão Lunardi no balão aerostático. Bastam dois versos para se ver o estilo gradiloquente: Guardai da glória no imortal tesouro / O nome de Lunardi em letras de ouro. Lunardi, agradado pela cidade, acabou por se fixar em Lisboa e falecer aí.Em 1819 era a vez do professor de física belga (e lanternista mágico) Étienne-Gaspard Robertson e do seu filho Eugène efectuarem novos espectáculos de subida em balão em Lisboa, que incluiu o primeiro salto de pára-quedas feito em solo português. O pai já tinha realizado vários voos, um dos quais em Copenhaga que muito impressionou o então jovem físico Hans Christian Oersted a ponto de o levar a escrever poemas sobre o voo. Mas, desta vez, o poeta de serviço era um rival de Bocage, José Daniel Rodrigues da Costa, o Josino Leiriense da Arcádia Lusitana, que escreveu no mesmo ano do espectáculo O balão aos habitantes da Lua: uma epopeia portuguesa. Tenho em mãos uma reedição ilustrada, de apenas cem exemplares, datada de 2006 (do prelo da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, com introdução de Maria Luísa Malato Borralho; em 1978, já tinha saído nas Edições 70 uma edição com prefácio do poeta Alberto Pimenta). E leio uma engraçada sátira social, com a forma roubada a Os Lusíadas. O argumento é científico: Matemáticos pontos combinando,/ Tendo por base a grande Astronomia,/ Um Génio, que não tem nada de brando, / Projecta ir ver o Sol, fonte do dia: / Em pejado Balão vai farejando,/ Subindo mais e mais como devia;/ Divisa a Lua, mete-se por ela, / Pasma de imensas cousas que viu nela. Mas, partindo da ciência, a literatura voa livre. A Lua, nesta utopia portuguesa, está povoada pelos Lulanos, nome parecido com Lusitanos. Mas, como numa utopia à la More tudo deve ir ao contrário, eis que nessa Lua habitada, ao contrário de Portugal, a justiça funciona: Aqui não há ladrões! Se um aparece. / É logo e sem demora castigado; /Tenha empenhos ou não, ele padece,/ Sofrendo o que na Lei lhe é destinado.Há que fazer justiça a Bocage e a Rodrigues da Costa, por cruzarem a ciência, ou melhor, a tecnologia, com a arte. Se eles não têm a notoriedade de Kepler e de Poe deviam ter, pelo menos, uma maior notoriedade no vasto espaço de língua portuguesa.
May 16 2009, 6:04am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
O VOO DE ROBERTSON FILHO NA GAZETA DE LISBOA
http://dererummundi.blogspot.com/2009/05/o-voo-de-robertson-na-gazeta-de-lisboa.html
Com renovados agradecimentos ao nosso leitor João Boaventura publico aqui o relato que a Gazeta de Lisboa fez da subida em balão de Robertson filho nos céus de Lisboa em 14 de Março de 1819. Foi a segunda viagem em balão tripulada em terra portuguesa. O mesmo balonista haveria de realizar pouco depois a primeira descida em paraquedas realizada em Portugal. A grafia foi actualizada, incluindo mudanças de maiúsculas e pontuação, mas conservou-se o "sabor" do texto antigo. Na imagem, o balão "Minerva", concebido por Robertson pai em 1804, mas nunca construído (Robertson, E.G., La Minerve. Paris: S.V. Degen, 1804)."Lisboa, 21.03.1819 - Havia 24 para 25 anos (desde 24 de Agosto de 1794) que esta capital não gozava do magnífico espectáculo de uma viagem aerostática, que é sem dúvida um dos mais maravilhosos efeitos dos progressos das ciências nos últimos tempos, quando no dia 14 do corrente Março se viu renovado este esplêndido divertimento de um modo o mais brilhante que neste género se tem visto.Tendo há tempos Mr. Robertson, bem conhecido na Europa por seus conhecimentos práticos de Física experimental, chegado de França com seu filho, mancebo de coisa de 20 anos, a esta capital, e tendo pedido e alcançado licença para fazer uma ascensão aerostática, aumentando com esta o número de muitas que tem feito em diversos países, designou executá-la a 28 de Fevereiro; mas não o permitindo o tempo chuvoso, ficou transferida para o dia de domingo 14 de Março, o qual amanheceu com todo o brilho que neste delicioso clima se goza em tempo de estio, e particularmente na Primavera.Era o sitio destinado para esta operação a formosa Quinta da Excelentíssima Condessa de Anadia, a S. João dos Bem Casados, que S. Exa. generosamente se dignou prestar a Mr. Robertson para este fim, e cuja situação elevada oferecia um excelente ponto para a partida do aeronauta, desfrutando-se esta ao mesmo tempo de diversos lugares eminentes. Em uma área espaçosa desta Quinta se tinham destinado lugares de primeira e segunda ordem para um avultado número de subscritores que desejavam presencear de perto à operação de encher a máquina, para cujo fim estabeleceu no centro o hábil físico um aparelho pneumato-químico formado de 14 tonéis, de 8 dos quais só precisou extrair o gás, começando a trabalhar das nove e meia para as dez horas da manhã. Por volta da uma hora encheu o dito Professor um globozinho, que tinha as armas reais, e o levou à Excelentíssima Condessa de Anadia para S. Exa. se dignar de o soltar, e elevando-se ao ar, tomou a direcção do Noroeste, o que deu a conhecer aos espectadores qual deveria ser o rumo que seguiria o aeronauta, cujo balão grande, de 21 pés de diâmetro, já então estava cheio e pronto a partir. Para entreter porém mais os espectadores até à partida do seu balão, lançou Mr. Robertson mais alguns pequenos aeróstatos, tendo o último o feitio de um avultado peixe. Tocavam de vez em quando os músicos da Guarda real da Polícia, que se achavam no recinto, lindas sonatas, que animavam mais o vivo interesse que se divisava naquela conspícua assembleia.Esperava o público que seria Mr. Robertson, pai, o que subiria aos ares, e tal fora sempre a geral expectação, quando seu filho, o mancebo Robertson, desejando segui-lo nesta carreira, testemunha da maior parte das ascensões aéreas de seu pai, e tendo já subido com ele aos ares em Viena, instou lhe concedesse datar deste dia, e em tão brilhante ajuntamento a época da sua primeira ascensão aerostática em que fosse ele só. Tendo o pai anuído aos seus rogos, e certo de que se achava capaz de bem desempenhar esta arriscada empresa, entrou na barquinha o mancebo Robertson pelas duas horas e um quarto, e elevando-se um pouco a máquina, ainda preza por algumas guias, girou em torno da assembleia que ocupava o recinto, espalhando por cima dos espectadores vários papéis de versos análogos ao espectáculo. Baixou depois disto, e marcando os grãos do termómetro e do barómetro que levava, e as horas do seu relógio, se elevou pelas duas horas e três quartos, e na altura de coisa de 15 braças, lançando abaixo a bandeira, e descobrindo-se, bradou três vezes Viva El Rei, ao que respondeu o imenso concurso dos circunstantes. Foi-se o globo entre vivas e aplausos elevando majestosamente com grande serenidade, e quase perpendicularmente por grande espaço, indo entretanto o aeronauta deitando, até já ir em grande altura, mãos cheias de papéis de várias poesias impressas para esse fim.Um quarto de hora depois da partida, vendo o aeronauta debaixo de seus pés uma bela povoação (que era Benfica), abriu a válvula do balão para descer, e falando, apartado do chão a altura das casas, com o povo que ali se apinhara, espalhou alguns papéis, e aliviando de algum lastro a barquinha, bradando Viva El Rei, tornou a elevar-se a maior altura, calculada em três quartos de légua nesta segunda subida, na qual, muito mais alta que a primeira, deu o jovem físico grande prova de sua intrepidez e talento.Vendo-se já quase iminente ao mar, abriu de novo o registo do balão para subir o gás, e foi descendo contrariado pelo vento, chegando a terra pelas 4 horas e meia, num campo lavrado perto do sitio de Galamares (meia légua ao poente de Sintra), onde lhe prestou o mais oportuno auxílio para subjugar o balão o R.P. Fr. Carlos da Conceição, dos Capuchinhos da Serra. Os habitantes do campo correram também a qual mais desvelado o havia de ajudar, e foi conduzido o intrépido aeronauta como em triunfo a Sintra entre clamores de júbilo, e não se farta de expressar quanto o seu coração se acha penhorado pelo obséquio que ali de todos recebeu.Se quiséssemos pintar com expressões o lindo quadro do brilhante espectáculo deste dia, ou elas nos faltarão, ou quando pudéssemos vencer esta dificuldade, seria julgada hiperbólica a sua descrição pelos que o não viram, e inútil pelos que o gozaram, pois sempre a sua vista lhes deixara muito mais viva impressão. Figurem-se pois os que não presenciaram este espectáculo, o mais formoso dia, e o mais sereno, uma reunião de não menos de 50% habitantes desta capital em todos os sítios próximos ao do lugar da ascensão, e neste lugar a maior parte da fidalguia, alguns dos Excelentíssimos membros do governo, o excelentíssimo Marechal General, e outros Generais do Exército, enfim, um sem número de pessoas nacionais e estrangeiras de diversas hierarquias, brilhando com o maior gosto, riqueza, e primor os enfeites e adornos da mais luzida assembleia que se hajam talvez jamais visto do belo sexo; e sobre tudo dito, a belíssima ordem e sucesso que houve, as acertadas medidas tomadas pela Polícia, cuja Real Guarda ali se postou, e nos lugares mais convenientes, para a expedição do inumerável concurso das carruagens, que cobriam as estradas daqueles contornos; e assim se terá uma ideia aproximada, mas muito débil, da grata sensação que deixou nos ânimos dos que viram este lindíssimo espectáculo. Só uma circunstância a podia fazer mais completa nos corações portugueses; o leitor a conhecerá no fim do penúltimo verso do seguinte soneto, que, como os outros versos que o aeronauta espalhou, passamos a transcrever por satisfazermos a vontade do público que os deseja ler.(...) [poemas num "post" a publicar].(Em casa de Mr. Robertson se há de achar brevemente impressa a Relação desta Viagem, com os cálculos que por esta ocasião se fizeram)."(Gazeta de Lisboa n.º 69, 22.03.1819).
May 14 2009, 5:49pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
A “culpa” não é do Twitter
http://pauloquerido.pt/tecnologia/a-culpa-nao-e-do-twitter/
Recebi — como mensagem directa no Twitter — o seguinte: “Tens estado ausente do teu blog. Uma pena o que o Twitter faz até aos melhores :)” Não foi a primeira, aliás. Várias pessoas se têm queixado — até nos comentários aqui — da menor actividade aqui no Certamente!. E com tanta atenção concentrada no Twitter, que é de facto um “ladrão” dela (da atenção), é normal somar 2 + 2. Só que no meu caso o Twitter não é o principal culpado. O que aconteceu, como já disse aqui, há dias, tenho mais projectos em curso e foi o esforço aplicado neles que me tirou o tempo para escrever no meu espaço. Lista dos projectos em que estou activamente envolvido, sem nenhuma ordem especial: TwitterPortugal — é um agregador dos twitters portugueses, contém uma espécie de lista telefónica com muitas centenas de entradas (em wiki, qualquer pessoa se pode adicionar facilmente) e, o ponto central nesta altura, um blog, que é blog convidado do Público e que vai iniciar uma fase de colaboração com outras publicações, a começar pelo Expresso (já o posso divulgar). Eleições 2009 – é um projecto especial, inovador, nunca antes tentado em Portugal, que nos dará uma forma diferente, mais completa, de apurar o que de mais relevante se publica sobre as três eleições que decorrem este ano. Para já é visível no blog colectivo montado para o efeito; nos próximos dias veremos um pouco mais, no site do Público. Este projecto resulta de uma proposta que fiz ao Público e foi aceite; como se calcula, estou fortemente empenhado nele. Criar 2009 — Este é o Ano Europeu da Criatividade e Inovação e Portugal contribui com uma presença nas redes sociais até aqui nunca imaginada, e que é, ela própria, um exemplo de criatividade e inovação. Este website concentra informação sobre as iniciativas que decorrem em todo o país ao longo do ano, bem como artigos de opinião (ainda não me estreei mas está para breve). Mas é apenas uma das pontas do projecto. Na verdade, as pessoas a ele ligadas (a começar pelo coordenador nacional da Estratégia de Lisboa e do Plano Tecnológico, Carlos Zorrinho) colocaram o governo (e, espero eu, a administração) no trilho do open government. O meu papel é sobretudo técnico e editorial, ao nível do site, e de “conselheiro” em matéria de redes e de posicionamento nelas. Blog *** no Expresso —
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May 14 2009, 4:15am | Comments »







