Uma vez que estamos no ano Gusmão, pedimos a António Eugénio Maia do Amaral, Director Adjunto da Biblioteca da Universidade de Coimbra, um depoimento sobre as imagens que circulam do invento do luso-brasileiro, que foi estudante da Universidade de Coimbra:A imagem do balão do Padre Bartolomeu de Gusmão que se mostra ao lado e que já foi antes reproduzida neste blogue é uma imagem pouco conhecida que, apesar de publicada pelo menos três vezes e de ter sido mostrada na recente exposição "Cimélios" organizada pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, continua praticamente desconhecida de todos os que se interessaram e se interessam pela invenção do brasileiro.Publicada em 1886, em 1917 e de novo em 1935, parece que os especialistas nunca se aperceberam disso e continuaram a ilustrar a "Passarola" com a conhecida gravura tardia, imaginosa e até pouco prestigiante, que se popularizou pela Europa no final do século XVIII.O desenho estava solto (nunca terá sido colado) na folha 247v. do Ms. 342 (cópia, ca. 1709) e terá desaparecido algures entre 1935 e 1997, quando o bibliotecário da secção de manuscritos e reservados deu pela sua falta e mandou executar uma reprodução para a substituir.A sua reprodução é livre de direitos, e o desejo da Biblioteca é que seja reproduzida muitas vezes, até para contrariar a visão padronizada que aindase tem do invento do "Padre voador".A imagem citada foi publicada a primeira vez em:- SIMÕES, Augusto Filipe - A invenção dos aeróstatos reinvindicada... Évora: Typographia da Folha do Sul, 1868. P. 76-77.Depois numa pequena vinheta no fim de:- FARIA, Visconde - Reproduction fac-similé d'un dessin à la plume de sa description et de la pétition adressée au Jean V. (de Portugal) en langue latine et en écriture contemporaine (1709) retrouvés récemment dans les archives du Vatican... - [S.l. : s.n.], 1917 (Lausanne : Impr. Réunies S. A.. - 17 p. : il. ; 29 cme, mais tarde, reproduzida na capa de uma obra editada pela Biblioteca Geral:- DESCRIÇÃO burlesca dum imaginário aeróstato e outras sátiras ao PeBartolomeu Lourenço de Gusmão. Coimbra : Coimbra Editora, 1935.Sobre o manifesto escrito por Gusmão e da petição pedindo o direito para apenas ele fabricar objetos voadores, existem cópias em várias bibliotecas e já foram publicados muitas vezes. A Biblioteca Geral também tem cópias (não se conhecem originais) em manuscritos da época destes dois documentos:- GUSMÃO, Bartolomeu de, S.J., 1685-1724 Manifesto sumario para os q[ue] ignorão poderse navegar pello elemento do Ar [manuscrito]. [ca. 1709]. f. 234-241 : papel ; 215x153 mm.Cópia da época. Encadernado com cartas e papeis vários. Encadernação empele. Ms. 342, f. 234-244- GUSMÃO, Bartolomeu de, S.J., 1685-1724 [Petição de Bartolomeu Lourenço para lhe ser concedido o privilégio de só ele poder fabricar instrumentos para voar] [manuscrito]. [inícios de 1709]. [1] f. (f. 431 r, v) : papel ; 330x220 mm. Cópia da época. F. 431, numeração antiga, a tinta, e f. 410, 410 v., a lápis, num. moderna. Com papeis vários, impressos e manuscritos. Capas em pergaminho. Ms. 677, f. 410-410v.A Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra está a preparar uma exposição virtual sobre Bartolomeu de Gusmão e o seu invento, a divulgar no seu sítio.António Eugénio Maia do Amaral
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SOBRE A PASSAROLA DE GUSMÃO
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May 13 2009, 2:43am | Comments »
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O BALÃO AOS HABITANTES DA LUA
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O poema de Manuel Maria Bocage sobre as proezas do Capitão Lunardi está longe de ser o único, em língua portuguesa, dedicado às subidas aéreas. Em 14 de Março de 1819, os Robertson, pai e filho, fazem em Lisboa nova espectacular demonstração. Foi o que bastou para que o poeta José Daniel Rodrigues da Costa (na gravura) escrevesse "O Balão aos Habitantes da Lua", que está transcrito numa edição recente da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (edição de Maria Luísa Malato Borralho e ilustrações de Délia Silva). Deixo um excerto, acrescentando que o resto pode ser lido aqui.1.Eu canto o Herói que voa sem ter asas,Nas altas regiões de frio e fogo,Que no corpo da Lua encontrou casasQue não eram de pasto nem de jogo;Que viu montes de gelo, outros de brasas,Que indo buscar nas nuvens desafogo,As dúvidas tirou à gente perra,Que teima em que na Lua não há terra.2.Entre os Deuses da cega Antiguidade,Escolherei um Deus não cousa pouca,Um Deus de conhecida habilidade,Daqueles que não têm cabeça oca,A quem invoque e peça a caridadeDe pôr conceitos mil na minha boca;Não quero o Deus que tem cortado os mares,Quero um que tenha andado pêlos ares.3.A ti, Mercúrio, invoco desta vez!Porque és um Deus que tens pés e cabeça,Com asas da cabeça até aos pés,É bem que só a ti socorro peça;Bem haja quem te armou e quem te fez,Para seres o auxílio desta Peça!Empenha quanto tens, Jovem sisudo,Galero, caduceu, talares, tudo.4.E a vós, estouvadíssimos Lunáticos,Homens que andais, com a Lua, assim caquécticos,Pois que nas minhas obras estais práticos,Vos dedico estes voos meus poéticos!Quem pudera ter todos os Sais Áticos,Para obrigar a rir os mais frenéticos;Se estes versos achardes maus e horríficos,Comprai, lede, rasgai, ficai pacíficos.5.Num bote, que de verga foi tecido,Preso a um globo de gás inchado e cheio,Sobe aos ares Robertson destemido,Até que rompeu as nuvens pelo meio:Girou no imenso espaço prevenido,Sem conservar da queda algum receio;Entrou na Lua (não é caso novo),Mas pasmou vendo terra e tanto povo.
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May 12 2009, 3:46am | Comments »
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NOVAS SOBRE O CAPITÃO LUNARDI
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Agradeço a João Boaventura as notícias da "Gazeta de Lisboa" que me fez chegar sobre o Capitão Lunardi, o italiano que foi o primeiro a subir em balão em Portugal (na imagem a primeira ascensão de Lunardi em Inglaterra, realizada em 1784):Lisboa, 23.08.1794 - Avisos. O Capitão Lunardi intenta subir na sua Máquina aerostática amanhã Domingo 24 do corrente mês, das 3 às 5 horas da tarde. (GL n.º XXXIII, 2.º Supl., 23.08.1794).Lisboa, 26.08.1794 - O Capitão Luniardi satisfez anteontem completamente a expectação do Público, e mereceu, pela sua intrepidez, o geral aplauso. A Praça do Comércio se achava guarnecida com dois Regimentos de Infantaria, e alguma tropa de Cavalo, para conter em boa ordem o imenso povo que a ocupava dentro e fora do recinto, em que estava colocada a Máquina aerostática, havendo sobre o rio outro grande número de pessoas em embarcações, e estando coberta de gente todas as alturas sobranceiras à dita Praça. Às quatro horas e meia, se soltou a máquina, que subiu majestosamente, levando pendente um pequeno batel em que ia o dito Capitão, e oferecendo na realidade um espectáculo estupendo. O intrépido Aeronauta, já nos ares, saudou com uma bandeira e com os eu chapéu os espectadores, que acompanhando-o com a vista mostravam interessar-se no seu sucesso. O vento não era forte, e por ser Norte dirigiu a máquina ao princípio para o Sul, mas em maior altura ela tomou logo a direcção de Nordeste, com que continuou até perto das deis horas, e então se perdeu de vista. Ontem até à hora de se imprimir esta folha ainda o Capitão Lunardi não tinha voltado a esta Cidade, e só se dizia que ele descera com bom sucesso no sítio de Pancas, perto das nove horas da noite. (GL n.º 34, 26.08.1794).Lisboa, 29.08.1794 - O Capitão Lunardi não voltou aqui da sua viajem aérea senão pela terça feira de manhã: e por ele se soube que descera pelas nove horas da noite do Domingo no campo da Silveira, entre Montemor, e as Vendas-novas: a Máquina faltando-lhe o peso do navegante se tornou a elevar, sem que ele pudesse impedi-lo, e nãoi se sabe aonde foi parar. (GL n.º XXXIV, Supl., 29.08.1794).Lisboa, 02.09.1794 - Saíu à luz uma Descrição da viajem aérea do Capitão Lunardi, feita a 24 de Agosto de 1794. Vende-se por 60 reis na loja da Gazeta. (GL n.º 35, 02.09.1794).Lisboa, 02.09.1794 - Aviso. Hoje 2 de Setembro em benefício do Capitão Lunardi, Autor da Máquina aerostática, em que proximamente se elevou, há um Concerto de Música vocal e instrumental, composto de excelentes Músicos da Real Câmara de S.M.F., que obsequiosamente se oferecerão para isso, o qual começará às 8 horas em ponto na Casa da Assembleia das Nações estrangeiras, na rua do Alecrim... Os Bilhetes se distribuem por mãos particulares ou se podem haver à entrada da dita Casa pelo preço de 1600 reis cada um. (GL n.º 35, 02.09.1794).Lisboa, 16.09.1794 - Saíram à luz: Elogio Poético ao Capitão Lunardi, por Manuel Maria Barbosa du Bocage. Vende-se por 60 reis na loja da Gazeta. (GL n.º 37, 16.09.1794).Lisboa, 14.10.1794 - A Viajem aérea do Capitão Lunardi, escrita por ele mesmo, novamente estampada, se vende na loja da Gazeta por 120 reis, como também várias Estampas, bem abertas, de 120 a 480 reis. (GL n.º 41, 14.10.1794).Lisboa, 15.08.1806 - O Cavaleiro Lunardi, famigerado pelas suas Viagens aerostáticas, feitas nas suas admiráveis máquinas, faleceu no Hospício dos Capuchinhos Italianos de Lisboa no 1.º do corrente. (GL n.º XXXII, Sup., 15.08.1806).
May 11 2009, 11:29am | Comments »
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Jornais portugueses online: a década perdida
http://pauloquerido.pt/tecnologia/jornais-portugueses-online-a-decada-perdida/
Oontem tive mais uma confirmação, tão prática quanto acidental, de algo que venho observando e defendendo há muito tempo. Quem me conhece e ouve arengar, sabe o que penso da portalite — um fenómeno tipicamente português, que praticamente não tem expressão fora do universo de língua portuguesa (também no Brasil decorreu algo parecido, ainda que com protagonistas de origens diferentes). A portalite decorreu no final da década de 90 e consistiu na entrega, pelas grandes marcas de informação e entretenimento, do fruto do seu trabalho a terceiros, os “portais”. O fruto do trabalho do momento, mas também o fruto do trabalho de décadas — este a troco de nada, rien, nicles, zero: a transferência do valor das marcas de media ocorreu simplesmente, sem que ninguém pensasse nisso, sem que ninguém lhe atribuísse um valor durante os negócios e as conversações que rodearam a portalite.
A “justificação” para essas transferências de valor, bem como para o progressivo esvaziamento das marcas e o desaparecimento do mapa mental das novas gerações, decorreu de raciocínios funestos que pressupunham duas cegueiras — ou, vá lá, medos. Uma, a “incerteza” relativamente ao futuro da Internet enquanto plataforma criativa, sala de espectáculos de escala global e rede de distribuição privilegiada dos produtos gerados pelas indústrias culturais. Essa “incerteza” não existia fora da cabeça dos principais envolvidos (os interessados e os levados) nessa espécie de conspiração contra as marcas de media. A outra, os custos da tecnologia, os directos (material) e os indirectos (aquisição de competências), que seriam supostamente incomportáveis para as “pequenas” empresas de media, quando confrontadas com os emergentes “gigantes” tecnológicos. De nada serviu, na altura, proclamar que a Internet era o Toyota dos anos 90, vinha para ficar, e que não apenas a tecnologia era barata, como tenderia a baixar de preço drasticamente. Os jornais, rádios e televisões viram as suas individualidades morrer por afogamento indistinto nos “portais”; marcas fortíssimas serviram para vender o novo negócio do acesso a essa plataforma comum de edição e distribuição, a troco de um bocado de espaço em disco. Literalmente, foi isto. Com o tempo, as marcas de media diluiram-se, engrossando as novas marcas dos portais. Ontem fui de viagem. Quis ler notícias no meu iPhone e usei as aplicações noticiosas do Telegraph e do El País. São competentes. São marcas de informação em que confio. Por isso, aliás, me dei antes ao trabalho de as puxar e instalar. Mas quis ler também as notícias da política local (temos três campanhas eleitorais, lembram-se…). Não conheço nenhuma aplicação iPhone de um jornal, rádio ou televisão portuguesa. Logo, perguntei à minha rede de especialistas se conheciam alguma: “Bom dia #madrugadores.conheceis alguma app para iphone de jornais pt? Estou “condenado” ao El País …” (link) Vieram várias respostas. Todas diziam o mesmo, mas essa não é a questão. A questão é que nenhuma das respostas referiu uma marca de media, todas apontaram portais. Eu pedi um jornal, apontaram-me uma montra comercial de produtos, entre os quais alguns de informação. Pior: quando eu respondi que não era aquilo que tinha perguntado, a maioria ficou perplexa. Para ela, a transferência já se deu. A informação não está nos sites A ou B, mas no portal P. A maioria não compreendeu que eu, quando procuro informação, não confio nas escolhas de um portal nem nos critérios que as regem. Confio num dos jornais de um leque de marcas de jornalismo que ao longo dos tempos estiveram ao meu alcance sempre que precisei de ser informado, e o fizeram repetidamente com competência. É este o resultado de dez anos a trocar informação de alta qualidade por espaço em disco e a deixar sangrar a marca. A indústria dos media está em crise e essa crise não decorre somente de uma mudança de paradigma. Em Portugal e em pouco mais países há também essa decisão de trocar trabalho de especialista por espaço em disco e sacudir a marca do ombro. E responsáveis por ela. Hoje até já aqueles responsáveis devem ter descoberto que o espaço em disco é barato, a tecnologia está ao preço da chuva e que, numa rede, o verdadeiro valor não está nos fios mas nos nós. Nas pessoas. Daí, uma pergunta aos especialistas: serão as marcas de media capazes de reverter a situação? Ou estará a transferência do valor das marcas de media para os portais já para lá do ponto de retorno? Não é que me importe de ter de ficar a ler o El País. Até porque o mais provável, nesse caso, seria eu próprio programar uma aplicação para iPhone para ler o Expresso e o Público quando venho de viagem. Ei, boa ideia, vou agora mesmo começar a tratar disso.
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May 11 2009, 9:54am | Comments »
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Jornais portugueses online: a década perdida
http://pauloquerido.pt/tecnologia/jornais-portugueses-online-a-decada-perdida/
Oontem tive mais uma confirmação, tão prática quanto acidental, de algo que venho observando e defendendo há muito tempo. Quem me conhece e ouve arengar, sabe o que penso da portalite — um fenómeno tipicamente português, que praticamente não tem expressão fora do universo de língua portuguesa (também no Brasil decorreu algo parecido, ainda que com protagonistas de origens diferentes). A portalite decorreu no final da década de 90 e consistiu na entrega, pelas grandes marcas de informação e entretenimento, do fruto do seu trabalho a terceiros, os “portais”. O fruto do trabalho do momento, mas também o fruto do trabalho de décadas — este a troco de nada, rien, nicles, zero: a transferência do valor das marcas de media ocorreu simplesmente, sem que ninguém pensasse nisso, sem que ninguém lhe atribuísse um valor durante os negócios e as conversações que rodearam a portalite. A “justificação” para essas transferências de colossais quantidades de valor, bem como para o progressivo esvaziamento das marcas e o desaparecimento do mapa mental das novas gerações, decorreu de raciocínios funestos que pressupunham duas cegueiras — ou, vá lá, medos. Uma, a “incerteza” relativamente ao futuro da Internet enquanto plataforma criativa, sala de espectáculos de escala global e rede de distribuição privilegiada dos produtos gerados pelas indústrias culturais. Essa “incerteza” não existia fora da cabeça dos principais envolvidos (os interessados e os levados) nessa espécie de conspiração contra as marcas de media. A outra, os custos da tecnologia, os directos (material) e os indirectos (aquisição de competências), que seriam supostamente incomportáveis para as “pequenas” empresas de media, quando confrontadas com os emergentes “gigantes” tecnológicos. De nada serviu, na altura, proclamar que a Internet era o Toyota dos anos 90, vinha para ficar, e que não apenas a tecnologia era barata, como tenderia a baixar de preço drasticamente. Os jornais, rádios e televisões viram as suas individualidades morrer por afogamento indistinto nos “portais”; marcas fortíssimas serviram para vender o novo negócio do acesso a essa plataforma comum de edição e distribuição, a troco de um bocado de espaço em disco. Literalmente, foi isto. Com o tempo, as marcas de media diluiram-se, engrossando as novas marcas dos portais. Ontem fui de viagem. Quis ler notícias no meu iPhone e usei as aplicações noticiosas do Telegraph e do El País. São competentes. São marcas de informação em que confio. Por isso, aliás, me dei antes ao trabalho de as puxar e instalar. Mas quis ler também as notícias da política local (temos três campanhas eleitorais, lembram-se…). Não conheço nenhuma aplicação iPhone de um jornal, rádio ou televisão portuguesa. Logo, perguntei à minha rede de especialistas se conheciam alguma: “Bom dia #madrugadores.conheceis alguma app para iphone de jornais pt? Estou “condenado” ao El País …” (link) Vieram várias respostas. Todas diziam o mesmo, mas essa não é a questão. A questão é que nenhuma das respostas referiu uma marca de media, todas apontaram portais. Eu pedi um jornal, apontaram-me uma montra comercial de produtos, entre os quais alguns de informação. Pior: quando eu respondi que não era aquilo que tinha perguntado, a maioria ficou perplexa. Para ela, a transferência já se deu. A informação não está nos sites A ou B, mas no portal P. A maioria não compreendeu que eu, quando procuro informação, não confio nas escolhas de um portal nem nos critérios que as regem. Confio num dos jornais de um leque de marcas de jornalismo que ao longo dos tempos estiveram ao meu alcance sempre que precisei de ser informado, e o fizeram repetidamente com competência. É este o resultado de dez anos a trocar informação de alta qualidade por espaço em disco e a deixar sangrar a marca. A indústria dos media está em crise e essa crise não decorre somente de uma mudança de paradigma. Em Portugal e em pouco mais países (o Brasil entre eles, embora co) há também essa decisão de trocar trabalho de especialista por espaço em disco e sacudir a marca do ombro. E responsáveis por ela. Hoje até já aqueles responsáveis devem ter descoberto que o espaço em disco é barato, a tecnologia está ao preço da chuva e que, numa rede, o verdadeiro valor não está nos fios mas nos nós. Nas pessoas. Daí, uma pergunta aos especialistas: serão as marcas de media capazes de reverter a situação? Ou estará a transferência do valor das marcas de media para os portais já para lá do ponto de retorno? Não é que me importe de ter de ficar a ler o El País. Até porque o mais provável, nesse caso, seria eu próprio programar uma aplicação para iPhone para ler o Expresso e o Público quando venho de viagem. Ei, boa ideia, vou agora mesmo começar a tratar disso.
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May 9 2009, 11:54am | Comments »
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Um robô para perceber como se aprende
http://dererummundi.blogspot.com/2009/05/um-robo-para-perceber-como-se-aprende.html
Mais um post convidado de J. Norberto Pires:O CB2 é um robô criado por cientistas japoneses com o objectivo de estudar o processo de aprendizagem nos humanos. É um projecto muito interessante onde se mistura robótica com psicologia, estudo sistemático do processo de aprendizagem, etc., e que abre um vasto campo de debate sobre o futuro e sobre a nossa relação com máquinas.O "nascimento" do CB2 - um nome pouco inspirado que corresponde à sigla inglês para "Bebé- -robô com corpo biométrico" - é sobretudo um passo em frente na robótica, uma área em que o Japão tem dado cartas nos últimos anos.Aliás, a primeira versão do CB2 foi apresentada ao mundo em 2007, mas desde então o bebé cresceu e aprendeu a andar graças aos seus 51 músculos mecânicos, ainda que só com ajuda dos seus "pais humanos".O CB2, que mede 130 centímetros e pesa 33 quilogramas, também já capaz de "sentir" o contacto humano graças aos seus sensores e reconhecer expressões faciais com os seus olhos, duas sofisticadas câmaras. Esse era aliás um dos objectivos da equipa da Universidade de Osaka, que inclui engenheiros, neurologistas, psicólogos e outros especialistas: que ele aprendesse a ler as expressões faciais e identificá-las como resultado de emoções como a alegria ou tristeza."O nosso objectivo é estudar o desenvolvimento humano para compreender melhor como uma criança aprende a falar, reconhecer os objectos e comunicar com os pais", explicou Minoru Asada, o líder da equipa, citado pela AFP."Os bebés e as crianças têm programas muito, muito limitados. Mas têm capacidade para aprender mais", salienta. Ou seja, os cientistas esperam que o pequeno robô seja capaz de aprender como um bebé.Minoru Asada acredita que os progressos conseguidos com CB2 deixam-nos um passo mais perto da existência de robôs humanóides com a capacidade de pensarem por si próprios. Um cenário que é considerado um sonho por uns e uma ameaça por outros.Tecnicamente muito interessante, e um excelente desafio científico, o CB2 coloca de facto um debate importante que é necessário saber fazer. As máquinas inteligentes, com capacidades cognitívas, são cada vez mais uma realidade que temos de ser capazes de integrar no nosso dia-a-dia. A ciência, aliada à nossa inesgotável vontade e capacidade de desvendar os segredos da natureza, permite-nos estas realizações que de alguma forma colocam em causa muitas coisas que tinhamos como seguras e imutáveis.J. Norberto Pires
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May 8 2009, 6:48am | Comments »
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BOCAGE E O CAPITO LUNARDI
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Mais um relato de uma ascensão em balão, esta em verso, pela pena de José Maria Barbosa do Bocage (1765-1805) que ficou extasiado com a proeza do capitão italiano Vicente Lunardi (1759-1806) nos céus de Lisboa em 1794. Foi a primeira ascensão tripulada em solo português. Lunardi, que já tinha protagonizado experiências semelhantes noutros países europeus (foi até o primeiro a subir em Inglaterra a bordo de um balão), ficou tão satisfeito com o acolhimento que teve em Lisboa que fixou aqui residência falecendo em Lisboa. A grafia do poema foi actualizada. (Na imagem, "Bocage e as Ninfas", um quadro de Fernando Santos no Museu de Setúbal).A admirável intrepidez com que no dia 24 de Agosto de 1794 subiu o capitão Lunardi no balão aerostáticoQue brilhante espectáculo pomposoA meus olhos atónitos se ofereceD 'alta Ulisseia o vulgo numerosoJá no amplo foro de tropel recresce:Soa o mareio concerto estrepitoso,Que o sangue agita, os ânimos aquece;Assoma aos ares n'este alegre diaRaro prodígio de arte, e de ousadia.O Tejo as ondas cérulas aplana,Das ledas filhas cândidas cercado.Vibra o tridente azul co'a dextra ufana,E rebate a braveza ao norte irado:Contemplar em silêncio a audácia humanaQuer, ainda que a portentos costumado;Quer, encostando a face à urna d'ouro,Ver brilhar, ó Ciência, o teu tesouro.Lá surge ao vasto, ao fluido elementoO globo voador, lá se arrebataSobre as asas diáfanas do vento,B pelo imenso vácuo se dilata!...O pássaro feroz, voraz, cruento,Quando rápido voo aos céus desata,Quando as nuvens transcende, e Febo aí afronta,Da terra mais veloz se não remonta.Portentoso mortal, que à suma alturaVás no etéreo baixel subindo ousado,Que ilusão, que prestígio, que loucuraTe arrisca a fim tremendo, e desastrado?Teu espírito insano, ah que procuraPela estrada do Olimpo alcantilado?Não temes, despenhando-te dos ares,Qual ícaro infeliz, dar nome aos mares?Não temes (quando evites o espumosoCampo, que é dos tufões teatro à guerra)Não temes que n'um baque pavorosoTeu sangue purpure a dura terra?Tentas, qual Prometeu, roubar vaidosoO sacro lume, que nos céus se encerra?Ah! Não faças tão medonho ensaio:Ou teme o precipício, ou teme o raio.Mas para que pasmado, e delirante,Brados, e brados pelos ares lanço.Se apenas do fenómeno volanteCo'a vista perspicaz o voo alcanço?Em quanto grito, o aéreo naveganteSeu rumo segue em plácido descanso,Munido de ciência, e de constância,Surdo à voz do terror, e da ignorância.Gamas, Colombos, Magalhães famosos.Eternos no áureo templo da Memória,Sortes domando, e mares espantosos.De assombros mil e mil dourais a História;Mas ir dar leis aos ares espaçososÉ triunfo maior, e até mais glória.Porque não traz à louca, à cega genteOs males de que sois causa inocente.Lá onde a feia Inveja desgrenhadaAo Mérito não move horrível guerra,Tem sobre chusma inerte, e desprezadaCospe o veneno, as víboras aferra;Lá na ditosa, e lúcida morada,Defesa aos vícios, de que abunda a terraGuardai da glória no imortal tesouroO nome de Lunardi em letras de ouro.Que importa que no centro de UlisseiaA luz, claro varão, não fosses dado?De um frívolo acidente a louca ideiaTenha embora poder no vulgo errado:Que eu te consagro a dádiva febeiaQual se berço comum nos desse o fado;Longe, vãs prevenções d'homem grosseiro;O sábio é cidadão do mundo inteiro.Mas tu, cantor de Augusto, e de Mecenas,Roga a Jove te anime as cinzas frias,E de alvo cisne renovando as penas,Despeita o sacro fogo em que fervias:Desce às montanhas floridas, e amenas,Onde revivem de Saturno os dias;D'ali canoro entoa o nobre metro,E em honra de Lunardi exerce o plectro.De tornar-lho perene a digna famaSó tu, só tu convéns à grande empresa;Vem vê-lo ardendo em gloriosa chama,Subir ao poder da natureza:Para novos prodígios punge, inflamaSeu ânimo; e co'a voz em estro acesa,Sopre-lhe, oh vate, os bronzes, e alabastros;Depois com ele voltarás aos astros.Intrépidos mortais, oh quantos mundosAté agora escondidos e honrados,Ireis pisar, afoutos, e jocundos.Pelos etéreos campos azulados!Não fraquejeis, espíritos profundos,E na pasmosa máquina elevados,Ide incensar entre os sidéreos lumesO congresso imortal dos altos numes.É pouco para vós o mar, e a terra;Sim, a mais vos conduz o instinto, a sorte,Ilustrados varões, em quanto a guerraRouba, estraga, horroriza o sul, e o norte;Em quanto as negras fúrias desencerraDo tenebroso inferno a torva morte,Vinde à soberba fundação de Ulisses,Entre o povo feliz viver felizes.Renovai-lhe espectáculos gostosos,Exulte a curiosa HumanidadeSobre os campos de Lísia venturosos,Vestidos de serena amenidade;Fugi, fugi aos climas desditososOnde, exposta à voraz ferocidadeDe monstros de ímpia garra, aguda preza,Estremece, desmaia a Natureza.E tu, que da loquaz MaledicênciaTens açaimado a boca venenosa,Tu, que de racionais, só na aparência,Domaste a mente incrédula, e teimosa:Das fadigas, que exige árdua ciência,Em vivas perenes o prémio goza,E admira em teu louvor estranho, e novoUnida a voz do sábio a voz do povo.
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May 6 2009, 8:45pm | Comments »
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EXPERIÊNCIAS COM BALÕES
http://dererummundi.blogspot.com/2009/05/sobe-sobe-balao-sobe.html
Este ano passam os 300 anos da primeira experiência de ascensão aeronáutica efectuada por Bartolomeu de Gusmão. É um dos eventos que colocaram Portugal e o Brasil nos livros de história da ciência e da técnica e valerá a pena divulgar a esse propósito outras histórias relacionadas com a aeronáutica e passadas nesses países. Começo por transcrever um ensaio de balonismo, algo semelhante ao de Gusmão, embora bastante mais tardio, que teve lugar em Coimbra sob a direcção do professor Domingos Vandelli e que foi realizado por um grupo de estudantes seus, sendo um deles, Vicente Seabra, de origem brasileira. A experiência teve lugar em 1884, em frente ao Laboratório Chimico (sede do actual Museu da Ciência, que aliás evoca a experiência com uma réplica no interior), cerca de um ano depois dos primeiros ensaios dos irmãos Montgolfier em França.Escreveu a Gazeta de Lisboa, a 17 de Junho de 1884:«Esta máquina se achava prestes no laboratório químico da Universidade para ser lançada aos ares a 15 de Junho; mas, quando os autores dela, que são Tomás José de Miranda e Almeida, José Álvares Maciel, Salvador Caetano de Carvalho e Vicente Coelho de Seabra, todos aplicados às Ciências Naturais, quiseram autorizar esta experiência (que lhes fora encarregada no princípio do ano lectivo próximo passado pelo seu mestre, o Dr. Domingos Vandelli) com a assistência do Exmo Reitor da Universidade, por esta razão se demorou ali o referido tempo. E efectivamente no dia 27 assistiram à experiência o dito Exmo Reitor com todo o corpo académico, nobreza e povo, por quem os autores dela foram geralmente aplaudidos».
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May 6 2009, 2:37am | Comments »
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MISS ATOM 2009
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A indústria nuclear do leste nunca foi sexy. E é para contrariar essa imagem que se organiza todos os anos um concurso "Miss Atom", em que só podem concorrer funcionárias da indústria nuclear russa. Em cima, uma das concorrentes, tal e qual foi mostrada pela revista "Wired". Mas não foi ela que ganhou: a Miss Atom 2009 é Jekaterina Bulgakowa, 25 anos, na foto ao lado, que é empregada num reactor de investigação no Volga.A propósito de misses: a Queima das Fitas que está a decorrer em Coimbra inclui este ano o concurso Miss Queima das Fitas (ganhou uma estudante de Engenharia de Ambiente). Mudam-se os tempos: Quando eu era estudante era simplesmente inimaginável haver Queima das Fitas, quanto mais Miss Queima das Fitas...
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May 3 2009, 5:41am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
MAIS UMA MÁQUINA IMPOSSÍVEL
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As leis da termodinâmica estão de pé porque têm resistido desde há muitos anos a todo o tipo de inventores que engenham dispositivos para as violar. E é por isso que muitas repartições de patentes já nem aceitam máquinas de movimento perpétuo. Este aquecedor de água, com um anunciado rendimento superior a cem por cento, é apenas mais um desses milhentos casos... É uma crença nas leis da termodinâmica, mas estou convencido que elas vão continuar de pé!
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May 3 2009, 4:41am | Comments »





